quinta-feira, 22 de outubro de 2026

QUANDO DEUS AGE, ATÉ A ROCHA JORRA ÁGUA! - Salmo 114 —

 


QUANDO DEUS AGE, ATÉ A ROCHA JORRA ÁGUA!

Salmo 114 — O poder e o cuidado de Deus no deserto

 

Estamos na jornada dos 150 Dias Lendo o Livro de Salmos, e hoje chegamos ao Salmo 114. A mensagem que encontramos neste cântico é poderosa: quando Deus manifesta o seu poder, até a rocha pode se transformar em manancial!

Quero começar esta reflexão fazendo uma pergunta muito importante: você já enfrentou alguma situação que parecia impossível? Já passou por um problema diante do qual não conseguia enxergar uma saída ou encontrar uma solução?

Existem momentos na vida em que olhamos ao redor e nos sentimos desesperados. As dificuldades parecem maiores do que as nossas forças, e, em meio à angústia, podemos nos esquecer de quem caminha conosco. Esquecemos a presença do Senhor, nosso Deus, que permanece fiel mesmo quando não conseguimos compreender o caminho.

É nesse contexto que o Salmo 114 nos convida a recordar a história do êxodo, a libertação do povo de Israel da escravidão no Egito e a manifestação do poder de Deus ao longo da caminhada rumo à Terra Prometida.

 

O DEUS QUE LIBERTA É O DEUS QUE CAMINHA COM SEU POVO

O Salmo 114 é um convite à adoração, não apenas pelo que Deus faz, mas também por quem ele é. Ao recordar os acontecimentos do êxodo, o salmista nos ajuda a contemplar a grandeza do Senhor, sua soberania e sua fidelidade.

Há uma frase bastante conhecida que diz: “O impossível é especialidade de Deus”. Embora essa expressão não seja uma citação bíblica, ela nos lembra uma verdade importante: nenhuma circunstância está além do conhecimento e do poder do Senhor.

Quando observamos a história de Israel, percebemos que Deus não estava alheio ao sofrimento do seu povo. Ele ouviu o clamor dos israelitas, lembrou-se da sua aliança e agiu para libertá-los da opressão egípcia (Êxodo 2:23-25).

Imagine a cena: à frente, o mar; atrás, o exército de Faraó. Humanamente, parecia não haver saída. O povo estava assustado e chegou a questionar Moisés sobre a decisão de sair do Egito.

Foi naquele momento que o Senhor orientou Moisés a conduzir os israelitas adiante. Em Êxodo 14:15, na versão NAA, Deus pergunta a Moisés por que ele clamava a ele e ordena que diga aos filhos de Israel que marchem.

Que lição extraordinária! A fé não significa ausência de medo, mas aprender a obedecer ao Senhor mesmo quando as circunstâncias parecem assustadoras.

Quantas vezes também nos sentimos como aquele povo? Paramos diante de um obstáculo e pensamos que chegamos ao fim. Não conseguimos enxergar uma solução e somos tentados a desistir.

Entretanto, a história do êxodo nos ensina a recordar o que Deus já fez e a buscar sua direção para o próximo passo. Não se trata de imaginar que toda dificuldade desaparecerá imediatamente, mas de reconhecer que não precisamos enfrentar a vida como se estivéssemos abandonados.

 

DIANTE DO SENHOR, A CRIAÇÃO TESTEMUNHA O SEU PODER

O Salmo 114 apresenta imagens poéticas impressionantes. O mar recua, o Jordão volta para trás, os montes saltam como carneiros e os outeiros, como cordeiros.

Essas imagens proclamam a majestade do Criador. A natureza, representada poeticamente, reage diante da presença daquele que tem autoridade sobre toda a criação.

O salmista conclui com estas palavras:

“Treme, ó terra, na presença do Senhor, na presença do Deus de Jacó! Ele transformou a rocha em lençol de água e o rochedo, em manancial.” (Salmos 114:7-8, NAA).

A expressão “Treme, ó terra” é um chamado à reverência diante do Senhor. O Deus que libertou Israel não era apenas o Deus que agia na história: ele é o soberano sobre toda a criação.

A imagem final é especialmente significativa. Uma rocha não é, por si mesma, uma fonte de água. Um rochedo, em pleno deserto, não parece oferecer aquilo de que uma multidão sedenta necessita. Entretanto, Deus fez brotar água da rocha para sustentar seu povo durante a caminhada.

Esse acontecimento também é recordado em Êxodo 17:1-7, quando o Senhor providenciou água em Refidim, e em Números 20:1-13, em outro episódio da peregrinação.

O povo precisava aprender a confiar no Senhor. Israel havia saído do Egito, uma sociedade marcada pela adoração de diversas divindades, e ainda estava sendo formado como povo da aliança. Ao longo da jornada, precisava conhecer o caráter de Deus, aprender a obedecer à sua Palavra e compreender que somente ele deveria receber a adoração do seu povo.

A provisão de água não era apenas uma resposta a uma necessidade física. Era também uma oportunidade para reconhecer a fidelidade daquele que os havia libertado.

 

DEUS NÃO É INDIFERENTE À NOSSA DOR

Quando leio o Salmo 114, fico pensando em como tenho caminhado com Deus. Será que me lembro da sua fidelidade quando enfrento dificuldades? Ou permito que o tamanho do problema ocupe todo o meu campo de visão?

A história de Israel nos mostra que caminhar com Deus não significa viver sem problemas. O povo enfrentou fome, sede, conflitos, medo e momentos de incredulidade. Ainda assim, ao longo daquela história, encontramos a manifestação do cuidado e da provisão do Senhor.

Deus não é indiferente à dor humana. Ele ouve o clamor dos que sofrem e nos chama a confiar nele. Isso não significa que receberemos sempre a resposta que desejamos ou que todos os nossos problemas serão resolvidos da maneira que imaginamos. Significa que podemos buscar sua presença, depender de sua graça e permanecer firmes em sua Palavra.

