segunda-feira, 31 de agosto de 2026

DEUS CONTINUA NO CONTROLE! - SALMO 62 -

 


DEUS CONTINUA NO CONTROLE!

SALMO 62

 

Quando você não consegue controlar as coisas que estão acontecendo, qual é a sua atitude? Você entra em desespero? Para? Começa a reclamar? É sobre isso e muito mais que quero conversar com você hoje. Estamos lendo o Salmo de número 62 e, neste salmo, encontramos Davi refletindo sobre a confiança em Deus em meio às circunstâncias que ele não consegue controlar. Quando olho para o Salmo 62, lembro-me de quando comecei a dirigir, quando estava aprendendo a conduzir um carro. Meu instrutor me disse algo que nunca esqueci: “Você não tem controle sobre o que os outros motoristas fazem. Por isso, faça a sua parte, mas mantenha os olhos atentos ao que está acontecendo ao seu redor.” Essa orientação também pode nos ensinar algo importante sobre a vida. Eu não tenho controle sobre o que as outras pessoas fazem. Não tenho controle sobre todas as circunstâncias. Não consigo determinar tudo o que acontecerá amanhã. Mas posso cuidar da maneira como reajo, posso cuidar do meu coração e, acima de tudo, posso cultivar a minha intimidade com Deus.

Logo no primeiro versículo do Salmo 62, Davi declara: “Somente em Deus a minha alma encontra descanso; dele vem a minha salvação.” (Salmo 62:1 — NAA). A palavra “somente” não significa que Davi esteja desprezando a ajuda de outras pessoas ou defendendo uma espécie de autossuficiência. Pelo contrário, ele está reconhecendo que a sua segurança definitiva está em Deus. É dele que vem a salvação. No contexto imediato do salmo, Davi está vivendo um período de oposição e conflitos, mas essa declaração também nos conduz à grande verdade da salvação que encontramos em Cristo Jesus. O amor de Deus, a misericórdia do Senhor e a sua graça alcançam a humanidade e nos mostram que a nossa esperança definitiva não está em nós mesmos, mas em Deus.

Existem dias em que as coisas ficam difíceis. Notícias ruins, dificuldades financeiras, problemas no trabalho, conflitos familiares, perdas, frustrações e tantas outras situações podem nos levar ao desgaste, à tristeza e, muitas vezes, ao desespero. Mas o Salmo 62 nos apresenta um convite para parar, respirar e voltar o coração para Deus. É um convite para uma experiência de intimidade com o Senhor.

No versículo 2, Davi continua: “Somente ele é a minha rocha, a minha salvação e o meu alto refúgio; não serei muito abalado.” (Salmo 62:2 — NAA). Preste atenção: Davi não está dizendo que, com Deus, viverá uma experiência sem problemas. Ele não está afirmando que nunca enfrentará dificuldades, perdas ou tempestades. Pelo contrário, ele sabe que elas existem. O que Davi afirma é que, mesmo em meio a todas essas situações, ele não será destruído, porque a sua confiança está no Senhor.

Essa é uma verdade que precisamos recuperar em nossos dias. Ter fé não significa viver sem problemas. Ter fé significa saber em quem confiar quando os problemas chegam. A presença de Deus não significa ausência de tempestades; significa que não precisamos atravessar as tempestades sozinhos.

Continuando no versículo 5, aprendemos algo ainda mais profundo: não temos controle sobre tudo, mas podemos escolher onde colocar a nossa esperança. Davi diz: “Somente em Deus, ó minha alma, espere silenciosa, porque dele vem a minha esperança.” (Salmo 62:5 — NAA).

Observe a expressão: “espere silenciosa”.

Vivemos em um mundo de muito barulho. Redes sociais, opiniões, discussões, críticas, acusações e respostas imediatas. Alguém nos ofende e queremos responder imediatamente. Alguém publica alguma coisa e sentimos necessidade de comentar. Uma notícia aparece e rapidamente queremos tomar posição. É muito barulho ao nosso redor.

Mas o salmista nos apresenta outro caminho: espere silenciosamente em Deus.

Isso não significa passividade diante da vida. Significa aprender a aquietar o coração para ouvir o Senhor. Existem momentos em que precisamos diminuir o barulho exterior para perceber aquilo que Deus está fazendo em nosso interior. É momento de intimidade. É momento de oração. É momento de confiar.

Davi nos ensina que existem momentos em que o nosso coração precisa ser disciplinado a esperar em Deus. As tempestades são reais. E qualquer pessoa que prometa uma vida cristã sem problemas, sem aflições e sem tempestades não está apresentando a realidade ensinada pelas Escrituras. Jesus nunca prometeu uma vida sem dificuldades. Ele prometeu a sua presença.

E, quando penso em tempestades, lembro-me de uma passagem do Evangelho de Marcos. Os discípulos estavam atravessando o mar com Jesus quando uma grande tempestade começou. O barco era sacudido pelas ondas, enquanto Jesus estava dormindo.

Assustados, os discípulos acordaram Jesus e disseram: “Mestre, não lhe importa que pereçamos?” (Marcos 4:38 — NAA).

Então Jesus se levantou e, com autoridade, repreendeu o vento e disse ao mar: “Acalme-se! Fique quieto!” (Marcos 4:39 — NAA). O vento cessou, e houve grande calmaria.

Essa passagem nos ensina algo maravilhoso. Jesus não prometeu aos discípulos que eles jamais enfrentariam uma tempestade. Na verdade, eles estavam justamente no meio de uma. Mas Jesus estava dentro do barco.

Talvez essa seja uma das maiores verdades que precisamos guardar no coração: Jesus não prometeu que nunca passaríamos por tempestades, mas prometeu estar conosco.

