segunda-feira, 2 de novembro de 2026

DEUS NOS OUVE NA ANGÚSTIA E NOS CHAMA À PAZ! - SALMO 120 -

 


DEUS NOS OUVE NA ANGÚSTIA E NOS CHAMA À PAZ!

SALMO 120

 

Você sabia que Deus nos ouve nos momentos de angústia? Sabia que podemos pedir ao Senhor que nos livre da falsidade e das palavras enganadoras? E que, mesmo vivendo em um mundo marcado por conflitos, somos chamados a ser instrumentos de paz?

É uma alegria ter você conosco em mais um dia da nossa Caminhada Bíblica 2026, nos 150 dias lendo o Livro de Salmos.

Hoje, nossa leitura é o Salmo 120, o primeiro dos chamados Cânticos de Romagem ou Cânticos de Subida.

Esses quinze salmos, do 120 ao 134, eram utilizados pelo povo de Israel em suas peregrinações a Jerusalém, especialmente nas ocasiões de celebração e adoração. Jerusalém era o destino dos peregrinos. Ali estava o templo, lugar de reunião e adoração ao Senhor. A caminhada representava também uma expressão de fé, dependência e confiança em Deus.

Hoje, compreendemos que nossa adoração não está limitada a um lugar físico. Em 1 Coríntios 6:19, a Palavra de Deus nos ensina que o nosso corpo é templo do Espírito Santo. Isso significa que nossa vida deve expressar adoração ao Senhor em todos os lugares e circunstâncias. Adoramos a Deus quando estamos reunidos na igreja, mas também quando estamos em casa, no trabalho, na escola e em nossos relacionamentos cotidianos.

Ao olharmos para o Salmo 120, encontramos uma mensagem muito especial. O salmista começa com uma declaração de confiança:

"Na minha angústia, clamei ao Senhor, e ele me ouviu." (Salmo 120:1 — NAA).

Que declaração maravilhosa! Observe a certeza e a convicção presentes nessas palavras. A angústia existe. Enfrentamos problemas, atravessamos dificuldades, experimentamos decepções e, algumas vezes, não conseguimos compreender o que está acontecendo ao nosso redor. Entretanto, existe uma verdade que não podemos esquecer: podemos clamar ao Senhor, porque ele nos ouve!

Quando compreendemos que Deus escuta nossas orações, aprendemos que não precisamos enfrentar os problemas sozinhos. Caminhar com o Senhor é uma decisão de fé. Ele conhece nossa história, sabe das circunstâncias que estamos enfrentando, acolhe nosso clamor e permanece conosco, mesmo quando não encontramos respostas imediatas.

Primeira lição: quando a angústia chegar, não deixe de clamar ao Senhor. Ele ouve você!

Mas o Salmo 120 apresenta uma segunda questão muito importante. No versículo 2, o salmista faz um pedido de livramento:

"Senhor, livra-me dos lábios mentirosos, da língua enganadora." (Salmo 120:2 — NAA).

Que pedido necessário! O salmista está enfrentando uma realidade marcada pela falsidade, por palavras enganosas e por pessoas que utilizam a mentira para alcançar seus próprios objetivos.

E como essa mensagem continua atual!

Vivemos em uma sociedade na qual as informações circulam em uma velocidade impressionante. As redes sociais ampliaram nossas possibilidades de comunicação, mas também facilitaram a produção e a divulgação de informações falsas, acusações sem fundamento e conteúdos manipulados.

Precisamos desenvolver filtros para avaliar aquilo que recebemos. Antes de compartilhar uma notícia, precisamos perguntar: essa informação é verdadeira? Qual é a sua origem? Existe alguma intenção de manipular, prejudicar ou destruir a reputação de alguém?

Não estamos falando simplesmente da falta de conhecimento ou da ausência de informação. Estamos falando da falsidade deliberada, da utilização consciente de palavras e informações enganosas para alcançar determinados objetivos.

As chamadas fakes news são um exemplo contemporâneo desse problema. Muitas vezes, são produzidas ou compartilhadas intencionalmente para manipular opiniões, provocar conflitos, destruir relacionamentos e ferir pessoas.

Por isso, precisamos fazer nossa a oração do salmista: Senhor, livra-nos dos lábios mentirosos e das línguas enganadoras! Livra-nos da falsidade que nos cerca e dá-nos discernimento para reconhecer aquilo que não corresponde à verdade.

A manipulação da informação é um dos grandes desafios da sociedade contemporânea. E a Palavra de Deus nos ensina que nossas palavras precisam estar comprometidas com a verdade.

Existe aqui uma segunda lição que precisamos guardar: não permita que a falsidade dos outros determine a sua maneira de viver.