Quando olhamos para o impossível, precisamos aprender a olhar também para o Deus em quem depositamos a nossa confiança.

Talvez você esteja atravessando um deserto neste momento. Pode ser uma dificuldade financeira, uma enfermidade, um conflito no ambiente de trabalho, uma crise familiar ou uma situação que tem roubado sua tranquilidade.

Em momentos assim, é natural sentir medo e cansaço. Mas não permita que a dificuldade apague da sua memória tudo aquilo que você já aprendeu sobre a fidelidade do Senhor.

Olhe para trás e recorde os caminhos pelos quais você já passou. Lembre-se das pessoas que o ajudaram, das portas que se abriram, da força que recebeu nos dias difíceis e das oportunidades de recomeçar. Agradeça a Deus por sua graça e peça sabedoria para enfrentar os desafios de hoje.

 

UM MILAGRE DE CADA VEZ: VIVER PELA FÉ E SERVIR COM COMPAIXÃO

Ao contemplar o Salmo 114, sou lembrado de que a caminhada com Deus é uma jornada de confiança diária. Não precisamos conhecer todos os detalhes do amanhã para buscar a direção do Senhor hoje.

Podemos dizer que vivemos um dia de cada vez, sustentados pela graça de Deus. Isso não significa esperar passivamente que tudo aconteça, mas orar, agir com responsabilidade, tomar decisões sábias e permanecer atentos às oportunidades de fazer o bem.

Também precisamos compreender que não podemos produzir milagres por nossas próprias mãos nem controlar a maneira como Deus age. Somos chamados, porém, a ser instrumentos do seu amor, da justiça, da misericórdia e da compaixão.

Quando alguém enfrenta dificuldades financeiras, podemos oferecer ajuda concreta. Quando uma família atravessa uma crise, podemos escutar sem julgar e ajudar a buscar caminhos de reconciliação. Quando encontramos pessoas doentes, solitárias ou desamparadas, podemos demonstrar cuidado por meio de atitudes práticas.

A fé que contempla o poder de Deus também nos conduz ao serviço ao próximo. Não basta falar sobre o cuidado do Senhor; somos chamados a testemunhar esse cuidado por meio da maneira como vivemos.

Por isso, deixo um convite: assim como o povo de Israel foi chamado a recordar a libertação e a provisão de Deus, procure também reconhecer os sinais da graça do Senhor em sua caminhada.

Escreva em um diário suas experiências, suas orações, suas lutas e as respostas que você percebe ao longo do caminho. Compartilhe seu testemunho com outras pessoas. Aquilo que você viveu pode encorajar alguém que está atravessando um período difícil.

E, se hoje você estiver no deserto, sem enxergar uma saída, não tenha vergonha de clamar ao Senhor. Apresente a ele suas preocupações, peça sabedoria e busque forças para dar o próximo passo.

 

UMA ORAÇÃO PARA HOJE

Senhor, meu Deus, coloco minha vida em tuas mãos. Tu conheces as minhas lutas, os meus medos e as situações para as quais ainda não encontro uma solução.

Ajuda-me a confiar em ti, mesmo quando o caminho parecer difícil. Dá-me sabedoria para tomar decisões, coragem para continuar caminhando e humildade para reconhecer que preciso da tua direção.

Que eu nunca me esqueça da tua fidelidade e que a minha vida seja um instrumento do teu amor, da tua justiça e da tua compaixão. Ensina-me a perceber as necessidades das pessoas ao meu redor e a servi-las com generosidade.

Senhor, sustenta-me neste dia. Ajuda-me a caminhar pela fé, a obedecer à tua Palavra e a descansar na tua graça.

Em nome de Jesus. Amém!

PARA REFLETIR: Qual situação da sua vida parece impossível neste momento? O que você pode fazer hoje para buscar a direção de Deus e, ao mesmo tempo, agir com fé, sabedoria e responsabilidade?

 

CLÁUDIO EDUARDO M COSTA

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

O VERDADEIRO LOUVOR RESTAURA A DIGNIDADE HUMANA! — Salmo 113 —

 


O VERDADEIRO LOUVOR RESTAURA A DIGNIDADE HUMANA!

Salmo 113 

 

 

Você já parou para pensar que o verdadeiro louvor vai muito além de levantar as mãos durante o cântico de uma música, em uma celebração ou em um culto? O verdadeiro louvor está relacionado à nossa intimidade com Deus. E, quando falamos de intimidade com o Senhor, falamos também de viver, na prática, aquilo que ele nos ensina e de refletir, por meio das nossas atitudes, o amor, a justiça e a compaixão que recebemos dele.

Hoje, nossa leitura é o Salmo 113. Nele, aprendemos que o verdadeiro louvor está profundamente relacionado ao reconhecimento da grandeza de Deus e ao seu cuidado com aqueles que vivem em situações de vulnerabilidade. O Senhor é exaltado acima de todas as coisas, mas não permanece indiferente ao sofrimento humano. Ele vê, acolhe e levanta aqueles que foram humilhados.

O que isso significa para nós?

 

O LOUVOR QUE ULTRAPASSA AS PAREDES DO TEMPLO

O Salmo 113 começa com um convite à adoração, uma convocação para que os servos do Senhor louvem o seu nome. Trata-se de uma experiência que deve acontecer todos os dias, em qualquer lugar, e não apenas durante uma celebração religiosa.

Vamos ler Salmo 113:1-3, na Nova Almeida Atualizada (NAA):

“Aleluia! Louvem, ó servos do SENHOR, louvem o nome do SENHOR! Bendito seja o nome do SENHOR, agora e para sempre. Do nascimento do sol até o momento em que se põe, louvado seja o nome do SENHOR.”

O texto nos ensina que o louvor deve acompanhar toda a nossa existência. A expressão “do nascimento do sol até o momento em que se põe” apresenta uma imagem poética que abrange o dia inteiro, do amanhecer ao entardecer, destacando a continuidade do louvor ao Senhor. Em seu alcance mais amplo, o texto nos convida a reconhecer que Deus merece ser adorado em todo tempo e lugar.

