quinta-feira, 9 de julho de 2026

O SENHOR DEFENDE OS OPRIMIDOS E JULGA COM JUSTIÇA... - Salmo 9 - - - - - The Lord defends the oppressed and judges with justice... – Psalm 9 –

 


O SENHOR DEFENDE OS OPRIMIDOS E JULGA COM JUSTIÇA...

Salmo 9

 

Vivemos em um mundo marcado por guerras, violência, fome, injustiça e sofrimento. Basta ligar a televisão, acessar um portal de notícias ou abrir as redes sociais para sermos confrontados com histórias que entristecem o coração.

Diante dessa realidade surge uma pergunta difícil, mas inevitável:

Se Deus é um Deus de justiça, por que ainda existe tanto sofrimento no mundo?

Essa não é uma pergunta nova. Ao longo da história, homens e mulheres de fé também enfrentaram essa inquietação. O próprio Davi viveu cercado por guerras, perseguições, traições e inúmeras injustiças. Ainda assim, ao escrever o Salmo 9, ele declara sua confiança absoluta no Senhor.

Estamos na jornada dos 150 Dias de Leitura do Livro de Salmos, e hoje chegamos ao Salmo 9, um cântico que nos lembra de duas grandes verdades: Deus é o Justo Juiz e o Refúgio dos que sofrem.


Um coração que escolhe louvar

Não sabemos exatamente qual foi o episódio que motivou Davi a escrever este salmo. Talvez tenha sido uma vitória contra os filisteus, uma das perseguições de Saul ou algum outro grande livramento.

Uma coisa, porém, é certa: Davi jamais atribuiu suas vitórias à própria força.

Ele sabia que sua segurança vinha do Senhor.

Por isso, o salmo começa com uma declaração de gratidão:

"Eu te louvarei, Senhor, de todo o meu coração; contarei todas as tuas maravilhas."  (Salmo 9.1 – NAA)

Que maneira extraordinária de começar um novo dia!

Imagine acordar todas as manhãs repetindo essa oração:

"Eu te louvarei, Senhor, de todo o meu coração."

Quantas maravilhas Deus já realizou em sua vida?

Talvez você tenha acordado hoje respirando, com saúde, cercado por pessoas que ama ou simplesmente com a oportunidade de recomeçar.

Essas também são maravilhas do Senhor.

A gratidão transforma nossa maneira de enxergar a vida.


Deus continua no controle

À primeira vista, pode parecer que a injustiça venceu.

Os maus prosperam.

Os inocentes sofrem.

Os violentos parecem permanecer impunes.

Mas o Salmo 9 nos lembra que Deus nunca perde o controle da história.

Ele conhece cada lágrima.

Conhece cada injustiça escondida.

Conhece cada ato de violência.

Conhece cada coração sincero.

O julgamento do Senhor pode não acontecer no tempo que desejamos, mas sempre acontecerá no tempo perfeito de Deus.

Por isso, nossa esperança não está na aparência das circunstâncias, mas no caráter imutável do Senhor.


O Senhor é o Justo Juiz

Uma das grandes mensagens do Salmo 9 é que Deus governa com justiça.

Seu tribunal não é influenciado por interesses humanos.

Ele não aceita suborno.

Não comete erros.

Não julga pela aparência.

Seu julgamento é perfeito.

Essa verdade consola todos aqueles que sofreram injustiças.

Mesmo quando a justiça humana falha, Deus continua sendo o Justo Juiz.

Nada escapa aos seus olhos.

Nada ficará sem resposta.


O Senhor é refúgio para os aflitos

A segunda grande verdade do Salmo aparece nos versículos 9 e 10:

"O Senhor é também alto refúgio para o oprimido, refúgio nas horas de tribulação. Em ti, pois, confiam os que conhecem o teu nome, porque tu, Senhor, não desamparas os que te buscam." (Salmo 9.9-10 – NAA)

Observe que Davi fala em "horas de tribulação".

A vida possui momentos difíceis.

Existem dias em que o sofrimento parece não ter fim.

Mas Deus nunca permanece indiferente à dor humana.

Ele vê.

Ele escuta.

Ele acolhe.

