sexta-feira, 21 de agosto de 2026

É VERDADE? É NECESSÁRIO? VAI EDIFICAR? - SALMO 52 -

 


É VERDADE? É NECESSÁRIO? VAI EDIFICAR?

SALMO 52

 

Você já recebeu uma informação sobre alguém e ficou com vontade de contar para outra pessoa?

Talvez você não tenha visto o fato acontecer. Talvez tenha apenas ouvido alguém contar. Mas, mesmo que a informação seja verdadeira, ainda precisamos fazer três perguntas antes de falar:

É verdade?
É necessário?
Vai edificar?

Essa é a reflexão que encontramos no Salmo 52. Davi nos apresenta uma mensagem muito séria sobre o poder destrutivo da mentira, da calúnia, da fofoca e do uso irresponsável das palavras.

Vivemos em uma época em que a fofoca muitas vezes recebe outros nomes: fake news, “informação”, “opinião”, “comentário”, “meia verdade” ou simplesmente “eu só estou contando o que ouvi”.

Mas uma pergunta continua sendo necessária: o que estou prestes a falar vai abençoar ou destruir?

A Bíblia nos ensina que precisamos ter cuidado com aquilo que sai da nossa boca.

 

UMA HISTÓRIA MARCADA PELO PODER DE UMA INFORMAÇÃO

O Salmo 52 apresenta como pano de fundo uma situação envolvendo Davi, Saul, o sacerdote Aimeleque e Doegue, o edomita.

Davi estava fugindo de Saul e foi até Nobe, onde encontrou Aimeleque, sacerdote do Senhor. Ali, recebeu alimento e a espada de Golias.

Doegue, que estava naquele lugar, viu o que havia acontecido e posteriormente contou a Saul que Aimeleque havia ajudado Davi. A informação foi usada por Saul para acusar os sacerdotes de conspiração.

O resultado foi trágico.

Saul ordenou que os sacerdotes fossem mortos, e Doegue executou a ordem. Segundo 1 Samuel 22:18 (NAA), naquele dia foram mortos oitenta e cinco homens que vestiam estola sacerdotal de linho. A cidade de Nobe também foi atacada. (SBB)

Que tragédia!

Uma informação transmitida com intenção perversa produziu consequências terríveis.

Por isso, precisamos entender que palavras não são inofensivas.

Uma fofoca pode destruir uma reputação.
Uma mentira pode destruir um relacionamento.
Uma acusação pode destruir uma família.
Uma informação irresponsavelmente compartilhada pode provocar consequências que jamais poderemos reparar.

 

A LÍNGUA PODE SER COMO UMA NAVALHA

Davi utiliza uma imagem muito forte no Salmo 52.

Em Salmo 52:2 (NAA), ele descreve a língua como uma “navalha afiada”, associando-a a planos de destruição e engano.

A imagem é poderosa.

Uma navalha corta.

Uma navalha pode ferir.

Uma navalha pode destruir.

Da mesma maneira, palavras usadas de maneira irresponsável podem cortar profundamente a vida de uma pessoa.

É por isso que precisamos pensar antes de falar.

 

PRIMEIRA PERGUNTA: É VERDADE?

A primeira pergunta é:

É verdade?

Vivemos em uma época de velocidade. Uma mensagem chega pelo WhatsApp, alguém encaminha, outra pessoa compartilha e, em poucos minutos, uma informação pode alcançar centenas ou milhares de pessoas.

Mas quem verificou?

Quem ouviu os dois lados?

Quem confirmou?

Quem conhece todos os fatos?

A Bíblia nos alerta em Provérbios 18:13 (NAA):

“Responder antes de ouvir é tolice e vergonha.”

Precisamos aprender a ouvir antes de falar.

Precisamos aprender a verificar antes de compartilhar.

Precisamos aprender a buscar a verdade antes de espalhar uma informação.

A própria Escritura nos ensina, em Efésios 4:25 (NAA), a abandonar a mentira e falar a verdade com o nosso próximo.

Jesus também ensina que o diabo é mentiroso e é chamado de “pai da mentira” em João 8:44.

Portanto, quando recebemos uma informação, especialmente sobre outra pessoa, precisamos parar e perguntar:

É verdade?

