SOU CONTRA A DITADURA
Os valores do cristianismo têm me ensinado a ser livre — e,
sobretudo, a respeitar a liberdade do outro.
“Liberdade” é uma palavra muito repetida nos últimos dias, mas que também tem
me causado certo incômodo. Afinal, muitos não compreendem que liberdade não
é ausência de limites.
O exercício da liberdade não pode ferir o próximo. A frase
popular “Incomodado que se mude!” é totalmente incompatível com a vida em
sociedade. Sociedade é um grupo humano que convive no mesmo tempo e espaço,
seguindo regras comuns. Não estamos sós. Vivemos em interdependência, e isso
exige responsabilidade e respeito.
Infelizmente, atravessamos um tempo marcado por egoísmo,
isolacionismo, arrogância e inconsequência. Precisamos vigiar para não sermos
engolidos por essa maré de deseducação e deselegância.
É o vizinho que ignora o horário de silêncio e acredita que
todos devem ouvir sua seleção musical.
É o motorista que usa o acostamento no congestionamento, julgando-se mais
importante que os demais.
São pessoas que furam filas sem qualquer consideração por quem está aguardando.
A sociedade precisa reavaliar seus princípios e valores.
O que entendo por “ditadura”
Faço esse preâmbulo para declarar que sou contra todo tipo
de ditadura.
Quando utilizo essa palavra, não me refiro apenas ao
conceito técnico-político, mas ao sentido comum de opressão, tirania, violência
ou qualquer forma de imposição que cerceie a liberdade do outro por meios
injustos.
Para mim, neste contexto, ditadura é o cerceamento da
liberdade por ferramentas espúrias, seja por abuso de poder, corrupção,
manipulação ou negligência institucional.
Podemos observar traços disso em diversas áreas da
sociedade.
A saúde pública
Como exemplo, cito o Sistema Único de Saúde (SUS),
que é uma conquista importante do povo brasileiro, mas que sofre com má gestão
e corrupção em várias esferas. Recursos que deveriam garantir atendimento digno
muitas vezes são desviados, deixando a população refém de estruturas precárias
e de governantes irresponsáveis.
O problema não está no princípio do sistema, mas na falta
de compromisso ético na sua administração.
A crise na educação
Hoje, porém, desejo enfatizar a situação da educação
pública no Brasil.
Sabemos que:
- A
educação básica é responsabilidade dos municípios;
- O
ensino médio, dos estados;
- O
ensino superior público, majoritariamente, da esfera federal.
Apesar de profissionais dedicados e vocacionados, o sistema
educacional enfrenta sucateamento, baixos salários e condições inadequadas de
trabalho. Muitas escolas públicas, que deveriam ser centros de formação
intelectual, diálogo e construção de cidadania, acabam funcionando como
depósitos de crianças e adolescentes sem perspectiva.
Falo como alguém que é fruto da escola pública. Minha
formação básica, média e técnica foi sustentada pelos impostos pagos pelo povo
brasileiro. Sou profundamente grato aos professores que, independentemente das
circunstâncias, deram o seu melhor.
Não podemos aceitar um modelo de abandono e desmonte do
ensino público. Questões ideológicas devem ser debatidas em fóruns competentes,
mas crianças e adolescentes precisam ser respeitados como indivíduos em
formação, não como instrumentos de disputa política.
A ditadura da imbecilidade
Sou contra a ditadura da imbecilidade — uma política que
não valoriza a educação, que transforma alunos em números para captação de
recursos e que permite que crianças cheguem ao quinto ano sem saber ler
adequadamente.
Um povo sem educação é facilmente dominado.
Há quase três mil anos, um rei pediu sabedoria a Deus.
Independentemente da fé de cada um, a história registra o período de Salomão
como um dos mais prósperos de Israel. Ele declarou:
“Ensine a criança no caminho em que deve andar, e ainda
quando for velho não se desviará dele.”
(Provérbios 22:6)
Que lutemos por uma educação básica de qualidade. Que
freemos a irresponsabilidade com nossas crianças — e, consequentemente, com o
nosso povo.
Sou grato a Deus por ter colocado em minha caminhada
professoras e professores que me ensinaram a sonhar e a não temer desafios.
Cláudio Eduardo M Costa
Filho de pais que não concluíram o ensino fundamental — pobres no aspecto
econômico, mas ricos em valores; pessoas dignas que acreditavam na honestidade
e na força do trabalho.
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