Ele fortalece.

Quem coloca sua esperança no Senhor jamais caminha sozinho.


Jesus: o Justo Juiz e o Salvador misericordioso

No Novo Testamento, compreendemos ainda melhor essa verdade.

Jesus é apresentado como aquele a quem o Pai confiou todo julgamento.

Ele mesmo declarou:

"E o Pai não julga ninguém, mas confiou todo julgamento ao Filho, para que todos honrem o Filho do modo por que honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou." (João 5.22-23 – NAA)

Cristo é o Justo Juiz.

Mas antes de revelar plenamente sua justiça, revelou ao mundo a compaixão do Pai.

Ele curou os enfermos.

Acolheu os excluídos.

Consolou os aflitos.

Perdoou pecadores.

Alimentou multidões.

Anunciou esperança aos pobres.

Seu ministério mostrou que a justiça de Deus nunca está separada do amor e da misericórdia.

Por isso, Ele faz um convite que continua ecoando até hoje:

"Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei." (Mateus 11.28 – NAA)

Em Jesus encontramos não apenas o Juiz justo, mas também o Salvador que acolhe, restaura e oferece descanso para a alma.


E o sofrimento do mundo?

Voltamos, então, à pergunta inicial:

Se Deus é um Deus de justiça, por que ainda existe tanto sofrimento no mundo?

A Bíblia nos mostra que o sofrimento é consequência da entrada do pecado na criação (Gn 3). Vivemos em um mundo marcado pela rebelião contra Deus, e isso afeta pessoas, relacionamentos, sociedades e toda a criação.

Mas existe também uma pergunta que precisa ser feita à Igreja:

Onde está o povo de Deus?

O que temos feito para aliviar o sofrimento daqueles que vivem ao nosso redor?

Será que temos enxergado os invisíveis da nossa sociedade?

Será que temos ouvido o clamor dos pobres, dos órfãos, das viúvas, dos refugiados, dos enfermos e dos esquecidos?

Esperar pela justiça definitiva de Deus não significa permanecer indiferente diante da dor humana.

Pelo contrário.

Somos chamados a refletir o caráter de Cristo, sendo instrumentos de justiça, misericórdia e compaixão onde Deus nos colocou.

Enquanto aguardamos o dia em que o Senhor julgará definitivamente todas as coisas, somos enviados para amar, servir, acolher e anunciar o Evangelho.


Aplicações para nossa vida

O Salmo 9 nos deixa desafios muito práticos.

Primeiro, escolha começar cada dia com gratidão, lembrando das maravilhas que Deus já realizou.

Segundo, confie que Deus continua governando a história, mesmo quando a injustiça parece prevalecer.

Terceiro, faça do Senhor o seu refúgio nas horas de tribulação.

Quarto, siga o exemplo de Jesus, levando esperança, cuidado e compaixão às pessoas que sofrem.

A fé cristã não nos afasta da dor do mundo.

Ela nos envia ao encontro daqueles que precisam experimentar o amor de Deus.


Conclusão

O Salmo 9 nos lembra que Deus jamais abandona os que nele confiam.

Ele continua sendo o Justo Juiz.

Continua sendo o Refúgio dos aflitos.

Continua governando a história.

Talvez hoje você esteja vivendo um tempo de injustiça, sofrimento ou angústia.

Lembre-se desta promessa:

"O Senhor é também alto refúgio para o oprimido, refúgio nas horas de tribulação." (Salmo 9.9 – NAA)

Confie no Senhor.

Entregue sua causa ao Justo Juiz.

E enquanto espera pela manifestação plena da justiça de Deus, seja também um instrumento de compaixão, esperança e amor neste mundo tão marcado pela dor.

Que o Senhor fortaleça sua fé e faça de sua vida um testemunho vivo da justiça e da misericórdia de Cristo.


