sábado, 31 de outubro de 2026

NÃO PODEMOS NEGLIGENCIAR! Tenho respeito pela história! 31 DE OUTUBRO DE 2026 — 509 ANOS DA REFORMA PROTESTANTE

 


NÃO PODEMOS NEGLIGENCIAR!

Tenho respeito pela história!

31 DE OUTUBRO DE 2026 — 509 ANOS DA REFORMA PROTESTANTE

 

“Por isso é preciso que prestemos maior atenção ao que temos ouvido, para que jamais nos desviemos. Porque, se a mensagem transmitida por anjos provou a sua firmeza, e toda transgressão e desobediência recebeu a devida punição, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? Esta salvação, primeiramente anunciada pelo Senhor, foi-nos confirmada pelos que a ouviram.” Hebreus 2:1-3 — NVI

 

Em 31 de outubro de 2026, lembramos os 509 anos da Reforma Protestante. Em 1517, na cidade de Wittenberg, na Alemanha, Martinho Lutero tornou públicas suas 95 teses, questionando práticas e ensinamentos da Igreja de seu tempo, especialmente os abusos relacionados à comercialização das indulgências e à compreensão da salvação.

Lutero não iniciou seu movimento com a intenção de simplesmente criar uma nova instituição religiosa. Seu propósito inicial era promover um debate teológico e provocar uma reflexão sobre os caminhos que a Igreja estava seguindo. Ele estava incomodado com os desvios que identificava e desejava que os ensinamentos e as práticas cristãs fossem examinados à luz das Escrituras.

Martinho Lutero tornou-se uma das vozes mais importantes de um movimento que não nasceu de uma única pessoa. Outros homens e mulheres, antes e depois dele, também se levantaram em defesa do Evangelho e da autoridade da Palavra de Deus.

Precisamos reconhecer e respeitar a contribuição de milhares de pessoas anônimas que lutaram pela preservação, tradução, divulgação e fidelidade às Escrituras. É triste perceber que, em nossos dias, existem pessoas que se identificam como cristãs, mas desconhecem a história daqueles que as antecederam e, consequentemente, não valorizam os desafios enfrentados para que tivéssemos acesso à Bíblia.

Entre os nomes que marcaram diferentes momentos e expressões dos movimentos de reforma estão Jan Hus (1369-1415), Martinho Lutero (1483-1546), Ulrico Zuínglio (1484-1531), Johannes Bugenhagen (1485-1558), Thomas Müntzer (1489-1525), Martin Bucer (1491-1551), Philipp Melanchthon (1497-1560), Johannes Brenz (1499-1570) e João Calvino (1509-1564).

É importante lembrar que nem todos pertenceram ao mesmo movimento ou concordavam entre si em questões doutrinárias. Jan Hus, por exemplo, foi um precursor da Reforma, enquanto Thomas Müntzer seguiu caminhos teológicos diferentes dos de Lutero. Entretanto, esses nomes ajudam a compreender a diversidade e a complexidade dos movimentos de reforma que marcaram a história do cristianismo.

Havia divergências doutrinárias entre esses homens, mas uma verdade fundamental permanece no centro da fé cristã: somente Cristo é o caminho de acesso ao Pai. Ele é o único mediador entre Deus e os seres humanos.

“Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus.” (1 Timóteo 2:5 — NVI).

O movimento histórico que teve como marco 31 de outubro de 1517 não produziu apenas mudanças religiosas. A Reforma e os movimentos associados a ela contribuíram para profundas transformações na sociedade europeia, especialmente na educação, na alfabetização, na produção e circulação de livros, na valorização das línguas nacionais e nas relações entre Igreja, Estado e sociedade.

Não podemos, entretanto, atribuir à Reforma, isoladamente, todas as transformações políticas, econômicas e sociais que ocorreram naquele período. A história é mais complexa e envolve diferentes movimentos e acontecimentos.

