quarta-feira, 2 de setembro de 2026

RECONHECENDO O PERIGO... - SALMO 64 -

 


RECONHECENDO O PERIGO...

SALMO 64

 

Você já percebeu que vivemos cercados pelo perigo? O tempo inteiro. Em alguns momentos do passado, talvez pensássemos no perigo como alguém armado provocando violência. Hoje, porém, muitos perigos entram dentro das nossas casas por meio das telas, dos celulares e das redes sociais. Mentiras são publicadas, informações falsas são compartilhadas e palavras são utilizadas para destruir a reputação e a vida de uma pessoa. Por isso, precisamos ter muito cuidado com aquilo que falamos, com aquilo que publicamos e, principalmente, com aquilo que compartilhamos. Pensando nisso, quero convidar você a caminhar comigo hoje pelo Salmo de número 64.

Neste salmo, Davi está enfrentando oposição, acusações, maledicência e palavras que procuram prejudicá-lo. Ele se encontra diante de pessoas que tramam contra ele e usam suas palavras como armas. E, diante de tudo isso, Davi recorre a Deus. Ele busca no Senhor proteção, segurança e direção para a sua vida. Vamos olhar para o primeiro versículo: “Ouve, ó Deus, a minha voz nas minhas queixas; preserva a minha vida do temor do inimigo.” (Salmo 64:1 — NAA). Observe que Davi reconhece o problema. Ele não está minimizando a situação. Ele sabe que existe uma ameaça e reconhece que o medo está tentando tomar conta do seu coração. Mas, em vez de permitir que o medo governe a sua vida, ele leva suas queixas e seus temores para Deus.

Isso é muito importante para nós. Existem momentos em que precisamos reconhecer o perigo. Precisamos perceber aquilo que está acontecendo ao nosso redor. Precisamos ter discernimento. Mas reconhecer o perigo não significa viver dominado pelo medo. Davi reconhece a ameaça, mas também reconhece que pode buscar segurança no Senhor. Em Deus encontramos a proteção de que precisamos. Deus é o nosso refúgio. Deus é a nossa segurança. E quando colocamos nossa confiança nele, aprendemos a enfrentar as circunstâncias com prudência e fé.

Quando começo a trazer o Salmo 64 para os nossos dias, percebo como essa mensagem é atual. Uma postagem com uma notícia falsa, um comentário feito sem responsabilidade, uma mensagem compartilhada sem qualquer verificação, uma acusação, uma exposição pública ou uma mentira podem causar enormes prejuízos. Por isso, precisamos ter cuidado com o que falamos, com o que publicamos e com aquilo que espalhamos. Antes de compartilhar alguma coisa, precisamos perguntar: isso é verdadeiro? Isso é necessário? Isso vai edificar alguém?

Uma palavra pode construir, mas também pode destruir. Uma palavra pode restaurar, mas também pode ferir profundamente. Por isso, quero convidar você a ser um canal de bênção. Vamos espalhar esperança. Vamos falar de amor. Vamos falar de Deus. Vamos usar nossas palavras para construir e não para destruir. Afinal, Jesus nos ensinou que aquilo que sai da nossa boca revela aquilo que está dentro do nosso coração: “Porque a boca fala do que está cheio o coração.” (Mateus 12:34 — NAA). Que desafio para nós! Em um mundo em que todos querem falar, precisamos aprender também a ouvir, refletir e ter responsabilidade com aquilo que dizemos.

E, pensando em tudo isso, eu olho para Jesus Cristo. Jesus também foi vítima de acusações, mentiras e testemunhos falsos. Ele foi julgado injustamente, condenado sem culpa e levado à cruz. Entretanto, aquilo que parecia uma grande derrota estava inserido no propósito redentor de Deus: o Justo entregando a sua vida pelos injustos. A Bíblia nos ensina: “Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos sarados.” (Isaías 53:5 — NAA). Jesus levou sobre si os nossos pecados e a nossa culpa. Ele morreu, foi sepultado e, ao terceiro dia, ressuscitou. Como Paulo afirma: “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.” (1 Coríntios 15:3-4 — NAA). A ressurreição de Jesus nos mostra que o mal, a injustiça e a própria morte não tiveram a palavra final.

E isso nos leva novamente ao Salmo 64. Davi começa falando sobre medo, inimigos e ameaças, mas termina falando sobre alegria e confiança. O verso 10 diz: “O justo se alegra no Senhor e nele confia; e se gloriam todos os retos de coração.” (Salmo 64:10 — NAA). Que mudança extraordinária! Davi começa olhando para o perigo, mas termina olhando para Deus. A alegria dele não está na ausência de problemas. A alegria está na confiança no Senhor.

Isso também é muito importante para nós. A nossa fé não significa que nunca teremos problemas. Jesus nunca prometeu uma vida sem dificuldades. Pelo contrário, ele deixou isso muito claro: “No mundo, vocês passam por aflições; mas tenham coragem: eu venci o mundo.” (João 16:33 — NAA). Jesus não prometeu que estaríamos livres das aflições. Ele prometeu algo muito maior: a sua presença e a certeza da vitória.

Por isso, confiar em Deus não significa ignorar o perigo. Confiar em Deus não significa ser ingênuo. Confiar em Deus significa agir com prudência, responsabilidade e fé. Precisamos proteger nossa família. Precisamos cuidar das pessoas que estão sob nossa responsabilidade. Precisamos ter cuidado com aquilo que consumimos nas redes sociais. Precisamos verificar informações antes de compartilhá-las. Precisamos pensar antes de falar. E precisamos, acima de tudo, colocar nossa confiança no Senhor.

