domingo, 23 de agosto de 2026

QUANDO O TRAIDOR ESTÁ PERTO... — O QUE FAZER QUANDO SOMOS TRAÍDOS? - SALMO 54 -

 


QUANDO O TRAIDOR ESTÁ PERTO...

— O QUE FAZER QUANDO SOMOS TRAÍDOS?

SALMO 54

 

Você já imaginou ser traído por alguém muito próximo? Alguém que faz parte do seu círculo de amizade, do seu círculo social, alguém que frequenta a sua casa, conhece sua família, conhece sua história e, de repente, começa a trabalhar contra você, tentando destruir sua imagem e prejudicar sua vida? E então surge aquela pergunta dolorosa: “O que foi que eu fiz contra essa pessoa para ela fazer isso comigo?”

Hoje estamos lendo o Salmo 54, e eu convido você a refletir comigo sobre uma realidade que pode ser muito dolorosa: às vezes, a maior decepção não é simplesmente ser traído, mas ser traído justamente por alguém que caminha conosco, que nos conhece, que nos chama de amigo e que frequenta a nossa casa.

O Salmo 54 nos coloca diante dessa situação. Davi está fugindo de Saul, e o contexto histórico aparece em 1 Samuel 23. Davi havia se escondido na região de Zife, e os zifeus, habitantes daquela região, foram até Saul para informar onde Davi estava. Os zifeus não eram estrangeiros nem pertenciam a outro povo. Eram israelitas, habitantes de uma cidade da região de Judá. Eram pessoas do próprio povo de Davi que escolheram colaborar com Saul.

E aqui encontramos algo muito interessante. De um lado estava Saul, o rei, representando poder, autoridade e influência. Do outro estava Davi, o homem que estava fugindo. Os zifeus escolheram ficar ao lado daquele que, naquele momento, parecia ter mais poder. Eles enxergaram oportunidade, conveniência, segurança e vantagem pessoal.

Davi, entretanto, estava seguindo outro caminho. Ele estava fugindo porque confiava em Deus e porque havia decidido deixar a justiça nas mãos do Senhor. Ele poderia tentar resolver tudo pela força, poderia usar seu exército, poderia levantar sua espada contra aqueles que estavam perseguindo sua vida. Mas Davi escolheu buscar o Senhor, o Deus eterno, Todo-Poderoso e justo juiz.

Por isso, quando chegamos ao Salmo 54, encontramos uma oração:

“Ó Deus, salva-me, pelo teu nome, e faze-me justiça pelo teu poder. Escuta, ó Deus, a minha oração, dá ouvidos às palavras da minha boca.” Salmo 54:1-2 — NAA

 

Davi poderia escolher a vingança, mas escolhe a oração. Ele poderia tentar resolver tudo com as próprias mãos, mas decide colocar sua causa diante de Deus.

E aqui está uma pergunta importante para nós:

Quando somos injustiçados, o que escolhemos: justiça ou vingança? Esperar no Senhor ou tentar resolver tudo do nosso jeito?

Davi não queria descer ao mesmo nível daqueles que estavam agindo contra ele. Ele queria permanecer fiel a Deus. Afinal, quem serve ao Senhor precisa compreender que não pode permitir que a maldade dos outros determine o seu comportamento.

Deus conhece o nosso coração. Deus sabe como estamos reagindo, quais são nossas intenções e o que estamos planejando fazer. Por isso, a pergunta também precisa ser feita a nós:

Como Deus está olhando para o nosso coração hoje?

Estamos buscando justiça ou alimentando vingança? Estamos confiando em Deus ou tentando controlar tudo com nossas próprias mãos?

O Salmo 54 continua e, no verso 4, encontramos uma das declarações mais bonitas desse pequeno salmo:

“Eis que Deus é o meu ajudador, o Senhor é quem me sustenta a vida.” Salmo 54:4 — NAA

Davi está dizendo, em outras palavras: “Deus está na direção. Deus está conduzindo a minha vida. Deus é quem me sustenta.”

Isso nos faz pensar sobre o verdadeiro significado de vitória. Muitas vezes, neste mundo, pensamos que uma pessoa vitoriosa é aquela que tem muito dinheiro, alcançou sucesso, possui bens ou, nos dias atuais, tem milhões de seguidores nas redes sociais. Mas o Salmo 54 nos apresenta outra perspectiva.

