Você sente alegria quando chega o momento de se
reunir com a igreja? Aquele momento em que os irmãos se encontram, compartilham
a disposição de servir, evangelizar, orar, cantar e glorificar ao Senhor? Você
sente prazer em estar junto com a família da fé, celebrando a presença de Deus?
Hoje, nossa leitura é o Salmo 122, mais um dos
chamados Cânticos de Peregrinação.
Esses salmos eram cantados pelos peregrinos que
caminhavam em direção a Jerusalém para participar das festas religiosas. A
cidade abrigava o templo, lugar de adoração e celebração da fé. Imagine aquelas
famílias caminhando pelas estradas, cantando, louvando e glorificando ao Senhor
enquanto se aproximavam do lugar de culto.
É nesse contexto que o Salmo 122 começa com uma
declaração maravilhosa:
"Alegrei-me
quando me disseram: Vamos à Casa do Senhor."
(Salmo 122:1 — NAA).
Que declaração linda! O salmista expressa a
alegria de saber que poderia se reunir com o povo de Deus para adorar e exaltar
o seu nome.
Como precisamos recuperar essa alegria nos
nossos dias!
Quando olho para Jesus Cristo, lembro-me de que
ele anunciou a edificação da sua igreja. Em Mateus 16:18, Jesus declarou que
edificaria a sua igreja e que as portas do mundo dos mortos não prevaleceriam
contra ela.
A igreja pertence a Jesus Cristo!
Igreja não é simplesmente uma organização
religiosa, um cadastro de pessoa jurídica ou um prédio. A igreja é formada por
pessoas que reconhecem Jesus como Senhor e Salvador e se reúnem em seu nome
para adorar, aprender a Palavra, compartilhar a fé e viver o amor de Deus.
Em Mateus 18:20, Jesus nos apresenta uma
declaração muito significativa:
"Porque,
onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio
deles." (Mateus 18:20 — NAA).
Perceba: não estamos falando apenas de uma
instituição. Estamos falando de uma família!
Somos chamados a pertencer à família de Deus.
Por meio de Jesus Cristo, recebemos o privilégio de nos aproximarmos de Deus e
chamá-lo de Pai. Podemos orar: Pai nosso! Podemos conversar com ele com
confiança, sabendo que somos acolhidos por seu amor.
Desde o início, Deus nos ensina a importância
de vivermos em comunhão. Não fomos chamados para experimentar uma espécie de
cristianismo individualista, no qual alguém afirma: "Com Deus está tudo
bem, só não quero saber de igreja".
Precisamos compreender que a vida cristã também
envolve compromisso com uma comunidade de fé. Não podemos separar nosso
relacionamento com Cristo do amor e da responsabilidade que temos para com
nossos irmãos.
Fazer parte da igreja significa viver a
unidade, mesmo em meio às diferenças.
Somos pessoas diferentes. Temos histórias,
experiências, habilidades e responsabilidades diferentes. Exercemos papéis
distintos na sociedade e também no Reino de Deus. Entretanto, em Cristo, somos
unidos como uma família!
E você sabia que Jesus orou por nós?
No Evangelho de João, capítulo 17, encontramos
uma das orações mais bonitas de Jesus. Ele não orou somente pelos discípulos
que estavam com ele naquele momento, mas também por todos aqueles que viriam a
crer por meio da mensagem anunciada por eles.
Jesus
declarou:
"Não
peço somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por
meio da palavra que eles falarem, a fim de que todos sejam um." (João
17:20-21 — NAA).
Que privilégio! Jesus orou pela unidade daqueles
que ainda viriam a crer nele. Essa oração também nos alcança!
Mas precisamos compreender que essa unidade tem
uma missão. Jesus deseja que a comunhão dos seus seguidores seja um testemunho
para o mundo, para que as pessoas reconheçam que ele foi enviado pelo Pai.
Temos uma missão: anunciar o Evangelho!
Temos uma missão: fazer com que o mundo conheça
Jesus Cristo como Senhor e Salvador!
A igreja não existe apenas para reunir pessoas.
Ela existe para glorificar a Deus, formar discípulos, cuidar de vidas e
testemunhar o amor de Cristo.
E quando penso nessa realidade, lembro-me de
uma expressão que sempre procuro destacar durante minha caminhada ministerial:
somos parte da família de Deus!
Família! A igreja precisa ser uma família!
O apóstolo Paulo, escrevendo à igreja que
estava na cidade de Éfeso, apresenta essa verdade de maneira extraordinária. Em
Efésios 2:19-22, ele ensina que, por meio de Cristo, não somos mais
estrangeiros e peregrinos, mas membros da família de Deus.
No versículo 19, encontramos esta declaração:
"Assim,
vocês não são mais estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos e
membros da família de Deus." (Efésios 2:19 — NAA).
Paulo continua apresentando Cristo Jesus como a
pedra angular, aquele que sustenta toda a construção.
Que imagem maravilhosa! A igreja é uma
construção espiritual. Não está fundamentada na capacidade humana, nas
preferências pessoais ou nos interesses particulares. Seu fundamento está em
Jesus Cristo!
É nele que somos unidos, edificados e chamados
a crescer como comunidade dedicada ao Senhor.
Por isso, precisamos recuperar a alegria de
estarmos juntos. Alegria de acolher uns aos outros, cuidar uns dos outros,
ensinar a Palavra de Deus, compartilhar esperança e anunciar que Jesus é o
Cristo.
A igreja precisa ser um lugar onde as pessoas
encontrem acolhimento, cuidado, comunhão e esperança.
Não podemos permitir que o individualismo, as
divisões e a indiferença enfraqueçam nossos relacionamentos. Somos uma família
e precisamos aprender a viver como família!
Quero deixar uma pergunta muito importante:
Você está apenas frequentando uma igreja ou
realmente faz parte da família de Deus?
