DA
CAVERNA AO LOUVOR...
SALMO
57
Você já passou por aquele momento em que
parecia que não havia mais saída? Tudo parecia estar desmoronando à sua volta,
você não tinha mais recursos, não sabia para onde ir e teve vontade de
simplesmente se esconder?
No Salmo 57, encontramos Davi em uma caverna
real, fugindo de Saul. Mas essa experiência também nos ajuda a compreender
algo que acontece conosco: muitas vezes, diante dos problemas e das
dificuldades, nós nos escondemos dentro de nós mesmos, quando deveríamos buscar
refúgio no Senhor.
É sobre isso que quero conversar com você hoje,
a partir do Salmo 57. Quero convidá-lo a sair da caverna, porque Deus
continua tendo coisas grandiosas para fazer em sua vida e também por meio dela.
É na caverna que Davi começa a conversar com
Deus. Ele abre o coração diante do Senhor e revela seus medos, suas
fragilidades e suas necessidades. Quando leio os salmos de Davi, vejo um homem
profundamente humano, alguém que enfrentou dificuldades, perseguições, medos e
conflitos, mas que aprendeu a colocar tudo isso diante de Deus. Davi começa o
Salmo 57 dizendo: “Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia, pois
em ti a minha alma se refugia; à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem
as calamidades.” — Salmo 57:1, NAA.
Observe que Davi não afirma que as calamidades
já passaram. Ele diz: “até que passem as calamidades.” Existe um
problema acontecendo, existe perigo, existe perseguição, mas Davi encontrou um
lugar seguro enquanto espera o momento em que aquela situação passará. A
caverna era o esconderijo físico que Davi encontrou, mas Deus era o seu
verdadeiro abrigo.
Essa verdade continua muito atual. Talvez hoje
você esteja enfrentando problemas familiares, uma crise financeira,
dificuldades profissionais, conflitos nos relacionamentos ou uma situação que
esteja trazendo medo e angústia. Precisamos aprender a dizer: “Deus, eu
estou aqui. Os problemas são enormes, mas o Senhor é muito maior. Eu continuo
seguro em suas mãos.” Não devemos dizer isso apenas da boca para fora.
Precisamos desenvolver uma experiência real de intimidade e confiança com Deus.
No verso 2, Davi continua: “Clamarei ao Deus
Altíssimo, ao Deus que por mim tudo executa.” — Salmo 57:2, NAA. Que
declaração de confiança! Davi está dizendo, em outras palavras: “Eu ainda
não estou vendo tudo acontecer, mas sei que Deus está trabalhando.” Talvez
você esteja escondido na sua própria “caverna” hoje. Talvez não consiga
enxergar uma saída. Talvez não saiba o que Deus está fazendo. Mas isso não
significa que Deus esteja parado. Deus continua trabalhando. Ele não
perdeu o controle da sua história. Davi demonstra que seu relacionamento com
Deus não era baseado apenas em receber respostas. Era um relacionamento de
confiança. Ele clama, espera e confia.
Algo extraordinário acontece ao longo do Salmo
57. Davi começa falando sobre a sua aflição, mas, pouco a pouco, muda o foco.
Ele começa olhando para o problema e termina olhando para Deus. Então
encontramos uma das declarações mais bonitas do salmo: “Firme está o meu
coração, ó Deus, o meu coração está firme; cantarei e entoarei louvores.” —
Salmo 57:7, NAA. Perceba: as circunstâncias ainda não necessariamente
mudaram, mas o coração de Davi mudou. Isso é fé.
O ambiente pode estar em crise, mas o coração
pode permanecer firme em Deus. Davi está na caverna, mas a caverna não está
dominando o seu coração.
Essa experiência de Davi encontra uma conexão
muito bonita no Novo Testamento. Séculos depois, Paulo e Silas foram presos,
açoitados e colocados no cárcere. E o que eles fizeram? A Bíblia registra: “Por
volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros
presos os escutavam.” — Atos 16:25, NAA.
Olhe para essa cena: Davi está na caverna;
Paulo e Silas estão na prisão. Ambos estão em situações difíceis, mas o
sofrimento não consegue impedir a adoração. A caverna não impediu Davi de
louvar. A prisão não impediu Paulo e Silas de adorar.
E isso também precisa fazer parte da nossa
caminhada com Cristo. Muitas vezes, por problemas muito menores, nos afastamos
de Deus. Permitimos que a dificuldade tome conta da nossa mente, do nosso
coração e da nossa fé. Fazemos da nossa “caverna” o nosso lugar de segurança.
Mas nossa segurança verdadeira não está na caverna. Nossa segurança está no
Senhor.
Então Davi faz uma declaração impressionante: “Acorde,
ó minha alma! Acordem, lira e harpa! Quero acordar o alvorecer.” — Salmo
57:8, NAA. É como se Davi dissesse: “Acorde, minha alma! Não permita
que o medo seja maior do que a sua fé!” O dia ainda está começando. A
situação ainda é difícil. Mas Davi decide começar o dia adorando a Deus. Que
imagem maravilhosa!
Talvez
você tenha acordado hoje preocupado. Talvez tenha acordado pensando nos
problemas. Talvez tenha acordado sem saber como será o dia. Então faça como
Davi: acorde a sua alma para o louvor. Não permita que o problema seja a
primeira coisa a ocupar o seu coração. Permita que Deus seja o primeiro.
O salmo termina com Davi olhando para a
grandeza de Deus: “Pois a tua misericórdia se eleva até os céus, e a tua
fidelidade, até as nuvens. Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a
terra brilhe a tua glória.” — Salmo 57:10-11, NAA. Que final
extraordinário! Davi entrou na caverna em meio à perseguição, mas não terminou
a história olhando para a caverna. Terminou olhando para Deus.
Da caverna para o louvor. Do medo para a
confiança. Da perseguição para a adoração. Da escuridão para o amanhecer. E
essa pode ser também a nossa jornada.
Talvez hoje você esteja vivendo um momento de
caverna. Não tenha vergonha de reconhecer isso. Mas não transforme a caverna em
sua morada. Faça dela um lugar de encontro com Deus. Olhe menos para o
tamanho do problema e mais para a grandeza do Deus que caminha com você.
Quando o coração estiver abatido, lembre-se: “Firme
está o meu coração, ó Deus, o meu coração está firme.” Quando o dia
começar, diga: “Acorde, ó minha alma!” E quando tudo parecer escuro,
lembre-se de que Deus continua sendo digno de louvor.
Da caverna ao louvor. Que o
Senhor abençoe o seu dia e fortaleça o seu coração. Saia da caverna, confie no
Senhor, adore a Deus e permita que a sua vida proclame: “Em toda a terra
brilhe a tua glória!”
Cláudio
Eduardo M Costa
Humanizando Compaixão — Caminhada Bíblica