segunda-feira, 19 de outubro de 2026

GRANDES SÃO AS OBRAS DO SENHOR! — Salmo 111 — ¡Grandes son las obras del Señor! — Salmo 111 —

 


GRANDES SÃO AS OBRAS DO SENHOR!

A criação, a vida humana e a sabedoria que vem de Deus

— Salmo 111



Estamos na jornada dos 150 dias lendo o livro de Salmos, e hoje chegamos ao Salmo 111. Este salmo nos convida a contemplar a grandeza das obras do Senhor, reconhecer a sua justiça e compreender que a verdadeira sabedoria começa no temor de Deus.

Quero começar nossa reflexão com uma pergunta: quem realmente reconhece a grandeza de Deus? Aqueles que apenas contemplam as suas obras ou aqueles que também compreendem o valor da vida humana e assumem a responsabilidade de cuidar da criação?

Quando pensamos na criação de Deus, muitas vezes ficamos maravilhados com a beleza da natureza. Olhamos para o céu, contemplamos o mar, ouvimos o som das ondas e sentimos a brisa suave que toca o nosso rosto. Admiramos as árvores, observamos os pássaros voando e nos encantamos com a diversidade de cores, formas e sons que encontramos no mundo criado pelo Senhor.

A criação é marcada por beleza, diversidade e vida. Entretanto, em meio a tanta contemplação, podemos cometer um equívoco: esquecer que também fazemos parte dessa criação.

O SER HUMANO NÃO ESTÁ SEPARADO DA OBRA DE DEUS. NÓS FAZEMOS PARTE DELA!

Em Gênesis 1:26-28, a Bíblia nos ensina que Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança e lhe confiou responsabilidades em relação à criação. Em Gênesis 2:15, encontramos o ser humano colocado no jardim para o cultivar e guardar. Portanto, cuidar da criação também faz parte da responsabilidade que recebemos do Criador.

Fomos criados para viver em relacionamento com Deus, construir vínculos, constituir famílias e desenvolver nossa existência diante dele. A vida humana possui uma dignidade singular porque o próprio Deus nos criou à sua imagem.

Por isso, quando admiramos as montanhas, os rios, as florestas, os mares e os animais, não podemos nos esquecer de homens, mulheres e crianças. O ser humano também é parte da criação do Senhor e deve ser tratado com respeito, cuidado e dignidade.

 

O PECADO DISTORCEU A NOSSA RELAÇÃO COM O CRIADOR

Ao contemplarmos a criação, também precisamos reconhecer uma realidade dolorosa: o pecado afetou profundamente a relação do ser humano com Deus, com o próximo e com o mundo criado.

Em vez de cuidarmos, muitas vezes destruímos. Em vez de promovermos a justiça, praticamos a violência. Em vez de protegermos os mais vulneráveis, permitimos que a indiferença e a desigualdade comprometam a dignidade de tantas pessoas.

Mas a história bíblica não termina na queda. O Deus que criou o ser humano também tomou a iniciativa de nos reconciliar consigo mesmo.

Em Jesus Cristo, o Filho de Deus assumiu a nossa humanidade, experimentou o sofrimento, sentiu a dor, chorou diante da morte e enfrentou a cruz por causa dos nossos pecados. Aquele que não tinha pecado entregou a própria vida para nos reconciliar com Deus.

Na cruz, Jesus declarou: “Está consumado!” (João 19:30, NAA). Sua obra redentora tornou possível a nossa reconciliação com o Pai. Por meio dele, recebemos o privilégio de nos aproximarmos de Deus, conforme Hebreus 10:19-22, e de sermos chamados filhos de Deus, como ensina João 1:12.

Ao terceiro dia, Jesus ressuscitou, conforme 1 Coríntios 15:3-4. A ressurreição anuncia que a morte não terá a palavra final e fundamenta a esperança cristã na vida eterna.

O Evangelho nos lembra, assim, que a vida não deve ser tratada como algo descartável. Somos chamados a viver diante de Deus, com esperança, responsabilidade e amor pelo próximo.

 

GRANDES SÃO AS OBRAS DO SENHOR!

Vamos voltar ao Salmo 111.

Nos três primeiros versículos, o salmista começa com uma convocação ao louvor e declara a grandeza das obras do Senhor. Ele louva a Deus de todo o coração, na companhia dos justos e na assembleia, reconhecendo que as obras divinas são grandes e merecem ser examinadas por aqueles que encontram nelas a sua alegria.

“Aleluia! De todo o coração louvarei o Senhor, na companhia dos justos e na assembleia. Grandes são as obras do Senhor, consideradas por todos os que se alegram por causa delas. Em suas obras há glória e majestade, e a sua justiça permanece para sempre. Salmos 111:1-3 | NAA

Observe que o salmista não trata a adoração como uma experiência superficial. Seu louvor envolve o coração, a comunidade e o reconhecimento das obras de Deus.

Adorar ao Senhor significa reconhecer quem ele é, celebrar sua fidelidade e aprender a enxergar a vida à luz de sua vontade.

Quando contemplamos a natureza, podemos reconhecer sinais da grandeza, da sabedoria e do poder do Criador. Quando observamos a vida humana, somos igualmente confrontados com a responsabilidade de respeitar a dignidade daqueles que foram criados à imagem de Deus.

Não podemos louvar o Criador e, ao mesmo tempo, permanecer indiferentes à sua criação.

Não podemos cantar sobre o amor de Deus e ignorar o sofrimento de pessoas que precisam de alimento, moradia, proteção, educação, justiça e acolhimento.

A verdadeira adoração não se limita às palavras pronunciadas em uma reunião religiosa. Ela também se manifesta na maneira como vivemos, tratamos as pessoas e exercemos nossas responsabilidades diante de Deus.

 

A DIGNIDADE DA VIDA HUMANA FAZ PARTE DESSA REFLEXÃO

Quando olhamos para a realidade do nosso mundo, encontramos guerras, violência, fome, injustiça, exploração e tantas situações que ameaçam a vida humana. Vemos crianças vulneráveis, famílias sem recursos para atender às necessidades básicas e pessoas que têm sua dignidade negada.