Jesus é a nossa segurança. Ele é a nossa Rocha. E o Salmo 62 reafirma essa confiança quando Davi declara no versículo 6: “Somente ele é a minha rocha e a minha salvação; ele é a minha fortaleza; não serei abalado.” (Salmo 62:6 — NAA).

Olhe para a segurança dessas palavras! Davi não está confiando na sua própria força. Ele está confiando em Deus.

E agora eu quero fazer uma pergunta para você: onde está a sua vida firmada hoje?

Você está construindo sua vida sobre a Rocha, com a certeza de que Jesus está com você, ou ainda está procurando segurança em alternativas que não podem sustentar a sua vida?

Essa pergunta me faz lembrar um dos ensinamentos de Jesus no final do Sermão do Monte. Ele fala sobre duas construções: uma casa edificada sobre a areia e outra construída sobre a rocha.

Jesus afirma: “E todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha.” (Mateus 7:24 — NAA).

As duas casas enfrentaram tempestades. As duas foram atingidas pela chuva, pelos rios e pelos ventos. A diferença não estava na ausência da tempestade. A diferença estava no fundamento.

A casa construída sobre a rocha permaneceu.

É isso que o Salmo 62 está nos ensinando. Não podemos controlar todas as circunstâncias, mas podemos escolher onde fundamentar a nossa vida.

Então, o que vamos fazer?

Vamos olhar para o Senhor ou entrar em desespero?

Vamos colocar nossas dores e nossos problemas nas mãos de Deus ou tentar carregar tudo sozinhos?

Vamos alimentar a ansiedade ou aprender a esperar silenciosamente no Senhor?

Paulo, escrevendo aos cristãos de Filipos, apresenta uma orientação preciosa: “Não fiquem preocupados com coisa alguma, mas, em tudo, sejam conhecidos diante de Deus os pedidos de vocês, pela oração e pela súplica, com ações de graças.” (Filipenses 4:6 — NAA).

E ele continua: “E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:7 — NAA).

Que promessa maravilhosa!

Paulo não está dizendo que todos os problemas desaparecerão imediatamente. Ele está mostrando que, quando levamos nossas preocupações a Deus, podemos experimentar uma paz que ultrapassa aquilo que conseguimos compreender.

Essa paz não depende de termos todas as respostas. Ela nasce da confiança naquele que continua no controle.

E o Salmo 62 chega a uma declaração poderosa no versículo 11: “Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: que o poder pertence a Deus.” (Salmo 62:11 — NAA).

O poder pertence a Deus.

Não pertence às circunstâncias.

Não pertence às pessoas.

Não pertence ao dinheiro.

Não pertence às nossas próprias forças.

O poder pertence a Deus!

Por isso, quando você não conseguir controlar o que está acontecendo, lembre-se de que existe alguém que continua no controle.

Quando as circunstâncias mudarem, Deus continuará sendo Deus.

Quando as pessoas falharem, Deus continuará fiel.

Quando os recursos forem insuficientes, Deus continuará sendo a nossa fonte.

Quando o coração estiver inquieto, podemos esperar silenciosamente no Senhor.

Talvez hoje você esteja vivendo uma situação que parece grande demais. Talvez esteja tentando controlar algo que simplesmente não está em suas mãos. Talvez o seu coração esteja cansado de lutar contra aquilo que você não consegue mudar.

Então, pare por um momento.

Aquieta o seu coração.

Ore.

Entregue ao Senhor aquilo que está além do seu controle.

E declare com fé:

“Somente em Deus a minha alma encontra descanso.”

Você não precisa controlar tudo.

Você precisa confiar naquele que continua no controle.

Que a paz de Deus, o poder do Senhor, a sua graça e a sua misericórdia estejam sobre a sua vida neste dia.

E que a mensagem do Salmo 62 se torne uma verdade viva em nosso coração:

DEUS CONTINUA NO CONTROLE!

 

Cláudio Eduardo M Costa

domingo, 30 de agosto de 2026

MEU CORAÇÃO ESTÁ CANSADO, DEUS ESTÁ CUIDANDO DE MIM! - SALMO 61 -

 


MEU CORAÇÃO ESTÁ CANSADO, DEUS ESTÁ CUIDANDO DE MIM!

SALMO 61

 

Você já teve a sensação de que o seu coração estava cansado demais para continuar a jornada? É sobre isso que quero conversar com você hoje. Melhor ainda: vamos conversar juntos sobre o Salmo 61. Davi está cansado. Provavelmente, as batalhas foram intensas e, depois de tantas lutas, ele se coloca diante do Senhor. Quando uso a palavra “desesperado”, não quero dizer que Davi perdeu completamente a esperança, mas que chegou a um momento em que se sentiu desfalecido, sem forças. Quantos de nós já não nos sentimos assim? Há momentos em que queremos desistir de tudo, momentos em que não encontramos forças e, muitas vezes, não temos sequer vontade de falar. Mas o primeiro versículo já nos apresenta Davi como um ser humano frágil, que reconhece sua necessidade e busca o auxílio do Senhor.

O Salmo começa com uma oração muito simples e, ao mesmo tempo, muito profunda: “Ouve, ó Deus, o meu clamor; atende à minha oração.” (Salmo 61:1 — NAA). Davi está dizendo: “Senhor, eu estou clamando ao Senhor. Eu preciso conversar contigo. Escuta-me. Atende àquilo que estou colocando diante de ti”. É como se ele dissesse: “Meu coração está cansado, mas eu ainda confio nas tuas promessas”. E isso é muito importante. Davi não esconde seu cansaço de Deus. Ele não tenta aparentar uma força que não possui. Ele simplesmente se coloca diante do Senhor e clama por ajuda.

