QUANDO O ORGULHO PRODUZ
FERIDAS ENTRE IRMÃOS
Juízes
12
Você
já percebeu que algumas pessoas conseguem transformar uma grande vitória em um
grande conflito simplesmente porque se sentiram desprestigiadas?
Ao
chegarmos ao capítulo 12 do livro de Juízes, encontramos mais uma vez um
conflito no meio do povo de Deus. Um conflito entre irmãos. O mais interessante
é que uma situação muito semelhante já havia acontecido anteriormente, no
capítulo 8. Entretanto, os resultados foram completamente diferentes.
Por
isso, convido você a permanecer comigo até o final desta reflexão. Vamos
observar o que podemos fazer — ou deixar de fazer — para vivermos em paz com as
pessoas que estão ao nosso redor, seja na igreja, na família ou no ambiente de
trabalho.
O
orgulho de Efraim
Após
retornar vitorioso da batalha contra os amonitas, Jefté é confrontado pelos
homens da tribo de Efraim.
O
texto bíblico diz:
“Os
homens de Efraim perguntaram a Jefté: ‘Por que você foi lutar contra os
amonitas sem nos chamar para irmos com você?’”
(Juízes 12.1)
A
reclamação parece simples, mas revela algo mais profundo: eles se sentiram
desprestigiados. A vitória não havia passado por eles. O reconhecimento não
havia sido deles. O orgulho foi ferido.
Muitas
vezes, o problema não é a derrota. O problema é ver outra pessoa vencer.
Quando
o ego ocupa o lugar da humildade, torna-se difícil celebrar a vitória do irmão.
Em vez de alegria, nasce a inveja. Em vez de gratidão, surge o ressentimento.
Um
conflito que já havia acontecido
Curiosamente,
a mesma tribo já havia feito uma reclamação semelhante a Gideão.
Em
Juízes 8.1 lemos:
“Por
que você fez isso conosco? Por que não nos chamou quando foi lutar contra os
midianitas?”
A mesma tribo.
A mesma reclamação.
O mesmo orgulho ferido.
Eles
também questionaram Gideão por não terem sido convidados para a batalha.
Mas
existe uma diferença fundamental entre os dois episódios.
A
resposta que evita guerras
Gideão
respondeu com humildade.
Ele
ouviu a reclamação, valorizou a participação dos homens de Efraim e procurou
preservar a unidade do povo.
O
resultado foi imediato:
“Quando
Gideão falou isso, eles ficaram satisfeitos e se acalmaram.”
(Juízes 8.3)
Uma
resposta humilde evitou uma guerra entre irmãos.
Jefté,
porém, respondeu de maneira diferente. O diálogo deu lugar ao confronto. O
orgulho de um lado encontrou o orgulho do outro. E aquilo que poderia ter sido
resolvido por meio de uma conversa transformou-se em uma tragédia nacional.
Milhares
de israelitas perderam a vida.
Quando
irmãos lutam entre si
O mais
triste dessa história é que ambos pertenciam ao povo de Deus.
Enquanto
deveriam estar unidos contra os inimigos que os cercavam, estavam combatendo
uns aos outros.
Enquanto
desperdiçavam forças em conflitos internos, seus verdadeiros adversários
continuavam se fortalecendo.
Essa
realidade continua atual.
Quantas
igrejas se enfraquecem por causa de disputas desnecessárias?
Quantos
relacionamentos são destruídos porque alguém precisa provar que está certo?
Quantas
famílias carregam feridas profundas que poderiam ter sido evitadas por meio da
humildade?
A
pergunta que fica é simples:
Quantos
conflitos seriam evitados se houvesse mais humildade e menos necessidade de
provar quem tem razão?
O
chamado de Jesus para a unidade
Quando
falamos sobre unidade, não estamos defendendo cumplicidade com o pecado.
Unidade
não significa ignorar o erro ou abandonar a verdade.
Unidade
significa caminhar juntos em torno de um propósito maior: glorificar a Deus e
proclamar o Evangelho.
Na
noite anterior à sua crucificação, Jesus orou por nós:
“E
peço que todos sejam um.” (João
17.21)
Essa
foi uma das últimas orações do Senhor antes da cruz.
Jesus
não pediu uniformidade. Ele pediu unidade.
Uniformidade
é quando todos são iguais.
Unidade
é quando pessoas diferentes, com histórias, opiniões e experiências distintas,
conseguem caminhar juntas por causa de Cristo.
A
verdadeira unidade é um testemunho poderoso para o mundo.
Uma
pergunta para refletir
Diante
de cada conflito, precisamos fazer uma pergunta sincera:
Estou
defendendo a verdade ou apenas o meu ego?
Nem
toda discussão é motivada pelo amor à verdade.
Muitas
vezes estamos apenas tentando proteger nosso orgulho, preservar nossa reputação
ou provar que estamos certos.
O
apóstolo Paulo escreveu aos efésios:
“Façam
tudo o que puderem para conservar, por meio da paz que une vocês, a união que o
Espírito dá.” (Efésios 4.3)
Observe
a expressão: “façam tudo o que puderem”.
A
unidade exige esforço.
Exige
humildade.
Exige
renúncia.
Exige
maturidade espiritual.
Aplicação
para nossa vida
Aprendemos
em Juízes 12 que o orgulho produz feridas entre irmãos.
Aprendemos
em Juízes 8 que a humildade pode impedir guerras desnecessárias.
Por
isso, antes de entrar em um conflito, pergunte a si mesmo:
- Estou buscando a glória de Deus ou a
minha?
- Estou promovendo a unidade ou alimentando
a divisão?
- Estou defendendo a verdade ou apenas o meu
orgulho?
Que
possamos aprender a celebrar as vitórias dos nossos irmãos.
E, se
em algum momento não formos convidados para determinada batalha, que saibamos
descansar na soberania de Deus, certos de que Ele continua dirigindo todas as
coisas para a Sua glória.
Que o
Senhor nos dê humildade para preservar a unidade do Seu povo.
Que
Deus abençoe rica e poderosamente o seu dia!
Cláudio Eduardo M. Costa
Humanizando Compaixão
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