terça-feira, 15 de setembro de 2026

QUANDO DEUS PARECE DISTANTE... — SALMO 77

 


QUANDO DEUS PARECE DISTANTE...

SALMO 77

 

Você já passou por algum momento da vida em que orou ao Senhor, mas parecia que Deus não estava ouvindo? Você clamou, esperou por uma resposta, mas ela não veio. Talvez a dor e o sofrimento fossem tão grandes que você chegou a se sentir sozinho. É sobre isso — e muito mais — que quero conversar com você hoje, a partir do Salmo 77.

O Salmo 77 é atribuído a Asafe, que transforma em palavras a sua dor, o seu sofrimento e a sua angústia. Ele não tenta esconder aquilo que está sentindo. Pelo contrário, coloca tudo diante de Deus. E talvez essa seja uma das primeiras lições que encontramos neste Salmo: podemos levar a Deus aquilo que realmente estamos sentindo.

Logo nos primeiros versículos, percebemos a intensidade da experiência de Asafe. Ele diz:

“Elevo a Deus a minha voz e clamo; elevo a Deus a minha voz, para que me atenda. No dia da minha angústia, procuro o Senhor; à noite, estendo as mãos sem cessar; a minha alma não se consola.” Salmos 77.1-2 — NAA

Asafe está angustiado. Ele procura o Senhor, clama, estende as mãos e não encontra consolo naquele momento. Observe que o texto não afirma que Deus o havia abandonado. Asafe estava vivendo a sensação de abandono. A dor era tão intensa que parecia ocupar todo o espaço da sua experiência.

Existem momentos assim em nossa caminhada. A dor pode parecer maior do que a nossa fé. O sofrimento pode falar tão alto que temos dificuldade de perceber a presença de Deus. Podemos continuar acreditando em Deus e, ao mesmo tempo, atravessar momentos de profunda angústia.

Asafe não esconde suas perguntas. No versículo 7, ele continua verbalizando aquilo que está dentro do seu coração:

“Será que o Senhor rejeitará para sempre? Será que nunca mais tornará a ser favorável?” Salmos 77.7 — NAA

São perguntas difíceis. Mas elas mostram que Asafe está lutando com aquilo que sente e, ao mesmo tempo, continua buscando Deus. Ele não abandona o Senhor; ele leva suas perguntas para a presença do Senhor.

E então acontece uma mudança importante na narrativa. Asafe decide olhar para trás. Em vez de permanecer contemplando apenas a sua dor e o seu sofrimento, ele começa a recordar quem Deus é e aquilo que Deus já fez.

No versículo 11, encontramos uma das declarações mais importantes de todo o Salmo:

“Recordarei os feitos do Senhor; sim, eu me lembrarei das tuas maravilhas da antiguidade.” Salmos 77.11 — NAA

Perceba a mudança de perspectiva. No início do Salmo, Asafe olha para a sua dor. Agora, ele começa a olhar para Deus, para aquilo que Deus é e para aquilo que Deus já fez.

Ele está dizendo, em outras palavras: “Eu expressei a minha dor. Eu coloquei diante de Deus aquilo que estou sentindo. Mas Deus continua sendo Deus. O Senhor continua sendo o Senhor.”

Essa é uma verdade que precisamos guardar no coração: as nossas circunstâncias podem mudar, os nossos sentimentos podem oscilar e algumas respostas podem demorar, mas Deus continua sendo Deus.

Quando olhamos para essa realidade à luz de Jesus, encontramos uma conexão ainda mais profunda. Jesus também passou por momentos de intensa angústia. No Getsêmani, diante do sofrimento que estava por vir, Ele orou ao Pai. Marcos registra:

“Aba, Pai, tudo é possível para ti; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres.” Marcos 14.36 — NAA

Na cruz, Jesus experimentou sofrimento, humilhação e uma dor que não podemos minimizar. Ele chegou a clamar:

“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Marcos 15.34 — NAA

O sofrimento de Jesus foi real. A agonia do Getsêmani foi real. A dor da cruz foi real. A humilhação foi real. Mas aquilo que parecia derrota não era o fim da história.

A ressurreição transformou aquilo que parecia ser o fim em uma grande vitória.

Essa é a esperança que temos em Cristo. Nem sempre conseguimos compreender aquilo que Deus está fazendo enquanto atravessamos o sofrimento. Às vezes, enxergamos apenas a dor, enquanto Deus continua trabalhando em uma dimensão que não conseguimos perceber.

Por isso, se hoje você está passando por um momento difícil, quero lembrar você de uma promessa de Jesus:

“E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos.” Mateus 28.20 — NAA

Jesus não prometeu que nunca passaríamos por dificuldades. Ele prometeu que estaria conosco todos os dias.

Talvez hoje você esteja vivendo o seu próprio Salmo 77. Você está cansado de esperar. Está orando e não consegue enxergar uma resposta. Está perguntando: “Deus, até quando?”

Então, continue clamando. Continue conversando com Deus. Coloque suas dores diante do Pai. Não tenha medo de apresentar a Ele aquilo que está dentro do seu coração. Mas faça também como Asafe: lembre-se dos feitos do Senhor.

Não olhe somente para aquilo que Deus ainda não fez. Lembre-se também daquilo que Ele já fez. Recorde a fidelidade de Deus. Recorde as suas misericórdias. Recorde as vezes em que Ele sustentou você quando você pensava que não conseguiria continuar.

A nossa fé não significa ausência de perguntas. Fé também significa continuar buscando Deus quando ainda não temos as respostas.

