“Até
quando julgarão injustamente e tomarão partido pela causa dos ímpios?” — Salmo
82:2, NAA.
Até quando vocês vão julgar injustamente? A
pergunta parece ter sido escrita para os nossos dias, mas está no Salmo 82. É o
clamor de um povo diante da injustiça e, ao mesmo tempo, uma palavra de Deus
confrontando aqueles que tinham responsabilidade de agir com justiça.
Basta olhar ao nosso redor para perceber uma
sociedade marcada por violência, corrupção, exploração, drogas, guerras e
tantas outras formas de sofrimento. Pessoas choram, famílias são destruídas,
vidas são perdidas e muitos continuam sem voz. Diante dessa realidade,
precisamos perguntar: o que estamos fazendo?
O Salmo 82 não apresenta apenas uma reflexão;
ele nos confronta. A palavra dirigida ao povo de Israel também chega até nós,
seguidores de Cristo. Precisamos levantar a voz em favor da justiça e fazer
diferença onde Deus nos colocou.
Somos igreja do Senhor. Por isso, não podemos
permanecer indiferentes diante daquilo que fere a dignidade humana. Precisamos
anunciar o evangelho, mas também viver os valores do Reino de Deus em nossa
sociedade.
O salmista pergunta: “Até quando julgarão
injustamente e tomarão partido pela causa dos ímpios?” Deus vê quando
alguém é favorecido injustamente. Vê quando os poderosos oprimem os fracos. Vê
quando a verdade é ignorada. Mas também vê quem decide agir em favor de quem
precisa de ajuda.
Essa é uma verdade fundamental do Salmo 82: a
justiça não é apenas uma questão humana; é também uma questão diante de Deus.
E o chamado se torna ainda mais direto no
versículo 3: “Defendam o direito dos fracos e dos órfãos; façam justiça aos
aflitos e desamparados.” — Salmo 82:3, NAA.
Observe os verbos: defendam, façam justiça,
socorram. Deus não nos chama apenas para observar. Ele nos chama para agir.
Talvez você pense: “Mas eu não sou advogado.
Não sou juiz. Não trabalho na área da Justiça.” Mas defender direitos não é
responsabilidade exclusiva de quem trabalha no sistema de Justiça. Somos
cidadãos e, como seguidores de Jesus, somos chamados a refletir sua luz.
Podemos defender quem não tem voz, acolher quem foi abandonado, socorrer quem
precisa e usar os recursos que Deus colocou em nossas mãos para promover o bem.
A oração é indispensável. Precisamos pedir a
Deus sabedoria, discernimento e coragem. Mas nossa oração também precisa nos
colocar em movimento. Podemos orar: “Senhor, dá-nos ousadia para fazer
aquilo que o Senhor nos chamou a fazer.”
E quando penso nisso, olho para Jesus.
Jesus conheceu a injustiça humana. Foi
condenado sendo inocente. A multidão gritou: “Crucifica! Crucifica!” Pilatos,
mesmo diante de sua responsabilidade, tentou se isentar. Na cruz, vemos a
violência e a injustiça humanas, mas também contemplamos a profundidade do amor
e da graça de Deus.
No Sermão do Monte, Jesus declarou: “Bem-aventurados
os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.” — Mateus 5:6,
NAA.
Jesus não apenas falou sobre amor; Ele amou.
Não apenas ensinou misericórdia; Ele a praticou. Aproximou-se dos
excluídos, acolheu os rejeitados, cuidou dos que sofriam e restaurou vidas.
Por isso, o Salmo 82 nos conduz a uma pergunta
que não podemos evitar:
O que estamos fazendo neste mundo?
Não fomos chamados para viver uma fé
indiferente. Fomos chamados para servir, acolher, proteger e agir. A
igreja deve ser uma presença que anuncia a verdade, pratica a misericórdia e
promove a dignidade humana.
Isso não significa agir com ódio, vingança ou
divisão. Significa agir com verdade, sabedoria, coragem e amor,
fundamentados na Palavra de Deus.