Talvez hoje você esteja enfrentando alguma situação que provoca medo. Talvez alguém esteja falando coisas injustas a seu respeito. Talvez você esteja preocupado com sua família, com seu trabalho ou com alguma situação que parece estar fora do seu controle. Reconheça o perigo, mas não permita que o medo governe o seu coração. Leve isso para Deus. E, ao mesmo tempo, faça a sua parte com sabedoria.

Não permita que alguém destrua a sua paz com palavras maldosas. Mas também não permita que as suas próprias palavras destruam a vida de outra pessoa. Que sejamos pessoas que promovem vida, esperança, verdade e reconciliação.

O desafio do Salmo 64 para nós é muito simples: reconhecer o perigo sem viver dominados pelo medo; reconhecer as ameaças sem abandonar a confiança em Deus. Que possamos olhar para o mundo com discernimento, para as pessoas com amor e para Deus com confiança.

Porque os perigos existem. As palavras podem ferir. As mentiras podem circular. As circunstâncias podem mudar. Mas Deus continua sendo Deus. E, em Cristo, temos a certeza de que a nossa esperança não está nas circunstâncias, mas naquele que venceu o mundo.

Por isso, hoje, eu quero deixar uma pergunta para você: o que está tentando produzir medo no seu coração? Leve isso para Deus. Reconheça o perigo, seja prudente, cuide daqueles que Deus colocou ao seu redor, mas não permita que o medo determine o rumo da sua vida.

Que possamos terminar como Davi terminou: “O justo se alegra no Senhor e nele confia.” (Salmo 64:10 — NAA). Que a nossa alegria esteja no Senhor. Que a nossa segurança esteja no Senhor. Que a nossa esperança esteja em Cristo. E que as nossas palavras sejam utilizadas para construir, abençoar e anunciar o amor de Deus.

Que o seu dia seja um dia de vitória na presença do Senhor!

 

Cláudio Eduardo M Costa

terça-feira, 1 de setembro de 2026

SALMO 63 — SETEMBRO CHEGOU... QUANDO A ALMA TEM SEDE DE DEUS!

 


SALMO 63 — SETEMBRO CHEGOU...

QUANDO A ALMA TEM SEDE DE DEUS!

 

Setembro chegou! Como estão as suas expectativas para este novo mês? Você já agradeceu a Deus porque chegamos ao nono mês de 2026? Já parou para conversar com o Senhor e dizer: “Deus, quero colocar este novo mês nas suas mãos. Quero colocar diante de você os meus sonhos, os meus projetos e os meus planos. Mais do que viver os meus sonhos, quero viver os seus sonhos para a minha vida”? Talvez seja importante começar setembro assim: agradecendo a Deus pelo cuidado, pela provisão e por tudo o que ele tem feito até aqui. Afinal, já atravessamos oito meses deste ano. Quantas coisas aconteceram! Quantas lutas enfrentamos! Quantas respostas recebemos! Quantas vezes Deus nos sustentou sem sequer percebermos!

E agora chegamos ao Salmo de número 63. Neste salmo existe uma pergunta que me incomoda e que espero que também incomode você: do que a minha alma está sentindo falta? Do que a minha alma tem sede?

O Salmo 63 nos apresenta Davi no deserto de Judá. E quando pensamos em deserto, pensamos imediatamente em calor, aridez, cansaço e, principalmente, falta de água. A água é essencial para a vida. O nosso corpo precisa dela para sobreviver. No entanto, é justamente em um ambiente de extrema necessidade que Davi escreve uma das mais belas declarações de amor e dependência de Deus encontradas nos Salmos.

Davi está no deserto, mas não começa reclamando. Não começa falando da dificuldade. Não começa pedindo água. Ele começa adorando ao Senhor.

Vamos ler o primeiro versículo?

“Ó Deus, tu és o meu Deus; eu te busco ansiosamente. A minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, numa terra seca e exausta, sem água.” Salmo 63:1 — NAA

Perceba a profundidade dessa declaração. Davi está dizendo: “Senhor, a minha relação contigo é mais importante do que qualquer outra coisa. A minha intimidade contigo é mais importante do que as minhas necessidades imediatas”.

Isso é muito forte!

Davi está sentindo sede, está no deserto, está enfrentando dificuldades, mas a sua maior necessidade é Deus.

E aqui existe uma pergunta importante para nós neste início de setembro: qual é a maior necessidade da nossa alma?

Talvez estejamos preocupados com dinheiro. Talvez estejamos pensando em uma promoção no trabalho. Talvez estejamos planejando uma viagem, uma mudança, um novo projeto ou alguma conquista pessoal. Tudo isso pode fazer parte da nossa caminhada. Mas existe uma necessidade que é maior do que todas as outras: a necessidade de Deus.

Ao longo destes primeiros oito meses de 2026, talvez você também tenha vivido experiências de deserto. Talvez tenha enfrentado momentos de solidão, dificuldades financeiras, problemas familiares, frustrações, perdas ou situações que você não conseguiu compreender.

Mas quero lembrar você de uma coisa: você não está sozinho no deserto. Deus está com você.

O deserto também pode ser um lugar de aprendizado. Pode ser um lugar em que descobrimos que os nossos recursos são limitados e que precisamos depender mais profundamente do Senhor. Pode ser um lugar em que aprendemos a perceber o cuidado de Deus de uma maneira que talvez não percebêssemos quando tudo estava bem.

Por isso, que a oração de Davi também seja a nossa oração:

“A minha alma tem sede de ti.”

Continuando no Salmo 63, Davi afirma:

“Assim, eu te contemplo no santuário, para ver a tua força e a tua glória.” Salmo 63:2 — NAA

Olhe que coisa maravilhosa! Davi está no deserto, mas consegue contemplar a Deus. O ambiente é seco, mas a sua fé não está seca. O cenário é difícil, mas ele continua enxergando a força e a glória do Senhor.

