SOMENTE
AS ESCRITURAS:
A
PALAVRA DE DEUS PRECISA CHEGAR A TODOS!
Salmo
119:1–24
Olá!
É uma grande alegria ter você conosco na Caminhada
Bíblica 2026, durante nossa jornada de 150 dias lendo o livro de Salmos.
Temos uma semana especial pela frente! No dia
31 de outubro, lembramos a Reforma Protestante, um movimento que marcou
profundamente a história do cristianismo. Mas o que esse acontecimento
significa para os cristãos do século XXI? De que maneira estamos vivendo os
princípios que marcaram aquele movimento? E, principalmente, qual é o nosso
compromisso com a Palavra de Deus nos dias de hoje?
O Salmo 119, o capítulo mais extenso da Bíblia,
é uma celebração da Palavra do Senhor, de seus mandamentos, de seus
ensinamentos e da maneira como devemos viver diante de Deus em todas as
circunstâncias.
Quero começar nossa reflexão com duas
perguntas:
De que adianta afirmar que a Bíblia é a nossa
autoridade se não estamos dispostos a obedecê-la? De que adianta defender
doutrinas corretas se não nos comprometemos a compartilhar o evangelho com
todas as pessoas?
Essas perguntas nos ajudam a compreender a
importância da Reforma Protestante e, sobretudo, a responsabilidade que
continua diante de nós.
ANTES
DE LUTERO, OUTRAS VOZES SE LEVANTARAM
Quando falamos da Reforma Protestante,
geralmente nos lembramos de Martinho Lutero. Entretanto, antes dele, outros
homens já haviam questionado práticas religiosas de seu tempo e defendido maior
fidelidade aos ensinamentos bíblicos.
No século XII, Pedro Valdo, na França,
incentivou a pregação do evangelho e uma vida de simplicidade. O movimento dos
valdenses valorizou a divulgação dos ensinamentos bíblicos e a possibilidade de
as pessoas conhecerem a mensagem cristã.
No século XIV, John Wycliffe, na Inglaterra,
defendeu a importância das Escrituras e inspirou esforços para disponibilizar a
Bíblia em inglês. Seus seguidores ficaram conhecidos como lolardos.
No início do século XV, Jan Hus, na Boêmia,
denunciou problemas morais do clero e defendeu uma igreja comprometida com os
ensinamentos de Cristo. Foi condenado pelo Concílio de Constança e executado em
1415.
Esses homens tinham ideias e trajetórias
diferentes, mas suas histórias nos ajudam a perceber que os questionamentos
sobre a vida da igreja e o desejo de maior fidelidade à Palavra antecederam
Lutero.
Em 1517, Martinho Lutero tornou públicas suas
95 teses, tradicionalmente associadas ao início da Reforma Protestante. Entre
as questões que marcaram aquele período estavam as indulgências, a autoridade
das Escrituras e a compreensão do evangelho.
A Reforma, entretanto, não foi obra de um único
homem. Foi um processo histórico complexo, com diferentes protagonistas,
debates teológicos e movimentos de renovação.
Louvamos a Deus por todos aqueles que, ao longo
da história, se dedicaram à preservação e à divulgação das Escrituras, muitas
vezes enfrentando perseguição e sofrimento.
A
PALAVRA DE DEUS NA LÍNGUA DO POVO
Um dos aspectos importantes da história da
Reforma foi o esforço para tornar as Escrituras acessíveis em línguas
compreendidas pelas pessoas.
Antes desse período, a Bíblia circulava em
diferentes idiomas, mas, na Europa ocidental, o latim ocupava uma posição
central na vida religiosa. Para muitas pessoas que não conheciam essa língua, o
acesso direto ao texto bíblico era limitado.
A tradução das Escrituras para as línguas do
povo contribuiu para ampliar esse acesso.
Em 1522, Lutero publicou sua tradução do Novo
Testamento para o alemão. Em 1534, foi publicada a Bíblia completa em sua
tradução alemã.
