É VERDADE? É NECESSÁRIO? VAI EDIFICAR?
SALMO
52
Você já recebeu uma informação sobre alguém e
ficou com vontade de contar para outra pessoa?
Talvez você não tenha visto o fato acontecer.
Talvez tenha apenas ouvido alguém contar. Mas, mesmo que a informação seja
verdadeira, ainda precisamos fazer três perguntas antes de falar:
É
verdade?
É necessário?
Vai edificar?
Essa é a reflexão que encontramos no Salmo 52.
Davi nos apresenta uma mensagem muito séria sobre o poder destrutivo da
mentira, da calúnia, da fofoca e do uso irresponsável das palavras.
Vivemos em uma época em que a fofoca muitas
vezes recebe outros nomes: fake news, “informação”, “opinião”,
“comentário”, “meia verdade” ou simplesmente “eu só estou contando o que ouvi”.
Mas uma pergunta continua sendo necessária: o
que estou prestes a falar vai abençoar ou destruir?
A Bíblia nos ensina que precisamos ter cuidado
com aquilo que sai da nossa boca.
UMA
HISTÓRIA MARCADA PELO PODER DE UMA INFORMAÇÃO
O Salmo 52 apresenta como pano de fundo uma
situação envolvendo Davi, Saul, o sacerdote Aimeleque e Doegue, o edomita.
Davi estava fugindo de Saul e foi até Nobe,
onde encontrou Aimeleque, sacerdote do Senhor. Ali, recebeu alimento e a espada
de Golias.
Doegue, que estava naquele lugar, viu o que
havia acontecido e posteriormente contou a Saul que Aimeleque havia ajudado
Davi. A informação foi usada por Saul para acusar os sacerdotes de conspiração.
O resultado foi trágico.
Saul ordenou que os sacerdotes fossem mortos, e
Doegue executou a ordem. Segundo 1 Samuel 22:18 (NAA), naquele dia foram
mortos oitenta e cinco homens que vestiam estola sacerdotal de linho. A
cidade de Nobe também foi atacada. (SBB)
Que tragédia!
Uma informação transmitida com intenção
perversa produziu consequências terríveis.
Por isso, precisamos entender que palavras
não são inofensivas.
Uma
fofoca pode destruir uma reputação.
Uma mentira pode destruir um relacionamento.
Uma acusação pode destruir uma família.
Uma informação irresponsavelmente compartilhada pode provocar consequências que
jamais poderemos reparar.
A
LÍNGUA PODE SER COMO UMA NAVALHA
Davi utiliza uma imagem muito forte no Salmo
52.
Em Salmo 52:2 (NAA), ele descreve a
língua como uma “navalha afiada”, associando-a a planos de destruição e
engano.
A imagem é poderosa.
Uma navalha corta.
Uma navalha pode ferir.
Uma navalha pode destruir.
Da mesma maneira, palavras usadas de maneira
irresponsável podem cortar profundamente a vida de uma pessoa.
É por isso que precisamos pensar antes de
falar.
PRIMEIRA
PERGUNTA: É VERDADE?
A
primeira pergunta é:
É
verdade?
Vivemos
em uma época de velocidade. Uma mensagem chega pelo WhatsApp, alguém encaminha,
outra pessoa compartilha e, em poucos minutos, uma informação pode alcançar
centenas ou milhares de pessoas.
Mas
quem verificou?
Quem
ouviu os dois lados?
Quem
confirmou?
Quem
conhece todos os fatos?
A
Bíblia nos alerta em Provérbios 18:13 (NAA):
“Responder
antes de ouvir é tolice e vergonha.”
Precisamos
aprender a ouvir antes de falar.
Precisamos
aprender a verificar antes de compartilhar.
Precisamos
aprender a buscar a verdade antes de espalhar uma informação.
A
própria Escritura nos ensina, em Efésios 4:25 (NAA), a abandonar a
mentira e falar a verdade com o nosso próximo.
Jesus
também ensina que o diabo é mentiroso e é chamado de “pai da mentira” em
João 8:44.
Portanto,
quando recebemos uma informação, especialmente sobre outra pessoa, precisamos
parar e perguntar:
É
verdade?
Não
basta ter ouvido.
Não
basta alguém ter contado.
Não
basta estar circulando nas redes sociais.
Antes
de falar, precisamos buscar a verdade.