Isso nos ensina algo precioso: o deserto não impede a presença de Deus.

Não existe circunstância que possa impedir Deus de estar presente na nossa vida. Podemos atravessar lugares difíceis, podemos enfrentar dias complicados, podemos não entender o que está acontecendo, mas Deus continua sendo Deus.

É justamente nesses momentos que precisamos cultivar intimidade com o Senhor.

E quando penso em intimidade com Deus, não consigo deixar de olhar para Jesus Cristo. Jesus veio para nos reconciliar com o Pai e nos conduzir a um relacionamento vivo com Deus. Na cruz, quando completou sua obra, Jesus declarou:

“Está consumado!” João 19:30 — NAA

A obra de Cristo abriu para nós o caminho da reconciliação com Deus. Por meio de Jesus, podemos nos aproximar do Pai com confiança.

E isso nos leva novamente à questão da sede.

Em João 4, encontramos Jesus conversando com uma mulher samaritana junto a um poço. Ela havia ido buscar água, mas Jesus começa a tratar de uma sede muito mais profunda, a sede da alma.

Jesus disse:

“Quem beber desta água voltará a ter sede, mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede.” João 4:13-14 — NAA

Jesus estava apontando para uma realidade espiritual muito maior. A água daquele poço poderia saciar a sede física por algum tempo, mas Cristo oferece aquilo que nenhuma conquista, nenhum relacionamento, nenhum dinheiro e nenhuma experiência deste mundo podem proporcionar: uma vida reconciliada e satisfeita em Deus.

E agora eu quero voltar para setembro.

O mês começou.

Quais são os seus projetos?

O que você espera conquistar?

Talvez você queira ganhar mais dinheiro. Talvez esteja buscando uma promoção no trabalho. Talvez queira viajar com a família. Talvez esteja planejando começar alguma coisa nova.

Tudo isso pode ser legítimo.

Mas quero fazer uma pergunta diferente:

Qual é o seu maior desejo para setembro?

Será que podemos fazer a escolha de Davi?

“Senhor, neste mês eu quero estar mais perto de você. Eu quero buscar mais a sua presença. Quero conhecer mais a sua Palavra. Quero orar mais. Quero desenvolver uma intimidade maior contigo. Quero viver experiências profundas com esse Deus maravilhoso que, mesmo no meu deserto, continua caminhando comigo.”

Essa deveria ser uma das nossas maiores prioridades.

Davi continua sua oração e, no versículo 8, declara:

“A minha alma se apega a ti; a tua mão direita me sustenta.” Salmo 63:8 — NAA

Que imagem bonita!

Davi não está apenas dizendo que conhece Deus. Ele afirma que a sua alma se apega a Deus.

Isso fala de relacionamento.

Isso fala de dependência.

Isso fala de intimidade.

E talvez aqui exista uma decisão que precisamos tomar neste novo mês: não soltar a mão de Deus.

Às vezes, somos como crianças que estão sendo conduzidas pela mão do pai, mas querem se soltar para fazer tudo do seu próprio jeito. Queremos controlar tudo, decidir tudo e seguir os nossos próprios caminhos.

Mas Davi nos ensina o contrário: “A tua mão direita me sustenta.”

Não precisamos viver tentando sustentar tudo sozinhos. Precisamos aprender a ser sustentados pelo Senhor.

E mais uma vez encontramos essa mesma verdade nas palavras de Jesus. Em João 15, ele usa a imagem da videira para falar sobre relacionamento e dependência:

“Eu sou a videira, vocês são os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim vocês não podem fazer nada.” João 15:5 — NAA

Perceba: Jesus não está dizendo apenas que precisamos visitá-lo de vez em quando. Ele fala sobre permanecer.

Permanecer significa continuar ligado.

Permanecer significa desenvolver relacionamento.

Permanecer significa depender.

Permanecer significa reconhecer que a nossa vida espiritual não pode existir separada de Cristo.

Por isso, neste setembro, não quero apenas que você tenha um mês cheio de atividades. Quero que você tenha um mês cheio da presença de Deus.

Davi continua falando sobre a proteção do Senhor e declara:

“Porque tu tens sido o meu auxílio, à sombra das tuas asas eu canto de alegria.” Salmo 63:7 — NAA

Mais uma vez, estamos diante de uma linguagem poética. Davi está no deserto, cercado por dificuldades, mas encontra segurança na presença de Deus.

Ele não está dizendo que não existem problemas.

Ele está dizendo que existe um Deus maior do que os problemas.

Que verdade maravilhosa para começarmos setembro!

Talvez você não saiba o que este mês vai trazer.

Talvez existam desafios que você ainda nem conhece.

Talvez algumas respostas que você espera ainda não tenham chegado.

Talvez existam portas que você gostaria que Deus abrisse.

Mas existe algo que você já pode decidir hoje: buscar a presença de Deus.

Não sabemos tudo o que setembro trará, mas sabemos quem estará conosco.

Não sabemos quais serão as batalhas, mas sabemos quem é o nosso auxílio.

Não sabemos como todas as coisas acontecerão, mas sabemos em quem podemos confiar.

Por isso, quero convidar você a começar este mês como Davi começou aquele momento no deserto: buscando a Deus.

Que a sua alma tenha sede da Palavra.

Que a sua alma tenha sede de oração.

Que a sua alma tenha sede de comunhão.

Que a sua alma tenha sede de Jesus.

Não procure Deus apenas quando precisar de uma solução. Busque-o porque ele é Deus. Busque-o porque a presença dele é o nosso maior tesouro.

Talvez você esteja começando setembro cansado. Talvez esteja carregando preocupações que ninguém conhece. Talvez esteja entrando neste novo mês com muitas perguntas.