Não basta ter ouvido.

Não basta alguém ter contado.

Não basta estar circulando nas redes sociais.

Antes de falar, precisamos buscar a verdade.

 

SEGUNDA PERGUNTA: É NECESSÁRIO?

Depois de perguntar se é verdade, precisamos fazer uma segunda pergunta:

É necessário?

Eu realmente preciso falar sobre isso?

Preciso transmitir essa informação para outra pessoa?

Preciso expor a vida de alguém?

Preciso comentar sobre uma situação que não diz respeito a mim?

Preciso compartilhar uma história que pode constranger ou humilhar alguém?

Nem tudo o que sabemos precisa ser contado.

Nem tudo o que ouvimos precisa ser compartilhado.

Nem toda informação verdadeira precisa ser publicada.

Existe uma diferença enorme entre ter conhecimento de alguma coisa e ter autorização ou necessidade de falar sobre aquilo.

Precisamos aprender a guardar silêncio quando o silêncio é mais sábio do que a fala.

A Palavra de Deus diz em Provérbios 11:13 (NAA) que quem encobre o que lhe foi confiado é digno de confiança, enquanto aquele que espalha a calúnia revela segredos.

Isso nos ensina algo muito importante: a maturidade também aparece naquilo que escolhemos não falar.

 

TERCEIRA PERGUNTA: VAI EDIFICAR?

Depois de perguntar se é verdade e se é necessário, precisamos fazer uma terceira pergunta:

Vai edificar?

Essa informação vai acrescentar alguma coisa à vida de alguém?

Vai ajudar?

Vai restaurar?

Vai orientar?

Vai proteger?

Vai aproximar?

Vai produzir graça?

Ou simplesmente vai alimentar a curiosidade, a exposição e a destruição?

O apóstolo Paulo nos dá uma orientação muito clara em Efésios 4:29 (NAA):

“Não saia da boca de vocês nenhuma palavra suja, mas unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem.”

Observe as palavras: edificação, necessidade e graça.

Nossa fala deve ter propósito.

Nossa fala deve produzir edificação.

Nossa fala deve transmitir graça.

Isso significa que precisamos pensar não apenas se aquilo é verdade, mas também o que essa verdade produzirá quando for dita.

 

NEM TODA VERDADE PRECISA SER DITA

Essa talvez seja uma das maiores lições dessa reflexão.

Nem toda verdade precisa ser dita.

Nem toda verdade precisa ser publicada.

Nem toda verdade precisa ser compartilhada.

Nem toda verdade precisa ser comentada.

Existem verdades que precisam ser tratadas com amor, cuidado, sabedoria e, muitas vezes, em particular.

Jesus ensinou exatamente isso quando falou sobre o relacionamento entre irmãos.

Em Mateus 18:15 (NAA), Jesus diz:

“Se o seu irmão pecar contra você, vá e repreenda-o em particular.”

Observe a ordem ensinada por Jesus.

Primeiro, em particular.

Se a pessoa ouvir, o relacionamento é restaurado.

Se não ouvir, Jesus orienta que sejam levadas uma ou duas pessoas.

Somente depois, caso necessário, a questão deve ser apresentada à igreja.

Jesus estabelece um caminho de restauração, e não um caminho de fofoca.

Quantas vezes acontece justamente o contrário?

Alguém percebe um erro de outra pessoa e, em vez de conversar diretamente com ela, corre para o líder.

Corre para o pastor.

Corre para os amigos.

Conta para outras pessoas.

Espalha a história.

E aquilo que deveria ser uma conversa para restauração transforma-se em uma rede de comentários.

Isso não é o caminho ensinado por Jesus.

O objetivo não é destruir o irmão. É ganhar o irmão.

 

A BOCA REVELA O QUE ESTÁ NO CORAÇÃO

Em Mateus 12:34 (NAA), Jesus faz uma afirmação muito profunda: “Porque a boca fala do que está cheio o coração.”

Essa palavra nos leva para além do problema da fala.

Ela nos leva para dentro do coração.

Porque a questão não é apenas:

O que estou falando?

Mas também:

O que está enchendo o meu coração?

Se meu coração está cheio de amargura, minha boca provavelmente revelará amargura.

