POR
QUE CONTINUAMOS COMETENDO OS MESMOS ERROS?
Salmo
106 — Quando esquecemos o que Deus fez
Você já percebeu que, muitas vezes, cometemos
os mesmos erros? Quando enfrentamos as consequências das nossas escolhas,
prometemos que não vamos repeti-los. Entretanto, o tempo passa, as experiências
vão sendo esquecidas e, quando menos percebemos, estamos novamente fazendo
aquilo que já sabemos que não deveríamos fazer.
Por que isso acontece? Quais escolhas temos
feito? De que maneira estamos caminhando na presença do Senhor?
Hoje, na nossa jornada de leitura bíblica,
chegamos ao Salmo 106. Esse salmo nos fala sobre a bondade de Deus, a
misericórdia do Senhor e os erros que o povo de Israel repetiu ao longo de sua
história. Ao recordar essa trajetória, somos convidados a examinar nossa
própria caminhada de fé e a reconhecer que conhecer a vontade de Deus não
significa, necessariamente, viver de acordo com ela.
1.
Não podemos nos esquecer da bondade de Deus
O salmo começa com um convite à gratidão, ao
louvor e à adoração. Leia Salmos 106:1-3 (NAA).
“Deem
graças ao Senhor, porque ele é bom, porque a sua misericórdia dura para
sempre.” (Salmos 106:1, NAA)
O salmista nos lembra de que a bondade do
Senhor é real e de que sua misericórdia permanece. Diante de quem Deus é e de
tudo o que ele realiza, nossa resposta deve ser de gratidão, louvor e
obediência.
Os versículos seguintes recordam os poderosos
feitos do Senhor em favor de Israel. Deus libertou seu povo da escravidão no
Egito, abriu o caminho pelo mar e demonstrou seu poder de maneira
extraordinária. Mesmo diante de tantas manifestações da presença divina, porém,
os israelitas tiveram dificuldades para continuar confiando no Senhor.
O Salmo 106:7-12 recorda a libertação do Egito
e a travessia do mar, mostrando como Deus agiu em favor do seu povo, apesar de
sua infidelidade.
Quantas vezes agimos da mesma maneira? Sabemos
quem Deus é, conhecemos sua Palavra e já experimentamos seu cuidado, mas,
diante de uma nova dificuldade, parece que nos esquecemos de tudo o que ele
fez.
A memória espiritual é importante porque nos
ajuda a enfrentar o presente à luz da fidelidade de Deus no passado. Não
podemos permitir que as dificuldades de hoje apaguem da nossa lembrança as
experiências que já tivemos com o Senhor.
Você tem se lembrado da bondade de Deus ou tem
permitido que os problemas ocupem todo o espaço do seu coração?
2.
Cuidado com a impaciência: aprenda a esperar o tempo de Deus
Caminhamos com Deus, mas nem sempre temos
paciência para esperar por ele. Queremos respostas imediatas, soluções rápidas
e resultados de acordo com as nossas expectativas. Muitas vezes, desejamos que
a nossa vontade prevaleça sobre a vontade do Senhor.
Observe o que diz Salmos 106:13-14 (NAA):
“Logo,
porém, se esqueceram das obras de Deus e não esperaram pelos seus desígnios.
Entregaram-se à cobiça, no deserto; e, nos lugares áridos, puseram Deus à
prova.”
A expressão que merece nossa atenção é: “não
esperaram pelos seus desígnios”.
A impaciência levou o povo a tomar decisões
equivocadas. Enquanto Deus continuava cuidando de Israel, o povo se deixou
dominar pela cobiça e pela insatisfação. Em vez de confiar na direção do
Senhor, quis satisfazer seus próprios desejos.
A história do bezerro de ouro, registrada em
Êxodo 32:1-14, revela as consequências dessa postura. Enquanto Moisés estava no
monte, o povo perdeu a paciência, pediu a Arão que fizesse um deus para
conduzi-lo e acabou se entregando à idolatria.
Que situação contraditória! O povo que havia
testemunhado a libertação do Egito voltou-se para um ídolo feito por mãos
humanas.
Isso também pode acontecer conosco. Quando não
sabemos esperar, corremos o risco de tomar decisões precipitadas, abandonar
princípios bíblicos e procurar soluções que não correspondem à vontade de Deus.
Esperar no Senhor não significa ficar de braços
cruzados. Significa continuar obedecendo, orando e confiando, mesmo quando
ainda não compreendemos o que ele está fazendo.
Você está esperando pela direção de Deus ou
tentando obrigá-lo a realizar a sua vontade?
3.
Não permita que o medo governe suas decisões
O medo pode alterar nossa percepção da
realidade. Quando ele domina o coração, deixamos de enxergar as possibilidades,
esquecemos as promessas de Deus e passamos a agir como se estivéssemos
sozinhos.
Em Salmos 106:24-27, o salmista recorda a
incredulidade dos israelitas diante da terra prometida. Eles desprezaram a
terra desejável, não confiaram na palavra do Senhor e murmuraram em suas
tendas.
Essa passagem está relacionada ao episódio
registrado em Números 13–14. Embora os israelitas tivessem recebido a promessa
de Deus, muitos permitiram que o medo dos habitantes da terra fosse maior do
que a confiança no Senhor.
O problema não era simplesmente reconhecer a
existência de obstáculos. O problema era olhar para eles como se Deus não
estivesse presente.
Não ter medo não significa ser naturalmente
corajoso, forte ou inteligente. Significa aprender a confiar na presença e no
cuidado de Deus, mesmo quando as circunstâncias parecem desfavoráveis.