Erros aconteceram, e não foram poucos! Errar é uma demonstração de nossa humanidade e falibilidade. Entretanto, não podemos deixar de reconhecer homens e mulheres que, mesmo diante da perseguição e da possibilidade do martírio, permaneceram firmes em suas convicções.

É triste olhar para trás e perceber que, desde os tempos de Jesus, dos patriarcas e dos profetas, sempre houve pessoas dispostas a distorcer a Palavra do Deus Eterno.

A Palavra de Deus, porém, permanece viva e eficaz. Ela transforma homens e mulheres, confronta nossas escolhas e nos conduz ao conhecimento de Deus.

 

AS CINCO SOLAS: FUNDAMENTOS QUE NÃO PODEMOS ESQUECER

A tradição protestante passou a sintetizar importantes convicções da Reforma em cinco expressões latinas, conhecidas como as cinco solas:

SOLA SCRIPTURA — Somente a Escritura.

SOLUS CHRISTUS — Somente Cristo.

SOLA GRATIA — Somente a graça.

SOLA FIDE — Somente a fé.

SOLI DEO GLORIA — Glória somente a Deus.

Somente a Escritura, somente Cristo, somente a graça, somente a fé e glória somente a Deus!

Essas expressões resumem convicções fundamentais da fé protestante. São verdades que precisam continuar orientando a vida da Igreja, porque, muitas vezes, estamos perigosamente distantes desses princípios.

 

OLHANDO PARA A CRUZ, PRECISAMOS EXAMINAR NOSSO POSICIONAMENTO

No Evangelho de Marcos, capítulo 15, encontramos o relato do julgamento, da humilhação, da crucificação e da morte de Jesus Cristo.

Quando leio essa passagem, algumas perguntas surgem em minha mente:

  • Eu me comportaria como os líderes religiosos daquela época?
  • Minha atitude seria semelhante à do povo que escolheu Barrabás?
  • Estaria disponível, como Simão de Cirene, para carregar uma cruz que não era minha?
  • Seria como o centurião que, diante daquela cena terrível, reconheceu que Jesus era o Filho de Deus?

 

Ainda parece ecoar em meus ouvidos o grito da multidão:

“Crucifica-o!” (Marcos 15:13 — NVI).

E imediatamente outras perguntas aparecem:

  • Onde estavam os discípulos de Jesus?
  • Onde estava a multidão que havia sido alimentada depois de ouvir seus ensinamentos?
  • Bartimeu, que clamava: “Filho de Davi, tem misericórdia de mim!”, onde estava?
  • E as pessoas que haviam sido curadas e libertas?
  • Onde estava a multidão que, dias antes, proclamava hosanas ao que vinha em nome do Senhor?

É muito fácil julgar os personagens daquela história. Entretanto, precisamos olhar para nós mesmos e perguntar qual tem sido nosso posicionamento diante das injustiças, dos desvios doutrinários e das heresias que nos cercam.

Existe uma frase frequentemente atribuída a Martin Luther King Jr. que nos provoca a reflexão:

“O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons.”

Independentemente da autoria dessa frase, sua provocação permanece atual: não podemos nos calar diante da injustiça, da exploração da fé e da distorção do Evangelho.

 

A REFORMA E OS DESAFIOS DA IGREJA NO SÉCULO XXI

Julgar os personagens históricos é relativamente fácil. Difícil é examinar nossa própria realidade e reconhecer os desafios que enfrentamos como povo de Deus e Igreja de Cristo.

Em pleno século XXI, precisamos refletir sobre algumas questões fundamentais.

 

1. A COMERCIALIZAÇÃO DA FÉ

Os reformadores questionaram os abusos relacionados à comercialização das indulgências e às práticas que distorciam a compreensão da graça e do perdão de Deus.

Como é triste observar, em nossos dias, pessoas explorando a fé, a fragilidade e a falta de conhecimento bíblico de outras pessoas.

Promessas de prosperidade, bênçãos comercializadas e discursos que transformam a relação com Deus em uma espécie de negociação financeira continuam encontrando espaço em ambientes religiosos.

