DEUS
NOS OUVE NA ANGÚSTIA E NOS CHAMA À PAZ!
SALMO
120
Você sabia que Deus nos ouve nos momentos de
angústia? Sabia que podemos pedir ao Senhor que nos livre da falsidade e das
palavras enganadoras? E que, mesmo vivendo em um mundo marcado por conflitos,
somos chamados a ser instrumentos de paz?
É uma alegria ter você conosco em mais um dia
da nossa Caminhada Bíblica 2026, nos 150 dias lendo o Livro de Salmos.
Hoje, nossa leitura é o Salmo 120, o primeiro
dos chamados Cânticos de Romagem ou Cânticos de Subida.
Esses quinze salmos, do 120 ao 134, eram
utilizados pelo povo de Israel em suas peregrinações a Jerusalém, especialmente
nas ocasiões de celebração e adoração. Jerusalém era o destino dos peregrinos.
Ali estava o templo, lugar de reunião e adoração ao Senhor. A caminhada
representava também uma expressão de fé, dependência e confiança em Deus.
Hoje, compreendemos que nossa adoração não está
limitada a um lugar físico. Em 1 Coríntios 6:19, a Palavra de Deus nos ensina
que o nosso corpo é templo do Espírito Santo. Isso significa que nossa vida
deve expressar adoração ao Senhor em todos os lugares e circunstâncias.
Adoramos a Deus quando estamos reunidos na igreja, mas também quando estamos em
casa, no trabalho, na escola e em nossos relacionamentos cotidianos.
Ao olharmos para o Salmo 120, encontramos uma
mensagem muito especial. O salmista começa com uma declaração de confiança:
"Na
minha angústia, clamei ao Senhor, e ele me ouviu." (Salmo
120:1 — NAA).
Que declaração maravilhosa! Observe a certeza e
a convicção presentes nessas palavras. A angústia existe. Enfrentamos
problemas, atravessamos dificuldades, experimentamos decepções e, algumas
vezes, não conseguimos compreender o que está acontecendo ao nosso redor.
Entretanto, existe uma verdade que não podemos esquecer: podemos clamar ao
Senhor, porque ele nos ouve!
Quando compreendemos que Deus escuta nossas
orações, aprendemos que não precisamos enfrentar os problemas sozinhos.
Caminhar com o Senhor é uma decisão de fé. Ele conhece nossa história, sabe das
circunstâncias que estamos enfrentando, acolhe nosso clamor e permanece
conosco, mesmo quando não encontramos respostas imediatas.
Primeira lição: quando a angústia chegar, não
deixe de clamar ao Senhor. Ele ouve você!
Mas o Salmo 120 apresenta uma segunda questão
muito importante. No versículo 2, o salmista faz um pedido de livramento:
"Senhor,
livra-me dos lábios mentirosos, da língua enganadora."
(Salmo 120:2 — NAA).
Que pedido necessário! O salmista está
enfrentando uma realidade marcada pela falsidade, por palavras enganosas e por
pessoas que utilizam a mentira para alcançar seus próprios objetivos.
E como essa mensagem continua atual!
Vivemos em uma sociedade na qual as informações
circulam em uma velocidade impressionante. As redes sociais ampliaram nossas
possibilidades de comunicação, mas também facilitaram a produção e a divulgação
de informações falsas, acusações sem fundamento e conteúdos manipulados.
Precisamos desenvolver filtros para avaliar
aquilo que recebemos. Antes de compartilhar uma notícia, precisamos perguntar:
essa informação é verdadeira? Qual é a sua origem? Existe alguma intenção de
manipular, prejudicar ou destruir a reputação de alguém?
Não estamos falando simplesmente da falta de
conhecimento ou da ausência de informação. Estamos falando da falsidade
deliberada, da utilização consciente de palavras e informações enganosas para
alcançar determinados objetivos.
As chamadas fakes news são um exemplo
contemporâneo desse problema. Muitas vezes, são produzidas ou compartilhadas
intencionalmente para manipular opiniões, provocar conflitos, destruir
relacionamentos e ferir pessoas.
Por isso, precisamos fazer nossa a oração do
salmista: Senhor, livra-nos dos lábios mentirosos e das línguas enganadoras!
Livra-nos da falsidade que nos cerca e dá-nos discernimento para reconhecer
aquilo que não corresponde à verdade.
A manipulação da informação é um dos grandes
desafios da sociedade contemporânea. E a Palavra de Deus nos ensina que nossas
palavras precisam estar comprometidas com a verdade.
