sábado, 15 de agosto de 2026

QUANDO O CHÃO PARECE SUMIR... - SALMO 46 -

 


QUANDO O CHÃO PARECE SUMIR...

SALMO 46

 

Você já teve a sensação de que o chão estava sumindo debaixo dos seus pés? Que tudo estava tremendo ou que o mundo ao seu redor estava desabando? Não estou falando necessariamente de um terremoto no sentido literal. Às vezes, porém, parece que estamos no meio de uma grande tempestade, em um mar turbulento ou enfrentando um verdadeiro terremoto em nossa vida. Uma notícia ruim, um relacionamento que terminou, um problema financeiro, uma dificuldade no ambiente de trabalho, problemas familiares, uma enfermidade, uma perda ou tantas outras situações podem fazer com que aquilo que parecia seguro comece a tremer diante dos nossos olhos.

Estamos lendo o Salmo 46, e esse salmo nos mostra como devemos nos comportar quando estamos no meio do terremoto da vida. Mais do que isso, ele nos ensina a quem devemos buscar por ajuda e onde encontrar o nosso auxílio. O salmista começa com uma declaração poderosa: “Deus é o nosso refúgio e a nossa força, socorro bem presente nas tribulações.” (Salmo 46.1 — NAA). Quando leio esse salmo, posso quase recitá-lo juntamente com o salmista, porque ele começa nos lembrando de uma verdade fundamental: Deus é o nosso refúgio, a nossa força e o nosso socorro.

Vivemos em um tempo em que muitas vezes é apresentado um evangelho de facilidades, com promessas de prosperidade, propósitos para enriquecer e uma ideia equivocada de que quem tem fé suficiente não enfrentará problemas. Mas a Bíblia, em nenhum lugar, nos garante uma vida sem dificuldades. Pelo contrário, as Escrituras nos apresentam doenças, aflições, perseguições, perdas, crises, lágrimas e momentos de profunda dor. Entretanto, em meio a tudo isso, encontramos uma grande garantia: não estamos sozinhos neste mundo. Deus está ao nosso lado. Deus é o nosso socorro. Deus é a nossa força. Deus é o nosso auxílio.

O salmista continua dizendo: “Por isso, não temeremos, ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares.” (Salmo 46.2 — NAA). Que imagem forte! A terra se transtornando, os montes se abalando e tudo aquilo que parecia firme sendo sacudido. É uma linguagem poética para descrever uma situação de absoluto caos. Mas quantos problemas enfrentamos na vida que também nos fazem dizer: “Eu perdi o meu chão.” “Estou no meio de uma grande tempestade.” “Para onde vou olhar?” “A quem vou recorrer?”

O salmista nos mostra que existem terremotos que não aparecem nos noticiários. Existem terremotos que enfrentamos silenciosamente. Podemos estar sorrindo na igreja, convivendo normalmente com nossa família, trabalhando, estudando na escola ou na faculdade e conversando com nossos amigos, mas, por dentro, podemos estar vivendo uma grande agonia. Existem dores que ninguém vê, lágrimas que ninguém percebe e batalhas que travamos em silêncio. E então surge uma pergunta importante: o que vou fazer quando o terremoto acontecer? Como vou agir quando tudo ao meu redor parecer desmoronar?

A primeira coisa que o salmista me ensina é que eu não estou sozinho. Você não está sozinho enfrentando os seus problemas. O salmista declara: “O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio.” (Salmo 46.7 — NAA). Lembre-se disso. Diga para você mesmo. Declare isso em meio à sua luta: “Eu não estou sozinho nesta batalha. Deus está ao meu lado.” Talvez você esteja passando por um terremoto que ninguém conhece. Talvez as pessoas não saibam o que está acontecendo dentro de você. Talvez você esteja enfrentando uma batalha silenciosa. Mas Deus sabe. Deus está conosco.

Essa verdade nos conduz diretamente para Jesus Cristo. A religião, muitas vezes, pode apresentar uma imagem de Deus como alguém distante, como se Deus estivesse no céu e nós tivéssemos sido deixados à nossa própria sorte aqui neste mundo. Mas não é assim. Deus está conosco. Antes mesmo do nascimento de Jesus, o anjo anunciou a Maria o cumprimento da promessa profética: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus conosco.” (Mateus 1.23 — NAA).

Jesus Cristo é Deus conosco. Ele entrou na nossa história. Conheceu o abandono, a perseguição, a rejeição e a dor. Sentiu fome, cansaço e sofrimento. Foi crucificado em nosso lugar e ressuscitou, trazendo-nos esperança e vitória. Quando olhamos para Jesus, aprendemos que a vida cristã não significa ausência de dificuldades. Significa que não enfrentaremos as dificuldades sozinhos.

Jesus deixou isso muito claro aos seus discípulos quando afirmou: “Estas coisas tenho dito a vocês para que tenham paz em mim. No mundo, vocês passam por aflições; mas tenham coragem: eu venci o mundo.” (João 16.33 — NAA). Que promessa maravilhosa! Jesus não disse: “Vocês não terão aflições.” Ele disse: “No mundo, vocês passam por aflições.” Mas acrescentou: “Tenham coragem: eu venci o mundo.” Cristo está conosco mesmo quando passamos pelas dificuldades. Cristo está conosco em todas as circunstâncias. A presença de Jesus não significa que nunca enfrentaremos tempestades; significa que não estaremos sozinhos dentro delas.