A imprensa, desenvolvida na Europa por Johannes
Gutenberg em meados do século XV, também teve papel importante nesse processo,
permitindo que livros e traduções circulassem em maior escala.
Entretanto, havia outro desafio: muitas pessoas
não sabiam ler nem escrever. Disponibilizar a Bíblia era fundamental, mas
também era necessário ensinar as pessoas a ler, compreender e aplicar seus
ensinamentos.
Por isso, precisamos reconhecer a importância
da educação e do ensino bíblico na formação cristã. Ao longo da história,
iniciativas de alfabetização e educação estiveram associadas à missão de tornar
a Palavra mais acessível.
A igreja tem uma responsabilidade que continua
atual: ensinar as Escrituras às crianças, aos adolescentes e aos adultos,
respeitando suas realidades e utilizando uma linguagem que possam compreender.
A Palavra de Deus precisa ser conhecida,
compreendida, ensinada e vivida!
SOLA
SCRIPTURA — SOMENTE A ESCRITURA
Chegamos ao princípio que orienta nossa
reflexão de hoje: Sola Scriptura, expressão que significa “Somente a
Escritura”.
Esse princípio reafirma a autoridade suprema
das Escrituras para a fé e a prática cristã. Tradições, confissões,
interpretações teológicas e ensinamentos humanos devem ser examinados à luz da
Palavra de Deus.
Isso não significa desprezar a história da
igreja ou a contribuição de professores, pastores e estudiosos. Significa
reconhecer que nenhum líder, tradição ou sistema teológico está acima das
Escrituras.
O nosso compromisso não deve ser simplesmente
com o nome de um reformador ou com uma identidade denominacional. Precisamos
estar dispostos a examinar nossas próprias convicções e a corrigir aquilo que
não estiver de acordo com a Palavra do Senhor.
Não basta falar sobre a Bíblia. Precisamos
obedecer ao que ela ensina.
Não basta defender uma doutrina. Precisamos
demonstrar seus frutos em nossa maneira de viver.
Não basta afirmar que somos uma igreja bíblica.
Precisamos permitir que as Escrituras orientem nossa pregação, nosso ensino,
nossos relacionamentos e nossa missão.
A
PALAVRA GUARDADA NO CORAÇÃO
No
Salmo 119:11, lemos:
“Guardo
a tua palavra no meu coração para não pecar contra ti.” (Salmo
119:11, NAA)
Que declaração preciosa!
O salmista não está falando apenas de conhecer
informações sobre Deus. Ele está falando de acolher a Palavra no coração e
permitir que ela oriente suas escolhas.
Guardar a Palavra significa valorizá-la,
meditá-la e buscar viver de acordo com os ensinamentos do Senhor.
A Bíblia nos alerta sobre o pecado, confronta
nossas atitudes e nos orienta no caminho da obediência. Ela não é uma fórmula
mágica que elimina automaticamente nossas tentações, mas a verdade de Deus nos
ensina a discernir o bem, rejeitar o mal e buscar uma vida que o agrade.
Por isso, precisamos perguntar: a Palavra de
Deus está realmente orientando nossas decisões? Temos permitido que ela corrija
nosso comportamento e transforme nossos relacionamentos?
O conhecimento bíblico precisa produzir frutos
em nossa vida.
A
PALAVRA NOS CONDUZ A CRISTO E À MISSÃO
Quando lemos as Escrituras, aprendemos sobre o
amor, a justiça, a misericórdia e a compaixão de Deus. Conhecemos a história da
salvação e somos conduzidos à pessoa e à obra de Jesus Cristo.
João 3:16 (NAA) nos lembra do amor de Deus pelo
mundo e da promessa de vida eterna para todo aquele que crê no Filho.
Em 1 Timóteo 2:3–6 (NAA), encontramos a
afirmação de que Deus deseja que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento
da verdade, apresentando Jesus Cristo como o único mediador entre Deus e a
humanidade.
Essas passagens nos desafiam a anunciar o
evangelho a todas as pessoas, sem discriminação por nacionalidade, condição
social, escolaridade ou origem.