Diante dessa realidade, a fé cristã não pode permanecer indiferente.

A Bíblia afirma que o ser humano foi criado à imagem de Deus (Gênesis 1:26-27). Essa verdade fundamenta o nosso compromisso com a dignidade de cada pessoa, independentemente de sua condição social, origem, idade ou capacidade.

Também encontramos nas Escrituras uma valorização profunda da vida ainda no ventre materno. O Salmo 139:13-16 apresenta a vida humana diante do conhecimento e do cuidado de Deus, enquanto Lucas 1:41-44 descreve o encontro de Maria com Isabel e a reação da criança em seu ventre.

À luz dessas passagens, compreendo que a vida humana, desde a concepção até o seu fim natural, merece proteção, cuidado e dignidade. Essa convicção deve nos conduzir não apenas à defesa da vida, mas também à responsabilidade de amparar mães, crianças, famílias e pessoas em situação de vulnerabilidade.

Defender a vida significa trabalhar para que ela seja acompanhada de condições dignas de existência. Significa combater a violência, promover a justiça, acolher quem sofre e cuidar daqueles que não conseguem defender seus próprios direitos.

Não basta afirmar que a vida tem valor. Precisamos demonstrar esse valor por meio de atitudes concretas.

O ser humano foi criado para viver em relacionamento com Deus e com o próximo. Por isso, somos chamados a promover uma sociedade mais justa, solidária e comprometida com a dignidade humana.

A criação que celebramos no Salmo 111 inclui o mundo natural que devemos preservar e as pessoas que devemos amar e proteger.

 

A SABEDORIA COMEÇA NO TEMOR DO SENHOR

Ao chegarmos ao versículo 10, encontramos uma das afirmações mais conhecidas deste salmo:

“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Salmo 111:10, NAA).

Temer ao Senhor não significa viver dominado pelo pavor, mas reconhecer sua santidade, respeitar sua autoridade e orientar a vida segundo a sua Palavra.

A verdadeira sabedoria começa quando deixamos de colocar nossa própria vontade no centro de todas as coisas e aprendemos a discernir a vida à luz dos propósitos de Deus.

Quando compreendemos a grandeza do Criador, também entendemos melhor as nossas responsabilidades. Aprendemos que não somos donos absolutos da vida, que nossas escolhas afetam outras pessoas e que devemos agir com justiça, prudência e compaixão.

O salmista relaciona o temor do Senhor à sabedoria e à prudência. Isso nos ensina que conhecer a Palavra de Deus deve produzir mudanças concretas em nossa maneira de viver.

A sabedoria bíblica nos desafia a cuidar da natureza, respeitar a vida, combater a injustiça e agir com responsabilidade diante das necessidades do próximo.

“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; conhecer o Santo é ter entendimento”. Provérbios 9:10 | NAA

 

GRANDES SÃO AS OBRAS DO SENHOR: QUAL É A NOSSA RESPOSTA?

Ao concluirmos esta reflexão sobre o Salmo 111, quero deixar três convites para você.

Primeiro, admire a criação de Deus. Reserve tempo para contemplar a natureza e reconhecer a grandeza do Criador.

Segundo, cuide da criação. Faça a sua parte na preservação do meio ambiente e no uso responsável dos recursos que Deus nos confiou.

Terceiro, defenda a dignidade da vida humana. Não permaneça indiferente diante da fome, da violência, da exploração e de toda forma de injustiça. Procure maneiras concretas de acolher, servir e promover a dignidade das pessoas.

Esses compromissos não substituem a adoração a Deus; são expressões de uma vida que deseja honrá-lo.

 

Quero que você guarde esta verdade no coração:

A minha vida tem valor diante de Deus, e a vida do meu próximo também tem valor.

 

Por quê? Porque fomos criados à imagem do Criador e porque, em Jesus Cristo, encontramos a expressão suprema do amor de Deus por nós. Ele entregou sua vida por nossos pecados e ressuscitou para nos oferecer esperança.

Que o reconhecimento da grandeza das obras do Senhor transforme a nossa maneira de olhar para o mundo, para a natureza e para as pessoas.

Que não sejamos apenas admiradores da criação, mas também cuidadores responsáveis dela. Que não sejamos apenas ouvintes da Palavra, mas pessoas que praticam a justiça, exercitam a compaixão e defendem a dignidade humana.

E que a nossa vida seja marcada pela sabedoria que começa no temor do Senhor.

Que Deus abençoe você, sua família e os desafios desta semana. Continue caminhando conosco nesta jornada de leitura e reflexão bíblica.

 

Grandes são as obras do Senhor! Que a nossa vida também seja uma expressão de louvor ao Criador.

 

Um abraço, fique com Deus e até a próxima reflexão!

 

Cláudio Eduardo M Costa

Humanizando Compaixão

Série: 150 Dias Lendo o Livro de Salmos

domingo, 18 de outubro de 2026

JESUS NÃO É APENAS SALVADOR: ELE É REI E SENHOR! - Salmo 110 - - - Jesus is not only Savior: He is King and Lord! - Psalm 110 - - - Jesús no es solo Salvador: ¡Él es Rey y Señor! - Salmo 110 -

 


JESUS NÃO É APENAS SALVADOR: ELE É REI E SENHOR!

Salmo 110

 

Estamos na caminhada dos 150 Dias Lendo o Livro de Salmos, e hoje quero convidar você a refletir sobre uma pergunta que pode parecer simples, mas que é fundamental para a nossa vida: quem governa a sua vida?

O Salmo 110 nos apresenta uma verdade extraordinária sobre Jesus Cristo: ele não é apenas o nosso Salvador; ele é Rei e Senhor!

Quando falamos em governo, não estamos pensando apenas em quem ocupa uma posição de autoridade sobre outras pessoas. Estamos falando de quem dirige nossas escolhas, influencia nossas atitudes e orienta nosso comportamento. Quem governa a nossa vida? Quem determina a maneira como agimos em casa, no trabalho, na igreja e na sociedade? Quais valores orientam nossas decisões?