Mesmo quando somos vítimas de injustiças, precisamos permanecer comprometidos com Deus, com sua Palavra e com a verdade.

Existe uma terceira lição que merece nossa atenção: somos chamados para a paz!

Nos versículos 6 e 7, o salmista revela sua tristeza por viver entre pessoas que não desejam a paz. Ele declara:

"Já há tempo demais que habito com aqueles que odeiam a paz. Sou pela paz; quando, porém, eu falo, eles teimam pela guerra." (Salmo 120:6-7 — NAA).

Que contraste! O salmista deseja a paz, mas está cercado por pessoas que insistem no conflito.

Essa realidade também está presente em nossos dias. Existem pessoas que alimentam divisões, transformam diferenças em motivos para hostilidade e utilizam as palavras como instrumentos de agressão.

Entretanto, o Deus a quem servimos é o Deus da paz. Somos chamados a viver em amor, respeito, reconciliação e cuidado uns com os outros.

Isso não significa que precisamos pensar da mesma maneira em todas as situações. Temos o direito de apresentar opiniões diferentes, de discordar e de defender nossas convicções. Mas não temos o direito de transformar nossas diferenças em motivos para odiar, humilhar ou destruir outras pessoas.

Podemos pensar diferente sem deixar de amar. Podemos discordar sem transformar o relacionamento em uma guerra.

O profeta Jeremias apresenta uma orientação extraordinária para essa realidade. Em Jeremias 29:7, encontramos uma palavra dirigida aos israelitas que estavam vivendo no exílio, na Babilônia. Mesmo em uma terra estranha, enfrentando circunstâncias difíceis, eles receberam uma orientação do Senhor:

"Procurem a paz da cidade para onde eu os deportei e orem por ela ao Senhor; porque na sua paz vocês terão paz." (Jeremias 29:7 — NAA).

Observe a profundidade desse ensinamento! O povo de Israel estava longe de sua terra, vivendo em uma sociedade diferente daquela à qual pertencia. Ainda assim, Deus os orientou a buscar a paz daquela cidade e a orar por ela.

Isso nos ensina que não podemos esperar que todas as circunstâncias sejam favoráveis para assumir nosso compromisso com a paz. Mesmo em ambientes difíceis, somos chamados a trabalhar pelo bem das pessoas e das comunidades onde vivemos.

E quando penso nessa responsabilidade, lembro-me também das palavras do profeta Isaías. Em Isaías 2:3-4, encontramos uma visão extraordinária: as nações aprendendo os caminhos do Senhor e transformando suas espadas em relhas de arado e suas lanças em podadeiras.

É uma imagem maravilhosa! Instrumentos utilizados para destruir sendo transformados em instrumentos para produzir vida. A guerra dando lugar à paz. A violência cedendo espaço à construção de um futuro melhor.

Que visão precisamos recuperar em nossos relacionamentos!

Não fomos chamados para alimentar conflitos, espalhar falsidades ou promover divisões. Fomos chamados para compartilhar o amor de Cristo, viver a verdade e construir caminhos de reconciliação.

Lembro-me de um antigo hino do Cantor Cristão que expressa essa realidade ao nos apresentar como peregrinos e embaixadores do Reino de Deus. Somos representantes de uma mensagem de reconciliação. Em 2 Coríntios 5:18-20, o apóstolo Paulo nos ensina que Deus nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos confiou o ministério da reconciliação.

Essa é a nossa missão!

Quem experimentou a reconciliação com Deus por meio de Jesus Cristo é chamado a compartilhar esse amor com as pessoas ao seu redor.

O Senhor nos ouve na angústia, nos ensina a rejeitar a falsidade e nos convoca a viver pela paz.

Que nossas palavras não destruam reputações, mas construam relacionamentos. Que nossas atitudes não alimentem guerras, mas promovam a reconciliação. Que nossa presença seja uma oportunidade de manifestar o amor de Cristo.

Não podemos controlar todas as circunstâncias ao nosso redor, mas podemos escolher como vamos nos relacionar com as pessoas que Deus coloca em nosso caminho.

 

CLÁUDIO EDUARDO M COSTA

domingo, 1 de novembro de 2026

DEUS CONTINUA CUIDANDO DE NÓS! — SALMO 119:153-176 —



DEUS CONTINUA CUIDANDO DE NÓS!

SALMO 119:153-176 — NAA

01 DE NOVEMBRO DE 2026

Olá! Outubro ficou para trás e novembro chegou!

Parece que o tempo está correndo cada vez mais depressa. E quero começar nossa conversa de hoje com uma pergunta: se você pudesse escolher apenas uma coisa para levar consigo neste mês de novembro, o que escolheria? Mais dinheiro, saúde, segurança, boas notícias ou esperança?