Não fomos chamados para sermos apenas
espectadores. Somos chamados para participar dessa obra maravilhosa que é o
corpo de Cristo, a igreja do Senhor Jesus.
Precisamos servir, acolher, ensinar,
evangelizar, cuidar e caminhar juntos.
Na próxima oportunidade em que você se reunir
com sua comunidade cristã, lembre-se da declaração do salmista. Diga com alegria:
"Alegrei-me
quando me disseram: Vamos à Casa do Senhor."
Que essa alegria não esteja presente apenas no
momento de chegar à igreja, mas também em tudo aquilo que fazemos para
fortalecer a família de Deus.
Que Deus abençoe sua vida, sua família e sua
comunidade de fé!
Você sai de casa todos os dias com
tranquilidade? Ou, ao fechar a porta e começar sua caminhada, o medo já está
tomando conta dos seus pensamentos? Os perigos da cidade, a violência nas ruas,
a insegurança nos caminhos e a preocupação com a família têm feito você viver
constantemente preocupado?
Talvez você me responda: não se trata de medo,
mas de prevenção. Afinal, a insegurança está muito grande! E você tem razão
quando reconhece que precisamos tomar cuidados e agir com prudência.
Entretanto, precisamos perguntar: estamos sendo prudentes ou estamos nos
tornando reféns do medo?
Hoje quero convidar você a caminhar comigo pelo
Salmo 121. Vamos descobrir em quem devemos colocar nossa confiança e como
podemos enfrentar as inseguranças da vida sem permitir que o medo determine
nossos passos.
O Salmo 121 é conhecido como um Cântico de
Peregrinação. Ele faz parte de uma coleção de quinze salmos, do 120 ao 134, que
eram utilizados pelo povo de Israel em suas peregrinações a Jerusalém. Essas
viagens aconteciam especialmente por ocasião das grandes celebrações
religiosas, conforme encontramos em Deuteronômio 16:16.
Imagine aquelas pessoas caminhando por
estradas, atravessando regiões montanhosas, enfrentando o cansaço e os perigos
de uma longa viagem. Havia riscos naturais e ameaças de violência, e os
peregrinos precisavam confiar no Senhor durante todo o percurso.
É nesse contexto que encontramos uma declaração
extraordinária de fé. O salmista não está afirmando que a caminhada era livre
de perigos. Ele está declarando que sua confiança estava em Deus!
E quando olhamos para as grandes cidades de
hoje, percebemos como essa mensagem continua atual. Talvez você não esteja
caminhando pelas estradas de Israel, mas enfrenta diariamente os desafios de
viver em uma sociedade marcada pela violência e pela insegurança. As
preocupações fazem parte da nossa realidade e, muitas vezes, mexem com nossas
emoções, nossos relacionamentos e nossa tranquilidade.
Precisamos aprender a distinguir os cuidados
necessários do medo exagerado que nos paralisa.
O salmista começa com uma pergunta:
"Elevo
os meus olhos para os montes: de onde me virá o socorro?" (Salmo
121:1 — NAA).
Que pergunta interessante! É como se ele
estivesse olhando para o caminho à sua frente e perguntando: de onde virá a
minha proteção? Quem poderá me ajudar durante essa caminhada?
A resposta vem imediatamente:
"O
meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra."
(Salmo 121:2 — NAA).
Que declaração maravilhosa! A segurança
daqueles peregrinos não estava na ausência de perigos, mas na confiança que
depositavam no Senhor, o Criador de todas as coisas.
Quando olhamos para o nosso mundo, percebemos
que a maldade, a violência e as injustiças são realidades que assustam a
humanidade. A Bíblia nos ensina que o pecado está presente na experiência
humana e produz consequências terríveis em nossa sociedade. Entretanto, nossa
esperança não está na capacidade de controlar todas as circunstâncias, mas na
confiança em Deus e em Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador.
E quando penso em Jesus, lembro-me do momento
em que ele ensinava seus discípulos sobre as preocupações da vida. Em Mateus
6:25-34, Jesus fala sobre a ansiedade, as necessidades diárias e o cuidado do
Pai celestial.
No versículo 34, encontramos uma orientação
muito importante:
"Portanto,
não se preocupem com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta
ao dia o seu próprio mal." (Mateus 6:34 — NAA).
Jesus está nos ensinando a viver um dia de cada
vez. Isso não significa abandonar o planejamento, deixar de trabalhar ou
ignorar nossas responsabilidades. Significa não permitir que as preocupações
com o futuro roubem a oportunidade de viver o presente com fé e confiança em
Deus.
A ansiedade pode nos fazer sofrer
antecipadamente por situações que ainda nem aconteceram. Por isso, precisamos
aprender a entregar nossas preocupações ao Senhor e buscar nele a força
necessária para cada dia.
Mas existe outra questão importante: quando
procuramos segurança, que tipo de paz estamos buscando? Uma paz construída
sobre o medo, a violência e a tentativa de controlar tudo ao nosso redor? Ou a
paz que Jesus oferece?
Em João 14:27, Jesus declara:
"Deixo
com vocês a paz, a minha paz lhes dou; não lhes dou a paz como o mundo a dá.
Que o coração de vocês não fique angustiado nem com medo." (João
14:27 — NAA).
Observe que Jesus não está prometendo uma vida
sem dificuldades. Ele está oferecendo uma paz que não depende da ausência de
problemas. É a paz que nasce de um relacionamento de confiança e intimidade com
ele.
A palavra medo aparece em nossa experiência
humana, mas não precisamos permitir que ela governe nossa existência. Podemos
enfrentar situações difíceis sem perder a esperança, porque nossa vida está nas
mãos do Senhor.
Entretanto, precisamos compreender uma coisa:
confiar em Deus não significa abandonar os cuidados necessários.
Nossa confiança não pode ser uma justificativa
para agir com irresponsabilidade, ignorar os perigos ou desprezar as
orientações de segurança. Precisamos agir com sabedoria, tomar precauções,
ouvir conselhos e utilizar os recursos de proteção que estão à nossa
disposição.
