sábado, 12 de setembro de 2026

O POVO DE DEUS NÃO PODE SE CALAR... - SALMO 74 -

 


O POVO DE DEUS NÃO PODE SE CALAR...

SALMO 74

 

Você já olhou para o mundo à sua volta e se perguntou: “Deus está vendo tudo isso?” Ou talvez tenha perguntado: “Por que Deus ainda não agiu? Por que Jesus Cristo ainda não voltou para levar a sua Igreja?” É muita tristeza ao nosso redor: violência, injustiça, corrupção, exploração de pessoas, crianças sofrendo, famílias sem esperança e valores que Deus nos ensinou sendo abandonados dia após dia. Diante de tudo isso, podemos perguntar: onde está Deus? O que Deus está fazendo? Mas hoje quero mudar a pergunta: onde está a Igreja diante de tudo isso?

Estamos na caminhada dos 150 Dias Lendo o Livro de Salmos, e chegamos ao Salmo 74. Este salmo nasce em um contexto de sofrimento, destruição e afronta contra Deus. O salmista clama ao Senhor, pedindo que Ele se levante e defenda a sua causa. Quero destacar especialmente o versículo 22: “Levanta-te, ó Deus, e defende a tua causa; lembra-te de como o ímpio te afronta todos os dias.” (Salmos 74.22 — NAA).

Quando olho para essa palavra e para tudo o que acontece ao nosso redor, percebo que muitas situações são, de fato, uma afronta aos valores de Deus. Mas precisamos entender também quem é o povo de Deus. O povo de Deus é formado por aqueles que pertencem a Cristo, que foram alcançados pela graça e pela misericórdia, chamados para viver e anunciar o Evangelho e que têm suas vidas transformadas diariamente pelo poder do Senhor.

João nos apresenta uma verdade fundamental sobre Jesus Cristo: “O Verbo estava no mundo, e o mundo foi feito por meio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (João 1.10-13 — NAA). Jesus é o Verbo, a Palavra que se fez carne. E, por meio dele, somos recebidos na família de Deus. Somos feitos filhos de Deus não por mérito humano, mas pela graça, mediante a fé em Cristo.

Se somos filhos de Deus, não podemos permanecer indiferentes diante da realidade que nos cerca. Ser povo de Deus significa compromisso. Quando nos calamos diante da injustiça, do sofrimento e da maldade, precisamos tomar cuidado para que o nosso silêncio não se transforme em omissão. A Igreja não foi chamada para simplesmente observar o mundo, mas para testemunhar de Cristo dentro dele.

Jesus disse de maneira muito direta: “Vocês são a luz do mundo.” (Mateus 5.14 — NAA). Pense em alguém segurando uma lanterna em um ambiente completamente escuro. Não adianta reclamar que está tudo escuro se essa pessoa tem uma luz nas mãos e não a acende. Da mesma maneira, não adianta apenas reclamar da escuridão espiritual, moral e social ao nosso redor se não estamos permitindo que a luz de Cristo brilhe por meio da nossa vida.

A Igreja não pode se omitir. Eu não posso me omitir. Você não pode se omitir. Precisamos responder ao mundo não com ódio ou agressividade, mas vivendo a verdade, praticando a justiça, demonstrando compaixão, buscando a santidade e proclamando o Evangelho. Essa é a nossa responsabilidade como povo de Deus.

Talvez tenhamos nos acostumado demais a reclamar da realidade e pouco a agir diante dela. Olhamos para a pobreza, para a violência, para as crianças abandonadas, para as famílias destruídas e para tantas pessoas sem esperança e pensamos que alguém deveria fazer alguma coisa. Mas a pergunta precisa ser pessoal: o que eu estou fazendo? Onde Deus me colocou? Quem precisa da minha oração, do meu cuidado, da minha palavra, da minha presença e do meu testemunho?

Jesus não nos chamou para esconder a luz. Ele nos chamou para iluminar. Por isso, o meu convite hoje é: levante-se como filho de Deus! Levante-se para orar. Levante-se para servir. Levante-se para cuidar. Levante-se para proclamar a preciosa mensagem do Evangelho. Levante-se para viver o Evangelho e fazer diferença no mundo à sua volta.

O Salmo 74 começa com um povo sofrendo e clamando: “Levanta-te, ó Deus!” Talvez hoje Deus também esteja nos chamando a nos levantar. Não para ocupar o lugar dele, mas para assumir o nosso lugar como Igreja, como discípulos de Jesus, como filhos de Deus.

O mundo não precisa de uma Igreja que apenas reclama da escuridão. Precisa de uma Igreja que deixe a luz de Cristo brilhar.

Que o Salmo 74 continue falando ao nosso coração e nos despertando para a missão. O povo de Deus não pode se calar. O povo de Deus precisa se levantar, viver o Evangelho e fazer diferença.

 

Cláudio Eduardo M Costa
Humanizando Compaixão

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

O QUE REALMENTE IMPORTA... SALMO 73

 


O QUE REALMENTE IMPORTA...