Cláudio Eduardo M. Costa
Pastor, servo de Cristo e coordenador do Projeto Caminhada Bíblica e do Blog Humanizando Compaixão.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

PEQUENOS DIANTE DO UNIVERSO, GRANDES DIANTE DE DEUS... - Salmo 8 - - - - - - Small before the universe, great before God... – Psalm 8 –


 

PEQUENOS DIANTE DO UNIVERSO, GRANDES DIANTE DE DEUS

Salmo 8

 

Você já parou para contemplar o céu durante a noite? Em uma noite sem nuvens, quando a lua ilumina o firmamento e milhares de estrelas enchem nossos olhos de admiração, é quase impossível não refletir sobre a imensidão do universo. Diante dessa grandeza, percebemos o quanto somos pequenos. Ao mesmo tempo, somos lembrados de uma verdade extraordinária: o Deus que criou todas as coisas nos criou à sua imagem e semelhança.

Olhar para o céu, contemplar a natureza e observar o mundo ao nosso redor nos leva à certeza de que toda essa perfeita harmonia não surgiu por acaso. Existe um Criador sábio, poderoso e perfeito que fez todas as coisas com excelência.

 

A excelência do Criador

O primeiro capítulo de Gênesis apresenta a criação como uma obra cuidadosamente planejada. Deus preparou os céus, organizou a terra, separou as águas, fez surgir a vegetação, criou os astros e os seres vivos. Somente depois de tudo pronto criou o ser humano.

A Bíblia declara:

"Assim Deus criou o ser humano à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou." (Gênesis 1.27 – NAA)

Que privilégio extraordinário! Não somos maiores do que o Criador, mas fomos criados para refletir sua imagem. Deus nos concedeu inteligência, capacidade de amar, criatividade, liberdade e o privilégio de nos relacionarmos com Ele.

Estamos na jornada dos 150 Dias de Leitura do Livro de Salmos, e chegamos ao Salmo 8. Ao lê-lo, gosto de imaginar Davi em uma noite tranquila, talvez deitado sobre a relva, contemplando o céu estrelado. Aquele cenário desperta nele uma profunda adoração, transformada em um dos mais belos poemas das Escrituras.

 

O centro da nossa adoração

O Salmo começa com uma declaração de louvor:

"Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome! Pois expuseste nos céus a tua majestade."

(Salmo 8.1 – NAA)

É interessante observar que o salmo termina exatamente com essa mesma declaração (Salmo 8.9). Davi inicia e encerra sua poesia exaltando a grandeza de Deus.

Isso nos ensina que o centro da nossa adoração nunca deve ser o ser humano, mas o Senhor, Criador dos céus e da terra.

Toda a criação existe para revelar sua majestade.

 

A criação revela a glória de Deus

Ao contemplar os céus, Davi reconhece que toda a natureza testemunha a existência do Criador.

Séculos depois, o apóstolo Paulo reafirma essa verdade:

"Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis." (Romanos 1.20 – NAA)

Cada nascer do sol.

Cada montanha.

Cada oceano.

Cada estrela.

Tudo aponta para a glória de Deus.

A natureza não é objeto da nossa adoração; ela é um testemunho silencioso de que existe um Criador eterno e poderoso.

 

Deus manifesta sua grandeza nas pequenas coisas

O Salmo 8 também nos ensina que Deus costuma revelar seu poder por meio daquilo que parece pequeno.

Davi escreve:

"Da boca de pequeninos e crianças de peito suscitaste força, por causa dos teus adversários, para fazeres emudecer o inimigo e o vingador." (Salmo 8.2 – NAA)

Mais tarde, Jesus cita esse versículo quando as crianças o louvam no templo (Mateus 21.15-16).

Enquanto o mundo valoriza força, influência e prestígio, Deus frequentemente escolhe aquilo que parece insignificante para manifestar sua glória.

Pense, por exemplo, na abelha.

Ela é pequena e muitas vezes despercebida. Entretanto, sua organização impressiona, sua importância para a preservação da vida é extraordinária e o mel que produz é um presente precioso da criação.

Assim também acontece conosco.

Deus usa pessoas simples.

Deus usa corações disponíveis.

Não é a capacidade humana que impressiona o Senhor, mas uma vida inteiramente entregue a Ele.

 

Quem é o homem?

Chegamos ao ponto central do Salmo.

Davi contempla toda a imensidão do universo e faz uma pergunta que continua atual:

"Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, para que dele te lembres? E o filho do homem, para que o visites?"


