sexta-feira, 10 de julho de 2026

DEUS NÃO ESTÁ INDIFERENTE AO SOFRIMENTO HUMANO... - Salmo 10 - - - - God is not indifferent to human suffering... – Psalm 10 –

 


DEUS NÃO ESTÁ INDIFERENTE AO SOFRIMENTO HUMANO

Salmo 10

"Tens ouvido, Senhor, o desejo dos humildes; tu lhes firmarás o coração e ouvirás o seu clamor, para fazer justiça ao órfão e ao oprimido, a fim de que o ser humano, que é da terra, não volte a espalhar o terror." (Salmo 10.17-18 – NAA)

 

Vivemos em um mundo marcado pela violência, pela corrupção, pelas guerras, pela fome e pelas mais diversas formas de injustiça. Basta acompanhar as notícias para sermos confrontados diariamente com crianças sofrendo, idosos abandonados, famílias destruídas e pessoas vulneráveis sendo exploradas pelos mais fortes. Diante dessa realidade, uma pergunta inevitavelmente surge em nosso coração: Onde está Deus em meio a tanto sofrimento?

Essa não é uma dúvida exclusiva da nossa geração. Há milhares de anos, o salmista também olhou para a realidade ao seu redor e fez exatamente a mesma pergunta. O Salmo 10 começa com um clamor sincero: "Por que, Senhor, permaneces longe? Por que te escondes nos tempos de angústia?" (Salmo 10.1 – NAA). Essas palavras não revelam falta de fé, mas a honestidade de alguém que, mesmo sofrendo, continua levando suas perguntas ao Senhor. Deus não se ofende quando abrimos o coração diante dele; ao contrário, Ele nos convida a lançar sobre Ele toda a nossa ansiedade.

 

Ao descrever a realidade da sua época, o salmista apresenta um retrato que continua extremamente atual. Os arrogantes exploram os humildes, os poderosos abusam da sua força, os necessitados são esquecidos e o pecado parece dominar a sociedade. O tempo passou, mas o coração humano continua sendo o mesmo. Sempre que homens e mulheres escolhem viver longe de Deus, o egoísmo substitui a compaixão, a injustiça ocupa o lugar da justiça e os interesses pessoais prevalecem sobre o amor ao próximo.

Entretanto, o povo de Deus nunca foi chamado para simplesmente assistir a essa realidade. Israel foi separado para viver de maneira diferente entre as nações, refletindo o caráter santo e misericordioso do Senhor. Da mesma forma, a Igreja de Jesus Cristo foi enviada ao mundo para ser sal da terra e luz do mundo, demonstrando, por meio da sua vida, o amor, a justiça e a compaixão de Deus.

 

Quando chegamos ao Novo Testamento, percebemos que Jesus revelou de forma perfeita esse coração compassivo do Pai. Durante todo o seu ministério, aproximou-se justamente daqueles que eram ignorados pela sociedade. Ele acolheu crianças, tocou leprosos, restaurou mulheres desprezadas, consolou aflitos, curou enfermos e anunciou boas-novas aos pobres. Em cada gesto, Jesus demonstrava que Deus nunca esteve indiferente ao sofrimento humano. Pelo contrário, Deus entrou na nossa história para caminhar ao lado daqueles que sofrem e oferecer esperança aos que perderam toda a esperança.

 

Essa mesma compaixão deve caracterizar a vida dos discípulos de Cristo. A fé cristã não pode limitar-se às palavras ou aos cultos realizados aos domingos. Ela precisa ser visível nas atitudes diárias. Somos chamados a olhar para as pessoas com os olhos de Jesus, enxergando aqueles que muitas vezes permanecem invisíveis para a sociedade: as crianças, os idosos, os pobres, os enfermos, os órfãos, as viúvas e todos os que carregam o peso da injustiça e da exclusão.

 

Essa verdade é ilustrada de maneira extraordinária na Parábola do Bom Samaritano (Lucas 10.25-37). Enquanto representantes da religião passaram indiferentes diante de um homem caído à beira do caminho, foi justamente um samaritano — alguém desprezado pelos judeus — quem interrompeu sua caminhada para cuidar daquele ferido. Jesus ensina que amar o próximo significa agir. A verdadeira espiritualidade não ignora o sofrimento; ela aproxima-se dele com compaixão e disposição para servir.

 

O Salmo 10 termina renovando nossa esperança ao afirmar: "Tens ouvido, Senhor, o desejo dos humildes; tu lhes firmarás o coração e ouvirás o seu clamor, para fazer justiça ao órfão e ao oprimido, a fim de que o ser humano, que é da terra, não volte a espalhar o terror." (Salmo 10.17-18 – NAA). Essas palavras nos lembram que Deus continua vendo aquilo que os homens muitas vezes ignoram. Nenhuma lágrima passa despercebida aos seus olhos. Nenhuma injustiça ficará para sempre sem resposta. O Senhor permanece atento ao clamor dos humildes e, no tempo certo, estabelecerá plenamente a sua justiça.

 

Essa promessa encontra seu cumprimento definitivo em Jesus Cristo. Na cruz, Ele assumiu sobre si o pecado da humanidade, venceu a morte por meio da ressurreição e prometeu voltar para estabelecer definitivamente o seu Reino de justiça e paz. Até esse dia, Deus continua agindo por meio da sua Igreja. Ele nos chama para sermos instrumentos da sua graça, levando esperança aos desesperados, consolo aos aflitos e cuidado aos que sofrem.

 

O Salmo 10 nos desafia, portanto, a uma profunda reflexão. Não basta afirmarmos que somos cristãos; precisamos viver como Cristo viveu. Não basta conhecermos a Palavra de Deus; precisamos permitir que ela transforme nossa maneira de enxergar e servir as pessoas. Não basta frequentarmos uma igreja; precisamos ser uma igreja que se importa, que acolhe, que serve, que protege os vulneráveis e que manifesta, de forma concreta, o amor de Deus ao mundo.

 

Que o Senhor nos conceda um coração semelhante ao de Jesus. Que aprendamos a enxergar a dor do próximo, a ouvir o clamor dos que sofrem e a viver uma fé marcada pela compaixão. Assim, seremos testemunhas vivas de que Deus nunca esteve indiferente ao sofrimento humano e continua agindo, hoje, por meio daqueles que decidiram seguir os passos de Cristo.

 

Cláudio Eduardo M Costa

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