QUANDO DEUS PARECE DISTANTE...
SALMO 77
Você
já passou por algum momento da vida em que orou ao Senhor, mas parecia que Deus
não estava ouvindo? Você clamou, esperou por uma resposta, mas ela não veio.
Talvez a dor e o sofrimento fossem tão grandes que você chegou a se sentir
sozinho. É sobre isso — e muito mais — que quero conversar com você hoje, a
partir do Salmo 77.
O
Salmo 77 é atribuído a Asafe, que transforma em palavras a sua dor, o
seu sofrimento e a sua angústia. Ele não tenta esconder aquilo que está
sentindo. Pelo contrário, coloca tudo diante de Deus. E talvez essa seja uma
das primeiras lições que encontramos neste Salmo: podemos levar a Deus
aquilo que realmente estamos sentindo.
Logo
nos primeiros versículos, percebemos a intensidade da experiência de Asafe. Ele
diz:
“Elevo
a Deus a minha voz e clamo; elevo a Deus a minha voz, para que me atenda. No
dia da minha angústia, procuro o Senhor; à noite, estendo as mãos sem cessar; a
minha alma não se consola.” Salmos 77.1-2 — NAA
Asafe
está angustiado. Ele procura o Senhor, clama, estende as mãos e não encontra
consolo naquele momento. Observe que o texto não afirma que Deus o havia
abandonado. Asafe estava vivendo a sensação de abandono. A dor era tão
intensa que parecia ocupar todo o espaço da sua experiência.
Existem
momentos assim em nossa caminhada. A dor pode parecer maior do que a nossa fé.
O sofrimento pode falar tão alto que temos dificuldade de perceber a presença
de Deus. Podemos continuar acreditando em Deus e, ao mesmo tempo, atravessar
momentos de profunda angústia.
Asafe
não esconde suas perguntas. No versículo 7, ele continua verbalizando aquilo
que está dentro do seu coração:
“Será
que o Senhor rejeitará para sempre? Será que nunca mais tornará a ser
favorável?” Salmos 77.7 — NAA
São
perguntas difíceis. Mas elas mostram que Asafe está lutando com aquilo que
sente e, ao mesmo tempo, continua buscando Deus. Ele não abandona o Senhor; ele
leva suas perguntas para a presença do Senhor.
E
então acontece uma mudança importante na narrativa. Asafe decide olhar para
trás. Em vez de permanecer contemplando apenas a sua dor e o seu sofrimento,
ele começa a recordar quem Deus é e aquilo que Deus já fez.
No
versículo 11, encontramos uma das declarações mais importantes de todo o Salmo:
“Recordarei
os feitos do Senhor; sim, eu me lembrarei das tuas maravilhas da antiguidade.” Salmos
77.11 — NAA
Perceba
a mudança de perspectiva. No início do Salmo, Asafe olha para a sua dor. Agora,
ele começa a olhar para Deus, para aquilo que Deus é e para aquilo que Deus já
fez.
Ele
está dizendo, em outras palavras: “Eu expressei a minha dor. Eu coloquei diante
de Deus aquilo que estou sentindo. Mas Deus continua sendo Deus. O Senhor
continua sendo o Senhor.”
Essa
é uma verdade que precisamos guardar no coração: as nossas circunstâncias
podem mudar, os nossos sentimentos podem oscilar e algumas respostas podem
demorar, mas Deus continua sendo Deus.
Quando
olhamos para essa realidade à luz de Jesus, encontramos uma conexão ainda mais
profunda. Jesus também passou por momentos de intensa angústia. No Getsêmani,
diante do sofrimento que estava por vir, Ele orou ao Pai. Marcos registra:
“Aba,
Pai, tudo é possível para ti; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que
eu quero, e sim o que tu queres.” Marcos 14.36 — NAA
Na
cruz, Jesus experimentou sofrimento, humilhação e uma dor que não podemos
minimizar. Ele chegou a clamar:
“Deus
meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Marcos 15.34 — NAA
O
sofrimento de Jesus foi real. A agonia do Getsêmani foi real. A dor da cruz foi
real. A humilhação foi real. Mas aquilo que parecia derrota não era o fim da
história.
A
ressurreição transformou aquilo que parecia ser o fim em uma grande vitória.
Essa
é a esperança que temos em Cristo. Nem sempre conseguimos compreender aquilo
que Deus está fazendo enquanto atravessamos o sofrimento. Às vezes, enxergamos
apenas a dor, enquanto Deus continua trabalhando em uma dimensão que não
conseguimos perceber.
Por
isso, se hoje você está passando por um momento difícil, quero lembrar você de
uma promessa de Jesus:
“E eis
que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos.” Mateus
28.20 — NAA
Jesus
não prometeu que nunca passaríamos por dificuldades. Ele prometeu que estaria
conosco todos os dias.
Talvez
hoje você esteja vivendo o seu próprio Salmo 77. Você está cansado de esperar.
Está orando e não consegue enxergar uma resposta. Está perguntando: “Deus, até
quando?”
Então,
continue clamando. Continue conversando com Deus. Coloque suas dores diante do
Pai. Não tenha medo de apresentar a Ele aquilo que está dentro do seu coração.
Mas faça também como Asafe: lembre-se dos feitos do Senhor.
Não
olhe somente para aquilo que Deus ainda não fez. Lembre-se também daquilo que
Ele já fez. Recorde a fidelidade de Deus. Recorde as suas misericórdias.
Recorde as vezes em que Ele sustentou você quando você pensava que não
conseguiria continuar.
A
nossa fé não significa ausência de perguntas. Fé também significa continuar
buscando Deus quando ainda não temos as respostas.
E
talvez essa seja a grande lição do Salmo 77 para a nossa caminhada:
Quando
não entendemos o que Deus está fazendo, podemos continuar confiando em quem
Deus é.
Vou
repetir:
Quando
não entendemos o que Deus está fazendo, podemos continuar confiando em quem
Deus é.
Se
hoje Deus parece distante, não desista de procurá-lo. Continue clamando.
Continue orando. Continue caminhando. O silêncio não significa ausência. Deus
continua presente.
Que
Deus abençoe ricamente o seu dia e que você possa desfrutar da companhia do
Senhor, mesmo nos dias difíceis.
Fique
com Deus!
Cláudio
Eduardo M Costa
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