JESUS
NÃO É APENAS SALVADOR: ELE É REI E SENHOR!
Salmo
110
Estamos na caminhada dos 150 Dias Lendo o
Livro de Salmos, e hoje quero convidar você a refletir sobre uma pergunta
que pode parecer simples, mas que é fundamental para a nossa vida: quem
governa a sua vida?
O Salmo 110 nos apresenta uma verdade
extraordinária sobre Jesus Cristo: ele não é apenas o nosso Salvador; ele é Rei
e Senhor!
Quando falamos em governo, não estamos pensando
apenas em quem ocupa uma posição de autoridade sobre outras pessoas. Estamos
falando de quem dirige nossas escolhas, influencia nossas atitudes e orienta
nosso comportamento. Quem governa a nossa vida? Quem determina a maneira como
agimos em casa, no trabalho, na igreja e na sociedade? Quais valores orientam
nossas decisões?
Quando pensamos em nosso relacionamento com
Deus, precisamos reconhecer que ele nos chama a responder livremente à sua
Palavra. Não somos máquinas programadas para obedecer sem pensar. Somos
responsáveis pelas escolhas que fazemos e pelas consequências delas. Podemos
acolher a vontade de Deus ou insistir em seguir os nossos próprios caminhos.
O Salmo 110 nos convida a olhar para além dos
poderes humanos. Existe um Rei cuja autoridade não está limitada pelo tempo,
pelas circunstâncias ou pelas estruturas deste mundo. Jesus Cristo é o Senhor,
e seu Reino não terá fim.
A questão, portanto, não é se Cristo tem
autoridade, mas como nós respondemos a essa autoridade. Estamos dispostos a
permitir que ele transforme nossa maneira de viver?
1.
JESUS É O REI EXALTADO POR DEUS
O Salmo 110 é atribuído a Davi e começa com uma
declaração extraordinária. No versículo 1, lemos, na Nova Almeida Atualizada
(NAA):
Disse
o Senhor ao meu senhor: "Sente-se à minha direita, até que eu ponha os
seus inimigos por estrado dos seus pés."
Salmos
110:1 | NAA
Davi apresenta alguém que ocupa uma posição de
honra e autoridade ao lado do próprio Senhor. Essa passagem ganha um
significado especial quando observamos como Jesus a utiliza para falar sobre a
identidade do Messias.
Em Mateus 22:41-46, Jesus conversa com os
fariseus e lhes faz uma pergunta sobre o Cristo. Eles respondem que o Messias é
filho de Davi. Então, Jesus os leva a refletir: se Davi, inspirado pelo
Espírito, chama o Cristo de Senhor, como podemos compreender sua identidade
apenas como descendente de Davi?
O episódio termina sem que seus interlocutores
consigam responder à pergunta de Jesus.
Referência
bíblica: Mateus 22:41-46 — NAA.
Essa conversa não deve ser entendida
simplesmente como uma tentativa de Jesus de humilhar seus interlocutores. O
propósito é mais profundo: revelar que a identidade do Messias ultrapassa as
expectativas humanas. Jesus não é apenas um descendente de Davi; ele é o Senhor
exaltado por Deus.
E quando leio essa passagem, também sou levado
a refletir sobre o meu próprio lugar diante do Senhor.
Quem somos nós? Somos criaturas amadas por
Deus, alcançadas por sua graça e dependentes de sua misericórdia. Não somos o
centro do universo, nem temos o direito de colocar nossa vontade acima de tudo
e de todos. A graça que nos acolhe também nos chama à transformação.
Quantas vezes queremos que Deus abençoe nossos
planos, mas não estamos dispostos a submeter nossos planos à sua vontade?
Queremos o cuidado do Senhor, mas resistimos à sua direção. Pedimos que ele
conduza nossos passos, mas insistimos em segui-lo apenas quando suas
orientações coincidem com aquilo que desejamos.
Reconhecer
Jesus como Senhor significa abandonar a ilusão de que somos donos absolutos da
nossa vida. Significa aprender a ouvir sua Palavra, rever nossas atitudes e
permitir que o Evangelho transforme nossas escolhas.
2.
JESUS É O SACERDOTE ETERNO
O Salmo 110 apresenta outra dimensão
extraordinária da identidade do Messias: além de Rei, ele é Sacerdote para
sempre.
No versículo 4, lemos:
O
Senhor jurou e não voltará atrás: Você é sacerdote para sempre, segundo a ordem
de Melquisedeque. Salmos 110:4 | NAA
A referência a Melquisedeque aparece em Gênesis
14:18-20, onde ele é apresentado como rei de Salém e sacerdote do Deus
Altíssimo. Mais tarde, o autor da Carta aos Hebreus retoma essa figura para
explicar a singularidade do sacerdócio de Jesus, especialmente em Hebreus 7.
No Antigo Testamento, os sacerdotes exerciam
funções relacionadas ao culto, às ofertas e aos sacrifícios, representando o
povo diante de Deus. O sistema sacerdotal fazia parte da aliança estabelecida
com Israel.
Entretanto, o Salmo 110 anuncia um sacerdócio
que não se limita à sucessão habitual dos sacerdotes. O Novo Testamento
identifica em Jesus o cumprimento dessa expectativa: ele é o sacerdote
definitivo, cujo ministério não depende de uma sucessão humana.
Jesus é aquele por meio de quem nos aproximamos
de Deus. Por sua morte e ressurreição, temos a esperança de reconciliação e
acesso à presença do Pai. Ele não é apenas alguém que nos aponta o caminho; é o
Salvador que realizou a obra necessária para nos reconciliar com Deus.
