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terça-feira, 3 de maio de 2011

A IGREJA E O MINISTÉRIO DA AÇÃO SOCIAL

A IGREJA E O MINISTÉRIO DA AÇÃO SOCIAL
UMA ANÁLISE DOS ASPECTOS SOCIAIS À LUZ DA BÍBLIA







por








Cláudio Eduardo de Macedo Costa









Monografia apresentada para cumprir os requisitos
da disciplina de Monografia de Bacharelato II
e em cumprimento parcial das exigências
do Curso de bacharel em Teologia em 1993.













SEMINÁRIO TEOLÓGICO BATISTA DO SUL DO BRASIL
1993



FICHA CATALOGRÁFICA





Costa, Cláudio Eduardo de Macedo
     A Igreja e o Ministério da Ação Social:
     uma análise dos aspectos sociais à luz da Bíblia
     Rio de Janeiro, STBSB, 1993.


     v, 38 f.


     Monografia (Bacharelato em Teologia) STBSB


     1. Aspectos bíblicos da Ação social. 2. Razão do
descaso dos evangélicos para com a ação social.
3. Uma igreja vivendo a ação social. I. Monografia.
II. Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil.































SUMÁRIO







Ficha Catalográfica .........................................................................
ii

Sumário .........................................................................................
iii

Resumo ..................................................................................................
iv

Abstract ..........................................................................................
v

INTRODUÇÃO ..................................................................................................
6
I
ASPECTO BÍBLICO DA AÇÃO SOCIAL ......................................
8

1.1. A ação Social no Velho Testamento ......................................
10

1.2. Jesus e o Ministério de Ação Social ......................................
14

1.3. A Ação Social na Igreja Primitiva e na visão dos escritores do Novo Testamento........................................................................
20
II
RAZÃO DO DESCASO DOS EVANGÉLICOS PARA COM A AÇÃO SOCIAL............................................................................
27

2.1. Antecedentes Históricos ao descaso dos Evangélicos.............
27

2.2. Razões observadas do descaso ...........................................
29

2.3. Ação Social - uma realidade evangélica .................................
31
III
UMA IGREJA VIVENDO A AÇÃO SOCIAL ...................................
37

3.1. Os Programas denominacionais existentes ............................
37

3.2. Ação Social e Evangelização ................................................
40

3.3. Uma Igreja Participando dos problemas de sua comunidade ...
42

CONCLUSÃO .............................................................................
47

NOTAS DE REFERÊNCIA ...........................................................
50

OBRAS CONSULTADAS ............................................................
53























INTRODUÇÃO





Nunca se falou tanto em ação social como em nossos dias, quando milhões de pessoas estão vivendo na pobreza absoluta; a mendicância a cada dia aumentando; cresce o número de marginalizados pela sociedade, prostitutas, travestis, menores de rua e todos aqueles que são carentes de bens materiais. Falando sobre os desafios sociais da sociedade de hoje, Sílvia Regina Kivitz afirma o seguinte:



Constata-se o excedente da força de trabalho, o grande “exército de reserva”, aliado a questão da desqualificação profissional, ao analfabetismo (26% da população é analfabeta), à subnutrição, empurrando para  o subemprego, sem salários, sem garantias trabalhistas, INPS e outros. Choca-nos o fato de que 30% da população brasileira vivem em estado de miséria absoluta.

Muitos homens não encontram condições de sustentarem suas famílias com seus pequenos salários. As mulheres começam a contribuir com seu trabalho na manutenção da família. A população feminina economicamente ativa é de 37%, ganhando 3,5 vezes menos que o homem. Não obstante os pais assumirem a responsabilidade da casa, atualmente grande número de crianças contribuem significativamente no orçamento doméstico. A realidade do trabalho infantil explica muitas vezes o número elevado de evasão escolar(crianças escolarizáveis: 07 a 14 anos que abandonam a escola). De 1000 alunos  que ingressam na 1ª série, 62 concluem o 2º grau.

Uma das questões sérias que levam ao grande índice de analfabetismo no Brasil é que 60% da população é desnutrida. Mais da metade dos brasileiros vão dormir com fome todas as noites. A má alimentação afeta não só o corpo, mas mutila o cérebro durante a gestação, comprometendo até a 3ª geração. Oitenta por cento do desenvolvimento do cérebro acontece até os dois anos de idade da criança. A desnutrição também é causa da mortalidade infantil. Cerca de 300 mil crianças morreram no ano de 1984, antes de completarem 1 ano de idade.