Quando pensamos em um coração cansado, o segundo versículo nos conduz ainda mais profundamente à experiência de Davi: “Desde os confins da terra clamo a ti, porque o meu coração desfalece; leva-me para a rocha que é alta demais para mim.” (Salmo 61:2 — NAA). É como se Davi estivesse dizendo: “Senhor, meu coração desfalece. Eu estou cansado. Cheguei ao meu limite. Preciso de ti”. Mas, ao mesmo tempo, existe confiança nessa oração. Ele sabe que Deus pode levá-lo para um lugar que, sozinho, não conseguiria alcançar.

Essa expressão é muito significativa: “Leva-me para a rocha que é alta demais para mim.” Davi reconhece que existe um lugar de segurança. Talvez ele não consiga enxergá-lo naquele momento, talvez não saiba como chegar até lá, mas sabe quem pode conduzi-lo. A rocha é alta demais para ele, mas não é alta demais para Deus. Aquilo que está além da nossa capacidade continua estando sob o controle do Senhor. Quando nossas forças terminam, Deus continua sendo suficientemente forte para nos sustentar.

Davi continua sua oração dizendo: “Pois tu tens sido para mim um refúgio e uma torre forte contra o inimigo.” (Salmo 61:3 — NAA). Observe que Davi olha para aquilo que Deus já fez. Ele não diz apenas que Deus poderá ser seu refúgio; ele reconhece: “Tu tens sido para mim um refúgio”. Existe uma história de cuidado entre Davi e Deus. Ele se lembra das experiências anteriores e, a partir delas, fortalece sua confiança no presente. Deus já havia sido seu refúgio. Deus já havia sido sua torre forte. E o Deus que cuidou de Davi continua sendo o Deus que cuida de nós.

Talvez hoje você também esteja vivendo um momento assim. Talvez esteja cansado de lutar, cansado de esperar, cansado de tentar resolver situações que parecem maiores do que você. Talvez exista uma batalha dentro da sua casa, uma preocupação com o futuro, uma dificuldade financeira, um problema familiar ou simplesmente um cansaço que ninguém consegue perceber. Existem momentos em que não conseguimos explicar exatamente o que estamos sentindo. Apenas sabemos que o coração está cansado.

É nesse momento que precisamos lembrar que Deus é o nosso refúgio e a nossa torre forte. Podemos confiar e descansar nele. Isso não significa que os problemas desaparecerão imediatamente, mas significa que não precisamos enfrentá-los sozinhos. Deus está conosco. Ele conhece nossas limitações, conhece nossas lágrimas e sabe exatamente o que estamos vivendo.

E quando penso no Deus que cuidou de Davi, no Deus que continua cuidando de mim e de você, não posso deixar de lembrar do convite de Jesus registrado em Mateus 11:28: “Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei.” (NAA). Que convite maravilhoso! Jesus não chama apenas aqueles que estão fortes. Ele chama os cansados, os sobrecarregados, aqueles que chegaram ao limite das próprias forças. Jesus nos convida a encontrar descanso nele.

É como se o Salmo 61 encontrasse eco nas palavras de Jesus. Davi clama: “Leva-me para a rocha que é alta demais para mim.” Jesus diz: “Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados.” O caminho continua sendo o mesmo: reconhecer nossa necessidade e correr para a presença de Deus.

O apóstolo Pedro também nos deixa uma orientação preciosa. Ele escreve: “Lancem sobre ele todas as suas ansiedades, porque ele cuida de vocês.” (1 Pedro 5:7 — NAA). Pedro havia caminhado com Jesus, convivido com ele e experimentado suas palavras e seu cuidado. Agora, anos depois, ele ensina a igreja a entregar suas ansiedades ao Senhor. Por quê? Porque Deus cuida de nós.

Talvez seja exatamente isso que você precise fazer hoje. Pare por alguns minutos e coloque diante de Deus aquilo que está cansando o seu coração. Não carregue sozinho aquilo que você pode entregar ao Senhor. Fale com Deus sobre aquilo que está tirando sua paz. Apresente a ele suas preocupações, seus medos, suas dúvidas e suas limitações. Não tenha vergonha de dizer: “Senhor, eu cheguei ao meu limite. Preciso que o Senhor me leve para a Rocha que é alta demais para mim.”

Que esta também seja a nossa oração: “Ó Deus de amor, leva-me para a Rocha que é alta demais para mim. Coloca-me em um lugar de segurança, onde eu possa descansar na tua presença. Talvez esse lugar esteja além daquilo que consigo alcançar sozinho, mas eu sei que o Senhor pode me conduzir até lá. Quero permanecer na tua presença, viver uma experiência profunda contigo e encontrar em ti a força que não encontro em mim mesmo”.

Hoje, coloque no altar do Senhor tudo aquilo que está trazendo ansiedade ao seu coração. Coloque diante dele tudo aquilo que está produzindo cansaço, medo e preocupação. Confie no Senhor e tenha a convicção de que, na presença dele, suas forças podem ser renovadas. Como declara o profeta Isaías: “Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam.” (Isaías 40:31 — NAA).

Portanto, não desista porque o seu coração está cansado. Cansaço não significa que Deus abandonou você. Às vezes, o cansaço simplesmente revela que precisamos parar de confiar apenas em nossas próprias forças e voltar nossos olhos para aquele que pode nos sustentar.

Então, vamos lá! Busque a Deus. Clame ao Senhor. Entregue a ele suas ansiedades. Corra para a Rocha. Deus ainda tem muito a fazer em nós e através de nós. A nossa jornada continua, e ainda temos muito caminho pela frente. Talvez hoje você esteja cansado, mas não está sozinho.

Seu coração pode estar cansado, mas Deus está cuidando de você.

Que o Senhor fortaleça sua vida, renove suas forças e faça você descansar na certeza de que ele continua sendo seu refúgio, sua torre forte e sua Rocha.

