—
QUANDO DEUS PARECE SILENCIOSO...
SALMO
44
Sabe aquele momento em que você faz tudo certo
e, no final, parece que tudo dá errado? Ou aquele momento em que você está
mantendo a sua intimidade com Deus, vivendo a sua fé, cumprindo os seus
compromissos e procurando obedecer ao Senhor, mas, no final das contas,
sente-se abandonado e desamparado por ele?
Se você já se sentiu assim, saiba de uma coisa:
você não é a única pessoa a passar por esse tipo de experiência. Muitas vezes,
em nossa caminhada, cercados por tantas injustiças e por tanta maldade neste
mundo, podemos nos sentir abandonados pelo Senhor. Sentimos dores, sofremos,
enfrentamos doenças, somos traídos, passamos por perdas e decepções. Mesmo
assim, quero dizer a você: Deus continua olhando por nós. Deus continua
presente. Deus continua fazendo diferença em nossa vida.
Hoje estamos lendo o Salmo 44, dentro da nossa
caminhada dos 150 Dias Lendo o Livro de Salmos. Tem sido uma
oportunidade maravilhosa de, a cada salmo, crescermos em nossa intimidade com
Deus. A cada leitura, encontramos pessoas como eu e você, que abrem o coração
diante do Senhor, contam suas dores, seus sofrimentos e, ao mesmo tempo,
declaram sua esperança, sua fé e sua confiança.
O Salmo 44 é uma oração comunitária. O texto
apresenta um povo atravessando um momento de dor. Não era apenas uma pessoa
sofrendo. Era o povo de Israel enfrentando uma situação de sofrimento,
humilhação, rejeição e derrota. É como se o povo estivesse dizendo: “Senhor,
nós não nos esquecemos de ti. Estamos procurando fazer aquilo que o Senhor nos
mandou. Então, por que estamos sofrendo?”
Eles estavam sendo humilhados, rejeitados e
enfrentando derrotas. Pessoas poderiam olhar para eles e perguntar:
“Onde está o Deus de vocês?” E agora, como
lidar com tudo isso?
Quando leio esse salmo, percebo algo muito
importante: não é pecado dizer a Deus o que estamos sentindo. Pelo contrário.
Deus conhece o nosso coração. Ele sabe das nossas dores, dos nossos medos, das
nossas angústias e das nossas dúvidas. O Senhor deseja que tenhamos intimidade
suficiente para falar com ele com sinceridade, apresentando não apenas o nosso
louvor e a nossa adoração, mas também aquilo que está doendo dentro de nós.
Deus deseja relacionamento. Deus deseja
verdade. Deus deseja intimidade.
O salmista apresenta um povo que conhece a
história de Deus.
Eles sabem quem Deus é e sabem aquilo que ele
já havia realizado. Eles se lembram das obras do Senhor. Deus havia conduzido o
seu povo, dado vitórias, protegido, ensinado e cuidado.
O povo conhecia a história da ação de Deus em
seu favor. E agora surge aquela pergunta tão humana: “E agora, Senhor?” Por que
estamos passando por tudo isso? Essa pergunta não demonstra necessariamente
falta de fé. Ela pode revelar justamente a existência de um relacionamento.
Quando temos intimidade com alguém, conseguimos
abrir o coração e dizer aquilo que estamos sentindo. E essa é uma das grandes
riquezas dos Salmos. Eles nos ensinam que podemos conversar com Deus sobre
tudo. O mesmo Deus que conduziu o seu povo no passado continua sendo Deus no
presente. O mesmo Deus que cuidou ontem continua cuidando hoje.
O Salmo 44 apresenta uma declaração muito
forte: “Mas, por amor de ti, somos entregues à morte
continuamente, somos considerados como ovelhas para o matadouro.”
(Salmo 44.22 — NAA). Quando leio esse versículo, percebo o quanto os Salmos
continuam falando conosco e também como suas palavras aparecem posteriormente
no Novo Testamento. O apóstolo Paulo, escrevendo aos cristãos de Roma, retoma
exatamente essa passagem: “Como está escrito: ‘Por amor de ti, somos
entregues continuamente à morte; fomos considerados como ovelhas para o
matadouro.’” (Romanos 8.36 — NAA). É
impressionante perceber essa conexão.