SALMO 73

 

O que realmente importa para você? Você já parou para olhar para outras pessoas e perceber que, às vezes, pessoas que não fazem o que é certo parecem estar prosperando, enquanto você enfrenta dificuldades e não consegue enxergar o futuro que sonhou? Essa é uma das questões que encontramos no Salmo 73.

O salmista Asafe começa o salmo enfrentando uma verdadeira crise de fé. Ele olha para a prosperidade dos ímpios e não consegue compreender por que aqueles que não honram a Deus parecem estar em uma situação melhor do que aqueles que procuram permanecer fiéis. Essa comparação começa a afetar sua fé. Ele chega a dizer: “Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés; pouco faltou para que se desviassem os meus passos.” (Salmos 73.2 — NAA).

 

Asafe estava olhando para a vida dos outros e, ao fazer isso, começou a perder de vista aquilo que realmente importava.

Algo muda quando ele entra na presença de Deus. Sua perspectiva é transformada. Ele percebe que a verdadeira riqueza não está simplesmente em ter uma vida sem problemas, possuir bens ou alcançar aquilo que o mundo chama de prosperidade. O que realmente importa é ter Deus perto, caminhar com Ele e encontrar nele segurança para enfrentar cada dia.

Por isso, quero destacar o versículo 28, que resume a conclusão de Asafe: “Quanto a mim, bom é estar perto de Deus; faço do Senhor Deus o meu refúgio, para proclamar todas as suas obras.” (Salmos 73.28 — NAA).

 

Depois de passar por sua crise, Asafe compreende que o mais importante não era ter aquilo que os outros tinham, mas ter Deus. O mais importante era sua intimidade com o Senhor, saber que Deus estava perto, sustentando sua caminhada e sendo seu refúgio.

Essa verdade também precisa alcançar a nossa vida. Vivemos em uma sociedade que constantemente nos convida à comparação. Olhamos para as redes sociais, para os bens que outras pessoas possuem, para suas conquistas, viagens, casas, carros e oportunidades, e podemos começar a pensar que estamos ficando para trás. Mas Deus nos chama a olhar para outra direção. Não se compare. Você é único diante do Senhor, e a sua caminhada com Deus não precisa ser medida pela caminhada de outra pessoa.

Também precisamos ter cuidado com uma visão distorcida de prosperidade que, muitas vezes, entra até no ambiente religioso. Não somos mais abençoados porque temos mais dinheiro, mais bens ou menos problemas. A bênção de Deus não pode ser reduzida às conquistas materiais. A maior riqueza é saber que, mesmo atravessando dificuldades, Deus está conosco, nos fortalecendo, ensinando, corrigindo e dando sabedoria para viver um dia de cada vez.

A vida cristã não é uma promessa de ausência de problemas. Jesus foi muito claro quando disse aos seus discípulos: “Estas coisas tenho dito a vocês para que tenham paz em mim. No mundo, vocês passam por aflições; mas tenham coragem: eu venci o mundo.” (João 16.33 — NAA). Nossa vitória não é o modelo de sucesso apresentado pelo mundo. Nossa vitória está em Cristo. Podemos enfrentar aflições sem perder a esperança, porque sabemos que não estamos sozinhos.

E essa presença de Deus se torna ainda mais clara em Jesus. Depois de sua ressurreição, Jesus deixou uma promessa aos seus discípulos: “E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos.” (Mateus 28.20 — NAA). Essa é uma das maiores certezas que podemos carregar: Deus está conosco.

Por isso, a pergunta precisa ser pessoal:

você tem caminhado perto de Deus? Você tem sentido a presença do Senhor em sua caminhada ou o seu próprio eu, suas preocupações, suas comparações e seus desejos têm criado distância entre você e Deus?

Asafe termina compreendendo que estar perto de Deus é melhor do que qualquer coisa que este mundo possa oferecer. E nós também precisamos chegar a essa conclusão. O que realmente importa nesta vida não é ter tudo sob controle, não é possuir tudo o que desejamos, nem viver sem problemas. O que realmente importa é caminhar ao lado do Senhor, fazer dele o nosso refúgio e confiar que sua presença é suficiente para nos sustentar.

 

Se você já passou por uma crise de fé, como Asafe passou, lembre-se: a crise não precisa ser o fim da sua caminhada. Pode ser o lugar onde Deus muda a sua perspectiva.

Não olhe apenas para aquilo que os outros têm. Olhe para aquilo que você tem em Deus.

 

Porque, no final, o que realmente importa é estar perto de Deus.

 

Cláudio Eduardo M Costa

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

QUANDO O REI GOVERNA COM JUSTIÇA... SALMO 72

 


QUANDO O REI GOVERNA COM JUSTIÇA...

