JUSTIÇA DOS HOMENS X JUSTIÇA DE DEUS:
O QUE FAZER QUANDO SOMOS ACUSADOS INJUSTAMENTE?
Salmo
7
Vivemos
em uma época em que a reputação de uma pessoa pode ser destruída em poucos
minutos. Uma notícia falsa, uma publicação maldosa ou uma acusação mentirosa
nas redes sociais pode causar danos profundos. Diante dessa realidade, surge
uma pergunta inevitável: como um cristão deve reagir quando é acusado
injustamente?
Devemos
partir imediatamente para o confronto? Devemos buscar vingança? Ou devemos
colocar nossa causa diante de Deus antes de qualquer outra atitude?
É
exatamente sobre isso que trata o Salmo 7.
O
clamor de um homem injustiçado
Estamos
na jornada dos 150 dias de leitura do Livro de Salmos, e hoje chegamos
ao Salmo 7.
Davi
enfrenta um dos momentos mais dolorosos de sua vida. Ele é vítima de calúnia,
difamação e falsas acusações. Alguém deseja destruir sua reputação, fazer com
que as pessoas deixem de confiar nele e questionem seu caráter.
O
título do salmo traz uma palavra muito interessante: Sigaiom (hebraico: shiggayon).
Esse termo aparece apenas duas vezes em toda a Bíblia: aqui, no Salmo 7, e em Habacuque
3.1.
A
palavra descreve um cântico marcado por intensa emoção, mudanças de ritmo e
profunda expressão de sofrimento, confiança e louvor. Em outras palavras,
trata-se de uma oração escrita com o coração.
Mesmo
ferido, Davi transforma sua dor em adoração.
Os
"Cuxes" da vida
O
título do salmo menciona Cuxe, o benjamita. A Bíblia não fornece muitos
detalhes sobre ele, mas tudo indica que estivesse ligado ao grupo favorável ao
rei Saul, também da tribo de Benjamim.
Enquanto
Davi fugia para preservar a própria vida, mentiras eram espalhadas a seu
respeito. Seu caráter era atacado. Sua reputação era alvo de uma campanha de
difamação.
Quem
nunca enfrentou um "Cuxe" na vida?
Pessoas
que distorcem fatos, espalham boatos ou tentam destruir nossa credibilidade
sempre existirão.
A
primeira reação de Davi
Em vez
de alimentar a vingança, Davi corre para Deus.
Ele
declara:
"Senhor,
meu Deus, em ti me refugio; salva-me de todos os que me perseguem e
livra-me." (Salmo 7.1, NAA)
Logo
em seguida, descreve a intensidade de seu sofrimento:
"Para
que ninguém, como leão, me arrebate, despedaçando-me, sem que haja quem me
livre." (Salmo 7.2, NAA)
A
imagem é forte. Davi sente-se como alguém prestes a ser devorado por um leão.
Assim é o efeito das falsas acusações: elas ferem profundamente a alma.
Um
coração disposto a ser examinado
Um dos
momentos mais marcantes do salmo aparece quando Davi diz:
"Senhor,
meu Deus, se eu fiz o de que me culpam, se há injustiça nas minhas
mãos..." (Salmo 7.3, NAA)
Antes
de exigir justiça, Davi pede que Deus examine seu coração.
Essa é
uma atitude de humildade. Quando uma mentira é repetida muitas vezes, ela pode
até nos levar a questionar a nós mesmos. Por isso, Davi abre sua vida diante do
Senhor.
Sua
dor torna-se oração.
Essa é
uma grande lição para nós: não transforme sua dor em vingança; transforme-a
em oração.
Jesus:
o maior exemplo
Nenhuma
pessoa sofreu acusações injustas como Jesus.
Foi
traído, julgado de maneira ilegal, acusado por falsas testemunhas e condenado
sem culpa.
Mesmo
assim, o profeta Isaías já havia anunciado:
"Ele
foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao
matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a
boca." (Isaías 53.7, NAA)
Jesus
confiou plenamente no Pai, o Justo Juiz.
Seu
silêncio não foi sinal de fraqueza, mas de absoluta confiança na justiça de
Deus.
Justiça
dos homens ou justiça de Deus?
Alguns
cristãos acreditam que recorrer à justiça humana demonstra falta de fé. Mas
será que a Bíblia ensina isso?
A
resposta é não.
O
apóstolo Paulo, diversas vezes, utilizou sua cidadania romana para exigir um
julgamento justo (Atos 16.37-39; 22.25-29; 25.10-12). Ele não abandonou sua
confiança em Deus por recorrer aos instrumentos legais disponíveis.
Além
disso, Paulo ensina:
"Todo
ser humano esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade
que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele
instituídas." (Romanos 13.1, NAA)
E
continua afirmando que as autoridades foram estabelecidas por Deus para
promover a justiça e punir o mal (Romanos 13.1-4).
Portanto,
quando sofremos violência, calúnia, fraude, abuso ou qualquer outro crime,
buscar a proteção da lei não significa falta de fé.
Pelo
contrário, significa reconhecer que Deus continua governando a história e pode
usar a própria justiça humana como instrumento para estabelecer a sua justiça.
Confiamos
em Deus enquanto utilizamos, com responsabilidade e sabedoria, os recursos
legítimos que Ele mesmo permitiu existir.
A
palavra final pertence ao Senhor
O
Salmo 7 termina de forma completamente diferente de como começou.
A
angústia dá lugar ao louvor.
Davi
conclui dizendo:
"Eu,
porém, renderei graças ao Senhor, segundo a sua justiça, e cantarei louvores ao
nome do Senhor Altíssimo." (Salmo 7.17, NAA)
Essa
também deve ser nossa atitude.
Talvez
você esteja enfrentando acusações injustas, críticas ou perseguições. Não
permita que a vingança ocupe o lugar do amor em seu coração.
Confie
no Senhor.
O Deus
que julgou a causa de Davi continua sendo o mesmo Deus hoje. Ele age com
justiça, mas também com graça, misericórdia e amor.
Quando
tudo parecer injusto, lembre-se: a última palavra nunca pertence aos homens,
mas ao Justo Juiz.
Que
Deus fortaleça o seu coração e lhe conceda paz para confiar plenamente na Sua
perfeita justiça.
Cláudio
Eduardo M. Costa
Pastor,
servo de Cristo e coordenador do Projeto Caminhada Bíblica e do Blog
Humanizando Compaixão.