quarta-feira, 9 de setembro de 2026

MINHA IDADE NÃO CANCELA MEU CHAMADO! SALMO 71

 


MINHA IDADE NÃO CANCELA MEU CHAMADO!

SALMO 71

 

Você já parou para pensar que envelhecer também é uma experiência espiritual?

 

Estamos vivendo nossa jornada de 150 dias de leitura do Livro de Salmos, e hoje chegamos ao Salmo 71. Neste texto, encontramos o salmista falando com Deus a partir de sua história, de suas experiências e da realidade de quem está envelhecendo.

Quando pensamos na velhice, muitas vezes pensamos primeiro em doenças, limitações físicas, dificuldades financeiras ou perda de autonomia. E talvez nossa sociedade ainda tenha dificuldade de reconhecer o valor, a sabedoria e a contribuição das pessoas idosas. Mas a Bíblia nos apresenta outra perspectiva: envelhecer não significa perder o propósito.

 

Eu posso falar disso também a partir da minha própria vida. Aos 63 anos, quando olho para minha caminhada, reconheço o quanto Deus tem sido maravilhoso. Ele me sustentou até aqui e continuará me sustentando.

Por isso, não quero chegar diante de Deus dizendo:

“Senhor, cansei. Agora quero me aposentar.”

Quero perguntar:

“Senhor, o que ainda posso fazer para Te servir, Te obedecer e cumprir a Tua vontade?”

 

O salmista faz uma oração muito significativa: “Não me rejeites na minha velhice; quando me faltarem as forças, não me desampares.” (Salmo 71.9, NAA).

Ele reconhece que suas forças podem diminuir, mas não conclui que sua missão terminou. Aqui está uma das grandes lições do Salmo 71: reconhecer nossas limitações não significa abandonar nosso propósito.

 

Talvez eu não consiga fazer hoje tudo aquilo que fazia quando era jovem. Meu ritmo pode ser outro e minha força pode ser diferente. Mas ainda posso servir, ensinar, aconselhar, encorajar, orar e testemunhar aquilo que Deus me ensinou ao longo da caminhada.

A idade pode mudar a maneira como servimos, mas não precisa cancelar o nosso chamado.

 

E o salmista deixa sua missão ainda mais clara no versículo 18: “Agora que estou velho e de cabelos brancos, não me abandones, ó Deus, até que eu tenha anunciado a tua força a esta geração e o teu poder às gerações futuras.” (Salmo 71.18, NAA).

Observe a expressão: “até que eu tenha anunciado”.

Ele ainda tem algo a fazer.

Ainda existe uma geração para alcançar.

Ainda existe uma história para contar.

Ainda existe um legado para construir.

 

O salmista não quer apenas chegar ao fim da vida. Ele quer chegar ao fim da vida tendo cumprido sua missão.

Essa é uma pergunta que precisamos fazer:

O que Deus quer fazer através de mim nesta fase da minha vida?

Se você é idoso, não esconda sua história. Compartilhe seus testemunhos. Conte o que Deus fez. Fale das lutas que enfrentou, das respostas que recebeu e das lições que aprendeu.

Talvez aquilo que você considera apenas uma lembrança seja exatamente o testemunho que alguém precisa ouvir hoje.

Sua experiência pode se transformar em discipulado. Sua história pode se transformar em legado. Sua caminhada pode fortalecer outra geração.

Por isso, a minha idade não encerra a minha missão; aumenta a minha responsabilidade.

 

Quando leio o Evangelho de Lucas e encontro Simeão e Ana no relato do nascimento de Jesus, vejo uma confirmação muito bonita dessa verdade. Simeão reconhece Jesus como o Salvador prometido, e Ana, uma mulher idosa, também testemunha a respeito daquela criança. Lucas registra: “Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Ela era muito idosa...” (Lucas 2.36, NAA).

Ana não estava à margem do que Deus estava fazendo. Ela fazia parte daquela história.

Isso nos ensina que Deus não coloca ninguém de lado simplesmente porque a idade chegou. Ele continua trabalhando em nós e pode continuar trabalhando através de nós.

Paulo também nos lembra: “Por isso, não desanimamos. Mesmo que o nosso exterior se desgaste, o nosso interior se renova dia a dia.” (2 Coríntios 4.16, NAA).

 

O corpo envelhece, mas a fé pode amadurecer.

Podemos perder força física e ganhar profundidade espiritual. Podemos diminuir o ritmo e aumentar nossa sensibilidade para ouvir Deus, cuidar de pessoas e transmitir aquilo que aprendemos.

E quero deixar uma palavra especialmente para você que é jovem: valorize os idosos.

Valorize os idosos da sua família. Valorize os idosos da sua igreja. Ouça suas histórias. Aprenda com suas experiências. Pergunte o que Deus ensinou a eles durante a caminhada.