Vitória é permitir que Deus conduza a nossa vida e permanecer com um coração obediente diante dele.

 

E, quando penso em traição, inevitavelmente penso em Jesus. Ele também foi traído dentro do seu próprio círculo. Seus discípulos caminharam com ele. Viram seus milagres, ouviram seus ensinamentos, testemunharam seu amor, viram Jesus cuidar das pessoas e anunciar o Reino de Deus. Mesmo assim, dentro daquele círculo íntimo havia alguém disposto a traí-lo.

Judas entregou Jesus por trinta moedas de prata. Sua motivação estava relacionada ao benefício pessoal. Ele escolheu aquilo que poderia ganhar.

Pedro também falhou. Quando Jesus foi preso, Pedro teve medo e negou que o conhecesse. Sua motivação naquele momento era diferente: ele estava com medo das consequências, medo de ser preso, medo de sofrer.

São duas manifestações diferentes de uma mesma fragilidade humana: quando colocamos nossos interesses acima da fidelidade a Deus, podemos tomar decisões que nos afastam daquilo que sabemos ser correto. Mas existe uma diferença muito importante entre Judas e Pedro: Pedro foi restaurado. Judas caminhou para a destruição. Pedro, porém, encontrou o caminho do arrependimento e da restauração.

Jesus perguntou a Pedro três vezes: “Você me ama?” E Pedro respondeu afirmativamente. Aquele mesmo homem que havia negado Jesus tornou-se posteriormente uma testemunha corajosa do Evangelho.

Em Atos 4:20, diante das autoridades, Pedro declarou:

“Pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos.” Atos 4:20 — NAA

Que transformação!

 

O Pedro que antes dizia “não conheço esse homem” agora dizia, em outras palavras: “Eu não posso deixar de falar de Jesus.” Isso nos leva à pergunta central desta reflexão:

Qual é a sua motivação na caminhada com Deus?

 

Você segue Jesus por conveniência? Pelo que pode receber? Pelo benefício pessoal? Pelo reconhecimento? Ou segue Jesus porque realmente o ama e deseja ser fiel a ele?

 

O Salmo 54 termina com Davi olhando para Deus e declarando:

“Eu te oferecerei sacrifícios voluntariamente; louvarei o teu nome, ó Senhor, porque é bom. Pois ele me livrou de todas as minhas aflições; e os meus olhos viram a ruína dos meus inimigos.” Salmo 54:6-7 — NAA

Davi termina com louvor.

 

O homem que estava sendo perseguido termina reconhecendo a fidelidade de Deus. O homem que foi denunciado pelos zifeus não termina falando sobre os zifeus. Ele termina falando sobre Deus.

Essa talvez seja uma das grandes lições do Salmo 54: o traidor pode estar perto, mas Deus está muito mais perto.

Podemos ser decepcionados por pessoas. Podemos descobrir que alguém que chamávamos de amigo não era tão amigo assim. Podemos sofrer injustiças, calúnias e até perseguições. Mas nada disso precisa determinar quem seremos.

Deus é o nosso escudo. Deus é a nossa fortaleza. Deus é o nosso socorro. Deus está conosco. Por isso, olhe para sua própria vida e pergunte:

Estou realmente caminhando com Deus?

 

Talvez hoje você precise declarar com fé:

“Deus está comigo! Nenhuma traição será capaz de me derrotar. Eu confio no Senhor e sei que ele caminha ao meu lado.”

Mas existe também outro lado dessa reflexão. Podemos ser traídos por pessoas próximas, mas também podemos escolher ser agentes de transformação, distribuindo bênçãos às pessoas que estão ao nosso redor.

Não sejamos como os zifeus, escolhendo a conveniência quando deveríamos escolher a fidelidade. Sejamos como aqueles que decidiram seguir a Cristo e permanecer fiéis, mesmo quando isso custa alguma coisa.

Seja alguém que abençoe. Seja alguém em quem as pessoas possam confiar. Seja alguém cuja presença revele o caráter de Cristo.

 

Que Deus faça deste dia uma oportunidade para levarmos outras pessoas a reconhecerem que Jesus é o Cristo, Jesus é o Senhor e Jesus é o Salvador.

