O LEGADO QUE DEIXAMOS COMEÇA COM A OBEDIÊNCIA AO SENHOR
Salmo
112
Seus filhos e netos estão aprendendo sobre Deus
a partir daquilo que você fala ou, principalmente, da maneira como você vive? O
legado que deixamos para as próximas gerações não é construído apenas por
palavras, conselhos ou ensinamentos. Ele também é formado pelas nossas
escolhas, atitudes e pela maneira como demonstramos, no cotidiano, o valor de
caminhar com o Senhor.
Hoje chegamos ao Salmo 112. Neste texto,
encontramos ensinamentos sobre o temor do Senhor, a responsabilidade que temos
diante das próximas gerações e a maneira como devemos enfrentar as dificuldades
do mundo que nos cerca.
Em nenhum lugar a Bíblia nos promete uma vida
sem dificuldades, problemas ou aflições. A fé cristã não é uma garantia de que
tudo acontecerá conforme os nossos desejos. Ela nos ensina, porém, que não
caminhamos sozinhos. O Senhor permanece conosco, orientando-nos por sua Palavra
e ajudando-nos a compreender a sua vontade.
A verdadeira vitória, portanto, não está
necessariamente na conquista de dinheiro, bens materiais ou posições de
destaque. Ela está em uma vida que encontra sentido na presença de Deus,
permanece firme em sua Palavra e procura viver de acordo com os seus
mandamentos.
O
LEGADO DE UMA VIDA QUE TEME AO SENHOR
O Salmo 112 começa com uma declaração que nos
conduz ao centro da reflexão:
“Aleluia!
Bem-aventurado é aquele que teme o SENHOR e tem grande prazer nos seus
mandamentos. A sua descendência será poderosa na terra; a geração dos justos
será abençoada.”
Salmo
112:1-2 — NAA
Quando lemos a palavra poderosa, é
possível que nossa mente seja imediatamente conduzida aos modelos de poder que
predominam na sociedade. Muitas vezes, o poder é associado à riqueza, à
influência, à posição social ou à capacidade de impor a própria vontade. Em
determinadas circunstâncias, ele é colocado acima da dignidade humana, como se
o valor de uma pessoa pudesse ser medido por aquilo que possui ou pelo lugar
que ocupa.
Entretanto,
a perspectiva apresentada pelo Salmo 112 começa em outro lugar: o temor do
Senhor e o prazer em seus mandamentos.
Tudo começa quando reconhecemos quem Deus é.
Temer ao Senhor não significa viver aterrorizado diante dele, mas honrá-lo,
reverenciá-lo e reconhecer que ele é o Criador e Senhor de todas as coisas.
Significa compreender que a nossa vida não deve ser conduzida apenas pelos
desejos pessoais, pelas pressões sociais ou pelos valores de um mundo que
frequentemente se distancia da vontade de Deus.
O salmista destaca que a pessoa bem-aventurada
encontra prazer nos mandamentos do Senhor. Não se trata simplesmente de
conhecer a Palavra, mas de permitir que ela oriente nossas decisões, transforme
nosso caráter e molde nossa maneira de tratar as pessoas.
É nesse sentido que precisamos compreender o
legado deixado para nossos filhos, netos e para aqueles que virão depois de
nós. O maior legado cristão não consiste apenas naquilo que acumulamos, mas
nos valores que vivemos diante de Deus e transmitimos às próximas gerações.
Isso não significa que podemos garantir todas
as escolhas futuras de nossos descendentes ou controlar o caminho que eles
seguirão. Cada pessoa é responsável por suas próprias decisões. Entretanto,
somos responsáveis pelo testemunho que oferecemos, pelos princípios que
ensinamos e pelo exemplo que deixamos.
A bênção mencionada no Salmo 112 não deve ser
reduzida à promessa de riqueza, sucesso ou ausência de problemas. O texto nos
convida a reconhecer o valor de uma vida orientada pelo Senhor e a influência
que a justiça, a fidelidade e a obediência podem exercer sobre uma geração.