 

Há sabedoria que só o tempo produz.

Mas essa relação também é uma via de mão dupla. Os mais jovens oferecem força, disposição e novas possibilidades; os mais experientes oferecem sabedoria, perseverança e testemunho.

 

Uma geração precisa da outra.

A igreja não é uma corrida em que uma geração substitui a outra. É uma caminhada em que diferentes gerações servem, aprendem e crescem juntas.

Talvez alguém esteja pensando: “Já passou o meu tempo.”

Não permita que essa ideia defina sua vida.

Talvez algumas coisas tenham mudado. Talvez você não tenha mais a mesma força ou não consiga fazer tudo como antes. Mas limitação não é inutilidade, e envelhecimento não é o fim do propósito.

Enquanto Deus nos dá vida, ainda podemos testemunhar. Enquanto temos voz, podemos anunciar. Enquanto temos experiência, podemos ensinar. Enquanto temos fé, podemos encorajar. Enquanto temos oportunidades, podemos servir.

Então, faça hoje uma pergunta sincera ao Senhor:

“Deus, o que ainda posso fazer com a vida que o Senhor me deu?”

E depois dê um passo.

Ligue para alguém que precisa de uma palavra. Ore por uma pessoa. Compartilhe um testemunho. Ensine alguém. Encoraje um jovem. Ajude quem está precisando. Transforme sua experiência em serviço.

Não espere uma grande oportunidade. Comece com aquilo que Deus colocou ao seu alcance.

Porque o Salmo 71 nos ensina que a velhice pode ser uma estação de legado, não de abandono; de testemunho, não de silêncio; de maturidade, não de desistência.

Minha idade não cancela meu chamado. Minha história não terminou. Ainda existe propósito. Ainda existe missão. Ainda existe muito para viver com Deus.

Se você já tem experiência, compartilhe. Se você é jovem e tem experimentado a graça de Deus, compartilhe também.

Que Deus nos ensine a envelhecer com fé, servir com alegria e transformar nossa história em um testemunho que alcance as próximas gerações.

Porque, enquanto Deus nos dá fôlego, ainda existe uma missão.

MINHA IDADE NÃO CANCELA MEU CHAMADO!

 

Cláudio Eduardo M Costa

terça-feira, 8 de setembro de 2026

DEUS, NÃO DEMORE! - SALMO 70 -

 


DEUS, NÃO DEMORE!

SALMO 70

 

Você já recebeu uma tarefa no ambiente de trabalho, ou em alguma outra situação, em que alguém chegou até você e disse: “Isso é para ontem! Estou com pressa!”. Como você se sente quando alguém coloca tanta urgência diante de você?

Agora imagine você orando e dizendo ao Senhor: “Deus, por favor, não demore! Eu não sei se vou conseguir suportar mais. A situação está pesada demais e eu preciso que o Senhor se apresse em me socorrer”. É exatamente esse sentimento de urgência que encontramos no Salmo 70. Davi não esconde sua necessidade diante de Deus. Ele clama, pede socorro e coloca diante do Senhor aquilo que está vivendo.

O Salmo 70 é uma oração curta, intensa e profundamente humana. Davi está passando por um momento de aflição e não tenta esconder sua angústia atrás de palavras bonitas. Logo no primeiro versículo, ele clama:

“Agrada-te, ó Deus, em me livrar; apressa-te, ó Senhor, em me socorrer” (Salmos 70:1, NAA).

 

Existe algo muito precioso nessa oração: Davi é sincero diante de Deus. Ele não prepara um discurso elaborado, não procura uma maneira religiosa de apresentar sua necessidade e não tenta parecer mais forte do que realmente está. Ele simplesmente abre o coração. E isso nos ensina algo importante sobre nossa caminhada com Deus: o Senhor conhece nossas dores, nossas alegrias, nossos medos, nossas limitações e nossas necessidades. A oração não é uma apresentação diante de um Deus distante; é relacionamento com um Pai que nos convida a chegar perto.

Muitas vezes, porém, nossa religiosidade pode se tornar maior do que nossa intimidade com Deus. Cumprimos obrigações religiosas, participamos de atividades, cantamos, ouvimos a Palavra e até oramos, mas podemos deixar de cultivar uma relação verdadeira e profunda com o Senhor. Davi nos ensina que podemos chegar diante de Deus exatamente como estamos. Podemos falar sobre nossa gratidão, celebrar a graça e a misericórdia que nos alcançam todos os dias, mas também podemos falar sobre aquilo que está doendo.