Quando pensamos em nosso relacionamento com Deus, precisamos reconhecer que ele nos chama a responder livremente à sua Palavra. Não somos máquinas programadas para obedecer sem pensar. Somos responsáveis pelas escolhas que fazemos e pelas consequências delas. Podemos acolher a vontade de Deus ou insistir em seguir os nossos próprios caminhos.

O Salmo 110 nos convida a olhar para além dos poderes humanos. Existe um Rei cuja autoridade não está limitada pelo tempo, pelas circunstâncias ou pelas estruturas deste mundo. Jesus Cristo é o Senhor, e seu Reino não terá fim.

A questão, portanto, não é se Cristo tem autoridade, mas como nós respondemos a essa autoridade. Estamos dispostos a permitir que ele transforme nossa maneira de viver?

 

1. JESUS É O REI EXALTADO POR DEUS

O Salmo 110 é atribuído a Davi e começa com uma declaração extraordinária. No versículo 1, lemos, na Nova Almeida Atualizada (NAA):

Disse o Senhor ao meu senhor: "Sente-se à minha direita, até que eu ponha os seus inimigos por estrado dos seus pés."

Salmos 110:1 | NAA

Davi apresenta alguém que ocupa uma posição de honra e autoridade ao lado do próprio Senhor. Essa passagem ganha um significado especial quando observamos como Jesus a utiliza para falar sobre a identidade do Messias.

Em Mateus 22:41-46, Jesus conversa com os fariseus e lhes faz uma pergunta sobre o Cristo. Eles respondem que o Messias é filho de Davi. Então, Jesus os leva a refletir: se Davi, inspirado pelo Espírito, chama o Cristo de Senhor, como podemos compreender sua identidade apenas como descendente de Davi?

O episódio termina sem que seus interlocutores consigam responder à pergunta de Jesus.

Referência bíblica: Mateus 22:41-46 — NAA.

Essa conversa não deve ser entendida simplesmente como uma tentativa de Jesus de humilhar seus interlocutores. O propósito é mais profundo: revelar que a identidade do Messias ultrapassa as expectativas humanas. Jesus não é apenas um descendente de Davi; ele é o Senhor exaltado por Deus.

E quando leio essa passagem, também sou levado a refletir sobre o meu próprio lugar diante do Senhor.

Quem somos nós? Somos criaturas amadas por Deus, alcançadas por sua graça e dependentes de sua misericórdia. Não somos o centro do universo, nem temos o direito de colocar nossa vontade acima de tudo e de todos. A graça que nos acolhe também nos chama à transformação.

Quantas vezes queremos que Deus abençoe nossos planos, mas não estamos dispostos a submeter nossos planos à sua vontade? Queremos o cuidado do Senhor, mas resistimos à sua direção. Pedimos que ele conduza nossos passos, mas insistimos em segui-lo apenas quando suas orientações coincidem com aquilo que desejamos.

Reconhecer Jesus como Senhor significa abandonar a ilusão de que somos donos absolutos da nossa vida. Significa aprender a ouvir sua Palavra, rever nossas atitudes e permitir que o Evangelho transforme nossas escolhas.

 

2. JESUS É O SACERDOTE ETERNO

O Salmo 110 apresenta outra dimensão extraordinária da identidade do Messias: além de Rei, ele é Sacerdote para sempre.

No versículo 4, lemos:

O Senhor jurou e não voltará atrás: Você é sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. Salmos 110:4 | NAA

A referência a Melquisedeque aparece em Gênesis 14:18-20, onde ele é apresentado como rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo. Mais tarde, o autor da Carta aos Hebreus retoma essa figura para explicar a singularidade do sacerdócio de Jesus, especialmente em Hebreus 7.

No Antigo Testamento, os sacerdotes exerciam funções relacionadas ao culto, às ofertas e aos sacrifícios, representando o povo diante de Deus. O sistema sacerdotal fazia parte da aliança estabelecida com Israel.

Entretanto, o Salmo 110 anuncia um sacerdócio que não se limita à sucessão habitual dos sacerdotes. O Novo Testamento identifica em Jesus o cumprimento dessa expectativa: ele é o sacerdote definitivo, cujo ministério não depende de uma sucessão humana.

Jesus é aquele por meio de quem nos aproximamos de Deus. Por sua morte e ressurreição, temos a esperança de reconciliação e acesso à presença do Pai. Ele não é apenas alguém que nos aponta o caminho; é o Salvador que realizou a obra necessária para nos reconciliar com Deus.

Que verdade consoladora! Aquele que reina com autoridade também é aquele que nos acolhe e intercede por nós. O governo de Cristo não está separado de sua obra de salvação.

 

3. O QUE O REINADO DE CRISTO MUDA EM NOSSA MISSÃO?

Quando leio o Salmo 110 e olho para o nosso tempo, penso também na responsabilidade que temos como cristãos e como Igreja, o corpo de Cristo.

Não fomos chamados para dominar pessoas, manipular consciências ou obrigar os outros a fazer aquilo que desejamos. Deus não nos autorizou a substituir a ação do Espírito Santo pela imposição humana.

Nossa missão é anunciar o Evangelho, testemunhar do Reino de Deus, cuidar de pessoas e demonstrar, por meio de nossas atitudes, o amor e a compaixão de Cristo.

Jesus não tratava as pessoas como instrumentos para a realização de seus interesses. Ele se aproximava dos que sofriam, acolhia os desprezados, ensinava a verdade e chamava as pessoas a uma vida transformada.

Se reconhecemos Jesus como Rei e Senhor, precisamos permitir que seu caráter molde também a nossa maneira de exercer influência. A autoridade cristã não deve ser usada para alimentar o orgulho, mas para servir. A fé não deve ser utilizada para humilhar quem pensa diferente, mas para testemunhar a verdade com amor, firmeza e respeito.