Paulo está dizendo à Igreja que o sofrimento
não era uma novidade para o povo de Deus. Os seguidores de Cristo também
poderiam enfrentar dificuldades, perseguições e sofrimento.
Mas Paulo não termina nesse versículo. E isso é
fundamental. Depois de apresentar a realidade do sofrimento, ele apresenta a
realidade da vitória. Primeiro, ele pergunta: “Quem nos separará do amor de
Cristo?” (Romanos 8.35 — NAA). E, depois, declara: “Em todas estas
coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.” (Romanos
8.37 — NAA). Que declaração poderosa! O sofrimento existe. A dor existe. A
perseguição existe. As perdas existem. Mas nenhuma dessas coisas tem poder para
nos separar do amor de Cristo.
Quando olhamos para os Salmos à luz do Novo
Testamento, encontramos Jesus. Jesus conheceu o sofrimento. Conheceu a
rejeição. Conheceu a injustiça. Conheceu a solidão. Conheceu a cruz. Isaías já
havia anunciado que o Servo do Senhor seria levado como uma ovelha ao
matadouro: “Como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda
diante dos seus tosquiadores, ele não abriu a boca.” (Isaías
53.7 — NAA). João Batista, ao reconhecer Jesus, declarou: “Eis o
Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João
1.29 — NAA).
Jesus não foi abandonado pelo Pai porque
sofreu. Sua cruz fazia parte da missão que havia recebido. E a cruz não foi o
fim. Depois da cruz veio a ressurreição. Por isso, quando olhamos para Jesus,
compreendemos que sofrimento não significa necessariamente abandono de Deus.
Ser como uma ovelha conduzida ao matadouro não significa estar fora do cuidado
do Senhor. Podemos atravessar momentos difíceis e, ainda assim, continuar
debaixo da graça, do cuidado e do amor de Deus.
Talvez você esteja vivendo exatamente isso
hoje. Você está orando. Está tentando fazer a coisa certa. Está procurando
obedecer a Deus. Está confiando no Senhor. Mas não consegue entender o que está
acontecendo. Nesse momento, abra o seu coração diante de Deus. Fale com ele.
Chore diante dele. Apresente sua dor. Mas não deixe de confiar.
O Salmo 44 nos mostra pessoas que sofrem,
choram, têm medo e enfrentam dificuldades, mas continuam buscando a presença do
Senhor. Isso também é fé. Fé não significa fingir que está tudo bem. Fé
significa continuar confiando em Deus mesmo quando não conseguimos compreender
todas as coisas.
Por isso, se hoje você está passando por um
momento difícil, lembre-se: Deus não nos desampara. Deus não nos abandona. Olhe
para Jesus. Ele conhece o sofrimento. Ele conhece a rejeição. Ele conhece a
cruz. Mas, acima de tudo, ele venceu a morte para nos dar a certeza da vida
eterna.
A continuidade do Salmo 44 encontra uma
resposta poderosa em Romanos 8. Paulo reconhece o sofrimento, mas não permite
que o sofrimento seja a palavra final. Ele olha para Cristo e declara: “Em
todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos
amou.” (Romanos 8.37 — NAA). Essa é a nossa esperança. Não somos
vencedores porque nunca sofremos. Não somos vencedores porque nunca choramos.
Não somos vencedores porque tudo sempre acontece como desejamos. Somos mais que
vencedores por meio daquele que nos amou.
Cristo é a nossa vitória. Cristo é a nossa
esperança. Cristo é aquele que permanece conosco quando não entendemos o
caminho. Por isso, se hoje você está atravessando um momento de dor, não
conclua que Deus se esqueceu de você. Talvez você não esteja entendendo o que
está acontecendo. Talvez Deus pareça silencioso. Mas o silêncio de Deus não
significa a ausência de Deus.
Continue orando. Continue confiando. Continue
caminhando. Continue olhando para Jesus. Porque a dor faz parte da caminhada,
mas a dor não tem a palavra final. A palavra final está em Cristo. E, em
Cristo, podemos declarar: “Em todas estas coisas, porém, somos mais
que vencedores, por meio daquele que nos amou.” (Romanos
8.37 — NAA).
Que Deus abençoe o seu dia.
Cláudio
Eduardo M Costa
Pastor,
Humanizando
Compaixão
150 Dias Lendo o Livro de Salmos