Isso significa que não podemos separar a adoração da maneira como vivemos. Não basta cantar sobre a bondade de Deus; precisamos permitir que essa bondade transforme nossas relações, nossas escolhas e a maneira como enxergamos o próximo.

O apóstolo Paulo nos apresenta essa mesma perspectiva ao nos chamar a oferecer a Deus a nossa própria vida como sacrifício vivo, santo e agradável a ele. Essa é a verdadeira adoração (Romanos 12:1-2).

O louvor começa nos nossos lábios, mas precisa alcançar o nosso coração e se manifestar nas nossas atitudes.

 

O DEUS GRANDIOSO QUE SE INCLINA PARA CUIDAR DE NÓS

Ao avançarmos na leitura, encontramos uma das declarações mais extraordinárias desse salmo: o Deus que reina nas alturas se inclina para contemplar os céus e a terra.

Leiamos Salmo 113:5-8, na NAA:

“Quem é semelhante ao SENHOR, nosso Deus, cujo trono está nas alturas, que se inclina para ver o que se passa no céu e sobre a terra? Ele levanta o pobre do pó e tira o necessitado do monte de lixo, para o fazer sentar ao lado dos príncipes, sim, com os príncipes do seu povo.”

O salmista apresenta um Deus cuja grandeza não o torna distante da humanidade. Pelo contrário, o Senhor se inclina para olhar aquilo que acontece na terra e demonstra seu cuidado por pessoas que vivem em condições de sofrimento, pobreza e humilhação.

Podemos imaginar um adulto que se abaixa para ouvir uma criança que deseja falar com ele. Essa imagem nos ajuda a compreender, de maneira simples, a atitude de alguém que se aproxima para prestar atenção. Entretanto, o texto bíblico vai além de uma figura de linguagem: ele proclama que o Deus soberano se importa com a condição humana e age em favor daqueles que estão em situação de vulnerabilidade.

O Senhor não é indiferente à dor humana!

Ele conhece as nossas necessidades, vê aqueles que são desprezados e demonstra que a condição social de uma pessoa não determina o seu valor diante dele.

 

QUEM SÃO OS POBRES, OS NECESSITADOS E OS PRÍNCIPES?

Quando o salmista fala do pobre que é levantado do pó e do necessitado que é retirado do monte de lixo, utiliza imagens fortes para descrever uma condição de profunda privação, humilhação e exclusão.

São pessoas que, muitas vezes, não dispõem dos recursos necessários para viver com dignidade. São aquelas que enfrentam a fome, a falta de moradia, a ausência de oportunidades e o desprezo de uma sociedade que frequentemente mede o valor humano pelo dinheiro, pela influência e pela posição social.

Mas o texto também menciona os príncipes. No contexto do salmo, essa expressão se refere aos nobres e àqueles que ocupavam posições de honra e autoridade entre o povo.

A imagem apresentada é extraordinária: aquele que estava no pó é elevado e passa a ocupar um lugar de honra ao lado dos príncipes.

Precisamos compreender essa mensagem com cuidado. Deus não precisa diminuir quem já cresceu para levantar quem ainda não teve a oportunidade de crescer. Ele não precisa retirar a dignidade de uma pessoa para restaurar a dignidade de outra.

A dignidade humana diante de Deus não diminui quem já alcançou uma posição de honra; ela nos ensina a elevar aqueles que ainda não tiveram oportunidades de desenvolvimento.

Não estamos falando de uma disputa entre ricos e pobres, entre os que possuem conhecimento e os que ainda precisam aprender, ou entre aqueles que exercem autoridade e os que estão sob sua responsabilidade. Estamos falando de uma perspectiva de justiça na qual ninguém deve ser desprezado por sua condição econômica, sua origem ou sua falta de oportunidades.

Quem conquistou uma posição de responsabilidade pode usá-la para servir. Quem possui conhecimento pode compartilhá-lo. Quem dispõe de recursos pode contribuir para que outras pessoas tenham melhores condições de vida.

O crescimento de alguém não precisa representar a diminuição de outra pessoa. Pelo contrário, uma sociedade que reconhece a dignidade humana deve criar condições para que mais pessoas possam crescer, aprender, trabalhar e desenvolver suas capacidades.

É importante observar também que o salmo não promete riqueza ou ascensão social automática a todas as pessoas que vivem na pobreza. Sua mensagem central é a soberania de Deus, que vê os humilhados e demonstra seu poder para transformar situações de exclusão e restaurar a dignidade.

 

A BÍBLIA NÃO NOS ENSINA A IGNORAR O SOFRIMENTO, MAS A AGIR

Quando olhamos para as Escrituras, encontramos palavras de encorajamento que nos chamam à coragem, à perseverança e à responsabilidade. O Senhor disse a Josué que fosse forte e corajoso (Josué 1:9). Em outras passagens, vemos o povo de Deus sendo convocado a agir com justiça, amar a misericórdia e andar humildemente com o Senhor (Miqueias 6:8).

Isso não significa que devemos ignorar as dificuldades enfrentadas por quem vive em condições de vulnerabilidade ou responsabilizar as próprias vítimas por seu sofrimento. A pobreza pode envolver circunstâncias complexas, injustiças, falta de oportunidades e situações que exigem apoio concreto.

A mensagem bíblica não é a de que devemos manter as pessoas dependentes de ajuda permanente, mas também não é a de que devemos abandonar quem precisa de auxílio. Somos chamados a acolher, socorrer e contribuir para que as pessoas tenham oportunidades de desenvolver suas capacidades e viver com dignidade.

O cuidado cristão pode envolver a distribuição de alimentos, o apoio às famílias, o acesso à educação, a formação profissional, a orientação e a criação de oportunidades de trabalho.

