NÃO BASTA PARECER, TEM QUE
SER!
MENOS RELIGIOSIDADE, MAIS
INTIMIDADE COM DEUS!
SALMO 50
Você já percebeu que uma pessoa pode estar em
um ambiente de adoração, louvor e exaltação ao nome de Deus, cantar, orar,
participar das atividades da igreja e, mesmo assim, estar completamente
distante de Deus? É sobre isso que quero conversar com você hoje: mais
intimidade com Deus e menos religiosidade. E, quando começamos a pensar
sobre isso, chegamos ao Salmo 50.
Já percorremos um terço da nossa caminhada de 150
Dias Lendo o Livro de Salmos. Já lemos, refletimos e conversamos sobre
cinquenta salmos. E, neste 50º dia, quero fazer uma pergunta muito pessoal: como
está a sua intimidade com Deus? Como você tem caminhado com o Senhor?
O Salmo 50 nos leva a compreender que Deus não
está interessado apenas em sacrifícios, ofertas ou práticas religiosas. Antes
de qualquer sacrifício oferecido a Deus, existe uma vida que precisa estar
consagrada a Ele, um coração que precisa estar diante da sua presença. Quando
leio o Salmo 50, imediatamente me lembro de Romanos 12.1-2, quando Paulo nos
apresenta a vida cristã como uma entrega completa a Deus:
“Portanto, irmãos, pelas misericórdias de Deus,
peço que ofereçam o corpo de vocês como sacrifício vivo, santo e agradável a
Deus, que é o culto racional de vocês. E não vivam conforme os padrões deste
mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente, para que
possam experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Romanos
12.1-2 — NAA
Não adianta colocar coisas no altar do Senhor
se não estamos dispostos a colocar a própria vida. Não adianta oferecer aquilo
que temos e continuar mantendo o coração distante. Deus deseja uma vida
entregue, um coração disponível e uma caminhada verdadeira com Ele.
O Salmo 50 fala, portanto, de relacionamento
e intimidade com Deus. Não basta conhecer doutrinas, conhecer os ritos
religiosos ou manter determinados costumes. É preciso conhecer o próprio Deus e
caminhar com Ele. E vou repetir essa palavra várias vezes: intimidade.
Porque podemos desenvolver uma aparência religiosa e, ao mesmo tempo, manter o
coração distante do Senhor.
O problema enfrentado no Salmo 50, no contexto
do povo de Israel, não era simplesmente a existência dos sacrifícios. O próprio
Deus havia estabelecido o sistema sacrificial. O problema era quando os
sacrifícios se transformavam em uma prática exterior, enquanto o coração
permanecia distante. O salmo é atribuído a Asafe, um importante músico e
líder de louvor em Israel, associado ao ministério de música no período de Davi
e à adoração no templo (1Crônicas 16.5; 1Crônicas 25.1-2).
Deus confronta a ideia de que Ele dependeria
das ofertas do seu povo. Afinal, tudo pertence a Ele. O Senhor declara:
“Ofereça a Deus sacrifício de ações de graças e
cumpra os seus votos para com o Altíssimo.” Salmo 50.14 — NAA
Perceba a profundidade dessa afirmação. Deus
não está simplesmente pedindo mais uma cerimônia. Ele está chamando o seu povo
para uma vida de gratidão e compromisso.
Ações de graças significam
reconhecer que tudo o que temos e somos depende da graça de Deus. É compreender
que Deus tem cuidado de nós por sua misericórdia, graça e amor. Gratidão não é
apenas dizer “obrigado, Senhor”; é reconhecer, com a própria vida, que tudo vem
dele.
E o salmo continua com uma das declarações mais
bonitas desse texto:
“Invoque-me no dia da angústia; eu o livrarei,
e você me glorificará.” Salmo 50.15 — NAA
Aqui encontramos um convite à intimidade. Invocar
o Senhor é conversar com Deus. É abrir o coração diante dele. É dizer ao
Senhor aquilo que não estamos entendendo, falar sobre aquilo que está doendo,
pedir direção quando não sabemos qual caminho seguir e clamar quando estamos
atravessando dias de angústia.
Deus não está dizendo: “No dia da angústia,
esconda-se atrás da religiosidade.” Ele diz: “Invoque-me.” Converse
comigo. Clame a mim. Dependa de mim. E eu o livrarei, e você me glorificará.
Isso muda completamente a nossa compreensão da
fé. Intimidade com Deus não significa ausência de angústia. Significa que, mesmo
na angústia, sabemos a quem podemos recorrer.