Talvez você esteja vivendo exatamente esse momento. Talvez você nem saiba direito o que dizer ou como dizer a Deus o que está acontecendo. Então comece sendo sincero. Fale com o Senhor sobre sua alegria, mas também fale sobre sua tristeza. Conte a Deus sobre aquilo que você agradece, mas também coloque diante dele aquilo que está tirando sua paz. Não precisamos esconder nossa humanidade daquele que já conhece profundamente o nosso coração.

Vivemos em uma sociedade extremamente apressada. Queremos respostas imediatas, resultados rápidos, soluções instantâneas e portas abertas no nosso tempo. Quando as coisas não acontecem como planejamos, a ansiedade pode crescer e o desespero pode tomar conta do coração. O Salmo 70 nos ensina, porém, a transformar a nossa urgência em oração. Davi pede que Deus se apresse, mas continua colocando sua confiança no Senhor. Isso é muito importante: pedir que Deus se apresse não significa tentar controlar Deus.

Podemos apresentar nossa urgência, nossa dor e nossa necessidade, mas precisamos continuar confiando no tempo e na vontade do Senhor. Podemos dizer: “Senhor, eu preciso de uma resposta. Eu não sei quanto tempo ainda vou suportar. Mas minha vida continua em tuas mãos. Faça em mim a tua vontade”.

Quando olho para o Salmo 70 e olho para Jesus, encontro uma conexão muito profunda. Jesus nos ensinou a orar e nos ensinou a chamar Deus de Pai. Ele não apresentou um Deus distante, inacessível ou indiferente, mas nos ensinou a desenvolver uma relação de intimidade com o Pai. E, no momento mais doloroso de sua caminhada terrena, Jesus também abriu o coração diante de Deus.

No Getsêmani, sabendo que a cruz estava diante dele, Jesus se prostrou em oração e disse: “Meu Pai, se é possível, que passe de mim este cálice! Contudo, não seja como eu quero, e sim como tu queres” (Mateus 26:39, NAA).

 

Perceba a profundidade dessa oração. Jesus não esconde sua dor. Ele apresenta ao Pai aquilo que está sentindo, mas termina submetendo sua vontade à vontade de Deus. É uma oração de intimidade, sinceridade e confiança. Jesus nos ensina que podemos falar com Deus sobre a nossa dor sem deixar de confiar nele.

 

Talvez hoje você esteja vivendo um momento de urgência. Você está orando e parece que Deus está demorando. A resposta ainda não chegou. A porta não se abriu. O problema continua sem solução. A situação que você esperava que terminasse ainda permanece diante de você. E talvez você esteja pensando: “Senhor, eu não sei mais o que fazer”.

 

O Salmo 70 coloca uma oração em nossos lábios: “Eu sou pobre e necessitado; ó Deus, apressa-te em me socorrer, pois tu és o meu amparo e o meu libertador. Senhor, não te demores!” (Salmos 70:5, NAA).

 

Que palavra forte! Davi reconhece sua fragilidade, mas também reconhece quem Deus é. Ele diz, em outras palavras: “Eu não consigo resolver tudo sozinho, mas sei quem pode me socorrer. Eu sou necessitado, mas Deus é meu amparo. Eu sou limitado, mas Deus é meu libertador”.

E aqui está uma das grandes lições do Salmo 70: não esconda sua angústia de Deus. Verbalize sua dor. Coloque diante do Senhor aquilo que está tirando sua paz. Ore com sinceridade. Não tenha medo de dizer: “Senhor, eu preciso de ajuda” e depois de apresentar seu pedido, confie.

Confie porque Deus continua sendo Deus mesmo quando a resposta não chega no momento que esperamos. Confie porque o silêncio de Deus não significa necessariamente ausência. Confie porque nossa oração não serve para controlar o Senhor, mas para nos aproximar dele e colocar nossa vida novamente em suas mãos.

Talvez Deus não responda exatamente como você imaginou. Talvez a porta que você espera que se abra não seja aquela que Deus deseja abrir. Talvez o caminho seja diferente daquele que você planejou. Mas podemos continuar dizendo: “Senhor, eu confio em ti”.

O Salmo 70 nos lembra que podemos ter pressa, mas não precisamos perder a fé. Podemos estar angustiados sem abandonar a esperança. Podemos chorar e continuar orando. Podemos dizer “Senhor, não demore!”, sem deixar de dizer “seja feita a tua vontade”.

 

Por isso, hoje, quero deixar uma pergunta para você: o que está exigindo uma resposta urgente em sua vida? Qual é a situação que está fazendo você dizer: “Deus, por favor, não demore”? Leve isso ao Senhor. Não esconda. Não disfarce. Não tente parecer forte diante daquele que conhece suas fraquezas.

Ore. Abra o coração. Apresente sua necessidade. E, depois, descanse na certeza de que Deus continua sendo seu amparo, seu auxílio e seu libertador.