Talvez você não consiga transformar toda a
sociedade. Mas pode transformar o dia de alguém. Pode ouvir quem ninguém
escuta. Pode ajudar quem precisa. Pode defender alguém que está sendo
injustiçado. Pode acolher quem foi rejeitado.
Não fique de braços cruzados diante da dor.
O Salmo 82 nos chama à ação:
“Defendam o direito dos fracos e dos órfãos;
façam justiça aos aflitos e desamparados.”
Que o Senhor nos dê coragem para viver uma fé
que não apenas fala de justiça, mas pratica a justiça; que não apenas fala de
compaixão, mas demonstra compaixão.
Uma igreja que se importa não fecha os olhos
para a dor. Ela vê, escuta, acolhe e age.
ESCUTEM,
LEMBREM DO SEU PASSADO E VIVAM O MELHOR DE DEUS!
SALMO
81
Como
você trata o seu passado? E como tem vivido o seu presente? Você tem conseguido
escutar as pessoas ou está tão cercado de ruídos que já não consegue ouvir
aquilo que realmente importa?
E
se parte do que estamos vivendo hoje estiver relacionada às escolhas que
fizemos ontem? E se, em algum momento, deixamos de ouvir a voz de Deus e
começamos a seguir apenas os nossos próprios caminhos?
Chegamos
ao Salmo 81, um texto que começa com celebração e adoração, mas que, no
decorrer da leitura, muda completamente de tom. O povo é chamado a cantar, mas
Deus também o chama a escutar. A celebração dá lugar à reflexão, e a
memória da fidelidade de Deus confronta a infidelidade do seu povo.
O
Salmo nos conduz a três atitudes fundamentais: escutar, lembrar e obedecer.
ESCUTE
A VOZ DE DEUS
A
primeira palavra é escute.
Vivemos
cercados por vozes. Notícias, redes sociais, opiniões, preocupações, cobranças,
ansiedade e tantas outras informações disputam diariamente nossa atenção. Em
meio a tantos ruídos, podemos perder a sensibilidade para ouvir Deus.
Por
isso, precisamos voltar à Palavra.
Escute
o que Deus diz por meio das Escrituras. Permita que o Espírito Santo conduza
seu coração. Faça silêncio suficiente para perceber aquilo que o Senhor está
ensinando.
No
Salmo 81, Deus diz:
“Escute,
meu povo, as minhas admoestações. Ó Israel, se ao menos você me escutasse!” 📖 Salmo 81:8 — NAA
Israel
conhecia a ação de Deus. Havia experimentado a libertação do Egito, o cuidado
no deserto e a presença do Senhor ao longo da sua história. Mas, em determinado
momento, deixou de ouvir.
O
problema não era a ausência de Deus.
O
problema era a ausência de escuta.
LEMBRE-SE
DA FIDELIDADE DE DEUS
Deus
então conduz o povo de volta à memória. Ele lembra Israel de onde o havia
tirado e de como havia ouvido o seu clamor.
Isso
nos ensina algo precioso: a memória da fidelidade de Deus fortalece a nossa
fé no presente.
Por
isso, pare e pense: quantas portas Deus já abriu? Quantas vezes Ele sustentou
você quando parecia não haver forças? Quantos livramentos você só percebeu
depois? Quantas orações foram respondidas? Quantas vezes você pensou que não
conseguiria e, ainda assim, Deus fez você chegar até aqui?
Talvez
precisemos fazer uma pausa e contar as bênçãos.
Lembrar
não significa viver preso ao passado. Significa reconhecer aquilo que Deus já
fez e permitir que essa memória nos ajude a confiar nele diante do que ainda
não conhecemos.
Quem
se lembra da fidelidade de Deus encontra forças para enfrentar o presente.
NÃO
BASTA CONHECER. É PRECISO OBEDECER.
O
Salmo 81 apresenta uma das declarações mais fortes:
“Mas o
meu povo não escutou a minha voz; Israel não quis saber de mim.” 📖 Salmo 81:11 — NAA
Que
palavra séria!
Israel
tinha práticas religiosas. Havia culto, cânticos e celebração. Mas é possível
manter uma rotina religiosa e, ainda assim, não estar disposto a ouvir Deus.