A fé não elimina nossa responsabilidade. Pelo
contrário, ensina-nos a enfrentar a realidade com coragem, prudência e
discernimento.
E quando pensamos nessa caminhada, encontramos
outra promessa maravilhosa de Jesus. No encerramento do Evangelho de Mateus,
depois de orientar seus discípulos a fazerem discípulos de todas as nações, ele
lhes assegura sua presença:
"E
eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos."
(Mateus 28:20b — NAA).
Que promessa extraordinária! Não estamos
sozinhos. Caminhamos com Jesus! Ele está conosco nos dias tranquilos e também
naqueles em que precisamos enfrentar grandes dificuldades.
O Salmo 121 continua apresentando essa
segurança quando declara:
"O
Senhor é quem guarda você; o Senhor é a sombra à sua direita. De dia não lhe
fará mal o sol, nem de noite, a lua." (Salmo 121:5-6 — NAA).
E o versículo 7 completa:
"O
Senhor guardará você de todo mal; guardará a sua alma."
(Salmo 121:7 — NAA).
É Deus quem cuida de nós! E quando leio essa
declaração, lembro-me novamente de Jesus, que apresenta a imagem do pastor que
conhece suas ovelhas e cuida delas.
Em João 10:27-28, Jesus declara:
"As
minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou
a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão." (João
10:27-28 — NAA).
Aqui encontramos uma das mais profundas
expressões de segurança que podemos experimentar: pertencemos a Cristo! Somos
conhecidos por ele, ouvimos sua voz e somos chamados a segui-lo.
Mas existe ainda uma responsabilidade que não
podemos esquecer.
Se desejamos viver em cidades mais seguras,
precisamos contribuir para que as pessoas ao nosso redor encontrem cuidado,
respeito, solidariedade e esperança. Os seguidores de Jesus Cristo não podem
ser indiferentes à insegurança que aflige as famílias.
Precisamos ser comunidades de acolhimento,
cuidado e esperança!
A igreja não pode fechar os olhos para o
sofrimento das pessoas. Precisamos acolher famílias, cuidar das crianças,
proteger os mais vulneráveis, apoiar aqueles que enfrentam dificuldades e
anunciar o Evangelho de Jesus Cristo.
Nossa fé precisa ser percebida em nossas
atitudes. Não basta falar sobre o amor de Deus; precisamos demonstrá-lo por
meio de relacionamentos, ações e compromissos concretos com a vida.
Somos chamados a confiar em Deus e também a ser
instrumentos do seu cuidado na sociedade em que estamos inseridos.
O Salmo 121 termina com uma afirmação linda e
maravilhosa. No versículo 8, encontramos esta promessa:
"O
Senhor guardará a sua saída e a sua entrada, desde agora e para sempre."
(Salmo 121:8 — NAA).
Por isso, quero convidar você a guardar essa
palavra no coração. Não sabemos como será o dia de amanhã, nem o que
encontraremos no próximo minuto da nossa caminhada. Mas sabemos em quem podemos
confiar!
Nossa segurança não está na ausência de
perigos, na capacidade de controlar todas as circunstâncias ou na ilusão de que
nada de ruim poderá acontecer. Nossa segurança está no Senhor, que permanece
conosco e nos sustenta em todos os momentos.
O MEDO
PODE ATÉ APARECER, MAS NÃO PRECISA DETERMINAR OS NOSSOS PASSOS!
Confie
no Senhor, caminhe com prudência, cuide de sua família e seja uma presença de
esperança na vida das pessoas.
Vamos
juntos proclamar a verdade do Evangelho!
O
MEDO NÃO VAI ME PARAR! Meu socorro vem do Senhor, e é nele que encontro forças
para continuar caminhando.
Que
Deus abençoe sua vida e sua família. Caminhe com fé, viva com prudência e
compartilhe esperança!
CLÁUDIO
EDUARDO M COSTA
HUMANIZANDO
COMPAIXÃO
Uma
jornada de fé, esperança e compromisso com a vida.
Você sabia que Deus nos ouve nos momentos de
angústia? Sabia que podemos pedir ao Senhor que nos livre da falsidade e das
palavras enganadoras? E que, mesmo vivendo em um mundo marcado por conflitos,
somos chamados a ser instrumentos de paz?
É uma alegria ter você conosco em mais um dia
da nossa Caminhada Bíblica 2026, nos 150 dias lendo o Livro de Salmos.
Hoje, nossa leitura é o Salmo 120, o primeiro
dos chamados Cânticos de Romagem ou Cânticos de Subida.
Esses quinze salmos, do 120 ao 134, eram
utilizados pelo povo de Israel em suas peregrinações a Jerusalém, especialmente
nas ocasiões de celebração e adoração. Jerusalém era o destino dos peregrinos.
Ali estava o templo, lugar de reunião e adoração ao Senhor. A caminhada
representava também uma expressão de fé, dependência e confiança em Deus.
Hoje, compreendemos que nossa adoração não está
limitada a um lugar físico. Em 1 Coríntios 6:19, a Palavra de Deus nos ensina
que o nosso corpo é templo do Espírito Santo. Isso significa que nossa vida
deve expressar adoração ao Senhor em todos os lugares e circunstâncias.
Adoramos a Deus quando estamos reunidos na igreja, mas também quando estamos em
casa, no trabalho, na escola e em nossos relacionamentos cotidianos.
Ao olharmos para o Salmo 120, encontramos uma
mensagem muito especial. O salmista começa com uma declaração de confiança:
"Na
minha angústia, clamei ao Senhor, e ele me ouviu." (Salmo
120:1 — NAA).
Que declaração maravilhosa! Observe a certeza e
a convicção presentes nessas palavras. A angústia existe. Enfrentamos
problemas, atravessamos dificuldades, experimentamos decepções e, algumas
vezes, não conseguimos compreender o que está acontecendo ao nosso redor.