Vivemos a triste realidade das crianças excepcionais, cujo indicador é de 5 milhões de crianças. No total, são 6 milhões de deficientes mentais, 2,4 milhões de deficientes auditivos e 1,2 milhões dos chamados deficientes múltiplos.

O censo de 1970 confirma o fenômeno do êxodo rural, quando pela primeira vez a história do Brasil registra que a população urbana é maior que a população rural (56% contra 44%).Em  198, 32,4% da população nacional vivam no campo.

Com a intensificação do crescimento industrial, o número de trabalhadores aumentou rapidamente. Com o crescimento da população trabalhadora intensificou-se a pressão sobre a oferta de habitação. Surge no cenário urbano o que será designado de “periferia” - aglomerados clandestinos ou não, carentes de infra-estrutura habitacional. a estatística mundial é de 1 bilhão de pessoas sem moradia (somos 4 bilhões no mundo). N Brasil, são 25 milhões de pessoas morando em favelas (censo de 1983), o maior número ainda vivendo em habitações deterioradas pelo uso e ocupação, os chamados “cortiços”.  Em São Paulo, 5 milhões de pessoas moram em condições subnormais. Nos confrontamos com a triste realidade de 36 milhões de menores carentes.

Eleva-se cada vez mais o número de adolescentes grávidas. Além do que, o Brasil é o campeão mundial de abortos, onde 3 a 5 milhões de mulheres recorre à interrupção da gravidez como método anticoncepcional. Paralelamente, a principal causa de morte entre as mulheres brasileira é o aborto provocado. 1


A partir desta situação desprezível do ser humano, fazemos as seguintes perguntas: O que a igreja, como Corpo de Cristo, tem feito para minimizar o sofrimento daqueles que padecem socialmente? Ou qual é o papel da igreja com relação a ação social? São duas perguntas importantes, as quais nos aprofundaremos no desenvolver deste trabalho, pois abordando a questão teológica da ação social, verificamos o que é o homem no plano de Deus, e qual o tipo de relacionamento que Deus espera que os homens tenham entre si, estaremos verificando também qual foi o comportamento e os ensinamentos de Jesus com relação aos problemas sociais existentes em sua época e como se comportaram seus seguidores no princípio da igreja. Pois a falta de uma compreensão teológica tem levado muitos grupos a se eximirem de tal responsabilidade, dividindo o homem em corpo e alma e procurando apenas o bem-estar da alma, esquecendo-se de suas responsabilidades sociais, conforme afirma Stott:



Não ficaremos apenas a conversa, planejando e orando, como aquele religioso a quem uma mulher desabrigada procurou em busca de auxílio e não sabendo ajudá-la, prometeu orar por ela. Posteriormente a mulher escreveu este poema e entregou-a a um dos diretores regionais da Missão Abrigo:

Eu tive fome,
e tu formaste um grupo humanístico para discutir minha fome.
Eu tive preso
e tu te retiraste discretamente para tua capela
e oraste pela minha libertação.
Estava nua e, na tua consciência, questionastes a moralidade de minha aparência.
Estive enferma
e tu te ajoelhaste e agradeceste a Deus por tua saúde.
Estava desabrigada
e tu me falaste do abrigo espiritual do amor de Deus.
Estava solitária
e tu me deixaste sozinha a fim de orar por mim.
Parecia tão santo, tão próximo de Deus!
Mas eu ainda estou com fome... e sozinha... e com frio. 2



A partir de uma reflexão teológica sobre o assunto verificamos através da Bíblia a preocupação de Deus com o homem, vendo-o como um ser integral.

Durante o decorrer da história, a prática do cuidado para com o próximo foi esquecida ou colocada em segundo plano, porém Deus tem sempre levantado homens para reavivarem a prática da ação social, analisaremos o descaso dos evangélicos e o retorno à prática da ação social como ministério integral da igreja. Neste último século a terra modificou-se substancialmente no aspecto social, sendo o progresso tecnológico o grande responsável, invenções tais como o avião, telefone, radioatividade, rádio, televisão, encurtaram as distâncias, e havendo uma grande integração entre as culturas. Além disso o mundo foi abalado com duas grandes guerras, fazendo com que os cristãos reavaliassem seus conceitos, principalmente na questão de quem é meu próximo? E qual a interferência de Deus no mundo?