Uma Igreja que reconhece o senhorio de Cristo não pode fechar os olhos para o sofrimento humano. Ela precisa olhar para as pessoas com compaixão, denunciar a injustiça com responsabilidade, acolher os vulneráveis e agir de maneira coerente com o Evangelho que anuncia.

Não basta dizer que Jesus é Senhor aos domingos se, durante a semana, nossas atitudes são governadas pelo egoísmo, pela indiferença, pela arrogância ou pelo desejo de controlar os outros.

O senhorio de Cristo precisa alcançar nossas palavras, nossos relacionamentos, nossas escolhas profissionais, nossa vida familiar e a maneira como tratamos aqueles que não podem nos oferecer nada em troca.

 

4. A ESPERANÇA DE QUE O MAL NÃO TERÁ A PALAVRA FINAL

O Salmo 110 também nos convida a olhar para o futuro com esperança. A imagem dos inimigos colocados debaixo dos pés do Rei aponta para a vitória de Deus e para a submissão definitiva de tudo aquilo que se opõe ao seu governo.

Vivemos em um mundo marcado pela violência, pela injustiça, pela corrupção, pelo sofrimento e pela indiferença. Em muitos momentos, parece que o mal está vencendo e que os esforços para construir uma sociedade mais justa são pequenos diante de tantos problemas.

Entretanto, a fé cristã nos lembra que a história não está fora do controle de Deus. O mal não terá a palavra final. Nossa esperança está no Senhor que reina e que conduzirá todas as coisas à realização de seus propósitos.

Essa esperança, porém, não nos autoriza a cruzar os braços. Pelo contrário, ela nos fortalece para agir.

Porque esperamos no Senhor, podemos continuar praticando o bem, defendendo a dignidade humana, cuidando dos que sofrem e anunciando o Evangelho. Não fazemos isso porque acreditamos que conseguiremos resolver todos os problemas do mundo com nossas próprias forças, mas porque fomos chamados a testemunhar, desde agora, os valores do Reino de Deus.

Vamos seguir o exemplo de Jesus. Vamos caminhar com ele. Vamos olhar para as injustiças e para o sofrimento alheio com compaixão, coragem e amor.

Estamos aqui para isso: para viver e anunciar o Evangelho, demonstrando que reconhecer Jesus como Senhor transforma não apenas aquilo em que acreditamos, mas também a maneira como nos relacionamos com as pessoas.

 

PARA REFLETIR: QUEM GOVERNA A SUA VIDA?

Quero deixar uma pergunta para você:

Se Jesus é Rei e Senhor, ele realmente governa suas decisões, seus relacionamentos e a maneira como você trata as pessoas?

Não basta reconhecer Jesus apenas como Salvador, como alguém a quem recorremos nos momentos difíceis. Somos chamados a reconhecê-lo como Senhor de toda a nossa existência.

Isso não significa que nunca teremos dúvidas, dificuldades ou momentos de fraqueza. Significa que, mesmo quando falhamos, voltamos à Palavra de Deus, reconhecemos nossa necessidade de graça e permitimos que o Senhor nos conduza novamente pelo caminho da transformação.

Que o Salmo 110 fortaleça nossa fé em Jesus Cristo, Rei e Senhor, e nos ajude a viver de maneira coerente com o Evangelho que professamos.

Que possamos declarar essa verdade não apenas com os lábios, mas com a vida: quem governa a minha vida é Jesus Cristo, o Senhor!

Que Deus abençoe ricamente o seu dia e que este domingo seja marcado pela presença do Senhor, pela renovação da sua fé e por oportunidades de demonstrar amor e compaixão.

Se esta reflexão falou ao seu coração, compartilhe-a com outras pessoas, deixe seu comentário e inscreva-se no canal. Vamos juntos espalhar a Palavra de Deus e testemunhar, com nossas palavras e atitudes, o amor de Cristo.

 

CLÁUDIO EDUARDO M. COSTA

Humanizando Compaixão

sábado, 17 de outubro de 2026

ELE NÃO IGNORA A SUA DOR! — Salmo 109 —

 


ELE NÃO IGNORA A SUA DOR!

Salmo 109 —

 

Você já foi acusado injustamente? Já foi traído por pessoas de quem esperava apoio, sinceridade e companheirismo? Já sentiu a dor de perceber que alguém em quem confiava se voltou contra você?

É sobre essas experiências que quero conversar com você.

Nossa leitura é o Salmo 109, uma oração que nos ensina a levar a Deus as feridas que nem sempre conseguimos explicar às pessoas.

Neste salmo, encontramos Davi na presença do Senhor, sem esconder sua dor ou disfarçar sua decepção. Ele reconhece que precisa da intervenção divina porque não consegue enfrentar sozinho todas as batalhas. O salmista nos ensina uma lição importante: não precisamos fingir que estamos bem diante de Deus. Mesmo quando o sofrimento é profundo, podemos nos aproximar dele com sinceridade, apresentando nossas perguntas, nossas angústias e nossas necessidades. A oração não exige que escondamos nossas emoções, mas que aprendamos a colocá-las diante daquele que conhece o nosso coração.

Nos primeiros versículos, Davi expressa sua indignação diante das acusações que enfrenta: “Ó Deus do meu louvor, não te cales, pois contra mim se abriram lábios maldosos e fraudulentos; com língua mentirosa falam contra mim” (Salmo 109:1-2 — NAA).

O salmista descreve uma realidade dolorosa: mentiras, hostilidade e palavras capazes de ferir sua reputação. A traição e a falsidade não são experiências exclusivas de nossos dias. O próprio Jesus Cristo foi traído por alguém que fazia parte de seu círculo mais próximo, Judas Iscariotes (Mateus 26:14-16, 47-50 — NAA). Isso nos lembra que a proximidade física ou religiosa nem sempre significa lealdade e sinceridade.

Talvez você pense que nunca passou por uma situação semelhante. Entretanto, vale a pena refletir sobre as experiências que já vivemos nos relacionamentos familiares, profissionais e até mesmo na igreja. Quantas vezes palavras precipitadas, julgamentos injustos e atitudes desleais provocaram feridas profundas?