A
fé não nos impede de reconhecer os desafios, mas nos ajuda a enfrentá-los sem
abandonar a confiança no Senhor.
Em Isaías 41:10, encontramos uma palavra de
encorajamento: Deus chama seu povo a não temer, pois está com ele, fortalece-o
e o sustenta.
Precisamos, portanto, examinar nossas decisões.
Estamos agindo com base na Palavra de Deus ou estamos permitindo que o medo
determine nossos caminhos?
Não permita que o medo de hoje faça você
esquecer a fidelidade de Deus no passado.
4.
Pequenas concessões podem produzir grandes consequências
Outro ensinamento importante do Salmo 106 é que
a desobediência pode começar quando deixamos de levar a sério as orientações de
Deus.
Em Salmos 106:34-39, o salmista recorda que
Israel não eliminou completamente as práticas dos povos que deveria evitar. Em
vez disso, misturou-se a eles, assimilou seus costumes e acabou participando de
práticas contrárias à vontade do Senhor.
A história mostra que o afastamento de Deus nem
sempre acontece de uma só vez. Muitas vezes, começa com pequenas concessões.
Dizemos: “Não tem nada a ver”. Depois,
aceitamos algo que antes reconhecíamos como inadequado. Aos poucos, aquilo que
deveria causar preocupação passa a ser considerado normal.
Quando não examinamos nossas escolhas à luz das
Escrituras, corremos o risco de abrir espaço para a idolatria, os falsos
ensinamentos, a maldade e uma religiosidade vazia, que conserva as aparências,
mas perde a essência da comunhão com Deus.
Isso não significa que toda mudança seja errada
ou que devamos rejeitar tudo o que é diferente. Significa que precisamos
discernir, à luz da Palavra, aquilo que fortalece nossa fé e aquilo que nos
afasta da vontade do Senhor.
A pergunta não é apenas se determinada prática
é aceita pela sociedade, mas se ela é coerente com os princípios bíblicos e com
a vida que fomos chamados a viver em Cristo.
Romanos 12:2 nos orienta a não nos conformarmos
com este mundo, mas a sermos transformados pela renovação da mente, para
discernirmos a vontade de Deus.
Que
pequenas concessões você tem feito que precisam ser revistas à luz da Palavra
de Deus?
5.
A misericórdia de Deus nos oferece esperança
Apesar de registrar tantas falhas, o Salmo 106
não termina sem esperança. O salmista reconhece a necessidade de socorro e
clama ao Senhor.
Leia Salmos 106:47-48 (NAA).
“Salva-nos,
Senhor, nosso Deus, e congrega-nos dentre as nações, para que demos graças ao
teu santo nome e nos gloriemos no teu louvor.”
(Salmos 106:47, NAA)
O salmo termina com louvor ao Deus de Israel,
de eternidade a eternidade, e com o convite para que todo o povo diga: “Amém!
Aleluia!” (Salmos 106:48).
Ao chegar a essa parte da leitura, minha
esperança se firma em Jesus Cristo. É nele que reconhecemos a expressão
extraordinária do amor de Deus por nós.
Romanos 5:8 declara que Deus prova seu próprio
amor por nós pelo fato de Cristo ter morrido em nosso favor quando ainda éramos
pecadores.
Pense nisso: Deus não esperou que nos
tornássemos perfeitos para demonstrar seu amor. Em Cristo, ele veio ao nosso
encontro quando ainda precisávamos de perdão e reconciliação.
Essa graça, porém, não deve ser usada como
desculpa para continuarmos cometendo os mesmos erros. O amor de Deus nos chama
ao arrependimento, à transformação e a uma nova maneira de viver.
Em 1 João 1:9, encontramos a promessa de que,
se confessarmos nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar e nos
purificar de toda injustiça.
O perdão não é um convite para permanecermos no
mesmo lugar. É uma oportunidade de recomeçar, aprender e caminhar em novidade
de vida, conforme Romanos 6:4.
Deus não nos chama a esconder nossas falhas,
mas a reconhecê-las diante dele, receber sua graça e permitir que sua Palavra
transforme nosso coração.
Um
desafio para sua caminhada espiritual
Você tem mantido seu diário de marcos
espirituais? Registrar as experiências com Deus é uma maneira de recordar sua
fidelidade, reconhecer o que aprendemos e perceber como ele tem trabalhado em
nossa vida.
Hoje,
quero propor um desafio especial:
- Identifique:
qual erro você tem repetido, mesmo sabendo que precisa mudar?
- Examine:
quais circunstâncias, desejos ou atitudes contribuem para essa repetição?
- Aprenda:
o que a Palavra de Deus ensina sobre essa situação?
- Ore: confesse
ao Senhor aquilo que precisa ser transformado e peça sabedoria para agir
de maneira diferente.
- Registre:
escreva em seu diário espiritual a lição aprendida e uma atitude concreta
que você deseja colocar em prática.
Não se trata apenas de prometer que nunca mais
erraremos. Trata-se de assumir uma postura de arrependimento, buscar a direção
de Deus e aprender a responder de maneira diferente diante das mesmas tentações
e dificuldades.
O
Salmo 106 nos ensina que esquecer as obras de Deus pode nos levar a repetir
erros antigos. Por isso, precisamos cultivar uma memória agradecida, uma fé
perseverante e um coração disposto a obedecer.
Não basta recordar o que Deus fez. Precisamos
permitir que essa memória transforme a maneira como vivemos hoje.
Que o bom Deus abençoe ricamente o seu dia e
nos ajude a aprender com o passado, confiar em sua misericórdia e caminhar em
fidelidade diante dele.
Cláudio
Eduardo M. Costa
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