A GUERRA AINDA NÃO TERMINOU...
JUIZES 1
Alguém
já lhe avisou que a guerra não acabou?
Estamos
em batalha o tempo todo. Mas eu não quero conversar, neste momento, sobre as
nossas lutas pessoais. Quero continuar estudando com você a Bíblia, a Palavra
de Deus.
Hoje
iniciamos uma nova jornada no livro de Juízes. Trata-se de um livro empolgante,
profundo e extremamente atual. Muitas pessoas conhecem alguns de seus
personagens mais famosos, mas acabam deixando de perceber a riqueza da mensagem
que Deus deseja transmitir por meio dessa obra.
O
livro de Juízes revela a fidelidade de Deus e, ao mesmo tempo, expõe a
superficialidade com que o ser humano muitas vezes vive a sua fé. O período
retratado nesse livro abrange aproximadamente trezentos anos da história de
Israel.
Logo
no primeiro versículo lemos:
“Depois
da morte de Josué, os israelitas consultaram o Senhor, perguntando: — Qual das
nossas tribos será a primeira a atacar os cananeus?” (Juízes 1:1 – NTLH)
A
narrativa começa após a morte de Josué e segue até o período que antecede o
estabelecimento da monarquia em Israel.
Durante
essa época, Deus levanta líderes chamados juízes. Porém, eles não eram juízes
no sentido moderno da palavra. Eram libertadores escolhidos por Deus para
conduzir o povo em tempos de crise, trazendo livramento, direção e restauração
espiritual.
Ao
longo do livro encontraremos personagens marcantes como Otniel, Eúde, Débora,
Gideão, Jefté e Sansão. São homens e mulheres que nos inspiram por seus acertos
e também nos alertam por meio de seus erros.
Afinal,
estudar a história bíblica não é apenas admirar heróis da fé, mas aprender
lições que nos ajudam a viver de maneira mais fiel ao Senhor.
Contudo,
existe algo ainda mais importante. O personagem principal do livro de Juízes
não é Gideão, nem Débora, nem Sansão. O personagem central é o próprio Deus.
É Ele
quem permanece fiel quando o povo se torna infiel. É Ele quem disciplina,
corrige, restaura e salva.
Ao
longo do livro veremos um ciclo que se repete continuamente:
O povo
abandona Deus.
Deus
permite que os inimigos oprimam Israel.
O povo
sofre e clama por socorro.
Deus
levanta um juiz.
O povo
é libertado.
O povo
volta a pecar.
E o
ciclo recomeça.
Essa
repetição revela uma triste realidade: é possível possuir religiosidade sem
possuir intimidade com Deus. É possível ter uma aparência de fé sem viver uma
verdadeira obediência ao Senhor.
Talvez
nenhum versículo resuma melhor o livro de Juízes do que este:
“Naquele
tempo não havia rei em Israel, e cada um fazia o que achava certo.” (Juízes
21:25 – NTLH)
Cada
pessoa vivia segundo a própria vontade, sem submissão à autoridade de Deus.
E
quais lições podemos aprender com o livro de Juízes?
A
primeira delas é que a conversão não representa o fim da caminhada; ela é
apenas o começo.
Quando
recebemos Jesus Cristo como Salvador, iniciamos uma nova jornada. Temos um
inimigo derrotado na cruz, mas que continua lutando para enfraquecer nossa fé e
nossa comunhão com Deus.
Por
isso, precisamos permanecer firmes, cultivando uma vida de intimidade,
santificação e dependência do Senhor.
Outra
lição importante é que Josué havia conquistado a terra, mas ainda exista
batalhas a serem vencidas.
O
capítulo 1 de Juízes deixa isso muito claro.
A
guerra de conquista ainda era uma realidade.
Havia
territórios a serem ocupados, povos a serem expulsos e desafios a serem
enfrentados.
Da
mesma forma, nós também enfrentamos batalhas diárias. Porém, não lutamos
sozinhos. O Senhor está conosco e nos concede a vitória.
Ao
estudar Juízes, também somos levados a olhar para dentro de nós mesmos.
Existem
áreas da nossa vida que ainda precisam ser entregues completamente ao Senhor?
Existem
muralhas que precisam cair?
Existem
hábitos, pecados ou atitudes que precisam ser transformados?
A
Bíblia nos ensina que quem está em Cristo é uma nova criação. Portanto, devemos
abandonar aquilo que pertence ao velho homem e viver a novidade de vida que
Deus oferece.
Outra
verdade marcante deste livro é que toda desobediência, por menor que pareça,
pode produzir consequências graves no futuro.
Israel
conquistou a terra, mas permitiu que muitos inimigos permanecessem entre eles.
Essa convivência acabou gerando idolatria, corrupção espiritual e sofrimento.
Por
isso, precisamos nos perguntar:
Estamos
obedecendo plenamente ao Senhor?
Ou
estamos permitindo que determinadas áreas da nossa vida permaneçam sob o
domínio do inimigo?
Juízes
começa com uma guerra que ainda não terminou.
E essa
mensagem continua extremamente atual.
Entretanto,
devemos lembrar de uma verdade fundamental: a nossa batalha não é contra
pessoas.
Como
escreveu o apóstolo Paulo:
“Pois
nós não estamos lutando contra seres humanos, mas contra as forças espirituais
do mal que vivem nas alturas, isto é, os governos, as autoridades e os poderes
que dominam completamente este mundo de escuridão.” (Efésios 6:12 – NTLH)
Nossa
luta é espiritual.
E o
primeiro inimigo que precisamos vencer é o nosso próprio coração, nossa vontade
e nosso ego.
Por
isso, convido você a caminhar comigo pelo livro de Juízes.
Vamos
aprender com seus personagens, refletir sobre seus ensinamentos e descobrir
como viver uma fé mais profunda e comprometida com Deus.
Que o
Senhor nos ajude a romper esse ciclo de afastamento e superficialidade,
conduzindo-nos a uma vida de obediência, intimidade e vitória.
Que o
seu dia seja muito abençoado em Cristo Jesus.
Cláudio
Eduardo M Costa