TEMER
AO SENHOR É RECONHECER QUEM ELE É
Temer ao Senhor também significa reconhecer sua
autoridade e responder a ele com gratidão. Deus nos criou com a capacidade de
fazer escolhas, mas nossas decisões produzem consequências. Por isso,
precisamos perguntar a nós mesmos: que tipo de escolhas estamos fazendo neste
tempo? E que exemplo estamos oferecendo àqueles que aprendem conosco?
Como podemos tratar como algo normal a
desvalorização da família, a violência que alcança tantas comunidades e a perda
de respeito pela dignidade humana? Como podemos permanecer indiferentes diante
das guerras, da fome e do sofrimento de tantas pessoas?
Não podemos resolver todos os problemas do
mundo individualmente, mas também não podemos usar essa limitação como
justificativa para a indiferença. A fé bíblica nos chama a reconhecer o
sofrimento, praticar a justiça, exercer a misericórdia e assumir nossa
responsabilidade diante do próximo.
O temor do Senhor precisa ultrapassar o
discurso religioso e alcançar a vida cotidiana. Ele deve influenciar a maneira
como educamos nossos filhos, tratamos nossos familiares, conduzimos nossos
relacionamentos, utilizamos nossos recursos e nos posicionamos diante das
injustiças.
Se desejamos deixar um legado de fé, precisamos
demonstrar que obedecer a Deus não é apenas uma prática de domingo, mas um
compromisso que alcança todas as áreas da vida.
UM
CORAÇÃO FIRME EM TEMPOS DE MÁS NOTÍCIAS
Ao avançarmos na leitura do Salmo 112,
encontramos uma declaração especialmente importante para os dias em que
vivemos:
“Não
se atemoriza de más notícias; o seu coração é firme, confiante no SENHOR.”
Salmo
112:7 — NAA
As más notícias estão presentes em nossa
rotina. Elas chegam pelas redes sociais, pelos jornais eletrônicos, pela
televisão e pelas conversas do dia a dia. Somos constantemente confrontados com
relatos de violência, conflitos, corrupção, fome, sofrimento familiar e tantas
outras situações que provocam indignação, tristeza e insegurança.
Diante desse cenário, podemos nos perguntar:
como preservar a esperança quando tantas notícias parecem apontar para um
futuro incerto?
O salmista não está afirmando que a pessoa que
confia em Deus nunca sentirá tristeza, preocupação ou angústia. Tampouco está
ensinando que devemos ignorar os acontecimentos ao nosso redor. O que ele
destaca é que a confiança no Senhor pode sustentar o coração mesmo quando as
circunstâncias são difíceis.
Confiar em Deus não significa fechar os olhos
para a realidade; significa enfrentá-la sem permitir que o medo ocupe o lugar
da nossa esperança.
Precisamos aprender a discernir as informações
que recebemos, evitar a disseminação de notícias falsas, não alimentar o ódio e
não permitir que a exposição constante à violência nos torne insensíveis à dor
humana. A esperança cristã não é uma fuga do mundo, mas uma maneira de viver
nele com fé, responsabilidade e compaixão.
A realidade pode ser difícil, mas as más
notícias não têm a palavra final sobre a nossa história. Nossa confiança está
no Senhor, que nos chama a permanecer firmes e a agir de acordo com os valores
do seu Reino.
DEUS
VALORIZA A VIDA HUMANA
Se a nossa esperança está no Senhor, precisamos
olhar para aquilo que ele valoriza. A vida humana não pode ser tratada como
descartável, nem sua dignidade pode depender da idade, da condição econômica,
da saúde, da posição social ou da capacidade de produzir.
Da concepção à velhice, cada etapa da
existência humana merece respeito e cuidado. Crianças, jovens, adultos e idosos
precisam ser vistos com dignidade. A fé cristã nos convida a reconhecer o valor
da vida e a desenvolver uma atitude de responsabilidade diante daqueles que se
encontram em situações de vulnerabilidade.
Essa convicção está profundamente relacionada
ao Evangelho. Deus não permaneceu distante da humanidade em seu sofrimento. Em
Jesus Cristo, aproximou-se de nós e revelou seu amor de maneira extraordinária.
Jesus morreu na cruz pelos nossos pecados e
ressuscitou ao terceiro dia. Sua morte e ressurreição anunciam a vitória sobre
o pecado e a morte e fundamentam nossa esperança na vida eterna. Por meio dele,
somos convidados à reconciliação com Deus e a uma nova maneira de viver.