O Salmo 46 também nos apresenta outra atitude importante. Às vezes, no meio do problema, ficamos tão concentrados naquilo que está acontecendo que não conseguimos enxergar a solução. Ficamos tão envolvidos com a tempestade que não conseguimos perceber a presença de Deus. Às vezes achamos que estamos sozinhos. E vou contar um segredo para você: muitas vezes, podemos estar sozinhos no meio da multidão porque não conseguimos enxergar a multidão que está ao nosso lado.

A Palavra de Deus também nos lembra: “O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os livra.” (Salmo 34.7 — NAA). Deus cuida dos seus filhos. Por isso, quando estivermos passando por momentos difíceis, precisamos levantar os nossos olhos e lembrar quem Deus é e tudo aquilo que Ele já fez. Precisamos lembrar de onde Deus já nos colocou, das portas que Ele abriu, das situações das quais Ele já nos livrou e das vezes em que pensamos que não conseguiríamos continuar, mas Deus nos sustentou.

O salmista nos convida: “Venham contemplar as obras do Senhor, que tem feito desolações na terra.” (Salmo 46.8 — NAA). Precisamos contemplar as obras do Senhor. Precisamos olhar para aquilo que Deus já fez e reconhecer a grandeza do seu poder. E, ao contemplarmos as obras de Deus, também somos chamados a anunciar a sua grandeza. Os problemas existem. O mal existe. Passamos por dificuldades, tribulações, perdas, crises e momentos de dor. Mas não estamos sozinhos.

É justamente nesse contexto que chegamos a uma das declarações mais conhecidas do Salmo 46: “Aquietem-se e saibam que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra.” (Salmo 46.10 — NAA). Que palavra poderosa! Aquietem-se. Pare. Respire. Não permita que o desespero controle o seu coração. Nem sempre podemos controlar aquilo que acontece ao nosso redor, mas podemos confiar naquele que continua no controle.

Às vezes queremos resolver tudo imediatamente. Queremos respostas, explicações e desejamos saber como tudo vai terminar. Mas Deus nos diz: “Aquietem-se e saibam que eu sou Deus.” Fique quieto. Tenha paciência. Confie. Deus está ao nosso lado. Aquietar-se não significa desistir. Não significa ignorar o problema ou fingir que ele não existe. Significa reconhecer que, acima da nossa capacidade de compreender e controlar todas as coisas, existe um Deus soberano que continua cuidando de nós.

Talvez hoje você esteja vivendo um terremoto que ninguém consegue enxergar. Talvez o seu chão esteja tremendo. Talvez você esteja enfrentando uma tempestade dentro de casa, no trabalho, nos relacionamentos, nas finanças ou dentro do próprio coração. Talvez você tenha chegado a um momento em que não sabe mais para onde olhar. Mas o Salmo 46 nos lembra: Deus é o nosso refúgio. Deus é a nossa força. Deus é o nosso socorro. Deus está conosco.

Por isso, quando o chão parecer desaparecer debaixo dos nossos pés, podemos permanecer firmes, porque a nossa segurança não está na estabilidade das circunstâncias. A nossa segurança está em Deus. As circunstâncias mudam. As pessoas mudam. Os cenários mudam. Aquilo que hoje parece sólido pode amanhã estar abalado. Mas Deus permanece.

E quando tudo estiver tremendo ao nosso redor, podemos declarar novamente as palavras do salmista: “O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio.” (Salmo 46.11 — NAA).

Talvez você não consiga mudar a situação hoje. Talvez não consiga entender por que determinadas coisas estão acontecendo. Talvez ainda existam perguntas sem respostas. Mas você pode escolher onde colocar a sua confiança.

Aquieta o seu coração. Deus continua sendo Deus.

Quando o chão parecer sumir, lembre-se de que existe um refúgio seguro.

Você não está sozinho.

Deus está conosco.

 

Cláudio Eduardo M Costa

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

CONVIDADO PARA A FESTA... - SALMO 45 -

 


CONVIDADO PARA A FESTA...

SALMO 45

 

Você já se imaginou sendo convidado para participar de uma festa de casamento em que o noivo é um rei? É sobre isso e muito mais que quero conversar com você hoje. Estamos lendo o Salmo de número 45. Este salmo foi escrito como um cântico, como um louvor para a festa de um rei, uma celebração de casamento real.

A festa do casamento de um rei. Por isso, podemos apresentar o Salmo 45 como um cântico real, olhando para o rei e para todo aquele momento de alegria, celebração e expectativa.

Mas o Salmo 45 nos apresenta uma dimensão muito maior do que a celebração de um casamento. É um salmo messiânico, e esse salmo aponta para Jesus Cristo, Rei dos reis e Senhor dos senhores. Quando lemos esse salmo e olhamos para Jesus, encontramos nele uma aplicação que o Novo Testamento confirma de maneira muito especial.

Por isso, costumo dizer que a Bíblia interpreta a própria Bíblia. Quando olho para a Palavra de Deus, preciso considerar todo o contexto e olhar para a Bíblia como um todo para compreender o que ela está me dizendo e o que ela quer me ensinar. Pensando nisso, o Salmo 45.1 começa assim: “De boas palavras transborda o meu coração; ao Rei consagro o que compus” (Salmo 45.1, NAA).

Ou seja, o salmista está dizendo que consagra ao rei a sua composição, o seu poema, aquilo que está escrevendo. Suas palavras nascem de um coração que transborda e são oferecidas ao rei como uma expressão de honra e louvor.

Quando continuamos caminhando por esse salmo, chegamos ao versículo 6 e encontramos uma declaração extraordinária: “O seu trono, ó Deus, é para todo o sempre; cetro de justiça é o cetro do seu reino” (Salmo 45.6, NAA).

