QUANDO O REI GOVERNA COM JUSTIÇA...
SALMO 72
Você já parou para
pensar em como seria viver em um lugar onde quem governa realmente se preocupa
com as pessoas? Imagine um lugar onde os pobres não fossem esquecidos, os
necessitados fossem ouvidos e a justiça não fosse privilégio de alguns. Imagine
um lugar onde as pessoas pudessem andar de cabeça erguida, com dignidade; onde
tivessem trabalho e, por meio do fruto desse trabalho, conseguissem levar o
alimento para casa; onde os projetos de assistência social fossem necessários
apenas em situações específicas, porque a maioria das pessoas tivesse condições
de viver com dignidade. Talvez você me diga: “Pastor, não podemos falar de
política.” E eu não estou falando de política partidária. Estou falando de justiça,
integridade, honestidade e responsabilidade. Estou falando daquele que
recebe autoridade para governar e decide exercê-la segundo os princípios do
Criador. Estou falando de pessoas que, estando no poder, escolhem fazer o bem,
proteger os vulneráveis e não fazer acepção de pessoas.
Estamos no Salmo 72,
dentro da nossa caminhada de 150 Dias Lendo o Livro de Salmos. E, quando
leio este salmo, tenho a impressão de que o salmista está olhando para o nosso
tempo. O Salmo 72 é apresentado como um salmo “de Salomão”,
tradicionalmente relacionado ao reinado e à figura do rei. É uma oração para
que o rei governe de acordo com a justiça de Deus. Logo no início encontramos
uma declaração que estabelece o propósito desse governo:
“Concede ao rei, ó Deus, os
teus juízos e a tua justiça, ao filho do rei. Que ele julgue o teu povo com
justiça e os teus aflitos, com retidão.” Salmo 72.1-2 — NAA
Que pedido
extraordinário! “Que ele julgue o teu povo com justiça.” A autoridade
não deveria existir simplesmente para produzir poder, riqueza ou privilégios. A
autoridade deveria estar a serviço do bem, da justiça e da dignidade das
pessoas.
E então surge uma
pergunta inevitável: será que encontramos hoje governantes com essas
características? Eu não conheço todos os governantes do mundo e não conheço
a história de cada governo, mas basta olhar ao nosso redor para perceber uma
realidade marcada por desigualdade, exploração dos mais pobres, guerras,
violência e crianças sem perspectiva de futuro. Vemos pessoas dependendo de
ajuda porque lhes faltam oportunidades de trabalho, educação e acesso adequado
à saúde. Vemos famílias sofrendo, pessoas sendo humilhadas e comunidades
inteiras vivendo sem as condições mínimas para uma vida digna.
É assim que o nosso
mundo está. E, quando olho para tudo isso, vejo insegurança, medo, violência e
desigualdade. Então surge uma pergunta que também precisa ser feita à igreja: onde
estamos no meio de tudo isso? O que estamos fazendo quando lemos o Salmo 72?
Mais à frente, o salmista declara:
“Todos os reis se prostrem
diante dele, e todas as nações o sirvam.” Salmo 72.11 — NAA
Essa declaração amplia
o horizonte do salmo e nos conduz para uma esperança que vai muito além dos
governos humanos. Ela aponta para o governo universal de Deus e encontra seu
cumprimento pleno em Jesus Cristo, o Rei. O Novo Testamento apresenta
Jesus como aquele que recebeu toda autoridade e cujo Reino alcançará todas as
nações (Mateus 28.18-20).
É maravilhoso perceber
como, no Salmo 72, Deus se importa com pessoas. Deus vê os necessitados. Deus
olha para os aflitos. Deus não ignora aqueles que muitas vezes são invisíveis
para a sociedade. O salmista continua:
“Porque ele livra os
necessitados que pedem socorro e também os aflitos e aqueles que não têm quem
os ajude. Ele se compadece dos fracos e dos necessitados e salva a alma dos que
precisam de auxílio.” Salmo 72.12-13 — NAA
Que palavra poderosa! Deus
se compadece dos fracos e dos necessitados.
E aqui precisamos olhar
para nós mesmos. Muitas vezes, eu e você, que temos sido alcançados pela graça
de Deus e que professamos seguir a Cristo, podemos fechar os olhos diante
daquilo que acontece ao nosso redor. Podemos cruzar os braços diante da dor. Podemos
pensar que cuidar dos necessitados é responsabilidade apenas de alguma
instituição, de algum projeto social ou do ministério de ação social da igreja.