 

Para refletir

Qual tem sido a motivação da minha caminhada com Deus: conveniência, benefício pessoal ou fidelidade?

Quando sou injustiçado, tenho buscado a justiça de Deus ou tentado fazer justiça com as minhas próprias mãos?

E eu tenho sido, para as pessoas ao meu redor, alguém que trai ou alguém que abençoa?

 

Cláudio Eduardo M Costa

sábado, 22 de agosto de 2026

QUANDO A HUMANIDADE DIZ: “DEUS NÃO EXISTE!” - SALMO 53 =

 


QUANDO A HUMANIDADE DIZ: “DEUS NÃO EXISTE!”

SALMO 53

 

Você já ouviu alguém dizer: “Está doido, menino! Parece que ficou maluco. Está com um parafuso solto na cabeça!” Se Davi estivesse escrevendo o Salmo 53 hoje, talvez essas fossem algumas das expressões que ouviríamos. Mas Davi, inspirado por Deus, usa uma palavra muito mais séria: insensato.

“Diz o insensato no seu coração: ‘Não há Deus.’ Corrompem-se e praticam iniquidade; já não há quem faça o bem.” Salmo 53:1 — NAA

 

Observe que Davi não diz apenas que o insensato fala que não há Deus. Ele diz que isso acontece “no seu coração”. Na Bíblia, o coração não representa apenas os sentimentos. É também o centro das decisões, da vontade, dos pensamentos e das atitudes. Por isso, o Salmo 53 nos leva a uma reflexão muito mais profunda.

Quando leio esse texto, penso em pessoas que talvez jamais digam verbalmente: “Deus não existe”, mas vivem diariamente como se Deus realmente não existisse. São pessoas que podem dizer: “Eu creio em Deus.” Conhecem versículos bíblicos, frequentam uma igreja, participam de celebrações religiosas e até falam sobre Deus. Mas, quando chegam as decisões, os relacionamentos, os negócios, a vida profissional, a família e os momentos de tentação, vivem como se Deus não estivesse presente.

Esse é o que podemos chamar de ateísmo prático: não necessariamente negar Deus com os lábios, mas viver como se Ele não existisse. Porque acreditar que Deus existe não é apenas uma afirmação intelectual. Crer em Deus envolve reconhecer quem Ele é e decidir viver de acordo com a sua vontade.

 

A CRIAÇÃO APONTA PARA O CRIADOR

Quando penso no Salmo 53, imagino Davi contemplando a criação. Talvez olhando para o céu, observando as estrelas e a lua. Talvez contemplando as estações, os animais e as suas ovelhas correndo pelos campos. E então surge uma pergunta: como olhar para toda essa realidade e concluir que não existe um Criador?

A Bíblia começa justamente apresentando Deus como o Criador:

“No princípio, Deus criou os céus e a terra.” Gênesis 1:1 — NAA

 

Quando observamos o universo, a complexidade da vida, a organização da natureza e o próprio corpo humano, encontramos motivos para refletir profundamente sobre a origem de tudo. A própria Bíblia afirma:

“Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde a criação do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que Deus fez. Por isso, os seres humanos são indesculpáveis.” Romanos 1:20 — NAA

 

A ciência pode investigar como o universo funciona. Pode estudar sua expansão, as leis da física, a formação das estrelas, a complexidade da vida e inúmeros outros fenômenos. Mas existe uma pergunta que continua sendo profundamente filosófica e espiritual: por que existe alguma coisa em vez de absolutamente nada?

Para nós, cristãos, a criação não é fruto do acaso sem propósito. Existe um Criador. E esse Criador é Deus.

 

O CRIADOR NÃO ABANDONOU A SUA CRIAÇÃO

Existe algo ainda mais maravilhoso. Quando falamos sobre criação, podemos imaginar Deus como um grande artista, que produz uma obra extraordinária, cheia de beleza, ordem e vida. Mas o pecado entrou na história e distorceu essa bela criação. A humanidade se afastou do Criador.

Mas Deus não abandonou a sua criação. O próprio Deus entrou na história humana. O apóstolo João declara:

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” João 1:14 — NAA

 

O Criador veio ao encontro da criatura. Jesus Cristo veio ao mundo. Ele trouxe graça, misericórdia, perdão e esperança.