Então, pare por alguns minutos.

Respire.

Ore.

Abra a Bíblia.

Converse com Deus.

E diga: “Senhor, a minha alma tem sede de ti.”

Que essa seja a nossa oração neste primeiro dia de setembro.

Que este novo mês não seja apenas uma mudança no calendário, mas uma oportunidade de aprofundarmos nossa intimidade com Deus.

Que setembro seja um mês de desafios, mas também de crescimento.

Que seja um mês de trabalho, mas também de descanso na presença do Senhor.

Que seja um mês de projetos, mas também de dependência de Deus.

Que seja um mês em que possamos olhar para trás e reconhecer quantas vezes o Senhor nos sustentou.

E, quando chegarmos ao final de setembro, que possamos dizer: “Deus esteve comigo em cada passo.”

Enquanto continuamos nossa jornada pelos Salmos, lembre-se: quando a alma tem sede, o mundo oferece muitas fontes, mas somente Deus pode satisfazer profundamente o nosso coração.

Comece setembro buscando aquele que é a verdadeira fonte.

Jesus Cristo.

Que Deus abençoe o seu setembro.

Que a presença do Senhor acompanhe você em cada dia deste novo mês.

E que a oração do Salmo 63 também seja a nossa:

“Ó Deus, tu és o meu Deus; eu te busco ansiosamente. A minha alma tem sede de ti.” Salmo 63:1 — NAA

 

Cláudio Eduardo M Costa

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

DEUS CONTINUA NO CONTROLE! - SALMO 62 -

 


DEUS CONTINUA NO CONTROLE!

SALMO 62

 

Quando você não consegue controlar as coisas que estão acontecendo, qual é a sua atitude? Você entra em desespero? Para? Começa a reclamar? É sobre isso e muito mais que quero conversar com você hoje. Estamos lendo o Salmo de número 62 e, neste salmo, encontramos Davi refletindo sobre a confiança em Deus em meio às circunstâncias que ele não consegue controlar. Quando olho para o Salmo 62, lembro-me de quando comecei a dirigir, quando estava aprendendo a conduzir um carro. Meu instrutor me disse algo que nunca esqueci: “Você não tem controle sobre o que os outros motoristas fazem. Por isso, faça a sua parte, mas mantenha os olhos atentos ao que está acontecendo ao seu redor.” Essa orientação também pode nos ensinar algo importante sobre a vida. Eu não tenho controle sobre o que as outras pessoas fazem. Não tenho controle sobre todas as circunstâncias. Não consigo determinar tudo o que acontecerá amanhã. Mas posso cuidar da maneira como reajo, posso cuidar do meu coração e, acima de tudo, posso cultivar a minha intimidade com Deus.

Logo no primeiro versículo do Salmo 62, Davi declara: “Somente em Deus a minha alma encontra descanso; dele vem a minha salvação.” (Salmo 62:1 — NAA). A palavra “somente” não significa que Davi esteja desprezando a ajuda de outras pessoas ou defendendo uma espécie de autossuficiência. Pelo contrário, ele está reconhecendo que a sua segurança definitiva está em Deus. É dele que vem a salvação. No contexto imediato do salmo, Davi está vivendo um período de oposição e conflitos, mas essa declaração também nos conduz à grande verdade da salvação que encontramos em Cristo Jesus. O amor de Deus, a misericórdia do Senhor e a sua graça alcançam a humanidade e nos mostram que a nossa esperança definitiva não está em nós mesmos, mas em Deus.

Existem dias em que as coisas ficam difíceis. Notícias ruins, dificuldades financeiras, problemas no trabalho, conflitos familiares, perdas, frustrações e tantas outras situações podem nos levar ao desgaste, à tristeza e, muitas vezes, ao desespero. Mas o Salmo 62 nos apresenta um convite para parar, respirar e voltar o coração para Deus. É um convite para uma experiência de intimidade com o Senhor.

No versículo 2, Davi continua: “Somente ele é a minha rocha, a minha salvação e o meu alto refúgio; não serei muito abalado.” (Salmo 62:2 — NAA). Preste atenção: Davi não está dizendo que, com Deus, viverá uma experiência sem problemas. Ele não está afirmando que nunca enfrentará dificuldades, perdas ou tempestades. Pelo contrário, ele sabe que elas existem. O que Davi afirma é que, mesmo em meio a todas essas situações, ele não será destruído, porque a sua confiança está no Senhor.

Essa é uma verdade que precisamos recuperar em nossos dias. Ter fé não significa viver sem problemas. Ter fé significa saber em quem confiar quando os problemas chegam. A presença de Deus não significa ausência de tempestades; significa que não precisamos atravessar as tempestades sozinhos.

Continuando no versículo 5, aprendemos algo ainda mais profundo: não temos controle sobre tudo, mas podemos escolher onde colocar a nossa esperança. Davi diz: “Somente em Deus, ó minha alma, espere silenciosa, porque dele vem a minha esperança.” (Salmo 62:5 — NAA).

Observe a expressão: “espere silenciosa”.

Vivemos em um mundo de muito barulho. Redes sociais, opiniões, discussões, críticas, acusações e respostas imediatas. Alguém nos ofende e queremos responder imediatamente. Alguém publica alguma coisa e sentimos necessidade de comentar. Uma notícia aparece e rapidamente queremos tomar posição. É muito barulho ao nosso redor.

Mas o salmista nos apresenta outro caminho: espere silenciosamente em Deus.

Isso não significa passividade diante da vida. Significa aprender a aquietar o coração para ouvir o Senhor. Existem momentos em que precisamos diminuir o barulho exterior para perceber aquilo que Deus está fazendo em nosso interior. É momento de intimidade. É momento de oração. É momento de confiar.