SALMO 72

 

Você já parou para pensar em como seria viver em um lugar onde quem governa realmente se preocupa com as pessoas? Imagine um lugar onde os pobres não fossem esquecidos, os necessitados fossem ouvidos e a justiça não fosse privilégio de alguns. Imagine um lugar onde as pessoas pudessem andar de cabeça erguida, com dignidade; onde tivessem trabalho e, por meio do fruto desse trabalho, conseguissem levar o alimento para casa; onde os projetos de assistência social fossem necessários apenas em situações específicas, porque a maioria das pessoas tivesse condições de viver com dignidade. Talvez você me diga: “Pastor, não podemos falar de política.” E eu não estou falando de política partidária. Estou falando de justiça, integridade, honestidade e responsabilidade. Estou falando daquele que recebe autoridade para governar e decide exercê-la segundo os princípios do Criador. Estou falando de pessoas que, estando no poder, escolhem fazer o bem, proteger os vulneráveis e não fazer acepção de pessoas.

Estamos no Salmo 72, dentro da nossa caminhada de 150 Dias Lendo o Livro de Salmos. E, quando leio este salmo, tenho a impressão de que o salmista está olhando para o nosso tempo. O Salmo 72 é apresentado como um salmo “de Salomão”, tradicionalmente relacionado ao reinado e à figura do rei. É uma oração para que o rei governe de acordo com a justiça de Deus. Logo no início encontramos uma declaração que estabelece o propósito desse governo:

“Concede ao rei, ó Deus, os teus juízos e a tua justiça, ao filho do rei. Que ele julgue o teu povo com justiça e os teus aflitos, com retidão.” Salmo 72.1-2 — NAA

 

Que pedido extraordinário! “Que ele julgue o teu povo com justiça.” A autoridade não deveria existir simplesmente para produzir poder, riqueza ou privilégios. A autoridade deveria estar a serviço do bem, da justiça e da dignidade das pessoas.

 

E então surge uma pergunta inevitável: será que encontramos hoje governantes com essas características? Eu não conheço todos os governantes do mundo e não conheço a história de cada governo, mas basta olhar ao nosso redor para perceber uma realidade marcada por desigualdade, exploração dos mais pobres, guerras, violência e crianças sem perspectiva de futuro. Vemos pessoas dependendo de ajuda porque lhes faltam oportunidades de trabalho, educação e acesso adequado à saúde. Vemos famílias sofrendo, pessoas sendo humilhadas e comunidades inteiras vivendo sem as condições mínimas para uma vida digna.

É assim que o nosso mundo está. E, quando olho para tudo isso, vejo insegurança, medo, violência e desigualdade. Então surge uma pergunta que também precisa ser feita à igreja: onde estamos no meio de tudo isso? O que estamos fazendo quando lemos o Salmo 72?

 

Mais à frente, o salmista declara:

“Todos os reis se prostrem diante dele, e todas as nações o sirvam.” Salmo 72.11 — NAA

 

Essa declaração amplia o horizonte do salmo e nos conduz para uma esperança que vai muito além dos governos humanos. Ela aponta para o governo universal de Deus e encontra seu cumprimento pleno em Jesus Cristo, o Rei. O Novo Testamento apresenta Jesus como aquele que recebeu toda autoridade e cujo Reino alcançará todas as nações (Mateus 28.18-20).

É maravilhoso perceber como, no Salmo 72, Deus se importa com pessoas. Deus vê os necessitados. Deus olha para os aflitos. Deus não ignora aqueles que muitas vezes são invisíveis para a sociedade. O salmista continua:

“Porque ele livra os necessitados que pedem socorro e também os aflitos e aqueles que não têm quem os ajude. Ele se compadece dos fracos e dos necessitados e salva a alma dos que precisam de auxílio.” Salmo 72.12-13 — NAA

 

Que palavra poderosa! Deus se compadece dos fracos e dos necessitados.

 

E aqui precisamos olhar para nós mesmos. Muitas vezes, eu e você, que temos sido alcançados pela graça de Deus e que professamos seguir a Cristo, podemos fechar os olhos diante daquilo que acontece ao nosso redor. Podemos cruzar os braços diante da dor. Podemos pensar que cuidar dos necessitados é responsabilidade apenas de alguma instituição, de algum projeto social ou do ministério de ação social da igreja. Mas não podemos terceirizar a nossa missão.

Quando leio essa porção do Salmo 72, imediatamente sou conduzido a Jesus Cristo. E, ao olhar para Jesus, também encontro o cumprimento da esperança anunciada pelos profetas. Em Lucas 4, Jesus entra na sinagoga, lê o texto do profeta Isaías e aplica a si mesmo essa missão:

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e proclamar o ano aceitável do Senhor.” Lucas 4.18-19 — NAA

 

Jesus veio anunciar boas-novas aos pobres, liberdade aos cativos, restauração aos que sofrem e esperança aos oprimidos. Quando olhamos para Jesus, enxergamos o Reino de Deus sendo apresentado não apenas em palavras, mas em ações de misericórdia, justiça, compaixão e cuidado.

Por isso, quando leio o Salmo 72 e olho para Jesus Cristo, vejo o verdadeiro Rei. Um Rei que não governa para ser servido, mas que veio para servir. O próprio Jesus declarou:

“Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” Marcos 10.45 — NAA

 

É esse Rei que precisa governar o nosso coração. E, se Jesus governa a nossa vida, o cuidado com as pessoas não pode ser apenas um discurso. Precisa fazer parte da nossa maneira de viver. Por isso, quero deixar uma pergunta para você:

Como estamos tratando as pessoas que Deus colocou ao nosso redor?