A compaixão não deve humilhar quem recebe ajuda. Deve reconhecer seu valor e respeitar sua capacidade de participar da construção da própria história.

É assim que compreendo a mensagem do Salmo 113: não é necessário que o príncipe seja lançado ao pó para que o necessitado encontre um lugar de honra. O que o texto celebra é a ação de Deus em favor daquele que estava excluído.

O Senhor levanta quem está caído!

 

JESUS CRISTO: A EXPRESSÃO DO CUIDADO DE DEUS PELA HUMANIDADE

Ao ler esse salmo, somos conduzidos a refletir sobre o ministério de Jesus Cristo.

Em Lucas 4:18-19, Jesus anuncia sua missão de proclamar boas-novas aos pobres, libertação aos cativos e restauração aos oprimidos. Seu ministério foi marcado pela aproximação de pessoas doentes, marginalizadas e desprezadas.

Jesus acolheu os que eram rejeitados, alimentou os famintos, aproximou-se dos enfermos e ensinou seus discípulos a servir. Ele não deixou de ser o Rei dos reis e Senhor dos senhores por se aproximar daqueles que sofriam. Pelo contrário, em seu ministério, vemos a grandeza de Deus revelada em amor, serviço e compaixão.

Em Lucas 1:52-53, o cântico de Maria também celebra o Deus que derruba poderosos de seus tronos, exalta os humildes e enche de bens os famintos. Essa linguagem revela a ação transformadora de Deus diante da arrogância, da injustiça e da miséria.

O evangelho que encontramos nas Escrituras nos chama a uma experiência de amor, mas também de respeito. As pessoas possuem dignidade e responsabilidade diante de Deus, inclusive quando fazem escolhas diferentes das nossas.

Somos chamados a testemunhar a fé cristã com convicção, sem transformar o cuidado em imposição ou a ajuda em instrumento de coerção. O amor cristão serve, acolhe, anuncia a verdade e respeita a dignidade das pessoas.

O Salmo 113 nos convida a viver o evangelho na prática. Nosso louvor precisa estar intimamente relacionado às nossas atitudes e a um coração disposto a obedecer ao Senhor.

 

LOUVAR A DEUS TAMBÉM SIGNIFICA LUTAR POR JUSTIÇA

Quando olhamos para a realidade em que vivemos, encontramos uma sociedade marcada pela desigualdade, pela indiferença e pela busca incessante por reconhecimento. Muitas vezes, as pessoas são valorizadas pelo dinheiro que possuem, pelo cargo que ocupam ou pela influência que exercem.

Diante dessa realidade, o Salmo 113 nos convida a rever a maneira como enxergamos o próximo e a alinhar nossas atitudes aos princípios da Palavra de Deus.

Como igreja do Senhor, somos chamados a fazer a diferença, a promover a justiça e a cuidar das pessoas.

Lembro-me de uma época em que muitas igrejas mantinham escolas e desenvolviam projetos sociais que alcançavam famílias inteiras. Essas iniciativas demonstravam que a missão cristã não precisava ficar restrita às atividades realizadas dentro do templo.

A educação, o cuidado social e o anúncio do evangelho podem caminhar juntos. A escola contribui para a formação das pessoas; os projetos sociais podem ajudar a enfrentar necessidades concretas; e a igreja pode oferecer acolhimento, ensino bíblico e oportunidades de serviço.

É preocupante quando consideramos que educação e igreja não combinam. Ao contrário, ensinar, formar, acolher e contribuir para o desenvolvimento humano podem ser expressões concretas do amor cristão.

O objetivo não é manter as pessoas em situação de dependência, mas oferecer ajuda responsável, fortalecer suas capacidades e ampliar suas oportunidades. Isso exige planejamento, compromisso, respeito e perseverança.

A própria Escritura nos orienta a praticar o bem, buscar oportunidades para ajudar e não nos cansarmos de fazer aquilo que é correto (Gálatas 6:9-10).

Por isso, precisamos compreender que o cuidado com o próximo não é uma atividade secundária para a igreja. Ele faz parte do testemunho que oferecemos ao mundo.

Quem tem conhecimento, ensine.

Quem tem recursos, compartilhe.

Quem exerce autoridade, aja com justiça.

Quem conquistou oportunidades, ajude outras pessoas a encontrá-las.

Quem pode acolher, abra as portas.

E quem anuncia o evangelho, demonstre por suas atitudes a mensagem que proclama.

 

O VERDADEIRO LOUVOR PRECISA TRANSFORMAR A NOSSA MANEIRA DE VIVER

A igreja que louva verdadeiramente também acolhe, reparte o pão, cuida dos vulneráveis, anuncia o evangelho e trabalha pela dignidade humana.

Não existe coerência quando cantamos sobre a bondade do Senhor, mas fechamos os olhos para a dor daqueles que estão próximos de nós.

Isso não significa que a igreja possa resolver sozinha todos os problemas sociais, nem que a responsabilidade pelo cuidado humano pertença exclusivamente às comunidades cristãs. Significa que temos uma contribuição importante a oferecer e que não devemos nos omitir diante das necessidades que podemos ajudar a enfrentar.

O Deus que reina nas alturas é o mesmo que vê o pobre no pó e o necessitado em sua humilhação. Essa verdade deve transformar nossa maneira de adorar, servir e nos relacionar com as pessoas.

Que o nosso louvor não seja apenas uma canção, mas uma vida transformada pela presença e pelo poder de Deus!

Que possamos crescer sem desprezar quem ainda está começando. Que nossas conquistas sejam acompanhadas de generosidade. Que o conhecimento nos torne mais responsáveis, que os recursos sejam usados com sabedoria e que a autoridade seja exercida com justiça.

E que aqueles que foram deixados para trás encontrem, por meio de nossa disposição para servir, apoio, oportunidades e respeito.

O verdadeiro louvor exalta a Deus e restaura a dignidade humana. Não precisamos diminuir ninguém para ajudar outra pessoa a crescer. Somos chamados a refletir, em nossa vida, o caráter do Deus que se importa com os que sofrem.