Davi nos ensina que existem momentos em que o nosso coração precisa ser disciplinado a esperar em Deus. As tempestades são reais. E qualquer pessoa que prometa uma vida cristã sem problemas, sem aflições e sem tempestades não está apresentando a realidade ensinada pelas Escrituras. Jesus nunca prometeu uma vida sem dificuldades. Ele prometeu a sua presença.

E, quando penso em tempestades, lembro-me de uma passagem do Evangelho de Marcos. Os discípulos estavam atravessando o mar com Jesus quando uma grande tempestade começou. O barco era sacudido pelas ondas, enquanto Jesus estava dormindo.

Assustados, os discípulos acordaram Jesus e disseram: “Mestre, não lhe importa que pereçamos?” (Marcos 4:38 — NAA).

Então Jesus se levantou e, com autoridade, repreendeu o vento e disse ao mar: “Acalme-se! Fique quieto!” (Marcos 4:39 — NAA). O vento cessou, e houve grande calmaria.

Essa passagem nos ensina algo maravilhoso. Jesus não prometeu aos discípulos que eles jamais enfrentariam uma tempestade. Na verdade, eles estavam justamente no meio de uma. Mas Jesus estava dentro do barco.

Talvez essa seja uma das maiores verdades que precisamos guardar no coração: Jesus não prometeu que nunca passaríamos por tempestades, mas prometeu estar conosco.

Jesus é a nossa segurança. Ele é a nossa Rocha. E o Salmo 62 reafirma essa confiança quando Davi declara no versículo 6: “Somente ele é a minha rocha e a minha salvação; ele é a minha fortaleza; não serei abalado.” (Salmo 62:6 — NAA).

Olhe para a segurança dessas palavras! Davi não está confiando na sua própria força. Ele está confiando em Deus.

E agora eu quero fazer uma pergunta para você: onde está a sua vida firmada hoje?

Você está construindo sua vida sobre a Rocha, com a certeza de que Jesus está com você, ou ainda está procurando segurança em alternativas que não podem sustentar a sua vida?

Essa pergunta me faz lembrar um dos ensinamentos de Jesus no final do Sermão do Monte. Ele fala sobre duas construções: uma casa edificada sobre a areia e outra construída sobre a rocha.

Jesus afirma: “E todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha.” (Mateus 7:24 — NAA).

As duas casas enfrentaram tempestades. As duas foram atingidas pela chuva, pelos rios e pelos ventos. A diferença não estava na ausência da tempestade. A diferença estava no fundamento.

A casa construída sobre a rocha permaneceu.

É isso que o Salmo 62 está nos ensinando. Não podemos controlar todas as circunstâncias, mas podemos escolher onde fundamentar a nossa vida.

Então, o que vamos fazer?

Vamos olhar para o Senhor ou entrar em desespero?

Vamos colocar nossas dores e nossos problemas nas mãos de Deus ou tentar carregar tudo sozinhos?

Vamos alimentar a ansiedade ou aprender a esperar silenciosamente no Senhor?

Paulo, escrevendo aos cristãos de Filipos, apresenta uma orientação preciosa: “Não fiquem preocupados com coisa alguma, mas, em tudo, sejam conhecidos diante de Deus os pedidos de vocês, pela oração e pela súplica, com ações de graças.” (Filipenses 4:6 — NAA).

E ele continua: “E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:7 — NAA).

Que promessa maravilhosa!

Paulo não está dizendo que todos os problemas desaparecerão imediatamente. Ele está mostrando que, quando levamos nossas preocupações a Deus, podemos experimentar uma paz que ultrapassa aquilo que conseguimos compreender.

Essa paz não depende de termos todas as respostas. Ela nasce da confiança naquele que continua no controle.

E o Salmo 62 chega a uma declaração poderosa no versículo 11: “Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: que o poder pertence a Deus.” (Salmo 62:11 — NAA).

O poder pertence a Deus.

Não pertence às circunstâncias.

Não pertence às pessoas.

Não pertence ao dinheiro.

Não pertence às nossas próprias forças.

O poder pertence a Deus!

Por isso, quando você não conseguir controlar o que está acontecendo, lembre-se de que existe alguém que continua no controle.

Quando as circunstâncias mudarem, Deus continuará sendo Deus.

Quando as pessoas falharem, Deus continuará fiel.

Quando os recursos forem insuficientes, Deus continuará sendo a nossa fonte.

Quando o coração estiver inquieto, podemos esperar silenciosamente no Senhor.

Talvez hoje você esteja vivendo uma situação que parece grande demais. Talvez esteja tentando controlar algo que simplesmente não está em suas mãos. Talvez o seu coração esteja cansado de lutar contra aquilo que você não consegue mudar.

Então, pare por um momento.

Aquieta o seu coração.

Ore.

Entregue ao Senhor aquilo que está além do seu controle.

E declare com fé:

“Somente em Deus a minha alma encontra descanso.”

Você não precisa controlar tudo.

Você precisa confiar naquele que continua no controle.

Que a paz de Deus, o poder do Senhor, a sua graça e a sua misericórdia estejam sobre a sua vida neste dia.

E que a mensagem do Salmo 62 se torne uma verdade viva em nosso coração:

DEUS CONTINUA NO CONTROLE!

 

Cláudio Eduardo M Costa

domingo, 30 de agosto de 2026

MEU CORAÇÃO ESTÁ CANSADO, DEUS ESTÁ CUIDANDO DE MIM! - SALMO 61 -

 


MEU CORAÇÃO ESTÁ CANSADO, DEUS ESTÁ CUIDANDO DE MIM!