(Salmo 8.3-4 – NAA)

Quanto mais conhecemos o universo, mais percebemos nossa pequenez.

Mas quanto mais conhecemos Deus, mais entendemos o nosso verdadeiro valor.

O Criador das galáxias conhece nosso nome.

Conhece nossa história.

Conhece nossas lágrimas.

Conhece nossas lutas.

Conhece nossos sonhos.

Isso é graça.

 

Nossa dignidade vem de Deus

Davi continua afirmando:

"Fizeste-o, no entanto, por um pouco menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste." (Salmo 8.5 – NAA)

Nossa dignidade não depende da profissão, da condição financeira ou da posição social.

Ela nasce do fato de termos sido criados pelo próprio Deus.

Toda vida humana possui valor.

Toda pessoa merece respeito.

Todo ser humano carrega a marca do Criador.

É verdade que o pecado deformou essa imagem, mas não eliminou a dignidade que Deus concedeu ao ser humano.

Por isso necessitamos de Jesus Cristo, o único capaz de restaurar plenamente nosso relacionamento com o Pai e nos reconciliar com Deus.

 

Mordomos da criação

Ao criar o ser humano, Deus também lhe confiou uma missão.

Administrar a criação.

Cuidar daquilo que pertence ao Senhor.

Somos mordomos, não proprietários.

Tudo pertence a Deus, e devemos exercer essa responsabilidade com sabedoria, gratidão e reverência.

 

Aplicações para a nossa vida

O Salmo 8 nos deixa lições preciosas.

Nunca permita que o sucesso faça você esquecer a grandeza de Deus.

Nunca permita que os problemas façam você esquecer o seu valor diante do Senhor.

Use os dons que Deus lhe concedeu para servir ao próximo e glorificar o nome de Cristo.

E acima de tudo, adore o Criador, nunca a criação.

 

Conclusão

Davi encerra o salmo repetindo a mesma declaração que abriu sua oração:

"Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome!"  (Salmo 8.9 – NAA)

Que essa também seja a nossa oração.

Quando contemplarmos o céu, as estrelas, a beleza da natureza e a grandiosidade do universo, sejamos conduzidos a uma única conclusão:

Somos pequenos diante da imensidão do universo, mas somos grandes diante de Deus, porque fomos criados à sua imagem, amados por Ele e chamados para viver em comunhão com o nosso Criador.

Que o Senhor fortaleça sua fé e faça do seu coração um lugar de constante adoração.


Cláudio Eduardo M. Costa
Pastor, servo de Cristo e coordenador do Projeto Caminhada Bíblica e do Blog Humanizando Compaixão.

terça-feira, 7 de julho de 2026

JUSTIÇA DOS HOMENS X JUSTIÇA DE DEUS: O QUE FAZER QUANDO SOMOS ACUSADOS INJUSTAMENTE? - Salmo 7 - - - - HUMAN JUSTICE VS. GOD'S JUSTICE: WHAT SHOULD WE DO WHEN WE ARE UNJUSTLY ACCUSED? Psalm 7

 


JUSTIÇA DOS HOMENS X JUSTIÇA DE DEUS:

O QUE FAZER QUANDO SOMOS ACUSADOS INJUSTAMENTE?

Salmo 7

Vivemos em uma época em que a reputação de uma pessoa pode ser destruída em poucos minutos. Uma notícia falsa, uma publicação maldosa ou uma acusação mentirosa nas redes sociais pode causar danos profundos. Diante dessa realidade, surge uma pergunta inevitável: como um cristão deve reagir quando é acusado injustamente?

Devemos partir imediatamente para o confronto? Devemos buscar vingança? Ou devemos colocar nossa causa diante de Deus antes de qualquer outra atitude?

É exatamente sobre isso que trata o Salmo 7.

 

O clamor de um homem injustiçado

Estamos na jornada dos 150 dias de leitura do Livro de Salmos, e hoje chegamos ao Salmo 7.

Davi enfrenta um dos momentos mais dolorosos de sua vida. Ele é vítima de calúnia, difamação e falsas acusações. Alguém deseja destruir sua reputação, fazer com que as pessoas deixem de confiar nele e questionem seu caráter.