Isso não significa afirmar que todos serão
salvos automaticamente, independentemente de sua resposta a Cristo. Significa
que o convite do evangelho deve ser proclamado a todos, com fidelidade, amor e
respeito.
É também nas Escrituras que aprendemos a cuidar
daqueles que sofrem, acolher os marginalizados e tratar cada pessoa com
dignidade.
Não podemos fechar as portas para quem enfrenta
a pobreza, a exclusão ou o abandono. Não podemos transformar nossas igrejas em
espaços de orgulho religioso, esquecendo aqueles a quem somos chamados a
servir.
Jesus nos ordenou a fazer discípulos de todas
as nações, ensinando-os a guardar seus mandamentos (Mateus 28:19–20, NAA).
Portanto, anunciar a Palavra e viver a Palavra
são responsabilidades inseparáveis da missão cristã.
O QUE
A REFORMA PROTESTANTE TEM A VER CONOSCO HOJE?
A Reforma Protestante nos lembra da importância
de examinar a fé e a prática da igreja à luz das Escrituras. Mas essa lembrança
precisa ir além de uma celebração histórica.
Precisamos perguntar se estamos permitindo que
a Palavra de Deus continue corrigindo nossa vida e nossa comunidade.
O conhecimento teológico não deve alimentar a
arrogância. A identidade denominacional não deve ser utilizada para desprezar
outros cristãos. E a defesa da doutrina não pode nos fazer esquecer o
compromisso com o amor, a justiça, a compaixão e a proclamação do evangelho.
Uma igreja comprometida com a Palavra deve
desejar que mais pessoas tenham acesso às Escrituras, aprendam a compreendê-las
e conheçam Jesus Cristo.
Hoje, temos a Bíblia impressa, aplicativos,
diferentes traduções, recursos de estudo e comentários bíblicos. Precisamos
agradecer a Deus por essas oportunidades e utilizá-las com responsabilidade.
Mas quero deixar duas perguntas para você:
Você tem valorizado o privilégio de ter acesso
à Palavra de Deus? Você dedica tempo à leitura, ao estudo, à
oração e à prática de seus ensinamentos?
E a segunda pergunta: o que você está
fazendo para que outras pessoas também conheçam a verdade da Palavra de Deus?
Talvez você possa ensinar uma criança a ler a
Bíblia, compartilhar uma reflexão com alguém, participar de um trabalho de
alfabetização, visitar uma pessoa que sofre ou ajudar sua igreja a ampliar o
acesso ao ensino bíblico.
Cada uma dessas atitudes pode contribuir para
que a mensagem do evangelho alcance mais pessoas.
CONCLUSÃO
— A PALAVRA PRECISA CONTINUAR SENDO ANUNCIADA
A Reforma Protestante faz parte de uma história
que nos desafia a valorizar as Escrituras e a examinar nossa fé diante de Deus.
O princípio Sola Scriptura nos lembra
que a Palavra do Senhor é a autoridade suprema para nossa fé e prática. Por
isso, não precisamos inventar outro evangelho nem colocar ensinamentos humanos
acima da verdade revelada nas Escrituras.
Precisamos conhecer a Palavra, guardá-la no
coração, obedecer aos seus ensinamentos e anunciá-la a todas as pessoas.
Que a Bíblia não esteja apenas em nossas mãos,
mas também em nosso coração e em nossas atitudes.
Que nossas igrejas sejam comunidades que
ensinam a verdade, acolhem as pessoas, cuidam dos que sofrem e anunciam Jesus
Cristo com fidelidade.
Somente a Escritura: nossa autoridade para a
fé, nossa orientação para a vida e fundamento do nosso compromisso com o
evangelho.
Que
seu dia seja muito abençoado!
Amanhã, continuaremos nossa Caminhada Bíblica
pelo Salmo 119, refletindo sobre outro princípio associado à Reforma
Protestante: Sola Gratia — Somente a Graça.
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esta reflexão e ajude outras pessoas a conhecerem a Palavra de Deus.
CLÁUDIO
EDUARDO M COSTA
Humanizando
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