E talvez essa seja a grande lição do Salmo 77 para a nossa caminhada:

Quando não entendemos o que Deus está fazendo, podemos continuar confiando em quem Deus é.

Vou repetir:

Quando não entendemos o que Deus está fazendo, podemos continuar confiando em quem Deus é.

Se hoje Deus parece distante, não desista de procurá-lo. Continue clamando. Continue orando. Continue caminhando. O silêncio não significa ausência. Deus continua presente.

Que Deus abençoe ricamente o seu dia e que você possa desfrutar da companhia do Senhor, mesmo nos dias difíceis.

 

Fique com Deus!

 

Cláudio Eduardo M Costa

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

QUANDO DEUS SE LEVANTA, O ORGULHO CAI... - SALMO 76 -

 


QUANDO DEUS SE LEVANTA, O ORGULHO CAI...

SALMO 76

 

Você já encontrou pessoas que se acham poderosas demais? Pessoas que acreditam estar acima dos outros, que se comportam com orgulho e arrogância e acabam menosprezando quem está ao seu redor? É sobre isso — e muito mais — que o Salmo 76 nos fala.

Este Salmo é um convite para refletirmos sobre a maneira como estamos nos relacionando com Deus e com o nosso próximo. Ele nos lembra de uma verdade que não podemos esquecer: Deus continua sendo o Senhor da história.

Deus é soberano. Ele nos permite fazer escolhas e somos responsáveis pelas consequências delas, mas isso não significa que Deus tenha perdido o controle da história. O Senhor continua sendo Deus, continua governando e, no tempo certo, fará justiça.

Quando chegamos aos versículos 11 e 12, encontramos uma palavra muito importante sobre os compromissos que assumimos diante de Deus:

“Façam votos ao Senhor, seu Deus, e tratem de cumpri-los; todos os que o rodeiam tragam presentes àquele que deve ser temido. Ele acaba com o orgulho dos príncipes; ele é tremendo para os reis da terra.” Salmos 76.11-12 | NAA

A mensagem é direta: se assumimos um compromisso com Deus, precisamos tratá-lo com seriedade. Não podemos fazer promessas ao Senhor simplesmente movidos pela emoção de um momento e depois esquecê-las quando a situação muda.

Quantas vezes, em momentos de angústia, dor, sofrimento, desespero ou ansiedade, fazemos promessas a Deus como se estivéssemos estabelecendo uma relação de troca? “Deus, se o Senhor fizer isso, eu farei aquilo.” “Senhor, se o Senhor resolver esse problema, eu vou mudar.” Como se pudéssemos negociar com Deus.

Mas Deus não entra em uma relação de troca conosco. Nós não temos nada que possa comprar a graça de Deus. Tudo o que somos e temos recebemos das mãos do Senhor. É Deus quem nos concede a vida, a força, o alimento, o ar que respiramos, a oportunidade de trabalhar, a família e tantas outras bênçãos que, muitas vezes, recebemos sem perceber.

Por isso, se você fizer um voto ao Senhor, trate de cumpri-lo. Se você já assumiu um compromisso diante de Deus e não conseguiu cumpri-lo, não tente esconder isso. Confesse ao Senhor, reconheça sua falha e busque o seu perdão. Ao mesmo tempo, não faça promessas precipitadas. Não prometa a Deus aquilo que você não tem condições ou intenção verdadeira de cumprir.

Quando o Salmo diz para trazer presentes àquele que deve ser temido, precisamos compreender que Deus não precisa daquilo que temos como se estivesse necessitado de alguma coisa. Tudo pertence a Ele. O que podemos oferecer ao Senhor é a nossa própria vida, o nosso coração, nossa disposição de obedecer e servir.

Paulo apresenta essa verdade de maneira muito clara:

“Portanto, irmãos, pelas misericórdias de Deus, peço que ofereçam o corpo de vocês como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Este é o culto racional de vocês.” Romanos 12.1 | NAA

O maior presente que podemos oferecer a Deus é uma vida colocada à disposição dele. É caminhar com o Senhor com alegria, testemunhar da Palavra, falar de Cristo e demonstrar, por meio das nossas atitudes, que pertencemos a Ele.

E quando pensamos em Jesus Cristo, encontramos a expressão máxima da autoridade acompanhada pela humildade. Jesus é o Rei dos reis. Ele mesmo declarou:

“Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.” Mateus 28.18 | NAA

Entretanto, aquele que possui toda autoridade não escolheu o caminho da arrogância. Jesus não usou seu poder para humilhar pessoas ou para buscar privilégios. Pelo contrário, ensinou que veio para servir:

“Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” Marcos 10.45 | NAA

Que contraste extraordinário! Os seres humanos muitas vezes usam o poder para serem servidos; Jesus, tendo toda autoridade, escolheu servir.

Por isso, o Salmo 76 também nos leva a olhar para dentro de nós. Não precisamos procurar apenas os arrogantes que estão ao nosso redor. Precisamos perguntar: existe arrogância dentro de mim? Existe alguma área da minha vida em que estou tentando ocupar o lugar que pertence a Deus?

Não tente impressionar as pessoas com aquilo que você não é. Não precisamos provar nosso valor por meio do dinheiro, da posição, da influência, do conhecimento ou do poder. Somos criaturas de Deus e dependemos dele.

O Salmo 76 nos lembra que Deus acaba com o orgulho dos príncipes e é tremendo para os reis da terra. Nenhum poder humano é absoluto. Nenhuma posição é permanente. Nenhuma influência está acima da autoridade do Senhor.