Uma hermenêutica incorreta também contribui grandemente para que a ação social fosse esquecida pelos evangélicos, principalmente nas questões escatológicas. Houve uma super valorização da evangelização, deixando crer que o fim está próximo e a única coisa que tinha importância era a salvação da alma. Ao mesmo tempo em que separaram o corpo da alma, criaram uma distinção muito grande entre o sagrado e o profano, ou secular.

Delimitando o aspecto prático da igreja com relação a ação social, abordaremos mais detalhadamente o trabalho social dos batistas brasileiros, como antecedentes históricos e qual foi o seu progresso e o que temos feito hoje. É emergente para as igrejas hoje, um programa consciente e bíblicos do que é ação social. Tendo uma visão da complexidade do significado da palavra ação social, que segundo Birou é:



Entende-se vulgarmente por ação social uma intervenção voluntária, em muitos casos organizada, que tem por objetivo modificar o meio social, melhorar situações sociais ou mudar condições sociais.

A expressão é em si mesma bastante vaga. Devem distinguir-se dois níveis de ação social.
1. O nível do trabalho social, da assistência social, do serviço social que visa, no interior de um dado sistema e com base numa legislação determinada, trazer remédios para os males sociais mais importantes ou evitá-los e facilitar ao povo a solução dos problemas que ele não pode resolver sozinho.

2. O nível de uma ação social mais profunda sobre a sociedade que visa por vezes até mudanças nas estruturas sociais e nas instituições. neste caso, a ação social é constituída  por uma força ou um movimento que pretende operar reformas de caráter político, econômico, institucional, cultual, educativo, com vista a uma maior justiça social.




Não podemos mais ficar preocupados somente com os problemas, é necessário uma ação mais profunda buscando as causas dos problemas, tentando modificá-las para assim, termos soluções duradouras. A igreja hoje, mais do que nunca, precisa estar engajada nos problemas de sua comunidade, pois o corpo de Cristo perde completamente sua função se não demonstrar com prática que: “Ama o próximo”.






































I. ASPECTO BÍBLICO DA AÇÃO SOCIAL


Neste capítulo abordaremos a visão divina da ação social, como Deus vê este problema e quais as soluções encontradas para solucioná-lo. Abordaremos também a pessoa do ser humano no plano divino, tendo como base a visão teológica do homem.


1.1. A AÇÃO SOCIAL NO VELHO TESTAMENTO

  No Velho Testamento encontramos as narrativas da criação e queda do homem, como também os primeiros contatos de Deus com o homem caído e a promessa de um salvador que haveria de mudar as estruturas sociais e espirituais da humanidade.
Através da narrativa bíblica da criação constatamos que os problemas sociais não estavam nos planos divinos. Deus criou os homem bom e lhe deu o domínio sobre toda a terra e criação, como também uma esposa e terra para trabalhar. Nesta fase da vida do homem ele não tinha problemas, tinha um lar, uma família e um trabalho; trabalho este que dava satisfação e além disto um contato de intimidade com seu Criador. O homem tem o domínio sobre a criação e também um lugar de honra em relação a toda a criação divina, conforme vemos no Salmo 8:5-6: “Contudo pouco abaixo de Deus o fizeste; de glória e de honra o coroaste. Deste-lhe domínio sobre as obras das tuas mãos; e tudo pusestes debaixo de seus pés”.
Sendo o homem um ser moral, ele tem a liberdade de opção entre o mal e o bem, entre continuar servindo ou abandonar seu criador e para infelicidade da raça humana a escolha do homem foi errada, ele escolheu desobedecer a seu criador e este erro a Bíblica chama de pecado. Errando o homem teve que assumir as conseqüências, ou seja, a pena determinada por Deus que é a morte, que segundo A.B. Langston:


Possui duas significações: morte física e morte espiritual. Sendo que a primeira é simplesmente a separação do homem de seu corpo, com um sentido punitivo, perda da vida física. Já a morte espiritual é a separação entre o homem e Deus, sendo resultado da morte espiritual a perda da semelhança moral que o homem tinha com Deus e a corrupção dos poderes do homem”.4