SALMO 61

 

Você já teve a sensação de que o seu coração estava cansado demais para continuar a jornada? É sobre isso que quero conversar com você hoje. Melhor ainda: vamos conversar juntos sobre o Salmo 61. Davi está cansado. Provavelmente, as batalhas foram intensas e, depois de tantas lutas, ele se coloca diante do Senhor. Quando uso a palavra “desesperado”, não quero dizer que Davi perdeu completamente a esperança, mas que chegou a um momento em que se sentiu desfalecido, sem forças. Quantos de nós já não nos sentimos assim? Há momentos em que queremos desistir de tudo, momentos em que não encontramos forças e, muitas vezes, não temos sequer vontade de falar. Mas o primeiro versículo já nos apresenta Davi como um ser humano frágil, que reconhece sua necessidade e busca o auxílio do Senhor.

O Salmo começa com uma oração muito simples e, ao mesmo tempo, muito profunda: “Ouve, ó Deus, o meu clamor; atende à minha oração.” (Salmo 61:1 — NAA). Davi está dizendo: “Senhor, eu estou clamando ao Senhor. Eu preciso conversar contigo. Escuta-me. Atende àquilo que estou colocando diante de ti”. É como se ele dissesse: “Meu coração está cansado, mas eu ainda confio nas tuas promessas”. E isso é muito importante. Davi não esconde seu cansaço de Deus. Ele não tenta aparentar uma força que não possui. Ele simplesmente se coloca diante do Senhor e clama por ajuda.

Quando pensamos em um coração cansado, o segundo versículo nos conduz ainda mais profundamente à experiência de Davi: “Desde os confins da terra clamo a ti, porque o meu coração desfalece; leva-me para a rocha que é alta demais para mim.” (Salmo 61:2 — NAA). É como se Davi estivesse dizendo: “Senhor, meu coração desfalece. Eu estou cansado. Cheguei ao meu limite. Preciso de ti”. Mas, ao mesmo tempo, existe confiança nessa oração. Ele sabe que Deus pode levá-lo para um lugar que, sozinho, não conseguiria alcançar.

Essa expressão é muito significativa: “Leva-me para a rocha que é alta demais para mim.” Davi reconhece que existe um lugar de segurança. Talvez ele não consiga enxergá-lo naquele momento, talvez não saiba como chegar até lá, mas sabe quem pode conduzi-lo. A rocha é alta demais para ele, mas não é alta demais para Deus. Aquilo que está além da nossa capacidade continua estando sob o controle do Senhor. Quando nossas forças terminam, Deus continua sendo suficientemente forte para nos sustentar.

Davi continua sua oração dizendo: “Pois tu tens sido para mim um refúgio e uma torre forte contra o inimigo.” (Salmo 61:3 — NAA). Observe que Davi olha para aquilo que Deus já fez. Ele não diz apenas que Deus poderá ser seu refúgio; ele reconhece: “Tu tens sido para mim um refúgio”. Existe uma história de cuidado entre Davi e Deus. Ele se lembra das experiências anteriores e, a partir delas, fortalece sua confiança no presente. Deus já havia sido seu refúgio. Deus já havia sido sua torre forte. E o Deus que cuidou de Davi continua sendo o Deus que cuida de nós.

Talvez hoje você também esteja vivendo um momento assim. Talvez esteja cansado de lutar, cansado de esperar, cansado de tentar resolver situações que parecem maiores do que você. Talvez exista uma batalha dentro da sua casa, uma preocupação com o futuro, uma dificuldade financeira, um problema familiar ou simplesmente um cansaço que ninguém consegue perceber. Existem momentos em que não conseguimos explicar exatamente o que estamos sentindo. Apenas sabemos que o coração está cansado.

É nesse momento que precisamos lembrar que Deus é o nosso refúgio e a nossa torre forte. Podemos confiar e descansar nele. Isso não significa que os problemas desaparecerão imediatamente, mas significa que não precisamos enfrentá-los sozinhos. Deus está conosco. Ele conhece nossas limitações, conhece nossas lágrimas e sabe exatamente o que estamos vivendo.

E quando penso no Deus que cuidou de Davi, no Deus que continua cuidando de mim e de você, não posso deixar de lembrar do convite de Jesus registrado em Mateus 11:28: “Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei.” (NAA). Que convite maravilhoso! Jesus não chama apenas aqueles que estão fortes. Ele chama os cansados, os sobrecarregados, aqueles que chegaram ao limite das próprias forças. Jesus nos convida a encontrar descanso nele.

É como se o Salmo 61 encontrasse eco nas palavras de Jesus. Davi clama: “Leva-me para a rocha que é alta demais para mim.” Jesus diz: “Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados.” O caminho continua sendo o mesmo: reconhecer nossa necessidade e correr para a presença de Deus.

O apóstolo Pedro também nos deixa uma orientação preciosa. Ele escreve: “Lancem sobre ele todas as suas ansiedades, porque ele cuida de vocês.” (1 Pedro 5:7 — NAA). Pedro havia caminhado com Jesus, convivido com ele e experimentado suas palavras e seu cuidado. Agora, anos depois, ele ensina a igreja a entregar suas ansiedades ao Senhor. Por quê? Porque Deus cuida de nós.

Talvez seja exatamente isso que você precise fazer hoje. Pare por alguns minutos e coloque diante de Deus aquilo que está cansando o seu coração. Não carregue sozinho aquilo que você pode entregar ao Senhor. Fale com Deus sobre aquilo que está tirando sua paz. Apresente a ele suas preocupações, seus medos, suas dúvidas e suas limitações. Não tenha vergonha de dizer: “Senhor, eu cheguei ao meu limite. Preciso que o Senhor me leve para a Rocha que é alta demais para mim.”

