ENTRE O EGITO E CANAÃ:
NÃO PERCA A SUA IDENTIDADE!
Você gosta de pagar impostos?
Eu, por exemplo, confesso que pagaria impostos
com muito mais satisfação se aquilo que fosse arrecadado retornasse à sociedade
em forma de segurança, saúde, educação e cuidado com os mais vulneráveis. Se o
Estado cumprisse plenamente o seu papel, pagar impostos seria quase um gesto de
alegria. No entanto, nem sempre essa é a realidade.
Hoje eu não quero conversar com você sobre
democracia, política ou modelos de Estado. Estamos na Caminhada Bíblica,
e a nossa reflexão parte do capítulo 47 do livro de Gênesis.
Nesse capítulo, encontramos José exercendo o
cargo de governador do Egito. Um homem que, orientado por Deus, preparou o
Estado para enfrentar anos de extrema escassez. Durante o período de
fartura, o Egito armazenou cereais, organizou seus celeiros e criou um plano de
longo prazo para atravessar o tempo de crise. Foram anos de planejamento, visão
e responsabilidade.
É impressionante perceber que isso aconteceu
há mais de quatro mil anos, enquanto, ainda hoje, muitos governantes encontram
dificuldade em planejar o futuro. José nos ensina que Deus é um Deus de
planejamento, de ordem e de provisão. E mais: Deus usa pessoas íntegras,
obedientes e tementes a Ele para fazer diferença em contextos complexos.
Não é à toa que o salmista declara: “Feliz
é a nação cujo Deus é o Senhor.”
A fome chega com força. Canaã é duramente
atingida, e o Egito também passa por grandes dificuldades. A população, em
busca de sobrevivência, entrega primeiro seus animais ao Estado em troca de
alimento. Depois, entrega também suas terras. O governo se torna centralizador,
e, por fim, o povo, voluntariamente, se submete como servo de Faraó para
garantir o sustento.
É um cenário triste: um povo faminto, sem
esperança, confiando em um Estado forte e autoritário como última alternativa
de sobrevivência.
No meio de tudo isso, há um contraste
marcante: Jacó e sua família.
Cerca de setenta pessoas chegam ao Egito e se
estabelecem na terra de Gósen. Ali eles crescem, prosperam e se
multiplicam. Jacó viveu dezessete anos no Egito até a sua morte. No entanto,
algo chama muito a atenção: eles não se misturaram. Mantiveram sua
identidade, sua fé e seu compromisso com Deus.
Eles sabiam quem eram. Sabiam de onde vinham.
Sabiam para onde estavam indo.
Jacó nunca perdeu o amor pela terra das suas
origens. E isso nos ensina algo profundo: nunca se esqueça de onde você veio.
Você pode até decidir para onde vai, mas não pode apagar suas origens. Quem
esquece de onde veio acaba se esquecendo de quem realmente é.
Nos versículos 27 a 31 do capítulo 47, vemos
Jacó, já próximo da morte, chamando seu filho José e fazendo um pedido solene:
“Peço que não me sepulte no Egito. Quando
eu descansar com meus pais, leve-me daqui e sepulte-me na sepultura deles.”
Jacó sabia que o Egito não era o seu destino
final. Deus havia permitido a ida para o Egito, mas a promessa não era o
Egito — era Canaã. Gósen foi lugar de provisão, crescimento e cuidado, mas
não era o lugar definitivo.
De forma consciente, planejada e cheia de fé,
Jacó reafirma sua identidade e sua esperança. Ele viveu no Egito, prosperou no
Egito, mas não pertencia ao Egito.
Isso nos leva a uma reflexão pessoal e
espiritual:
👉 Você sabe qual é a sua origem?
👉 Você sabe para onde está caminhando?
Há um antigo cântico cristão que diz: “Caminhando
eu vou para Canaã; para trás eu não olho, para trás não volto mais.”
Vivemos neste mundo, trabalhamos, pagamos
impostos, enfrentamos crises, mas não podemos perder a nossa identidade como
filhos e filhas de Deus. Nossa pátria definitiva não é o Egito deste mundo,
mas a Canaã celestial.
Que vivamos com responsabilidade onde Deus nos
plantou, mas com o coração firmado nas promessas eternas. Que não percamos
nossa fé, nossos valores e nossa identidade. Que caminhemos na presença do Pai,
em amor, submissão e obediência, vivendo experiências grandiosas com o Senhor.
Que o seu dia seja maravilhoso e ricamente
abençoado. 🙏
Cláudio
Eduardo M Costa
Pastor
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