Se meu coração está cheio de inveja, minhas palavras poderão revelar inveja.

Se meu coração está cheio de ressentimento, minha fala poderá ferir.

Mas se meu coração está cheio da graça de Deus, minhas palavras poderão transmitir graça.

Por isso, talvez a pergunta mais profunda seja:

Do que está cheio o meu coração?

 

CUIDADO COM A FOFOCA

O Salmo 52 nos chama a uma postura diferente.

Precisamos fugir da fofoca.

Precisamos rejeitar a mentira.

Precisamos abandonar a calúnia.

Precisamos ter cuidado com aquilo que compartilhamos.

Precisamos usar nossas palavras para abençoar.

A tecnologia tornou nossa responsabilidade ainda maior.

Hoje podemos destruir uma reputação com uma postagem.

Podemos espalhar uma mentira com um simples toque na tela.

Podemos compartilhar um áudio sem verificar sua origem.

Podemos comentar sobre a vida de alguém sem sequer conhecer toda a história.

Por isso, antes de apertar o botão “enviar”, precisamos apertar o botão da consciência.

É verdade?

É necessário?

Vai edificar?

 

DAVI ESCOLHE CONFIAR EM DEUS

Apesar de toda a maldade apresentada no Salmo 52, Davi não termina sua reflexão olhando para o poder destrutivo do homem.

Ele termina olhando para Deus.

Em Salmo 52:8-9 (NAA), Davi afirma que é como “a oliveira verde na Casa de Deus” e declara sua confiança na misericórdia do Senhor para sempre.

Essa é uma decisão espiritual.

Davi escolhe confiar na misericórdia de Deus.

Davi escolhe esperar no Senhor.

Davi escolhe continuar louvando.

Essa também precisa ser a nossa decisão.

Quando pessoas usam palavras para destruir, nós podemos escolher usar nossas palavras para edificar.

Quando alguém espalha mentira, nós podemos escolher falar a verdade.

Quando alguém promove divisão, nós podemos escolher promover reconciliação.

Quando alguém usa a língua como uma navalha, nós podemos escolher usar nossa boca como instrumento de graça.

 

ANTES DE FALAR, PARE E PENSE

Talvez você precise guardar estas três perguntas para os próximos dias:

É verdade?

É necessário?

Vai edificar?

Se a resposta para as três perguntas for sim, fale.

Mas fale com amor.

Fale com sabedoria.

Fale com graça.

Agora, se não for verdade, não fale.

Se for verdade, mas não for necessário, talvez seja melhor não falar.

Se for verdade e necessário, mas não contribuir para a edificação, pense novamente sobre a maneira e o momento de falar.

Nossa boca pode ferir, mas também pode curar.

Nossa boca pode destruir, mas também pode restaurar.

Nossa boca pode espalhar medo, mas também pode transmitir esperança.

Nossa boca pode alimentar fofoca, mas também pode anunciar a graça de Deus.

 

CONCLUSÃO

O Salmo 52 nos ensina que palavras têm consequências.

Doegue falou.

Saul ouviu.

E vidas foram destruídas.

O texto de 1 Samuel 22:18-19 registra a morte de oitenta e cinco sacerdotes e a destruição de Nobe.

Que história dolorosa!

Por isso, precisamos ter cuidado com aquilo que sai da nossa boca.

Que Deus nos ajude a não sermos instrumentos de destruição.

Que nossas palavras expressem verdade, graça, encorajamento e restauração.

Que, antes de falar sobre alguém, antes de compartilhar uma informação, antes de publicar alguma coisa, façamos três perguntas:

É VERDADE?

É NECESSÁRIO?

VAI EDIFICAR?

Se todas as respostas forem sim, siga em frente.

Mas, se uma delas for não, talvez o silêncio seja a melhor resposta.

Que nossa boca seja usada para abençoar.

Que nosso coração esteja cheio da Palavra de Deus.

E que nossas palavras sejam instrumentos de vida.

“Quanto a mim, porém, sou como a oliveira verde na Casa de Deus; confio na misericórdia de Deus para todo o sempre.”
Salmo 52:8 — NAA

 

Que Deus abençoe ricamente o seu dia!