Estamos vivendo dias em que muitas pessoas estão perdendo a esperança e sendo dominadas pelo medo. As incertezas parecem aumentar, as preocupações se multiplicam e, muitas vezes, temos a impressão de que estamos perdendo o controle da própria vida.

Somos uma geração extremamente acelerada, que vive correndo, mas nem sempre sabe para onde está indo. Existem cobranças, metas a serem alcançadas, resultados que precisam ser apresentados e expectativas que parecem nunca terminar. É uma pressão muito grande sobre a humanidade!

Espero que isso não esteja acontecendo com você. E, se estiver, desejo que encontre sua vida firmada na esperança que temos em Cristo Jesus.

Por isso, quero convidar você a começar novembro agradecendo a Deus. Agradeça pelo mês de outubro, pelas conquistas, mas também pelas dificuldades, pelos problemas e pelas incompreensões. Agradeça porque, mesmo nos momentos mais difíceis, você não esteve sozinho nessa caminhada.

Deus esteve presente, cuidando de você!

Agora, novembro está diante de nós e podemos começar este novo mês com esperança. Afinal, quando depositamos nossa confiança em Deus, temos uma certeza: independentemente das circunstâncias, não estamos sozinhos. Caminhamos com o Senhor, que nos sustenta e fortalece quando nossas forças parecem estar chegando ao fim.

A Bíblia nos ensina que a esperança não nos decepciona, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo (Romanos 5:5 — NAA).

Pensando nisso, estamos chegando ao final da leitura do Salmo 119. Meu convite é que você leia os versículos 153 a 176 e permita que essa oração também se transforme em uma expressão da sua fé.

Vamos valorizar a Palavra de Deus! Vamos buscar intimidade com o Senhor por meio das Escrituras. Que a Bíblia seja nossa referência de fé, nosso fundamento para as escolhas e nossa orientação para a vida diária.

O salmista apresenta uma oração marcada pela confiança na misericórdia de Deus.

Observe o que encontramos no versículo 156:

“Muitas, Senhor, são as tuas misericórdias; vivifica-me, segundo os teus juízos.” (Salmo 119:156 — NAA).

O salmista reconhece a grandeza das misericórdias do Senhor e pede que Deus preserve sua vida.

Essa declaração nos faz lembrar o profeta Jeremias, que, em meio a um cenário de sofrimento e destruição, reconheceu que as misericórdias do Senhor não têm fim e se renovam a cada manhã (Lamentações 3:22-23 — NAA).

Que ensinamento precioso!

Muitas vezes, passamos tanto tempo reclamando daquilo que nos falta que nos esquecemos de reconhecer o Deus que está ao nosso lado, cuidando de nós.

Que tal começar novembro com uma oração semelhante à do salmista?

Obrigado, Senhor, pelas tuas muitas misericórdias! Obrigado porque tua fidelidade não depende das circunstâncias e porque posso continuar caminhando contigo!

Vamos observar também o versículo 162:

“Alegro-me nas tuas promessas, como quem acha grandes despojos.” (Salmo 119:162 — NAA).

A alegria do salmista está nas promessas do Senhor. Ele encontra na Palavra um tesouro de valor extraordinário.

Em nossos dias, tantas pessoas procuram a felicidade nas conquistas materiais, no reconhecimento, no sucesso profissional e na aprovação dos outros. Entretanto, o salmista nos ensina que existe uma alegria muito mais profunda: aquela que nasce de uma vida de relacionamento e confiança em Deus.

É extraordinário caminhar com o Senhor e descobrir, diariamente, a riqueza de suas promessas!

Mas o versículo 165 também tem algo muito importante a nos ensinar:

“Grande paz têm os que amam a tua lei; para eles não há nada que os faça tropeçar.” (Salmo 119:165 — NAA).

Que declaração maravilhosa!

O amor não pode ficar restrito ao sentimento. O verdadeiro amor também se manifesta em atitudes, escolhas e compromissos.

A própria Bíblia nos ensina que Deus demonstrou seu amor por nós enviando Cristo para morrer em nosso favor, quando ainda éramos pecadores (Romanos 5:8 — NAA).

Quando o salmista declara seu amor pela Lei do Senhor e afirma encontrar nela grande paz, está expressando uma relação de confiança, compromisso e obediência.

Não basta conhecer o que a Palavra de Deus ensina. Precisamos transformar esse conhecimento em atitudes práticas na nossa caminhada cristã.

É preciso perdoar, amar, acolher, respeitar, servir e testemunhar. A Palavra precisa sair das páginas da Bíblia e alcançar nossas escolhas, nossos relacionamentos e nossa maneira de viver.

Por isso, ao encerrarmos outubro e começarmos novembro, quero convidar você a colocar esperança na sua mala!