Quando chegamos ao Novo Testamento e olhamos
para Jesus Cristo, encontramos o Senhor confrontando repetidamente uma
religiosidade vazia. Jesus não condenava a Lei de Deus; ele confrontava uma
espiritualidade de aparência, na qual as pessoas conheciam as regras, mas
haviam perdido o coração daquilo que Deus desejava.
Em Mateus 23.27, Jesus diz aos escribas e
fariseus:
“Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas,
porque vocês são semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora se mostram
belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda impureza!” Mateus
23.27 — NAA
Que imagem forte! Por fora, tudo bonito. Por
dentro, morte.
E aqui está uma pergunta que precisa alcançar o
nosso coração: estou vivendo uma fé de aparência ou uma fé de intimidade com
Deus?
As minhas atitudes demonstram que conheço o
Senhor?
A maneira como trato as pessoas revela que
estou caminhando com Cristo?
Minha vida demonstra aquilo que meus lábios
professam?
Existe coerência entre o que digo na igreja e
aquilo que vivo quando ninguém está olhando?
O Salmo 50 nos chama para uma vida verdadeira
diante de Deus. Uma vida de gratidão, compromisso, obediência e intimidade.
E o salmo termina com um alerta muito sério,
mas também com uma promessa maravilhosa:
“Considerem, pois, nisto, vocês que se esquecem
de Deus, para que eu não os despedace, sem haver quem os livre. Aquele que me
oferece sacrifício de ações de graças, esse me glorificará; e ao que prepara o
seu caminho, farei com que veja a salvação de Deus.” Salmo
50.22-23 — NAA
Observe a expressão: “vocês que se esquecem
de Deus”.
É possível estar dentro de um ambiente
religioso e, mesmo assim, esquecer-se de Deus. Podemos falar muito sobre
igreja, sobre pessoas, sobre atividades, sobre programas, sobre doutrina e até
sobre ministério, mas Deus pode acabar ficando do lado de fora da nossa própria
experiência religiosa.
Podemos conhecer uma linguagem religiosa.
Podemos usar expressões religiosas. Podemos participar de cultos e atividades.
Podemos até conhecer muitos textos bíblicos. Mas a pergunta continua sendo: existe
intimidade com Deus?
É exatamente aqui que Jesus Cristo entra no
centro da nossa caminhada.
Em Jesus encontramos a verdadeira salvação. Em
Jesus encontramos o caminho para uma adoração verdadeira. Em Jesus encontramos
acesso ao Pai e somos chamados para uma vida de relacionamento com Deus.
Voltemos juntos à cruz. Quando Jesus entregou
sua vida e declarou “Está consumado!”, o véu do templo se rasgou de alto
a baixo (Mateus 27.50-51). Aquilo apontava para uma realidade extraordinária:
por meio da obra de Cristo, temos acesso à presença de Deus.
Hebreus 10.19-22 explica essa nova realidade:
“Portanto, meus irmãos, tendo ousadia para
entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos
abriu pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa
de Deus, aproximemo-nos com um coração sincero, em plena certeza de fé...” Hebreus
10.19-22 — NAA
E Paulo afirma:
“Porque há um só Deus e um só Mediador entre
Deus e a humanidade, Cristo Jesus, homem.” 1Timóteo 2.5 — NAA
Que privilégio! Em Cristo, podemos nos
aproximar de Deus. Não precisamos viver escondidos atrás de uma
religiosidade de aparência. Podemos chegar diante do Pai com um coração
sincero.
Por isso, quero terminar fazendo algumas
perguntas bem simples, mas profundamente importantes.
Você já conversou com o Pai hoje?
Você já disse a Ele como está o seu coração?
Já contou a Deus aquilo que ninguém mais sabe?
Já pediu direção?
Já pediu perdão?
Já pediu forças para obedecer?
Já pediu ao Senhor que aumente a sua intimidade
com Ele?
Talvez hoje seja o momento de parar por alguns
minutos e simplesmente conversar com Deus.
Não apenas fazer uma oração decorada. Não
apenas cumprir uma obrigação religiosa. Converse com o Pai.
O Salmo 50 nos lembra que Deus não quer apenas
a nossa aparência religiosa. Ele deseja o nosso coração.
Não basta parecer. Tem que ser!
Menos religiosidade.
Mais intimidade.
Menos aparência.
Mais verdade.
Menos ritual vazio.
Mais relacionamento com Deus.
Menos palavras sobre Deus.
Mais caminhada com Deus.
Que a nossa fé não seja apenas algo que as
pessoas veem, mas uma realidade que Deus conhece.
Viva na presença de Deus. Caminhe com Deus.
Conheça a Deus. E permita que a sua vida revele que você realmente pertence a
Ele.
Que Deus abençoe muito a sua vida.
Cláudio
Eduardo M Costa
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