Mas não podemos terceirizar a nossa missão.
Quando leio essa porção
do Salmo 72, imediatamente sou conduzido a Jesus Cristo. E, ao olhar para
Jesus, também encontro o cumprimento da esperança anunciada pelos profetas. Em
Lucas 4, Jesus entra na sinagoga, lê o texto do profeta Isaías e aplica a si mesmo
essa missão:
“O Espírito do Senhor está
sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para
proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em
liberdade os oprimidos, e proclamar o ano aceitável do Senhor.” Lucas
4.18-19 — NAA
Jesus veio anunciar
boas-novas aos pobres, liberdade aos cativos, restauração aos que sofrem e
esperança aos oprimidos. Quando olhamos para Jesus, enxergamos o Reino de Deus
sendo apresentado não apenas em palavras, mas em ações de misericórdia,
justiça, compaixão e cuidado.
Por isso, quando leio o
Salmo 72 e olho para Jesus Cristo, vejo o verdadeiro Rei. Um Rei que não
governa para ser servido, mas que veio para servir. O próprio Jesus
declarou:
“Pois o próprio Filho do Homem
não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por
muitos.” Marcos 10.45 — NAA
É esse Rei que precisa
governar o nosso coração. E, se Jesus governa a nossa vida, o cuidado com as
pessoas não pode ser apenas um discurso. Precisa fazer parte da nossa maneira
de viver. Por isso, quero deixar uma pergunta para você:
Como
estamos tratando as pessoas que Deus colocou ao nosso redor?
Como você está olhando
para aquela pessoa que está dormindo debaixo de uma marquise em uma noite fria?
Como você está olhando para aquela família que não sabe o que vai colocar na
mesa hoje? Como você está olhando para aquela criança que não tem acesso à
educação necessária para construir um futuro? Como você está olhando para as
pessoas que estão sofrendo?
Talvez alguém diga:
“Pastor, eu contribuo com o Ministério de Ação Social da minha igreja.” Isso é
importante e deve ser valorizado. Mas não podemos terceirizar a nossa missão.
Eu e você temos um compromisso pessoal com o Senhor. Somos chamados a enxergar
pessoas, aproximar-nos delas e fazer aquilo que estiver ao nosso alcance.
A Bíblia nos ensina:
“Não deixemos de fazer o bem a
quem precisa, sempre que isso estiver ao nosso alcance.” Provérbios
3.27 — NAA
Nós não vamos conseguir
resolver todos os problemas do mundo. Não conseguiremos acabar com todas as
guerras, eliminar toda a desigualdade ou corrigir todas as injustiças. O Reino
perfeito de Deus ainda será plenamente estabelecido. A nossa esperança definitiva
está na volta de Cristo e no seu Reino eterno. Mas, enquanto aguardamos esse
Reino, somos chamados a ser testemunhas do Rei aqui e agora.
Eu e você temos o
Espírito Santo de Deus que habita em nós. Por isso, mesmo em meio a uma
sociedade marcada por corrupção, injustiça, violência e desigualdade, somos
chamados a fazer diferença. Não precisamos esperar ocupar uma posição de poder
para começar a cuidar de pessoas. Podemos começar exatamente onde estamos.
O Salmo 72 nos lembra que o verdadeiro Rei
se importa com os necessitados. E nós, como seguidores desse Rei, precisamos
aprender a olhar para as pessoas com os olhos de Cristo.
Finalizando, chegamos ao versículo 18:
“Bendito seja o Senhor Deus, o
Deus de Israel, o único que faz maravilhas!” Salmo 72.18 — NAA
Que declaração
maravilhosa! O único que faz maravilhas.
Nós fomos alcançados
por uma dessas maravilhas: a graça de Deus revelada em Jesus Cristo. Fomos
alcançados pela misericórdia, pelo amor e pela salvação que não poderíamos
conquistar por nossos próprios méritos.
Por isso, vivamos para
Deus. Que o Rei governe primeiro o nosso coração. E que, sob o governo desse
Rei, aprendamos a praticar a justiça, exercer misericórdia, cuidar dos
necessitados e levar esperança a quem sofre.
O
mundo precisa de justiça. Os vulneráveis precisam de cuidado. Os que sofrem
precisam de esperança. E nós temos uma mensagem para anunciar: o verdadeiro Rei
está vindo e o seu Reino será estabelecido em justiça.
Quando
o Rei governa com justiça, os vulneráveis encontram esperança.
Que o seu dia seja muito abençoado.
Cláudio Eduardo M Costa
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