 

Talvez a sua oração hoje seja simplesmente esta: “Deus, não demore!” E, depois dela, talvez seja necessário fazer outra oração: “Senhor, eu confio em ti. Minha vida está em tuas mãos. Faça em mim a tua vontade.”

Que o Senhor fortaleça seu coração, sustente sua caminhada e renove sua esperança. Que você descubra, mesmo nos momentos de maior urgência, que intimidade com Deus é muito mais profunda do que religiosidade.

 

Um dia muito abençoado para você, em Cristo Jesus!

 

Cláudio Eduardo M Costa

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

QUANDO NÃO DÁ MAIS PÉ... - SALMO 69 -

 


QUANDO NÃO DÁ MAIS PÉ...

SALMO 69

 

Você já teve a sensação de estar se afogando? A água está subindo, chegando até o pescoço, e você não sabe mais o que fazer? Como se estivesse preso em um lamaçal, com a lama segurando seus pés e puxando você para baixo?

Essa é uma das imagens fortes que encontramos no Salmo 69. E é sobre isso que quero conversar com você hoje:

o que fazemos quando perdemos o chão?

O que fazemos quando parece que não existe mais saída?

A quem recorremos?

 

É muito interessante perceber como o salmista fala da graça e da misericórdia de Deus. Ele apresenta um Deus próximo, diante de quem podemos abrir o coração. Por isso, quero fazer um convite a você: fale com Deus e dê nome às suas dores. Uma das coisas que tenho aprendido no Livro de Salmos é que, se está doendo, podemos falar com o Senhor; se estamos sofrendo, podemos contar a ele o nosso sofrimento; se sentimos vontade de chorar, podemos chorar diante do Senhor.

Aquela realidade das redes sociais, em que parece que todo mundo está feliz, sorrindo, viajando, comemorando e vivendo uma vida perfeita, não funciona com Deus. Diante dele, não precisamos construir uma imagem que não corresponde à realidade. Intimidade e confiança são construídos com verdade. Seja verdadeiro com você mesmo, mas, principalmente, seja verdadeiro diante de Deus.

O Salmo 69 começa com um grito de socorro:

“Salva-me, ó Deus, porque as águas me sobem até a alma.” Salmo 69:1 — NAA

 

É como se o salmista estivesse dizendo: “Deus, estou ficando sufocado. Eu não aguento mais.”

E ele continua:

“Estou atolado num profundo lamaçal, onde não dá pé; entrei em águas profundas, e a correnteza me arrasta.” Salmo 69:2 — NAA

 

É uma linguagem poética, mas que expressa sentimentos muito reais: medo, angústia, cansaço e a sensação de não encontrar uma saída para o problema que está sendo enfrentado.

Você já se sentiu assim?

E, quando isso aconteceu, o que você fez? Entrou em desespero ou buscou o Senhor?

Quando você se sente sem chão, sem saber para onde ir e o que fazer, lembre-se: se você não encontra um lugar seguro para firmar os pés, Deus continua sendo a sua rocha, o seu refúgio e a sua proteção.

O Salmo 69 continua ficando ainda mais intenso:

“Estou cansado de clamar, e a minha garganta secou; os meus olhos esmorecem de tanto esperar por meu Deus.” Salmo 69:3 — NAA

 

Olhe para a coragem do salmista! Observe a maneira como ele apresenta seus sentimentos. Ele diz: “Estou cansado.” Cansado de clamar. Cansado de esperar.

E aqui existe uma dificuldade muito presente em nossos dias. Estamos vivendo em uma sociedade acelerada, acostumada com respostas imediatas. Queremos tudo para ontem. Queremos uma solução rápida, uma resposta rápida, uma porta aberta imediatamente.

E, muitas vezes, não temos tido paciência para esperar o tempo de Deus, mas precisamos aprender que o tempo de Deus continua sendo melhor do que a nossa pressa. Esperar não significa ficar parado ou desistir. Esperar em Deus significa continuar confiando enquanto caminhamos.

Quando o salmista diz que sua garganta secou, podemos imaginar alguém que já clamou tantas vezes que está exausto. Talvez essa também seja a sua oração hoje:

“Senhor, eu estou afundando. Preciso de ajuda. Socorro, Deus! Eu não estou entendendo essa situação. Isso está acabando comigo. Eu estou entrando em desespero.”

 

Leve isso para Deus. Não esconda sua dor. Não tente impressionar o Senhor com palavras bonitas. Deus conhece o nosso coração.

E existe algo precioso no Salmo 69: mesmo em meio à dor, o salmista continua buscando a Deus.

Ele ora:

“Quanto a mim, porém, Senhor, faço a ti, em tempo favorável, a minha oração. Responde-me, ó Deus, pela riqueza da tua graça, pela tua fidelidade em socorrer.” Salmo 69:13 — NAA

 

Perceba que ele não abandona a oração.

