ESPIRITUALIDADE
E JUSTIÇA:
O
CUIDADO COM OS POBRES...
Levítico
25
Será
que a nossa espiritualidade tem se parecido mais com a justiça de Deus
ou com a indiferença do mundo?
Essa é
uma pergunta forte. Falamos muito sobre amor, muitas vezes levantamos a
bandeira da justiça social, mas como têm sido as nossas atitudes diante do
sofrimento das pessoas que estão ao nosso redor?
Essa é
a reflexão que o capítulo 25 do livro de Levítico nos convida a fazer.
Ao ler
o Pentateuco — especialmente Levítico — muitas pessoas ficam confusas. O livro
apresenta diversas leis cerimoniais dadas ao povo de Israel: sacrifícios,
vestes sacerdotais, rituais no tabernáculo, o candelabro na tenda sagrada.
E
então surge a pergunta:
O que
esse livro tem a ver com a nossa vida hoje?
Hoje
não oferecemos sacrifícios, não temos um templo com candelabros e sacerdotes
vestidos como no Antigo Testamento. A lei cerimonial foi cumprida em Cristo. No
entanto, algo permanece imutável: o caráter de Deus e os princípios que Ele
revela ao seu povo.
Quando
lemos Levítico, encontramos princípios espirituais e sociais que
continuam extremamente relevantes.
No
capítulo 25, Deus apresenta orientações que envolvem relacionamentos, negócios
e, principalmente, o cuidado com aqueles que passam por necessidade.
A
Bíblia diz:
“Se um
israelita que mora perto de você ficar pobre e não puder sustentar-se, então
você tem o dever de tomar conta dele. Ajude-o como se ele fosse um estrangeiro
que mora no meio do povo, a fim de que ele continue a morar perto de você.”
(Levítico 25:35 – NTLH)
Aqui
Deus revela algo profundo: a fé não deveria se limitar ao templo ou aos rituais
religiosos. Ela deveria transformar a forma como as pessoas vivem em
sociedade.
Deus
estava formando um povo diferente — uma sociedade onde o mais forte não
explorasse o mais fraco, onde quem estivesse em vulnerabilidade não fosse
abandonado, e onde a dignidade humana fosse preservada.
Por
isso, o texto continua dizendo:
“Não
cobre juros sobre o dinheiro que você lhe emprestar. Respeite a ordem de Deus
para que esse homem continue a morar perto de você. Não cobre juros sobre o que
você lhe emprestar, nem tire lucro dos alimentos que você lhe vender.”
(Levítico 25:36–37 – NTLH)
Em
outras palavras, Deus estava ensinando algo muito claro: não se aproveite da
necessidade do outro para obter lucro.
Se
aplicarmos esse princípio aos nossos dias, seria como Deus dizendo:
- Não explore a miséria alheia.
- Não abuse da vulnerabilidade das pessoas.
- Não transforme o sofrimento do próximo em
oportunidade de ganho pessoal.
A fé
verdadeira tem implicações sociais. Ela se manifesta na forma como tratamos as
pessoas e cuidamos umas das outras.
O Novo
Testamento reforça esse princípio. O apóstolo Tiago afirma:
“Assim
também a fé, se não vier acompanhada de ações, é coisa morta.”
(Tiago 2:17 – NTLH)
Somos
salvos pela graça de Deus. Mas aqueles que foram alcançados por essa graça
vivem de forma diferente.
Por
isso, Deus lembra ao povo de Israel a razão de tudo isso:
“Eu
sou o Senhor, o Deus de vocês, que os tirou do Egito para lhes dar a terra de
Canaã e para ser o Deus de vocês.”
(Levítico 25:38 – NTLH)
Deus
está dizendo ao povo: vocês sabem o que é viver sob opressão, vocês conhecem
o sofrimento. Eu os libertei. Portanto, não reproduzam a injustiça que vocês
mesmos sofreram.
Quando
experimentamos a graça e a misericórdia de Deus, não podemos permanecer
indiferentes à dor do próximo.
Hoje,
também fomos alcançados pela graça do Senhor. Pela obra de Cristo, fomos
libertos da condenação do pecado e caminhamos em direção à esperança da Jerusalém
celestial e da vida eterna na presença de Deus.
Diante
disso, surge uma pergunta inevitável:
Como
temos tratado os mais vulneráveis ao nosso redor?
A
Bíblia nos lembra que a espiritualidade verdadeira se expressa através de compaixão,
justiça e responsabilidade social.
Se
Deus nos chama a cuidar dos pobres, não podemos ignorá-los.
No
final das contas, trata-se de algo muito simples e profundo:
é
gente cuidando de gente.
Que
Deus abençoe o seu dia.
Cláudio
Eduardo M. Costa
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