Entretanto, existe uma verdade que não podemos esquecer: podemos clamar ao
Senhor, porque ele nos ouve!
Quando compreendemos que Deus escuta nossas
orações, aprendemos que não precisamos enfrentar os problemas sozinhos.
Caminhar com o Senhor é uma decisão de fé. Ele conhece nossa história, sabe das
circunstâncias que estamos enfrentando, acolhe nosso clamor e permanece
conosco, mesmo quando não encontramos respostas imediatas.
Primeira lição: quando a angústia chegar, não
deixe de clamar ao Senhor. Ele ouve você!
Mas o Salmo 120 apresenta uma segunda questão
muito importante. No versículo 2, o salmista faz um pedido de livramento:
"Senhor,
livra-me dos lábios mentirosos, da língua enganadora."
(Salmo 120:2 — NAA).
Que pedido necessário! O salmista está
enfrentando uma realidade marcada pela falsidade, por palavras enganosas e por
pessoas que utilizam a mentira para alcançar seus próprios objetivos.
E como essa mensagem continua atual!
Vivemos em uma sociedade na qual as informações
circulam em uma velocidade impressionante. As redes sociais ampliaram nossas
possibilidades de comunicação, mas também facilitaram a produção e a divulgação
de informações falsas, acusações sem fundamento e conteúdos manipulados.
Precisamos desenvolver filtros para avaliar
aquilo que recebemos. Antes de compartilhar uma notícia, precisamos perguntar:
essa informação é verdadeira? Qual é a sua origem? Existe alguma intenção de
manipular, prejudicar ou destruir a reputação de alguém?
Não estamos falando simplesmente da falta de
conhecimento ou da ausência de informação. Estamos falando da falsidade
deliberada, da utilização consciente de palavras e informações enganosas para
alcançar determinados objetivos.
As chamadas fakes news são um exemplo
contemporâneo desse problema. Muitas vezes, são produzidas ou compartilhadas
intencionalmente para manipular opiniões, provocar conflitos, destruir
relacionamentos e ferir pessoas.
Por isso, precisamos fazer nossa a oração do
salmista: Senhor, livra-nos dos lábios mentirosos e das línguas enganadoras!
Livra-nos da falsidade que nos cerca e dá-nos discernimento para reconhecer
aquilo que não corresponde à verdade.
A manipulação da informação é um dos grandes
desafios da sociedade contemporânea. E a Palavra de Deus nos ensina que nossas
palavras precisam estar comprometidas com a verdade.
Existe aqui uma segunda lição que precisamos
guardar: não permita que a falsidade dos outros determine a sua maneira de
viver.
Mesmo quando somos vítimas de injustiças,
precisamos permanecer comprometidos com Deus, com sua Palavra e com a verdade.
Existe uma terceira lição que merece nossa
atenção: somos chamados para a paz!
Nos versículos 6 e 7, o salmista revela sua
tristeza por viver entre pessoas que não desejam a paz. Ele declara:
"Já
há tempo demais que habito com aqueles que odeiam a paz. Sou pela paz; quando,
porém, eu falo, eles teimam pela guerra."
(Salmo 120:6-7 — NAA).
Que contraste! O salmista deseja a paz, mas
está cercado por pessoas que insistem no conflito.
Essa realidade também está presente em nossos
dias. Existem pessoas que alimentam divisões, transformam diferenças em motivos
para hostilidade e utilizam as palavras como instrumentos de agressão.
Entretanto, o Deus a quem servimos é o Deus da
paz. Somos chamados a viver em amor, respeito, reconciliação e cuidado uns com
os outros.
Isso não significa que precisamos pensar da
mesma maneira em todas as situações. Temos o direito de apresentar opiniões
diferentes, de discordar e de defender nossas convicções. Mas não temos o
direito de transformar nossas diferenças em motivos para odiar, humilhar ou
destruir outras pessoas.
Podemos pensar diferente sem deixar de amar.
Podemos discordar sem transformar o relacionamento em uma guerra.
O profeta Jeremias apresenta uma orientação
extraordinária para essa realidade. Em Jeremias 29:7, encontramos uma palavra
dirigida aos israelitas que estavam vivendo no exílio, na Babilônia. Mesmo em
uma terra estranha, enfrentando circunstâncias difíceis, eles receberam uma
orientação do Senhor:
"Procurem
a paz da cidade para onde eu os deportei e orem por ela ao Senhor; porque na
sua paz vocês terão paz." (Jeremias 29:7 — NAA).
Observe a profundidade desse ensinamento! O
povo de Israel estava longe de sua terra, vivendo em uma sociedade diferente
daquela à qual pertencia. Ainda assim, Deus os orientou a buscar a paz daquela
cidade e a orar por ela.
Isso nos ensina que não podemos esperar que
todas as circunstâncias sejam favoráveis para assumir nosso compromisso com a
paz. Mesmo em ambientes difíceis, somos chamados a trabalhar pelo bem das
pessoas e das comunidades onde vivemos.
E
quando penso nessa responsabilidade, lembro-me também das palavras do profeta
Isaías. Em Isaías 2:3-4, encontramos uma visão extraordinária: as nações
aprendendo os caminhos do Senhor e transformando suas espadas em relhas de
arado e suas lanças em podadeiras.
É uma imagem maravilhosa! Instrumentos
utilizados para destruir sendo transformados em instrumentos para produzir
vida. A guerra dando lugar à paz. A violência cedendo espaço à construção de um
futuro melhor.
Que visão precisamos recuperar em nossos
relacionamentos!
Não fomos chamados para alimentar conflitos,
espalhar falsidades ou promover divisões. Fomos chamados para compartilhar o
amor de Cristo, viver a verdade e construir caminhos de reconciliação.