Não
basta estar na igreja. Não basta servir. Não basta saber o que a Bíblia ensina.
É
preciso obedecer.
Conhecimento
sem prática não transforma nossa caminhada.
Por
isso, depois de escutar e lembrar, vem a decisão: obedecer.
Obedecer
significa parar de seguir apenas nossos próprios desejos e permitir que a
Palavra de Deus oriente nossas escolhas.
JESUS
NOS CHAMA A OUVIR E SEGUIR
Quando
chegamos ao Novo Testamento, encontramos uma conexão profunda com o Salmo 81.
Jesus declara:
“As
minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.” 📖 João 10:27 — NAA
Jesus
não fala apenas de ouvir. Ele fala de ouvir e seguir.
Existe
relacionamento.
Ele
conhece suas ovelhas, e elas reconhecem sua voz.
Seguir
Jesus significa colocar em prática aquilo que Ele ensinou. Significa amar,
servir, perdoar, acolher, cuidar e viver de maneira que as pessoas possam
perceber os valores do Reino de Deus por meio das nossas atitudes.
Nossa
fé não pode ficar apenas nas palavras que pronunciamos no culto. Ela precisa
aparecer na maneira como vivemos quando saímos da igreja e voltamos para a vida
cotidiana.
ESCUTE.
LEMBRE. OBEDEÇA.
Talvez
Deus esteja chamando você hoje para uma decisão simples e profunda: abrir
mais espaço na agenda para ouvi-lo.
Comece
pela Palavra de Deus. Leia a Bíblia pela manhã. Antes que os ruídos do dia
ocupem sua mente, permita que a voz de Deus seja a primeira a ser ouvida.
E
faça algo muito simples: registre aquilo que Deus tem feito em sua vida. Anote
livramentos, respostas de oração, portas abertas e pequenas bênçãos que muitas
vezes passam despercebidas.
Conte
as bênçãos. Não se esqueça de nenhuma delas.
Depois,
pergunte:
“Senhor,
o que o Senhor está me ensinando hoje?”
E,
quando ouvir, obedeça.
O
Salmo 81 não nos chama apenas a olhar para trás. Ele nos convida a usar a
memória da fidelidade de Deus para viver o presente com fé e o futuro com
confiança.
Escute
a voz de Deus. Lembre-se da fidelidade de Deus. Obedeça à Palavra de Deus.
Talvez
você esteja diante de uma decisão. Talvez esteja cansado. Talvez esteja
pensando em desistir.
Pare.
Escute.
Lembre-se.
E
siga Jesus.
Você
não está sozinho.
Deus
continua falando. Deus continua cuidando. Deus continua chamando.
A
pergunta é:
Você
está disposto a escutar?
Que
hoje sua oração seja:
“Senhor,
ajuda-me a ouvir a tua voz, lembrar da tua fidelidade e obedecer à tua
Palavra.”
Você
já passou por alguma situação em que chegou à conclusão de que sua única oração
deveria ser: “Restaura-me, ó Deus!”? Talvez você esteja vivendo um
momento em que percebe que precisa ser restaurado. Existem momentos em nossa
caminhada em que fraquejamos, momentos em que nossa fé é colocada à prova,
momentos em que nos sentimos abandonados e até momentos em que nos tornamos
autossuficientes, acreditando que não precisamos de ninguém — nem mesmo de
Deus.
É
nesse contexto de dependência que podemos nos aproximar do Salmo 80.
Nele encontramos um povo clamando por restauração. A oração do salmista não
nasce de uma situação confortável. Ela nasce da crise, da perda e da
consciência de que somente Deus pode restaurar aquilo que foi destruído.
O
Salmo 80 apresenta a imagem de Israel como uma videira que Deus trouxe do Egito
e plantou na terra. O salmista recorda a história desse povo: Deus o libertou
da escravidão, conduziu-o pelo deserto, cuidou dele e o estabeleceu na terra
prometida. Ao longo da história de Israel, o povo experimentou períodos de
crescimento, prosperidade e estabilidade, mas também momentos de afastamento de
Deus, conflitos e derrotas.
É
importante perceber que o Salmo 80 não é simplesmente uma narrativa histórica.