Os problemas sociais estão baseados nas relações que os homens têm entre si; e após o pecado, o egoísmo, a maldade e a ambição são exemplos de sentimentos que passaram a fazer parte do relacionamento humano. A corrupção chegou a um ponto tal que, em Gn. 6,11 lemos que: “A terra estava corrompida diante de Deus, e cheia de violência”. Desagradando a Deus de tal forma que ele decidiu destruir a terra, ato consumado com o dilúvio, livrando somente a Noé e a sua família. Desta forma podemos concluir que os problemas sociais são conseqüências do pecado que domina a raça humana e aborrece a Deus.
Ainda no Velho Testamento temos os primeiros contatos de Deus com o homem caído, contatos estes em que demonstrava o que Ele é, e qual a sua vontade. E um destes contatos é o convite feito a Abrão para uma missão especial, “sê uma bênção”5. Abrão e sua descendência seriam responsáveis em transmitir a vontade divina para a raça humana. Por causa de uma grande fome que veio sobre a terra, Jacó, neto de Abrão, e seus filhos foram para o Egito, onde havia fartura e ali multiplicaram-se seus descendentes. Em determinado momento da história os descendentes de Abrão passaram a viver sob um regime de servidão, “portanto puseram sobre eles feitores para os afligirem com suas cargas”6. “Os egípcios faziam os filhos de Israel servir com dureza”7. Esta situação não agradava a Deus, que providenciou o livramento do povo escolhido para ser o portador de sua graça e todas as demais nações. Para liderar o povo de Israel no processo de libertação Deus convoca a Moisés, um hebreu que foi criado no palácio de faraó, mas que não se conformava com o sofrimento e a humilhação de seu povo.
No processo de libertação dos hebreus notamos o verdadeiros significado da ação social; era preciso acabar com a origem do sofrimento e não somente minimizá-los. E esta origem chamava-se escravidão e a solução era a liberdade conforme lemos no livro de Êxodo capítulo três e versos sete e oito, quando Deus falando a Moisés afirma: “... tenho visto a aflição do meu povo que está no Egito... e desci para o livrar da mãos dos egípcios e para fazer subir daquela terra para uma terra boa e espaçosa...”
Preparando o povo para a saída do Egito, Moisés os conscientiza da necessidade de lutarem pela liberdade e a confiarem que em todos os momentos Deus estava ao lado deles. O povo é liberto do jugo egípcio definitivamente ao passarem pelo Mar Vermelho, que milagrosamente se abriu para que o povo pudesse atravessá-lo sem sequer se molhares, demonstrando o livramento divino. Deus estava pelejando por eles, conforme afirmaram alguns egípcios.
Para que o povo de Israel não cometesse os mesmos erros dos seus opressores é dado a eles um código de leis que vai regulamentar o relacionamento do indivíduo para com Deus, e o relacionamento dos indivíduos entre si. Por se enfatizar neste trabalho a questão social, nos deteremos apenas no relacionamento entre os indivíduos. Sabendo que a fiel observância do relacionamento do indivíduo para com Deus certamente garantirá fidelidade no relacionamento dos indivíduos entre si.
Segundo Solomon Grayzel, em seu livro História  Geral dos Judeus:



Os dez mandamentos podem ser resumidos sob os seguintes princípios gerais: Deus, o redentor, não pode ser confundido com as forças da natureza, ou ser representado em qualquer forma física; o homem não se deve preocupar tanto com suas necessidades materiais, a  ponto de se esquecer do papel que lhe foi designado na história da criação, do qual o Sbath é o  exemplo mais notável; o homem deve ter em mente suas obrigações sociais, o respeito pelos pais e as relações morais com o próximo.



