INFÂNCIA ROUBADA: O SILÊNCIO QUE PRECISA SER
QUEBRADO...
(Stolen childhood: The silence that needs to be
broken..)
“Eles entraram na casa e encontraram o menino
com Maria, a sua mãe. Então se ajoelharam diante dele e o adoraram. Depois
abriram as suas malas e lhe deram presentes: ouro, incenso e mirra.” (Mateus
2:11 — NTLH)
O Brasil e Suas Crianças
O Brasil deveria estar chorando por suas crianças.
Quando imaginávamos que o século XXI traria mais respeito,
dignidade e proteção à infância, percebemos que ainda enfrentamos desafios
alarmantes. É verdade que nosso país possui leis importantes na defesa dos
direitos da criança e do adolescente. O problema não está apenas na legislação,
mas na sua aplicação efetiva e na construção de uma sociedade verdadeiramente
justa e responsável.
Após séculos marcados por exploração infantil — trabalho
degradante, altos índices de analfabetismo, tráfico, abuso e abandono — o mundo
começou a despertar para a urgência de proteger a infância. No Brasil, o Dia
das Crianças foi oficializado por decreto presidencial em 5 de novembro de
1924, estabelecendo o 12 de outubro como data comemorativa.
Temos também o Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA), em vigor desde 1990, que completará 36 anos em 2026. Trata-se de uma
legislação moderna e abrangente. Contudo, leis só produzem transformação quando
são conhecidas, aplicadas e respeitadas.
A exploração infantil ainda existe.
Muitas crianças têm a inocência roubada.
Muitas
se tornam apenas números nas estatísticas da violência e da dor.
Perguntas que Precisam Ser Feitas
Algumas perguntas nos inquietam:
- Que
mundo estamos deixando para as próximas gerações?
- Como
estamos enxergando as crianças nos contextos político, social, espiritual
e familiar?
- Que
princípios e valores estamos transmitindo?
- Onde
está a Igreja, levantando sua voz e agindo contra toda forma de violência
infantil?
O silêncio também comunica. E, muitas vezes,
ele protege o agressor e abandona a vítima.
Crianças: Consumo ou Dignidade?
Com o passar do tempo, o Dia das Crianças tornou-se uma das
datas mais fortes do calendário comercial. Brinquedos, promoções e festas
movimentam o mercado. Não há problema em presentear. O problema surge quando o
consumo substitui o compromisso.
As crianças esquecidas e marginalizadas não
precisam apenas de bonecas e bolas. Elas precisam ser vistas, ouvidas e
reconhecidas como seres humanos em formação, portadores de dignidade e
potencial.
Toda criança tem direitos.
Toda criança precisa de proteção.
Toda criança necessita de cuidado físico, emocional e espiritual.
Um Olhar Para Belém
Ao pensar nas crianças, volto meus pensamentos à Palestina
do primeiro século. Em uma pequena cidade sob o domínio do Império Romano, um
jovem casal cuidava de seu filho recém-nascido.
O nome da criança era Jesus — também chamado Emanuel.
Visitantes vieram de longe. Trouxeram presentes preciosos:
ouro, incenso e mirra.
Esses presentes tinham valor material e simbólico.
Representavam reconhecimento, honra e propósito. O Rei dos reis foi reconhecido
ainda na infância.
Mas é importante lembrar: Jesus também foi uma criança
ameaçada. Precisou fugir com seus pais para escapar da violência de Herodes
(Mateus 2). Desde cedo, sua vida foi marcada pela vulnerabilidade — como tantas
crianças em nossos dias.
Que Presente Daremos?
Diante dessa realidade, precisamos perguntar:
Que presente estamos oferecendo às crianças do
nosso tempo?
Precisamos:
- Chorar
pelas vidas ceifadas pela violência.
- Clamar
por justiça contra aqueles que roubam a infância.
- Exigir
políticas públicas eficazes e proteção real às crianças.
- Construir
uma sociedade que valorize o ser humano acima do consumo.
- Ensinar
valores sólidos dentro de casa e nas comunidades de fé.
A Igreja precisa olhar para Jesus e aprender
com Ele o valor da criança no Reino de Deus.
“Deixem que as crianças venham a mim e não as proíbam; pois
o Reino do Céu é das pessoas que são como estas crianças.”
(Mateus 19:14 — NTLH)
Um Chamado à Responsabilidade
As crianças não são apenas o futuro — elas são o presente.
Cuidar delas é investir em uma geração saudável, digna e
preparada para construir uma sociedade melhor.
Que sejamos instrumentos nas mãos de Deus para proteger,
ensinar e amar nossas crianças.
Que o presente que ofereçamos não seja apenas material, mas
um legado de fé, dignidade, justiça e esperança.
Cláudio Eduardo M Costa
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