Como você está olhando para aquela pessoa que está dormindo debaixo de uma marquise em uma noite fria? Como você está olhando para aquela família que não sabe o que vai colocar na mesa hoje? Como você está olhando para aquela criança que não tem acesso à educação necessária para construir um futuro? Como você está olhando para as pessoas que estão sofrendo?

Talvez alguém diga: “Pastor, eu contribuo com o Ministério de Ação Social da minha igreja.” Isso é importante e deve ser valorizado. Mas não podemos terceirizar a nossa missão. Eu e você temos um compromisso pessoal com o Senhor. Somos chamados a enxergar pessoas, aproximar-nos delas e fazer aquilo que estiver ao nosso alcance.

A Bíblia nos ensina:

“Não deixemos de fazer o bem a quem precisa, sempre que isso estiver ao nosso alcance.” Provérbios 3.27 — NAA

 

Nós não vamos conseguir resolver todos os problemas do mundo. Não conseguiremos acabar com todas as guerras, eliminar toda a desigualdade ou corrigir todas as injustiças. O Reino perfeito de Deus ainda será plenamente estabelecido. A nossa esperança definitiva está na volta de Cristo e no seu Reino eterno. Mas, enquanto aguardamos esse Reino, somos chamados a ser testemunhas do Rei aqui e agora.

Eu e você temos o Espírito Santo de Deus que habita em nós. Por isso, mesmo em meio a uma sociedade marcada por corrupção, injustiça, violência e desigualdade, somos chamados a fazer diferença. Não precisamos esperar ocupar uma posição de poder para começar a cuidar de pessoas. Podemos começar exatamente onde estamos.

O Salmo 72 nos lembra que o verdadeiro Rei se importa com os necessitados. E nós, como seguidores desse Rei, precisamos aprender a olhar para as pessoas com os olhos de Cristo.

Finalizando, chegamos ao versículo 18:

“Bendito seja o Senhor Deus, o Deus de Israel, o único que faz maravilhas!” Salmo 72.18 — NAA

 

Que declaração maravilhosa! O único que faz maravilhas.

Nós fomos alcançados por uma dessas maravilhas: a graça de Deus revelada em Jesus Cristo. Fomos alcançados pela misericórdia, pelo amor e pela salvação que não poderíamos conquistar por nossos próprios méritos.

Por isso, vivamos para Deus. Que o Rei governe primeiro o nosso coração. E que, sob o governo desse Rei, aprendamos a praticar a justiça, exercer misericórdia, cuidar dos necessitados e levar esperança a quem sofre.

 

O mundo precisa de justiça. Os vulneráveis precisam de cuidado. Os que sofrem precisam de esperança. E nós temos uma mensagem para anunciar: o verdadeiro Rei está vindo e o seu Reino será estabelecido em justiça.

 

Quando o Rei governa com justiça, os vulneráveis encontram esperança.

 

Que o seu dia seja muito abençoado.

 

Cláudio Eduardo M Costa

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

MINHA IDADE NÃO CANCELA MEU CHAMADO! SALMO 71

 


MINHA IDADE NÃO CANCELA MEU CHAMADO!

SALMO 71

 

Você já parou para pensar que envelhecer também é uma experiência espiritual?

 

Estamos vivendo nossa jornada de 150 dias de leitura do Livro de Salmos, e hoje chegamos ao Salmo 71. Neste texto, encontramos o salmista falando com Deus a partir de sua história, de suas experiências e da realidade de quem está envelhecendo.

Quando pensamos na velhice, muitas vezes pensamos primeiro em doenças, limitações físicas, dificuldades financeiras ou perda de autonomia. E talvez nossa sociedade ainda tenha dificuldade de reconhecer o valor, a sabedoria e a contribuição das pessoas idosas. Mas a Bíblia nos apresenta outra perspectiva: envelhecer não significa perder o propósito.

 

Eu posso falar disso também a partir da minha própria vida. Aos 63 anos, quando olho para minha caminhada, reconheço o quanto Deus tem sido maravilhoso. Ele me sustentou até aqui e continuará me sustentando.

Por isso, não quero chegar diante de Deus dizendo:

“Senhor, cansei. Agora quero me aposentar.”

Quero perguntar:

“Senhor, o que ainda posso fazer para Te servir, Te obedecer e cumprir a Tua vontade?”

 

O salmista faz uma oração muito significativa: “Não me rejeites na minha velhice; quando me faltarem as forças, não me desampares.” (Salmo 71.9, NAA).

Ele reconhece que suas forças podem diminuir, mas não conclui que sua missão terminou. Aqui está uma das grandes lições do Salmo 71: reconhecer nossas limitações não significa abandonar nosso propósito.