Ele está cansado, mas ora.

Ele está sofrendo, mas ora.

Ele não compreende tudo, mas continua falando com Deus.

 

Isso também é fé. Fé não é a ausência de sofrimento. Fé é continuar procurando Deus no meio do sofrimento.

 

Mais adiante, o salmista dá nome àquilo que está vivendo e volta a clamar:

“Livra-me do lamaçal, para que eu não me afunde; que eu seja salvo dos que me odeiam e das profundezas das águas.” Salmo 69:14 — NAA

 

Davi está dizendo, em outras palavras: “Deus, eu estou aqui. Preciso que o Senhor me livre.”

Talvez hoje você esteja vivendo o seu próprio lamaçal. Talvez seja uma crise familiar, uma dificuldade financeira, uma situação profissional, uma enfermidade, uma decepção ou simplesmente um cansaço que ninguém consegue perceber.

Então, lembre-se: você pode falar com Deus sobre isso.

Se não está conseguindo ficar de pé, fique de joelhos diante do Senhor.

Se não sabe o que dizer, simplesmente diga: “Senhor, ajuda-me.”

Se está cansado de esperar, conte isso a Deus.

Se está com medo, apresente seu medo ao Senhor.

Se está chorando, chore na presença dele.

Porque Deus não se assusta com a nossa fragilidade.

E, quando olhamos para Jesus, encontramos aquele que conhece profundamente o sofrimento humano. Jesus enfrentou rejeição, injustiça, dor e abandono. O Salmo 69, inclusive, é retomado pelo Novo Testamento em acontecimentos relacionados à paixão de Cristo. João, por exemplo, relaciona o Salmo 69:21 ao momento em que Jesus estava na cruz (João 19:28-30).

Jesus conhece a dor. Jesus conhece o sofrimento. Jesus conhece a angústia. Por isso, quando estamos atravessando nossas próprias águas profundas, não estamos recorrendo a alguém que está distante da nossa realidade.

Estamos olhando para Cristo, que entrou na nossa história e venceu.

 

Se você está cansado de lutar, não desista.

Continue orando.

Continue caminhando.

Continue confiando.

Continue olhando para o Senhor.

 

Talvez hoje você ainda não veja a saída. Talvez a água ainda esteja subindo. Talvez você ainda esteja tentando encontrar um lugar firme para colocar os pés. Mas não se esqueça: Deus continua ouvindo.

E a nossa caminhada pelos Salmos nos ensina justamente isso: nós ouvimos Deus por meio da sua Palavra e também falamos com ele por meio da oração.

 

Então, neste dia, abra o coração diante do Senhor.

 

Dê nome às suas dores. Entregue seus medos. Apresente suas necessidades. E continue confiando.

Que Deus fortaleça você quando as águas estiverem subindo, sustente você quando não der mais pé e lhe conceda fé para continuar caminhando.

 

Que o seu dia seja muito, muito abençoado!

 

Cláudio Eduardo M Costa

domingo, 6 de setembro de 2026

DEUS VAI À NOSSA FRENTE! - SALMO 68 -

 


DEUS VAI À NOSSA FRENTE!

SALMO 68

 

Você já teve a sensação de que está enfrentando uma batalha sozinho? Aquela sensação de olhar para a situação e perceber que o “exército inimigo” está se aproximando, enquanto você não sabe exatamente o que fazer?

Talvez seja uma crise financeira e você não saiba onde buscar ajuda. Talvez seja um problema de saúde, enquanto os médicos ainda não conseguiram chegar a um diagnóstico. Pode ser uma dificuldade no relacionamento familiar, um conflito no ambiente de trabalho ou até mesmo o desemprego. Ou, quem sabe, você esteja vivendo uma crise ainda mais profunda: não sabe qual é o propósito da sua vida, por que está aqui e para que Deus o colocou neste mundo.

Hoje, na nossa Caminhada Bíblica — 150 Dias Lendo o Livro de Salmos, chegamos ao Salmo 68. E, quando começo a ler esse salmo, uma certeza toma conta do meu coração: Deus está cuidando de mim.

Mais do que isso: na jornada da vida, eu não estou caminhando sozinho.

Deus está comigo. Mas existe algo ainda mais maravilhoso: Deus vai à nossa frente.

Estamos vivendo um tempo em que queremos saber rapidamente onde está a linha de chegada. Queremos respostas imediatas, resultados rápidos e soluções instantâneas. Mas existe todo um percurso entre o ponto de partida e a chegada. Existe uma caminhada. Existe um processo.

Por isso, eu quero convidar você a desacelerar um pouco e apreciar a paisagem.

 

Deus está à frente.