Que o seu dia, especialmente este domingo, seja um domingo muito abençoado na presença do Senhor!

 

Cláudio Eduardo M Costa

sábado, 29 de agosto de 2026

DEUS PODE! — QUANDO A DERROTA NOS ENSINA A CONFIAR... SALMO 60

 


DEUS PODE!

— QUANDO A DERROTA NOS ENSINA A CONFIAR...

SALMO 60

 

Você gosta de perder? Talvez a resposta seja imediata: “É claro que não!” Afinal, vivemos em um mundo em que ganhar é sinônimo de sucesso, e muitas vezes queremos vencer sempre. Mas, quando perdemos, qual tem sido a nossa atitude? Como reagimos diante da derrota, da frustração e das situações que parecem estar fora do nosso controle?

O Salmo 60 nos apresenta justamente a um momento como esse. Não estamos falando apenas de uma dificuldade cotidiana, mas de um cenário de guerra. Davi, juntamente com seu exército e o povo de Israel, enfrentava batalhas e experimentava derrotas. Diante dessa realidade, porém, Davi não coloca toda a sua confiança na força do exército, na estratégia militar ou na capacidade humana. Ele se volta para Deus.

O Salmo 60 é um cântico de lamentação, mas também é uma declaração de confiança no Senhor. Davi reconhece sua limitação, reconhece a limitação humana e busca na presença de Deus a direção para continuar a caminhada. Ele entende que existem batalhas que não podem ser vencidas apenas com força, inteligência ou estratégia. É necessário reconhecer que a nossa dependência maior está no Senhor.

O salmo começa com uma oração de profundo reconhecimento da situação: “Ó Deus, tu nos rejeitaste e nos dispersaste; tens estado indignado. Restaura-nos!” (Salmo 60:1, NAA). É uma oração, um clamor, um verdadeiro grito de socorro. Davi era um guerreiro acostumado às batalhas, mas chegou a um momento em que percebeu que aquela situação também exigia uma resposta espiritual. Ele precisava buscar aquele que tem todo o poder em suas mãos.

Essa atitude de Davi nos ensina algo muito importante: não existe problema em reconhecer que precisamos de Deus. Pelo contrário, reconhecer nossa limitação é um passo importante para uma vida de dependência do Senhor. Às vezes, tentamos resolver tudo sozinhos, confiamos excessivamente na nossa experiência, nos nossos recursos e na nossa capacidade de planejamento. Mas existem momentos em que precisamos parar e dizer: “Senhor, eu preciso de Ti.”

Davi compreendeu que as vitórias de Israel não dependiam simplesmente da inteligência dos seus soldados ou da força do seu exército. Ele sabia que, acima de todas as circunstâncias, estava o Deus que conduzia o seu povo. Essa verdade continua sendo importante para nós. Podemos planejar, trabalhar, estudar, buscar conhecimento e utilizar todos os recursos disponíveis, mas jamais devemos colocar essas coisas no lugar que pertence somente a Deus.

No Salmo 60, Davi chega a uma declaração que deveria fazer parte da nossa vida de oração: “Presta-nos auxílio na angústia, pois vão é o socorro humano.” (Salmo 60:11, NAA).

Que declaração profunda! O ser humano pode ajudar, mas não pode ocupar o lugar de Deus. Podemos recorrer a médicos quando estamos enfermos, buscar orientação de pessoas experientes, estudar, trabalhar, pedir ajuda, procurar aconselhamento e utilizar os recursos que Deus coloca à nossa disposição. Tudo isso faz parte da vida. Entretanto, nada neste mundo pode substituir a presença e o cuidado do Senhor.

Pessoas podem falhar. Recursos podem acabar. Estratégias podem não funcionar. Portas podem se fechar. Planos podem não acontecer como imaginamos. Mas Deus continua sendo Deus.

Por isso, quando Davi reconhece a insuficiência do socorro humano, ele não está dizendo que devemos desprezar a ajuda das pessoas. Ele está colocando cada coisa em seu devido lugar. A ajuda humana é limitada; o poder de Deus não. Podemos receber auxílio de pessoas, mas nossa confiança última deve estar no Senhor.

E então chegamos ao último versículo do salmo, uma das declarações mais marcantes dessa passagem: “Em Deus faremos proezas, porque ele mesmo pisará os nossos adversários.” (Salmo 60:12, NAA).

Aqui está o coração da nossa reflexão: em Deus podemos avançar mesmo quando as circunstâncias parecem dizer que não existe mais possibilidade.

Isso não significa que tudo acontecerá exatamente como desejamos. Significa que a nossa confiança não está no resultado que conseguimos controlar, mas no Deus que permanece conosco em todas as circunstâncias. Quando reconhecemos nossa limitação e colocamos nossa confiança no Senhor, podemos enfrentar aquilo que parecia impossível com fé, coragem e esperança.

Às vezes, aquilo que chamamos de impossível torna-se justamente o lugar onde aprendemos a depender mais profundamente de Deus. Não porque Deus seja uma espécie de solução automática para todos os nossos problemas, mas porque Ele continua sendo soberano, presente e fiel, inclusive quando não entendemos o que está acontecendo.

E, quando pensamos em vitória, não podemos deixar de olhar para Jesus Cristo.

A cruz, aos olhos humanos, parecia representar derrota. Jesus foi preso, humilhado, condenado e crucificado. A cruz era símbolo de sofrimento e morte. Tudo parecia indicar o fim. Entretanto, aquilo que parecia derrota tornou-se parte do plano de redenção de Deus.

Na cruz, Jesus declarou: “Está consumado!” (João 19:30, NAA). E, ao terceiro dia, ressuscitou. A morte não teve a palavra final. O túmulo não conseguiu segurá-lo. Cristo venceu a morte e abriu para nós o caminho da reconciliação com Deus.