 

Cláudio Eduardo M Costa

 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

QUANDO O PECADOR ENCONTRA A GRAÇA... - Salmo 51 -

 


QUANDO O PECADOR ENCONTRA A GRAÇA...

Salmo 51

 

Você já fez algo que gostaria de apagar da sua história? Já perdeu o sono por causa da culpa de algo que fez e que parece impossível de esquecer?

Hoje, na nossa Caminhada Bíblica, chegamos ao Salmo 51, um dos textos mais profundos da Bíblia sobre arrependimento, confissão, perdão e restauração.

Neste Salmo, Davi se apresenta diante do Senhor reconhecendo o seu pecado e suplicando pela misericórdia de Deus.

 

QUANDO O PECADO É ESCONDIDO

Para compreender o Salmo 51, precisamos fazer uma contextualização.

Davi pecou. Davi adulterou com Bate-Seba e criou uma situação para que Urias, marido dela, fosse morto. Diante das pessoas, Davi continuava sendo o rei, o grande guerreiro, o homem que havia sido escolhido por Deus. Mas, por trás de tudo isso, ele carregava um pecado escondido.

E existe uma verdade que não podemos esquecer: todo pecado é, em última instância, contra Deus.

Nós podemos pecar contra pessoas, ferir pessoas, prejudicar pessoas, destruir relacionamentos e causar sofrimento. Mas, quando fazemos o mal, estamos também desobedecendo ao Senhor.

Pecado é sair do propósito de Deus. É desobedecer à vontade do Senhor.

Por isso, quando fazemos o mal a uma pessoa, não devemos pensar apenas na pessoa que ferimos. Precisamos reconhecer que também pecamos contra Deus.

É nesse contexto que encontramos Davi buscando a graça e o perdão do Senhor no Salmo 51.

Mas, para que Davi chegasse ao momento de reconhecer o seu pecado, foi necessário que Deus o confrontasse.

E Deus usou um homem chamado Natã, o profeta.

 

QUANDO DEUS NOS CONFRONTA

Natã foi um homem corajoso.

Ele não passou a mão sobre a cabeça do rei. Não ficou com medo de assumir o seu papel de profeta do Senhor. Não procurou desculpas para evitar o confronto.

De forma sábia, Natã contou a Davi uma história sobre dois homens: um rico, que possuía muitos rebanhos, e outro pobre, que tinha apenas uma pequena ovelha, criada com carinho.

O homem rico tomou a única ovelha do homem pobre.

Davi, indignado com aquela situação, declarou que aquele homem era digno de morte.

Então Natã olhou para Davi e disse:

“Esse homem é você!”

É difícil imaginar o que aconteceu naquele momento dentro do coração de Davi.

Talvez tenham sido apenas alguns segundos, mas certamente foram suficientes para que ele percebesse a gravidade daquilo que havia feito.

Davi não tentou justificar-se. Não colocou a culpa em Bate-Seba. Não culpou Urias. Não responsabilizou as circunstâncias.

Ele simplesmente reconheceu:

“Pequei contra o Senhor.”

Essa declaração está registrada em 2 Samuel 12.

E Natã respondeu:

“Também o Senhor perdoou o seu pecado; você não morrerá.”

Leia 2 Samuel 11–12 e depois volte ao Salmo 51. Quando fazemos essa conexão, percebemos ainda mais claramente a beleza da graça alcançando um pecador.

 

A GRAÇA COMEÇA QUANDO RECONHECEMOS O PECADO

No Salmo 51:1-2, Davi começa sua oração dizendo:

“Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade e segundo a multidão das tuas misericórdias; apaga as minhas transgressões. Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado.”

Davi não está exigindo aquilo que considera seu direito.

Ele está clamando por misericórdia.

Ele reconhece a gravidade daquilo que fez e se coloca diante de Deus sem máscaras.

A graça de Deus começa a nos alcançar quando reconhecemos o quanto somos pecadores e deixamos de tentar justificar o pecado.

Não existe arrependimento verdadeiro enquanto continuamos procurando desculpas para aquilo que fizemos.

Precisamos assumir nossa responsabilidade.

 

NÃO É POSSÍVEL ESCONDER O PECADO DE DEUS

No versículo 3, Davi declara:

“Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.”

