QUANDO O PASSADO NOS ENCONTRA...
Estamos caminhando com José. A
história dele começa bem antes do capítulo 42 do livro de Gênesis, e é
importante recordar esse percurso para compreender o peso espiritual e
emocional deste momento. Hoje, a ênfase não está apenas nos fatos, mas na
experiência universal de quando o passado volta a nos encontrar — quando
lembranças, dores e injustiças parecem bater à nossa porta. A grande pergunta
é:
— Como reagimos quando isso
acontece?
O capítulo 42 já nos apresenta
esse cenário:
O passado de José retorna de
forma inesperada e decisiva.
José tinha apenas 17 anos
quando foi vendido por seus próprios irmãos aos ismaelitas e levado como
escravo para o Egito. Lá, mesmo escravizado, trabalhou na casa de Potifar com
fidelidade e excelência. No entanto, foi injustamente acusado pela esposa de Potifar
e, acreditando em sua mulher, Potifar mandou José para a prisão.
Na cadeia, mais uma vez, a mão
de Deus se manifestou. José ganhou destaque entre os prisioneiros e recebeu
certa confiança do carcereiro. Ainda assim, continuava preso, esquecido numa
masmorra. Foi ali que José interpretou o sonho do copeiro do rei e fez um
pedido simples e humano:
“Lembra-te de mim quando voltares a servir a Faraó.”
O copeiro, porém, esqueceu-se
de José. Mas Deus não se esqueceu. Quando Faraó teve dois sonhos perturbadores,
José foi chamado para interpretá-los. Em todas essas fases, vemos um homem que
permanece fiel ao Senhor, confiante de que Deus está no controle, mesmo quando
as circunstâncias parecem injustas e sem sentido.
Chegamos, então, ao capítulo
42. Mais uma vez, José é colocado à prova. Agora, porém, não se trata apenas de
adversidade, mas de confronto direto com o passado. José, governador do Egito,
encontra-se frente a frente com os irmãos que o venderam como escravo.
O texto diz:
“José era governador daquela
terra; era ele quem vendia a todos os povos da terra. E os irmãos de José
vieram e se prostraram com o rosto em terra diante dele.” (Gn
42.6)
José os reconheceu
imediatamente, mas eles não o reconheceram. Então, José se lembrou dos sonhos
que tivera — sonhos em que seus irmãos se curvavam diante dele. Agora, esses
sonhos estavam se cumprindo.
Há um ditado popular que diz: “Quem
bate, esquece; quem apanha, não se esquece.”
Os irmãos de José pareciam ter
enterrado o passado ou, talvez, tentado apagá-lo da memória. Ao se
apresentarem, disseram:
“Somos doze irmãos. O mais novo está com nosso pai, e um já não existe.”
Esse “um que já não existe”
era José — que estava ali, vivo, poderoso e com autoridade suficiente para se
vingar ou para perdoar.
Nesse ponto, o texto nos
conduz a uma reflexão profunda. José tinha em suas mãos a oportunidade de
retribuir o mal com o mal. Mas escolheu um caminho diferente. Ele demonstrou
que a presença de Deus transforma feridas em instrumentos de redenção. José decidiu
não agir movido pela dor, mas pela vontade do Senhor.
Aqui está a grande pergunta
para nós:
— Se você estivesse no lugar de José, qual seria a sua atitude?
— Ajudaria quem te feriu
profundamente ou fecharia a porta?
O coração dos irmãos de José
estava tomado pelo medo. Já o coração de José estava alinhado com o propósito
de Deus. Ele desejava rever o irmão mais novo e, acima de tudo, reencontrar o
pai. O passado bateu à porta — não para destruir, mas para abrir uma
oportunidade de perdão, restauração e testemunho.
O passado pode nos alcançar
para nos aprisionar… ou para nos libertar. Em Deus, ele se torna uma ponte para
mostrar que vale a pena confiar, adorar e servir ao Senhor.
Amanhã continuaremos
refletindo sobre esse relacionamento entre José e seus irmãos. Mas hoje, fica o
desafio:
— O que você faria se
estivesse no lugar de José?
Que você seja bênção nas mãos
do Senhor, assim como José foi bênção no Egito e na vida de sua família.
Fica com Deus. Deus te
abençoe.
Cláudio Eduardo M. Costa
Pastor
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