Que verdade consoladora! Aquele que reina com
autoridade também é aquele que nos acolhe e intercede por nós. O governo de
Cristo não está separado de sua obra de salvação.
3.
O QUE O REINADO DE CRISTO MUDA EM NOSSA MISSÃO?
Quando leio o Salmo 110 e olho para o nosso
tempo, penso também na responsabilidade que temos como cristãos e como Igreja,
o corpo de Cristo.
Não fomos chamados para dominar pessoas,
manipular consciências ou obrigar os outros a fazer aquilo que desejamos. Deus
não nos autorizou a substituir a ação do Espírito Santo pela imposição humana.
Nossa missão é anunciar o Evangelho,
testemunhar do Reino de Deus, cuidar de pessoas e demonstrar, por meio de
nossas atitudes, o amor e a compaixão de Cristo.
Jesus não tratava as pessoas como instrumentos
para a realização de seus interesses. Ele se aproximava dos que sofriam,
acolhia os desprezados, ensinava a verdade e chamava as pessoas a uma vida
transformada.
Se reconhecemos Jesus como Rei e Senhor,
precisamos permitir que seu caráter molde também a nossa maneira de exercer
influência. A autoridade cristã não deve ser usada para alimentar o orgulho,
mas para servir. A fé não deve ser utilizada para humilhar quem pensa
diferente, mas para testemunhar a verdade com amor, firmeza e respeito.
Uma Igreja que reconhece o senhorio de Cristo
não pode fechar os olhos para o sofrimento humano. Ela precisa olhar para as
pessoas com compaixão, denunciar a injustiça com responsabilidade, acolher os
vulneráveis e agir de maneira coerente com o Evangelho que anuncia.
Não basta dizer que Jesus é Senhor aos domingos
se, durante a semana, nossas atitudes são governadas pelo egoísmo, pela
indiferença, pela arrogância ou pelo desejo de controlar os outros.
O
senhorio de Cristo precisa alcançar nossas palavras, nossos relacionamentos,
nossas escolhas profissionais, nossa vida familiar e a maneira como tratamos
aqueles que não podem nos oferecer nada em troca.
4.
A ESPERANÇA DE QUE O MAL NÃO TERÁ A PALAVRA FINAL
O Salmo 110 também nos convida a olhar para o
futuro com esperança. A imagem dos inimigos colocados debaixo dos pés do Rei
aponta para a vitória de Deus e para a submissão definitiva de tudo aquilo que
se opõe ao seu governo.
Vivemos em um mundo marcado pela violência,
pela injustiça, pela corrupção, pelo sofrimento e pela indiferença. Em muitos
momentos, parece que o mal está vencendo e que os esforços para construir uma
sociedade mais justa são pequenos diante de tantos problemas.
Entretanto, a fé cristã nos lembra que a
história não está fora do controle de Deus. O mal não terá a palavra final.
Nossa esperança está no Senhor que reina e que conduzirá todas as coisas à
realização de seus propósitos.
Essa esperança, porém, não nos autoriza a
cruzar os braços. Pelo contrário, ela nos fortalece para agir.
Porque esperamos no Senhor, podemos continuar
praticando o bem, defendendo a dignidade humana, cuidando dos que sofrem e
anunciando o Evangelho. Não fazemos isso porque acreditamos que conseguiremos
resolver todos os problemas do mundo com nossas próprias forças, mas porque
fomos chamados a testemunhar, desde agora, os valores do Reino de Deus.
Vamos seguir o exemplo de Jesus. Vamos caminhar
com ele. Vamos olhar para as injustiças e para o sofrimento alheio com
compaixão, coragem e amor.
Estamos aqui para isso: para viver e anunciar o
Evangelho, demonstrando que reconhecer Jesus como Senhor transforma não apenas
aquilo em que acreditamos, mas também a maneira como nos relacionamos com as
pessoas.
PARA
REFLETIR: QUEM GOVERNA A SUA VIDA?
Quero deixar uma pergunta para você:
Se
Jesus é Rei e Senhor, ele realmente governa suas decisões, seus relacionamentos
e a maneira como você trata as pessoas?
Não basta reconhecer Jesus apenas como
Salvador, como alguém a quem recorremos nos momentos difíceis. Somos chamados a
reconhecê-lo como Senhor de toda a nossa existência.
Isso não significa que nunca teremos dúvidas,
dificuldades ou momentos de fraqueza. Significa que, mesmo quando falhamos,
voltamos à Palavra de Deus, reconhecemos nossa necessidade de graça e
permitimos que o Senhor nos conduza novamente pelo caminho da transformação.
Que o Salmo 110 fortaleça nossa fé em Jesus
Cristo, Rei e Senhor, e nos ajude a viver de maneira coerente com o Evangelho
que professamos.
Que possamos declarar essa verdade não apenas
com os lábios, mas com a vida: quem governa a minha vida é Jesus Cristo, o
Senhor!
Que Deus abençoe ricamente o seu dia e que este
domingo seja marcado pela presença do Senhor, pela renovação da sua fé e por
oportunidades de demonstrar amor e compaixão.
Se esta reflexão falou ao seu coração,
compartilhe-a com outras pessoas, deixe seu comentário e inscreva-se no canal.
Vamos juntos espalhar a Palavra de Deus e testemunhar, com nossas palavras e
atitudes, o amor de Cristo.
CLÁUDIO
EDUARDO M. COSTA
Humanizando
Compaixão
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