 

Essa é uma declaração que aponta para uma realidade muito maior. O autor da Carta aos Hebreus cita esse versículo em Hebreus 1.8, aplicando-o ao Filho. Ali, encontramos uma das mais belas conexões entre o Antigo e o Novo Testamento. O Salmo 45 apresenta o Rei, e Hebreus nos mostra essa realidade cumprida em Jesus Cristo.

Perceba, então: o salmo apresenta o rei. O Novo Testamento identifica em Jesus o cumprimento pleno dessa realidade. Jesus é o Rei. Jesus é aquele cujo reino é marcado pela justiça. Jesus é aquele cujo trono permanece para sempre.

Mas o Salmo 45 também nos fala de uma noiva. Uma noiva vestida com beleza, honra e esplendor, apresentada diante do rei (Salmo 45.9-15). Quando olho para essa imagem, fico pensando: como aplicar essa figura à realidade de Jesus Cristo?

Mas você já sabe a resposta. A Igreja do Senhor é apresentada no Novo Testamento como a noiva de Cristo. Ou seja, essa celebração de bodas e casamento nos envolve. Nós não somos apenas convidados para observar de longe; somos chamados a viver essa realidade como Igreja do Senhor.

 

O apóstolo Paulo, escrevendo aos Efésios e falando sobre a relação entre marido e mulher, utiliza exatamente essa imagem para falar de Cristo e da Igreja. Ele diz: “Maridos, que cada um de vocês ame a sua esposa, como também Cristo amou a igreja e se entregou por ela” (Efésios 5.25, NAA).

Que imagem linda! Olhar para a Igreja como a noiva que pertence ao Senhor Jesus Cristo. Paulo continua dizendo que Cristo deseja santificar a Igreja e apresentá-la a si mesmo gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e sem defeito (Efésios 5.26-27, NAA).

Em Apocalipse 19.7, falando sobre a grande celebração das bodas do Cordeiro, encontramos outro convite extraordinário: “Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque chegou a hora das bodas do Cordeiro, e a noiva dele já se preparou” (Apocalipse 19.7, NAA).

Aqui, olhamos para o Salmo 45 e vemos o rei; vemos também a sua noiva. Quando caminhamos pelas Escrituras, compreendemos que Cristo é o Rei e que a Igreja é a sua noiva, chamada para viver eternamente com ele.

E isso muda completamente a nossa visão de mundo e também a nossa expectativa em relação ao futuro. Nós fomos chamados para viver uma experiência real com Jesus Cristo, deixando que ele reine em nossa vida. E, quando Jesus reina em nossa vida, isso necessariamente produz transformação.

Quando Cristo reina em nós, passamos a fazer diferença no mundo que está à nossa volta. Nossa maneira de viver, de amar, de servir, de perdoar e de tratar as pessoas precisa revelar que pertencemos ao Rei.

Por isso, fica a pergunta: olhando para a noiva apresentada no Salmo 45, com sua beleza, sua honra e sua preparação, como estamos nos comportando como Igreja, como Igreja do Senhor Jesus? O Rei é Cristo, e a noiva somos nós, a Igreja de Cristo. Estamos vivendo como uma Igreja que espera pelo seu Rei? Estamos preparados para essa festa, para essa belíssima festa de casamento?

 

Não se esqueça: na cruz, Jesus Cristo declarou: “Está consumado!” (João 19.30, NAA). A obra que ele veio realizar foi consumada. E, por meio de sua morte e ressurreição, recebemos o convite para fazer parte daquilo que Deus está realizando em Cristo.

Esse convite não é apenas para um momento de celebração. É um convite para uma nova vida. É um convite para pertencer a Cristo. É um convite para fazer parte da sua Igreja. É um convite para aguardar com esperança o grande dia das bodas do Cordeiro.

O Salmo 45 nos aponta para Jesus. O Salmo 45 nos apresenta o Rei. O Salmo 45 também nos faz pensar sobre a noiva que aguarda a chegada do seu Rei.

Por isso, o Salmo 45 nos convida a vivermos em santidade, em pureza e em justiça, porque é para isso e por isso que estamos aqui. Somos a Igreja que espera pelo Rei. Somos a noiva que aguarda o grande dia.

Que a nossa vida esteja preparada. Que o nosso coração permaneça fiel. Que Jesus reine em nós hoje, enquanto aguardamos o dia em que estaremos para sempre com ele.

 

Você está preparado para a festa?

Que o bom Deus, na sua grande misericórdia, abençoe a nossa vida.

 

Cláudio Eduardo M Costa

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

— QUANDO DEUS PARECE SILENCIOSO... - SALMO 44 - - - - — WHEN GOD SEEMS SILENT... — PSALM 44 — - - - - — CUANDO DIOS PARECE SILENCIOSO... - SALMO 44 -



— QUANDO DEUS PARECE SILENCIOSO...

SALMO 44

 

Sabe aquele momento em que você faz tudo certo e, no final, parece que tudo dá errado? Ou aquele momento em que você está mantendo a sua intimidade com Deus, vivendo a sua fé, cumprindo os seus compromissos e procurando obedecer ao Senhor, mas, no final das contas, sente-se abandonado e desamparado por ele?

Se você já se sentiu assim, saiba de uma coisa: você não é a única pessoa a passar por esse tipo de experiência. Muitas vezes, em nossa caminhada, cercados por tantas injustiças e por tanta maldade neste mundo, podemos nos sentir abandonados pelo Senhor. Sentimos dores, sofremos, enfrentamos doenças, somos traídos, passamos por perdas e decepções. Mesmo assim, quero dizer a você: Deus continua olhando por nós. Deus continua presente. Deus continua fazendo diferença em nossa vida.