A esperança não nos decepciona, porque está fundamentada no amor de Deus (Romanos 5:5 — NAA).

Faça da Palavra de Deus uma lâmpada para os seus pés e uma luz para o seu caminho (Salmo 119:105 — NAA). Guarde seus ensinamentos no coração e permita que o Senhor conduza seus passos.

E, para concluir nossa reflexão, quero destacar o versículo 175. Encontramos aqui um pedido muito significativo para minha vida e para a sua:

“Que eu possa viver para te louvar; e que os teus juízos me ajudem.” (Salmo 119:175 — NAA).

Observe que o salmista não está preocupado simplesmente em prolongar seus dias. Seu desejo é continuar vivendo para louvar ao Senhor!

Que propósito extraordinário!

Temos uma oportunidade maravilhosa de viver cada dia na presença de Deus, reconhecendo sua bondade e testemunhando seu amor às pessoas que estão ao nosso redor.

Aproveite este dia! Louve ao Senhor! Faça deste novo mês uma oportunidade de demonstrar, por meio de suas atitudes, que você é um discípulo de Jesus Cristo.

Que novembro seja um mês em que vivamos pela fé, sirvamos ao Senhor com amor, permaneçamos firmes na Palavra de Deus e sejamos instrumentos de bênção na vida das pessoas.

E então, vamos nessa?

 

Já preparou sua mala de novembro? Já está pronto para essa nova caminhada?

 

Não se esqueça de colocar nela a gratidão, a fé, a obediência e, principalmente, a esperança que encontramos em Jesus Cristo.

Outubro ficou para trás. Novembro começou. Mas uma certeza permanece: DEUS CONTINUA CUIDANDO DE NÓS!

 

Um novembro muito abençoado para você!

 

CLÁUDIO EDUARDO M COSTA

HUMANIZANDO COMPAIXÃO 

sábado, 31 de outubro de 2026

NÃO PODEMOS NEGLIGENCIAR! Tenho respeito pela história! 31 DE OUTUBRO DE 2026 — 509 ANOS DA REFORMA PROTESTANTE

 


NÃO PODEMOS NEGLIGENCIAR!

Tenho respeito pela história!

31 DE OUTUBRO DE 2026 — 509 ANOS DA REFORMA PROTESTANTE

 

“Por isso é preciso que prestemos maior atenção ao que temos ouvido, para que jamais nos desviemos. Porque, se a mensagem transmitida por anjos provou a sua firmeza, e toda transgressão e desobediência recebeu a devida punição, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? Esta salvação, primeiramente anunciada pelo Senhor, foi-nos confirmada pelos que a ouviram.” Hebreus 2:1-3 — NVI

 

Em 31 de outubro de 2026, lembramos os 509 anos da Reforma Protestante. Em 1517, na cidade de Wittenberg, na Alemanha, Martinho Lutero tornou públicas suas 95 teses, questionando práticas e ensinamentos da Igreja de seu tempo, especialmente os abusos relacionados à comercialização das indulgências e à compreensão da salvação.

Lutero não iniciou seu movimento com a intenção de simplesmente criar uma nova instituição religiosa. Seu propósito inicial era promover um debate teológico e provocar uma reflexão sobre os caminhos que a Igreja estava seguindo. Ele estava incomodado com os desvios que identificava e desejava que os ensinamentos e as práticas cristãs fossem examinados à luz das Escrituras.

Martinho Lutero tornou-se uma das vozes mais importantes de um movimento que não nasceu de uma única pessoa. Outros homens e mulheres, antes e depois dele, também se levantaram em defesa do Evangelho e da autoridade da Palavra de Deus.

Precisamos reconhecer e respeitar a contribuição de milhares de pessoas anônimas que lutaram pela preservação, tradução, divulgação e fidelidade às Escrituras. É triste perceber que, em nossos dias, existem pessoas que se identificam como cristãs, mas desconhecem a história daqueles que as antecederam e, consequentemente, não valorizam os desafios enfrentados para que tivéssemos acesso à Bíblia.

Entre os nomes que marcaram diferentes momentos e expressões dos movimentos de reforma estão Jan Hus (1369-1415), Martinho Lutero (1483-1546), Ulrico Zuínglio (1484-1531), Johannes Bugenhagen (1485-1558), Thomas Müntzer (1489-1525), Martin Bucer (1491-1551), Philipp Melanchthon (1497-1560), Johannes Brenz (1499-1570) e João Calvino (1509-1564).

É importante lembrar que nem todos pertenceram ao mesmo movimento ou concordavam entre si em questões doutrinárias. Jan Hus, por exemplo, foi um precursor da Reforma, enquanto Thomas Müntzer seguiu caminhos teológicos diferentes dos de Lutero. Entretanto, esses nomes ajudam a compreender a diversidade e a complexidade dos movimentos de reforma que marcaram a história do cristianismo.