A graça de Deus não está à venda! A salvação não é mercadoria, e a fé cristã não pode ser transformada em negócio.

 

2. A NEGLIGÊNCIA COM A PALAVRA DE DEUS

Os reformadores defenderam a importância de tornar as Escrituras acessíveis às pessoas, inclusive por meio de traduções nas línguas que elas compreendiam.

Hoje temos a Bíblia impressa, aplicativos, plataformas digitais e inúmeros recursos tecnológicos. Nunca tivemos tantas possibilidades de acesso à Palavra de Deus.

Entretanto, precisamos perguntar: estamos realmente lendo a Bíblia?

Estamos estudando, meditando e praticando seus ensinamentos?

É contraditório vivermos em uma época de tanta facilidade de acesso às Escrituras e, ao mesmo tempo, encontrarmos cristãos que pouco conhecem o conteúdo da própria fé.

Não basta possuir uma Bíblia. Precisamos permitir que sua mensagem transforme nossa maneira de pensar, agir e viver.

 

3. CRISTO PRECISA CONTINUAR SENDO O CENTRO

Os reformadores enfatizaram que Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os seres humanos. Ele é o fundamento da nossa salvação.

Entretanto, fico imaginando o que Jesus diria daqueles que criam atalhos, exigências humanas e fardos religiosos para dificultar o acesso das pessoas a Deus.

Não precisamos de intermediários que ocupem o lugar de Cristo. Não precisamos de fórmulas humanas que substituam a graça. Precisamos anunciar Jesus, ensinar seus princípios e viver seus ensinamentos.

 

4. O SACERDÓCIO UNIVERSAL DOS CRISTÃOS

Outro princípio importante da tradição protestante é o sacerdócio de todos os cristãos.

Isso não significa que a Igreja não tenha ministérios, pastores ou diferentes responsabilidades. Significa que todos os que pertencem a Cristo têm acesso a Deus por meio dele, sem depender de uma classe sacerdotal que monopolize essa relação.

Quando Jesus morreu, aconteceu algo extraordinário:

“E o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo.” (Marcos 15:38 — NVI).

O véu rasgado aponta para a obra de Cristo e para o novo acesso a Deus que temos por meio dele.

Como me preocupa observar líderes que se apresentam como detentores de poderes espirituais exclusivos, criando cortinas, dependências e obstáculos para dificultar o acesso do povo à presença de Deus.

A Igreja precisa conduzir pessoas a Cristo, e não criar dependências de homens.

 

QUEM ESTAVA JUNTO À CRUZ?

Olhando para o Cristo crucificado, observo uma multidão dividida, discípulos amedrontados, líderes religiosos hostis, autoridades preocupadas com seus próprios interesses e pessoas que, mesmo diante da morte, permaneceram ao lado de Jesus.

Também encontramos exemplos que precisam ser lembrados.

Maria, mãe de Jesus, e outras mulheres: permaneceram próximas ao Mestre. Aprendemos que amizade e compromisso precisam estar presentes em todos os momentos: nas festas e no luto, nas alegrias e nas tristezas.

João, o discípulo: o Evangelho de João registra sua presença junto à cruz. Ali, Jesus confia sua mãe aos cuidados do discípulo (João 19:25-27). Uma demonstração de cuidado, responsabilidade e amor.

Os dois criminosos crucificados: um deles reconhece sua condição e demonstra arrependimento, recebendo de Jesus a promessa do paraíso (Lucas 23:39-43). O outro permanece em sua atitude de zombaria.

Os transeuntes e aqueles que zombavam: pessoas que encontravam naquela tragédia uma oportunidade de humilhar e debochar de Jesus.

Os soldados romanos: responsáveis pela execução da sentença. E, diante da maneira como Jesus morreu, o centurião declarou:

“Quando o centurião que estava em frente de Jesus ouviu o seu brado e viu como ele morreu, disse: ‘Realmente este homem era o Filho de Deus!’” (Marcos 15:39 — NVI).