É, sobretudo, uma oração. O salmista olha para a realidade que está
vivendo e clama para que Deus volte a manifestar sua misericórdia.
Por
três vezes aparece o pedido de restauração. No versículo 3, encontramos: “Restaura-nos,
ó Deus; faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos” (Salmo 80:3 —
NAA). A mesma súplica reaparece no versículo 7 e, novamente, no versículo 19. É
como se o povo estivesse dizendo: “Senhor, precisamos de Ti. Precisamos
novamente da tua presença. Precisamos ser restaurados.”
A
VIDEIRA QUE DEUS PLANTOU
Uma
das imagens mais bonitas do Salmo 80 é justamente a da videira. O salmista
declara que Deus trouxe uma videira do Egito, expulsou as nações e a plantou
(Salmo 80:8 — NAA).
A
imagem comunica cuidado, propósito e crescimento. Deus não apenas tirou Israel
do Egito; Deus o conduziu, protegeu e estabeleceu. A videira cresceu porque
havia sido plantada e cuidada por Deus.
Mas
existe uma realidade dolorosa nessa história: aquilo que Deus plantou também
poderia se afastar dele.
E
quantas vezes isso acontece conosco?
Deus
nos alcança, nos abençoa, abre portas, cuida de nós, sustenta nossa caminhada e
nos permite crescer. Mas, com o passar do tempo, podemos começar a nos
distanciar.
O
trabalho ocupa nosso tempo.
Os
estudos ocupam nossa mente.
As
responsabilidades ocupam nossa agenda.
As
redes sociais ocupam nossa atenção.
As
preocupações ocupam nosso coração.
E,
pouco a pouco, podemos continuar vivendo, trabalhando e realizando muitas
coisas, enquanto nossa intimidade com Deus vai diminuindo.
Talvez
o problema não seja que deixamos de acreditar em Deus. Talvez o problema seja
que começamos a viver como se conseguíssemos viver sem Ele.
QUANDO
PRECISAMOS SER RESTAURADOS
Por isso, a oração do Salmo 80 precisa se
tornar uma oração pessoal:
“Restaura-nos, Senhor!”
Restaura a nossa fé.
Restaura o nosso amor.
Restaura a nossa alegria.
Restaura nossa disposição para servir.
Restaura nossos relacionamentos.
Restaura nossa comunhão contigo.
Mas existe algo importante: restauração não
significa simplesmente voltar ao ponto em que estávamos antes. Muitas vezes,
Deus usa os momentos de crise para nos levar a uma compreensão mais profunda de
quem Ele é e de quem somos diante dele.
A restauração começa quando reconhecemos nossa
dependência de Deus.
É preciso ter um coração disponível para ouvir
a voz do Senhor, receber sua Palavra e permitir que Ele transforme nossa
maneira de viver.
RESTAURAÇÃO
TAMBÉM É APRENDER A AMAR
Existe outra dimensão da restauração que não
podemos ignorar.
Precisamos restaurar o amor.
Servimos a Deus quando cuidamos de pessoas.
Servimos a Deus quando amamos pessoas.
Servimos ao Senhor quando nossa fé deixa de ser
apenas um discurso e se transforma em atitudes concretas de cuidado, compaixão
e serviço.
Uma vida conectada com Deus começa a produzir
frutos na maneira como tratamos aqueles que estão ao nosso redor.
Não podemos dizer que queremos ser restaurados
por Deus e continuar indiferentes à dor do outro.
A restauração que Deus realiza em nós também
precisa alcançar nossos relacionamentos.
Precisamos recuperar a alegria de viver.
A alegria de servir.
A alegria de estar na presença de Deus.
A alegria de olhar para o próximo e enxergar
nele alguém criado à imagem de Deus.
JESUS,
A VIDEIRA VERDADEIRA
Quando olho para a imagem da videira no Salmo
80, imediatamente penso em Jesus.
No Evangelho de João, Jesus declara:
“Eu sou a videira verdadeira.” João 15:1 — NAA
Essa afirmação nos conduz ao centro da vida
cristã.
A primeira etapa da restauração é estar
ligado à Videira.