E essa verdade também nos traz esperança. Quando olhamos para um mundo em que pessoas poderosas parecem controlar tudo, precisamos lembrar que Deus continua sendo Deus. Quando vemos arrogância, injustiça e abuso de poder, não devemos permitir que isso nos transforme em pessoas igualmente arrogantes.

Nossa resposta deve ser diferente: humildade, fidelidade, serviço e confiança no Senhor.

Se você deseja fazer um compromisso com Deus, faça-o com sinceridade. Faça-o consciente de que seguir a Cristo não é uma negociação, mas uma resposta de amor à graça que recebemos. E, depois de assumir esse compromisso, procure vivê-lo diariamente.

Aquele que tem toda autoridade nos chama para uma vida de serviço. Aquele que é Rei nos ensina a humildade. Aquele que poderia exigir tudo de nós entregou a própria vida por nossa salvação.

Por isso, quando Deus se levanta, o orgulho cai.

Não fique apenas procurando os arrogantes à sua volta. Olhe também para dentro de você. Pergunte ao Senhor o que precisa ser transformado em seu coração. Abandone o orgulho, cumpra seus compromissos, viva pela graça e coloque sua vida nas mãos daquele que continua governando.

E lembre-se: Deus não se impressiona com o nosso poder. Ele procura um coração disposto a obedecer.

Leia novamente o Salmo 76 e caminhe hoje na presença do Senhor.

Quando Deus se levanta, o orgulho cai.

 

Quando reconhecemos quem Deus é, aprendemos quem devemos ser.

 

Que Deus abençoe ricamente o seu dia!

 

Cláudio Eduardo M Costa

 

domingo, 13 de setembro de 2026

DEUS ESTÁ PERTO... - SALMO 75 -

 


DEUS ESTÁ PERTO...

SALMO 75

 

Você conhece alguém arrogante? Talvez seja melhor mudar a pergunta: você já teve a sensação de que as coisas estão completamente fora do lugar e ficou se perguntando: “Onde está Deus? O que Deus está fazendo?” Você olha para pessoas injustas, para aqueles que não valorizam o próximo, e às vezes se pergunta: “Onde está a justiça de Deus?”

Estamos lendo o Salmo 75 e, nos 150 Dias Lendo o Livro de Salmos, chegamos a mais uma etapa importante da nossa caminhada. Já percorremos metade dessa jornada e aprendemos muito com aquilo que os salmistas escreveram sobre Deus, sobre a vida, sobre as crises e, principalmente, sobre a necessidade de confiar no Senhor.

O Salmo 75 é atribuído a Asafe e trata de temas muito atuais: orgulho, injustiça, arrogância e julgamento. Mas, acima de tudo, o salmista exalta o poder e a presença do Senhor. Ele começa dizendo:

“Graças te damos, ó Deus, graças te damos, pois perto está o teu nome; os homens anunciam as tuas maravilhas.” Salmos 75.1 | NAA

Perceba algo importante: antes de falar dos problemas, o salmista fala da presença de Deus. Antes de olhar para aquilo que está errado, ele olha para aquilo que Deus está fazendo.

Isso nos leva a uma pergunta muito prática: como você começa uma conversa com Deus? Como você tem começado o seu dia? Será que temos olhado para tudo aquilo que Deus está fazendo ao nosso redor?

Precisamos mudar o nosso vocabulário e também a nossa maneira de enxergar a vida. As maravilhas do Senhor estão no sol que nasce, na chuva que cai, no ar que respiramos, na oportunidade de viver mais um dia. As maravilhas de Deus continuam acontecendo, mesmo quando não conseguimos percebê-las imediatamente.

Deus está perto.

O salmista também apresenta Deus como justo juiz. Em meio a uma realidade marcada pela arrogância e pela injustiça, ele declara:

“Pois Deus é o juiz; a um ele abate, e a outro exalta.”
Salmos 75.7 | NAA

Essa verdade nos convida a caminhar com Deus, obedecer ao Senhor e viver de acordo com a sua vontade. Mas também nos ensina a dar graças pela sua misericórdia, porque todos os dias somos alcançados pela graça de Deus.

Talvez você esteja atravessando uma situação na qual a injustiça parece estar vencendo. Talvez esteja vendo pessoas arrogantes prosperarem enquanto aqueles que procuram fazer o que é certo enfrentam dificuldades. O Salmo 75 nos lembra que Deus continua sendo o juiz. Nem sempre veremos sua justiça acontecendo no nosso tempo ou da maneira que imaginamos, mas podemos confiar que Deus não perdeu o controle.

Por isso, o salmista faz também um alerta:

“Digo aos arrogantes: Não sejam arrogantes; e aos ímpios: Não levantem a cabeça.” Salmos 75.4 | NAA

É um aviso sério. A arrogância nos faz acreditar que não precisamos de Deus, que somos superiores aos outros e que podemos conduzir a vida segundo os nossos próprios critérios. A impiedade nos afasta da vontade do Senhor.

Por isso, precisamos examinar o nosso próprio coração. Será que existe alguma área da nossa vida em que o orgulho está ocupando o lugar que pertence a Deus? Não precisamos levantar a voz para provar quem somos. Não precisamos diminuir ninguém para nos sentirmos importantes. Não precisamos construir uma imagem diante das pessoas para tentar provar o nosso valor.

Precisamos simplesmente viver na presença do Senhor, com humildade, justiça e fidelidade.

E, quando olhamos para o Salmo 75 à luz de toda a Bíblia, somos conduzidos a Jesus Cristo. Jesus é o Rei dos reis e o Senhor da justiça. Ele não apenas ensinou sobre justiça; ele viveu uma vida marcada pela verdade, pelo amor, pela compaixão e pelo cuidado com as pessoas.