É por isso que nossa compreensão de vitória precisa ser transformada. A vitória cristã não significa ausência de problemas. Significa que não enfrentamos os problemas sozinhos. Nossa esperança está em Cristo, aquele que venceu a morte e nos amou até o fim.

O apóstolo Paulo expressa essa verdade de maneira extraordinária ao escrever aos Romanos: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.” (Romanos 8:37, NAA).

Observe que Paulo não diz que somos vencedores porque não enfrentamos dificuldades. Pelo contrário, todo o contexto de Romanos 8 mostra que existem aflições, perseguições, sofrimento e dificuldades. Somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou.

A nossa vitória não está na nossa própria força. Está em Cristo.

E Jesus, ao se despedir dos seus discípulos, também deixou uma palavra de esperança: “No mundo, vocês passam por aflições; mas tenham coragem: eu venci o mundo.” (João 16:33, NAA).

Que palavra maravilhosa! Jesus não prometeu aos seus discípulos uma vida sem aflições. Ele foi muito claro: “No mundo, vocês passam por aflições.” Mas a frase não termina aí. Ele acrescenta: “Tenham coragem: eu venci o mundo.”

Essa é a nossa esperança.

Talvez você esteja passando por uma batalha neste momento. Talvez exista uma situação financeira que parece impossível de resolver. Talvez você esteja enfrentando uma crise familiar, uma dificuldade profissional, uma decisão difícil ou simplesmente esteja cansado de lutar.

O Salmo 60 nos convida a reconhecer nossas limitações e colocar nossa confiança no Senhor.

Você não precisa fingir que é forte o tempo todo.

Você pode dizer: “Senhor, eu não consigo sozinho.”

Pode dizer: “Senhor, preciso da tua ajuda.”

Pode dizer: “Senhor, eu não sei como resolver, mas confio em Ti.”

E essa oração não é sinal de fraqueza. É sinal de dependência.

O Deus que sustentou Davi continua sendo Deus. O Cristo que venceu a morte continua sendo a nossa esperança. E o Espírito Santo continua fortalecendo aqueles que confiam no Senhor.

Por isso, quando a vida parecer uma batalha perdida, lembre-se de que a sua história não está nas mãos das circunstâncias. Ela está nas mãos de Deus.

Não coloque toda a sua esperança naquilo que você consegue fazer. Faça a sua parte, busque ajuda quando necessário, trabalhe, estude, planeje e persevere. Mas coloque sua confiança maior naquele que pode sustentar você quando os seus próprios recursos chegarem ao limite.

O Salmo 60 começa com um clamor: “Restaura-nos!” E termina com uma declaração de confiança: “Em Deus faremos proezas.”

Que transformação maravilhosa!

Davi começa olhando para a derrota, mas termina olhando para Deus.

Talvez essa seja também a mudança que precisamos fazer hoje.

Pare de olhar somente para o tamanho da batalha e comece a olhar para o tamanho do seu Deus.

Quando o socorro humano for insuficiente, Deus continua presente.

Quando os recursos acabarem, Deus continua sendo a nossa fonte.

Quando as portas se fecharem, Deus continua sendo nosso caminho.

Quando a derrota parecer definitiva, lembre-se de Jesus Cristo, que transformou a cruz — símbolo de morte e derrota — em instrumento de redenção e vitória.

Por isso, hoje eu quero deixar uma declaração para você levar consigo:

DEUS PODE!

Ele pode sustentar você.

Ele pode fortalecer você.

Ele pode restaurar você.

Ele pode abrir caminhos.

Ele pode transformar circunstâncias.

E, acima de tudo, Ele pode permanecer ao seu lado quando você não sabe mais o que fazer.

Não sabemos tudo o que acontecerá amanhã, mas sabemos em quem podemos confiar hoje.

“Em Deus faremos proezas.” Salmo 60:12 — NAA

Que o Senhor abençoe o seu dia, fortaleça a sua fé e ensine você a confiar nele mesmo quando as circunstâncias parecerem desfavoráveis.

Em Cristo, somos mais que vencedores.

Deus pode!

 

Cláudio Eduardo M Costa

 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

DE NOITE, O CERCO; PELA MANHÃ, O LOUVOR... - SALMO 59 -

 


DE NOITE, O CERCO;

PELA MANHÃ, O LOUVOR...

SALMO 59

 

Você já se sentiu cercado, sem saída, como se o inimigo estivesse ao redor da sua casa, querendo destruir você? Já enfrentou uma situação em que o medo tomou conta do coração e você não sabia para onde correr? É sobre isso — e muito mais — que quero conversar com você hoje, a partir do Salmo 59.

O contexto desse salmo é dramático. Davi estava sendo perseguido por Saul, que havia planejado matá-lo e enviado homens para vigiar sua casa durante a noite. Eles estavam esperando o amanhecer para executá-lo. Diante dessa situação, Davi escreve uma oração que também se transforma em louvor. É uma poesia que nasce em meio ao perigo, mas termina apontando para a confiança em Deus.

Quando olho para o Salmo 59, fico imaginando quantas vezes nós também nos sentimos cercados pelos problemas da vida. Talvez você esteja enfrentando uma dificuldade financeira, acumulando dívidas ou vivendo uma situação familiar complicada. Talvez esteja passando por um problema de saúde que tem tirado sua paz. Talvez exista uma situação no trabalho, nos relacionamentos ou até mesmo dentro de sua própria casa que esteja fazendo você se sentir sem saída.

Davi reconhece o problema, mas, acima de tudo, sabe quem está ao seu lado. Ele não ignora o perigo, não finge que está tudo bem e não tenta esconder sua angústia. Ele leva tudo para Deus.