SEGUNDA
PERGUNTA: É NECESSÁRIO?
Depois de perguntar se é verdade, precisamos
fazer uma segunda pergunta:
É necessário?
Eu realmente preciso falar sobre isso?
Preciso transmitir essa informação para outra
pessoa?
Preciso expor a vida de alguém?
Preciso comentar sobre uma situação que não diz
respeito a mim?
Preciso compartilhar uma história que pode
constranger ou humilhar alguém?
Nem tudo o que sabemos precisa ser contado.
Nem tudo o que ouvimos precisa ser
compartilhado.
Nem toda informação verdadeira precisa ser
publicada.
Existe uma diferença enorme entre ter
conhecimento de alguma coisa e ter autorização ou necessidade de falar
sobre aquilo.
Precisamos aprender a guardar silêncio quando o
silêncio é mais sábio do que a fala.
A Palavra de Deus diz em Provérbios 11:13
(NAA) que quem encobre o que lhe foi confiado é digno de confiança,
enquanto aquele que espalha a calúnia revela segredos.
Isso nos ensina algo muito importante: a
maturidade também aparece naquilo que escolhemos não falar.
TERCEIRA
PERGUNTA: VAI EDIFICAR?
Depois de perguntar se é verdade e se é
necessário, precisamos fazer uma terceira pergunta:
Vai edificar?
Essa informação vai acrescentar alguma coisa à
vida de alguém?
Vai ajudar?
Vai restaurar?
Vai orientar?
Vai proteger?
Vai aproximar?
Vai produzir graça?
Ou simplesmente vai alimentar a curiosidade, a
exposição e a destruição?
O apóstolo Paulo nos dá uma orientação muito
clara em Efésios 4:29 (NAA):
“Não saia da boca de vocês nenhuma palavra
suja, mas unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e,
assim, transmita graça aos que ouvem.”
Observe as palavras: edificação, necessidade
e graça.
Nossa fala deve ter propósito.
Nossa fala deve produzir edificação.
Nossa fala deve transmitir graça.
Isso significa que precisamos pensar não apenas
se aquilo é verdade, mas também o que essa verdade produzirá quando
for dita.
NEM
TODA VERDADE PRECISA SER DITA
Essa
talvez seja uma das maiores lições dessa reflexão.
Nem
toda verdade precisa ser dita.
Nem
toda verdade precisa ser publicada.
Nem
toda verdade precisa ser compartilhada.
Nem
toda verdade precisa ser comentada.
Existem
verdades que precisam ser tratadas com amor, cuidado, sabedoria e, muitas
vezes, em particular.
Jesus
ensinou exatamente isso quando falou sobre o relacionamento entre irmãos.
Em
Mateus 18:15 (NAA), Jesus diz:
“Se
o seu irmão pecar contra você, vá e repreenda-o em particular.”
Observe
a ordem ensinada por Jesus.
Primeiro,
em particular.
Se
a pessoa ouvir, o relacionamento é restaurado.
Se
não ouvir, Jesus orienta que sejam levadas uma ou duas pessoas.
Somente
depois, caso necessário, a questão deve ser apresentada à igreja.
Jesus
estabelece um caminho de restauração, e não um caminho de fofoca.
Quantas
vezes acontece justamente o contrário?
Alguém
percebe um erro de outra pessoa e, em vez de conversar diretamente com ela,
corre para o líder.
Corre
para o pastor.
Corre
para os amigos.
Conta
para outras pessoas.
Espalha
a história.
E
aquilo que deveria ser uma conversa para restauração transforma-se em uma rede
de comentários.
Isso
não é o caminho ensinado por Jesus.
O
objetivo não é destruir o irmão. É ganhar o irmão.
A BOCA
REVELA O QUE ESTÁ NO CORAÇÃO
Em
Mateus 12:34 (NAA), Jesus faz uma afirmação muito profunda: “Porque a
boca fala do que está cheio o coração.”
Essa
palavra nos leva para além do problema da fala.
Ela nos
leva para dentro do coração.
Porque
a questão não é apenas:
O que
estou falando?
Mas
também:
O que
está enchendo o meu coração?
Se meu
coração está cheio de amargura, minha boca provavelmente revelará amargura.
Se meu
coração está cheio de inveja, minhas palavras poderão revelar inveja.