Hoje estamos lendo o Salmo 44, dentro da nossa caminhada dos 150 Dias Lendo o Livro de Salmos. Tem sido uma oportunidade maravilhosa de, a cada salmo, crescermos em nossa intimidade com Deus. A cada leitura, encontramos pessoas como eu e você, que abrem o coração diante do Senhor, contam suas dores, seus sofrimentos e, ao mesmo tempo, declaram sua esperança, sua fé e sua confiança.

O Salmo 44 é uma oração comunitária. O texto apresenta um povo atravessando um momento de dor. Não era apenas uma pessoa sofrendo. Era o povo de Israel enfrentando uma situação de sofrimento, humilhação, rejeição e derrota. É como se o povo estivesse dizendo: “Senhor, nós não nos esquecemos de ti. Estamos procurando fazer aquilo que o Senhor nos mandou. Então, por que estamos sofrendo?”

Eles estavam sendo humilhados, rejeitados e enfrentando derrotas. Pessoas poderiam olhar para eles e perguntar:

“Onde está o Deus de vocês?” E agora, como lidar com tudo isso?

Quando leio esse salmo, percebo algo muito importante: não é pecado dizer a Deus o que estamos sentindo. Pelo contrário. Deus conhece o nosso coração. Ele sabe das nossas dores, dos nossos medos, das nossas angústias e das nossas dúvidas. O Senhor deseja que tenhamos intimidade suficiente para falar com ele com sinceridade, apresentando não apenas o nosso louvor e a nossa adoração, mas também aquilo que está doendo dentro de nós.

Deus deseja relacionamento. Deus deseja verdade. Deus deseja intimidade.

O salmista apresenta um povo que conhece a história de Deus.

Eles sabem quem Deus é e sabem aquilo que ele já havia realizado. Eles se lembram das obras do Senhor. Deus havia conduzido o seu povo, dado vitórias, protegido, ensinado e cuidado.

O povo conhecia a história da ação de Deus em seu favor. E agora surge aquela pergunta tão humana: “E agora, Senhor?” Por que estamos passando por tudo isso? Essa pergunta não demonstra necessariamente falta de fé. Ela pode revelar justamente a existência de um relacionamento.

Quando temos intimidade com alguém, conseguimos abrir o coração e dizer aquilo que estamos sentindo. E essa é uma das grandes riquezas dos Salmos. Eles nos ensinam que podemos conversar com Deus sobre tudo. O mesmo Deus que conduziu o seu povo no passado continua sendo Deus no presente. O mesmo Deus que cuidou ontem continua cuidando hoje.

O Salmo 44 apresenta uma declaração muito forte: “Mas, por amor de ti, somos entregues à morte continuamente, somos considerados como ovelhas para o matadouro.” (Salmo 44.22 — NAA). Quando leio esse versículo, percebo o quanto os Salmos continuam falando conosco e também como suas palavras aparecem posteriormente no Novo Testamento. O apóstolo Paulo, escrevendo aos cristãos de Roma, retoma exatamente essa passagem: “Como está escrito: ‘Por amor de ti, somos entregues continuamente à morte; fomos considerados como ovelhas para o matadouro.’” (Romanos 8.36 — NAA). É impressionante perceber essa conexão.

Paulo está dizendo à Igreja que o sofrimento não era uma novidade para o povo de Deus. Os seguidores de Cristo também poderiam enfrentar dificuldades, perseguições e sofrimento.

Mas Paulo não termina nesse versículo. E isso é fundamental. Depois de apresentar a realidade do sofrimento, ele apresenta a realidade da vitória. Primeiro, ele pergunta: “Quem nos separará do amor de Cristo?” (Romanos 8.35 — NAA). E, depois, declara: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.” (Romanos 8.37 — NAA). Que declaração poderosa! O sofrimento existe. A dor existe. A perseguição existe. As perdas existem. Mas nenhuma dessas coisas tem poder para nos separar do amor de Cristo.

Quando olhamos para os Salmos à luz do Novo Testamento, encontramos Jesus. Jesus conheceu o sofrimento. Conheceu a rejeição. Conheceu a injustiça. Conheceu a solidão. Conheceu a cruz. Isaías já havia anunciado que o Servo do Senhor seria levado como uma ovelha ao matadouro: “Como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda diante dos seus tosquiadores, ele não abriu a boca.” (Isaías 53.7 — NAA). João Batista, ao reconhecer Jesus, declarou: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1.29 — NAA).

Jesus não foi abandonado pelo Pai porque sofreu. Sua cruz fazia parte da missão que havia recebido. E a cruz não foi o fim. Depois da cruz veio a ressurreição. Por isso, quando olhamos para Jesus, compreendemos que sofrimento não significa necessariamente abandono de Deus. Ser como uma ovelha conduzida ao matadouro não significa estar fora do cuidado do Senhor. Podemos atravessar momentos difíceis e, ainda assim, continuar debaixo da graça, do cuidado e do amor de Deus.

Talvez você esteja vivendo exatamente isso hoje. Você está orando. Está tentando fazer a coisa certa. Está procurando obedecer a Deus. Está confiando no Senhor. Mas não consegue entender o que está acontecendo. Nesse momento, abra o seu coração diante de Deus. Fale com ele. Chore diante dele. Apresente sua dor. Mas não deixe de confiar.