 

Talvez eu não consiga fazer hoje tudo aquilo que fazia quando era jovem. Meu ritmo pode ser outro e minha força pode ser diferente. Mas ainda posso servir, ensinar, aconselhar, encorajar, orar e testemunhar aquilo que Deus me ensinou ao longo da caminhada.

A idade pode mudar a maneira como servimos, mas não precisa cancelar o nosso chamado.

 

E o salmista deixa sua missão ainda mais clara no versículo 18: “Agora que estou velho e de cabelos brancos, não me abandones, ó Deus, até que eu tenha anunciado a tua força a esta geração e o teu poder às gerações futuras.” (Salmo 71.18, NAA).

Observe a expressão: “até que eu tenha anunciado”.

Ele ainda tem algo a fazer.

Ainda existe uma geração para alcançar.

Ainda existe uma história para contar.

Ainda existe um legado para construir.

 

O salmista não quer apenas chegar ao fim da vida. Ele quer chegar ao fim da vida tendo cumprido sua missão.

Essa é uma pergunta que precisamos fazer:

O que Deus quer fazer através de mim nesta fase da minha vida?

Se você é idoso, não esconda sua história. Compartilhe seus testemunhos. Conte o que Deus fez. Fale das lutas que enfrentou, das respostas que recebeu e das lições que aprendeu.

Talvez aquilo que você considera apenas uma lembrança seja exatamente o testemunho que alguém precisa ouvir hoje.

Sua experiência pode se transformar em discipulado. Sua história pode se transformar em legado. Sua caminhada pode fortalecer outra geração.

Por isso, a minha idade não encerra a minha missão; aumenta a minha responsabilidade.

 

Quando leio o Evangelho de Lucas e encontro Simeão e Ana no relato do nascimento de Jesus, vejo uma confirmação muito bonita dessa verdade. Simeão reconhece Jesus como o Salvador prometido, e Ana, uma mulher idosa, também testemunha a respeito daquela criança. Lucas registra: “Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Ela era muito idosa...” (Lucas 2.36, NAA).

Ana não estava à margem do que Deus estava fazendo. Ela fazia parte daquela história.

Isso nos ensina que Deus não coloca ninguém de lado simplesmente porque a idade chegou. Ele continua trabalhando em nós e pode continuar trabalhando através de nós.

Paulo também nos lembra: “Por isso, não desanimamos. Mesmo que o nosso exterior se desgaste, o nosso interior se renova dia a dia.” (2 Coríntios 4.16, NAA).

 

O corpo envelhece, mas a fé pode amadurecer.

Podemos perder força física e ganhar profundidade espiritual. Podemos diminuir o ritmo e aumentar nossa sensibilidade para ouvir Deus, cuidar de pessoas e transmitir aquilo que aprendemos.

E quero deixar uma palavra especialmente para você que é jovem: valorize os idosos.

Valorize os idosos da sua família. Valorize os idosos da sua igreja. Ouça suas histórias. Aprenda com suas experiências. Pergunte o que Deus ensinou a eles durante a caminhada.

 

Há sabedoria que só o tempo produz.

Mas essa relação também é uma via de mão dupla. Os mais jovens oferecem força, disposição e novas possibilidades; os mais experientes oferecem sabedoria, perseverança e testemunho.

 

Uma geração precisa da outra.

A igreja não é uma corrida em que uma geração substitui a outra. É uma caminhada em que diferentes gerações servem, aprendem e crescem juntas.

Talvez alguém esteja pensando: “Já passou o meu tempo.”

Não permita que essa ideia defina sua vida.

Talvez algumas coisas tenham mudado. Talvez você não tenha mais a mesma força ou não consiga fazer tudo como antes. Mas limitação não é inutilidade, e envelhecimento não é o fim do propósito.

Enquanto Deus nos dá vida, ainda podemos testemunhar. Enquanto temos voz, podemos anunciar. Enquanto temos experiência, podemos ensinar. Enquanto temos fé, podemos encorajar. Enquanto temos oportunidades, podemos servir.

Então, faça hoje uma pergunta sincera ao Senhor:

“Deus, o que ainda posso fazer com a vida que o Senhor me deu?”

E depois dê um passo.

Ligue para alguém que precisa de uma palavra. Ore por uma pessoa. Compartilhe um testemunho. Ensine alguém. Encoraje um jovem. Ajude quem está precisando. Transforme sua experiência em serviço.

Não espere uma grande oportunidade. Comece com aquilo que Deus colocou ao seu alcance.

Porque o Salmo 71 nos ensina que a velhice pode ser uma estação de legado, não de abandono; de testemunho, não de silêncio; de maturidade, não de desistência.

Minha idade não cancela meu chamado. Minha história não terminou. Ainda existe propósito. Ainda existe missão. Ainda existe muito para viver com Deus.

Se você já tem experiência, compartilhe. Se você é jovem e tem experimentado a graça de Deus, compartilhe também.

Que Deus nos ensine a envelhecer com fé, servir com alegria e transformar nossa história em um testemunho que alcance as próximas gerações.

Porque, enquanto Deus nos dá fôlego, ainda existe uma missão.