Jesus encontrou pessoas chorando e levou esperança. Quando Jairo perdeu a filha, Jesus foi até sua casa e trouxe a menina de volta à vida. Quando Marta e Maria choravam pela morte de Lázaro, Jesus foi ao encontro delas e, diante do túmulo, ordenou:

“Lázaro, venha para fora!” João 11.43 | NAA

Jesus alimentou multidões, curou enfermos, acolheu pessoas rejeitadas e anunciou o Reino de Deus. Mas chegou o momento em que ele foi cercado por um ambiente de mentira, arrogância, injustiça e intimidação. Foi preso, condenado e crucificado.

Aos olhos humanos, aquela cruz poderia parecer o fim. Quem olhasse para Jesus naquele momento poderia pensar que seus inimigos haviam vencido.

Mas não era o fim.

A cruz não foi a derrota de Jesus. Foi parte do plano de Deus para a nossa redenção. Jesus venceu a morte e ressuscitou. Aquele que parecia derrotado foi declarado vencedor.

Por isso, quando enfrentarmos momentos em que parece que a injustiça venceu, precisamos olhar para Cristo. A última palavra não pertence à arrogância, à violência, à mentira ou à injustiça. A última palavra pertence a Deus.

E aqui está uma das grandes lições do Salmo 75: eu não preciso provar para ninguém quem eu sou. Deus me conhece. Ele conhece a minha mente, o meu coração, a minha história, as minhas lutas, os meus sonhos e até aquilo que ninguém mais conhece.

Em Cristo, encontramos nossa verdadeira identidade. A Bíblia afirma:

“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome.” João 1.12 | NAA

Quando sabemos quem somos diante de Deus, não precisamos viver tentando impressionar as pessoas.

Por isso, hoje, antes de reclamar daquilo que está errado ao nosso redor, pare por alguns instantes e contemple as maravilhas do Senhor. Agradeça pelo dia, pela vida, pela oportunidade de continuar caminhando e pela presença de Deus.

E faça como o salmista:

“Graças te damos, ó Deus, graças te damos, pois perto está o teu nome; os homens anunciam as tuas maravilhas.”
Salmos 75.1 | NAA

Deus está perto. Deus continua sendo justo. Deus continua no controle.

Então, não permita que a arrogância dos outros produza arrogância em você. Não permita que a injustiça faça você abandonar a fé. Continue caminhando com Deus, vivendo o propósito do Senhor e anunciando as suas maravilhas.

Você não precisa provar quem você é. Viva para honrar aquele que conhece você por inteiro.

Que hoje você possa sair por aí anunciando as maravilhas do Senhor.

 

Deus está perto.

 

Cláudio Eduardo M Costa

sábado, 12 de setembro de 2026

O POVO DE DEUS NÃO PODE SE CALAR... - SALMO 74 -

 


O POVO DE DEUS NÃO PODE SE CALAR...

SALMO 74

 

Você já olhou para o mundo à sua volta e se perguntou: “Deus está vendo tudo isso?” Ou talvez tenha perguntado: “Por que Deus ainda não agiu? Por que Jesus Cristo ainda não voltou para levar a sua Igreja?” É muita tristeza ao nosso redor: violência, injustiça, corrupção, exploração de pessoas, crianças sofrendo, famílias sem esperança e valores que Deus nos ensinou sendo abandonados dia após dia. Diante de tudo isso, podemos perguntar: onde está Deus? O que Deus está fazendo? Mas hoje quero mudar a pergunta: onde está a Igreja diante de tudo isso?

Estamos na caminhada dos 150 Dias Lendo o Livro de Salmos, e chegamos ao Salmo 74. Este salmo nasce em um contexto de sofrimento, destruição e afronta contra Deus. O salmista clama ao Senhor, pedindo que Ele se levante e defenda a sua causa. Quero destacar especialmente o versículo 22: “Levanta-te, ó Deus, e defende a tua causa; lembra-te de como o ímpio te afronta todos os dias.” (Salmos 74.22 — NAA).

Quando olho para essa palavra e para tudo o que acontece ao nosso redor, percebo que muitas situações são, de fato, uma afronta aos valores de Deus. Mas precisamos entender também quem é o povo de Deus. O povo de Deus é formado por aqueles que pertencem a Cristo, que foram alcançados pela graça e pela misericórdia, chamados para viver e anunciar o Evangelho e que têm suas vidas transformadas diariamente pelo poder do Senhor.

João nos apresenta uma verdade fundamental sobre Jesus Cristo: “O Verbo estava no mundo, e o mundo foi feito por meio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (João 1.10-13 — NAA). Jesus é o Verbo, a Palavra que se fez carne. E, por meio dele, somos recebidos na família de Deus. Somos feitos filhos de Deus não por mérito humano, mas pela graça, mediante a fé em Cristo.

Se somos filhos de Deus, não podemos permanecer indiferentes diante da realidade que nos cerca. Ser povo de Deus significa compromisso. Quando nos calamos diante da injustiça, do sofrimento e da maldade, precisamos tomar cuidado para que o nosso silêncio não se transforme em omissão. A Igreja não foi chamada para simplesmente observar o mundo, mas para testemunhar de Cristo dentro dele.

Jesus disse de maneira muito direta: “Vocês são a luz do mundo.” (Mateus 5.14 — NAA). Pense em alguém segurando uma lanterna em um ambiente completamente escuro. Não adianta reclamar que está tudo escuro se essa pessoa tem uma luz nas mãos e não a acende. Da mesma maneira, não adianta apenas reclamar da escuridão espiritual, moral e social ao nosso redor se não estamos permitindo que a luz de Cristo brilhe por meio da nossa vida.