Abordando ainda a questão social do período mosaico e dos juizes, notamos que não há entre o povo judeu uma desigualdade social:



Diferente era o que se dava nos áureos tempos de Moisés e dos juizes. A sociedade tribal de Israel que estes haviam modelado e governado era despojada de bens terrenos excessivos e relativamente livre de desigualdades sociais. O bem do povo e o bem estar do indivíduo eram considerados os objetivos mais importantes da sociedade. Não deveria haver opressão de uma classe por outra, pois não tinham os próprios israelitas sofrido, certa vez, sob o jugo do cativeiro egípcio? Por que então desejariam eles oprimir seus próprios semelhantes quando em liberdade? Moisés havia-lhes ensinado a doutrina da fraternidade do homem: “Amarás ao próximo como a ti mesmo”. Por esta razão, todo israelita era obrigado a ser guardião de seu irmão, a protegê-lo e a sustentá-lo quando se sentisse fraco. O mandamento das Escrituras advertia: “E se teu irmão for pobre junto de ti... tu certamente abrirás a tua mão para teu irmão pobre e necessitado.” Essa formulação inspirava o seguinte comentário dos sábios do talmud: “não está escrito o homem pobre e sim teu irmão para demonstrar que os dois são uma só pessoa.9





Dentro deste período temos também o ano do Jubileu, que estava baseado na doutrina  de que todas as coisas e todas as criaturas que haviam no mundo não pertenciam ao homem, em absoluto, mas a Deus, pois que Ele as havia criado. Uma vez que a terra pertencia somente a Deus, ela deveria ser distribuída igualmente entre os homens, arrendada, por assim dizer, a todos os que desejassem cultivá-la, para evitar a formação de grandes propriedades,  decorrente de práticas de açambarcamento da terra pelos que eram poderosos e que não se submetiam às leis e a inevitável desapropriação dos pequenos fazendeiros sempre que acontecia deixarem de pagar  a seus credores, a lei bíblica, nas palavras austeras de Deus a Moisés, afirmava: “A terra não será vendida para sempre pois que a terra é minha.”10 Em conseqüência, depois de cinqüenta anos de propriedade, a terra que o lavrador houvesse trabalhado tinha que ser devolvida ao Estado para que fosse entregue a outra pessoa.
A remissão de todas as dívidas também constituía parte importante do programa do Jubileu, que havia sido designado para a proteção do pobre lavrador e do trabalhador do campo. Todo homem prejudicado ou aprisionado pelo não pagamento de suas dívidas, ou por qualquer outra razão, deveria ser liberto e reconduzido à família no Ano do Jubileu. Também tinha grande implicação social o mandamento que era expresso nas seguintes palavras contundentes: “devolverás a todo homem suas posses”. 11 Isso exigia a devolução de fazendas aos seus proprietários originais que talvez houvessem sido forçados a hipotecá-las. Também se referia à devolução de todas as outras posses dos pobres que estivessem retidas por algum credor.
Em todos os momentos da liderança dos juizes podemos notar uma preocupação do povo e dos líderes na observância da lei divina. No entanto o povo não estando satisfeito com o sistema de governo pode um rei, e neste período a responsabilidade social toma uma forma diferente, principalmente com o povo se torna sedentário. A responsabilidade principal do rei era manter a justiça e proclamar a lei. Destacando alguns fatos isolados podemos notar a preocupação com a justiça social neste período: o primeiro fato a destacarmos é a história da disputa das prostitutas por causa do bebê sobrevivente, episódio que se tem tornado o exemplo clássico da sabedoria de Salomão; duas prostitutas na presença do rei para o julgamento de uma causa, não houve discriminação por serem prostitutas; a disputa de um menino, o valor de um filho era a garantia de uma velhice segura, pois era a obrigação dos filhos sustentarem os pais na velhice.
Alguns rei falharam com a sua responsabilidade em fazer justiça, e o segundo fato a destacarmos é o julgamento de Nabote que ficava ao lado do palácio de Acabe, que havia tentado comprá-la, mas que Nabote recusava vendê-la, é forjado um julgamento, com a acusação de blasfêmia contra Deus e contra o rei. Julgamento arquitetado por Jesabel, mulher de Acabe, que providenciou testemunhos falsos e que levaram a Nabote a ser condenado ao apedrejamento até a morte. Neste período os profetas exerciam um poder de crítica contra tais atos por falarem em nome do Senhor.
Os profetas, portadores da mensagem divina para o povo, eram homens do povo e apesar de às vezes falarem de um futuro distante, este futuro estava relacionado com o presente. E o terceiro fato a  destacarmos é o discurso de Isaías no capítulo primeiro, onde é feita uma séria advertência aos líderes que são chamados de “governadores de Sodoma” e aos indivíduos que agem injustamente e são chamados de “povo de Gomorra”. Isaías demonstra também a recusa de Deus para com o culto prestado. O culto não é rejeitado em si mesmo, mas pela imoralidade dos que o praticam. Para Isaías, Israel traiu a Deus porque traiu aos pobres. E essa traição é levada a efeito pelas autoridades, que se encontram diante de dois grupos sociais: os ricos, que se enriquecem ilicitamente, e os pobres. Isaías exorta os líderes e o povo ao arrependimento: “aprendei a fazer o bem, buscai a justiça e acabai com a opressão, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva.”12
No Antigo Testamento o povo é sempre levado a refletir a questão social tendo por base a igualdade entre os homens e a visão de que um dos atributos divinos é a justiça, justiça esta que determina aos homens agirem também justamente.