Lembro-me de um antigo hino do Cantor Cristão
que expressa essa realidade ao nos apresentar como peregrinos e embaixadores do
Reino de Deus. Somos representantes de uma mensagem de reconciliação. Em 2
Coríntios 5:18-20, o apóstolo Paulo nos ensina que Deus nos reconciliou consigo
mesmo por meio de Cristo e nos confiou o ministério da reconciliação.
Essa é a nossa missão!
Quem experimentou a reconciliação com Deus por
meio de Jesus Cristo é chamado a compartilhar esse amor com as pessoas ao seu
redor.
O Senhor nos ouve na angústia, nos ensina a
rejeitar a falsidade e nos convoca a viver pela paz.
Que nossas palavras não destruam reputações,
mas construam relacionamentos. Que nossas atitudes não alimentem guerras, mas
promovam a reconciliação. Que nossa presença seja uma oportunidade de
manifestar o amor de Cristo.
Não podemos controlar todas as circunstâncias
ao nosso redor, mas podemos escolher como vamos nos relacionar com as pessoas
que Deus coloca em nosso caminho.
Parece que o tempo está correndo cada vez mais
depressa. E quero começar nossa conversa de hoje com uma pergunta: se você
pudesse escolher apenas uma coisa para levar consigo neste mês de novembro, o
que escolheria? Mais dinheiro, saúde, segurança, boas notícias ou
esperança?
Estamos vivendo dias em que muitas pessoas
estão perdendo a esperança e sendo dominadas pelo medo. As incertezas parecem
aumentar, as preocupações se multiplicam e, muitas vezes, temos a impressão de
que estamos perdendo o controle da própria vida.
Somos uma geração extremamente acelerada, que
vive correndo, mas nem sempre sabe para onde está indo. Existem cobranças,
metas a serem alcançadas, resultados que precisam ser apresentados e
expectativas que parecem nunca terminar. É uma pressão muito grande sobre a
humanidade!
Espero que isso não esteja acontecendo com
você. E, se estiver, desejo que encontre sua vida firmada na esperança que
temos em Cristo Jesus.
Por isso, quero convidar você a começar
novembro agradecendo a Deus. Agradeça pelo mês de outubro, pelas conquistas,
mas também pelas dificuldades, pelos problemas e pelas incompreensões. Agradeça
porque, mesmo nos momentos mais difíceis, você não esteve sozinho nessa
caminhada.
Deus esteve presente, cuidando de você!
Agora, novembro está diante de nós e podemos
começar este novo mês com esperança. Afinal, quando depositamos nossa confiança
em Deus, temos uma certeza: independentemente das circunstâncias, não estamos
sozinhos. Caminhamos com o Senhor, que nos sustenta e fortalece quando nossas
forças parecem estar chegando ao fim.
A Bíblia nos ensina que a esperança não nos
decepciona, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito
Santo (Romanos 5:5 — NAA).
Pensando nisso, estamos chegando ao final da
leitura do Salmo 119. Meu convite é que você leia os versículos 153 a 176 e
permita que essa oração também se transforme em uma expressão da sua fé.
Vamos valorizar a Palavra de Deus! Vamos buscar
intimidade com o Senhor por meio das Escrituras. Que a Bíblia seja nossa
referência de fé, nosso fundamento para as escolhas e nossa orientação para a
vida diária.
O salmista apresenta uma oração marcada pela
confiança na misericórdia de Deus.
Observe o que encontramos no versículo 156:
“Muitas,
Senhor, são as tuas misericórdias; vivifica-me, segundo os teus juízos.” (Salmo
119:156 — NAA).
O salmista reconhece a grandeza das
misericórdias do Senhor e pede que Deus preserve sua vida.
Essa declaração nos faz lembrar o profeta
Jeremias, que, em meio a um cenário de sofrimento e destruição, reconheceu que
as misericórdias do Senhor não têm fim e se renovam a cada manhã (Lamentações
3:22-23 — NAA).
Que ensinamento precioso!
Muitas vezes, passamos tanto tempo reclamando
daquilo que nos falta que nos esquecemos de reconhecer o Deus que está ao nosso
lado, cuidando de nós.
Que tal começar novembro com uma oração
semelhante à do salmista?
Obrigado, Senhor, pelas tuas muitas
misericórdias! Obrigado porque tua fidelidade não depende das circunstâncias e
porque posso continuar caminhando contigo!
Vamos observar também o versículo 162:
“Alegro-me
nas tuas promessas, como quem acha grandes despojos.” (Salmo 119:162 — NAA).
A alegria do salmista está nas promessas do
Senhor. Ele encontra na Palavra um tesouro de valor extraordinário.
Em nossos dias, tantas pessoas procuram a
felicidade nas conquistas materiais, no reconhecimento, no sucesso profissional
e na aprovação dos outros. Entretanto, o salmista nos ensina que existe uma
alegria muito mais profunda: aquela que nasce de uma vida de relacionamento e
confiança em Deus.
É extraordinário caminhar com o Senhor e
descobrir, diariamente, a riqueza de suas promessas!
Mas o versículo 165 também tem algo muito
importante a nos ensinar:
“Grande
paz têm os que amam a tua lei; para eles não há nada que os faça tropeçar.”
(Salmo 119:165 — NAA).
Que declaração maravilhosa!
O amor não pode ficar restrito ao sentimento. O
verdadeiro amor também se manifesta em atitudes, escolhas e compromissos.
A própria Bíblia nos ensina que Deus demonstrou
seu amor por nós enviando Cristo para morrer em nosso favor, quando ainda
éramos pecadores (Romanos 5:8 — NAA).
Quando o salmista declara seu amor pela Lei do
Senhor e afirma encontrar nela grande paz, está expressando uma relação de
confiança, compromisso e obediência.
Não basta conhecer o que a Palavra de Deus
ensina. Precisamos transformar esse conhecimento em atitudes práticas na nossa
caminhada cristã.