MINHA IDADE NÃO CANCELA MEU CHAMADO!

 

Cláudio Eduardo M Costa

terça-feira, 8 de setembro de 2026

DEUS, NÃO DEMORE! - SALMO 70 -

 


DEUS, NÃO DEMORE!

SALMO 70

 

Você já recebeu uma tarefa no ambiente de trabalho, ou em alguma outra situação, em que alguém chegou até você e disse: “Isso é para ontem! Estou com pressa!”. Como você se sente quando alguém coloca tanta urgência diante de você?

Agora imagine você orando e dizendo ao Senhor: “Deus, por favor, não demore! Eu não sei se vou conseguir suportar mais. A situação está pesada demais e eu preciso que o Senhor se apresse em me socorrer”. É exatamente esse sentimento de urgência que encontramos no Salmo 70. Davi não esconde sua necessidade diante de Deus. Ele clama, pede socorro e coloca diante do Senhor aquilo que está vivendo.

O Salmo 70 é uma oração curta, intensa e profundamente humana. Davi está passando por um momento de aflição e não tenta esconder sua angústia atrás de palavras bonitas. Logo no primeiro versículo, ele clama:

“Agrada-te, ó Deus, em me livrar; apressa-te, ó Senhor, em me socorrer” (Salmos 70:1, NAA).

 

Existe algo muito precioso nessa oração: Davi é sincero diante de Deus. Ele não prepara um discurso elaborado, não procura uma maneira religiosa de apresentar sua necessidade e não tenta parecer mais forte do que realmente está. Ele simplesmente abre o coração. E isso nos ensina algo importante sobre nossa caminhada com Deus: o Senhor conhece nossas dores, nossas alegrias, nossos medos, nossas limitações e nossas necessidades. A oração não é uma apresentação diante de um Deus distante; é relacionamento com um Pai que nos convida a chegar perto.

Muitas vezes, porém, nossa religiosidade pode se tornar maior do que nossa intimidade com Deus. Cumprimos obrigações religiosas, participamos de atividades, cantamos, ouvimos a Palavra e até oramos, mas podemos deixar de cultivar uma relação verdadeira e profunda com o Senhor. Davi nos ensina que podemos chegar diante de Deus exatamente como estamos. Podemos falar sobre nossa gratidão, celebrar a graça e a misericórdia que nos alcançam todos os dias, mas também podemos falar sobre aquilo que está doendo.

Talvez você esteja vivendo exatamente esse momento. Talvez você nem saiba direito o que dizer ou como dizer a Deus o que está acontecendo. Então comece sendo sincero. Fale com o Senhor sobre sua alegria, mas também fale sobre sua tristeza. Conte a Deus sobre aquilo que você agradece, mas também coloque diante dele aquilo que está tirando sua paz. Não precisamos esconder nossa humanidade daquele que já conhece profundamente o nosso coração.

Vivemos em uma sociedade extremamente apressada. Queremos respostas imediatas, resultados rápidos, soluções instantâneas e portas abertas no nosso tempo. Quando as coisas não acontecem como planejamos, a ansiedade pode crescer e o desespero pode tomar conta do coração. O Salmo 70 nos ensina, porém, a transformar a nossa urgência em oração. Davi pede que Deus se apresse, mas continua colocando sua confiança no Senhor. Isso é muito importante: pedir que Deus se apresse não significa tentar controlar Deus.

Podemos apresentar nossa urgência, nossa dor e nossa necessidade, mas precisamos continuar confiando no tempo e na vontade do Senhor. Podemos dizer: “Senhor, eu preciso de uma resposta. Eu não sei quanto tempo ainda vou suportar. Mas minha vida continua em tuas mãos. Faça em mim a tua vontade”.

Quando olho para o Salmo 70 e olho para Jesus, encontro uma conexão muito profunda. Jesus nos ensinou a orar e nos ensinou a chamar Deus de Pai. Ele não apresentou um Deus distante, inacessível ou indiferente, mas nos ensinou a desenvolver uma relação de intimidade com o Pai. E, no momento mais doloroso de sua caminhada terrena, Jesus também abriu o coração diante de Deus.

No Getsêmani, sabendo que a cruz estava diante dele, Jesus se prostrou em oração e disse: “Meu Pai, se é possível, que passe de mim este cálice! Contudo, não seja como eu quero, e sim como tu queres” (Mateus 26:39, NAA).

 

Perceba a profundidade dessa oração. Jesus não esconde sua dor. Ele apresenta ao Pai aquilo que está sentindo, mas termina submetendo sua vontade à vontade de Deus. É uma oração de intimidade, sinceridade e confiança. Jesus nos ensina que podemos falar com Deus sobre a nossa dor sem deixar de confiar nele.

 

Talvez hoje você esteja vivendo um momento de urgência. Você está orando e parece que Deus está demorando. A resposta ainda não chegou. A porta não se abriu. O problema continua sem solução. A situação que você esperava que terminasse ainda permanece diante de você. E talvez você esteja pensando: “Senhor, eu não sei mais o que fazer”.