No início do salmo, Davi clama:

“Livra-me, Deus meu, dos meus inimigos; põe-me fora do alcance dos meus adversários. Livra-me dos que praticam a iniquidade e salva-me dos homens sanguinários.” Salmo 59:1-2 — NAA

Davi sabia que sua vida estava em perigo. Ele conhecia a capacidade daqueles homens que estavam ao redor de sua casa, esperando uma oportunidade para prendê-lo e matá-lo. E qual foi sua primeira atitude? Clamar ao Senhor.

Essa é uma lição importante para nós: quando reconhecemos os nossos problemas, a primeira coisa que devemos fazer é levar tudo a Deus.

Você já colocou os seus problemas nas mãos do Senhor hoje? Já clamou a Deus? Já conversou com Ele sobre aquilo que está tirando a sua paz?

Davi continua dizendo:

“Pois eis que armam ciladas à minha alma; contra mim se reúnem os fortes, sem que eu tenha cometido qualquer transgressão ou pecado, ó Senhor.” Salmo 59:3 — NAA

Davi está dizendo: “Senhor, estou sendo perseguido, mas não fiz aquilo de que estão me acusando”. Ele se apresenta diante de Deus sabendo que está sendo injustiçado.

Mais adiante, no versículo 6, Davi utiliza uma imagem muito forte:

“Ao anoitecer, uivam como cães, à volta da cidade.” Salmo 59:6 — NAA

Naquele contexto, a imagem dos cães estava associada a animais que circulavam pelas cidades durante a noite, trazendo medo e insegurança. Davi utiliza essa figura para expressar aquilo que estava sentindo: ameaça, perseguição e pavor.

É como se ele estivesse dizendo: “Senhor, estou cercado. A noite chegou, meus inimigos continuam aqui, mas eu sei que o Senhor está me ouvindo”.

No versículo 7, ele descreve ainda mais claramente seus acusadores:

“Proferem ameaças; em seus lábios há espadas. Pois dizem: ‘Quem vai ouvir?’” Salmo 59:7 — NAA

Eles pensavam que Davi estava sozinho. Talvez até imaginassem que ninguém ouviria o seu clamor. Mas estavam enganados.

Davi não estava sozinho.

Ele tinha a presença do Deus eterno, do Deus Todo-Poderoso.

 

O INOCENTE CERCADO

Quando olhamos para o Salmo 59 e pensamos no ministério de Jesus, encontramos uma conexão muito profunda. Jesus também foi cercado, traído, injustiçado e perseguido. Seus inimigos queriam destruí-lo, embora Ele não tivesse cometido pecado.

O apóstolo Pedro afirma:

“Ele não cometeu pecado, nem foi encontrado engano em sua boca.” 1 Pedro 2:22 — NAA

Jesus era inocente. Mesmo assim, sofreu por nós. Seus inimigos não compreendiam plenamente o plano de Deus, mas aquilo que parecia derrota fazia parte do plano de salvação.

A cruz nos mostra que, mesmo quando os seres humanos parecem controlar a situação, Deus continua conduzindo a história.

 

DEUS CONTINUA NO CONTROLE

No Salmo 59, depois de descrever toda aquela perseguição, Davi muda o foco e declara:

“Mas tu, Senhor, vais rir deles; zombarás de todas as nações.” Salmo 59:8 — NAA

Não devemos entender esse texto simplesmente como um riso de deboche. Davi está reconhecendo a soberania de Deus. Aqueles homens imaginavam que tinham o controle, mas não tinham.

O inimigo não controla a história. Deus controla a história.

Essa é uma verdade que precisamos guardar no coração.

 

Talvez você esteja olhando para uma situação e pensando: “Não existe mais saída”. Talvez as circunstâncias pareçam estar completamente fora de controle. Mas o Salmo 59 nos lembra que aquilo que está fora do nosso controle nunca esteve fora do controle de Deus.

Davi sabia que Deus era o seu alto refúgio. Durante a noite, os inimigos estavam ao redor, mas Davi continuava seguro nas mãos do Senhor.

E existe algo maravilhoso nesse salmo: a noite começa com o cerco, mas termina com louvor.

 

TRÊS VERDADES PARA GUARDAR NO CORAÇÃO

A primeira verdade é: não transforme a sua dor em vingança.

Davi poderia ter reagido de maneira violenta. Poderia ter tentado resolver tudo com suas próprias mãos. Mas ele escolheu confiar em Deus e deixar o Senhor conduzir aquela situação.

O apóstolo Paulo nos ensina:

“Amados, não façam justiça com as próprias mãos, mas deem lugar à ira de Deus, pois está escrito: ‘A mim pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.’” Romanos 12:19 — NAA

Isso não significa ignorar a injustiça ou permanecer passivo diante do mal. Significa não permitir que a injustiça dos outros transforme o nosso coração em um coração dominado pela vingança.

Podemos buscar justiça sem viver para a vingança.

 

A segunda verdade é: quando você não consegue mudar o ambiente, permita que Deus transforme o seu coração.

O ambiente ao redor de Davi era hostil. Os inimigos continuavam ali. O perigo era real. Mas Davi permaneceu firmado no Senhor.

Talvez você não consiga mudar imediatamente aquilo que está acontecendo ao seu redor. Mas pode entregar o seu coração a Deus e permitir que Ele sustente você no meio da tempestade.

 

A terceira verdade é: decida como você vai acordar amanhã.

Essa talvez seja uma das grandes mensagens do Salmo 59. Davi começa enfrentando uma noite de perseguição, mas termina cantando.

Ele declara:

“Eu, porém, cantarei a tua força; pela manhã louvarei com alegria a tua misericórdia, pois tu me tens sido alto refúgio e proteção no dia da minha angústia.” Salmo 59:16 — NAA

E continua:

“A ti, força minha, cantarei louvores, porque Deus é meu alto refúgio, é o Deus da minha misericórdia.” Salmo 59:17 — NAA

Que declaração extraordinária!

