quinta-feira, 10 de setembro de 2026

QUANDO O REI GOVERNA COM JUSTIÇA... SALMO 72

 


QUANDO O REI GOVERNA COM JUSTIÇA...

SALMO 72

 

Você já parou para pensar em como seria viver em um lugar onde quem governa realmente se preocupa com as pessoas? Imagine um lugar onde os pobres não fossem esquecidos, os necessitados fossem ouvidos e a justiça não fosse privilégio de alguns. Imagine um lugar onde as pessoas pudessem andar de cabeça erguida, com dignidade; onde tivessem trabalho e, por meio do fruto desse trabalho, conseguissem levar o alimento para casa; onde os projetos de assistência social fossem necessários apenas em situações específicas, porque a maioria das pessoas tivesse condições de viver com dignidade. Talvez você me diga: “Pastor, não podemos falar de política.” E eu não estou falando de política partidária. Estou falando de justiça, integridade, honestidade e responsabilidade. Estou falando daquele que recebe autoridade para governar e decide exercê-la segundo os princípios do Criador. Estou falando de pessoas que, estando no poder, escolhem fazer o bem, proteger os vulneráveis e não fazer acepção de pessoas.

Estamos no Salmo 72, dentro da nossa caminhada de 150 Dias Lendo o Livro de Salmos. E, quando leio este salmo, tenho a impressão de que o salmista está olhando para o nosso tempo. O Salmo 72 é apresentado como um salmo “de Salomão”, tradicionalmente relacionado ao reinado e à figura do rei. É uma oração para que o rei governe de acordo com a justiça de Deus. Logo no início encontramos uma declaração que estabelece o propósito desse governo:

“Concede ao rei, ó Deus, os teus juízos e a tua justiça, ao filho do rei. Que ele julgue o teu povo com justiça e os teus aflitos, com retidão.” Salmo 72.1-2 — NAA

 

Que pedido extraordinário! “Que ele julgue o teu povo com justiça.” A autoridade não deveria existir simplesmente para produzir poder, riqueza ou privilégios. A autoridade deveria estar a serviço do bem, da justiça e da dignidade das pessoas.

 

E então surge uma pergunta inevitável: será que encontramos hoje governantes com essas características? Eu não conheço todos os governantes do mundo e não conheço a história de cada governo, mas basta olhar ao nosso redor para perceber uma realidade marcada por desigualdade, exploração dos mais pobres, guerras, violência e crianças sem perspectiva de futuro. Vemos pessoas dependendo de ajuda porque lhes faltam oportunidades de trabalho, educação e acesso adequado à saúde. Vemos famílias sofrendo, pessoas sendo humilhadas e comunidades inteiras vivendo sem as condições mínimas para uma vida digna.

É assim que o nosso mundo está. E, quando olho para tudo isso, vejo insegurança, medo, violência e desigualdade. Então surge uma pergunta que também precisa ser feita à igreja: onde estamos no meio de tudo isso? O que estamos fazendo quando lemos o Salmo 72?

 

Mais à frente, o salmista declara:

“Todos os reis se prostrem diante dele, e todas as nações o sirvam.” Salmo 72.11 — NAA

 

Essa declaração amplia o horizonte do salmo e nos conduz para uma esperança que vai muito além dos governos humanos. Ela aponta para o governo universal de Deus e encontra seu cumprimento pleno em Jesus Cristo, o Rei. O Novo Testamento apresenta Jesus como aquele que recebeu toda autoridade e cujo Reino alcançará todas as nações (Mateus 28.18-20).

É maravilhoso perceber como, no Salmo 72, Deus se importa com pessoas. Deus vê os necessitados. Deus olha para os aflitos. Deus não ignora aqueles que muitas vezes são invisíveis para a sociedade. O salmista continua:

“Porque ele livra os necessitados que pedem socorro e também os aflitos e aqueles que não têm quem os ajude. Ele se compadece dos fracos e dos necessitados e salva a alma dos que precisam de auxílio.” Salmo 72.12-13 — NAA

 

Que palavra poderosa! Deus se compadece dos fracos e dos necessitados.

 

E aqui precisamos olhar para nós mesmos. Muitas vezes, eu e você, que temos sido alcançados pela graça de Deus e que professamos seguir a Cristo, podemos fechar os olhos diante daquilo que acontece ao nosso redor. Podemos cruzar os braços diante da dor. Podemos pensar que cuidar dos necessitados é responsabilidade apenas de alguma instituição, de algum projeto social ou do ministério de ação social da igreja. Mas não podemos terceirizar a nossa missão.