O Salmo 44 nos mostra pessoas que sofrem, choram, têm medo e enfrentam dificuldades, mas continuam buscando a presença do Senhor. Isso também é fé. Fé não significa fingir que está tudo bem. Fé significa continuar confiando em Deus mesmo quando não conseguimos compreender todas as coisas.

Por isso, se hoje você está passando por um momento difícil, lembre-se: Deus não nos desampara. Deus não nos abandona. Olhe para Jesus. Ele conhece o sofrimento. Ele conhece a rejeição. Ele conhece a cruz. Mas, acima de tudo, ele venceu a morte para nos dar a certeza da vida eterna.

A continuidade do Salmo 44 encontra uma resposta poderosa em Romanos 8. Paulo reconhece o sofrimento, mas não permite que o sofrimento seja a palavra final. Ele olha para Cristo e declara: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.” (Romanos 8.37 — NAA). Essa é a nossa esperança. Não somos vencedores porque nunca sofremos. Não somos vencedores porque nunca choramos. Não somos vencedores porque tudo sempre acontece como desejamos. Somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou.

Cristo é a nossa vitória. Cristo é a nossa esperança. Cristo é aquele que permanece conosco quando não entendemos o caminho. Por isso, se hoje você está atravessando um momento de dor, não conclua que Deus se esqueceu de você. Talvez você não esteja entendendo o que está acontecendo. Talvez Deus pareça silencioso. Mas o silêncio de Deus não significa a ausência de Deus.

Continue orando. Continue confiando. Continue caminhando. Continue olhando para Jesus. Porque a dor faz parte da caminhada, mas a dor não tem a palavra final. A palavra final está em Cristo. E, em Cristo, podemos declarar: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.” (Romanos 8.37 — NAA).

Que Deus abençoe o seu dia.

 

Cláudio Eduardo M Costa
Pastor,

Humanizando Compaixão
150 Dias Lendo o Livro de Salmos


quarta-feira, 12 de agosto de 2026

A VERDADEIRA ADORAÇÃO... - Salmo 43 -

 




A VERDADEIRA ADORAÇÃO...

Salmo 43

 

Quando foi a última vez que você teve tanta vontade de estar na presença de Deus que nada mais era importante? Estar na presença de Deus significa intimidade com o Senhor. Em um mundo cheio de distrações, cheio de ruídos, será que não perdemos a essência da verdadeira adoração? Estamos vivendo um tempo de muitas dificuldades. Não sei se você já percebeu, mas hoje temos tanta facilidade para participar de um culto, ouvir uma mensagem e, ao mesmo tempo, tanta dificuldade para viver uma adoração verdadeira.

Temos culto on-line, aplicativo da Bíblia, transmissão ao vivo de estudos bíblicos, capacitações e discipulados. Temos acesso a muitas ferramentas para crescermos espiritualmente, mas estamos muito ocupados. Enchemo-nos de atividades e não encontramos tempo para ouvir Deus, buscar o Senhor, sentir a sua presença e simplesmente estar diante dele. Por isso, quando lemos o Salmo 43, encontramos um convite à verdadeira adoração.

Para muitos estudiosos, o Salmo 43 é entendido como uma continuidade do Salmo 42. É alguém que está longe de sua terra, longe do templo de Jerusalém, sendo confrontado, humilhado e enfrentando sofrimento. Ao mesmo tempo, ele conversa consigo mesmo e busca, nessa conversa pessoal, reencontrar sua intimidade com Deus. Ele abre o coração diante do Senhor e apresenta a sua angústia. Quando olhamos para todo o contexto do Salmo 43, a pergunta do salmista precisa também ser a nossa pergunta: “Por que você está abatida, ó minha alma? Por que se perturba dentro de mim?” (Salmo 43.5 — NAA). Por que você está sofrendo tanto? Por que tanta dor? Existe um Deus.

Existe um Deus grandioso e glorioso que continua olhando por nós. Por isso, quando olhamos para os nossos dias, encontramos vários perigos, e um deles é colocar o nosso compromisso com Deus em segundo lugar. Compromisso com Deus não significa estar todos os dias na igreja. Não é isso. Compromisso com Deus significa ter intimidade com o Senhor, permitindo que a vontade de Deus prevaleça em nossa vida e que tudo aquilo que fizermos seja para a glória dele. A Bíblia nos ensina: “Portanto, se vocês comem, bebem ou fazem qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.” (1 Coríntios 10.31 — NAA).

Não adianta estarmos em eventos, assistirmos a palestras, participarmos de cursos para crescermos espiritualmente, se tudo isso não estiver alicerçado em uma intimidade real e verdadeira com o Senhor. Podemos acumular conhecimento, participar de muitas atividades e, ainda assim, deixar de cultivar um relacionamento profundo com Deus. Por isso, eu quero fazer um desafio a você.

 

Mais adoração e menos espetáculo.

Por que você, como adorador, precisa estar no palco? Nós podemos ser adoradores do Senhor em todos os lugares, porque é para isso e por isso que estamos aqui. Adoração não é entretenimento. Adoração não é show. Adoração é relacionamento, um relacionamento constante com o Senhor. Deus não procura apenas pessoas que frequentem um templo. Deus procura pessoas que estejam com o coração aberto para ouvir a sua voz. Jesus afirmou: “Mas vem a hora — e já chegou — em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. Porque são esses que o Pai procura para seus adoradores.” (João 4.23 — NAA).