Hoje, com a internet e as redes sociais, uma mentira pode se espalhar em poucos minutos, comprometendo a reputação de alguém antes mesmo que os fatos sejam esclarecidos. Por isso, precisamos vigiar nossas palavras, verificar as informações que compartilhamos e não participar de ambientes digitais que promovem humilhação, calúnia ou destruição da dignidade humana. A Bíblia nos adverte a abandonar a mentira e falar a verdade uns com os outros (Efésios 4:25 — NAA).

Ao prosseguirmos na leitura, encontramos uma das partes mais marcantes do salmo. Davi clama: “Mas tu, Senhor Deus, age por mim, por amor do teu nome; livra-me, porque é boa a tua misericórdia. Porque sou pobre e necessitado e, dentro de mim, sinto ferido o coração” (Salmo 109:21-22 — NAA).

Aqui, a palavra pobre merece nossa atenção. Davi era rei, possuía autoridade e dispunha de recursos materiais. Entretanto, reconhece diante de Deus que é pobre e necessitado. Nesse contexto, a expressão aponta para sua vulnerabilidade e dependência de auxílio. Mesmo com poder e recursos, ele não consegue resolver tudo sozinho. Seu coração está ferido, e ele precisa da misericórdia do Senhor.

Quando penso nessa declaração, lembro-me do Davi que enfrentou Golias, conforme 1 Samuel 17, e que reconheceu que a vitória não dependia apenas da força humana, mas do Senhor (1 Samuel 17:45-47 — NAA). O mesmo homem que demonstrou coragem diante de um guerreiro poderoso também reconheceu sua fragilidade na presença de Deus. Isso nos ensina que ser forte não significa nunca precisar de ajuda. Podemos ter responsabilidades, experiências e recursos e, ainda assim, enfrentar momentos em que nossas forças parecem insuficientes.

A maturidade espiritual também se revela quando reconhecemos nossas limitações e buscamos o Senhor com humildade.

Como você tem lidado com as dores que ninguém consegue enxergar? Tem tentado esconder tudo para parecer forte ou tem encontrado tempo para conversar sinceramente com Deus?

Há feridas que não aparecem no rosto, mas afetam nossos pensamentos, nossos relacionamentos e a maneira como enxergamos a vida. O salmo nos convida a reconhecer essa realidade e a buscar auxílio, lembrando que não precisamos carregar sozinhos todos os nossos fardos.

Nos versículos seguintes, Davi fundamenta seu pedido não em seus próprios méritos, mas na misericórdia divina: “Socorre-me, Senhor, meu Deus! Salva-me segundo a tua misericórdia. Para que saibam que isso vem das tuas mãos; que tu, Senhor, o fizeste” (Salmo 109:26-27 — NAA).

Ele não apresenta uma lista de conquistas nem tenta negociar com Deus. Seu clamor está firmado na bondade do Senhor. Essa é uma lição importante para nossa vida espiritual: não nos aproximamos de Deus como quem exige uma recompensa, mas como filhos que reconhecem sua necessidade de graça, cuidado e direção.

É nesse ponto que precisamos olhar para Jesus Cristo, nosso modelo de compaixão e serviço. Mateus registra que Jesus percorria cidades e aldeias, ensinando, anunciando o evangelho do Reino e curando enfermidades. Ao ver as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas, como ovelhas sem pastor. Então, disse aos discípulos que a seara era grande, mas os trabalhadores eram poucos, e os orientou a pedir ao Senhor da seara que enviasse trabalhadores (Mateus 9:35-38 — NAA).

Jesus não olhava para as pessoas com indiferença. Ele enxergava suas necessidades e se aproximava delas com misericórdia.

Se afirmamos que seguimos Jesus, precisamos aprender a olhar para as pessoas como ele olhava. Isso começa em nossa própria casa, na maneira como ouvimos nossos familiares, acolhemos suas dificuldades e oferecemos apoio. Continua na escola, no trabalho, na igreja e nos espaços digitais em que convivemos. Quantas vezes chegamos ao culto apressados, participamos da reunião e saímos sem perguntar como está a pessoa que se senta ao nosso lado? Talvez alguém esteja enfrentando uma crise familiar, uma dificuldade financeira ou uma dor emocional que ainda não conseguiu compartilhar.

Uma escuta atenta, uma oração sincera e uma atitude concreta podem representar um importante sinal do cuidado de Deus.

Confiar no Senhor não significa permanecer passivo diante das injustiças. A fé nos chama a orar, mas também a agir com responsabilidade, protegendo os vulneráveis, acolhendo os feridos e procurando os caminhos adequados para enfrentar o mal. A igreja deve ser uma comunidade em que as pessoas encontrem dignidade, escuta e apoio concreto.

Não basta falar sobre misericórdia; precisamos demonstrá-la em nossas escolhas e atitudes. Como ensina Gálatas 6:2, somos chamados a levar as cargas uns dos outros, cumprindo assim a lei de Cristo (Gálatas 6:2 — NAA).

O Salmo 109 termina com uma declaração de louvor que revela a esperança de Davi: “Muitas graças darei ao Senhor com os meus lábios; eu o louvarei no meio da multidão; porque ele se põe à direita do pobre, para o livrar daqueles que o condenam” (Salmo 109:30-31 — NAA).

Depois de expor suas feridas e clamar por socorro, o salmista volta seus olhos para o Senhor, que ouve sua oração e se coloca ao lado daquele que precisa de auxílio. Sua experiência nos lembra que podemos buscar a Deus em nossas lutas e, ao mesmo tempo, tornar-nos instrumentos de sua misericórdia na vida de outras pessoas.

Diante dessa mensagem, quero deixar uma pergunta para sua reflexão:

Se você, como Davi, reconhece que precisa do auxílio de Deus, sua fé também tem levado você a perceber e acolher as pessoas que estão sofrendo ao seu redor?

Talvez o primeiro passo seja retomar uma conversa, ouvir alguém sem julgamentos, oferecer ajuda ou simplesmente demonstrar que essa pessoa não está sozinha.