 

Davi não está dizendo que nunca enfrentará outra dificuldade. Ele está dizendo que, mesmo em meio à dificuldade, Deus continua sendo sua força, seu alto refúgio e sua proteção.

 

DE NOITE, O CERCO; PELA MANHÃ, O LOUVOR

Talvez você esteja vivendo uma noite difícil hoje. Talvez existam problemas cercando sua vida. Talvez você não saiba como será o amanhã.

Mas não durma apenas pensando nos problemas.

Durma confiando em Deus.

Não permita que aquilo que está acontecendo ao seu redor determine aquilo que acontece dentro do seu coração.

A noite pode ser de angústia, mas a manhã pode chegar acompanhada de louvor.

Por isso, quando você não souber para onde correr, corra para Deus.

Quando não souber o que fazer, ore.

Quando sentir que está cercado, confie.

Quando a vingança parecer uma opção, entregue a justiça ao Senhor.

E quando chegar a manhã, levante a sua voz e declare:

“Deus é o meu alto refúgio!”

 

Que esta mensagem abençoe profundamente a sua vida. Que o Senhor nos ensine a permanecer firmes quando estivermos cercados, a confiar quando estivermos com medo e a louvar mesmo antes de vermos a mudança das circunstâncias.

De noite, o cerco. Pela manhã, o louvor.

Deus é o meu alto refúgio!

 

Cláudio Eduardo M Costa

 

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

O SALMO QUE A GENTE QUERIA PULAR... - SALMO 58 -

 


O SALMO QUE A GENTE QUERIA PULAR...

SALMO 58

 

Hoje chegamos a um salmo que, sinceramente, eu gostaria muito de pular. É um salmo que fala sobre injustiça, sobre pessoas que teriam a obrigação de promover a justiça, mas que estão praticando a injustiça. É um salmo de Davi, e Davi está dando um grito — um grito por justiça.

Afinal de contas, quando olhamos para a história do mundo, percebemos que, muitas vezes, pessoas poderosas usam o seu poder para oprimir aqueles que estão em situação de vulnerabilidade. O Salmo 58 nos fala também sobre a nossa omissão. Muitas vezes conhecemos a verdade, conhecemos o Deus de justiça e, mesmo assim, permanecemos calados diante dos problemas que nos cercam.

Por isso, vamos ler o Salmo 58 com o coração aberto. Precisamos compreender que a Palavra de Deus não nos chama à omissão. Não podemos nos calar diante da injustiça. Estamos neste mundo para fazer diferença e, ao mesmo tempo, para sermos diferentes.

Vivemos em uma sociedade na qual muitas coisas foram sendo normalizadas. A corrupção, a exploração de pessoas, a violência, a mentira e tantos outros comportamentos que deveriam provocar indignação passaram, muitas vezes, a fazer parte da rotina. A situação chegou a um ponto em que algumas pessoas já não se escandalizam mais diante da corrupção. Então, precisamos parar e pensar:

Que tipo de diferença estamos fazendo na sociedade em que Deus nos colocou?

 

Quando olhamos para o Salmo 58, somos convidados a dar o mesmo grito que Davi deu. Somos chamados a declarar que servimos ao Senhor, mas não estamos de braços cruzados. Não podemos normalizar a indiferença, a falta de cuidado, a falta de amor e, principalmente, a corrupção que destrói pessoas e comunidades.

O Salmo 58 começa com uma pergunta muito forte:

“Será que vocês, poderosos, de fato falam de justiça? Será que julgam com retidão os seres humanos?” Salmo 58:1 — NAA

 

Davi está olhando para pessoas que receberam responsabilidade e autoridade, mas estão usando essa posição de maneira perversa. É como se ele estivesse perguntando: “Vocês deveriam proteger os justos, mas estão praticando a injustiça. Afinal, quem vai fazer justiça?”

Talvez você esteja pensando: “Mas eu sou pequeno. Eu não posso fazer diferença.” Entretanto, precisamos continuar meditando nesse salmo e compreendendo qual é o nosso papel na sociedade em que estamos inseridos. É como se Davi estivesse nos chamando a reconhecer que, embora confiemos plenamente na justiça de Deus, também precisamos estar comprometidos com o Senhor e com a sua Palavra.

É claro que confiamos na justiça de Deus. É claro que sabemos que Deus é o Juiz perfeito. Mas isso não significa que devemos cruzar os braços diante daquilo que está errado. Deus nos chama para viver a verdade, defender aquilo que é justo, cuidar das pessoas e fazer o bem.

Existe, porém, outro aspecto importante. Hoje, muitas pessoas estão tentando resolver os problemas com as próprias mãos. Dá-se espaço à vingança, à ideia de “olho por olho, dente por dente”, como se a violência pudesse produzir justiça. Mas não é isso que a Bíblia nos ensina. Pelo contrário, somos chamados a confiar em Deus, respeitar as autoridades constituídas e agir corretamente dentro da sociedade em que vivemos. A própria Bíblia reconhece que existem pessoas que exercem suas responsabilidades com dignidade e trabalham para proteger aqueles que estão vulneráveis e sofrendo injustiça.

Davi está denunciando a injustiça e levando a sua indignação para Deus. E aqui surgem perguntas para nós:

Você tem visto injustiça na sua cidade, no seu bairro, no seu país?

Como você tem reagido?

Você tem se calado porque a injustiça não atingiu você?

Tem pensado: “Se não é comigo, não é problema meu”?

Cada um que cuide do seu próprio problema?