E, se Deus está à frente, podemos continuar caminhando, mesmo quando ainda não conseguimos enxergar o destino com clareza.

Foi assim com o povo de Israel no deserto. O deserto não era um lugar fácil. Havia dificuldades, limitações, fome, sede, perigos e incertezas. Mas Deus não abandonou o seu povo. Ele caminhou com eles e foi à frente deles, sustentando-os durante toda a jornada.

É exatamente isso que o salmista relembra:

“Ó Deus, quando saías diante do teu povo, quando caminhavas pelo deserto...”  Salmo 68:7 — NAA

Que imagem extraordinária! Deus não mandou o povo caminhar sozinho. Ele caminhou diante dele.

Talvez essa seja a palavra que você precisava ouvir hoje: você não conhece todo o caminho, mas conhece aquele que vai à sua frente.

E isso muda tudo.

Quando olhamos para o Salmo 68, também encontramos um Deus que se importa profundamente com as pessoas que vivem em situações de vulnerabilidade. O salmista declara:

“Pai dos órfãos e juiz das viúvas é Deus, no seu lugar santo. Deus faz que o solitário viva em família; liberta aqueles que estão presos em grilhões.” Salmo 68:5-6 — NAA

 

Os órfãos e as viúvas estavam entre as pessoas mais vulneráveis da sociedade daquele tempo. Muitas vezes, sem proteção familiar ou recursos, podiam ser facilmente marginalizados e esquecidos.

Mas o salmista apresenta Deus como Pai dos órfãos e defensor das viúvas.

Deus vê quem muitas vezes ninguém vê.

Deus se importa com quem a sociedade pode deixar de lado.

Deus olha para o solitário, para o vulnerável, para aquele que está sofrendo e para aquele que precisa de libertação.

E aqui encontramos uma conexão muito bonita com o ministério de Jesus Cristo.

Jesus caminhou entre as pessoas. Ele enxergou aqueles que eram ignorados. Aproximou-se dos enfermos, acolheu os excluídos, recebeu crianças, alimentou multidões, ouviu pessoas que ninguém queria ouvir e demonstrou compaixão por aqueles que estavam sofrendo.

Quando Jesus olhou para a multidão, ele não viu apenas números. Ele viu pessoas.

Mateus registra:

“Ao ver as multidões, Jesus se compadeceu delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor.” Mateus 9:36 — NAA

 

Essa visão de Jesus precisa fazer parte da nossa maneira de ser igreja.

Se Deus cuida dos vulneráveis, a igreja também precisa cuidar.

O ministério de ação social, o grupo de cuidado, o trabalho com crianças, idosos, famílias, pessoas em situação de vulnerabilidade e todos os demais ministérios que cuidam de gente não podem ser apenas um apêndice da igreja.

Cuidar de pessoas faz parte da missão da igreja.

A igreja precisa olhar para a sociedade em que está inserida e perguntar: quem está sofrendo ao nosso redor? Quem está sozinho? Quem precisa de ajuda? Quem precisa ouvir uma palavra de esperança? Quem precisa experimentar, através de nós, o amor de Cristo?

Porque não somos apenas pessoas que frequentam uma igreja.

Nós somos a igreja.

Eu faço parte do corpo de Cristo. Você faz parte do corpo de Cristo. E, por isso, eu preciso cuidar de pessoas. Preciso amar pessoas. Preciso desenvolver a compaixão que Jesus teve pela multidão.

Voltando ao Salmo 68, encontramos novamente aquela imagem poderosa: Deus está indo à frente.

“Ó Deus, quando saías diante do teu povo, quando caminhavas pelo deserto...” Salmo 68:7 — NAA

 

O deserto pode representar aqueles períodos da vida em que enfrentamos sofrimento, angústia, falta de provisão, incertezas e situações que parecem não ter saída.

Mas existe uma boa notícia: Deus continua caminhando conosco.

Quando lembramos da trajetória de Israel, percebemos que, mesmo no deserto, Deus sustentou o seu povo. O maná veio do céu. A presença de Deus os acompanhou. Durante o dia, a nuvem os guiava e protegia; durante a noite, a coluna de fogo iluminava o caminho. Deus estava diante deles.

O deserto não era o destino final.

Era parte da caminhada.

E talvez seja isso que precisamos aprender.

Queremos saber imediatamente onde está a linha de chegada. Queremos conhecer o futuro. Queremos entender todos os detalhes.

Mas Deus nos convida a confiar nele um dia de cada vez.

Então, não desperdice a caminhada tentando chegar rapidamente ao fim.

 

Aproveite a caminhada com Deus.

Aprenda no deserto. Cresça no deserto. Sirva no deserto. Cuide de pessoas no deserto. Descubra a presença de Deus no deserto.

Porque a caminhada com Deus também é parte da bênção.