Havia divergências doutrinárias entre esses homens, mas uma verdade fundamental permanece no centro da fé cristã: somente Cristo é o caminho de acesso ao Pai. Ele é o único mediador entre Deus e os seres humanos.

“Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus.” (1 Timóteo 2:5 — NVI).

O movimento histórico que teve como marco 31 de outubro de 1517 não produziu apenas mudanças religiosas. A Reforma e os movimentos associados a ela contribuíram para profundas transformações na sociedade europeia, especialmente na educação, na alfabetização, na produção e circulação de livros, na valorização das línguas nacionais e nas relações entre Igreja, Estado e sociedade.

Não podemos, entretanto, atribuir à Reforma, isoladamente, todas as transformações políticas, econômicas e sociais que ocorreram naquele período. A história é mais complexa e envolve diferentes movimentos e acontecimentos.

Erros aconteceram, e não foram poucos! Errar é uma demonstração de nossa humanidade e falibilidade. Entretanto, não podemos deixar de reconhecer homens e mulheres que, mesmo diante da perseguição e da possibilidade do martírio, permaneceram firmes em suas convicções.

É triste olhar para trás e perceber que, desde os tempos de Jesus, dos patriarcas e dos profetas, sempre houve pessoas dispostas a distorcer a Palavra do Deus Eterno.

A Palavra de Deus, porém, permanece viva e eficaz. Ela transforma homens e mulheres, confronta nossas escolhas e nos conduz ao conhecimento de Deus.

 

AS CINCO SOLAS: FUNDAMENTOS QUE NÃO PODEMOS ESQUECER

A tradição protestante passou a sintetizar importantes convicções da Reforma em cinco expressões latinas, conhecidas como as cinco solas:

SOLA SCRIPTURA — Somente a Escritura.

SOLUS CHRISTUS — Somente Cristo.

SOLA GRATIA — Somente a graça.

SOLA FIDE — Somente a fé.

SOLI DEO GLORIA — Glória somente a Deus.

Somente a Escritura, somente Cristo, somente a graça, somente a fé e glória somente a Deus!

Essas expressões resumem convicções fundamentais da fé protestante. São verdades que precisam continuar orientando a vida da Igreja, porque, muitas vezes, estamos perigosamente distantes desses princípios.

 

OLHANDO PARA A CRUZ, PRECISAMOS EXAMINAR NOSSO POSICIONAMENTO

No Evangelho de Marcos, capítulo 15, encontramos o relato do julgamento, da humilhação, da crucificação e da morte de Jesus Cristo.

Quando leio essa passagem, algumas perguntas surgem em minha mente:

  • Eu me comportaria como os líderes religiosos daquela época?
  • Minha atitude seria semelhante à do povo que escolheu Barrabás?
  • Estaria disponível, como Simão de Cirene, para carregar uma cruz que não era minha?
  • Seria como o centurião que, diante daquela cena terrível, reconheceu que Jesus era o Filho de Deus?

 

Ainda parece ecoar em meus ouvidos o grito da multidão:

“Crucifica-o!” (Marcos 15:13 — NVI).

E imediatamente outras perguntas aparecem:

  • Onde estavam os discípulos de Jesus?
  • Onde estava a multidão que havia sido alimentada depois de ouvir seus ensinamentos?
  • Bartimeu, que clamava: “Filho de Davi, tem misericórdia de mim!”, onde estava?
  • E as pessoas que haviam sido curadas e libertas?
  • Onde estava a multidão que, dias antes, proclamava hosanas ao que vinha em nome do Senhor?

É muito fácil julgar os personagens daquela história. Entretanto, precisamos olhar para nós mesmos e perguntar qual tem sido nosso posicionamento diante das injustiças, dos desvios doutrinários e das heresias que nos cercam.

Existe uma frase frequentemente atribuída a Martin Luther King Jr. que nos provoca a reflexão:

“O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons.”

Independentemente da autoria dessa frase, sua provocação permanece atual: não podemos nos calar diante da injustiça, da exploração da fé e da distorção do Evangelho.

 

A REFORMA E OS DESAFIOS DA IGREJA NO SÉCULO XXI

Julgar os personagens históricos é relativamente fácil. Difícil é examinar nossa própria realidade e reconhecer os desafios que enfrentamos como povo de Deus e Igreja de Cristo.

Em pleno século XXI, precisamos refletir sobre algumas questões fundamentais.

 

1. A COMERCIALIZAÇÃO DA FÉ

Os reformadores questionaram os abusos relacionados à comercialização das indulgências e às práticas que distorciam a compreensão da graça e do perdão de Deus.

Como é triste observar, em nossos dias, pessoas explorando a fé, a fragilidade e a falta de conhecimento bíblico de outras pessoas.