Existe aqui uma segunda lição que precisamos
guardar: não permita que a falsidade dos outros determine a sua maneira de
viver.
Mesmo quando somos vítimas de injustiças,
precisamos permanecer comprometidos com Deus, com sua Palavra e com a verdade.
Existe uma terceira lição que merece nossa
atenção: somos chamados para a paz!
Nos versículos 6 e 7, o salmista revela sua
tristeza por viver entre pessoas que não desejam a paz. Ele declara:
"Já
há tempo demais que habito com aqueles que odeiam a paz. Sou pela paz; quando,
porém, eu falo, eles teimam pela guerra."
(Salmo 120:6-7 — NAA).
Que contraste! O salmista deseja a paz, mas
está cercado por pessoas que insistem no conflito.
Essa realidade também está presente em nossos
dias. Existem pessoas que alimentam divisões, transformam diferenças em motivos
para hostilidade e utilizam as palavras como instrumentos de agressão.
Entretanto, o Deus a quem servimos é o Deus da
paz. Somos chamados a viver em amor, respeito, reconciliação e cuidado uns com
os outros.
Isso não significa que precisamos pensar da
mesma maneira em todas as situações. Temos o direito de apresentar opiniões
diferentes, de discordar e de defender nossas convicções. Mas não temos o
direito de transformar nossas diferenças em motivos para odiar, humilhar ou
destruir outras pessoas.
Podemos pensar diferente sem deixar de amar.
Podemos discordar sem transformar o relacionamento em uma guerra.
O profeta Jeremias apresenta uma orientação
extraordinária para essa realidade. Em Jeremias 29:7, encontramos uma palavra
dirigida aos israelitas que estavam vivendo no exílio, na Babilônia. Mesmo em
uma terra estranha, enfrentando circunstâncias difíceis, eles receberam uma
orientação do Senhor:
"Procurem
a paz da cidade para onde eu os deportei e orem por ela ao Senhor; porque na
sua paz vocês terão paz." (Jeremias 29:7 — NAA).
Observe a profundidade desse ensinamento! O
povo de Israel estava longe de sua terra, vivendo em uma sociedade diferente
daquela à qual pertencia. Ainda assim, Deus os orientou a buscar a paz daquela
cidade e a orar por ela.
Isso nos ensina que não podemos esperar que
todas as circunstâncias sejam favoráveis para assumir nosso compromisso com a
paz. Mesmo em ambientes difíceis, somos chamados a trabalhar pelo bem das
pessoas e das comunidades onde vivemos.
E
quando penso nessa responsabilidade, lembro-me também das palavras do profeta
Isaías. Em Isaías 2:3-4, encontramos uma visão extraordinária: as nações
aprendendo os caminhos do Senhor e transformando suas espadas em relhas de
arado e suas lanças em podadeiras.
É uma imagem maravilhosa! Instrumentos
utilizados para destruir sendo transformados em instrumentos para produzir
vida. A guerra dando lugar à paz. A violência cedendo espaço à construção de um
futuro melhor.
Que visão precisamos recuperar em nossos
relacionamentos!
Não fomos chamados para alimentar conflitos,
espalhar falsidades ou promover divisões. Fomos chamados para compartilhar o
amor de Cristo, viver a verdade e construir caminhos de reconciliação.
Lembro-me de um antigo hino do Cantor Cristão
que expressa essa realidade ao nos apresentar como peregrinos e embaixadores do
Reino de Deus. Somos representantes de uma mensagem de reconciliação. Em 2
Coríntios 5:18-20, o apóstolo Paulo nos ensina que Deus nos reconciliou consigo
mesmo por meio de Cristo e nos confiou o ministério da reconciliação.
Essa é a nossa missão!
Quem experimentou a reconciliação com Deus por
meio de Jesus Cristo é chamado a compartilhar esse amor com as pessoas ao seu
redor.
O Senhor nos ouve na angústia, nos ensina a
rejeitar a falsidade e nos convoca a viver pela paz.
Que nossas palavras não destruam reputações,
mas construam relacionamentos. Que nossas atitudes não alimentem guerras, mas
promovam a reconciliação. Que nossa presença seja uma oportunidade de
manifestar o amor de Cristo.
Não podemos controlar todas as circunstâncias
ao nosso redor, mas podemos escolher como vamos nos relacionar com as pessoas
que Deus coloca em nosso caminho.
CLÁUDIO
EDUARDO M COSTA