E, neste domingo, quando estivermos reunidos com a congregação, quero que você se lembre de uma coisa muito simples, mas profundamente importante:

Deus cuida de pessoas.

E, porque Deus cuida de pessoas, a igreja precisa cuidar de pessoas.

Eu sou igreja.

Você é igreja.

Nós fazemos parte de uma comunidade cristã e fomos chamados para viver o amor de Cristo de maneira concreta.

Por isso, precisamos amar pessoas, cuidar de pessoas, acolher pessoas e olhar para a multidão com a mesma compaixão que encontramos em Jesus.

Talvez você ainda não saiba exatamente onde está a linha de chegada da sua caminhada. Tudo bem.

Continue caminhando.

Talvez você esteja atravessando um deserto. Continue caminhando.

Talvez você esteja enfrentando uma batalha que parece grande demais. Continue caminhando.

Talvez você não tenha todas as respostas. Continue caminhando.

Porque a nossa esperança não está naquilo que conseguimos enxergar.

 

A nossa esperança está naquele que vai à nossa frente.

Deus vai à nossa frente!

 

Que hoje você consiga descansar nessa certeza: você não está sozinho. Deus está cuidando de você, está cuidando de pessoas ao seu redor e continua conduzindo a nossa caminhada.

Que o seu dia seja muito, muito abençoado. E que Deus nos dê olhos para enxergar quem precisa de cuidado, mãos para servir, coração para amar e coragem para continuar caminhando.

Até a próxima reflexão da nossa jornada: 150 Dias Lendo o Livro de Salmos.

 

Cláudio Eduardo M Costa

sábado, 5 de setembro de 2026

ABENÇOADO PARA ABENÇOAR... - SALMO 67 -



ABENÇOADO PARA ABENÇOAR

SALMO 67

 

Você já parou para pensar por que Deus abençoa a sua vida? Por que Deus nos abençoa? E existe uma outra pergunta, talvez ainda mais importante: o que estamos fazendo com as bênçãos que recebemos do Senhor?

Hoje, na Caminhada Bíblica — 150 Dias Lendo o Livro de Salmos, nossa leitura é o Salmo 67. Esse salmo nos apresenta uma verdade que precisa ocupar um lugar importante em nosso coração: somos abençoados para abençoar. Deus nos abençoa porque tem um propósito com a nossa vida e deseja que aquilo que recebemos dele também alcance outras pessoas.

A grande dificuldade do mundo moderno é que nem sempre estamos disponíveis para viver o propósito do Senhor. Muitas vezes, queremos as bênçãos de Deus, mas não necessariamente queremos assumir a responsabilidade de sermos instrumentos dessas bênçãos.

 

O Salmo 67 começa com um pedido muito bonito, que poderia fazer parte da nossa oração todas as manhãs:

“Seja Deus gracioso para conosco, e nos abençoe, e faça resplandecer sobre nós o seu rosto.” Salmo 67:1 — NAA

 

Observe que o pedido está no plural: “para conosco”, “nos abençoe”, “sobre nós”. Não é apenas “abençoa a mim”. Existe uma dimensão comunitária na bênção de Deus. Quando somos alcançados pela graça, não devemos pensar somente em nós mesmos.

As bênçãos do Senhor não são apenas para mim. As bênçãos do Senhor são para nós. Somos abençoados para abençoar.

E o versículo seguinte deixa ainda mais claro que existe uma finalidade por trás da bênção:

“Para que se conheça na terra o teu caminho e, em todas as nações, a tua salvação.” Salmo 67:2 — NAA

 

Perceba: a bênção tem um propósito. Deus nos abençoa para que o seu caminho seja conhecido e para que a sua salvação alcance pessoas e povos.

Isso significa que aquilo que Deus coloca em nossas mãos não deve terminar em nossas mãos. Nossos recursos, talentos, conhecimentos, experiências, oportunidades e até mesmo as portas que Deus abre diante de nós podem se transformar em instrumentos para servir, cuidar, testemunhar e anunciar o Evangelho.

O salmista está olhando para algo muito maior do que a própria vida. Ele deseja que as pessoas conheçam o Deus eterno, o Deus Todo-Poderoso, aquele que temos o privilégio de chamar de Pai.

Quando observo esse salmo, não consigo deixar de fazer uma conexão com Jesus e com as últimas instruções que ele deixou aos seus discípulos. Depois de afirmar sua autoridade, Jesus declarou:

“Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações...” Mateus 28:18-19 — NAA

 

Existe uma ligação muito bonita entre o Salmo 67 e a Grande Comissão. O salmista ora para que a salvação de Deus seja conhecida entre todas as nações. Séculos depois, Jesus envia os seus discípulos para fazer discípulos de todas as nações.

A salvação é para todos os povos.