1.2. JESUS E O MINISTÉRIO DA AÇÃO SOCIAL

Na história do povo judeu havia uma grande expectativa para vinda do Salvador, do Messias, e a visão geral era que o Messias seria um rei guerreiro e que haveria de libertar politicamente a nação judaica, porém aqueles que assim esperavam erraram. Jesus, o Salvador, o Messias, aquele que haveria de mudar a história da humanidade, já nasceu quebrando enormes barreiras. Por falta de acomodação adequada nasceu Jesus em estrebaria, os primeiros a serem anunciados do nascimento do Salvador foram pastores, classe discriminada pela elite judaica por não poderem cumprir rigorosamente a Lei, pois devido às necessidades de suas funções era-lhes impossível guardar o sábado. O messias nasce em um lugar humilde, mas já começa a marcar a história. Herodes, o Grande, sabendo de seu nascimento e não tendo condições de localizá-lo comete um grande infanticídio,  determina a morte de todos os meninos com menos de dois anos da cidade de Belém, no entanto por providência divina, Jesus não é encontrado. Jesus é uma criança normal, aprende o ofício de carpinteiro e com doze anos já discute com os doutores do templo, porém seu ministério começará bem mais tarde.
 Por volta dos trinta anos Jesus é batizado por João, o batista, marcando neste ponto o início de seu ministério, acompanhado de doze discípulos pregou na Galiléia, foi recebido pelo povo com entusiasmo por suas curas, suas parábolas e seu carisma, sofrendo forte oposição dos fariseus e das classes dominantes por seus ataques contra a hipocrisia.
O ministério de Jesus tem por finalidade trazer aos homens liberdade, do pecado, de satanás, da lei e da morte. Ao definir seu ministério em Lucas 4.17-21, no qual interpreta sua missão em termos proféticos.


Atribui-se assim o Senhor9 (a) um ministério de restauração material, pois se afirma enviado a restaurar os contritos de coração...; (b) um ministério de libertação social, desde que anuncia “liberdade aos cativos e abertura de prisão aos presos”, ...; (c)    um ministério de redenção espiritual, porquanto veio “apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança de Deus”...; (d) um ministério de consolação moral, uma vez que se propõe a “consolar todos os tristes”. 13



Jesus então tem um ministério libertador. Ele liberta os cativos, põe em liberdade os aprisionados. Cada cura, cada exorcismo executado por Jesus era um exercício concreto de libertação.
A mensagem e o testemunho de Jesus eram extremamente revolucionários para sua época, tanto que, no sermão da montanha após declarar as bem-aventuranças e o que ele espera de cada um de deus discípulos, Jesus explica a sua relação para com eles, na qualidade de Messias, especialmente conforme ele era interpretada em seu tempo.


Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. 14
Com efeito, aquele que diz: “não vim para revogar a lei, mas dar-lhe cumprimento” afirma: ou que ele acrescentará à lei o que lhe falta ou que cumprirá o que ela contém. 15


No restante do sermão da montanha Jesus começa a dar um novo significado para Lei, ele começou dizendo-lhes que não imaginem, nem por um momento que ele veio para “revogar a lei ou os profetas”, isto é, todo o Velho Testamento ou qualquer parte dele. O modo como Jesus enunciou esta declaração negativa dá a entender que alguns já pensavam exatamente nisso que ele agora estava contradizendo. ele falava com autoridade própria. Gostava de usar fórmula jamais usada por qualquer profeta antigo ou escriba contemporâneo. Ele apresentava alguns de seus mais impressionantes pronunciamentos com “em verdade digo”, falando em seu próprio nome e com sua própria autoridade.
Jesus revolucionou alguns conceitos de seu tempo como por exemplo o caso das mulheres, conforme nos relata J. Jeremias:


No oriente, a mulher não participa da vida pública; o mesmo acontecia no judaísmo do tempo de Jesus. quando a mulher saía de casa, trazia o rosto escondido por um manto, peça de pano dividida em duas partes, uma cobrindo-lhe a cabeça e a outra cingindo a fronte e canto até  o queixo, tipo de rede com cordões a fronte e caindo até o queixo, tipo de rede com cordões e nós. Desta forma, não se podia reconhecer os traços de seu rosto... A mulher que saía de casa sem ter a cabeça coberta, faltava de tal modo aos bons costumes que o marido tinha o direito, até mais, tinha o dever de despedi-la sem ser obrigado a pagar a quantia que no caso de divórcio pertencia à esposa, em virtude do contrato matrimonial.. Em conformidade com tais regras, as mulheres em público deviam passar despercebidas. Seria vergonhoso para um aluno de escriba falar com uma mulher na rua. 16


No livro de João no capítulo quatro é narrado o encontro de Jesus com a mulher samaritana, quebrando neste encontro barreiras sociais e culturais, demonstrando que sua preocupação é com o ser humano, independente de raça, sexo ou religião.
Jesus durante o seu ministério utilizou muitas vezes parábolas, para que ficasse bem compreendido seu ensinamento. Dentre estas, destacamos a parábola do bom samaritano, que apresenta um  forte conteúdo de ação social. 17 A parábola do bom samaritano foi dada a fim de ilustrar o importantíssimo mandamento da Lei: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”; podem-se fazer as seguintes observações a respeito: Jesus ensina um importante princípio de ética humanitária. O “próximo” pode ser uma pessoa inteiramente desconhecida, pode ser de uma raça diferente, e até mesmo desprezada, pode ser pessoa de outra religião, até mesmo conhecida como herética. Contudo, os cuidados de Deus por toda a humanidade devem manifestar-se nas vidas de todos quantos são chamados pelo nome. É muito instrutivo que Jesus tenha escolhido um samaritano para sua ilustração. Samaria, capital do reino israelita do Norte, caiu ante o império Assírio em 722 a.C. Embora o remanescente, que ficou na terra de Israel, tenha envidado o esforço de dar continuação à adoração ordinária, contudo, a mistura gradual com povos colonizadores enviados de várias partes do império Assírio, foi alterando paulatinamente a atitude e a adoração do povo, além de ter criado uma raça mista. A oposição que se instaurou entre os judeus de Jerusalém e os samaritanos, parece ter tido natureza inteiramente política quase, até o século V a.C.. e o advento de Esdras e Neemias, com a nova ênfase sobre a pureza natural, aumentou ainda mais a brecha entre essas comunidades. Os samaritanos haviam erigido um templo no monte Gerizim, e aceitavam a Lei de Moisés, mas não es escritos dos profetas, como porções integrantes das Escrituras. Assim sendo, foram-se alargando cada vez mais as diferenças religiosas. Jesus escolheu de propósito os desprezados samaritanos para ilustrar o correto tratamento que se deve dar ao próximo. Nem mesmo o altamente reverenciado levita demonstrou possuir o desenvolvimento espiritual e a graça para acudir a um semelhante seu em necessidade. Isso, juntamente com a mesma atitude exibida por um sacerdote deve ter sido especialmente contundente para os judeus que ouviam Jesus. O samaritano, desprezado pelos judeus por causa de sua raça, reputado por eles como um herético religioso, um pagão, um bárbaro, foi justamente aquele que se mostrou compassivo e que parou para socorrer a vítima. O fato de um samaritano ter sido usado como exemplo de amor fraternal, seria especialmente amargo para os judeus. a mera menção de tais indivíduos, sob uma luz favorável, por parte de Jesus, era suficiente para pôr os ouvintes em atitude de antagonismo, especialmente no caso do mestre da lei ou “escriba” que fizera a indagação que provocara a história da parte de Jesus. Os adversários de Jesus teriam ficado perturbados ainda mesmo que Jesus tivesse usado um “leigo” como contraste a um “sacerdote”, que pusesse este em uma luz desfavorável, quanto mais quando este contraste foi fornecido por um odiado “samaritano”. Acrescente-se a isso o fato que o homem assaltado por ladrões quase certamente seria um