Quando leio essa porção do Salmo 72, imediatamente sou conduzido a Jesus Cristo. E, ao olhar para Jesus, também encontro o cumprimento da esperança anunciada pelos profetas. Em Lucas 4, Jesus entra na sinagoga, lê o texto do profeta Isaías e aplica a si mesmo essa missão:

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e proclamar o ano aceitável do Senhor.” Lucas 4.18-19 — NAA

 

Jesus veio anunciar boas-novas aos pobres, liberdade aos cativos, restauração aos que sofrem e esperança aos oprimidos. Quando olhamos para Jesus, enxergamos o Reino de Deus sendo apresentado não apenas em palavras, mas em ações de misericórdia, justiça, compaixão e cuidado.

Por isso, quando leio o Salmo 72 e olho para Jesus Cristo, vejo o verdadeiro Rei. Um Rei que não governa para ser servido, mas que veio para servir. O próprio Jesus declarou:

“Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” Marcos 10.45 — NAA

 

É esse Rei que precisa governar o nosso coração. E, se Jesus governa a nossa vida, o cuidado com as pessoas não pode ser apenas um discurso. Precisa fazer parte da nossa maneira de viver. Por isso, quero deixar uma pergunta para você:

Como estamos tratando as pessoas que Deus colocou ao nosso redor?

Como você está olhando para aquela pessoa que está dormindo debaixo de uma marquise em uma noite fria? Como você está olhando para aquela família que não sabe o que vai colocar na mesa hoje? Como você está olhando para aquela criança que não tem acesso à educação necessária para construir um futuro? Como você está olhando para as pessoas que estão sofrendo?

Talvez alguém diga: “Pastor, eu contribuo com o Ministério de Ação Social da minha igreja.” Isso é importante e deve ser valorizado. Mas não podemos terceirizar a nossa missão. Eu e você temos um compromisso pessoal com o Senhor. Somos chamados a enxergar pessoas, aproximar-nos delas e fazer aquilo que estiver ao nosso alcance.

A Bíblia nos ensina:

“Não deixemos de fazer o bem a quem precisa, sempre que isso estiver ao nosso alcance.” Provérbios 3.27 — NAA

 

Nós não vamos conseguir resolver todos os problemas do mundo. Não conseguiremos acabar com todas as guerras, eliminar toda a desigualdade ou corrigir todas as injustiças. O Reino perfeito de Deus ainda será plenamente estabelecido. A nossa esperança definitiva está na volta de Cristo e no seu Reino eterno. Mas, enquanto aguardamos esse Reino, somos chamados a ser testemunhas do Rei aqui e agora.

Eu e você temos o Espírito Santo de Deus que habita em nós. Por isso, mesmo em meio a uma sociedade marcada por corrupção, injustiça, violência e desigualdade, somos chamados a fazer diferença. Não precisamos esperar ocupar uma posição de poder para começar a cuidar de pessoas. Podemos começar exatamente onde estamos.

O Salmo 72 nos lembra que o verdadeiro Rei se importa com os necessitados. E nós, como seguidores desse Rei, precisamos aprender a olhar para as pessoas com os olhos de Cristo.

Finalizando, chegamos ao versículo 18:

“Bendito seja o Senhor Deus, o Deus de Israel, o único que faz maravilhas!” Salmo 72.18 — NAA

 

Que declaração maravilhosa! O único que faz maravilhas.

Nós fomos alcançados por uma dessas maravilhas: a graça de Deus revelada em Jesus Cristo. Fomos alcançados pela misericórdia, pelo amor e pela salvação que não poderíamos conquistar por nossos próprios méritos.

Por isso, vivamos para Deus. Que o Rei governe primeiro o nosso coração. E que, sob o governo desse Rei, aprendamos a praticar a justiça, exercer misericórdia, cuidar dos necessitados e levar esperança a quem sofre.

 

O mundo precisa de justiça. Os vulneráveis precisam de cuidado. Os que sofrem precisam de esperança. E nós temos uma mensagem para anunciar: o verdadeiro Rei está vindo e o seu Reino será estabelecido em justiça.

 

Quando o Rei governa com justiça, os vulneráveis encontram esperança.

 

Que o seu dia seja muito abençoado.

 

Cláudio Eduardo M Costa

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