Voltando ao que Jesus afirmou à mulher samaritana, percebemos que a discussão estava relacionada ao lugar de adoração: Jerusalém ou o monte Gerizim (João 4.20). Jesus mostra que a verdadeira adoração não está limitada a um lugar. O Pai procura verdadeiros adoradores que o adorem em espírito e em verdade. E o salmista, então, conclui com a mesma esperança: “Por que você está abatida, ó minha alma? Por que se perturba dentro de mim? Espere em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.” (Salmo 43.5 — NAA).

O salmista estava distante de Jerusalém e do templo, que, naquele contexto histórico, ocupava um lugar central na adoração do povo de Israel. No nosso contexto, a partir da obra de Jesus Cristo, encontramos uma realidade extraordinária. Quando Jesus entregou a sua vida na cruz e declarou “Está consumado!” (João 19.30 — NAA), o véu do templo se rasgou de alto a baixo (Mateus 27.51). O acesso ao Senhor foi aberto por meio de Cristo.

Quando olhamos para o contexto do Salmo 43, podemos compreender a esperança do salmista à luz da revelação que temos em Jesus Cristo. Os versículos 3 e 4 dizem: “Envia a tua luz e a tua verdade, para que me guiem e me levem ao teu santo monte e aos teus tabernáculos. Então irei ao altar de Deus, de Deus, que é a minha grande alegria; e ao som da harpa te louvarei, ó Deus, Deus meu.” (Salmo 43.3-4 — NAA).

Quando olho para essa declaração, penso em Jesus, a verdadeira luz. O próprio Cristo declarou: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida.” (João 8.12 — NAA). Quando olho para essa declaração, também encontro em Jesus a verdade por excelência. Ele afirmou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14.6 — NAA).

Quando olho para o Salmo 43 e olho para Jesus, entendo que é tempo de uma adoração sincera ao Senhor. É tempo de sinceridade na presença de Deus. É tempo de o povo de Deus voltar à verdadeira adoração e compreender que não precisamos de palco ou de uma grande estrutura para sermos verdadeiros adoradores do Senhor.

Não estou menosprezando, nesta reflexão, a instituição Igreja. Pelo contrário. Quando a Igreja cumpre o seu papel de ser o corpo de Cristo nesta terra, ela faz a verdadeira diferença que precisamos fazer no mundo. A Bíblia afirma: “Ora, vocês são o corpo de Cristo e, individualmente, membros desse corpo.” (1 Coríntios 12.27 — NAA).

A Igreja precisa entender que, como corpo de Cristo, somos agentes de transformação. Como corpo de Cristo, somos discípulos do Senhor. Como corpo de Cristo, somos chamados para ser sal da terra e luz do mundo (Mateus 5.13-16). Como corpo de Cristo, somos chamados para fazer discípulos e anunciar o Evangelho a todas as nações (Mateus 28.19-20). Somos chamados para levar pessoas a compreenderem que Jesus Cristo é o Senhor.

Então, quando afirmo “menos religiosidade e mais intimidade com Deus”, é porque, a partir da minha intimidade com o Senhor, compreendo ainda mais a importância da Igreja, o corpo de Cristo, chamado por Jesus para cumprir sua missão neste mundo. A Igreja precisa avançar. A Igreja precisa fazer diferença. Não devemos estar simplesmente imitando o mundo, mas, pelo contrário, vivendo o Evangelho de maneira que nossa presença transforme o mundo à nossa volta.

Por isso, que Deus abençoe ricamente a sua vida e que a sua oração seja semelhante à oração do salmista, mas contextualizada à sua realidade: “Por que você está abatida, ó minha alma? Por que se perturba dentro de mim? Espere em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.” (Salmo 43.5 — NAA).

Talvez hoje a sua alma esteja abatida. Talvez você esteja enfrentando uma situação que não consegue compreender. Talvez esteja cansado, decepcionado ou cercado por tantas vozes que já não consegue ouvir a voz de Deus. Pare por um momento. Silencie os ruídos. Volte o seu coração para o Senhor. Faça a oração do salmista: “Envia a tua luz e a tua verdade.” (Salmo 43.3 — NAA).

Deus continua sendo a nossa luz. Cristo continua sendo a nossa verdade. O caminho para o Pai continua aberto. E, mesmo em meio às lutas, podemos dizer: “Ainda o louvarei.”

Não porque tudo esteja resolvido, mas porque Deus continua sendo Deus. Não porque a nossa alma nunca fique abatida, mas porque podemos esperar nele. Não porque a caminhada seja fácil, mas porque não caminhamos sozinhos.

Que a nossa oração seja: Senhor, envia a tua luz e a tua verdade. Guia os meus passos. Ensina-me a viver uma adoração verdadeira. Livra-me de uma fé baseada apenas em atividades e aparências. Quero mais do que participar de coisas sobre ti. Quero conhecer-te, ouvir a tua voz e viver para a tua glória.

Que Deus nos ajude a abandonar o espetáculo e reencontrar a essência.

Mais adoração. Mais intimidade. Mais verdade. Mais de Cristo.

Porque a verdadeira adoração não acontece apenas quando cantamos para Deus. A verdadeira adoração acontece quando entregamos a Deus toda a nossa vida.

“Espere em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.” Salmo 43.5 — NAA


Cláudio Eduardo M Costa

 

terça-feira, 11 de agosto de 2026

A MINHA ALMA TEM SEDE DE DEUS... - Salmo 42 -

 


A MINHA ALMA TEM SEDE DE DEUS...

Salmo 42

"Assim como a corça suspira pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma."  Salmo 42.1 (NAA)

 

Você já bebeu água hoje?

Para mantermos uma boa saúde física, precisamos nos hidratar diariamente. A água é indispensável para a vida. As plantas precisam de água. Os animais precisam de água. O ser humano também depende dela para viver.