Promessas de prosperidade, bênçãos comercializadas e discursos que transformam a relação com Deus em uma espécie de negociação financeira continuam encontrando espaço em ambientes religiosos.

A graça de Deus não está à venda! A salvação não é mercadoria, e a fé cristã não pode ser transformada em negócio.

 

2. A NEGLIGÊNCIA COM A PALAVRA DE DEUS

Os reformadores defenderam a importância de tornar as Escrituras acessíveis às pessoas, inclusive por meio de traduções nas línguas que elas compreendiam.

Hoje temos a Bíblia impressa, aplicativos, plataformas digitais e inúmeros recursos tecnológicos. Nunca tivemos tantas possibilidades de acesso à Palavra de Deus.

Entretanto, precisamos perguntar: estamos realmente lendo a Bíblia?

Estamos estudando, meditando e praticando seus ensinamentos?

É contraditório vivermos em uma época de tanta facilidade de acesso às Escrituras e, ao mesmo tempo, encontrarmos cristãos que pouco conhecem o conteúdo da própria fé.

Não basta possuir uma Bíblia. Precisamos permitir que sua mensagem transforme nossa maneira de pensar, agir e viver.

 

3. CRISTO PRECISA CONTINUAR SENDO O CENTRO

Os reformadores enfatizaram que Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os seres humanos. Ele é o fundamento da nossa salvação.

Entretanto, fico imaginando o que Jesus diria daqueles que criam atalhos, exigências humanas e fardos religiosos para dificultar o acesso das pessoas a Deus.

Não precisamos de intermediários que ocupem o lugar de Cristo. Não precisamos de fórmulas humanas que substituam a graça. Precisamos anunciar Jesus, ensinar seus princípios e viver seus ensinamentos.

 

4. O SACERDÓCIO UNIVERSAL DOS CRISTÃOS

Outro princípio importante da tradição protestante é o sacerdócio de todos os cristãos.

Isso não significa que a Igreja não tenha ministérios, pastores ou diferentes responsabilidades. Significa que todos os que pertencem a Cristo têm acesso a Deus por meio dele, sem depender de uma classe sacerdotal que monopolize essa relação.

Quando Jesus morreu, aconteceu algo extraordinário:

“E o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo.” (Marcos 15:38 — NVI).

O véu rasgado aponta para a obra de Cristo e para o novo acesso a Deus que temos por meio dele.

Como me preocupa observar líderes que se apresentam como detentores de poderes espirituais exclusivos, criando cortinas, dependências e obstáculos para dificultar o acesso do povo à presença de Deus.

A Igreja precisa conduzir pessoas a Cristo, e não criar dependências de homens.

 

QUEM ESTAVA JUNTO À CRUZ?

Olhando para o Cristo crucificado, observo uma multidão dividida, discípulos amedrontados, líderes religiosos hostis, autoridades preocupadas com seus próprios interesses e pessoas que, mesmo diante da morte, permaneceram ao lado de Jesus.

Também encontramos exemplos que precisam ser lembrados.

Maria, mãe de Jesus, e outras mulheres: permaneceram próximas ao Mestre. Aprendemos que amizade e compromisso precisam estar presentes em todos os momentos: nas festas e no luto, nas alegrias e nas tristezas.

João, o discípulo: o Evangelho de João registra sua presença junto à cruz. Ali, Jesus confia sua mãe aos cuidados do discípulo (João 19:25-27). Uma demonstração de cuidado, responsabilidade e amor.

Os dois criminosos crucificados: um deles reconhece sua condição e demonstra arrependimento, recebendo de Jesus a promessa do paraíso (Lucas 23:39-43). O outro permanece em sua atitude de zombaria.

Os transeuntes e aqueles que zombavam: pessoas que encontravam naquela tragédia uma oportunidade de humilhar e debochar de Jesus.

Os soldados romanos: responsáveis pela execução da sentença. E, diante da maneira como Jesus morreu, o centurião declarou:

“Quando o centurião que estava em frente de Jesus ouviu o seu brado e viu como ele morreu, disse: ‘Realmente este homem era o Filho de Deus!’” (Marcos 15:39 — NVI).

Que declaração extraordinária!

José de Arimateia: não podemos esquecer sua coragem.

Naquele contexto, os corpos dos crucificados poderiam permanecer expostos, submetidos à humilhação mesmo depois da morte. José de Arimateia tomou uma atitude de respeito e dignidade para com Jesus.

 

O Evangelho de Marcos registra:

“José de Arimateia, membro de destaque do Sinédrio, que também esperava o Reino de Deus, dirigiu-se corajosamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus.” (Marcos 15:43 — NVI).