O título do salmo traz uma palavra muito interessante: Sigaiom (hebraico: shiggayon). Esse termo aparece apenas duas vezes em toda a Bíblia: aqui, no Salmo 7, e em Habacuque 3.1.

A palavra descreve um cântico marcado por intensa emoção, mudanças de ritmo e profunda expressão de sofrimento, confiança e louvor. Em outras palavras, trata-se de uma oração escrita com o coração.

Mesmo ferido, Davi transforma sua dor em adoração.

 

Os "Cuxes" da vida

O título do salmo menciona Cuxe, o benjamita. A Bíblia não fornece muitos detalhes sobre ele, mas tudo indica que estivesse ligado ao grupo favorável ao rei Saul, também da tribo de Benjamim.

Enquanto Davi fugia para preservar a própria vida, mentiras eram espalhadas a seu respeito. Seu caráter era atacado. Sua reputação era alvo de uma campanha de difamação.

Quem nunca enfrentou um "Cuxe" na vida?

Pessoas que distorcem fatos, espalham boatos ou tentam destruir nossa credibilidade sempre existirão.

 

A primeira reação de Davi

Em vez de alimentar a vingança, Davi corre para Deus.

Ele declara:

"Senhor, meu Deus, em ti me refugio; salva-me de todos os que me perseguem e livra-me." (Salmo 7.1, NAA)

Logo em seguida, descreve a intensidade de seu sofrimento:

"Para que ninguém, como leão, me arrebate, despedaçando-me, sem que haja quem me livre." (Salmo 7.2, NAA)

A imagem é forte. Davi sente-se como alguém prestes a ser devorado por um leão. Assim é o efeito das falsas acusações: elas ferem profundamente a alma.

 

Um coração disposto a ser examinado

Um dos momentos mais marcantes do salmo aparece quando Davi diz:

"Senhor, meu Deus, se eu fiz o de que me culpam, se há injustiça nas minhas mãos..." (Salmo 7.3, NAA)

Antes de exigir justiça, Davi pede que Deus examine seu coração.

Essa é uma atitude de humildade. Quando uma mentira é repetida muitas vezes, ela pode até nos levar a questionar a nós mesmos. Por isso, Davi abre sua vida diante do Senhor.

Sua dor torna-se oração.

Essa é uma grande lição para nós: não transforme sua dor em vingança; transforme-a em oração.

 

Jesus: o maior exemplo

Nenhuma pessoa sofreu acusações injustas como Jesus.

Foi traído, julgado de maneira ilegal, acusado por falsas testemunhas e condenado sem culpa.

Mesmo assim, o profeta Isaías já havia anunciado:

"Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca." (Isaías 53.7, NAA)

Jesus confiou plenamente no Pai, o Justo Juiz.

Seu silêncio não foi sinal de fraqueza, mas de absoluta confiança na justiça de Deus.

 

Justiça dos homens ou justiça de Deus?

Alguns cristãos acreditam que recorrer à justiça humana demonstra falta de fé. Mas será que a Bíblia ensina isso?

A resposta é não.

O apóstolo Paulo, diversas vezes, utilizou sua cidadania romana para exigir um julgamento justo (Atos 16.37-39; 22.25-29; 25.10-12). Ele não abandonou sua confiança em Deus por recorrer aos instrumentos legais disponíveis.

Além disso, Paulo ensina:

"Todo ser humano esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas." (Romanos 13.1, NAA)

E continua afirmando que as autoridades foram estabelecidas por Deus para promover a justiça e punir o mal (Romanos 13.1-4).

Portanto, quando sofremos violência, calúnia, fraude, abuso ou qualquer outro crime, buscar a proteção da lei não significa falta de fé.

Pelo contrário, significa reconhecer que Deus continua governando a história e pode usar a própria justiça humana como instrumento para estabelecer a sua justiça.

Confiamos em Deus enquanto utilizamos, com responsabilidade e sabedoria, os recursos legítimos que Ele mesmo permitiu existir.

 

A palavra final pertence ao Senhor

O Salmo 7 termina de forma completamente diferente de como começou.

A angústia dá lugar ao louvor.