Que o Senhor fortaleça seu coração, sustente sua esperança e nos ensine a viver de maneira coerente com o evangelho de Jesus Cristo.

Que nossas palavras promovam a verdade, que nossas atitudes revelem compaixão e que nossa presença seja uma bênção para aqueles que precisam de cuidado. Deus não ignora a dor humana, e nós, como seus seguidores, também não devemos ignorá-la.

 

CLÁUDIO EDUARDO M. COSTA

Humanizando Compaixão

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

QUANDO TUDO PARECE DESMORONAR, FIRME SEU CORAÇÃO EM DEUS! — Salmo 108 — —

 


QUANDO TUDO PARECE DESMORONAR, FIRME SEU CORAÇÃO EM DEUS!

Salmo 108 —

 

Como é possível manter o coração firme quando o mundo à nossa volta parece estar desmoronando?

Como cantar quando há sofrimento ao nosso redor?

De que maneira temos olhado para o mundo, para as circunstâncias que enfrentamos pessoalmente e para as crises que assolam a humanidade?

Vivemos em meio à violência, às guerras, à corrupção e à exploração. Vemos pessoas desamparadas, pessoas em situação de rua, trabalhadores explorados e crianças marginalizadas.

Diante dessa realidade, precisamos perguntar: quem somos nós e qual tem sido a nossa atitude? Podemos declarar, como o salmista, que nosso coração está firme em Deus?

Seja bem-vindo a mais uma reflexão da série 150 Dias Lendo o Livro de Salmos. Hoje, nossa leitura é o Salmo 108.

Davi começa esse salmo declarando sua confiança no Senhor: “Firme está o meu coração, ó Deus! Cantarei e entoarei louvores de toda a minha alma” (Salmo 108:1 — NAA). À primeira vista, parece que ele não está enfrentando problemas, como se tudo estivesse bem e as circunstâncias fossem favoráveis. Entretanto, a firmeza de seu coração não significa ausência de dificuldades. Sua confiança está fundamentada em quem Deus é e no relacionamento que mantém com ele. Davi sabe em quem tem colocado sua esperança e reconhece que não caminha sozinho. Isso nos ensina que a fé não deve ser um relacionamento de interesse, como se buscássemos a Deus apenas quando precisamos de alguma coisa. Nossa confiança nasce do conhecimento de seu caráter, de seu amor e de sua fidelidade. Afinal, se a nossa fé só permanece firme quando tudo vai bem, precisamos examinar em que realmente estamos fundamentando nossa confiança.

Ao longo do salmo, percebemos que Davi não ignora suas dificuldades. Ele começa com uma declaração de louvor, mas termina reconhecendo sua necessidade de socorro. Nos versículos 12 e 13, encontramos uma oração que também pode expressar o nosso clamor nos dias difíceis: “Presta-nos auxílio na angústia, pois vão é o socorro humano. Em Deus faremos proezas, porque ele mesmo pisará os nossos adversários” (Salmo 108:12-13 — NAA). Davi reconhece os limites dos recursos humanos e pede a intervenção do Senhor. Essa oração nos ensina que podemos reconhecer nossas fragilidades, pedir ajuda e continuar confiando em Deus. Muitas pessoas sorriem por fora enquanto enfrentam batalhas terríveis por dentro. Por isso, não precisamos esconder nossas dores nem enfrentar tudo sozinhos. Podemos clamar ao Senhor, buscar apoio e encontrar forças para prosseguir.

Mas há algo importante na declaração de Davi: “Em Deus faremos proezas”. Essa expressão não é um convite à passividade, como se bastasse esperar que Deus resolvesse todos os problemas sem a nossa participação. Ela aponta para uma confiança que nos fortalece a agir de acordo com a vontade do Senhor. Nossa dor é real, nossas lágrimas são legítimas, mas não precisamos permitir que o sofrimento nos paralise. Podemos enxugar as lágrimas, levantar a cabeça e olhar para as pessoas que caminham ao nosso lado. A fé nos chama a continuar, mesmo quando o caminho é difícil, confiando em Deus e buscando nele a sabedoria necessária para enfrentar cada situação.

Quando olhamos para a sociedade em que estamos inseridos, encontramos violência, corrupção, guerras, exploração e indiferença diante da dor alheia. Ao mesmo tempo, vivemos em uma época de grandes avanços tecnológicos e de inúmeras possibilidades de comunicação. Diante disso, precisamos perguntar: como estamos olhando para o mundo ao nosso redor? Estamos apenas lamentando os problemas ou também estamos dispostos a agir para transformar a realidade? A oração é indispensável, mas a fé bíblica também nos conduz à prática do amor. Tiago nos lembra que a fé deve ser demonstrada por meio das obras (Tiago 2:17 — NAA). Não podemos falar de confiança em Deus e permanecer indiferentes à fome, à violência, à exclusão e ao sofrimento das pessoas. Em Cristo, somos chamados a acolher os vulneráveis, defender a dignidade humana, praticar a justiça e oferecer ajuda concreta a quem precisa.

Jesus Cristo é nosso maior exemplo de confiança no Pai e de compromisso com as pessoas. Mesmo diante da rejeição, da violência e da cruz, ele permaneceu fiel à sua missão. Seu exemplo nos ensina que a esperança não consiste em negar a realidade, mas em enfrentá-la com fé, amor e perseverança. A firmeza do coração não significa que nunca sentiremos medo, tristeza ou cansaço. Significa que, mesmo em meio a essas experiências, continuamos buscando a Deus e permitindo que sua Palavra oriente nossas decisões. Como Jesus ensinou em João 16:33, enfrentaremos aflições neste mundo, mas podemos encontrar nele a paz e a coragem para perseverar.

Por isso, quero deixar uma pergunta para sua reflexão: diante de tudo o que acontece no mundo e das lutas que você enfrenta pessoalmente, em que está firmado o seu coração? Nas circunstâncias, nos recursos humanos, na opinião das pessoas ou no Deus que permanece fiel? Volte-se para o Senhor, ore com sinceridade e peça a ele forças para enfrentar as adversidades. Não se esqueça de que confiar em Deus também significa caminhar com responsabilidade, estender as mãos ao próximo e participar da transformação da realidade em que vivemos.

