quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

SOU CONTRA A DITADURA

 


SOU CONTRA A DITADURA

 

Os valores do cristianismo têm me ensinado a ser livre — e, sobretudo, a respeitar a liberdade do outro.
“Liberdade” é uma palavra muito repetida nos últimos dias, mas que também tem me causado certo incômodo. Afinal, muitos não compreendem que liberdade não é ausência de limites.

O exercício da liberdade não pode ferir o próximo. A frase popular “Incomodado que se mude!” é totalmente incompatível com a vida em sociedade. Sociedade é um grupo humano que convive no mesmo tempo e espaço, seguindo regras comuns. Não estamos sós. Vivemos em interdependência, e isso exige responsabilidade e respeito.

Infelizmente, atravessamos um tempo marcado por egoísmo, isolacionismo, arrogância e inconsequência. Precisamos vigiar para não sermos engolidos por essa maré de deseducação e deselegância.

É o vizinho que ignora o horário de silêncio e acredita que todos devem ouvir sua seleção musical.
É o motorista que usa o acostamento no congestionamento, julgando-se mais importante que os demais.
São pessoas que furam filas sem qualquer consideração por quem está aguardando.

A sociedade precisa reavaliar seus princípios e valores.


O que entendo por “ditadura”

Faço esse preâmbulo para declarar que sou contra todo tipo de ditadura.

Quando utilizo essa palavra, não me refiro apenas ao conceito técnico-político, mas ao sentido comum de opressão, tirania, violência ou qualquer forma de imposição que cerceie a liberdade do outro por meios injustos.

Para mim, neste contexto, ditadura é o cerceamento da liberdade por ferramentas espúrias, seja por abuso de poder, corrupção, manipulação ou negligência institucional.

Podemos observar traços disso em diversas áreas da sociedade.


A saúde pública

Como exemplo, cito o Sistema Único de Saúde (SUS), que é uma conquista importante do povo brasileiro, mas que sofre com má gestão e corrupção em várias esferas. Recursos que deveriam garantir atendimento digno muitas vezes são desviados, deixando a população refém de estruturas precárias e de governantes irresponsáveis.

O problema não está no princípio do sistema, mas na falta de compromisso ético na sua administração.


A crise na educação

Hoje, porém, desejo enfatizar a situação da educação pública no Brasil.

Sabemos que:

  • A educação básica é responsabilidade dos municípios;
  • O ensino médio, dos estados;
  • O ensino superior público, majoritariamente, da esfera federal.

Apesar de profissionais dedicados e vocacionados, o sistema educacional enfrenta sucateamento, baixos salários e condições inadequadas de trabalho. Muitas escolas públicas, que deveriam ser centros de formação intelectual, diálogo e construção de cidadania, acabam funcionando como depósitos de crianças e adolescentes sem perspectiva.

Falo como alguém que é fruto da escola pública. Minha formação básica, média e técnica foi sustentada pelos impostos pagos pelo povo brasileiro. Sou profundamente grato aos professores que, independentemente das circunstâncias, deram o seu melhor.

Não podemos aceitar um modelo de abandono e desmonte do ensino público. Questões ideológicas devem ser debatidas em fóruns competentes, mas crianças e adolescentes precisam ser respeitados como indivíduos em formação, não como instrumentos de disputa política.


A ditadura da imbecilidade

Sou contra a ditadura da imbecilidade — uma política que não valoriza a educação, que transforma alunos em números para captação de recursos e que permite que crianças cheguem ao quinto ano sem saber ler adequadamente.

Um povo sem educação é facilmente dominado.

Há quase três mil anos, um rei pediu sabedoria a Deus. Independentemente da fé de cada um, a história registra o período de Salomão como um dos mais prósperos de Israel. Ele declarou:

“Ensine a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele.”
(Provérbios 22:6)

Que lutemos por uma educação básica de qualidade. Que freemos a irresponsabilidade com nossas crianças — e, consequentemente, com o nosso povo.


Sou grato a Deus por ter colocado em minha caminhada professoras e professores que me ensinaram a sonhar e a não temer desafios.



Cláudio Eduardo M Costa
Filho de pais que não concluíram o ensino fundamental — pobres no aspecto econômico, mas ricos em valores; pessoas dignas que acreditavam na honestidade e na força do trabalho.

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