 

Que Deus abençoe ricamente o seu dia!

 

Cláudio Eduardo M Costa

Humanizando Compaixão

 

Leitura bíblica: Salmo 113 (NAA).

Referências para aprofundamento: Romanos 12:1-2; Josué 1:9; Miqueias 6:8; Lucas 1:52-53; Lucas 4:18-19; Gálatas 6:9-10.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

O LEGADO QUE DEIXAMOS COMEÇA COM A OBEDIÊNCIA AO SENHOR! - Salmo 112 -

 


O LEGADO QUE DEIXAMOS COMEÇA COM A OBEDIÊNCIA AO SENHOR

Salmo 112

 

Seus filhos e netos estão aprendendo sobre Deus a partir daquilo que você fala ou, principalmente, da maneira como você vive? O legado que deixamos para as próximas gerações não é construído apenas por palavras, conselhos ou ensinamentos. Ele também é formado pelas nossas escolhas, atitudes e pela maneira como demonstramos, no cotidiano, o valor de caminhar com o Senhor.

Hoje chegamos ao Salmo 112. Neste texto, encontramos ensinamentos sobre o temor do Senhor, a responsabilidade que temos diante das próximas gerações e a maneira como devemos enfrentar as dificuldades do mundo que nos cerca.

Em nenhum lugar a Bíblia nos promete uma vida sem dificuldades, problemas ou aflições. A fé cristã não é uma garantia de que tudo acontecerá conforme os nossos desejos. Ela nos ensina, porém, que não caminhamos sozinhos. O Senhor permanece conosco, orientando-nos por sua Palavra e ajudando-nos a compreender a sua vontade.

A verdadeira vitória, portanto, não está necessariamente na conquista de dinheiro, bens materiais ou posições de destaque. Ela está em uma vida que encontra sentido na presença de Deus, permanece firme em sua Palavra e procura viver de acordo com os seus mandamentos.

 

O LEGADO DE UMA VIDA QUE TEME AO SENHOR

O Salmo 112 começa com uma declaração que nos conduz ao centro da reflexão:

“Aleluia! Bem-aventurado é aquele que teme o SENHOR e tem grande prazer nos seus mandamentos. A sua descendência será poderosa na terra; a geração dos justos será abençoada.”

Salmo 112:1-2 — NAA

Quando lemos a palavra poderosa, é possível que nossa mente seja imediatamente conduzida aos modelos de poder que predominam na sociedade. Muitas vezes, o poder é associado à riqueza, à influência, à posição social ou à capacidade de impor a própria vontade. Em determinadas circunstâncias, ele é colocado acima da dignidade humana, como se o valor de uma pessoa pudesse ser medido por aquilo que possui ou pelo lugar que ocupa.

Entretanto, a perspectiva apresentada pelo Salmo 112 começa em outro lugar: o temor do Senhor e o prazer em seus mandamentos.

Tudo começa quando reconhecemos quem Deus é. Temer ao Senhor não significa viver aterrorizado diante dele, mas honrá-lo, reverenciá-lo e reconhecer que ele é o Criador e Senhor de todas as coisas. Significa compreender que a nossa vida não deve ser conduzida apenas pelos desejos pessoais, pelas pressões sociais ou pelos valores de um mundo que frequentemente se distancia da vontade de Deus.

O salmista destaca que a pessoa bem-aventurada encontra prazer nos mandamentos do Senhor. Não se trata simplesmente de conhecer a Palavra, mas de permitir que ela oriente nossas decisões, transforme nosso caráter e molde nossa maneira de tratar as pessoas.

É nesse sentido que precisamos compreender o legado deixado para nossos filhos, netos e para aqueles que virão depois de nós. O maior legado cristão não consiste apenas naquilo que acumulamos, mas nos valores que vivemos diante de Deus e transmitimos às próximas gerações.

Isso não significa que podemos garantir todas as escolhas futuras de nossos descendentes ou controlar o caminho que eles seguirão. Cada pessoa é responsável por suas próprias decisões. Entretanto, somos responsáveis pelo testemunho que oferecemos, pelos princípios que ensinamos e pelo exemplo que deixamos.

A bênção mencionada no Salmo 112 não deve ser reduzida à promessa de riqueza, sucesso ou ausência de problemas. O texto nos convida a reconhecer o valor de uma vida orientada pelo Senhor e a influência que a justiça, a fidelidade e a obediência podem exercer sobre uma geração.

 

TEMER AO SENHOR É RECONHECER QUEM ELE É

Temer ao Senhor também significa reconhecer sua autoridade e responder a ele com gratidão. Deus nos criou com a capacidade de fazer escolhas, mas nossas decisões produzem consequências. Por isso, precisamos perguntar a nós mesmos: que tipo de escolhas estamos fazendo neste tempo? E que exemplo estamos oferecendo àqueles que aprendem conosco?

Como podemos tratar como algo normal a desvalorização da família, a violência que alcança tantas comunidades e a perda de respeito pela dignidade humana? Como podemos permanecer indiferentes diante das guerras, da fome e do sofrimento de tantas pessoas?

Não podemos resolver todos os problemas do mundo individualmente, mas também não podemos usar essa limitação como justificativa para a indiferença. A fé bíblica nos chama a reconhecer o sofrimento, praticar a justiça, exercer a misericórdia e assumir nossa responsabilidade diante do próximo.

O temor do Senhor precisa ultrapassar o discurso religioso e alcançar a vida cotidiana. Ele deve influenciar a maneira como educamos nossos filhos, tratamos nossos familiares, conduzimos nossos relacionamentos, utilizamos nossos recursos e nos posicionamos diante das injustiças.

Se desejamos deixar um legado de fé, precisamos demonstrar que obedecer a Deus não é apenas uma prática de domingo, mas um compromisso que alcança todas as áreas da vida.