Todas as pessoas precisam conhecer o amor de Deus, experimentar a sua graça e ouvir a mensagem do Evangelho. Mas surge uma pergunta inevitável: quem está anunciando? Quem está testemunhando? Quem está cumprindo a missão?

A resposta somos nós.

Jesus nos chama para participar dessa missão. Somos enviados para compartilhar aquilo que recebemos. E essa missão não deve ser vista apenas como uma atividade da igreja, mas como parte da identidade de cada discípulo de Cristo.

Por isso, talvez seja hora de mudarmos algumas das nossas orações.

Muitas vezes pedimos: “Deus, me dê uma oportunidade de trabalho.” “Deus, me dê uma oportunidade de crescer.” “Deus, me dê uma oportunidade de te servir.”

Mas talvez possamos fazer uma pergunta diferente:

“Senhor, o que posso fazer com as bênçãos que o Senhor já colocou nas minhas mãos?”

“Como posso compartilhar aquilo que recebi do Senhor com as pessoas que estão à minha volta?”

“Como posso usar meu tempo, meus recursos, meus talentos e minhas experiências para que outras pessoas conheçam o amor de Deus?”

Essa mudança de perspectiva é fundamental. Em vez de olhar apenas para aquilo que ainda não temos, podemos começar a perceber aquilo que Deus já colocou em nossas mãos.

Eu fui abençoado. E agora, o que farei com essa bênção?

Eu posso dizer: “Senhor, eu te agradeço porque já fui alcançado pelo teu amor. Agora quero que outras pessoas também tenham a oportunidade de conhecer esse amor e viver experiências profundas contigo.”

O mundo precisa reconhecer a presença de Deus. E muitas vezes Deus deseja que as pessoas percebam essa presença através da nossa vida. Precisamos ser instrumentos vivos nas mãos do Senhor.

Não somos abençoados apenas para ter. Somos abençoados para servir.

E isso também nos ajuda a compreender nossa relação com Deus. Deus não precisa das nossas ofertas, do nosso tempo ou dos nossos recursos como se estivesse em uma relação de troca conosco. Nós é que precisamos dele. Tudo o que temos e somos já recebemos das suas mãos.

Por isso, servir a Deus não deve ser uma negociação: “Eu faço isso e Deus me dá aquilo.” O relacionamento com Deus nasce da graça, do amor e da gratidão.

Deus não precisa comprar a nossa dedicação. Ele deseja o nosso coração.

E, infelizmente, muitas vezes não estamos colocando um coração disponível nas mãos de Deus. Vamos à igreja apressados, pensando no almoço de domingo. Não encontramos tempo para ler a Palavra porque existem muitas coisas acontecendo. Temos tempo para tantas atividades, mas pouco tempo para parar diante de Deus.

Precisamos reaprender a agradecer, adorar, servir e compartilhar.

A cada manhã, somos alcançados pelas misericórdias do Senhor. A cada dia recebemos novas oportunidades. Temos pessoas ao nosso redor que precisam de uma palavra, de um cuidado, de uma ajuda, de uma oração e, acima de tudo, precisam conhecer o amor de Cristo.

O Salmo termina apontando novamente para essa dimensão missionária:

“Deus nos abençoará, e todos os confins da terra o temerão.”
Salmo 67:7 — NAA

 

Que declaração maravilhosa!

Deus nos abençoa, mas a bênção não termina em nós. Ela precisa alcançar os confins da terra.

Jesus Cristo é a expressão plena do amor e da graça de Deus. Nele encontramos a salvação que o salmista desejava ver conhecida entre as nações. E, como discípulos de Cristo, recebemos o privilégio e a responsabilidade de continuar anunciando essa mensagem.

Então, hoje, não pense apenas naquilo que você gostaria de receber de Deus.

Pare por alguns instantes e pergunte:

O que Deus já colocou nas minhas mãos?

Quem pode ser abençoado através da minha vida?

Quem precisa conhecer Jesus através do meu testemunho?

Talvez você descubra que já recebeu muito mais do que imaginava.

Somos abençoados para abençoar. Somos alcançados pela graça para compartilhar a graça. Somos cuidados por Deus para também cuidar de pessoas. Somos enviados para que outros conheçam o caminho do Senhor.

Que Deus nos livre de transformar as bênçãos em um ponto de chegada. Que elas sejam sempre um ponto de partida para o serviço, para o cuidado, para o testemunho e para a missão.

Que Deus abençoe a sua vida de maneira poderosa e coloque em seu coração uma profunda gratidão por tudo aquilo que ele tem feito. E que, através da sua vida, outras pessoas também sejam alcançadas pela bênção, pela graça e pelo amor de Deus.

 

Somos abençoados para abençoar!

 

Cláudio Eduardo M Costa

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