Davi havia conseguido esconder seu pecado das pessoas por algum tempo. Mas não conseguiu escondê-lo de Deus.

E aqui aprendemos algo fundamental:

não adianta tentar esconder o pecado.

Podemos esconder coisas de pessoas. Podemos construir uma imagem diante dos outros. Podemos aparentar que está tudo bem.

Mas não podemos esconder nada do Senhor.

Por isso, quando pecamos, a resposta não deve ser fugir de Deus. A resposta deve ser correr para Deus.

Não precisamos esconder nossas feridas daquele que pode nos curar.

Precisamos assumir nossa responsabilidade, confessar nossos pecados e buscar o perdão do Senhor.

 

“CRIA EM MIM, Ó DEUS, UM CORAÇÃO PURO”

Então Davi faz um dos pedidos mais conhecidos de todo o Salmo:

“Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável.” Salmo 51:10

Davi não está pedindo apenas que Deus retire as consequências do seu pecado.

Ele está pedindo transformação.

“Cria em mim um coração puro.”

É como se Davi dissesse:

“Senhor, não quero apenas que o problema desapareça. Eu quero que o Senhor transforme quem eu sou.”

E quando penso nessa oração, sou levado diretamente para Jesus.

Paulo afirma em 2 Coríntios 5:17 que, se alguém está em Cristo, é nova criação; as coisas antigas passaram e tudo se fez novo.

O evangelho não é simplesmente uma mensagem sobre Deus apagar nossos erros.

É a boa notícia de que, em Cristo, Deus também transforma nossa vida.

 

PECADO TEM NOME

Existe ainda uma lição importante nessa oração de Davi.

Pecado tem nome.

Você não pode buscar o perdão de Deus apenas “no atacado”. É preciso também reconhecer o pecado “no varejo”.

“Senhor, perdoa o meu orgulho.”

“Perdoa minha falta de amor.”

“Perdoa quando não tenho colocado o Senhor como prioridade.”

“Perdoa minha mentira.”

“Perdoa minha inveja.”

“Perdoa minha arrogância.”

“Perdoa aquilo que tenho feito escondido.”

Precisamos dar nome ao pecado.

Não para permanecer presos à culpa, mas para assumirmos nossa responsabilidade diante de Deus e experimentarmos a graça que restaura.

 

A ALEGRIA DA SALVAÇÃO PODE SER RESTAURADA

Davi continua sua oração e faz outro pedido:

“Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário.” Salmo 51:12

Que pedido maravilhoso!

Davi deseja recuperar a alegria de pertencer a Deus.

A alegria da salvação não é apenas um sorriso no rosto. É o prazer de caminhar com Deus, de servi-lo e de viver novamente de acordo com a sua vontade.

Davi pede também um “espírito voluntário” — um coração disposto a servir.

O pecado havia afetado sua comunhão com Deus, mas o arrependimento abre caminho para a restauração.

Você pode até tentar se esconder das pessoas.

Mas não pode se esconder de Deus.

E quando o pecador encontra a graça, algo começa a mudar.

 

A GRAÇA TEM UM NOME: JESUS

É por isso que o Salmo 51 nos conduz para além de Davi.

Ele nos conduz para a realidade do evangelho.

A graça de Deus para nós tem um nome: Jesus Cristo.

Em Jesus encontramos perdão, reconciliação e uma nova vida.

Por isso, não precisamos viver aprisionados ao nosso passado.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

NÃO BASTA PARECER, TEM QUE SER! MENOS RELIGIOSIDADE, MAIS INTIMIDADE COM DEUS! - SALMO 50 -

 


NÃO BASTA PARECER, TEM QUE SER!

MENOS RELIGIOSIDADE, MAIS INTIMIDADE COM DEUS!

SALMO 50

 

Você já percebeu que uma pessoa pode estar em um ambiente de adoração, louvor e exaltação ao nome de Deus, cantar, orar, participar das atividades da igreja e, mesmo assim, estar completamente distante de Deus? É sobre isso que quero conversar com você hoje: mais intimidade com Deus e menos religiosidade. E, quando começamos a pensar sobre isso, chegamos ao Salmo 50.