 

O Salmo 70 coloca uma oração em nossos lábios: “Eu sou pobre e necessitado; ó Deus, apressa-te em me socorrer, pois tu és o meu amparo e o meu libertador. Senhor, não te demores!” (Salmos 70:5, NAA).

 

Que palavra forte! Davi reconhece sua fragilidade, mas também reconhece quem Deus é. Ele diz, em outras palavras: “Eu não consigo resolver tudo sozinho, mas sei quem pode me socorrer. Eu sou necessitado, mas Deus é meu amparo. Eu sou limitado, mas Deus é meu libertador”.

E aqui está uma das grandes lições do Salmo 70: não esconda sua angústia de Deus. Verbalize sua dor. Coloque diante do Senhor aquilo que está tirando sua paz. Ore com sinceridade. Não tenha medo de dizer: “Senhor, eu preciso de ajuda” e depois de apresentar seu pedido, confie.

Confie porque Deus continua sendo Deus mesmo quando a resposta não chega no momento que esperamos. Confie porque o silêncio de Deus não significa necessariamente ausência. Confie porque nossa oração não serve para controlar o Senhor, mas para nos aproximar dele e colocar nossa vida novamente em suas mãos.

Talvez Deus não responda exatamente como você imaginou. Talvez a porta que você espera que se abra não seja aquela que Deus deseja abrir. Talvez o caminho seja diferente daquele que você planejou. Mas podemos continuar dizendo: “Senhor, eu confio em ti”.

O Salmo 70 nos lembra que podemos ter pressa, mas não precisamos perder a fé. Podemos estar angustiados sem abandonar a esperança. Podemos chorar e continuar orando. Podemos dizer “Senhor, não demore!”, sem deixar de dizer “seja feita a tua vontade”.

 

Por isso, hoje, quero deixar uma pergunta para você: o que está exigindo uma resposta urgente em sua vida? Qual é a situação que está fazendo você dizer: “Deus, por favor, não demore”? Leve isso ao Senhor. Não esconda. Não disfarce. Não tente parecer forte diante daquele que conhece suas fraquezas.

Ore. Abra o coração. Apresente sua necessidade. E, depois, descanse na certeza de que Deus continua sendo seu amparo, seu auxílio e seu libertador.

 

Talvez a sua oração hoje seja simplesmente esta: “Deus, não demore!” E, depois dela, talvez seja necessário fazer outra oração: “Senhor, eu confio em ti. Minha vida está em tuas mãos. Faça em mim a tua vontade.”

Que o Senhor fortaleça seu coração, sustente sua caminhada e renove sua esperança. Que você descubra, mesmo nos momentos de maior urgência, que intimidade com Deus é muito mais profunda do que religiosidade.

 

Um dia muito abençoado para você, em Cristo Jesus!

 

Cláudio Eduardo M Costa

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

QUANDO NÃO DÁ MAIS PÉ... - SALMO 69 -

 


QUANDO NÃO DÁ MAIS PÉ...

SALMO 69

 

Você já teve a sensação de estar se afogando? A água está subindo, chegando até o pescoço, e você não sabe mais o que fazer? Como se estivesse preso em um lamaçal, com a lama segurando seus pés e puxando você para baixo?

Essa é uma das imagens fortes que encontramos no Salmo 69. E é sobre isso que quero conversar com você hoje:

o que fazemos quando perdemos o chão?

O que fazemos quando parece que não existe mais saída?

A quem recorremos?

 

É muito interessante perceber como o salmista fala da graça e da misericórdia de Deus. Ele apresenta um Deus próximo, diante de quem podemos abrir o coração. Por isso, quero fazer um convite a você: fale com Deus e dê nome às suas dores. Uma das coisas que tenho aprendido no Livro de Salmos é que, se está doendo, podemos falar com o Senhor; se estamos sofrendo, podemos contar a ele o nosso sofrimento; se sentimos vontade de chorar, podemos chorar diante do Senhor.

Aquela realidade das redes sociais, em que parece que todo mundo está feliz, sorrindo, viajando, comemorando e vivendo uma vida perfeita, não funciona com Deus. Diante dele, não precisamos construir uma imagem que não corresponde à realidade. Intimidade e confiança são construídos com verdade. Seja verdadeiro com você mesmo, mas, principalmente, seja verdadeiro diante de Deus.

O Salmo 69 começa com um grito de socorro:

“Salva-me, ó Deus, porque as águas me sobem até a alma.” Salmo 69:1 — NAA

 

É como se o salmista estivesse dizendo: “Deus, estou ficando sufocado. Eu não aguento mais.”

E ele continua:

“Estou atolado num profundo lamaçal, onde não dá pé; entrei em águas profundas, e a correnteza me arrasta.” Salmo 69:2 — NAA

 

É uma linguagem poética, mas que expressa sentimentos muito reais: medo, angústia, cansaço e a sensação de não encontrar uma saída para o problema que está sendo enfrentado.

Você já se sentiu assim?