Jesus não disse apenas que era uma videira. Ele
declarou ser a videira verdadeira.
Isso significa que nossa vida precisa estar
conectada a Cristo.
Quando permanecemos nele, encontramos a fonte
da nossa vida espiritual. É dele que recebemos força para crescer, perseverar e
produzir frutos.
Talvez você esteja tentando restaurar sua vida
sozinho.
Talvez esteja tentando consertar seus
relacionamentos sozinho.
Talvez esteja tentando recuperar sua alegria
sozinho.
Mas o Salmo 80 nos convida a começar de outro
lugar:
“Restaura-nos, ó Deus.”
E Jesus nos lembra:
“Eu sou a videira verdadeira.”
A restauração começa em uma vida novamente
conectada a Cristo.
VOCÊ
É AMADO POR DEUS
Existe ainda uma verdade que precisamos guardar
no coração: você é amado por Deus.
Você não precisa conquistar o amor de Deus por
meio do seu desempenho.
Você não precisa provar que é importante.
Você já foi alcançado pela graça.
Quando olhamos para Cristo e para a cruz,
percebemos a dimensão desse amor. Deus não ficou indiferente à nossa condição.
Em Jesus, vemos a manifestação da graça e do amor de Deus.
A Primeira Carta de João afirma:
“Nós
amamos porque ele nos amou primeiro.” 1 João 4:19 — NAA
Que verdade maravilhosa!
Nós somos amados e, por isso, somos chamados a
amar.
Quando compreendemos quem somos diante de Deus,
também começamos a olhar para as pessoas de uma maneira diferente.
O
QUE PRECISA SER RESTAURADO EM VOCÊ?
Agora quero fazer uma pergunta muito pessoal: qual
área da sua vida precisa ser restaurada? Talvez seja sua comunhão com Deus,
sua fé, seu casamento, um relacionamento familiar, sua alegria ou sua
disposição para servir. Talvez seja simplesmente o desejo de voltar a sentir
prazer na presença do Senhor.
Não
tenha medo de reconhecer sua necessidade. O salmista não teve medo de clamar.
Ele não escondeu sua fragilidade. Ele olhou para sua realidade e disse: “Restaura-nos,
ó Deus!” (Salmo 80:3 — NAA). Essa também pode ser a sua oração hoje.
RESTAURA,
SENHOR!
Talvez
hoje você precise fazer uma pausa, desligar um pouco o barulho, deixar de lado
as preocupações e abrir o coração diante de Deus. Talvez tudo o que você
consiga dizer seja: “Senhor, restaura-me.” Restaura o meu amor por Ti.
Restaura o meu amor pelas pessoas. Restaura minha alegria. Restaura minha
esperança. Restaura aquilo que foi quebrado dentro de mim. Ensina-me novamente
a permanecer em Cristo.
Quando
estamos ligados à Videira verdadeira, podemos continuar crescendo, produzindo
frutos e vivendo de acordo com o propósito de Deus. Jesus declarou: “Eu sou
a videira verdadeira” (João 15:1 — NAA). Permanecer em Cristo é reconhecer
que não somos autossuficientes e que precisamos diariamente da presença, da
graça e do cuidado de Deus.
O
Salmo 80 nos lembra que a restauração começa quando reconhecemos que
precisamos de Deus. Por isso, não tenha vergonha de clamar. Não tenha medo
de reconhecer sua necessidade. Não tente carregar tudo sozinho. Volte para a
presença do Senhor. Permaneça em Cristo. E permita que Deus restaure aquilo que
precisa ser restaurado.
Que
hoje a sua oração seja simples e profunda: “RESTAURA-NOS, Ó DEUS!”
Que
Deus restaure sua fé, sua esperança, seus relacionamentos e seu amor. E que sua
vida, ligada à Videira verdadeira, produza frutos que abençoem outras vidas.
Que
Deus, em sua graça e misericórdia, abençoe grandemente o seu dia.
PARA
REFLETIR
Qual
área da minha vida precisa ser restaurada por Deus?