Que esta também seja a nossa oração: “Ó Deus de amor, leva-me para a Rocha que é alta demais para mim. Coloca-me em um lugar de segurança, onde eu possa descansar na tua presença. Talvez esse lugar esteja além daquilo que consigo alcançar sozinho, mas eu sei que o Senhor pode me conduzir até lá. Quero permanecer na tua presença, viver uma experiência profunda contigo e encontrar em ti a força que não encontro em mim mesmo”.

Hoje, coloque no altar do Senhor tudo aquilo que está trazendo ansiedade ao seu coração. Coloque diante dele tudo aquilo que está produzindo cansaço, medo e preocupação. Confie no Senhor e tenha a convicção de que, na presença dele, suas forças podem ser renovadas. Como declara o profeta Isaías: “Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam.” (Isaías 40:31 — NAA).

Portanto, não desista porque o seu coração está cansado. Cansaço não significa que Deus abandonou você. Às vezes, o cansaço simplesmente revela que precisamos parar de confiar apenas em nossas próprias forças e voltar nossos olhos para aquele que pode nos sustentar.

Então, vamos lá! Busque a Deus. Clame ao Senhor. Entregue a ele suas ansiedades. Corra para a Rocha. Deus ainda tem muito a fazer em nós e através de nós. A nossa jornada continua, e ainda temos muito caminho pela frente. Talvez hoje você esteja cansado, mas não está sozinho.

Seu coração pode estar cansado, mas Deus está cuidando de você.

Que o Senhor fortaleça sua vida, renove suas forças e faça você descansar na certeza de que ele continua sendo seu refúgio, sua torre forte e sua Rocha.

Que o seu dia, especialmente este domingo, seja um domingo muito abençoado na presença do Senhor!

 

Cláudio Eduardo M Costa

sábado, 29 de agosto de 2026

DEUS PODE! — QUANDO A DERROTA NOS ENSINA A CONFIAR... SALMO 60

 


DEUS PODE!

— QUANDO A DERROTA NOS ENSINA A CONFIAR...

SALMO 60

 

Você gosta de perder? Talvez a resposta seja imediata: “É claro que não!” Afinal, vivemos em um mundo em que ganhar é sinônimo de sucesso, e muitas vezes queremos vencer sempre. Mas, quando perdemos, qual tem sido a nossa atitude? Como reagimos diante da derrota, da frustração e das situações que parecem estar fora do nosso controle?

O Salmo 60 nos apresenta justamente a um momento como esse. Não estamos falando apenas de uma dificuldade cotidiana, mas de um cenário de guerra. Davi, juntamente com seu exército e o povo de Israel, enfrentava batalhas e experimentava derrotas. Diante dessa realidade, porém, Davi não coloca toda a sua confiança na força do exército, na estratégia militar ou na capacidade humana. Ele se volta para Deus.

O Salmo 60 é um cântico de lamentação, mas também é uma declaração de confiança no Senhor. Davi reconhece sua limitação, reconhece a limitação humana e busca na presença de Deus a direção para continuar a caminhada. Ele entende que existem batalhas que não podem ser vencidas apenas com força, inteligência ou estratégia. É necessário reconhecer que a nossa dependência maior está no Senhor.

O salmo começa com uma oração de profundo reconhecimento da situação: “Ó Deus, tu nos rejeitaste e nos dispersaste; tens estado indignado. Restaura-nos!” (Salmo 60:1, NAA). É uma oração, um clamor, um verdadeiro grito de socorro. Davi era um guerreiro acostumado às batalhas, mas chegou a um momento em que percebeu que aquela situação também exigia uma resposta espiritual. Ele precisava buscar aquele que tem todo o poder em suas mãos.

Essa atitude de Davi nos ensina algo muito importante: não existe problema em reconhecer que precisamos de Deus. Pelo contrário, reconhecer nossa limitação é um passo importante para uma vida de dependência do Senhor. Às vezes, tentamos resolver tudo sozinhos, confiamos excessivamente na nossa experiência, nos nossos recursos e na nossa capacidade de planejamento. Mas existem momentos em que precisamos parar e dizer: “Senhor, eu preciso de Ti.”

Davi compreendeu que as vitórias de Israel não dependiam simplesmente da inteligência dos seus soldados ou da força do seu exército. Ele sabia que, acima de todas as circunstâncias, estava o Deus que conduzia o seu povo. Essa verdade continua sendo importante para nós. Podemos planejar, trabalhar, estudar, buscar conhecimento e utilizar todos os recursos disponíveis, mas jamais devemos colocar essas coisas no lugar que pertence somente a Deus.

No Salmo 60, Davi chega a uma declaração que deveria fazer parte da nossa vida de oração: “Presta-nos auxílio na angústia, pois vão é o socorro humano.” (Salmo 60:11, NAA).

Que declaração profunda! O ser humano pode ajudar, mas não pode ocupar o lugar de Deus. Podemos recorrer a médicos quando estamos enfermos, buscar orientação de pessoas experientes, estudar, trabalhar, pedir ajuda, procurar aconselhamento e utilizar os recursos que Deus coloca à nossa disposição. Tudo isso faz parte da vida. Entretanto, nada neste mundo pode substituir a presença e o cuidado do Senhor.

Pessoas podem falhar. Recursos podem acabar. Estratégias podem não funcionar. Portas podem se fechar. Planos podem não acontecer como imaginamos. Mas Deus continua sendo Deus.

Por isso, quando Davi reconhece a insuficiência do socorro humano, ele não está dizendo que devemos desprezar a ajuda das pessoas. Ele está colocando cada coisa em seu devido lugar. A ajuda humana é limitada; o poder de Deus não. Podemos receber auxílio de pessoas, mas nossa confiança última deve estar no Senhor.