 

UM CORAÇÃO FIRME EM TEMPOS DE MÁS NOTÍCIAS

Ao avançarmos na leitura do Salmo 112, encontramos uma declaração especialmente importante para os dias em que vivemos:

“Não se atemoriza de más notícias; o seu coração é firme, confiante no SENHOR.”

Salmo 112:7 — NAA

As más notícias estão presentes em nossa rotina. Elas chegam pelas redes sociais, pelos jornais eletrônicos, pela televisão e pelas conversas do dia a dia. Somos constantemente confrontados com relatos de violência, conflitos, corrupção, fome, sofrimento familiar e tantas outras situações que provocam indignação, tristeza e insegurança.

Diante desse cenário, podemos nos perguntar: como preservar a esperança quando tantas notícias parecem apontar para um futuro incerto?

O salmista não está afirmando que a pessoa que confia em Deus nunca sentirá tristeza, preocupação ou angústia. Tampouco está ensinando que devemos ignorar os acontecimentos ao nosso redor. O que ele destaca é que a confiança no Senhor pode sustentar o coração mesmo quando as circunstâncias são difíceis.

Confiar em Deus não significa fechar os olhos para a realidade; significa enfrentá-la sem permitir que o medo ocupe o lugar da nossa esperança.

Precisamos aprender a discernir as informações que recebemos, evitar a disseminação de notícias falsas, não alimentar o ódio e não permitir que a exposição constante à violência nos torne insensíveis à dor humana. A esperança cristã não é uma fuga do mundo, mas uma maneira de viver nele com fé, responsabilidade e compaixão.

A realidade pode ser difícil, mas as más notícias não têm a palavra final sobre a nossa história. Nossa confiança está no Senhor, que nos chama a permanecer firmes e a agir de acordo com os valores do seu Reino.

 

DEUS VALORIZA A VIDA HUMANA

Se a nossa esperança está no Senhor, precisamos olhar para aquilo que ele valoriza. A vida humana não pode ser tratada como descartável, nem sua dignidade pode depender da idade, da condição econômica, da saúde, da posição social ou da capacidade de produzir.

Da concepção à velhice, cada etapa da existência humana merece respeito e cuidado. Crianças, jovens, adultos e idosos precisam ser vistos com dignidade. A fé cristã nos convida a reconhecer o valor da vida e a desenvolver uma atitude de responsabilidade diante daqueles que se encontram em situações de vulnerabilidade.

Essa convicção está profundamente relacionada ao Evangelho. Deus não permaneceu distante da humanidade em seu sofrimento. Em Jesus Cristo, aproximou-se de nós e revelou seu amor de maneira extraordinária.

Jesus morreu na cruz pelos nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia. Sua morte e ressurreição anunciam a vitória sobre o pecado e a morte e fundamentam nossa esperança na vida eterna. Por meio dele, somos convidados à reconciliação com Deus e a uma nova maneira de viver.

O mundo precisa de esperança, verdade e amor. Precisa de pessoas que não se conformem com a banalização da violência, que não se alegrem com o sofrimento alheio e que compreendam que a dignidade humana deve ser respeitada.

Mas essa transformação também exige a participação dos cristãos. Não basta afirmar que cremos na Palavra de Deus; precisamos demonstrar, por meio de nossas atitudes, que o Evangelho transforma nossa maneira de enxergar e tratar as pessoas.

 

O SALMO 112 E O CAMINHO APRESENTADO PELO SALMO 1

Ao refletir sobre o Salmo 112, lembro-me do primeiro Salmo, que nos convida a pensar sobre as escolhas que fazemos e o caminho que decidimos seguir.

A fé cristã não nos autoriza a considerar-nos superiores aos demais. Somos chamados a viver de maneira diferente não por orgulho ou arrogância, mas porque desejamos submeter nossa vida à vontade de Deus e testemunhar o amor de Cristo.

O Salmo 1 apresenta essa escolha com clareza:

“Bem-aventurado é aquele que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Pelo contrário, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.” Salmo 1:1-2 — NAA

Observe a relação entre os dois salmos. No Salmo 112, encontramos a pessoa que teme ao Senhor e tem prazer em seus mandamentos. No Salmo 1, vemos alguém que encontra satisfação na lei do Senhor e permite que ela oriente seu caminho.

Nos dois textos, a Palavra de Deus ocupa um lugar central. Não basta ouvir o que o Senhor diz; precisamos permitir que seus ensinamentos influenciem nossas decisões.

Isso significa escolher com cuidado os conselhos que aceitamos, os caminhos que seguimos e os valores que alimentamos. Significa também reconhecer que não somos imunes aos erros e que precisamos constantemente retornar às Escrituras para examinar nosso coração e corrigir nossa direção.

O legado que deixamos começa com essas decisões diárias. Começa quando escolhemos a verdade em lugar da mentira, a compaixão em lugar da indiferença, a justiça em lugar da conveniência e a obediência ao Senhor em lugar de uma vida conduzida apenas pelos desejos pessoais.

Nossos filhos e netos precisam ouvir sobre Deus, mas também precisam perceber, em nossa maneira de viver, que a Palavra do Senhor é digna de confiança.

 

A COISA ESTÁ DIFÍCIL, MAS NÃO É O FIM DA HISTÓRIA

Talvez você esteja olhando para a realidade ao seu redor e se perguntando como será o futuro de sua família, de seus filhos, de seus netos e das próximas gerações. Talvez as notícias tenham produzido medo, cansaço ou desânimo em seu coração.

O Salmo 112 nos convida a renovar nossa confiança no Senhor. Não porque todas as dificuldades desaparecerão imediatamente, mas porque nossa esperança não está limitada às circunstâncias presentes.

A obediência a Deus não é uma fórmula para controlar o futuro. É uma resposta de amor e confiança àquele que nos criou, nos sustenta e nos chama a viver segundo sua Palavra.