Que Deus abençoe ricamente o seu dia. E, mesmo quando tudo parecer desmoronar, lembre-se: a firmeza do coração não está na ausência de problemas, mas na confiança naquele que nos sustenta em meio às dificuldades.

 

CLÁUDIO EDUARDO M. COSTA

Humanizando Compaixão

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

DEUS AINDA TRANSFORMA TEMPESTADES EM TESTEMUNHOS! - - Salmo 107 - - God still transforms storms into testimonies! - Psalm 107 - - - ¡Dios todavía transforma las tormentas en testimonios! - Salmo 107 -

 


DEUS AINDA TRANSFORMA TEMPESTADES EM TESTEMUNHOS!

Salmo 107

 

Você já passou por um momento em que parecia não existir saída? Talvez as circunstâncias tenham fugido do seu controle, a angústia tenha tomado conta do seu coração e você já não soubesse a quem recorrer. Existem momentos em que o sofrimento nos deixa sem palavras e o futuro parece incerto. É sobre essas experiências que vamos conversar hoje, a partir do Salmo 107, uma declaração de louvor à bondade, à fidelidade e à misericórdia de Deus.

O salmo começa com um convite: “Deem graças ao Senhor, porque ele é bom, e a sua misericórdia dura para sempre” (Salmo 107:1 — NAA). Ao longo desse cântico, encontramos pessoas perdidas no deserto, prisioneiros envolvidos pelas trevas, pessoas abatidas pelo sofrimento e navegantes surpreendidos por uma tempestade. São diferentes situações que revelam a fragilidade humana e nossa necessidade de socorro. Em meio às dificuldades, o salmista apresenta uma verdade que atravessa gerações: podemos clamar ao Senhor quando não sabemos mais o que fazer.

Imagine os navegantes lutando contra ondas que parecem dominar tudo ao seu redor. O medo é real, o perigo é intenso e as forças humanas se mostram insuficientes. Entretanto, quando clamam ao Senhor, ele os conduz em segurança. O texto declara: “Fez cessar a tormenta, e as ondas se acalmaram” (Salmo 107:29 — NAA). A tempestade não era imaginária, mas também não foi o capítulo final daquela história. Essa passagem nos ensina que podemos apresentar nossas angústias a Deus e confiar nele mesmo quando não conseguimos controlar as circunstâncias.

Essa mensagem nos lembra de um episódio do Novo Testamento. Em Marcos 4:35-41, os discípulos enfrentam uma grande tempestade enquanto Jesus está com eles no barco. Assustados, eles o despertam e pedem socorro. Jesus repreende o vento e ordena ao mar que se acalme. Aquele acontecimento revela sua autoridade e desafia os discípulos a confiarem nele. Também nós enfrentamos tempestades: enfermidades, conflitos familiares, dificuldades financeiras, violência, luto e incertezas. Seguir a Cristo não significa que estaremos livres de todas essas experiências, mas significa que podemos enfrentá-las com fé, buscando sua presença, a sabedoria de sua Palavra e o apoio de pessoas que possam caminhar conosco.

Ao contemplarmos o Salmo 107, também somos conduzidos à compreensão do amor de Deus revelado em Jesus Cristo. Por sua morte e ressurreição, recebemos a oferta do perdão e da salvação. Nossa esperança não está na promessa de que todos os problemas desaparecerão imediatamente, mas na certeza de que o amor de Deus permanece e de que, em Cristo, nem mesmo o sofrimento tem a palavra final. A fé nos fortalece para atravessar as dificuldades, aprender com elas e continuar praticando o bem.

O salmo termina convidando-nos a observar as obras do Senhor e a considerar suas misericórdias: “Quem é sábio atente para essas coisas e considere as misericórdias do Senhor” (Salmo 107:43 — NAA). Essa conclusão nos chama a olhar para a vida com gratidão, reconhecendo os sinais do cuidado de Deus sem ignorar a dor de quem ainda enfrenta suas próprias tempestades. Também somos chamados a ser instrumentos de compaixão, oferecendo escuta, acolhimento e ajuda concreta aos que sofrem.

 

Pergunta para reflexão:

Qual tempestade você está enfrentando hoje e como pode buscar a Deus, receber ajuda e continuar caminhando com fé?

Que o Salmo 107 renove sua esperança e o ensine a reconhecer a bondade do Senhor em cada etapa da caminhada. As tempestades acontecem, mas você não precisa enfrentá-las sozinho. Clame a Deus, confie em sua graça e lembre-se de que a história ainda pode produzir testemunhos de fé, perseverança e gratidão.

“Deem graças ao Senhor, porque ele é bom, e a sua misericórdia dura para sempre” (Salmo 107:1 — NAA).

Que Deus abençoe seu dia, fortaleça seu coração e lhe conceda sabedoria para atravessar as tempestades da vida, mantendo os olhos em Jesus Cristo.

 

CLÁUDIO EDUARDO M COSTA

Humanizando Compaixão

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

QUEM ESTÁ MOLDANDO A SUA VIDA: JESUS OU O MUNDO DIGITAL?

 


QUEM ESTÁ MOLDANDO A SUA VIDA:

JESUS OU O MUNDO DIGITAL?

“O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem-instruído será como o seu mestre.” — Lucas 6:40 (NAA)

 

Entre tantas vozes, quem está formando o nosso coração?

Vivemos em uma sociedade na qual somos constantemente bombardeados por informações, imagens, opiniões e estímulos. O celular nos acompanha à mesa, nas conversas familiares, nos momentos de descanso e, muitas vezes, até nos cultos. As redes sociais influenciam nossos hábitos, nosso modo de pensar, nossas escolhas e a maneira como enxergamos a nós mesmos e ao próximo. Embora estejamos conectados a milhares de pessoas, nem sempre estamos verdadeiramente presentes na vida daqueles que nos cercam.

