ENTRE
A JUSTIÇA E A MISERICÓRDIA...
JOSUÉ
20
Quando
alguém erra, devemos buscar vingança ou justiça?
Essa é
uma pergunta importante para os nossos dias. Vivemos em uma época em que muitas
pessoas são julgadas e condenadas nas redes sociais antes mesmo que os fatos
sejam devidamente apurados. Muitas vezes, a opinião pública chega a um veredito
antes que a própria justiça tenha a oportunidade de investigar o caso.
Mas é
sobre algo ainda maior que quero conversar com você hoje.
Estamos
lendo o livro de Josué e chegamos ao capítulo 20, que nos apresenta a
instituição das cidades de refúgio.
Quando
o povo de Israel finalmente entrou em Canaã, essas cidades, que já faziam parte
dos planos de Deus, tornaram-se uma realidade. Elas não existiam para acobertar
crimes, mas para garantir que houvesse um julgamento justo diante do Senhor.
Ao
olhar para as cidades de refúgio, vejo Deus ensinando ao Seu povo princípios
fundamentais de justiça, misericórdia e responsabilidade.
Josué
20 nos ensina a diferença entre justiça e vingança.
Nós
não fomos chamados para viver com o coração cheio de vingança. Pelo contrário,
fomos chamados para viver em amor.
O
texto diz:
"A
pessoa que, sem querer ou por engano, matar alguém poderá fugir para uma dessas
cidades, para escapar do parente da vítima, que está procurando vingança."
(Josué 20:3 – NTLH)
Naquela
época não existia um sistema jurídico organizado como temos atualmente no
Brasil. Não havia tribunais estruturados, promotores, defensores públicos ou
juízes como conhecemos hoje.
Mas é
extraordinário perceber que Deus já ensinava princípios que continuam sendo
fundamentais para a justiça moderna.
Deus
fazia distinção entre quem praticava um ato intencionalmente e quem causava um
dano sem intenção.
A
pessoa acusada tinha direito à proteção até que seu caso fosse devidamente
analisado.
O
texto continua:
"O
fugitivo irá ao lugar de julgamento na entrada da cidade e explicará aos
líderes o que aconteceu." (Josué 20:4a – NTLH)
Observe
que estar em uma cidade de refúgio não significava escapar da justiça.
Pelo
contrário.
Deus
não estava ignorando o crime.
Deus
não estava incentivando a vingança.
Havia
proteção, mas também havia julgamento.
Havia
acolhimento, mas também investigação.
O
texto prossegue dizendo:
"Eles
protegerão o fugitivo porque matou alguém sem querer e não por ódio."
(Josué 20:5b – NTLH)
Aqui
encontramos um dos princípios mais importantes da justiça bíblica: existe
diferença entre um ato cometido com intenção e um ato cometido sem intenção.
Deus
considera os fatos, as circunstâncias e as motivações.
Quando
observamos a legislação brasileira, encontramos um princípio semelhante.
O
homicídio doloso ocorre quando existe intenção de matar.
Já o
homicídio culposo acontece quando a morte ocorre sem intenção, geralmente por
negligência, imprudência ou imperícia.
Perceba
como esse princípio já estava presente na Palavra de Deus há milhares de anos.
Mas há
outra lição importante nesse texto.
Deus
não admite a vingança como instrumento de justiça.
O
Senhor não autoriza que a dor, a ira ou o desejo de retribuição sejam os
critérios para condenar alguém.
É
necessário ouvir.
É
necessário investigar.
É
necessário julgar com justiça.
No
Novo Testamento, Jesus amplia esse ensino quando nos chama a abandonar o
espírito de vingança.
Ele
disse:
"Não
se vinguem dos que fazem mal a vocês."
(Mateus 5:39 – NTLH)
O
apóstolo Paulo reforça essa verdade ao escrever:
"Meus
queridos amigos, não se vinguem de ninguém. Deixem que seja Deus quem dê o
castigo." (Romanos 12:19a – NTLH)
Isso
não significa ausência de justiça.
Significa
que a justiça deve ser exercida corretamente, e não movida pelo ódio, pela ira
ou pelos sentimentos humanos.
No
caso do povo de Israel, ela deveria seguir a Lei de Deus.
No
nosso contexto atual, deve seguir os princípios estabelecidos pela lei e pelas
autoridades constituídas.
Mas
quando olho para as cidades de refúgio, vejo algo ainda mais profundo.
Elas
apontam para Cristo.
Assim
como aquelas cidades acolhiam pessoas que buscavam proteção e julgamento justo,
nós também temos um refúgio.
Quando
buscamos Jesus Cristo como Senhor e Salvador, encontramos perdão, proteção,
graça e salvação.
A
punição pelos nossos pecados foi colocada sobre Ele na cruz.
Ele
carregou a nossa culpa.
Ele
pagou o preço da nossa condenação.
Ele
nos ofereceu uma nova vida.
Vivemos
em uma sociedade marcada por julgamentos precipitados, condenações rápidas e
desejo de vingança.
Como
cristãos, somos chamados a fazer a diferença.
Devemos
clamar por justiça, mas nunca por ódio.
Devemos
defender a verdade, mas nunca alimentar a vingança.
Devemos
ser conhecidos como a comunidade do amor.
Porque
Deus é amor.
Jesus
é amor.
E
aqueles que pertencem a Deus devem viver em amor.
Amor
pelos que estão dentro da igreja.
Amor
pelos que estão fora dela.
Amor
por aqueles que concordam conosco.
E amor
até mesmo por aqueles que nos ofendem.
Afinal,
a maior demonstração de amor da história foi dada pelo próprio Deus.
A
Bíblia declara:
"Porque
Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que
nele crer não morra, mas tenha a vida eterna." (João
3:16 – NTLH)
Que
possamos encontrar em Cristo o nosso refúgio e aprender a viver equilibrando
justiça, misericórdia e amor.
Lembre-se:
A
justiça de Deus nunca ignora a verdade, mas a Sua misericórdia nunca abandona
quem busca refúgio nEle.
Que
Deus abençoe o seu dia!
Cláudio
Eduardo M. Costa