Por isso, continue ensinando, orando, cuidando e dando um testemunho coerente com a fé que você professa. Não subestime o valor de uma atitude de amor, de uma palavra verdadeira, de um gesto de generosidade ou de uma decisão tomada em fidelidade ao Senhor.

A coisa pode estar difícil, mas não é o final da história. Nossa esperança está em Jesus Cristo, que venceu a morte e nos convida a viver na presença de Deus.

Que o Senhor nos ajude a construir um legado que não seja medido pelo dinheiro acumulado ou pelos bens conquistados, mas pela fidelidade com que caminhamos com ele e pelo amor que demonstramos às pessoas.

Que nossos filhos, netos e as próximas gerações encontrem em nossa vida sinais de uma fé verdadeira: uma fé que ama a Palavra, pratica a justiça, valoriza a vida humana e permanece firme mesmo diante das más notícias.

Que Deus abençoe poderosamente a sua vida e lhe conceda sabedoria para deixar um legado que glorifique o nome dele.

 

Cláudio Eduardo M. Costa

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

GRANDES SÃO AS OBRAS DO SENHOR! — Salmo 111 — ¡Grandes son las obras del Señor! — Salmo 111 —

 


GRANDES SÃO AS OBRAS DO SENHOR!

A criação, a vida humana e a sabedoria que vem de Deus

— Salmo 111



Estamos na jornada dos 150 dias lendo o livro de Salmos, e hoje chegamos ao Salmo 111. Este salmo nos convida a contemplar a grandeza das obras do Senhor, reconhecer a sua justiça e compreender que a verdadeira sabedoria começa no temor de Deus.

Quero começar nossa reflexão com uma pergunta: quem realmente reconhece a grandeza de Deus? Aqueles que apenas contemplam as suas obras ou aqueles que também compreendem o valor da vida humana e assumem a responsabilidade de cuidar da criação?

Quando pensamos na criação de Deus, muitas vezes ficamos maravilhados com a beleza da natureza. Olhamos para o céu, contemplamos o mar, ouvimos o som das ondas e sentimos a brisa suave que toca o nosso rosto. Admiramos as árvores, observamos os pássaros voando e nos encantamos com a diversidade de cores, formas e sons que encontramos no mundo criado pelo Senhor.

A criação é marcada por beleza, diversidade e vida. Entretanto, em meio a tanta contemplação, podemos cometer um equívoco: esquecer que também fazemos parte dessa criação.

O SER HUMANO NÃO ESTÁ SEPARADO DA OBRA DE DEUS. NÓS FAZEMOS PARTE DELA!

Em Gênesis 1:26-28, a Bíblia nos ensina que Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança e lhe confiou responsabilidades em relação à criação. Em Gênesis 2:15, encontramos o ser humano colocado no jardim para o cultivar e guardar. Portanto, cuidar da criação também faz parte da responsabilidade que recebemos do Criador.

Fomos criados para viver em relacionamento com Deus, construir vínculos, constituir famílias e desenvolver nossa existência diante dele. A vida humana possui uma dignidade singular porque o próprio Deus nos criou à sua imagem.

Por isso, quando admiramos as montanhas, os rios, as florestas, os mares e os animais, não podemos nos esquecer de homens, mulheres e crianças. O ser humano também é parte da criação do Senhor e deve ser tratado com respeito, cuidado e dignidade.

 

O PECADO DISTORCEU A NOSSA RELAÇÃO COM O CRIADOR

Ao contemplarmos a criação, também precisamos reconhecer uma realidade dolorosa: o pecado afetou profundamente a relação do ser humano com Deus, com o próximo e com o mundo criado.

Em vez de cuidarmos, muitas vezes destruímos. Em vez de promovermos a justiça, praticamos a violência. Em vez de protegermos os mais vulneráveis, permitimos que a indiferença e a desigualdade comprometam a dignidade de tantas pessoas.

Mas a história bíblica não termina na queda. O Deus que criou o ser humano também tomou a iniciativa de nos reconciliar consigo mesmo.

Em Jesus Cristo, o Filho de Deus assumiu a nossa humanidade, experimentou o sofrimento, sentiu a dor, chorou diante da morte e enfrentou a cruz por causa dos nossos pecados. Aquele que não tinha pecado entregou a própria vida para nos reconciliar com Deus.

Na cruz, Jesus declarou: “Está consumado!” (João 19:30, NAA). Sua obra redentora tornou possível a nossa reconciliação com o Pai. Por meio dele, recebemos o privilégio de nos aproximarmos de Deus, conforme Hebreus 10:19-22, e de sermos chamados filhos de Deus, como ensina João 1:12.

Ao terceiro dia, Jesus ressuscitou, conforme 1 Coríntios 15:3-4. A ressurreição anuncia que a morte não terá a palavra final e fundamenta a esperança cristã na vida eterna.

O Evangelho nos lembra, assim, que a vida não deve ser tratada como algo descartável. Somos chamados a viver diante de Deus, com esperança, responsabilidade e amor pelo próximo.

 

GRANDES SÃO AS OBRAS DO SENHOR!

Vamos voltar ao Salmo 111.

Nos três primeiros versículos, o salmista começa com uma convocação ao louvor e declara a grandeza das obras do Senhor. Ele louva a Deus de todo o coração, na companhia dos justos e na assembleia, reconhecendo que as obras divinas são grandes e merecem ser examinadas por aqueles que encontram nelas a sua alegria.

“Aleluia! De todo o coração louvarei o Senhor, na companhia dos justos e na assembleia. Grandes são as obras do Senhor, consideradas por todos os que se alegram por causa delas. Em suas obras há glória e majestade, e a sua justiça permanece para sempre. Salmos 111:1-3 | NAA

Observe que o salmista não trata a adoração como uma experiência superficial. Seu louvor envolve o coração, a comunidade e o reconhecimento das obras de Deus.

Adorar ao Senhor significa reconhecer quem ele é, celebrar sua fidelidade e aprender a enxergar a vida à luz de sua vontade.