José de Arimateia assumiu publicamente sua responsabilidade diante de Jesus. O Evangelho de Mateus também o identifica como discípulo de Cristo (Mateus 27:57).

Chegou a hora da verdade! Não bastava ser simpatizante. Era necessário demonstrar compromisso. E foi isso que José de Arimateia fez.

 

NÃO PRECISAMOS INVENTAR UMA NOVA PALAVRA. PRECISAMOS VOLTAR À PALAVRA!

Alguns afirmam que precisamos de uma nova Reforma. Quando penso em reforma, lembro-me de consertar aquilo que está quebrado, deteriorado ou comprometido.

Entretanto, não podemos confundir a necessidade de mudanças institucionais com a necessidade de transformar a própria mensagem do Evangelho.

O que precisamos é de um retorno à Palavra de Deus, sem artifícios, sem manipulações e sem relativismo que comprometa a verdade das Escrituras.

Precisamos enfatizar a chamada de todos os cristãos para serem discípulos do Cristo ressurreto.

Precisamos olhar novamente para a cruz e compreender que seguir Jesus exige compromisso, fidelidade e disposição para permanecer ao seu lado.

As mulheres que acompanharam Jesus até a crucificação nos ensinam sobre fidelidade. José de Arimateia nos ensina sobre coragem. O centurião nos provoca a reconhecer quem verdadeiramente estava diante dele.

E nós?

Que tipo de cristãos estamos sendo?

Que tipo de Igreja estamos construindo?

Estamos defendendo a verdade do Evangelho ou permanecendo em silêncio diante de suas distorções?

Estamos conduzindo pessoas a Cristo ou criando obstáculos para que elas cheguem até ele?

Estamos valorizando a Palavra de Deus ou permitindo que ela ocupe um lugar secundário em nossas agendas?

 

UMA PERGUNTA PARA NOSSA REFLEXÃO

Neste 31 de outubro de 2026, quando lembramos os 509 anos da Reforma Protestante, quero concluir com uma pergunta que não deve ser dirigida apenas às instituições religiosas, aos líderes ou aos personagens históricos.

QUE TIPO DE IGREJA ESTAMOS SENDO?

Precisamos lembrar que a Igreja não se resume a uma instituição, a um prédio ou a uma estrutura administrativa. A Igreja é o povo de Deus, o corpo de Cristo, constituído por pessoas como eu e você.

Não podemos negligenciar nossa história.

Não podemos negligenciar a Palavra de Deus.

Não podemos negligenciar a graça que recebemos em Cristo.

Não podemos negligenciar nossa responsabilidade como discípulos de Jesus.

Que as cinco solas não sejam apenas expressões históricas repetidas em celebrações. Que sejam convicções que orientem nossa fé, nossas escolhas, nossa pregação e nossa maneira de viver.

SOMENTE A ESCRITURA!

SOMENTE CRISTO!

SOMENTE A GRAÇA!

SOMENTE A FÉ!

GLÓRIA SOMENTE A DEUS!

A Ele, o Deus Eterno, toda honra e toda glória!

 

CLÁUDIO EDUARDO M COSTA
Pastor | Humanizando Compaixão

 

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

SOMENTE A DEUS A GLÓRIA! Salmo 119:105–128 | Soli Deo Gloria --- To God alone be the glory! Psalm 119:105–128 | Soli Deo Gloria

 


SOMENTE A DEUS A GLÓRIA!

Salmo 119:105–128 | Soli Deo Gloria

 

Estamos nos 150 dias lendo o livro de Salmos e, durante esta semana, tivemos uma oportunidade especial de refletir sobre a Reforma Protestante e seus princípios fundamentais.

Hoje chegamos ao quinto princípio: Soli Deo Gloria — Somente a Deus a Glória!

Quando começamos a caminhar pela Palavra de Deus, algumas perguntas nos convidam a refletir profundamente: para quem estamos vivendo? Por que estamos neste mundo? Quem somos nós diante de toda a criação? E, principalmente, a quem estamos atribuindo a glória que pertence somente ao Senhor?

Será que temos reconhecido Deus como Senhor de todas as coisas, inclusive da nossa própria vida?

Precisamos compreender uma verdade fundamental: nossa existência deve glorificar o nome do Senhor. Se temos inteligência, capacidades, talentos e oportunidades, devemos reconhecer que tudo isso precisa ser colocado a serviço de Deus. Nossas conquistas não devem alimentar nosso orgulho, mas despertar em nós gratidão ao Criador.

 

A PALAVRA DE DEUS ILUMINA NOSSO CAMINHO

O Salmo 119 é uma profunda declaração de amor à Palavra de Deus. Ao longo de seus versículos, encontramos o salmista reconhecendo a importância dos mandamentos, dos ensinamentos e dos decretos do Senhor.