A Igreja não pode se omitir. Eu não posso me omitir. Você não pode se omitir. Precisamos responder ao mundo não com ódio ou agressividade, mas vivendo a verdade, praticando a justiça, demonstrando compaixão, buscando a santidade e proclamando o Evangelho. Essa é a nossa responsabilidade como povo de Deus.

Talvez tenhamos nos acostumado demais a reclamar da realidade e pouco a agir diante dela. Olhamos para a pobreza, para a violência, para as crianças abandonadas, para as famílias destruídas e para tantas pessoas sem esperança e pensamos que alguém deveria fazer alguma coisa. Mas a pergunta precisa ser pessoal: o que eu estou fazendo? Onde Deus me colocou? Quem precisa da minha oração, do meu cuidado, da minha palavra, da minha presença e do meu testemunho?

Jesus não nos chamou para esconder a luz. Ele nos chamou para iluminar. Por isso, o meu convite hoje é: levante-se como filho de Deus! Levante-se para orar. Levante-se para servir. Levante-se para cuidar. Levante-se para proclamar a preciosa mensagem do Evangelho. Levante-se para viver o Evangelho e fazer diferença no mundo à sua volta.

O Salmo 74 começa com um povo sofrendo e clamando: “Levanta-te, ó Deus!” Talvez hoje Deus também esteja nos chamando a nos levantar. Não para ocupar o lugar dele, mas para assumir o nosso lugar como Igreja, como discípulos de Jesus, como filhos de Deus.

O mundo não precisa de uma Igreja que apenas reclama da escuridão. Precisa de uma Igreja que deixe a luz de Cristo brilhar.

Que o Salmo 74 continue falando ao nosso coração e nos despertando para a missão. O povo de Deus não pode se calar. O povo de Deus precisa se levantar, viver o Evangelho e fazer diferença.

 

Cláudio Eduardo M Costa
Humanizando Compaixão

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

O QUE REALMENTE IMPORTA... SALMO 73

 


O QUE REALMENTE IMPORTA...

SALMO 73

 

O que realmente importa para você? Você já parou para olhar para outras pessoas e perceber que, às vezes, pessoas que não fazem o que é certo parecem estar prosperando, enquanto você enfrenta dificuldades e não consegue enxergar o futuro que sonhou? Essa é uma das questões que encontramos no Salmo 73.

O salmista Asafe começa o salmo enfrentando uma verdadeira crise de fé. Ele olha para a prosperidade dos ímpios e não consegue compreender por que aqueles que não honram a Deus parecem estar em uma situação melhor do que aqueles que procuram permanecer fiéis. Essa comparação começa a afetar sua fé. Ele chega a dizer: “Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés; pouco faltou para que se desviassem os meus passos.” (Salmos 73.2 — NAA).

 

Asafe estava olhando para a vida dos outros e, ao fazer isso, começou a perder de vista aquilo que realmente importava.

Algo muda quando ele entra na presença de Deus. Sua perspectiva é transformada. Ele percebe que a verdadeira riqueza não está simplesmente em ter uma vida sem problemas, possuir bens ou alcançar aquilo que o mundo chama de prosperidade. O que realmente importa é ter Deus perto, caminhar com Ele e encontrar nele segurança para enfrentar cada dia.

Por isso, quero destacar o versículo 28, que resume a conclusão de Asafe: “Quanto a mim, bom é estar perto de Deus; faço do Senhor Deus o meu refúgio, para proclamar todas as suas obras.” (Salmos 73.28 — NAA).

 

Depois de passar por sua crise, Asafe compreende que o mais importante não era ter aquilo que os outros tinham, mas ter Deus. O mais importante era sua intimidade com o Senhor, saber que Deus estava perto, sustentando sua caminhada e sendo seu refúgio.

Essa verdade também precisa alcançar a nossa vida. Vivemos em uma sociedade que constantemente nos convida à comparação. Olhamos para as redes sociais, para os bens que outras pessoas possuem, para suas conquistas, viagens, casas, carros e oportunidades, e podemos começar a pensar que estamos ficando para trás. Mas Deus nos chama a olhar para outra direção. Não se compare. Você é único diante do Senhor, e a sua caminhada com Deus não precisa ser medida pela caminhada de outra pessoa.

Também precisamos ter cuidado com uma visão distorcida de prosperidade que, muitas vezes, entra até no ambiente religioso. Não somos mais abençoados porque temos mais dinheiro, mais bens ou menos problemas. A bênção de Deus não pode ser reduzida às conquistas materiais. A maior riqueza é saber que, mesmo atravessando dificuldades, Deus está conosco, nos fortalecendo, ensinando, corrigindo e dando sabedoria para viver um dia de cada vez.

A vida cristã não é uma promessa de ausência de problemas. Jesus foi muito claro quando disse aos seus discípulos: “Estas coisas tenho dito a vocês para que tenham paz em mim. No mundo, vocês passam por aflições; mas tenham coragem: eu venci o mundo.” (João 16.33 — NAA). Nossa vitória não é o modelo de sucesso apresentado pelo mundo. Nossa vitória está em Cristo. Podemos enfrentar aflições sem perder a esperança, porque sabemos que não estamos sozinhos.

E essa presença de Deus se torna ainda mais clara em Jesus. Depois de sua ressurreição, Jesus deixou uma promessa aos seus discípulos: “E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos.” (Mateus 28.20 — NAA). Essa é uma das maiores certezas que podemos carregar: Deus está conosco.

