QUANDO A RELIGIÃO SUBSTITUI O
RELACIONAMENTO COM DEUS
Juízes 17
Você
deseja um Deus que o abençoe ou um Deus que governe a sua vida?
Essa
pergunta parece simples, mas revela uma realidade muito presente em nossos
dias.
Muitas
pessoas desejam um Deus que concorde com suas escolhas, que nunca confronte
seus pecados e que esteja sempre disponível para realizar seus desejos. O
relacionamento com Deus acaba sendo tratado como a história do "gênio da
lâmpada": apresenta-se uma lista de pedidos esperando que todos sejam
atendidos, mas sem disposição para viver em obediência.
Esse
comportamento não é exclusivo da nossa geração. Ele já estava presente no
período dos juízes e é exatamente sobre isso que trata o capítulo 17.
Um
retrato da decadência espiritual de Israel
Ao
chegarmos aos capítulos finais de Juízes, percebemos uma mudança na narrativa.
Do
capítulo 17 ao capítulo 21, o autor deixa de apresentar a sequência cronológica
dos juízes para mostrar a verdadeira condição espiritual e moral de Israel.
Esses capítulos funcionam como um apêndice do livro, revelando até onde o povo
havia se afastado do Senhor.
É
nesse contexto que conhecemos Mica.
Quando
a religião substitui o relacionamento
Mica
havia roubado dinheiro da própria mãe. Entretanto, quando ouviu a maldição que
ela pronunciou contra o ladrão, ficou com medo e devolveu o dinheiro.
A
reação da mãe é surpreendente. Em vez de conduzir o filho ao arrependimento,
separa parte da prata para fabricar uma imagem de escultura.
O
resultado foi a criação de um sistema religioso completamente contrário à
vontade de Deus.
Mica
construiu um santuário particular.
Fabricou
seus próprios ídolos.
Consagrou
objetos religiosos.
E
contratou um levita para servir como sacerdote exclusivo de sua família.
Tudo
isso era feito em nome do Senhor, mas estava completamente distante daquilo que
Deus havia ordenado.
Mica
não rejeitou Deus.
Ele
apenas quis adorá-lo do seu próprio jeito.
Esse é
um dos maiores perigos da religiosidade: tentar adaptar Deus aos nossos
interesses, em vez de adaptar nossa vida à vontade de Deus.
O
perigo da superstição
Infelizmente,
essa realidade continua presente em nossos dias.
Há
pessoas que frequentam igrejas, afirmam ser cristãs, mas ainda depositam sua
confiança em objetos, campanhas, lugares ou rituais, como se essas coisas
possuíssem algum poder especial.
Esquecem
que Deus não está limitado a um templo ou a um objeto religioso.
O
próprio Senhor Jesus ensinou:
"Mas,
quando você orar, vá para o seu quarto, feche a porta e ore ao seu Pai, que não
pode ser visto. E o seu Pai, que vê o que você faz em segredo, lhe dará a
recompensa."
(Mateus 6:6 – NTLH)
O
lugar não é o mais importante.
O mais
importante é o relacionamento com Deus.
Podemos
orar em casa, caminhando, no trabalho ou até debaixo de uma árvore.
O Pai
ouve aqueles que se aproximam dEle com sinceridade.
A
falsa segurança de Mica
Depois
de construir seu santuário e contratar um levita, Mica acreditava que sua casa
estava espiritualmente protegida.
Ele
declarou:
"Agora
eu sei que o Senhor vai me fazer prosperar, pois tenho um levita como
sacerdote." (Juízes
17:13 – NTLH)
Observe
onde estava sua confiança.
Ela
não estava no Senhor.
Estava
no sistema religioso que ele mesmo havia criado.
Mica
imaginava que poderia garantir a bênção de Deus por meio de um sacerdote
particular.
Essa
continua sendo uma grande armadilha.
Há
pessoas que confiam mais em líderes religiosos do que em Deus.
Confiam
mais em campanhas do que na Palavra.
Confiam
mais em objetos do que na presença do Espírito Santo.
Uma
religião sem relacionamento produz apenas uma falsa sensação de segurança.
O
desejo de criar um deus à nossa imagem
O
problema de Mica foi querer um Deus que servisse aos seus interesses.
Infelizmente,
isso continua acontecendo.
Muitas
pessoas não desejam conhecer o Deus revelado nas Escrituras.
Preferem
construir uma versão particular de Deus.
Um
deus que nunca corrige.
Um
deus que nunca confronta.
Um
deus que apenas confirma seus desejos.
Mas o
verdadeiro Deus não pode ser moldado pelos nossos sentimentos.
Somos
nós que devemos ser transformados por Sua Palavra.
A
verdadeira prosperidade
Outro
erro de Mica foi sua compreensão sobre prosperidade.
Ele
acreditava que possuir um sacerdote lhe garantiria riqueza, proteção e sucesso.
Mas a
prosperidade ensinada nas Escrituras vai muito além dos bens materiais.
Ela
inclui paz com Deus.
Crescimento
espiritual.
Sabedoria.
Contentamento.
Caráter
transformado.
Relacionamentos
restaurados.
E a
esperança da vida eterna.
Deus
pode abençoar materialmente Seus filhos, mas essa nunca foi a essência do
Evangelho.
O
apóstolo Paulo escreveu:
"Sei
o que é estar necessitado e sei também o que é ter mais do que o necessário.
Aprendi o segredo de me sentir contente em todo lugar e em qualquer situação,
quer esteja bem alimentado, quer com fome, quer tenha muito, quer tenha pouco.
Com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação."
(Filipenses 4:12-13 – NTLH)
A
verdadeira prosperidade é viver satisfeito em Cristo, independentemente das
circunstâncias.
Cristo
é o único caminho
Enquanto
Mica criou seu próprio santuário e seu próprio sacerdote, Deus revelou ao mundo
o único Mediador entre Ele e a humanidade.
Jesus
declarou:
"Eu
sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode chegar até o Pai a não ser por
mim." (João
14:6 – NTLH)
Não
são objetos religiosos.
Não
são rituais.
Não
são campanhas.
Não
são superstições.
É
Cristo.
Somente
Cristo nos conduz ao Pai.
Conclusão
Juízes
17 nos desafia a examinar nossa própria fé.
Nossa
confiança está em Deus ou em mecanismos religiosos?
Estamos
cultivando um relacionamento verdadeiro com Cristo ou apenas uma religiosidade
baseada em tradições e superstições?
Que a
nossa fé esteja firmada em Jesus Cristo, o único Caminho, a Verdade e a Vida.
Que
nossa confiança esteja no Deus vivo e não em objetos, pessoas ou sistemas
religiosos.
Porque
uma religião sem relacionamento pode produzir aparência de espiritualidade.
Mas
somente um relacionamento verdadeiro com Cristo produz transformação, esperança
e vida eterna.
Que
Deus abençoe rica e poderosamente o seu dia!
Cláudio Eduardo M. Costa