E, quando isso aconteceu, o que você fez? Entrou em desespero ou buscou o Senhor?

Quando você se sente sem chão, sem saber para onde ir e o que fazer, lembre-se: se você não encontra um lugar seguro para firmar os pés, Deus continua sendo a sua rocha, o seu refúgio e a sua proteção.

O Salmo 69 continua ficando ainda mais intenso:

“Estou cansado de clamar, e a minha garganta secou; os meus olhos esmorecem de tanto esperar por meu Deus.” Salmo 69:3 — NAA

 

Olhe para a coragem do salmista! Observe a maneira como ele apresenta seus sentimentos. Ele diz: “Estou cansado.” Cansado de clamar. Cansado de esperar.

E aqui existe uma dificuldade muito presente em nossos dias. Estamos vivendo em uma sociedade acelerada, acostumada com respostas imediatas. Queremos tudo para ontem. Queremos uma solução rápida, uma resposta rápida, uma porta aberta imediatamente.

E, muitas vezes, não temos tido paciência para esperar o tempo de Deus, mas precisamos aprender que o tempo de Deus continua sendo melhor do que a nossa pressa. Esperar não significa ficar parado ou desistir. Esperar em Deus significa continuar confiando enquanto caminhamos.

Quando o salmista diz que sua garganta secou, podemos imaginar alguém que já clamou tantas vezes que está exausto. Talvez essa também seja a sua oração hoje:

“Senhor, eu estou afundando. Preciso de ajuda. Socorro, Deus! Eu não estou entendendo essa situação. Isso está acabando comigo. Eu estou entrando em desespero.”

 

Leve isso para Deus. Não esconda sua dor. Não tente impressionar o Senhor com palavras bonitas. Deus conhece o nosso coração.

E existe algo precioso no Salmo 69: mesmo em meio à dor, o salmista continua buscando a Deus.

Ele ora:

“Quanto a mim, porém, Senhor, faço a ti, em tempo favorável, a minha oração. Responde-me, ó Deus, pela riqueza da tua graça, pela tua fidelidade em socorrer.” Salmo 69:13 — NAA

 

Perceba que ele não abandona a oração.

Ele está cansado, mas ora.

Ele está sofrendo, mas ora.

Ele não compreende tudo, mas continua falando com Deus.

 

Isso também é fé. Fé não é a ausência de sofrimento. Fé é continuar procurando Deus no meio do sofrimento.

 

Mais adiante, o salmista dá nome àquilo que está vivendo e volta a clamar:

“Livra-me do lamaçal, para que eu não me afunde; que eu seja salvo dos que me odeiam e das profundezas das águas.” Salmo 69:14 — NAA

 

Davi está dizendo, em outras palavras: “Deus, eu estou aqui. Preciso que o Senhor me livre.”

Talvez hoje você esteja vivendo o seu próprio lamaçal. Talvez seja uma crise familiar, uma dificuldade financeira, uma situação profissional, uma enfermidade, uma decepção ou simplesmente um cansaço que ninguém consegue perceber.

Então, lembre-se: você pode falar com Deus sobre isso.

Se não está conseguindo ficar de pé, fique de joelhos diante do Senhor.

Se não sabe o que dizer, simplesmente diga: “Senhor, ajuda-me.”

Se está cansado de esperar, conte isso a Deus.

Se está com medo, apresente seu medo ao Senhor.

Se está chorando, chore na presença dele.

Porque Deus não se assusta com a nossa fragilidade.

E, quando olhamos para Jesus, encontramos aquele que conhece profundamente o sofrimento humano. Jesus enfrentou rejeição, injustiça, dor e abandono. O Salmo 69, inclusive, é retomado pelo Novo Testamento em acontecimentos relacionados à paixão de Cristo. João, por exemplo, relaciona o Salmo 69:21 ao momento em que Jesus estava na cruz (João 19:28-30).

Jesus conhece a dor. Jesus conhece o sofrimento. Jesus conhece a angústia. Por isso, quando estamos atravessando nossas próprias águas profundas, não estamos recorrendo a alguém que está distante da nossa realidade.

Estamos olhando para Cristo, que entrou na nossa história e venceu.

 

Se você está cansado de lutar, não desista.

Continue orando.

Continue caminhando.

Continue confiando.

Continue olhando para o Senhor.

 

Talvez hoje você ainda não veja a saída. Talvez a água ainda esteja subindo. Talvez você ainda esteja tentando encontrar um lugar firme para colocar os pés. Mas não se esqueça: Deus continua ouvindo.

E a nossa caminhada pelos Salmos nos ensina justamente isso: nós ouvimos Deus por meio da sua Palavra e também falamos com ele por meio da oração.

 

Então, neste dia, abra o coração diante do Senhor.

 

Dê nome às suas dores. Entregue seus medos. Apresente suas necessidades. E continue confiando.

Que Deus fortaleça você quando as águas estiverem subindo, sustente você quando não der mais pé e lhe conceda fé para continuar caminhando.

 

Que o seu dia seja muito, muito abençoado!

 

Cláudio Eduardo M Costa

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