E então chegamos ao último versículo do salmo, uma das declarações mais marcantes dessa passagem: “Em Deus faremos proezas, porque ele mesmo pisará os nossos adversários.” (Salmo 60:12, NAA).

Aqui está o coração da nossa reflexão: em Deus podemos avançar mesmo quando as circunstâncias parecem dizer que não existe mais possibilidade.

Isso não significa que tudo acontecerá exatamente como desejamos. Significa que a nossa confiança não está no resultado que conseguimos controlar, mas no Deus que permanece conosco em todas as circunstâncias. Quando reconhecemos nossa limitação e colocamos nossa confiança no Senhor, podemos enfrentar aquilo que parecia impossível com fé, coragem e esperança.

Às vezes, aquilo que chamamos de impossível torna-se justamente o lugar onde aprendemos a depender mais profundamente de Deus. Não porque Deus seja uma espécie de solução automática para todos os nossos problemas, mas porque Ele continua sendo soberano, presente e fiel, inclusive quando não entendemos o que está acontecendo.

E, quando pensamos em vitória, não podemos deixar de olhar para Jesus Cristo.

A cruz, aos olhos humanos, parecia representar derrota. Jesus foi preso, humilhado, condenado e crucificado. A cruz era símbolo de sofrimento e morte. Tudo parecia indicar o fim. Entretanto, aquilo que parecia derrota tornou-se parte do plano de redenção de Deus.

Na cruz, Jesus declarou: “Está consumado!” (João 19:30, NAA). E, ao terceiro dia, ressuscitou. A morte não teve a palavra final. O túmulo não conseguiu segurá-lo. Cristo venceu a morte e abriu para nós o caminho da reconciliação com Deus.

É por isso que nossa compreensão de vitória precisa ser transformada. A vitória cristã não significa ausência de problemas. Significa que não enfrentamos os problemas sozinhos. Nossa esperança está em Cristo, aquele que venceu a morte e nos amou até o fim.

O apóstolo Paulo expressa essa verdade de maneira extraordinária ao escrever aos Romanos: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.” (Romanos 8:37, NAA).

Observe que Paulo não diz que somos vencedores porque não enfrentamos dificuldades. Pelo contrário, todo o contexto de Romanos 8 mostra que existem aflições, perseguições, sofrimento e dificuldades. Somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou.

A nossa vitória não está na nossa própria força. Está em Cristo.

E Jesus, ao se despedir dos seus discípulos, também deixou uma palavra de esperança: “No mundo, vocês passam por aflições; mas tenham coragem: eu venci o mundo.” (João 16:33, NAA).

Que palavra maravilhosa! Jesus não prometeu aos seus discípulos uma vida sem aflições. Ele foi muito claro: “No mundo, vocês passam por aflições.” Mas a frase não termina aí. Ele acrescenta: “Tenham coragem: eu venci o mundo.”

Essa é a nossa esperança.

Talvez você esteja passando por uma batalha neste momento. Talvez exista uma situação financeira que parece impossível de resolver. Talvez você esteja enfrentando uma crise familiar, uma dificuldade profissional, uma decisão difícil ou simplesmente esteja cansado de lutar.

O Salmo 60 nos convida a reconhecer nossas limitações e colocar nossa confiança no Senhor.

Você não precisa fingir que é forte o tempo todo.

Você pode dizer: “Senhor, eu não consigo sozinho.”

Pode dizer: “Senhor, preciso da tua ajuda.”

Pode dizer: “Senhor, eu não sei como resolver, mas confio em Ti.”

E essa oração não é sinal de fraqueza. É sinal de dependência.

O Deus que sustentou Davi continua sendo Deus. O Cristo que venceu a morte continua sendo a nossa esperança. E o Espírito Santo continua fortalecendo aqueles que confiam no Senhor.

Por isso, quando a vida parecer uma batalha perdida, lembre-se de que a sua história não está nas mãos das circunstâncias. Ela está nas mãos de Deus.

Não coloque toda a sua esperança naquilo que você consegue fazer. Faça a sua parte, busque ajuda quando necessário, trabalhe, estude, planeje e persevere. Mas coloque sua confiança maior naquele que pode sustentar você quando os seus próprios recursos chegarem ao limite.

O Salmo 60 começa com um clamor: “Restaura-nos!” E termina com uma declaração de confiança: “Em Deus faremos proezas.”

Que transformação maravilhosa!

Davi começa olhando para a derrota, mas termina olhando para Deus.

Talvez essa seja também a mudança que precisamos fazer hoje.

Pare de olhar somente para o tamanho da batalha e comece a olhar para o tamanho do seu Deus.

Quando o socorro humano for insuficiente, Deus continua presente.

Quando os recursos acabarem, Deus continua sendo a nossa fonte.

Quando as portas se fecharem, Deus continua sendo nosso caminho.

Quando a derrota parecer definitiva, lembre-se de Jesus Cristo, que transformou a cruz — símbolo de morte e derrota — em instrumento de redenção e vitória.

Por isso, hoje eu quero deixar uma declaração para você levar consigo:

DEUS PODE!

Ele pode sustentar você.

Ele pode fortalecer você.

Ele pode restaurar você.

Ele pode abrir caminhos.

Ele pode transformar circunstâncias.

E, acima de tudo, Ele pode permanecer ao seu lado quando você não sabe mais o que fazer.

Não sabemos tudo o que acontecerá amanhã, mas sabemos em quem podemos confiar hoje.

“Em Deus faremos proezas.” Salmo 60:12 — NAA

Que o Senhor abençoe o seu dia, fortaleça a sua fé e ensine você a confiar nele mesmo quando as circunstâncias parecerem desfavoráveis.

Em Cristo, somos mais que vencedores.

Deus pode!

 

Cláudio Eduardo M Costa

 

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