quinta-feira, 13 de agosto de 2026

— QUANDO DEUS PARECE SILENCIOSO... - SALMO 44 - - - - — WHEN GOD SEEMS SILENT... — PSALM 44 — - - - - — CUANDO DIOS PARECE SILENCIOSO... - SALMO 44 -



— QUANDO DEUS PARECE SILENCIOSO...

SALMO 44

 

Sabe aquele momento em que você faz tudo certo e, no final, parece que tudo dá errado? Ou aquele momento em que você está mantendo a sua intimidade com Deus, vivendo a sua fé, cumprindo os seus compromissos e procurando obedecer ao Senhor, mas, no final das contas, sente-se abandonado e desamparado por ele?

Se você já se sentiu assim, saiba de uma coisa: você não é a única pessoa a passar por esse tipo de experiência. Muitas vezes, em nossa caminhada, cercados por tantas injustiças e por tanta maldade neste mundo, podemos nos sentir abandonados pelo Senhor. Sentimos dores, sofremos, enfrentamos doenças, somos traídos, passamos por perdas e decepções. Mesmo assim, quero dizer a você: Deus continua olhando por nós. Deus continua presente. Deus continua fazendo diferença em nossa vida.

Hoje estamos lendo o Salmo 44, dentro da nossa caminhada dos 150 Dias Lendo o Livro de Salmos. Tem sido uma oportunidade maravilhosa de, a cada salmo, crescermos em nossa intimidade com Deus. A cada leitura, encontramos pessoas como eu e você, que abrem o coração diante do Senhor, contam suas dores, seus sofrimentos e, ao mesmo tempo, declaram sua esperança, sua fé e sua confiança.

O Salmo 44 é uma oração comunitária. O texto apresenta um povo atravessando um momento de dor. Não era apenas uma pessoa sofrendo. Era o povo de Israel enfrentando uma situação de sofrimento, humilhação, rejeição e derrota. É como se o povo estivesse dizendo: “Senhor, nós não nos esquecemos de ti. Estamos procurando fazer aquilo que o Senhor nos mandou. Então, por que estamos sofrendo?”

Eles estavam sendo humilhados, rejeitados e enfrentando derrotas. Pessoas poderiam olhar para eles e perguntar:

“Onde está o Deus de vocês?” E agora, como lidar com tudo isso?

Quando leio esse salmo, percebo algo muito importante: não é pecado dizer a Deus o que estamos sentindo. Pelo contrário. Deus conhece o nosso coração. Ele sabe das nossas dores, dos nossos medos, das nossas angústias e das nossas dúvidas. O Senhor deseja que tenhamos intimidade suficiente para falar com ele com sinceridade, apresentando não apenas o nosso louvor e a nossa adoração, mas também aquilo que está doendo dentro de nós.

Deus deseja relacionamento. Deus deseja verdade. Deus deseja intimidade.

O salmista apresenta um povo que conhece a história de Deus.

Eles sabem quem Deus é e sabem aquilo que ele já havia realizado. Eles se lembram das obras do Senhor. Deus havia conduzido o seu povo, dado vitórias, protegido, ensinado e cuidado.

O povo conhecia a história da ação de Deus em seu favor. E agora surge aquela pergunta tão humana: “E agora, Senhor?” Por que estamos passando por tudo isso? Essa pergunta não demonstra necessariamente falta de fé. Ela pode revelar justamente a existência de um relacionamento.

Quando temos intimidade com alguém, conseguimos abrir o coração e dizer aquilo que estamos sentindo. E essa é uma das grandes riquezas dos Salmos. Eles nos ensinam que podemos conversar com Deus sobre tudo. O mesmo Deus que conduziu o seu povo no passado continua sendo Deus no presente. O mesmo Deus que cuidou ontem continua cuidando hoje.

O Salmo 44 apresenta uma declaração muito forte: “Mas, por amor de ti, somos entregues à morte continuamente, somos considerados como ovelhas para o matadouro.” (Salmo 44.22 — NAA). Quando leio esse versículo, percebo o quanto os Salmos continuam falando conosco e também como suas palavras aparecem posteriormente no Novo Testamento. O apóstolo Paulo, escrevendo aos cristãos de Roma, retoma exatamente essa passagem: “Como está escrito: ‘Por amor de ti, somos entregues continuamente à morte; fomos considerados como ovelhas para o matadouro.’” (Romanos 8.36 — NAA). É impressionante perceber essa conexão.