Hoje, nossa leitura está concentrada em Salmo 119:105–128.

No versículo 105, encontramos uma declaração muito conhecida:

“Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, é luz para os meus caminhos.” (Salmo 119:105, NAA)

O salmista reconhece que precisa da direção de Deus. Ele compreende que não pode caminhar de qualquer maneira, seguindo apenas suas próprias vontades e opiniões. A Palavra do Senhor ilumina seus passos e oferece direção para suas escolhas.

Essa também precisa ser a nossa experiência. Nossas decisões, nossos relacionamentos, nossos projetos e nossas atitudes precisam ser orientados pelos ensinamentos da Palavra de Deus.

Não podemos afirmar que vivemos para a glória do Senhor enquanto ignoramos aquilo que ele nos ensina.

Por isso, precisamos aprender a glorificar a Deus em todos os momentos e em todas as circunstâncias.

 

GLORIFICAR A DEUS É TAMBÉM SERVIR ÀS PESSOAS

Quando falamos em glorificar a Deus, não estamos falando apenas de participar de um culto, cantar, adorar ou orar. Tudo isso faz parte da nossa experiência de fé, mas a glorificação de Deus também se manifesta em nossas atitudes cotidianas.

Quando você ensina uma criança, está servindo a Deus.

Quando acolhe alguém que está sofrendo, demonstra o amor do Senhor.

Quando ajuda uma pessoa que clama por socorro, está colocando em prática os ensinamentos de Jesus.

Quando trabalha honestamente, cuida da família, pratica a justiça e trata o próximo com dignidade, também está demonstrando que sua vida pertence ao Senhor.

A Palavra de Deus orienta nossas escolhas e transforma nossa maneira de viver. Não podemos caminhar com o Senhor e permanecer indiferentes às necessidades das pessoas.

A verdadeira experiência com Deus precisa produzir transformação em nossa vida, em nossos relacionamentos e na maneira como enxergamos o próximo.

O apóstolo Paulo nos ensina:

“Portanto, quer comam, quer bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.” (1 Coríntios 10:31, NAA)

Observe a profundidade desse ensinamento: tudo o que fazemos pode ser uma oportunidade de glorificar a Deus.

Nossa fé não está limitada ao ambiente religioso. Ela precisa estar presente em todas as dimensões da nossa existência.

 

A SALVAÇÃO É OBRA DA GRAÇA DE DEUS

Quando refletimos sobre Soli Deo Gloria, precisamos compreender que a própria salvação é motivo para reconhecer a grandeza e a glória do Senhor.

Não fomos salvos por nossos próprios méritos, por nossas conquistas religiosas ou pela quantidade de boas obras que realizamos.

O apóstolo Paulo, escrevendo aos cristãos de Éfeso, apresenta uma das declarações mais importantes sobre a salvação:

“Porque pela graça vocês são salvos, mediante a fé; e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2:8–9, NAA)

A salvação é presente de Deus. É resultado de sua graça, recebida mediante a fé em Jesus Cristo.

A glória não pertence a nós. A glória pertence ao Senhor, que nos amou, enviou seu Filho e, por meio da morte e da ressurreição de Jesus Cristo, nos ofereceu reconciliação e esperança de vida eterna.

E isso precisa produzir em nós humildade, gratidão e compromisso com o evangelho.

Não servimos a Deus para conquistar sua salvação. Servimos porque fomos alcançados por sua graça. Não praticamos boas obras para receber reconhecimento, mas porque nossa vida foi transformada pelo amor de Cristo.

 

UMA VIDA PARA A GLÓRIA DE DEUS

Ao chegarmos ao final desta reflexão e da nossa caminhada pelos cinco princípios da Reforma Protestante, quero deixar uma pergunta:

As suas atitudes têm glorificado a Deus ou você está vivendo apenas em busca de reconhecimento pessoal?

Pense em suas escolhas, em suas palavras, em seus relacionamentos e na maneira como você trata as pessoas.

Você tem utilizado seus talentos e suas capacidades para servir ao Senhor? Tem demonstrado compaixão por quem sofre? Tem compartilhado o evangelho? Tem permitido que a Palavra de Deus ilumine seus caminhos?

Hoje, nosso convite é para que você glorifique ao Senhor com sua vida!

Glorifique a Deus com suas palavras, suas atitudes, seu trabalho, sua família e seu serviço. Faça isso nos dias de alegria e também nos momentos difíceis.

Que nossa existência seja uma expressão de gratidão àquele que nos criou, nos ama e nos alcançou por sua graça.

 

Soli Deo Gloria — Somente a Deus a Glória!

 

Que Deus abençoe ricamente o seu dia!

 

CLÁUDIO EDUARDO M. COSTA

Humanizando Compaixão

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