Que declaração extraordinária!

José de Arimateia: não podemos esquecer sua coragem.

Naquele contexto, os corpos dos crucificados poderiam permanecer expostos, submetidos à humilhação mesmo depois da morte. José de Arimateia tomou uma atitude de respeito e dignidade para com Jesus.

 

O Evangelho de Marcos registra:

“José de Arimateia, membro de destaque do Sinédrio, que também esperava o Reino de Deus, dirigiu-se corajosamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus.” (Marcos 15:43 — NVI).

José de Arimateia assumiu publicamente sua responsabilidade diante de Jesus. O Evangelho de Mateus também o identifica como discípulo de Cristo (Mateus 27:57).

Chegou a hora da verdade! Não bastava ser simpatizante. Era necessário demonstrar compromisso. E foi isso que José de Arimateia fez.

 

NÃO PRECISAMOS INVENTAR UMA NOVA PALAVRA. PRECISAMOS VOLTAR À PALAVRA!

Alguns afirmam que precisamos de uma nova Reforma. Quando penso em reforma, lembro-me de consertar aquilo que está quebrado, deteriorado ou comprometido.

Entretanto, não podemos confundir a necessidade de mudanças institucionais com a necessidade de transformar a própria mensagem do Evangelho.

O que precisamos é de um retorno à Palavra de Deus, sem artifícios, sem manipulações e sem relativismo que comprometa a verdade das Escrituras.

Precisamos enfatizar a chamada de todos os cristãos para serem discípulos do Cristo ressurreto.

Precisamos olhar novamente para a cruz e compreender que seguir Jesus exige compromisso, fidelidade e disposição para permanecer ao seu lado.

As mulheres que acompanharam Jesus até a crucificação nos ensinam sobre fidelidade. José de Arimateia nos ensina sobre coragem. O centurião nos provoca a reconhecer quem verdadeiramente estava diante dele.

E nós?

Que tipo de cristãos estamos sendo?

Que tipo de Igreja estamos construindo?

Estamos defendendo a verdade do Evangelho ou permanecendo em silêncio diante de suas distorções?

Estamos conduzindo pessoas a Cristo ou criando obstáculos para que elas cheguem até ele?

Estamos valorizando a Palavra de Deus ou permitindo que ela ocupe um lugar secundário em nossas agendas?

 

UMA PERGUNTA PARA NOSSA REFLEXÃO

Neste 31 de outubro de 2026, quando lembramos os 509 anos da Reforma Protestante, quero concluir com uma pergunta que não deve ser dirigida apenas às instituições religiosas, aos líderes ou aos personagens históricos.

QUE TIPO DE IGREJA ESTAMOS SENDO?

Precisamos lembrar que a Igreja não se resume a uma instituição, a um prédio ou a uma estrutura administrativa. A Igreja é o povo de Deus, o corpo de Cristo, constituído por pessoas como eu e você.

Não podemos negligenciar nossa história.

Não podemos negligenciar a Palavra de Deus.

Não podemos negligenciar a graça que recebemos em Cristo.

Não podemos negligenciar nossa responsabilidade como discípulos de Jesus.

Que as cinco solas não sejam apenas expressões históricas repetidas em celebrações. Que sejam convicções que orientem nossa fé, nossas escolhas, nossa pregação e nossa maneira de viver.

SOMENTE A ESCRITURA!

SOMENTE CRISTO!

SOMENTE A GRAÇA!

SOMENTE A FÉ!

GLÓRIA SOMENTE A DEUS!

A Ele, o Deus Eterno, toda honra e toda glória!

 

CLÁUDIO EDUARDO M COSTA
Pastor | Humanizando Compaixão

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

DEUS NOS OUVE NA ANGÚSTIA E NOS CHAMA À PAZ! - SALMO 120 -

  DEUS NOS OUVE NA ANGÚSTIA E NOS CHAMA À PAZ! SALMO 120   Você sabia que Deus nos ouve nos momentos de angústia? Sabia que podemos pe...