Por isso, a pergunta precisa ser pessoal:

você tem caminhado perto de Deus? Você tem sentido a presença do Senhor em sua caminhada ou o seu próprio eu, suas preocupações, suas comparações e seus desejos têm criado distância entre você e Deus?

Asafe termina compreendendo que estar perto de Deus é melhor do que qualquer coisa que este mundo possa oferecer. E nós também precisamos chegar a essa conclusão. O que realmente importa nesta vida não é ter tudo sob controle, não é possuir tudo o que desejamos, nem viver sem problemas. O que realmente importa é caminhar ao lado do Senhor, fazer dele o nosso refúgio e confiar que sua presença é suficiente para nos sustentar.

 

Se você já passou por uma crise de fé, como Asafe passou, lembre-se: a crise não precisa ser o fim da sua caminhada. Pode ser o lugar onde Deus muda a sua perspectiva.

Não olhe apenas para aquilo que os outros têm. Olhe para aquilo que você tem em Deus.

 

Porque, no final, o que realmente importa é estar perto de Deus.

 

Cláudio Eduardo M Costa

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

QUANDO O REI GOVERNA COM JUSTIÇA... SALMO 72

 


QUANDO O REI GOVERNA COM JUSTIÇA...

SALMO 72

 

Você já parou para pensar em como seria viver em um lugar onde quem governa realmente se preocupa com as pessoas? Imagine um lugar onde os pobres não fossem esquecidos, os necessitados fossem ouvidos e a justiça não fosse privilégio de alguns. Imagine um lugar onde as pessoas pudessem andar de cabeça erguida, com dignidade; onde tivessem trabalho e, por meio do fruto desse trabalho, conseguissem levar o alimento para casa; onde os projetos de assistência social fossem necessários apenas em situações específicas, porque a maioria das pessoas tivesse condições de viver com dignidade. Talvez você me diga: “Pastor, não podemos falar de política.” E eu não estou falando de política partidária. Estou falando de justiça, integridade, honestidade e responsabilidade. Estou falando daquele que recebe autoridade para governar e decide exercê-la segundo os princípios do Criador. Estou falando de pessoas que, estando no poder, escolhem fazer o bem, proteger os vulneráveis e não fazer acepção de pessoas.

Estamos no Salmo 72, dentro da nossa caminhada de 150 Dias Lendo o Livro de Salmos. E, quando leio este salmo, tenho a impressão de que o salmista está olhando para o nosso tempo. O Salmo 72 é apresentado como um salmo “de Salomão”, tradicionalmente relacionado ao reinado e à figura do rei. É uma oração para que o rei governe de acordo com a justiça de Deus. Logo no início encontramos uma declaração que estabelece o propósito desse governo:

“Concede ao rei, ó Deus, os teus juízos e a tua justiça, ao filho do rei. Que ele julgue o teu povo com justiça e os teus aflitos, com retidão.” Salmo 72.1-2 — NAA

 

Que pedido extraordinário! “Que ele julgue o teu povo com justiça.” A autoridade não deveria existir simplesmente para produzir poder, riqueza ou privilégios. A autoridade deveria estar a serviço do bem, da justiça e da dignidade das pessoas.

 

E então surge uma pergunta inevitável: será que encontramos hoje governantes com essas características? Eu não conheço todos os governantes do mundo e não conheço a história de cada governo, mas basta olhar ao nosso redor para perceber uma realidade marcada por desigualdade, exploração dos mais pobres, guerras, violência e crianças sem perspectiva de futuro. Vemos pessoas dependendo de ajuda porque lhes faltam oportunidades de trabalho, educação e acesso adequado à saúde. Vemos famílias sofrendo, pessoas sendo humilhadas e comunidades inteiras vivendo sem as condições mínimas para uma vida digna.

É assim que o nosso mundo está. E, quando olho para tudo isso, vejo insegurança, medo, violência e desigualdade. Então surge uma pergunta que também precisa ser feita à igreja: onde estamos no meio de tudo isso? O que estamos fazendo quando lemos o Salmo 72?

 

Mais à frente, o salmista declara:

“Todos os reis se prostrem diante dele, e todas as nações o sirvam.” Salmo 72.11 — NAA

 

Essa declaração amplia o horizonte do salmo e nos conduz para uma esperança que vai muito além dos governos humanos. Ela aponta para o governo universal de Deus e encontra seu cumprimento pleno em Jesus Cristo, o Rei. O Novo Testamento apresenta Jesus como aquele que recebeu toda autoridade e cujo Reino alcançará todas as nações (Mateus 28.18-20).

É maravilhoso perceber como, no Salmo 72, Deus se importa com pessoas. Deus vê os necessitados. Deus olha para os aflitos. Deus não ignora aqueles que muitas vezes são invisíveis para a sociedade. O salmista continua:

“Porque ele livra os necessitados que pedem socorro e também os aflitos e aqueles que não têm quem os ajude. Ele se compadece dos fracos e dos necessitados e salva a alma dos que precisam de auxílio.” Salmo 72.12-13 — NAA

 

Que palavra poderosa! Deus se compadece dos fracos e dos necessitados.

 

E aqui precisamos olhar para nós mesmos. Muitas vezes, eu e você, que temos sido alcançados pela graça de Deus e que professamos seguir a Cristo, podemos fechar os olhos diante daquilo que acontece ao nosso redor. Podemos cruzar os braços diante da dor. Podemos pensar que cuidar dos necessitados é responsabilidade apenas de alguma instituição, de algum projeto social ou do ministério de ação social da igreja. Mas não podemos terceirizar a nossa missão.