Quando contemplamos a natureza, podemos reconhecer sinais da grandeza, da sabedoria e do poder do Criador. Quando observamos a vida humana, somos igualmente confrontados com a responsabilidade de respeitar a dignidade daqueles que foram criados à imagem de Deus.

Não podemos louvar o Criador e, ao mesmo tempo, permanecer indiferentes à sua criação.

Não podemos cantar sobre o amor de Deus e ignorar o sofrimento de pessoas que precisam de alimento, moradia, proteção, educação, justiça e acolhimento.

A verdadeira adoração não se limita às palavras pronunciadas em uma reunião religiosa. Ela também se manifesta na maneira como vivemos, tratamos as pessoas e exercemos nossas responsabilidades diante de Deus.

 

A DIGNIDADE DA VIDA HUMANA FAZ PARTE DESSA REFLEXÃO

Quando olhamos para a realidade do nosso mundo, encontramos guerras, violência, fome, injustiça, exploração e tantas situações que ameaçam a vida humana. Vemos crianças vulneráveis, famílias sem recursos para atender às necessidades básicas e pessoas que têm sua dignidade negada.

Diante dessa realidade, a fé cristã não pode permanecer indiferente.

A Bíblia afirma que o ser humano foi criado à imagem de Deus (Gênesis 1:26-27). Essa verdade fundamenta o nosso compromisso com a dignidade de cada pessoa, independentemente de sua condição social, origem, idade ou capacidade.

Também encontramos nas Escrituras uma valorização profunda da vida ainda no ventre materno. O Salmo 139:13-16 apresenta a vida humana diante do conhecimento e do cuidado de Deus, enquanto Lucas 1:41-44 descreve o encontro de Maria com Isabel e a reação da criança em seu ventre.

À luz dessas passagens, compreendo que a vida humana, desde a concepção até o seu fim natural, merece proteção, cuidado e dignidade. Essa convicção deve nos conduzir não apenas à defesa da vida, mas também à responsabilidade de amparar mães, crianças, famílias e pessoas em situação de vulnerabilidade.

Defender a vida significa trabalhar para que ela seja acompanhada de condições dignas de existência. Significa combater a violência, promover a justiça, acolher quem sofre e cuidar daqueles que não conseguem defender seus próprios direitos.

Não basta afirmar que a vida tem valor. Precisamos demonstrar esse valor por meio de atitudes concretas.

O ser humano foi criado para viver em relacionamento com Deus e com o próximo. Por isso, somos chamados a promover uma sociedade mais justa, solidária e comprometida com a dignidade humana.

A criação que celebramos no Salmo 111 inclui o mundo natural que devemos preservar e as pessoas que devemos amar e proteger.

 

A SABEDORIA COMEÇA NO TEMOR DO SENHOR

Ao chegarmos ao versículo 10, encontramos uma das afirmações mais conhecidas deste salmo:

“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Salmo 111:10, NAA).

Temer ao Senhor não significa viver dominado pelo pavor, mas reconhecer sua santidade, respeitar sua autoridade e orientar a vida segundo a sua Palavra.

A verdadeira sabedoria começa quando deixamos de colocar nossa própria vontade no centro de todas as coisas e aprendemos a discernir a vida à luz dos propósitos de Deus.

Quando compreendemos a grandeza do Criador, também entendemos melhor as nossas responsabilidades. Aprendemos que não somos donos absolutos da vida, que nossas escolhas afetam outras pessoas e que devemos agir com justiça, prudência e compaixão.

O salmista relaciona o temor do Senhor à sabedoria e à prudência. Isso nos ensina que conhecer a Palavra de Deus deve produzir mudanças concretas em nossa maneira de viver.

A sabedoria bíblica nos desafia a cuidar da natureza, respeitar a vida, combater a injustiça e agir com responsabilidade diante das necessidades do próximo.

“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; conhecer o Santo é ter entendimento”. Provérbios 9:10 | NAA

 

GRANDES SÃO AS OBRAS DO SENHOR: QUAL É A NOSSA RESPOSTA?

Ao concluirmos esta reflexão sobre o Salmo 111, quero deixar três convites para você.

Primeiro, admire a criação de Deus. Reserve tempo para contemplar a natureza e reconhecer a grandeza do Criador.

Segundo, cuide da criação. Faça a sua parte na preservação do meio ambiente e no uso responsável dos recursos que Deus nos confiou.

Terceiro, defenda a dignidade da vida humana. Não permaneça indiferente diante da fome, da violência, da exploração e de toda forma de injustiça. Procure maneiras concretas de acolher, servir e promover a dignidade das pessoas.

Esses compromissos não substituem a adoração a Deus; são expressões de uma vida que deseja honrá-lo.

 

Quero que você guarde esta verdade no coração:

A minha vida tem valor diante de Deus, e a vida do meu próximo também tem valor.

 

Por quê? Porque fomos criados à imagem do Criador e porque, em Jesus Cristo, encontramos a expressão suprema do amor de Deus por nós. Ele entregou sua vida por nossos pecados e ressuscitou para nos oferecer esperança.

Que o reconhecimento da grandeza das obras do Senhor transforme a nossa maneira de olhar para o mundo, para a natureza e para as pessoas.

Que não sejamos apenas admiradores da criação, mas também cuidadores responsáveis dela. Que não sejamos apenas ouvintes da Palavra, mas pessoas que praticam a justiça, exercitam a compaixão e defendem a dignidade humana.

E que a nossa vida seja marcada pela sabedoria que começa no temor do Senhor.

Que Deus abençoe você, sua família e os desafios desta semana. Continue caminhando conosco nesta jornada de leitura e reflexão bíblica.

 

Grandes são as obras do Senhor! Que a nossa vida também seja uma expressão de louvor ao Criador.

 

Um abraço, fique com Deus e até a próxima reflexão!

 

Cláudio Eduardo M Costa

Humanizando Compaixão

Série: 150 Dias Lendo o Livro de Salmos

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