Se meu
coração está cheio de ressentimento, minha fala poderá ferir.
Mas se
meu coração está cheio da graça de Deus, minhas palavras poderão transmitir
graça.
Por
isso, talvez a pergunta mais profunda seja:
Do que
está cheio o meu coração?
CUIDADO
COM A FOFOCA
O
Salmo 52 nos chama a uma postura diferente.
Precisamos
fugir da fofoca.
Precisamos
rejeitar a mentira.
Precisamos
abandonar a calúnia.
Precisamos
ter cuidado com aquilo que compartilhamos.
Precisamos
usar nossas palavras para abençoar.
A
tecnologia tornou nossa responsabilidade ainda maior.
Hoje
podemos destruir uma reputação com uma postagem.
Podemos
espalhar uma mentira com um simples toque na tela.
Podemos
compartilhar um áudio sem verificar sua origem.
Podemos
comentar sobre a vida de alguém sem sequer conhecer toda a história.
Por
isso, antes de apertar o botão “enviar”, precisamos apertar o botão da
consciência.
É
verdade?
É
necessário?
Vai
edificar?
DAVI
ESCOLHE CONFIAR EM DEUS
Apesar
de toda a maldade apresentada no Salmo 52, Davi não termina sua reflexão
olhando para o poder destrutivo do homem.
Ele
termina olhando para Deus.
Em Salmo
52:8-9 (NAA), Davi afirma que é como “a oliveira verde na Casa de Deus”
e declara sua confiança na misericórdia do Senhor para sempre.
Essa é
uma decisão espiritual.
Davi
escolhe confiar na misericórdia de Deus.
Davi
escolhe esperar no Senhor.
Davi
escolhe continuar louvando.
Essa
também precisa ser a nossa decisão.
Quando
pessoas usam palavras para destruir, nós podemos escolher usar nossas palavras
para edificar.
Quando
alguém espalha mentira, nós podemos escolher falar a verdade.
Quando
alguém promove divisão, nós podemos escolher promover reconciliação.
Quando
alguém usa a língua como uma navalha, nós podemos escolher usar nossa boca como
instrumento de graça.
ANTES
DE FALAR, PARE E PENSE
Talvez
você precise guardar estas três perguntas para os próximos dias:
É
verdade?
É
necessário?
Vai
edificar?
Se a
resposta para as três perguntas for sim, fale.
Mas
fale com amor.
Fale
com sabedoria.
Fale
com graça.
Agora,
se não for verdade, não fale.
Se for
verdade, mas não for necessário, talvez seja melhor não falar.
Se for
verdade e necessário, mas não contribuir para a edificação, pense novamente
sobre a maneira e o momento de falar.
Nossa
boca pode ferir, mas também pode curar.
Nossa
boca pode destruir, mas também pode restaurar.
Nossa
boca pode espalhar medo, mas também pode transmitir esperança.
Nossa
boca pode alimentar fofoca, mas também pode anunciar a graça de Deus.
CONCLUSÃO
O
Salmo 52 nos ensina que palavras têm consequências.
Doegue
falou.
Saul
ouviu.
E
vidas foram destruídas.
O
texto de 1 Samuel 22:18-19 registra a morte de oitenta e cinco
sacerdotes e a destruição de Nobe.
Que
história dolorosa!
Por
isso, precisamos ter cuidado com aquilo que sai da nossa boca.
Que
Deus nos ajude a não sermos instrumentos de destruição.
Que
nossas palavras expressem verdade, graça, encorajamento e restauração.
Que,
antes de falar sobre alguém, antes de compartilhar uma informação, antes de
publicar alguma coisa, façamos três perguntas:
É
VERDADE?
É
NECESSÁRIO?
VAI
EDIFICAR?
Se
todas as respostas forem sim, siga em frente.
Mas,
se uma delas for não, talvez o silêncio seja a melhor resposta.
Que
nossa boca seja usada para abençoar.
Que
nosso coração esteja cheio da Palavra de Deus.
E que
nossas palavras sejam instrumentos de vida.
“Quanto
a mim, porém, sou como a oliveira verde na Casa de Deus; confio na misericórdia
de Deus para todo o sempre.”
Salmo 52:8 — NAA
Que
Deus abençoe ricamente o seu dia!
Cláudio
Eduardo M Costa
Nenhum comentário:
Postar um comentário