Quando leio essa porção do Salmo 72, imediatamente sou conduzido a Jesus Cristo. E, ao olhar para Jesus, também encontro o cumprimento da esperança anunciada pelos profetas. Em Lucas 4, Jesus entra na sinagoga, lê o texto do profeta Isaías e aplica a si mesmo essa missão:

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e proclamar o ano aceitável do Senhor.” Lucas 4.18-19 — NAA

 

Jesus veio anunciar boas-novas aos pobres, liberdade aos cativos, restauração aos que sofrem e esperança aos oprimidos. Quando olhamos para Jesus, enxergamos o Reino de Deus sendo apresentado não apenas em palavras, mas em ações de misericórdia, justiça, compaixão e cuidado.

Por isso, quando leio o Salmo 72 e olho para Jesus Cristo, vejo o verdadeiro Rei. Um Rei que não governa para ser servido, mas que veio para servir. O próprio Jesus declarou:

“Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” Marcos 10.45 — NAA

 

É esse Rei que precisa governar o nosso coração. E, se Jesus governa a nossa vida, o cuidado com as pessoas não pode ser apenas um discurso. Precisa fazer parte da nossa maneira de viver. Por isso, quero deixar uma pergunta para você:

Como estamos tratando as pessoas que Deus colocou ao nosso redor?

Como você está olhando para aquela pessoa que está dormindo debaixo de uma marquise em uma noite fria? Como você está olhando para aquela família que não sabe o que vai colocar na mesa hoje? Como você está olhando para aquela criança que não tem acesso à educação necessária para construir um futuro? Como você está olhando para as pessoas que estão sofrendo?

Talvez alguém diga: “Pastor, eu contribuo com o Ministério de Ação Social da minha igreja.” Isso é importante e deve ser valorizado. Mas não podemos terceirizar a nossa missão. Eu e você temos um compromisso pessoal com o Senhor. Somos chamados a enxergar pessoas, aproximar-nos delas e fazer aquilo que estiver ao nosso alcance.

A Bíblia nos ensina:

“Não deixemos de fazer o bem a quem precisa, sempre que isso estiver ao nosso alcance.” Provérbios 3.27 — NAA

 

Nós não vamos conseguir resolver todos os problemas do mundo. Não conseguiremos acabar com todas as guerras, eliminar toda a desigualdade ou corrigir todas as injustiças. O Reino perfeito de Deus ainda será plenamente estabelecido. A nossa esperança definitiva está na volta de Cristo e no seu Reino eterno. Mas, enquanto aguardamos esse Reino, somos chamados a ser testemunhas do Rei aqui e agora.

Eu e você temos o Espírito Santo de Deus que habita em nós. Por isso, mesmo em meio a uma sociedade marcada por corrupção, injustiça, violência e desigualdade, somos chamados a fazer diferença. Não precisamos esperar ocupar uma posição de poder para começar a cuidar de pessoas. Podemos começar exatamente onde estamos.

O Salmo 72 nos lembra que o verdadeiro Rei se importa com os necessitados. E nós, como seguidores desse Rei, precisamos aprender a olhar para as pessoas com os olhos de Cristo.

Finalizando, chegamos ao versículo 18:

“Bendito seja o Senhor Deus, o Deus de Israel, o único que faz maravilhas!” Salmo 72.18 — NAA

 

Que declaração maravilhosa! O único que faz maravilhas.

Nós fomos alcançados por uma dessas maravilhas: a graça de Deus revelada em Jesus Cristo. Fomos alcançados pela misericórdia, pelo amor e pela salvação que não poderíamos conquistar por nossos próprios méritos.

Por isso, vivamos para Deus. Que o Rei governe primeiro o nosso coração. E que, sob o governo desse Rei, aprendamos a praticar a justiça, exercer misericórdia, cuidar dos necessitados e levar esperança a quem sofre.

 

O mundo precisa de justiça. Os vulneráveis precisam de cuidado. Os que sofrem precisam de esperança. E nós temos uma mensagem para anunciar: o verdadeiro Rei está vindo e o seu Reino será estabelecido em justiça.

 

Quando o Rei governa com justiça, os vulneráveis encontram esperança.

 

Que o seu dia seja muito abençoado.

 

Cláudio Eduardo M Costa

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

MINHA IDADE NÃO CANCELA MEU CHAMADO! SALMO 71

 


MINHA IDADE NÃO CANCELA MEU CHAMADO!

SALMO 71

 

Você já parou para pensar que envelhecer também é uma experiência espiritual?

 

Estamos vivendo nossa jornada de 150 dias de leitura do Livro de Salmos, e hoje chegamos ao Salmo 71. Neste texto, encontramos o salmista falando com Deus a partir de sua história, de suas experiências e da realidade de quem está envelhecendo.

Quando pensamos na velhice, muitas vezes pensamos primeiro em doenças, limitações físicas, dificuldades financeiras ou perda de autonomia. E talvez nossa sociedade ainda tenha dificuldade de reconhecer o valor, a sabedoria e a contribuição das pessoas idosas. Mas a Bíblia nos apresenta outra perspectiva: envelhecer não significa perder o propósito.

 

Eu posso falar disso também a partir da minha própria vida. Aos 63 anos, quando olho para minha caminhada, reconheço o quanto Deus tem sido maravilhoso. Ele me sustentou até aqui e continuará me sustentando.

Por isso, não quero chegar diante de Deus dizendo:

“Senhor, cansei. Agora quero me aposentar.”

Quero perguntar:

“Senhor, o que ainda posso fazer para Te servir, Te obedecer e cumprir a Tua vontade?”