Quando abrimos uma torneira e enchemos um copo de água potável, muitas vezes não percebemos o privilégio que temos. Na antiguidade, porém, a realidade era muito diferente. Pessoas caminhavam quilômetros em busca de água. Povos disputavam poços, e até guerras eram travadas pelo controle das fontes de água.

Por isso, um simples copo de água representava vida.

O Salmo 42 utiliza exatamente essa imagem para nos ensinar uma verdade espiritual profunda: assim como o corpo necessita de água, a alma necessita de Deus.

 

Os filhos de Coré: uma história transformada pela graça

O Salmo 42 inaugura o segundo livro dos Salmos (Salmos 42–72) e foi escrito pelos filhos de Coré.

Coré foi o levita que liderou uma rebelião contra Moisés e Arão, desafiando a autoridade que Deus havia estabelecido sobre Israel (Nm 16). Como consequência, sofreu o juízo divino.

Entretanto, seus filhos não participaram daquela rebelião e foram preservados pelo Senhor.

Séculos depois, encontramos seus descendentes servindo fielmente no templo como músicos, compositores e líderes da adoração em Israel (1Cr 6.31-38; 2Cr 20.19).

Que demonstração extraordinária da graça de Deus!

A história de Coré foi marcada pela rebeldia. A história de seus filhos foi marcada pela adoração. Isso nos ensina que não somos obrigados a repetir os erros das gerações anteriores. Em Cristo, podemos escrever uma nova história.

Aprendemos com os acertos daqueles que vieram antes de nós e evitamos repetir seus erros.

 

A maior necessidade da alma

É nesse contexto que surge uma das declarações mais conhecidas das Escrituras:

"Assim como a corça suspira pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma." Salmo 42.1 (NAA)

A corça não procura água por luxo. Ela procura porque precisa sobreviver.

Da mesma forma, Deus não é um complemento para a vida. Ele é essencial.

O salmista continua dizendo:

"A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando irei e me apresentarei diante da face de Deus?" Salmo 42.2 (NAA)

Existe um vazio no coração humano que nada neste mundo consegue preencher. Dinheiro, sucesso, prazer, reconhecimento ou religião não conseguem satisfazer a sede mais profunda da alma. Somente a presença do Deus vivo pode preencher esse espaço.

Por isso, o salmo não fala de religiosidade, mas de relacionamento. Não basta frequentar uma igreja ou cumprir rituais religiosos. Nossa maior necessidade é viver em íntima comunhão com Deus.

 

A fé também enfrenta dias difíceis

Talvez imaginemos que os filhos de Coré escreveram este salmo durante um período de tranquilidade. Mas não foi assim.

O salmista revela sua profunda dor:

"As minhas lágrimas têm sido o meu alimento dia e noite, enquanto me dizem continuamente: 'E o seu Deus, onde está?'" Salmo 42.3 (NAA)

Ele sofre. Chora. É ridicularizado. Pessoas zombam da sua fé e perguntam:

"- Onde está o seu Deus?"

Essa pergunta continua sendo feita em nossos dias. Quando enfrentamos enfermidades, crises financeiras, perdas ou sofrimento, muitos questionam a presença de Deus.

Entretanto, o salmista não permite que as circunstâncias definam sua esperança.

Ele conversa consigo mesmo e declara:

"Por que você está abatida, ó minha alma? Por que se perturba dentro de mim? Espere em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu." Salmo 42.5 (NAA)

Que lição extraordinária!

A fé não elimina as lágrimas. Mas impede que elas tenham a última palavra. Nossa esperança continua firmada no Senhor.

 

O Salmo 42 aponta para Jesus

O Novo Testamento revela quem é aquele que pode saciar definitivamente a sede da alma.

No encontro com a mulher samaritana, Jesus declarou:

"Quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna." João 4.14 (NAA)

Aquela mulher carregava marcas profundas em sua história. Buscava água todos os dias. Mas a maior sede da sua vida não era física. Era espiritual. Jesus ofereceu aquilo que nenhuma fonte deste mundo poderia dar.

Mais tarde, durante a Festa dos Tabernáculos, Ele fez outro convite extraordinário:

"Se alguém tem sede, venha a mim e beba." João 7.37 (NAA)

Cristo continua fazendo esse convite hoje.

Ele é a Água da Vida. Quem se aproxima dele encontra perdão, esperança, paz e vida eterna.

 

Para refletir

Todos os dias precisamos beber água para manter nosso corpo vivo. Da mesma forma, todos os dias precisamos da presença de Deus para fortalecer nossa alma.

Por isso, quero deixar duas perguntas para sua reflexão:

O que tem saciado a sede da sua alma?

Você tem buscado mais a Deus ou apenas as soluções para os seus problemas?

Que a oração do salmista seja também a nossa:

"Por que você está abatida, ó minha alma? Por que se perturba dentro de mim? Espere em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu." Salmo 42.5 (NAA)

Que Deus seja a fonte da sua vida, da sua esperança e da sua alegria.

Que Ele fortaleça sua fé e conduza seus passos todos os dias.

 

Pr. Cláudio Eduardo M. Costa

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

DEUS CUIDA DE QUEM CUIDA... - Salmo 41-

 


DEUS CUIDA DE QUEM CUIDA...

Salmo 41

 

Quem você tem ajudado pelo caminho?

Chegamos ao Salmo 41, o último salmo do primeiro livro dos Salmos (Salmos 1–41). E ele nos conduz a uma reflexão profundamente prática.