Você já olhou para uma situação acontecendo ao
seu redor e sentiu vontade de gritar: “Até quando, Senhor? Até quando vamos
ter que suportar tudo isso? Até quando o mal vai parecer estar se sobrepondo ao
bem? Até quando veremos pessoas sofrendo, sendo humilhadas e tendo sua
dignidade desrespeitada?”
Essa é uma pergunta profundamente humana. E é
também uma pergunta bíblica.
Hoje, na nossa caminhada pelos 150 dias
lendo o livro de Salmos, chegamos ao Salmo 79. Encontramos aqui uma oração
que nasce em meio à destruição, à dor, ao sofrimento e à perplexidade.
Jerusalém foi devastada, o lugar de adoração foi profanado e o povo
experimentou uma das maiores tragédias de sua história. O Salmo 79 pertence
justamente ao conjunto de cânticos que expressam o lamento diante da destruição
e da violência.
Não é uma oração feita em um ambiente
tranquilo. É uma oração feita quando tudo parece estar desmoronando.
QUANDO
A DOR NOS FAZ PERGUNTAR: ATÉ QUANDO?
O ser humano não foi criado para viver em
permanente estado de dor, violência e ruptura. A narrativa bíblica apresenta a
humanidade como criada à imagem e semelhança de Deus, chamada para viver em
relacionamento com o Criador e com o próximo.
Quando olhamos para a história de Israel,
percebemos que o afastamento de Deus, a idolatria e a injustiça tiveram
consequências profundas. Os livros históricos e proféticos relacionam a queda
de Jerusalém ao longo processo de infidelidade do povo à aliança com Deus. A
destruição da cidade e do templo não aconteceu em um vazio histórico ou
espiritual.
Por isso, o Salmo 79 também nos convida a olhar
para nossas próprias escolhas.
Nós temos escolhas. Temos caminhos.
E a Palavra de Deus continua nos chamando a
escolher o caminho da obediência, a ouvir a voz do Senhor e a cultivar
intimidade com Deus.
Precisamos perguntar: como estamos vivendo?
Para onde estamos caminhando? O que estamos fazendo com a vida que Deus nos
deu?
JERUSALÉM
EM RUÍNAS
O salmista começa descrevendo uma realidade
devastadora. A cidade que representava a identidade nacional e religiosa de
Israel estava destruída. O templo, centro da adoração, havia sido profanado.
Jerusalém, que tantas vezes havia sido
apresentada como símbolo de uma cidade estabelecida, agora estava marcada pela
destruição.
É impossível ler esse Salmo sem perceber a
profundidade da dor. E talvez seja justamente por isso que ele continue falando
conosco.
Quando olhamos para o mundo à nossa volta,
encontramos sofrimento, violência, injustiça, pobreza, desigualdade, conflitos
e pessoas cuja dignidade é diariamente ferida.
Também podemos olhar para o nosso próprio país
e perceber quanto precisamos recuperar valores fundamentais para a convivência
humana: respeito, responsabilidade, justiça, verdade, compaixão e dignidade.
Em tempos de tanta polarização, não precisamos
transformar a fé em instrumento de disputa. Precisamos recuperar a capacidade
de olhar para o outro como alguém criado à imagem de Deus.
Precisamos de mais humanidade.
Precisamos de mais compaixão.
Precisamos aprender novamente a discordar sem
desumanizar.
E precisamos lembrar que nenhuma estrutura
humana ocupa o lugar de Deus.
“NÃO
NOS LEVE EM CONTA AS MALDADES DOS NOSSOS ANTEPASSADOS”
No versículo 8, encontramos uma oração
profundamente significativa:
“Não
nos leve em conta as maldades dos nossos antepassados.” Salmo 79:8 — NAA
O salmista reconhece que existe uma história
por trás daquela tragédia.
Existem erros cometidos anteriormente.
Existem escolhas que produziram consequências.
Mas agora o povo está diante de Deus clamando
por misericórdia.
Existe aqui uma lição importante: não
podemos mudar o passado, mas podemos decidir o que faremos a partir de agora.
Não precisamos repetir os mesmos erros.
Não precisamos perpetuar ciclos de violência.
Não precisamos reproduzir a intolerância.