 

Nós somos chamados a cuidar uns dos outros. A vida cristã não pode ser construída sobre a indiferença. Somos parte do corpo de Cristo e fomos chamados a amar, servir, cuidar e agir com responsabilidade diante das necessidades daqueles que estão ao nosso redor.

A Bíblia nos ensina, inclusive, a retribuir o mal com o bem. Mas retribuir o mal com o bem não significa ser indiferente diante do mal. Podemos perdoar sem aprovar a injustiça. Podemos amar sem chamar o errado de certo. Podemos buscar justiça sem transformar nosso coração em um lugar de vingança.

No Salmo 58:3, Davi continua dizendo:

“Os ímpios se desviam desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham, proferindo mentiras.” Salmo 58:3 — NAA

 

É importante compreender corretamente esse texto. Davi não está dizendo que um bebê, ao nascer, já está conscientemente praticando maldade, planejando crimes ou desejando fazer o mal. Ele está apontando para uma realidade que a Bíblia apresenta de forma ampla: o pecado alcançou toda a humanidade.

Todos nós somos pecadores. Todos nós precisamos da graça. Todos nós precisamos de transformação. E é justamente aqui que encontramos a esperança do Evangelho: a nossa cura não está simplesmente em mudanças externas; está em Jesus Cristo.

Em Jesus encontramos a verdadeira justiça de Deus.

Jesus enfrentou a maldade humana. Enfrentou a injustiça. Enfrentou a traição. Enfrentou a rejeição. E nos ensinou a viver em amor, mas sem sermos omissos diante do pecado.

Lembre-se de Jesus no templo. Havia pessoas transformando a casa de Deus em lugar de comércio. Jesus não ficou indiferente. Ele confrontou aquela situação. Também encontramos Jesus confrontando líderes religiosos que haviam distorcido a verdade e colocado sobre as pessoas cargas que eles mesmos não estavam dispostos a carregar.

Jesus não ficou indiferente diante da injustiça. Mas também não permitiu que a injustiça transformasse o seu coração em ódio. Ele caminhou até a cruz e ali nos ofereceu perdão e salvação. Somos salvos pela graça e pela misericórdia do Senhor.

Por isso, precisamos tomar cuidado com a ideia de fazer justiça com as próprias mãos.

 

Em Romanos 12:19, o apóstolo Paulo nos ensina:

“Amados, não façam justiça com as próprias mãos, mas deem lugar à ira de Deus, pois está escrito: ‘A mim pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.’” Romanos 12:19 — NAA

Isso significa que eu posso buscar justiça sem viver dominado pela vingança. Posso denunciar aquilo que está errado sem permitir que o ódio tome conta do meu coração. Posso defender a verdade sem me transformar naquilo que estou combatendo.

A vingança destrói. A justiça, quando praticada segundo os princípios de Deus, busca restaurar, proteger e revelar a verdade.

Quando falamos sobre justiça na sociedade em que estamos inseridos, quero lembrar também uma frase muito conhecida de Martin Luther King Jr., pastor batista e importante líder na luta pelos direitos civis nos Estados Unidos:

“A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar.”

Essa frase nos faz pensar seriamente sobre a nossa responsabilidade. Quando eu me omito, quando escolho não falar, quando decido não me importar e quando não faço aquilo que está ao meu alcance para promover a justiça segundo os princípios da Palavra de Deus, posso estar contribuindo para que a injustiça continue crescendo.

Não podemos nos calar diante de tudo.

Não podemos simplesmente dizer: “Não é problema meu.”

Precisamos ter coragem para defender a verdade, cuidar das pessoas e agir com justiça. Mas precisamos fazer isso sem abandonar os princípios de Cristo. Não é o grito de ódio que deve nos conduzir, nem o silêncio da omissão. É a verdade acompanhada pelo amor, pela justiça, pela misericórdia e pela coragem.

E então chegamos ao final do Salmo 58. Davi conclui dizendo:

“Então se dirá: Na verdade, há recompensa para o justo; de fato, há um Deus que julga na terra.” Salmo 58:11 — NAA

 

Que declaração poderosa!

Há um Deus que julga na terra.

Isso significa que a injustiça não terá a palavra final. Significa que Deus vê aquilo que nós não vemos. Deus conhece aquilo que está escondido. Deus conhece as intenções do coração. E Deus continua sendo justo.

Por isso, não precisamos viver dominados pela vingança. Podemos colocar nossas dores diante do Senhor. Podemos denunciar aquilo que está errado. Podemos buscar justiça pelos caminhos corretos. Podemos cuidar daqueles que estão sofrendo. Podemos falar quando for necessário falar e permanecer em silêncio quando o silêncio for prudência — mas nunca devemos usar o silêncio como desculpa para a omissão diante do mal.

Talvez hoje você esteja sofrendo por causa de uma injustiça. Talvez alguém tenha prejudicado você, mentido sobre você ou causado uma situação que parece impossível de resolver.

Leve isso para Deus.

Converse com o Senhor. Peça sabedoria. Procure os caminhos corretos. Não permita que a injustiça dos outros transforme o seu coração em um lugar de amargura.

 

E lembre-se: a última palavra não pertence ao injusto. A última palavra pertence a Deus.

 

O Salmo 58 é realmente o salmo que a gente queria pular. Mas talvez seja justamente o salmo que precisamos ler quando a injustiça parece estar vencendo.

Porque ele nos ensina que não devemos ser indiferentes diante do mal, mas também não devemos nos transformar em agentes da vingança.

Não o silêncio dos bons. Não o grito de ódio dos maus.

Que sejamos pessoas que falam a verdade, praticam a justiça, cuidam do próximo, defendem os vulneráveis e confiam no Deus que julga com retidão.

 

Que o seu dia seja muito abençoado e cheio da justiça de Deus.

 

 

Cláudio Eduardo M Costa

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