E é justamente aqui que o Novo Testamento amplia a nossa compreensão sobre a criação. Paulo escreve:

“Todas as coisas foram criadas por ele e para ele.” Colossenses 1:16 — NAA

 

Isso muda completamente a maneira como enxergamos nossa própria existência. Eu fui criado por Deus e para Deus.

Meus pais foram instrumentos no propósito de Deus para que eu viesse ao mundo, mas a minha existência não termina neles. Minha vida tem um propósito maior. Eu pertenço ao meu Criador.

João também declara:

“Todas as coisas foram feitas por ele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.” João 1:3 — NAA

 

Que declaração extraordinária! Todas as coisas foram feitas por Ele. Tudo aquilo que existe encontra sua origem em Deus.

 

MAS O QUE ESTOU FAZENDO COM ESSA VERDADE?

E aqui chegamos ao ponto principal do Salmo 53. Não basta discutir se Deus existe. A pergunta mais importante é: o que estou fazendo com a verdade de que Deus existe?

Se Deus criou todas as coisas, como estou vivendo diante dele? Se Deus é o Criador, Ele tem autoridade sobre a minha vida? Se Jesus Cristo veio ao mundo para nos reconciliar com Deus, como estou respondendo à sua graça?

Posso dizer: “Eu creio em Deus.” Mas será que meu comportamento confirma aquilo que minha boca declara? No meu coração, Deus realmente governa? Ou estou tentando viver como se fosse dono da minha própria vida?

É possível dizer “Deus existe” e, ao mesmo tempo, tomar decisões como se Ele não existisse. É possível conhecer a Bíblia e não obedecer à Bíblia. É possível frequentar uma igreja e não viver como discípulo de Cristo. É possível falar de fé e viver de maneira completamente contraditória àquilo que se afirma acreditar.

Por isso, o Salmo 53 é tão atual.

 

“QUEM DERA QUE DE SIÃO VIESSE JÁ A SALVAÇÃO!”

O Salmo termina com uma expressão de esperança:

“Quem dera que de Sião viesse já a salvação de Israel! Quando Deus restaurar a sorte do seu povo, Jacó exultará e Israel se encherá de alegria.” Salmo 53:6 — NAA

 

Para nós, cristãos, essa esperança encontra sua realização na obra salvadora de Jesus Cristo, aquele que veio trazer salvação. O Salmo aponta para a necessidade de Deus restaurar o seu povo, e o Novo Testamento apresenta Cristo como aquele em quem encontramos redenção, reconciliação e vida.

A questão, portanto, não é simplesmente: “Deus existe?” A questão é: “Se Deus existe, o que a minha vida está dizendo sobre Ele?”

 

NÃO BASTA DIZER QUE DEUS EXISTE

Talvez você nunca tenha dito: “Não há Deus.” Mas hoje o Salmo 53 convida você a fazer uma pergunta ainda mais profunda: minha vida demonstra que eu acredito em Deus?

Minha maneira de tratar as pessoas demonstra isso? Minhas escolhas demonstram isso? Minha vida familiar demonstra isso? Meu trabalho demonstra isso? Minha maneira de usar o dinheiro, o tempo e os dons que Deus me deu demonstra isso? Minha vida espiritual demonstra isso?

Não basta dizer que Deus existe. É preciso viver como quem sabe que Ele existe.

O verdadeiro desafio do Salmo 53 não é apenas para aquele que declara ser ateu. É também para aquele que diz: “Eu creio em Deus”, mas vive todos os dias como se Deus não existisse.

Que hoje possamos olhar para a criação e reconhecer o Criador. Que possamos olhar para a cruz e reconhecer o Salvador. Que possamos olhar para a nossa própria vida e perguntar:

“Senhor, a minha maneira de viver demonstra que eu realmente creio em ti?”

Que sejamos sensatos, sábios e prudentes, seguindo os conselhos do Senhor, amando a Deus e obedecendo à sua Palavra.

Deus existe.

Ele criou todas as coisas.

Ele entrou na história em Jesus Cristo.

Ele oferece salvação e restauração.

 

E agora fica a pergunta:

SE DEUS REALMENTE EXISTE — E ELE EXISTE — MINHA VIDA ESTÁ DEMONSTRANDO ISSO?

 

Cláudio Eduardo M Costa

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

É VERDADE? É NECESSÁRIO? VAI EDIFICAR? - SALMO 52 -

 


É VERDADE? É NECESSÁRIO? VAI EDIFICAR?