É preciso perdoar, amar, acolher, respeitar,
servir e testemunhar. A Palavra precisa sair das páginas da Bíblia e alcançar
nossas escolhas, nossos relacionamentos e nossa maneira de viver.
Por isso, ao encerrarmos outubro e começarmos
novembro, quero convidar você a colocar esperança na sua mala!
A esperança não nos decepciona, porque está
fundamentada no amor de Deus (Romanos 5:5 — NAA).
Faça da Palavra de Deus uma lâmpada para os
seus pés e uma luz para o seu caminho (Salmo 119:105 — NAA). Guarde seus
ensinamentos no coração e permita que o Senhor conduza seus passos.
E, para concluir nossa reflexão, quero destacar
o versículo 175. Encontramos aqui um pedido muito significativo para minha vida
e para a sua:
“Que
eu possa viver para te louvar; e que os teus juízos me ajudem.” (Salmo 119:175
— NAA).
Observe que o salmista não está preocupado
simplesmente em prolongar seus dias. Seu desejo é continuar vivendo para louvar
ao Senhor!
Que propósito extraordinário!
Temos uma oportunidade maravilhosa de viver
cada dia na presença de Deus, reconhecendo sua bondade e testemunhando seu amor
às pessoas que estão ao nosso redor.
Aproveite este dia! Louve ao Senhor! Faça deste
novo mês uma oportunidade de demonstrar, por meio de suas atitudes, que você é
um discípulo de Jesus Cristo.
Que novembro seja um mês em que vivamos pela
fé, sirvamos ao Senhor com amor, permaneçamos firmes na Palavra de Deus e
sejamos instrumentos de bênção na vida das pessoas.
E então, vamos nessa?
Já
preparou sua mala de novembro? Já está pronto para essa nova caminhada?
Não se esqueça de colocar nela a gratidão, a
fé, a obediência e, principalmente, a esperança que encontramos em Jesus
Cristo.
Outubro ficou para trás. Novembro começou. Mas
uma certeza permanece: DEUS CONTINUA CUIDANDO DE NÓS!
31 DE
OUTUBRO DE 2026 — 509 ANOS DA REFORMA PROTESTANTE
“Por
isso é preciso que prestemos maior atenção ao que temos ouvido, para que jamais
nos desviemos. Porque, se a mensagem transmitida por anjos provou a sua
firmeza, e toda transgressão e desobediência recebeu a devida punição, como
escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? Esta salvação,
primeiramente anunciada pelo Senhor, foi-nos confirmada pelos que a ouviram.” Hebreus
2:1-3 — NVI
Em 31 de outubro de 2026, lembramos os 509 anos
da Reforma Protestante. Em 1517, na cidade de Wittenberg, na Alemanha, Martinho
Lutero tornou públicas suas 95 teses, questionando práticas e ensinamentos da
Igreja de seu tempo, especialmente os abusos relacionados à comercialização das
indulgências e à compreensão da salvação.
Lutero não iniciou seu movimento com a intenção
de simplesmente criar uma nova instituição religiosa. Seu propósito inicial era
promover um debate teológico e provocar uma reflexão sobre os caminhos que a
Igreja estava seguindo. Ele estava incomodado com os desvios que identificava e
desejava que os ensinamentos e as práticas cristãs fossem examinados à luz das
Escrituras.
Martinho Lutero tornou-se uma das vozes mais
importantes de um movimento que não nasceu de uma única pessoa. Outros homens e
mulheres, antes e depois dele, também se levantaram em defesa do Evangelho e da
autoridade da Palavra de Deus.
Precisamos reconhecer e respeitar a
contribuição de milhares de pessoas anônimas que lutaram pela preservação,
tradução, divulgação e fidelidade às Escrituras. É triste perceber que, em
nossos dias, existem pessoas que se identificam como cristãs, mas desconhecem a
história daqueles que as antecederam e, consequentemente, não valorizam os
desafios enfrentados para que tivéssemos acesso à Bíblia.
Entre os nomes que marcaram diferentes momentos
e expressões dos movimentos de reforma estão Jan Hus (1369-1415), Martinho
Lutero (1483-1546), Ulrico Zuínglio (1484-1531), Johannes Bugenhagen
(1485-1558), Thomas Müntzer (1489-1525), Martin Bucer (1491-1551), Philipp
Melanchthon (1497-1560), Johannes Brenz (1499-1570) e João Calvino (1509-1564).
É importante lembrar que nem todos pertenceram
ao mesmo movimento ou concordavam entre si em questões doutrinárias. Jan Hus,
por exemplo, foi um precursor da Reforma, enquanto Thomas Müntzer seguiu
caminhos teológicos diferentes dos de Lutero. Entretanto, esses nomes ajudam a
compreender a diversidade e a complexidade dos movimentos de reforma que
marcaram a história do cristianismo.
Havia divergências doutrinárias entre esses
homens, mas uma verdade fundamental permanece no centro da fé cristã: somente
Cristo é o caminho de acesso ao Pai. Ele é o único mediador entre Deus e os
seres humanos.
“Pois
há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus.” (1
Timóteo 2:5 — NVI).
O movimento histórico que teve como marco 31 de
outubro de 1517 não produziu apenas mudanças religiosas. A Reforma e os
movimentos associados a ela contribuíram para profundas transformações na
sociedade europeia, especialmente na educação, na alfabetização, na produção e
circulação de livros, na valorização das línguas nacionais e nas relações entre
Igreja, Estado e sociedade.
Não podemos, entretanto, atribuir à Reforma,
isoladamente, todas as transformações políticas, econômicas e sociais que
ocorreram naquele período. A história é mais complexa e envolve diferentes
movimentos e acontecimentos.
Erros aconteceram, e não foram poucos! Errar é
uma demonstração de nossa humanidade e falibilidade. Entretanto, não podemos
deixar de reconhecer homens e mulheres que, mesmo diante da perseguição e da
possibilidade do martírio, permaneceram firmes em suas convicções.