O problema não está na tecnologia em si — que serve como um excelente instrumento de educação, comunhão e evangelização —, mas no poder que permitimos que ela exerça sobre nós. Quando a busca por reconhecimento, curtidas e aprovação se torna prioridade, corremos o risco de dedicar mais atenção às expectativas do mundo do que à voz de Jesus. Por isso, a pergunta essencial não é apenas quanto tempo passamos na internet, mas quem está moldando nosso caráter, nossos valores e nossas atitudes.

 

O que significa ser moldado por alguém?

Ser moldado significa tomar a forma de algo, receber influência, adquirir características e desenvolver um modo específico de pensar e agir. Em Lucas 6:40, Jesus ensina que o discípulo, depois de bem-instruído, será como o seu mestre. Essa declaração surge em um contexto no qual Cristo instrui sobre a vida no Reino de Deus: Ele fala sobre amar os inimigos, praticar a misericórdia, não julgar com hipocrisia e reconhecer as próprias limitações antes de corrigir o outro (Lucas 6:27-42).

A advertência sobre o cego que conduz outro cego e a comparação entre o discípulo e o mestre mostram a importância de sabermos quem nos orienta. Não basta ouvir os ensinamentos; precisamos permitir que eles transformem nossa conduta. Jesus não deseja apenas seguidores que conheçam suas palavras, mas discípulos que reproduzam o Seu caráter. Em nossos dias, isso exige avaliar criticamente os conteúdos que consumimos, as pessoas que admiramos e os modelos que seguimos. Afinal, podemos dominar as tendências digitais e, ainda assim, estarmos nos afastando dos valores de Cristo. A questão central não é o que estamos aprendendo, mas em quem estamos nos tornando.

 

O papel da igreja em uma sociedade conectada

Diante dessa realidade, a igreja tem uma responsabilidade que vai além de condenar os excessos tecnológicos. Precisamos ensinar a Palavra de Deus, formar discípulos maduros, desenvolver o discernimento e preparar os cristãos para viverem a fé tanto no ambiente presencial quanto no digital. O apóstolo Paulo orienta: “E não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente” (Romanos 12:2 — NAA).

Essa transformação não significa isolamento social, mas a capacidade de participar do mundo sem abrir mão do Evangelho. A igreja deve ser um espaço acolhedor de ensino, comunhão e formação espiritual, onde todas as gerações aprendam a discernir o que edifica e o que prejudica. Paralelamente, deve utilizar a própria internet para comunicar a verdade, compartilhar esperança e alcançar pessoas que talvez nunca entrem em um templo. Entretanto, nossa presença digital só terá credibilidade se estiver acompanhada de uma vida coerente.

 

Influenciar o mundo começando por onde estamos

Nossa influência cristã começa nos ambientes mais próximos:

  • Na família: Demonstramos o amor de Cristo quando ouvimos com atenção, dedicamos tempo de qualidade uns aos outros e não permitimos que as telas substituam a convivência.
  • Na escola ou trabalho: Somos chamados a agir com honestidade, respeitar as diferenças, rejeitar o bullying e não participar da disseminação de mentiras ou linchamentos virtuais.
  • Na igreja: Devemos cultivar relacionamentos verdadeiros, servir com humildade e tratar cada pessoa com dignidade, sem transformar a fé em uma competição por prestígio.
  • Na sociedade: Nosso testemunho se manifesta na defesa da justiça, na solidariedade com os vulneráveis e no compromisso inegociável com a verdade.

Jesus declarou:

“Assim brilhe também a luz de vocês diante dos outros, para que vejam as boas obras que vocês fazem e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus” (Mateus 5:16 — NAA).

Portanto, nossa missão não é apenas falar sobre Cristo, mas permitir que Sua presença seja percebida em nossas atitudes — inclusive nos comentários que fazemos, nas mensagens que compartilhamos e na maneira como tratamos quem pensa diferente de nós.

 

A tecnologia pode ser uma ferramenta, mas Jesus deve ser o Mestre

Não precisamos rejeitar a tecnologia para permanecermos fiéis. O desafio é utilizá-la com equilíbrio, responsabilidade e sabedoria. Podemos estudar, trabalhar, evangelizar e fortalecer relacionamentos por meio dos recursos digitais. No entanto, devemos vigiar para que a comparação constante, a necessidade de aprovação e o consumo interminável de conteúdo não ocupem o espaço reservado à oração, à leitura bíblica e ao cuidado com o próximo.

Em Filipenses 4:8, Paulo nos orienta a ocupar a mente com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável e de boa fama. Esse princípio deve governar nossa vida na internet. Antes de publicar, comentar ou compartilhar, precisamos nos perguntar se nossas palavras promovem a verdade, edificam o outro e refletem o caráter de Cristo. A tecnologia deve estar a serviço da vida, e não se tornar a força que determina o sentido da nossa existência.

 

Pergunta para reflexão

Se as pessoas observassem o seu comportamento em casa, na escola, na igreja e nas redes sociais, reconheceriam alguém que está sendo moldado pelos ensinamentos de Jesus? Ou perceberiam que suas atitudes reproduzem os valores de uma sociedade que coloca a aparência acima do caráter, a popularidade acima da verdade e o individualismo acima do amor?

 

Ser discípulo é um processo contínuo de aprendizagem e transformação. Não basta conhecer a Bíblia, publicar versículos ou declarar nossa fé da boca para fora; precisamos permitir que a Palavra de Deus direcione nossas escolhas cotidianas. Em um mundo cheio de vozes disputando nossa atenção, que Jesus continue sendo o nosso Mestre, o nosso modelo e a referência absoluta que orienta nossas decisões. Que a nossa presença, digital ou física, revele não apenas aquilo em que acreditamos, mas, principalmente, Aquele a quem seguimos.

 

Cláudio Eduardo M. Costa
Humanizando Compaixão


GRANDES SÃO AS OBRAS DO SENHOR! — Salmo 111 — ¡Grandes son las obras del Señor! — Salmo 111 —

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