SALMO 52

 

Você já recebeu uma informação sobre alguém e ficou com vontade de contar para outra pessoa?

Talvez você não tenha visto o fato acontecer. Talvez tenha apenas ouvido alguém contar. Mas, mesmo que a informação seja verdadeira, ainda precisamos fazer três perguntas antes de falar:

É verdade?
É necessário?
Vai edificar?

Essa é a reflexão que encontramos no Salmo 52. Davi nos apresenta uma mensagem muito séria sobre o poder destrutivo da mentira, da calúnia, da fofoca e do uso irresponsável das palavras.

Vivemos em uma época em que a fofoca muitas vezes recebe outros nomes: fake news, “informação”, “opinião”, “comentário”, “meia verdade” ou simplesmente “eu só estou contando o que ouvi”.

Mas uma pergunta continua sendo necessária: o que estou prestes a falar vai abençoar ou destruir?

A Bíblia nos ensina que precisamos ter cuidado com aquilo que sai da nossa boca.

 

UMA HISTÓRIA MARCADA PELO PODER DE UMA INFORMAÇÃO

O Salmo 52 apresenta como pano de fundo uma situação envolvendo Davi, Saul, o sacerdote Aimeleque e Doegue, o edomita.

Davi estava fugindo de Saul e foi até Nobe, onde encontrou Aimeleque, sacerdote do Senhor. Ali, recebeu alimento e a espada de Golias.

Doegue, que estava naquele lugar, viu o que havia acontecido e posteriormente contou a Saul que Aimeleque havia ajudado Davi. A informação foi usada por Saul para acusar os sacerdotes de conspiração.

O resultado foi trágico.

Saul ordenou que os sacerdotes fossem mortos, e Doegue executou a ordem. Segundo 1 Samuel 22:18 (NAA), naquele dia foram mortos oitenta e cinco homens que vestiam estola sacerdotal de linho. A cidade de Nobe também foi atacada. (SBB)

Que tragédia!

Uma informação transmitida com intenção perversa produziu consequências terríveis.

Por isso, precisamos entender que palavras não são inofensivas.

Uma fofoca pode destruir uma reputação.
Uma mentira pode destruir um relacionamento.
Uma acusação pode destruir uma família.
Uma informação irresponsavelmente compartilhada pode provocar consequências que jamais poderemos reparar.

 

A LÍNGUA PODE SER COMO UMA NAVALHA

Davi utiliza uma imagem muito forte no Salmo 52.

Em Salmo 52:2 (NAA), ele descreve a língua como uma “navalha afiada”, associando-a a planos de destruição e engano.

A imagem é poderosa.

Uma navalha corta.

Uma navalha pode ferir.

Uma navalha pode destruir.

Da mesma maneira, palavras usadas de maneira irresponsável podem cortar profundamente a vida de uma pessoa.

É por isso que precisamos pensar antes de falar.

 

PRIMEIRA PERGUNTA: É VERDADE?

A primeira pergunta é:

É verdade?

Vivemos em uma época de velocidade. Uma mensagem chega pelo WhatsApp, alguém encaminha, outra pessoa compartilha e, em poucos minutos, uma informação pode alcançar centenas ou milhares de pessoas.

Mas quem verificou?

Quem ouviu os dois lados?

Quem confirmou?

Quem conhece todos os fatos?

A Bíblia nos alerta em Provérbios 18:13 (NAA):

“Responder antes de ouvir é tolice e vergonha.”

Precisamos aprender a ouvir antes de falar.

Precisamos aprender a verificar antes de compartilhar.

Precisamos aprender a buscar a verdade antes de espalhar uma informação.

A própria Escritura nos ensina, em Efésios 4:25 (NAA), a abandonar a mentira e falar a verdade com o nosso próximo.

Jesus também ensina que o diabo é mentiroso e é chamado de “pai da mentira” em João 8:44.

Portanto, quando recebemos uma informação, especialmente sobre outra pessoa, precisamos parar e perguntar:

É verdade?

Não basta ter ouvido.

Não basta alguém ter contado.

Não basta estar circulando nas redes sociais.

Antes de falar, precisamos buscar a verdade.