Não precisamos ensinar às próximas gerações a
cultura do ódio, da vingança e da desumanização.
Podemos escolher outro caminho.
Podemos buscar reconciliação.
Podemos praticar justiça.
Podemos exercer misericórdia.
Podemos voltar para Deus.
“AJUDA-NOS,
Ó DEUS E SALVADOR NOSSO”
Então chegamos ao versículo 9, um dos grandes
centros da oração:
“Ajuda-nos,
ó Deus e Salvador nosso, pela glória do teu nome; livra-nos e perdoa os nossos
pecados, por amor do teu nome.” Salmo 79:9 — NAA
Observe a profundidade desse pedido.
O salmista não está simplesmente dizendo:
“Senhor, mude as nossas circunstâncias.”
Ele está dizendo:
“Senhor, perdoa-nos.”
“Senhor, salva-nos.”
“Senhor, ajuda-nos.”
Existe uma percepção de que a verdadeira
restauração não é apenas reconstruir paredes, cidades ou estruturas.
É preciso restaurar o relacionamento com Deus.
Essa é uma das grandes mensagens do Salmo 79.
Podemos desejar mudanças ao nosso redor e, ao
mesmo tempo, precisar de mudanças dentro de nós.
Podemos pedir uma sociedade melhor e continuar
precisando de um coração transformado.
Podemos reclamar da falta de justiça e, ao
mesmo tempo, precisar perguntar se estamos praticando justiça nas pequenas
coisas da nossa própria vida.
A
RESPOSTA DE DEUS
E aqui a nossa leitura do Salmo encontra a
história de Jesus.
Quando olhamos para toda a narrativa bíblica,
percebemos que Deus não ficou indiferente à condição humana. A resposta de Deus
à nossa necessidade de perdão e reconciliação encontra sua expressão plena em Jesus
Cristo.
Jesus veio anunciar o Reino de Deus.
Jesus ensinou sobre justiça.
Jesus ensinou sobre amor.
Jesus acolheu os desprezados.
Jesus aproximou-se dos que sofriam.
Jesus ensinou seus discípulos a servir.
Jesus confrontou a hipocrisia.
Jesus revelou a graça de Deus.
E, na cruz, entregou a própria vida por nós.
Por isso, quando o salmista clama:
“Ajuda-nos, ó Deus e Salvador nosso”, nós
podemos olhar para Cristo e reconhecer a grandeza da graça de Deus.
A salvação vem do Senhor.
ESTAMOS
VIVENDO COMO JESUS NOS ENSINOU?
Talvez essa seja uma das perguntas mais
importantes que o Salmo 79 nos deixa.
O que estamos fazendo com tudo aquilo que Jesus
ensinou?
Jesus nos ensinou a amar o próximo.
Estamos amando?
Jesus nos ensinou a servir.
Estamos servindo?
Jesus nos ensinou a perdoar.
Estamos perdoando?
Jesus nos ensinou a cuidar dos pequenos e
vulneráveis.
Estamos cuidando?
Jesus nos ensinou a buscar primeiro o Reino de
Deus.
Estamos colocando o Reino em primeiro lugar?
É muito fácil olhar para a sociedade e dizer:
“Senhor, até quando?”
Mas talvez Deus também esteja nos perguntando:
“E você? O que está fazendo com a missão que
coloquei em suas mãos?”
NO
MEIO DA DOR, AINDA PODEMOS ORAR
O primeiro grande aprendizado do Salmo 79 é
este:
No meio da dor, você pode orar.
Você pode dizer:
“Até quando, Senhor?”
A Bíblia não nos ensina a esconder nossa dor.
O salmista não finge que está tudo bem.
Ele não transforma sofrimento em discurso
religioso superficial.
Ele olha para a realidade e clama.
Isso é muito importante.
Há momentos em que nossa oração não será uma
oração bonita.
Será uma oração de lágrimas.
Será uma oração de perguntas.
Será uma oração de quem simplesmente consegue
dizer:
“Senhor, ajuda-me!”
E Deus continua sendo Deus também nesses
momentos.
NOSSA
ESPERANÇA ESTÁ NO SENHOR
O Salmo 79 não nos autoriza a abandonar a
esperança. Pelo contrário.