Já percorremos um terço da nossa caminhada de 150 Dias Lendo o Livro de Salmos. Já lemos, refletimos e conversamos sobre cinquenta salmos. E, neste 50º dia, quero fazer uma pergunta muito pessoal: como está a sua intimidade com Deus? Como você tem caminhado com o Senhor?

O Salmo 50 nos leva a compreender que Deus não está interessado apenas em sacrifícios, ofertas ou práticas religiosas. Antes de qualquer sacrifício oferecido a Deus, existe uma vida que precisa estar consagrada a Ele, um coração que precisa estar diante da sua presença. Quando leio o Salmo 50, imediatamente me lembro de Romanos 12.1-2, quando Paulo nos apresenta a vida cristã como uma entrega completa a Deus:

“Portanto, irmãos, pelas misericórdias de Deus, peço que ofereçam o corpo de vocês como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o culto racional de vocês. E não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente, para que possam experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Romanos 12.1-2 — NAA

 

Não adianta colocar coisas no altar do Senhor se não estamos dispostos a colocar a própria vida. Não adianta oferecer aquilo que temos e continuar mantendo o coração distante. Deus deseja uma vida entregue, um coração disponível e uma caminhada verdadeira com Ele.

O Salmo 50 fala, portanto, de relacionamento e intimidade com Deus. Não basta conhecer doutrinas, conhecer os ritos religiosos ou manter determinados costumes. É preciso conhecer o próprio Deus e caminhar com Ele. E vou repetir essa palavra várias vezes: intimidade. Porque podemos desenvolver uma aparência religiosa e, ao mesmo tempo, manter o coração distante do Senhor.

O problema enfrentado no Salmo 50, no contexto do povo de Israel, não era simplesmente a existência dos sacrifícios. O próprio Deus havia estabelecido o sistema sacrificial. O problema era quando os sacrifícios se transformavam em uma prática exterior, enquanto o coração permanecia distante. O salmo é atribuído a Asafe, um importante músico e líder de louvor em Israel, associado ao ministério de música no período de Davi e à adoração no templo (1Crônicas 16.5; 1Crônicas 25.1-2).

Deus confronta a ideia de que Ele dependeria das ofertas do seu povo. Afinal, tudo pertence a Ele. O Senhor declara:

“Ofereça a Deus sacrifício de ações de graças e cumpra os seus votos para com o Altíssimo.” Salmo 50.14 — NAA

 

Perceba a profundidade dessa afirmação. Deus não está simplesmente pedindo mais uma cerimônia. Ele está chamando o seu povo para uma vida de gratidão e compromisso.

Ações de graças significam reconhecer que tudo o que temos e somos depende da graça de Deus. É compreender que Deus tem cuidado de nós por sua misericórdia, graça e amor. Gratidão não é apenas dizer “obrigado, Senhor”; é reconhecer, com a própria vida, que tudo vem dele.

E o salmo continua com uma das declarações mais bonitas desse texto:

“Invoque-me no dia da angústia; eu o livrarei, e você me glorificará.” Salmo 50.15 — NAA

Aqui encontramos um convite à intimidade. Invocar o Senhor é conversar com Deus. É abrir o coração diante dele. É dizer ao Senhor aquilo que não estamos entendendo, falar sobre aquilo que está doendo, pedir direção quando não sabemos qual caminho seguir e clamar quando estamos atravessando dias de angústia.

Deus não está dizendo: “No dia da angústia, esconda-se atrás da religiosidade.” Ele diz: “Invoque-me.” Converse comigo. Clame a mim. Dependa de mim. E eu o livrarei, e você me glorificará.

Isso muda completamente a nossa compreensão da fé. Intimidade com Deus não significa ausência de angústia. Significa que, mesmo na angústia, sabemos a quem podemos recorrer.

Quando chegamos ao Novo Testamento e olhamos para Jesus Cristo, encontramos o Senhor confrontando repetidamente uma religiosidade vazia. Jesus não condenava a Lei de Deus; ele confrontava uma espiritualidade de aparência, na qual as pessoas conheciam as regras, mas haviam perdido o coração daquilo que Deus desejava.

Em Mateus 23.27, Jesus diz aos escribas e fariseus:

“Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas, porque vocês são semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda impureza!” Mateus 23.27 — NAA

 

 

Que imagem forte! Por fora, tudo bonito. Por dentro, morte.