O mundo precisa de esperança, verdade e amor.
Precisa de pessoas que não se conformem com a banalização da violência, que não
se alegrem com o sofrimento alheio e que compreendam que a dignidade humana
deve ser respeitada.
Mas essa transformação também exige a
participação dos cristãos. Não basta afirmar que cremos na Palavra de Deus;
precisamos demonstrar, por meio de nossas atitudes, que o Evangelho transforma
nossa maneira de enxergar e tratar as pessoas.
O
SALMO 112 E O CAMINHO APRESENTADO PELO SALMO 1
Ao refletir sobre o Salmo 112, lembro-me do
primeiro Salmo, que nos convida a pensar sobre as escolhas que fazemos e o
caminho que decidimos seguir.
A fé cristã não nos autoriza a considerar-nos
superiores aos demais. Somos chamados a viver de maneira diferente não por
orgulho ou arrogância, mas porque desejamos submeter nossa vida à vontade de
Deus e testemunhar o amor de Cristo.
O Salmo 1 apresenta essa escolha com clareza:
“Bem-aventurado
é aquele que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos
pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Pelo contrário, o seu
prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite.” Salmo
1:1-2 — NAA
Observe a relação entre os dois salmos. No
Salmo 112, encontramos a pessoa que teme ao Senhor e tem prazer em seus
mandamentos. No Salmo 1, vemos alguém que encontra satisfação na lei do Senhor
e permite que ela oriente seu caminho.
Nos dois textos, a Palavra de Deus ocupa um
lugar central. Não basta ouvir o que o Senhor diz; precisamos permitir que seus
ensinamentos influenciem nossas decisões.
Isso significa escolher com cuidado os
conselhos que aceitamos, os caminhos que seguimos e os valores que alimentamos.
Significa também reconhecer que não somos imunes aos erros e que precisamos
constantemente retornar às Escrituras para examinar nosso coração e corrigir
nossa direção.
O legado que deixamos começa com essas decisões
diárias. Começa quando escolhemos a verdade em lugar da mentira, a compaixão em
lugar da indiferença, a justiça em lugar da conveniência e a obediência ao
Senhor em lugar de uma vida conduzida apenas pelos desejos pessoais.
Nossos filhos e netos precisam ouvir sobre
Deus, mas também precisam perceber, em nossa maneira de viver, que a Palavra do
Senhor é digna de confiança.
A
COISA ESTÁ DIFÍCIL, MAS NÃO É O FIM DA HISTÓRIA
Talvez você esteja olhando para a realidade ao
seu redor e se perguntando como será o futuro de sua família, de seus filhos,
de seus netos e das próximas gerações. Talvez as notícias tenham produzido
medo, cansaço ou desânimo em seu coração.
O Salmo 112 nos convida a renovar nossa
confiança no Senhor. Não porque todas as dificuldades desaparecerão
imediatamente, mas porque nossa esperança não está limitada às circunstâncias
presentes.
A obediência a Deus não é uma fórmula para
controlar o futuro. É uma resposta de amor e confiança àquele que nos criou,
nos sustenta e nos chama a viver segundo sua Palavra.
Por isso, continue ensinando, orando, cuidando
e dando um testemunho coerente com a fé que você professa. Não subestime o
valor de uma atitude de amor, de uma palavra verdadeira, de um gesto de
generosidade ou de uma decisão tomada em fidelidade ao Senhor.
A coisa pode estar difícil, mas não é o final
da história. Nossa esperança está em Jesus Cristo, que venceu a morte e nos
convida a viver na presença de Deus.
Que o Senhor nos ajude a construir um legado
que não seja medido pelo dinheiro acumulado ou pelos bens conquistados, mas
pela fidelidade com que caminhamos com ele e pelo amor que demonstramos às
pessoas.
Que nossos filhos, netos e as próximas gerações
encontrem em nossa vida sinais de uma fé verdadeira: uma fé que ama a Palavra,
pratica a justiça, valoriza a vida humana e permanece firme mesmo diante das
más notícias.
Que Deus abençoe poderosamente a sua vida e lhe
conceda sabedoria para deixar um legado que glorifique o nome dele.
Cláudio
Eduardo M. Costa
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