 

SEGUNDA PERGUNTA: É NECESSÁRIO?

Depois de perguntar se é verdade, precisamos fazer uma segunda pergunta:

É necessário?

Eu realmente preciso falar sobre isso?

Preciso transmitir essa informação para outra pessoa?

Preciso expor a vida de alguém?

Preciso comentar sobre uma situação que não diz respeito a mim?

Preciso compartilhar uma história que pode constranger ou humilhar alguém?

Nem tudo o que sabemos precisa ser contado.

Nem tudo o que ouvimos precisa ser compartilhado.

Nem toda informação verdadeira precisa ser publicada.

Existe uma diferença enorme entre ter conhecimento de alguma coisa e ter autorização ou necessidade de falar sobre aquilo.

Precisamos aprender a guardar silêncio quando o silêncio é mais sábio do que a fala.

A Palavra de Deus diz em Provérbios 11:13 (NAA) que quem encobre o que lhe foi confiado é digno de confiança, enquanto aquele que espalha a calúnia revela segredos.

Isso nos ensina algo muito importante: a maturidade também aparece naquilo que escolhemos não falar.

 

TERCEIRA PERGUNTA: VAI EDIFICAR?

Depois de perguntar se é verdade e se é necessário, precisamos fazer uma terceira pergunta:

Vai edificar?

Essa informação vai acrescentar alguma coisa à vida de alguém?

Vai ajudar?

Vai restaurar?

Vai orientar?

Vai proteger?

Vai aproximar?

Vai produzir graça?

Ou simplesmente vai alimentar a curiosidade, a exposição e a destruição?

O apóstolo Paulo nos dá uma orientação muito clara em Efésios 4:29 (NAA):

“Não saia da boca de vocês nenhuma palavra suja, mas unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem.”

Observe as palavras: edificação, necessidade e graça.

Nossa fala deve ter propósito.

Nossa fala deve produzir edificação.

Nossa fala deve transmitir graça.

Isso significa que precisamos pensar não apenas se aquilo é verdade, mas também o que essa verdade produzirá quando for dita.

 

NEM TODA VERDADE PRECISA SER DITA

Essa talvez seja uma das maiores lições dessa reflexão.

Nem toda verdade precisa ser dita.

Nem toda verdade precisa ser publicada.

Nem toda verdade precisa ser compartilhada.

Nem toda verdade precisa ser comentada.

Existem verdades que precisam ser tratadas com amor, cuidado, sabedoria e, muitas vezes, em particular.

Jesus ensinou exatamente isso quando falou sobre o relacionamento entre irmãos.

Em Mateus 18:15 (NAA), Jesus diz:

“Se o seu irmão pecar contra você, vá e repreenda-o em particular.”

Observe a ordem ensinada por Jesus.

Primeiro, em particular.

Se a pessoa ouvir, o relacionamento é restaurado.

Se não ouvir, Jesus orienta que sejam levadas uma ou duas pessoas.

Somente depois, caso necessário, a questão deve ser apresentada à igreja.

Jesus estabelece um caminho de restauração, e não um caminho de fofoca.

Quantas vezes acontece justamente o contrário?

Alguém percebe um erro de outra pessoa e, em vez de conversar diretamente com ela, corre para o líder.

Corre para o pastor.

Corre para os amigos.

Conta para outras pessoas.

Espalha a história.

E aquilo que deveria ser uma conversa para restauração transforma-se em uma rede de comentários.

Isso não é o caminho ensinado por Jesus.

O objetivo não é destruir o irmão. É ganhar o irmão.

 

A BOCA REVELA O QUE ESTÁ NO CORAÇÃO

Em Mateus 12:34 (NAA), Jesus faz uma afirmação muito profunda: “Porque a boca fala do que está cheio o coração.”

Essa palavra nos leva para além do problema da fala.

Ela nos leva para dentro do coração.

Porque a questão não é apenas:

O que estou falando?

Mas também:

O que está enchendo o meu coração?

Se meu coração está cheio de amargura, minha boca provavelmente revelará amargura.

Se meu coração está cheio de inveja, minhas palavras poderão revelar inveja.

Se meu coração está cheio de ressentimento, minha fala poderá ferir.

Mas se meu coração está cheio da graça de Deus, minhas palavras poderão transmitir graça.