Davi conclui dizendo:

"Eu, porém, renderei graças ao Senhor, segundo a sua justiça, e cantarei louvores ao nome do Senhor Altíssimo." (Salmo 7.17, NAA)

Essa também deve ser nossa atitude.

Talvez você esteja enfrentando acusações injustas, críticas ou perseguições. Não permita que a vingança ocupe o lugar do amor em seu coração.

Confie no Senhor.

O Deus que julgou a causa de Davi continua sendo o mesmo Deus hoje. Ele age com justiça, mas também com graça, misericórdia e amor.

Quando tudo parecer injusto, lembre-se: a última palavra nunca pertence aos homens, mas ao Justo Juiz.

Que Deus fortaleça o seu coração e lhe conceda paz para confiar plenamente na Sua perfeita justiça.

 

Cláudio Eduardo M. Costa

Pastor, servo de Cristo e coordenador do Projeto Caminhada Bíblica e do Blog Humanizando Compaixão.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

QUANDO AS LÁGRIMAS SE TRANSFORMAM EM ESPERANÇA. - SALMOS 6 - - - - WHEN TEARS TURN INTO HOPE. - PSALMS 6 -

 


QUANDO AS LÁGRIMAS SE TRANSFORMAM EM ESPERANÇA.

"O Senhor ouviu a minha súplica; o Senhor acolhe a minha oração." Salmo 6.9 (NAA)

 

Você já passou por um momento em que a dor era tão intensa que faltavam palavras para orar?

Existem situações em que o sofrimento é tão profundo que as lágrimas falam mais alto do que a voz. Nessas horas, pensamos que ninguém consegue compreender o que estamos sentindo. Entretanto, a Palavra de Deus nos mostra que não estamos sozinhos.

Ao chegarmos ao sexto dia da jornada 150 Dias Lendo o Livro de Salmos, encontramos Davi vivendo exatamente essa experiência. O homem que derrotou Golias, enfrentou leões e ursos, liderou o povo de Israel e foi chamado de "homem segundo o coração de Deus" também conheceu a dor, a angústia e o desespero.

O Salmo 6 nos lembra que homens e mulheres de Deus também choram, mas aprendem a levar suas lágrimas à presença do Senhor.

 

O contexto do Salmo 6

O Salmo 6 é atribuído a Davi e é conhecido como o primeiro dos sete Salmos Penitenciais.

O texto não informa em qual momento da vida do rei foi escrito. Alguns estudiosos sugerem que tenha surgido durante a perseguição de Saul, outros o relacionam à rebelião de Absalão ou até mesmo a um período de enfermidade.

Independentemente da circunstância histórica, uma verdade permanece evidente: Davi estava profundamente abatido.

Ele experimentava sofrimento físico, emocional e espiritual.

Seus inimigos pareciam aproveitar-se da sua fragilidade.

Mas, em vez de se afastar de Deus, ele fez exatamente o contrário.

Correu para os braços do Senhor.

Esse é um dos grandes ensinamentos do Salmo 6.

Quando a dor chega, nosso primeiro refúgio deve ser Deus.

Um coração sincero diante do Senhor

A Bíblia apresenta seus personagens com suas virtudes e também com suas fraquezas.

Ela não esconde as lágrimas de Davi, o medo de Elias, as dúvidas de Tomé ou a negação de Pedro.

Isso nos consola, porque aprendemos que Deus continua amando e sustentando pessoas imperfeitas.

O Senhor não procura pessoas que aparentam ser fortes.

Ele procura corações sinceros.

Davi abre sua oração dizendo:

"Senhor, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor."  (Salmo 6.1 – NAA)

Ele reconhece sua fragilidade e suplica pela misericórdia de Deus.

Em seguida, declara:

"Tem compaixão de mim, Senhor, porque me sinto debilitado; sara-me, Senhor, porque os meus ossos estão abalados."
(Salmo 6.2 – NAA)

Davi não esconde sua dor.

Ele verbaliza seu sofrimento.

Ele reconhece sua necessidade.

Isso também é oração.

 

Quando a alma se angustia

O sofrimento não atinge apenas o corpo.

Ele alcança também a alma.