Paulo está dizendo à Igreja que o sofrimento não era uma novidade para o povo de Deus. Os seguidores de Cristo também poderiam enfrentar dificuldades, perseguições e sofrimento.

Mas Paulo não termina nesse versículo. E isso é fundamental. Depois de apresentar a realidade do sofrimento, ele apresenta a realidade da vitória. Primeiro, ele pergunta: “Quem nos separará do amor de Cristo?” (Romanos 8.35 — NAA). E, depois, declara: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.” (Romanos 8.37 — NAA). Que declaração poderosa! O sofrimento existe. A dor existe. A perseguição existe. As perdas existem. Mas nenhuma dessas coisas tem poder para nos separar do amor de Cristo.

Quando olhamos para os Salmos à luz do Novo Testamento, encontramos Jesus. Jesus conheceu o sofrimento. Conheceu a rejeição. Conheceu a injustiça. Conheceu a solidão. Conheceu a cruz. Isaías já havia anunciado que o Servo do Senhor seria levado como uma ovelha ao matadouro: “Como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda diante dos seus tosquiadores, ele não abriu a boca.” (Isaías 53.7 — NAA). João Batista, ao reconhecer Jesus, declarou: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1.29 — NAA).

Jesus não foi abandonado pelo Pai porque sofreu. Sua cruz fazia parte da missão que havia recebido. E a cruz não foi o fim. Depois da cruz veio a ressurreição. Por isso, quando olhamos para Jesus, compreendemos que sofrimento não significa necessariamente abandono de Deus. Ser como uma ovelha conduzida ao matadouro não significa estar fora do cuidado do Senhor. Podemos atravessar momentos difíceis e, ainda assim, continuar debaixo da graça, do cuidado e do amor de Deus.

Talvez você esteja vivendo exatamente isso hoje. Você está orando. Está tentando fazer a coisa certa. Está procurando obedecer a Deus. Está confiando no Senhor. Mas não consegue entender o que está acontecendo. Nesse momento, abra o seu coração diante de Deus. Fale com ele. Chore diante dele. Apresente sua dor. Mas não deixe de confiar.

O Salmo 44 nos mostra pessoas que sofrem, choram, têm medo e enfrentam dificuldades, mas continuam buscando a presença do Senhor. Isso também é fé. Fé não significa fingir que está tudo bem. Fé significa continuar confiando em Deus mesmo quando não conseguimos compreender todas as coisas.

Por isso, se hoje você está passando por um momento difícil, lembre-se: Deus não nos desampara. Deus não nos abandona. Olhe para Jesus. Ele conhece o sofrimento. Ele conhece a rejeição. Ele conhece a cruz. Mas, acima de tudo, ele venceu a morte para nos dar a certeza da vida eterna.

A continuidade do Salmo 44 encontra uma resposta poderosa em Romanos 8. Paulo reconhece o sofrimento, mas não permite que o sofrimento seja a palavra final. Ele olha para Cristo e declara: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.” (Romanos 8.37 — NAA). Essa é a nossa esperança. Não somos vencedores porque nunca sofremos. Não somos vencedores porque nunca choramos. Não somos vencedores porque tudo sempre acontece como desejamos. Somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou.

Cristo é a nossa vitória. Cristo é a nossa esperança. Cristo é aquele que permanece conosco quando não entendemos o caminho. Por isso, se hoje você está atravessando um momento de dor, não conclua que Deus se esqueceu de você. Talvez você não esteja entendendo o que está acontecendo. Talvez Deus pareça silencioso. Mas o silêncio de Deus não significa a ausência de Deus.

Continue orando. Continue confiando. Continue caminhando. Continue olhando para Jesus. Porque a dor faz parte da caminhada, mas a dor não tem a palavra final. A palavra final está em Cristo. E, em Cristo, podemos declarar: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.” (Romanos 8.37 — NAA).

Que Deus abençoe o seu dia.

 

Cláudio Eduardo M Costa
Pastor,

Humanizando Compaixão
150 Dias Lendo o Livro de Salmos


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