 

O salmista faz uma oração muito significativa: “Não me rejeites na minha velhice; quando me faltarem as forças, não me desampares.” (Salmo 71.9, NAA).

Ele reconhece que suas forças podem diminuir, mas não conclui que sua missão terminou. Aqui está uma das grandes lições do Salmo 71: reconhecer nossas limitações não significa abandonar nosso propósito.

 

Talvez eu não consiga fazer hoje tudo aquilo que fazia quando era jovem. Meu ritmo pode ser outro e minha força pode ser diferente. Mas ainda posso servir, ensinar, aconselhar, encorajar, orar e testemunhar aquilo que Deus me ensinou ao longo da caminhada.

A idade pode mudar a maneira como servimos, mas não precisa cancelar o nosso chamado.

 

E o salmista deixa sua missão ainda mais clara no versículo 18: “Agora que estou velho e de cabelos brancos, não me abandones, ó Deus, até que eu tenha anunciado a tua força a esta geração e o teu poder às gerações futuras.” (Salmo 71.18, NAA).

Observe a expressão: “até que eu tenha anunciado”.

Ele ainda tem algo a fazer.

Ainda existe uma geração para alcançar.

Ainda existe uma história para contar.

Ainda existe um legado para construir.

 

O salmista não quer apenas chegar ao fim da vida. Ele quer chegar ao fim da vida tendo cumprido sua missão.

Essa é uma pergunta que precisamos fazer:

O que Deus quer fazer através de mim nesta fase da minha vida?

Se você é idoso, não esconda sua história. Compartilhe seus testemunhos. Conte o que Deus fez. Fale das lutas que enfrentou, das respostas que recebeu e das lições que aprendeu.

Talvez aquilo que você considera apenas uma lembrança seja exatamente o testemunho que alguém precisa ouvir hoje.

Sua experiência pode se transformar em discipulado. Sua história pode se transformar em legado. Sua caminhada pode fortalecer outra geração.

Por isso, a minha idade não encerra a minha missão; aumenta a minha responsabilidade.

 

Quando leio o Evangelho de Lucas e encontro Simeão e Ana no relato do nascimento de Jesus, vejo uma confirmação muito bonita dessa verdade. Simeão reconhece Jesus como o Salvador prometido, e Ana, uma mulher idosa, também testemunha a respeito daquela criança. Lucas registra: “Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Ela era muito idosa...” (Lucas 2.36, NAA).

Ana não estava à margem do que Deus estava fazendo. Ela fazia parte daquela história.

Isso nos ensina que Deus não coloca ninguém de lado simplesmente porque a idade chegou. Ele continua trabalhando em nós e pode continuar trabalhando através de nós.

Paulo também nos lembra: “Por isso, não desanimamos. Mesmo que o nosso exterior se desgaste, o nosso interior se renova dia a dia.” (2 Coríntios 4.16, NAA).

 

O corpo envelhece, mas a fé pode amadurecer.

Podemos perder força física e ganhar profundidade espiritual. Podemos diminuir o ritmo e aumentar nossa sensibilidade para ouvir Deus, cuidar de pessoas e transmitir aquilo que aprendemos.

E quero deixar uma palavra especialmente para você que é jovem: valorize os idosos.

Valorize os idosos da sua família. Valorize os idosos da sua igreja. Ouça suas histórias. Aprenda com suas experiências. Pergunte o que Deus ensinou a eles durante a caminhada.

 

Há sabedoria que só o tempo produz.

Mas essa relação também é uma via de mão dupla. Os mais jovens oferecem força, disposição e novas possibilidades; os mais experientes oferecem sabedoria, perseverança e testemunho.

 

Uma geração precisa da outra.

A igreja não é uma corrida em que uma geração substitui a outra. É uma caminhada em que diferentes gerações servem, aprendem e crescem juntas.

Talvez alguém esteja pensando: “Já passou o meu tempo.”

Não permita que essa ideia defina sua vida.

Talvez algumas coisas tenham mudado. Talvez você não tenha mais a mesma força ou não consiga fazer tudo como antes. Mas limitação não é inutilidade, e envelhecimento não é o fim do propósito.

Enquanto Deus nos dá vida, ainda podemos testemunhar. Enquanto temos voz, podemos anunciar. Enquanto temos experiência, podemos ensinar. Enquanto temos fé, podemos encorajar. Enquanto temos oportunidades, podemos servir.

Então, faça hoje uma pergunta sincera ao Senhor:

“Deus, o que ainda posso fazer com a vida que o Senhor me deu?”

E depois dê um passo.

Ligue para alguém que precisa de uma palavra. Ore por uma pessoa. Compartilhe um testemunho. Ensine alguém. Encoraje um jovem. Ajude quem está precisando. Transforme sua experiência em serviço.

Não espere uma grande oportunidade. Comece com aquilo que Deus colocou ao seu alcance.

Porque o Salmo 71 nos ensina que a velhice pode ser uma estação de legado, não de abandono; de testemunho, não de silêncio; de maturidade, não de desistência.

Minha idade não cancela meu chamado. Minha história não terminou. Ainda existe propósito. Ainda existe missão. Ainda existe muito para viver com Deus.

Se você já tem experiência, compartilhe. Se você é jovem e tem experimentado a graça de Deus, compartilhe também.

Que Deus nos ensine a envelhecer com fé, servir com alegria e transformar nossa história em um testemunho que alcance as próximas gerações.

Porque, enquanto Deus nos dá fôlego, ainda existe uma missão.

MINHA IDADE NÃO CANCELA MEU CHAMADO!

 

Cláudio Eduardo M Costa

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