A oração nasce justamente porque o salmista
ainda acredita que Deus pode agir.
Ele olha para a destruição, mas continua
olhando para Deus.
E essa é uma diferença fundamental.
A realidade pode ser difícil, mas Deus continua
sendo Deus.
Governos passam.
Estruturas mudam.
Pessoas mudam.
Circunstâncias mudam.
Mas nossa esperança não pode estar fundamentada
exclusivamente em estruturas humanas.
Nossa esperança está no Senhor.
Por isso, diante daquilo que nos angustia,
precisamos orar.
Orar pelo nosso país.
Orar pelas famílias.
Orar pelos que sofrem.
Orar pelos que exercem autoridade.
Orar pelos que pensam diferente de nós.
Orar pela Igreja.
E, principalmente, orar para que Deus
transforme primeiro o nosso próprio coração.
UMA
IGREJA QUE HUMANIZA
Talvez aqui esteja uma das grandes
contribuições que podemos oferecer ao nosso tempo. Uma Igreja que se importa. Uma
Igreja que não apenas fala sobre justiça, mas pratica justiça. Uma Igreja que
não apenas fala sobre amor, mas ama. Uma Igreja que não apenas denuncia a
desumanização, mas humaniza suas relações. Uma Igreja que não apenas pergunta “até
quando, Senhor?”, mas também pergunta:
“Senhor, o que posso fazer enquanto espero a
tua intervenção?”
A nossa esperança está em Deus.
Mas a nossa atitude precisa acontecer aqui e
agora.
Deus pode usar nossa vida para levar consolo a
alguém.
Pode usar nossas mãos para servir.
Pode usar nossa voz para anunciar o Evangelho.
Pode usar nossa presença para acolher.
Pode usar nossa compaixão para restaurar
dignidade.
ATÉ
QUANDO, SENHOR?
Talvez você esteja vivendo hoje o seu próprio
Salmo 79.
Talvez exista uma situação que você não
consegue resolver.
Talvez você esteja olhando para sua família e
perguntando:
“Até quando?”
Talvez seja uma situação profissional.
Uma injustiça.
Uma preocupação com o futuro.
Uma dor que ninguém conhece.
Ou talvez você esteja simplesmente olhando para
o mundo e perguntando:
“Até quando, Senhor?”
Hoje, leve essa pergunta para Deus.
Mas não pare nela.
Depois de perguntar “até quando?”, faça
também outra pergunta:
“Senhor, o que o Senhor deseja fazer em mim e
através de mim enquanto espero?”
Essa pode ser uma oração transformadora.
VAMOS
À LUTA, POVO DE DEUS!
O Salmo 79 nos ensina que podemos lamentar sem
perder a fé. Podemos chorar sem abandonar a esperança. Podemos reconhecer a
realidade sem deixar de confiar em Deus. Podemos olhar para um mundo ferido e
decidir ser instrumentos de cura. Podemos olhar para uma sociedade marcada pela
desumanização e escolher viver a compaixão. Podemos olhar para a injustiça e
escolher praticar a justiça. Podemos olhar para o sofrimento e escolher servir.
E podemos olhar para Cristo e lembrar:
Deus
não ficou indiferente à nossa condição.
Por isso, povo de Deus, vamos à luta!
Não uma luta contra pessoas.
Mas uma luta pela vida.
Pela dignidade.
Pela verdade.
Pela justiça.
Pelo amor.
Pelo Evangelho.
Onde você estiver, seja um instrumento de
bênção nas mãos do Senhor.
E quando seu coração perguntar:
“Até quando, Senhor?”
Continue orando.
Continue servindo.
Continue confiando.
Porque a nossa esperança continua no Deus que
salva.
Que Deus, em sua misericórdia, abençoe
grandemente o seu dia.
📖Leia
hoje o Salmo 79.
Estamos caminhando juntos nos 150 dias lendo
o livro de Salmos.
Um Salmo por dia. Um encontro com Deus.
PARA
REFLETIR
O
que precisa ser restaurado primeiro: a realidade ao meu redor ou o meu coração
diante de Deus?