É triste olhar para trás e perceber que, desde
os tempos de Jesus, dos patriarcas e dos profetas, sempre houve pessoas
dispostas a distorcer a Palavra do Deus Eterno.
A Palavra de Deus, porém, permanece viva e
eficaz. Ela transforma homens e mulheres, confronta nossas escolhas e nos
conduz ao conhecimento de Deus.
AS
CINCO SOLAS: FUNDAMENTOS QUE NÃO PODEMOS ESQUECER
A tradição protestante passou a sintetizar
importantes convicções da Reforma em cinco expressões latinas, conhecidas como
as cinco solas:
SOLA
SCRIPTURA — Somente a Escritura.
SOLUS
CHRISTUS — Somente Cristo.
SOLA
GRATIA — Somente a graça.
SOLA
FIDE
— Somente a fé.
SOLI
DEO GLORIA — Glória somente a Deus.
Somente
a Escritura, somente Cristo, somente a graça, somente a fé e glória somente a
Deus!
Essas expressões resumem convicções
fundamentais da fé protestante. São verdades que precisam continuar orientando
a vida da Igreja, porque, muitas vezes, estamos perigosamente distantes desses
princípios.
OLHANDO
PARA A CRUZ, PRECISAMOS EXAMINAR NOSSO POSICIONAMENTO
No
Evangelho de Marcos, capítulo 15, encontramos o relato do julgamento, da
humilhação, da crucificação e da morte de Jesus Cristo.
Quando
leio essa passagem, algumas perguntas surgem em minha mente:
Eu
me comportaria como os líderes religiosos daquela época?
Minha
atitude seria semelhante à do povo que escolheu Barrabás?
Estaria
disponível, como Simão de Cirene, para carregar uma cruz que não era
minha?
Seria
como o centurião que, diante daquela cena terrível, reconheceu que Jesus
era o Filho de Deus?
Ainda
parece ecoar em meus ouvidos o grito da multidão:
“Crucifica-o!”
(Marcos 15:13 — NVI).
E
imediatamente outras perguntas aparecem:
Onde
estavam os discípulos de Jesus?
Onde
estava a multidão que havia sido alimentada depois de ouvir seus
ensinamentos?
Bartimeu,
que clamava: “Filho de Davi, tem misericórdia de mim!”, onde estava?
E
as pessoas que haviam sido curadas e libertas?
Onde
estava a multidão que, dias antes, proclamava hosanas ao que vinha em nome
do Senhor?
É muito fácil julgar os personagens daquela
história. Entretanto, precisamos olhar para nós mesmos e perguntar qual tem
sido nosso posicionamento diante das injustiças, dos desvios doutrinários e das
heresias que nos cercam.
Existe uma frase frequentemente atribuída a
Martin Luther King Jr. que nos provoca a reflexão:
“O
que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos,
dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons.”
Independentemente da autoria dessa frase, sua
provocação permanece atual: não podemos nos calar diante da injustiça, da
exploração da fé e da distorção do Evangelho.
A
REFORMA E OS DESAFIOS DA IGREJA NO SÉCULO XXI
Julgar os personagens históricos é
relativamente fácil. Difícil é examinar nossa própria realidade e reconhecer os
desafios que enfrentamos como povo de Deus e Igreja de Cristo.
Em
pleno século XXI, precisamos refletir sobre algumas questões fundamentais.
1. A
COMERCIALIZAÇÃO DA FÉ
Os reformadores questionaram os abusos
relacionados à comercialização das indulgências e às práticas que distorciam a
compreensão da graça e do perdão de Deus.
Como é triste observar, em nossos dias, pessoas
explorando a fé, a fragilidade e a falta de conhecimento bíblico de outras
pessoas.
Promessas de prosperidade, bênçãos
comercializadas e discursos que transformam a relação com Deus em uma espécie
de negociação financeira continuam encontrando espaço em ambientes religiosos.
A graça de Deus não está à venda! A salvação
não é mercadoria, e a fé cristã não pode ser transformada em negócio.
2. A
NEGLIGÊNCIA COM A PALAVRA DE DEUS
Os
reformadores defenderam a importância de tornar as Escrituras acessíveis às
pessoas, inclusive por meio de traduções nas línguas que elas compreendiam.
Hoje
temos a Bíblia impressa, aplicativos, plataformas digitais e inúmeros recursos
tecnológicos. Nunca tivemos tantas possibilidades de acesso à Palavra de Deus.
Entretanto,
precisamos perguntar: estamos realmente lendo a Bíblia?
Estamos
estudando, meditando e praticando seus ensinamentos?
É
contraditório vivermos em uma época de tanta facilidade de acesso às Escrituras
e, ao mesmo tempo, encontrarmos cristãos que pouco conhecem o conteúdo da
própria fé.
Não
basta possuir uma Bíblia. Precisamos permitir que sua mensagem transforme nossa
maneira de pensar, agir e viver.
3.
CRISTO PRECISA CONTINUAR SENDO O CENTRO
Os
reformadores enfatizaram que Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os
seres humanos. Ele é o fundamento da nossa salvação.
Entretanto,
fico imaginando o que Jesus diria daqueles que criam atalhos, exigências
humanas e fardos religiosos para dificultar o acesso das pessoas a Deus.
Não
precisamos de intermediários que ocupem o lugar de Cristo. Não precisamos de
fórmulas humanas que substituam a graça. Precisamos anunciar Jesus, ensinar
seus princípios e viver seus ensinamentos.
4. O
SACERDÓCIO UNIVERSAL DOS CRISTÃOS
Outro princípio importante da tradição
protestante é o sacerdócio de todos os cristãos.
Isso
não significa que a Igreja não tenha ministérios, pastores ou diferentes
responsabilidades. Significa que todos os que pertencem a Cristo têm acesso a
Deus por meio dele, sem depender de uma classe sacerdotal que monopolize essa
relação.