Por isso Davi continua dizendo:

"Estou também com a alma profundamente perturbada; mas tu, Senhor, até quando?" (Salmo 6.3 – NAA)

Quem nunca fez essa pergunta?

"Até quando, Senhor?"

Até quando essa enfermidade?

Até quando essa crise financeira?

Até quando esse conflito familiar?

Até quando essa tristeza?

A Bíblia nos ensina que Deus não rejeita uma oração sincera.

Ele acolhe aqueles que derramam diante dele o seu coração.

 

As lágrimas também são oração

Um dos versos mais emocionantes deste salmo afirma:

"Estou cansado de tanto gemer; todas as noites faço nadar o meu leito, de minhas lágrimas o alago." (Salmo 6.6 – NAA)

A linguagem é poética, mas transmite uma realidade profundamente humana.

Davi descreve noites inteiras de choro.

Sua cama parecia um lago formado pelas suas lágrimas.

Esse texto nos ensina que homens e mulheres de fé também choram.

Confiar em Deus não significa nunca sofrer.

Significa saber onde colocar o sofrimento.

 

O Salmo 6 e Jesus Cristo

Ao lermos o Salmo 6, somos conduzidos ao sofrimento de Cristo.

Jesus também chorou.

Ele chorou diante do túmulo de seu amigo Lázaro:

"Jesus chorou." (João 11.35 – NAA)

Na noite anterior à crucificação, no jardim do Getsêmani, Jesus enfrentou profunda angústia.

Lucas registra:

"E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra." (Lucas 22.44 – NAA)

Além disso, Isaías profetizou a respeito do Messias:

"Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si." (Isaías 53.4 – NAA)

Cristo conhece a nossa dor porque também sofreu.

Ele carregou sobre si o peso do pecado e do sofrimento humano para oferecer esperança e salvação.

 

Uma mensagem para os nossos dias

Vivemos em uma sociedade marcada pelas aparências.

Nas redes sociais, muitas pessoas parecem felizes o tempo todo.

Publicam sorrisos, conquistas e momentos especiais.

Mas, quando desligam a câmera, muitas choram sozinhas.

O Salmo 6 nos convida a abandonar as máscaras.

Deus não espera uma aparência de felicidade.

Ele deseja um relacionamento verdadeiro.

Se está doendo, fale com Deus.

Se está difícil, ore.

Se as lágrimas vierem, chore na presença do Senhor.

Ele conhece cada sofrimento e acolhe aqueles que confiam nele.

 

Conclusão

O Salmo termina de forma completamente diferente de como começou.

Depois da angústia, Davi declara com confiança:

"O Senhor ouviu a minha súplica; o Senhor acolhe a minha oração." (Salmo 6.9 – NAA)

Essa é a esperança de todo cristão.

As lágrimas não têm a última palavra.

Deus tem.

Se hoje é tempo de chorar, chore.

Se hoje é tempo de abrir o coração, faça isso diante do Senhor.

Mas nunca perca a convicção de que Deus continua ouvindo o seu clamor.

O mesmo Deus que acolheu a oração de Davi continua acolhendo todos aqueles que se aproximam dele com fé.

E há uma promessa ainda maior para aqueles que pertencem a Cristo: chegará o dia em que toda lágrima será enxugada para sempre.

"E lhes enxugará dos olhos toda lágrima. E já não existirá mais morte, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram." (Apocalipse 21.4 – NAA)

Nossa esperança está em Jesus Cristo.

Nele, as lágrimas podem até fazer parte da caminhada, mas nunca serão o capítulo final da nossa história.

Amanhã continuaremos nossa jornada dos 150 Dias Lendo o Livro de Salmos, meditando no Salmo 7. Compartilhe esta reflexão e convide outras pessoas para caminhar conosco pela Palavra de Deus.


Cláudio Eduardo M. Costa

Pastor, servo de Cristo e coordenador do Projeto Caminhada Bíblica e do Blog Humanizando Compaixão

 

O SENHOR DEFENDE OS OPRIMIDOS E JULGA COM JUSTIÇA... - Salmo 9 - - - - - The Lord defends the oppressed and judges with justice... – Psalm 9 –

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