Por isso, talvez a pergunta mais profunda seja:

Do que está cheio o meu coração?

 

CUIDADO COM A FOFOCA

O Salmo 52 nos chama a uma postura diferente.

Precisamos fugir da fofoca.

Precisamos rejeitar a mentira.

Precisamos abandonar a calúnia.

Precisamos ter cuidado com aquilo que compartilhamos.

Precisamos usar nossas palavras para abençoar.

A tecnologia tornou nossa responsabilidade ainda maior.

Hoje podemos destruir uma reputação com uma postagem.

Podemos espalhar uma mentira com um simples toque na tela.

Podemos compartilhar um áudio sem verificar sua origem.

Podemos comentar sobre a vida de alguém sem sequer conhecer toda a história.

Por isso, antes de apertar o botão “enviar”, precisamos apertar o botão da consciência.

É verdade?

É necessário?

Vai edificar?

 

DAVI ESCOLHE CONFIAR EM DEUS

Apesar de toda a maldade apresentada no Salmo 52, Davi não termina sua reflexão olhando para o poder destrutivo do homem.

Ele termina olhando para Deus.

Em Salmo 52:8-9 (NAA), Davi afirma que é como “a oliveira verde na Casa de Deus” e declara sua confiança na misericórdia do Senhor para sempre.

Essa é uma decisão espiritual.

Davi escolhe confiar na misericórdia de Deus.

Davi escolhe esperar no Senhor.

Davi escolhe continuar louvando.

Essa também precisa ser a nossa decisão.

Quando pessoas usam palavras para destruir, nós podemos escolher usar nossas palavras para edificar.

Quando alguém espalha mentira, nós podemos escolher falar a verdade.

Quando alguém promove divisão, nós podemos escolher promover reconciliação.

Quando alguém usa a língua como uma navalha, nós podemos escolher usar nossa boca como instrumento de graça.

 

ANTES DE FALAR, PARE E PENSE

Talvez você precise guardar estas três perguntas para os próximos dias:

É verdade?

É necessário?

Vai edificar?

Se a resposta para as três perguntas for sim, fale.

Mas fale com amor.

Fale com sabedoria.

Fale com graça.

Agora, se não for verdade, não fale.

Se for verdade, mas não for necessário, talvez seja melhor não falar.

Se for verdade e necessário, mas não contribuir para a edificação, pense novamente sobre a maneira e o momento de falar.

Nossa boca pode ferir, mas também pode curar.

Nossa boca pode destruir, mas também pode restaurar.

Nossa boca pode espalhar medo, mas também pode transmitir esperança.

Nossa boca pode alimentar fofoca, mas também pode anunciar a graça de Deus.

 

CONCLUSÃO

O Salmo 52 nos ensina que palavras têm consequências.

Doegue falou.

Saul ouviu.

E vidas foram destruídas.

O texto de 1 Samuel 22:18-19 registra a morte de oitenta e cinco sacerdotes e a destruição de Nobe.

Que história dolorosa!

Por isso, precisamos ter cuidado com aquilo que sai da nossa boca.

Que Deus nos ajude a não sermos instrumentos de destruição.

Que nossas palavras expressem verdade, graça, encorajamento e restauração.

Que, antes de falar sobre alguém, antes de compartilhar uma informação, antes de publicar alguma coisa, façamos três perguntas:

É VERDADE?

É NECESSÁRIO?

VAI EDIFICAR?

Se todas as respostas forem sim, siga em frente.

Mas, se uma delas for não, talvez o silêncio seja a melhor resposta.

Que nossa boca seja usada para abençoar.

Que nosso coração esteja cheio da Palavra de Deus.

E que nossas palavras sejam instrumentos de vida.

“Quanto a mim, porém, sou como a oliveira verde na Casa de Deus; confio na misericórdia de Deus para todo o sempre.”
Salmo 52:8 — NAA

 

Que Deus abençoe ricamente o seu dia!

 

Cláudio Eduardo M Costa

 

QUANDO O TRAIDOR ESTÁ PERTO... — O QUE FAZER QUANDO SOMOS TRAÍDOS? - SALMO 54 -

  QUANDO O TRAIDOR ESTÁ PERTO... — O QUE FAZER QUANDO SOMOS TRAÍDOS? SALMO 54   Você já imaginou ser traído por alguém muito próximo...