Quando
Jesus morreu, aconteceu algo extraordinário:
“E
o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo.”
(Marcos 15:38 — NVI).
O véu rasgado aponta para a obra de Cristo e
para o novo acesso a Deus que temos por meio dele.
Como
me preocupa observar líderes que se apresentam como detentores de poderes
espirituais exclusivos, criando cortinas, dependências e obstáculos para
dificultar o acesso do povo à presença de Deus.
A
Igreja precisa conduzir pessoas a Cristo, e não criar dependências de homens.
QUEM
ESTAVA JUNTO À CRUZ?
Olhando
para o Cristo crucificado, observo uma multidão dividida, discípulos
amedrontados, líderes religiosos hostis, autoridades preocupadas com seus
próprios interesses e pessoas que, mesmo diante da morte, permaneceram ao lado
de Jesus.
Também
encontramos exemplos que precisam ser lembrados.
Maria,
mãe de Jesus, e outras mulheres: permaneceram próximas ao
Mestre. Aprendemos que amizade e compromisso precisam estar presentes em todos
os momentos: nas festas e no luto, nas alegrias e nas tristezas.
João,
o discípulo: o Evangelho de João registra sua presença
junto à cruz. Ali, Jesus confia sua mãe aos cuidados do discípulo (João
19:25-27). Uma demonstração de cuidado, responsabilidade e amor.
Os
dois criminosos crucificados: um deles reconhece sua
condição e demonstra arrependimento, recebendo de Jesus a promessa do paraíso
(Lucas 23:39-43). O outro permanece em sua atitude de zombaria.
Os
transeuntes e aqueles que zombavam: pessoas que encontravam
naquela tragédia uma oportunidade de humilhar e debochar de Jesus.
Os
soldados romanos: responsáveis pela execução da sentença. E,
diante da maneira como Jesus morreu, o centurião declarou:
“Quando
o centurião que estava em frente de Jesus ouviu o seu brado e viu como ele
morreu, disse: ‘Realmente este homem era o Filho de Deus!’” (Marcos 15:39 —
NVI).
Que
declaração extraordinária!
José
de Arimateia: não podemos esquecer sua coragem.
Naquele
contexto, os corpos dos crucificados poderiam permanecer expostos, submetidos à
humilhação mesmo depois da morte. José de Arimateia tomou uma atitude de
respeito e dignidade para com Jesus.
O
Evangelho de Marcos registra:
“José
de Arimateia, membro de destaque do Sinédrio, que também esperava o Reino de
Deus, dirigiu-se corajosamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus.” (Marcos
15:43 — NVI).
José
de Arimateia assumiu publicamente sua responsabilidade diante de Jesus. O
Evangelho de Mateus também o identifica como discípulo de Cristo (Mateus
27:57).
Chegou
a hora da verdade! Não bastava ser simpatizante. Era necessário demonstrar
compromisso. E foi isso que José de Arimateia fez.
NÃO
PRECISAMOS INVENTAR UMA NOVA PALAVRA. PRECISAMOS VOLTAR À PALAVRA!
Alguns afirmam que precisamos de uma nova
Reforma. Quando penso em reforma, lembro-me de consertar aquilo que está
quebrado, deteriorado ou comprometido.
Entretanto, não podemos confundir a necessidade
de mudanças institucionais com a necessidade de transformar a própria mensagem
do Evangelho.
O que precisamos é de um retorno à Palavra de
Deus, sem artifícios, sem manipulações e sem relativismo que comprometa a
verdade das Escrituras.
Precisamos enfatizar a chamada de todos os
cristãos para serem discípulos do Cristo ressurreto.
Precisamos olhar novamente para a cruz e
compreender que seguir Jesus exige compromisso, fidelidade e disposição para
permanecer ao seu lado.
As mulheres que acompanharam Jesus até a
crucificação nos ensinam sobre fidelidade. José de Arimateia nos ensina sobre
coragem. O centurião nos provoca a reconhecer quem verdadeiramente estava
diante dele.
E nós?
Que tipo de cristãos estamos sendo?
Que tipo de Igreja estamos construindo?
Estamos defendendo a verdade do Evangelho ou
permanecendo em silêncio diante de suas distorções?
Estamos conduzindo pessoas a Cristo ou criando
obstáculos para que elas cheguem até ele?
Estamos valorizando a Palavra de Deus ou
permitindo que ela ocupe um lugar secundário em nossas agendas?
UMA
PERGUNTA PARA NOSSA REFLEXÃO
Neste 31 de outubro de 2026, quando lembramos
os 509 anos da Reforma Protestante, quero concluir com uma pergunta que não
deve ser dirigida apenas às instituições religiosas, aos líderes ou aos
personagens históricos.
QUE
TIPO DE IGREJA ESTAMOS SENDO?
Precisamos
lembrar que a Igreja não se resume a uma instituição, a um prédio ou a uma
estrutura administrativa. A Igreja é o povo de Deus, o corpo de Cristo,
constituído por pessoas como eu e você.
Não
podemos negligenciar nossa história.
Não
podemos negligenciar a Palavra de Deus.
Não
podemos negligenciar a graça que recebemos em Cristo.
Não
podemos negligenciar nossa responsabilidade como discípulos de Jesus.
Que
as cinco solas não sejam apenas expressões históricas repetidas em celebrações.
Que sejam convicções que orientem nossa fé, nossas escolhas, nossa pregação e
nossa maneira de viver.
SOMENTE
A ESCRITURA!
SOMENTE
CRISTO!
SOMENTE
A GRAÇA!
SOMENTE
A FÉ!
GLÓRIA
SOMENTE A DEUS!
A Ele,
o Deus Eterno, toda honra e toda glória!
CLÁUDIO
EDUARDO M COSTA Pastor | Humanizando Compaixão