terça-feira, 15 de setembro de 2026

QUANDO DEUS PARECE DISTANTE... — SALMO 77

 


QUANDO DEUS PARECE DISTANTE...

SALMO 77

 

Você já passou por algum momento da vida em que orou ao Senhor, mas parecia que Deus não estava ouvindo? Você clamou, esperou por uma resposta, mas ela não veio. Talvez a dor e o sofrimento fossem tão grandes que você chegou a se sentir sozinho. É sobre isso — e muito mais — que quero conversar com você hoje, a partir do Salmo 77.

O Salmo 77 é atribuído a Asafe, que transforma em palavras a sua dor, o seu sofrimento e a sua angústia. Ele não tenta esconder aquilo que está sentindo. Pelo contrário, coloca tudo diante de Deus. E talvez essa seja uma das primeiras lições que encontramos neste Salmo: podemos levar a Deus aquilo que realmente estamos sentindo.

Logo nos primeiros versículos, percebemos a intensidade da experiência de Asafe. Ele diz:

“Elevo a Deus a minha voz e clamo; elevo a Deus a minha voz, para que me atenda. No dia da minha angústia, procuro o Senhor; à noite, estendo as mãos sem cessar; a minha alma não se consola.” Salmos 77.1-2 — NAA

Asafe está angustiado. Ele procura o Senhor, clama, estende as mãos e não encontra consolo naquele momento. Observe que o texto não afirma que Deus o havia abandonado. Asafe estava vivendo a sensação de abandono. A dor era tão intensa que parecia ocupar todo o espaço da sua experiência.

Existem momentos assim em nossa caminhada. A dor pode parecer maior do que a nossa fé. O sofrimento pode falar tão alto que temos dificuldade de perceber a presença de Deus. Podemos continuar acreditando em Deus e, ao mesmo tempo, atravessar momentos de profunda angústia.

Asafe não esconde suas perguntas. No versículo 7, ele continua verbalizando aquilo que está dentro do seu coração:

“Será que o Senhor rejeitará para sempre? Será que nunca mais tornará a ser favorável?” Salmos 77.7 — NAA

São perguntas difíceis. Mas elas mostram que Asafe está lutando com aquilo que sente e, ao mesmo tempo, continua buscando Deus. Ele não abandona o Senhor; ele leva suas perguntas para a presença do Senhor.

E então acontece uma mudança importante na narrativa. Asafe decide olhar para trás. Em vez de permanecer contemplando apenas a sua dor e o seu sofrimento, ele começa a recordar quem Deus é e aquilo que Deus já fez.

No versículo 11, encontramos uma das declarações mais importantes de todo o Salmo:

“Recordarei os feitos do Senhor; sim, eu me lembrarei das tuas maravilhas da antiguidade.” Salmos 77.11 — NAA

Perceba a mudança de perspectiva. No início do Salmo, Asafe olha para a sua dor. Agora, ele começa a olhar para Deus, para aquilo que Deus é e para aquilo que Deus já fez.

Ele está dizendo, em outras palavras: “Eu expressei a minha dor. Eu coloquei diante de Deus aquilo que estou sentindo. Mas Deus continua sendo Deus. O Senhor continua sendo o Senhor.”

Essa é uma verdade que precisamos guardar no coração: as nossas circunstâncias podem mudar, os nossos sentimentos podem oscilar e algumas respostas podem demorar, mas Deus continua sendo Deus.

Quando olhamos para essa realidade à luz de Jesus, encontramos uma conexão ainda mais profunda. Jesus também passou por momentos de intensa angústia. No Getsêmani, diante do sofrimento que estava por vir, Ele orou ao Pai. Marcos registra:

“Aba, Pai, tudo é possível para ti; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres.” Marcos 14.36 — NAA

Na cruz, Jesus experimentou sofrimento, humilhação e uma dor que não podemos minimizar. Ele chegou a clamar:

“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Marcos 15.34 — NAA

O sofrimento de Jesus foi real. A agonia do Getsêmani foi real. A dor da cruz foi real. A humilhação foi real. Mas aquilo que parecia derrota não era o fim da história.

A ressurreição transformou aquilo que parecia ser o fim em uma grande vitória.

Essa é a esperança que temos em Cristo. Nem sempre conseguimos compreender aquilo que Deus está fazendo enquanto atravessamos o sofrimento. Às vezes, enxergamos apenas a dor, enquanto Deus continua trabalhando em uma dimensão que não conseguimos perceber.

Por isso, se hoje você está passando por um momento difícil, quero lembrar você de uma promessa de Jesus:

“E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos.” Mateus 28.20 — NAA

Jesus não prometeu que nunca passaríamos por dificuldades. Ele prometeu que estaria conosco todos os dias.

Talvez hoje você esteja vivendo o seu próprio Salmo 77. Você está cansado de esperar. Está orando e não consegue enxergar uma resposta. Está perguntando: “Deus, até quando?”

Então, continue clamando. Continue conversando com Deus. Coloque suas dores diante do Pai. Não tenha medo de apresentar a Ele aquilo que está dentro do seu coração. Mas faça também como Asafe: lembre-se dos feitos do Senhor.

Não olhe somente para aquilo que Deus ainda não fez. Lembre-se também daquilo que Ele já fez. Recorde a fidelidade de Deus. Recorde as suas misericórdias. Recorde as vezes em que Ele sustentou você quando você pensava que não conseguiria continuar.

A nossa fé não significa ausência de perguntas. Fé também significa continuar buscando Deus quando ainda não temos as respostas.

E talvez essa seja a grande lição do Salmo 77 para a nossa caminhada:

Quando não entendemos o que Deus está fazendo, podemos continuar confiando em quem Deus é.

Vou repetir:

Quando não entendemos o que Deus está fazendo, podemos continuar confiando em quem Deus é.

Se hoje Deus parece distante, não desista de procurá-lo. Continue clamando. Continue orando. Continue caminhando. O silêncio não significa ausência. Deus continua presente.

Que Deus abençoe ricamente o seu dia e que você possa desfrutar da companhia do Senhor, mesmo nos dias difíceis.

 

Fique com Deus!

 

Cláudio Eduardo M Costa

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