Quando enfrentamos uma enfermidade, uma crise financeira, uma perda ou qualquer tipo de sofrimento, é comum fazermos a seguinte pergunta: "Quem vai cuidar de mim?"

Entretanto, o Salmo 41 nos desafia a inverter essa lógica. Em vez de pensar apenas em quem cuidará de nós, somos chamados a perguntar:

"De quem eu tenho cuidado?"

Essa é uma das marcas de uma vida transformada pela graça de Deus.

 

A verdadeira felicidade está em cuidar do próximo

O salmista inicia declarando:

"Bem-aventurado é aquele que ajuda os necessitados; o Senhor o livra no dia do mal." Salmo 41.1 (NAA)

A palavra "bem-aventurado" significa profundamente feliz.

A felicidade, segundo a perspectiva bíblica, não está apenas em receber, mas também em servir.

Quando cuidamos das pessoas, refletimos o caráter de Deus, que cuida de nós continuamente.

É verdade que, muitas vezes, aqueles que praticam o bem também recebem cuidado de outras pessoas quando passam por dificuldades. Porém, a maior promessa deste salmo não está na reciprocidade humana, mas na fidelidade do próprio Deus.

É Ele quem nunca deixa de cuidar dos seus filhos.

 

Deus permanece presente em todas as circunstâncias

Mesmo quando não percebemos sua atuação, o Senhor continua sustentando a nossa vida.

Davi declara:

"O Senhor o protege, preserva-lhe a vida e o faz feliz na terra; não o entrega à vontade dos seus inimigos. O Senhor o assiste no leito da enfermidade. Quando doente, tu lhe restauras a saúde." Salmo 41.2-3 (NAA)

Que promessa extraordinária!

O Senhor protege.

O Senhor preserva.

O Senhor fortalece.

O Senhor restaura.

Algumas traduções antigas utilizam uma imagem muito bonita, mostrando Deus como alguém que prepara cuidadosamente o leito do enfermo, trazendo conforto mesmo durante a dor.

Isso não significa ausência de sofrimento, mas a certeza da presença de Deus em meio às dificuldades.

Mesmo na enfermidade, na perseguição ou nas lutas da vida, o Senhor continua ao nosso lado.

Mais bem-aventurado é dar do que receber

Esse princípio reaparece no Novo Testamento.

Ao se despedir dos presbíteros da igreja de Éfeso, o apóstolo Paulo relembra uma palavra do próprio Senhor Jesus:

"Em tudo vos mostrei que, trabalhando assim, é preciso socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: 'Mais bem-aventurado é dar que receber.'" Atos 20.35 (NAA)

Vivemos em uma sociedade que valoriza o receber, o acumular e o conquistar.

O Reino de Deus, porém, ensina outra lógica.

A verdadeira felicidade está em servir.

Servimos ao Senhor quando servimos às pessoas.

Não fazemos isso por obrigação nem para conquistar o favor de Deus, mas porque já fomos alcançados por sua graça.

Quem recebeu misericórdia aprende a viver misericordiosamente.

 

A maior enfermidade é a da alma

Embora o Salmo fale sobre enfermidade física, Davi reconhece que existe um problema ainda mais profundo.

Ele ora dizendo:

"Eu disse: 'Compadece-te de mim, Senhor; sara a minha alma, porque pequei contra ti.'" Salmo 41.4 (NAA)

Davi compreende que o pecado adoece a alma.

A culpa, a distância de Deus e a desobediência produzem feridas que nenhum remédio humano consegue curar.

Por isso, antes de pedir alívio para o corpo, ele pede restauração para o coração.

A verdadeira cura começa quando reconhecemos nosso pecado e nos voltamos para Deus com arrependimento.

 

O Salmo 41 aponta para Jesus

Este salmo possui um forte caráter messiânico.

Davi escreve:

"Até o meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o calcanhar." Salmo 41.9 (NAA)

Séculos depois, durante a última ceia, Jesus cita exatamente esse versículo ao falar sobre Judas Iscariotes.

Ele declara:

"Não falo a respeito de todos vocês; eu conheço aqueles que escolhi. É para que se cumpra a Escritura: 'Aquele que come do meu pão levantou contra mim o seu calcanhar.'" João 13.18 (NAA)

Davi experimentou a dor da traição.

Jesus também.

Mas Cristo foi muito além.

Enquanto Davi clamava: "Sara a minha alma", Jesus tornou possível essa cura definitiva.

Na cruz do Calvário, Ele carregou os nossos pecados, venceu a morte e abriu o caminho para o perdão, a restauração e a vida eterna.

A cura da alma tem um nome: Jesus Cristo.

Recebê-lo como Senhor e Salvador significa muito mais do que uma decisão emocional. É escolher viver em obediência, caminhando diariamente em comunhão com Ele.

 

Para refletir

O Salmo 41 nos convida a tomar duas decisões.

A primeira é viver uma vida de compaixão, cuidando das pessoas que Deus coloca em nosso caminho.

A segunda é reconhecer que somente Cristo pode curar completamente a nossa alma.

Por isso, pergunte a si mesmo:

Quem tem sido alcançado pela sua misericórdia?

Sua alma já encontrou descanso em Jesus Cristo?

Concluímos este primeiro livro dos Salmos com uma doxologia de louvor ao Deus eterno:

"Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, da eternidade para a eternidade! Amém e amém!" Salmo 41.13 (NAA)

Que essa seja também a nossa oração e a nossa declaração de fé.

Bendito seja o Senhor para todo o sempre!

 

 

Cláudio Eduardo M. Costa

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