E aqui está uma pergunta que precisa alcançar o nosso coração: estou vivendo uma fé de aparência ou uma fé de intimidade com Deus?

As minhas atitudes demonstram que conheço o Senhor?

A maneira como trato as pessoas revela que estou caminhando com Cristo?

Minha vida demonstra aquilo que meus lábios professam?

Existe coerência entre o que digo na igreja e aquilo que vivo quando ninguém está olhando?

 

O Salmo 50 nos chama para uma vida verdadeira diante de Deus. Uma vida de gratidão, compromisso, obediência e intimidade.

E o salmo termina com um alerta muito sério, mas também com uma promessa maravilhosa:

“Considerem, pois, nisto, vocês que se esquecem de Deus, para que eu não os despedace, sem haver quem os livre. Aquele que me oferece sacrifício de ações de graças, esse me glorificará; e ao que prepara o seu caminho, farei com que veja a salvação de Deus.” Salmo 50.22-23 — NAA

 

Observe a expressão: “vocês que se esquecem de Deus”.

É possível estar dentro de um ambiente religioso e, mesmo assim, esquecer-se de Deus. Podemos falar muito sobre igreja, sobre pessoas, sobre atividades, sobre programas, sobre doutrina e até sobre ministério, mas Deus pode acabar ficando do lado de fora da nossa própria experiência religiosa.

Podemos conhecer uma linguagem religiosa. Podemos usar expressões religiosas. Podemos participar de cultos e atividades. Podemos até conhecer muitos textos bíblicos. Mas a pergunta continua sendo: existe intimidade com Deus?

É exatamente aqui que Jesus Cristo entra no centro da nossa caminhada.

Em Jesus encontramos a verdadeira salvação. Em Jesus encontramos o caminho para uma adoração verdadeira. Em Jesus encontramos acesso ao Pai e somos chamados para uma vida de relacionamento com Deus.

Voltemos juntos à cruz. Quando Jesus entregou sua vida e declarou “Está consumado!”, o véu do templo se rasgou de alto a baixo (Mateus 27.50-51). Aquilo apontava para uma realidade extraordinária: por meio da obra de Cristo, temos acesso à presença de Deus.

Hebreus 10.19-22 explica essa nova realidade:

“Portanto, meus irmãos, tendo ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos abriu pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos com um coração sincero, em plena certeza de fé...” Hebreus 10.19-22 — NAA

 

E Paulo afirma:

“Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e a humanidade, Cristo Jesus, homem.” 1Timóteo 2.5 — NAA

 

Que privilégio! Em Cristo, podemos nos aproximar de Deus. Não precisamos viver escondidos atrás de uma religiosidade de aparência. Podemos chegar diante do Pai com um coração sincero.

Por isso, quero terminar fazendo algumas perguntas bem simples, mas profundamente importantes.

Você já conversou com o Pai hoje?

Você já disse a Ele como está o seu coração?

Já contou a Deus aquilo que ninguém mais sabe?

Já pediu direção?

Já pediu perdão?

Já pediu forças para obedecer?

Já pediu ao Senhor que aumente a sua intimidade com Ele?

Talvez hoje seja o momento de parar por alguns minutos e simplesmente conversar com Deus.

Não apenas fazer uma oração decorada. Não apenas cumprir uma obrigação religiosa. Converse com o Pai.

O Salmo 50 nos lembra que Deus não quer apenas a nossa aparência religiosa. Ele deseja o nosso coração.

Não basta parecer. Tem que ser!

Menos religiosidade.
Mais intimidade.
Menos aparência.
Mais verdade.
Menos ritual vazio.
Mais relacionamento com Deus.
Menos palavras sobre Deus.
Mais caminhada com Deus.

 

Que a nossa fé não seja apenas algo que as pessoas veem, mas uma realidade que Deus conhece.

Viva na presença de Deus. Caminhe com Deus. Conheça a Deus. E permita que a sua vida revele que você realmente pertence a Ele.

 

Que Deus abençoe muito a sua vida.

 

Cláudio Eduardo M Costa

É VERDADE? É NECESSÁRIO? VAI EDIFICAR? - SALMO 52 -

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