ATÉ
QUANDO VOCÊS VÃO JULGAR INJUSTAMENTE?
SALMO
82
“Até
quando julgarão injustamente e tomarão partido pela causa dos ímpios?” — Salmo
82:2, NAA.
Até quando vocês vão julgar injustamente? A
pergunta parece ter sido escrita para os nossos dias, mas está no Salmo 82. É o
clamor de um povo diante da injustiça e, ao mesmo tempo, uma palavra de Deus
confrontando aqueles que tinham responsabilidade de agir com justiça.
Basta olhar ao nosso redor para perceber uma
sociedade marcada por violência, corrupção, exploração, drogas, guerras e
tantas outras formas de sofrimento. Pessoas choram, famílias são destruídas,
vidas são perdidas e muitos continuam sem voz. Diante dessa realidade,
precisamos perguntar: o que estamos fazendo?
O Salmo 82 não apresenta apenas uma reflexão;
ele nos confronta. A palavra dirigida ao povo de Israel também chega até nós,
seguidores de Cristo. Precisamos levantar a voz em favor da justiça e fazer
diferença onde Deus nos colocou.
Somos igreja do Senhor. Por isso, não podemos
permanecer indiferentes diante daquilo que fere a dignidade humana. Precisamos
anunciar o evangelho, mas também viver os valores do Reino de Deus em nossa
sociedade.
O salmista pergunta: “Até quando julgarão
injustamente e tomarão partido pela causa dos ímpios?” Deus vê quando
alguém é favorecido injustamente. Vê quando os poderosos oprimem os fracos. Vê
quando a verdade é ignorada. Mas também vê quem decide agir em favor de quem
precisa de ajuda.
Essa é uma verdade fundamental do Salmo 82: a
justiça não é apenas uma questão humana; é também uma questão diante de Deus.
E o chamado se torna ainda mais direto no
versículo 3: “Defendam o direito dos fracos e dos órfãos; façam justiça aos
aflitos e desamparados.” — Salmo 82:3, NAA.
Observe os verbos: defendam, façam justiça,
socorram. Deus não nos chama apenas para observar. Ele nos chama para agir.
Talvez você pense: “Mas eu não sou advogado.
Não sou juiz. Não trabalho na área da Justiça.” Mas defender direitos não é
responsabilidade exclusiva de quem trabalha no sistema de Justiça. Somos
cidadãos e, como seguidores de Jesus, somos chamados a refletir sua luz.
Podemos defender quem não tem voz, acolher quem foi abandonado, socorrer quem
precisa e usar os recursos que Deus colocou em nossas mãos para promover o bem.
A oração é indispensável. Precisamos pedir a
Deus sabedoria, discernimento e coragem. Mas nossa oração também precisa nos
colocar em movimento. Podemos orar: “Senhor, dá-nos ousadia para fazer
aquilo que o Senhor nos chamou a fazer.”
E quando penso nisso, olho para Jesus.
Jesus conheceu a injustiça humana. Foi
condenado sendo inocente. A multidão gritou: “Crucifica! Crucifica!” Pilatos,
mesmo diante de sua responsabilidade, tentou se isentar. Na cruz, vemos a
violência e a injustiça humanas, mas também contemplamos a profundidade do amor
e da graça de Deus.
No Sermão do Monte, Jesus declarou: “Bem-aventurados
os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.” — Mateus 5:6,
NAA.
Jesus não apenas falou sobre amor; Ele amou.
Não apenas ensinou misericórdia; Ele a praticou. Aproximou-se dos
excluídos, acolheu os rejeitados, cuidou dos que sofriam e restaurou vidas.
Por isso, o Salmo 82 nos conduz a uma pergunta
que não podemos evitar:
O que estamos fazendo neste mundo?
Não fomos chamados para viver uma fé
indiferente. Fomos chamados para servir, acolher, proteger e agir. A
igreja deve ser uma presença que anuncia a verdade, pratica a misericórdia e
promove a dignidade humana.
Isso não significa agir com ódio, vingança ou
divisão. Significa agir com verdade, sabedoria, coragem e amor,
fundamentados na Palavra de Deus.
Talvez você não consiga transformar toda a
sociedade. Mas pode transformar o dia de alguém. Pode ouvir quem ninguém
escuta. Pode ajudar quem precisa. Pode defender alguém que está sendo
injustiçado. Pode acolher quem foi rejeitado.
Não fique de braços cruzados diante da dor.
O Salmo 82 nos chama à ação:
“Defendam o direito dos fracos e dos órfãos;
façam justiça aos aflitos e desamparados.”
Que o Senhor nos dê coragem para viver uma fé
que não apenas fala de justiça, mas pratica a justiça; que não apenas fala de
compaixão, mas demonstra compaixão.
Uma igreja que se importa não fecha os olhos
para a dor. Ela vê, escuta, acolhe e age.
Que
o seu dia seja muito abençoado!
Cláudio
Eduardo M Costa
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