judeu. E assim vemos que um samaritano que ajudou a um judeu! Esta parábola do bom samaritano tem construído os hospitais do mundo e, se for compreendida e posta em prática, haverá de remover os preconceitos raciais, os ódios nacionais, a guerra e as lutas de classes. Esta história ilustra admiravelmente bem a qualidade dessa boa vontade. O amor ao próximo não se mostra calculista e mesquinho, como se foram meramente o dever de alguém; mas também se mostra, e quase poderíamos dizer, totalmente extravagante e abundante. Aqui está uma nota constante dos ensinamentos éticos de Jesus, que provavelmente é a nota mais constante. Ouvimo-la por muitas e muitas vezes no sermão da montanha, onde somos instruídos a amar aos nossos inimigos, a andar com ele a segunda milha e a dar-lhe também nossa túnica. Muitas das parábolas faz soar esta nota, como quando o patrão paga a seus trabalhadores o salário completo, embora alguns deles tivessem labutado apenas por uma hora; ou como quando pai recompensa com grandes presentes e uma grande festa, a  um filho totalmente indigno. Assim também, uma vez mais, encontramos aqui o grande sinal característico de Jesus: o fato que o próximo era tão completamente um estranho, por ser, acima de tudo, um samaritano; a extravagância de sua compaixão... o bom samaritano não estava procurando cumprir um dever seu... não tinha necessidade alguma de cumprir um dever... mas amou o seu próximo como a si mesmo.
Em outra ocasião durante seu ministério Jesus é questionado por alguns fariseus a cerca de qual seria o maior, ou grande mandamento da lei, assunto que criava muita controvérsia no judaismo. Como não poderia deixar de ser, Jesus declara dois mandamentos da lei que  enfatizam o amor: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento... e, amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. 18
O amor é a disposição básica de todo o ser da pessoa em relacionar-se com Deus, para a sua glória, e com o homem para seu bem. Nada pode interpor entre o amor de Deus e o amor ao próximo, o que, no sistema ético de Jesus, envolve a humanidade inteira. O amor é a essência da lei moral.
Durante o seu ministério Jesus sempre teve uma preocupação com o homem integra, “E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas suas sinagogas, pregando o evangelho do reino, e curando toda sorte de doenças e enfermidades”. 16 Com sua ênfase ao amor podemos concluir que o amor ao próximo está inseparavelmente ligado à ação. Ação esta que ele cobra ao dia do grande julgamento 19 quando ele separará os “bodes” das “ovelhas”, ou seja, os ímpios dos justos. Neste episódio Jesus afirma que: “tive fome, e me deste de comer; tive sede, e me deste de beber; era forasteiro, e me acolheste; estava nu, e me vestiste; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e foste ver-me”. 20 Mediante estas expressões, encontramos a diversidade de males e sofrimentos que sobrevêm aos homens. As reivindicações desses famintos, destituídos e estranhos clamam de forma universal, exigindo ação da parte dos homens, ação esta baseada em nossas sensibilidades. Temos uma sucessão de males, cada vez mais graves, entre os homens. Alguns podem estar padecendo sede e fome sem estarem totalmente destituídos, por más que sejam estas manifestações. Outros, porém, são destituídos de teto, vagueando sem lares e sofrendo de solidão, enfermidade e futilidade da pior espécie. Não há dúvidas que os tais, ao mesmo tempo, padecem de fome. Alguns vivem tão destituídos das possessões comuns da vida que nem ao menos possuem vestes apropriadas. Outros por falta de uma alimentação equilibrada, enfermam. Outros tem sofrido injustiças nas mãos das autoridades, e “apodrecem” nas prisões. A cada uma dessas desgraças o verdadeiro discípulo, a ovelha, precisa reagir: os atos de amor aqui citados não são tais que requerem meras doações de dinheiro, mas são tais que envolvem também o sacrifício de tempo, de forças, de descanso e de conforto.
A base da separação no juízo será a presença ou ausência de obras de amor na vida dos homens. Nessa justificação é pela fé’. No entanto, onde quer que os escritores do Novo Testamento se referem à fé verdadeira, a fé vivente e salvadora, esta vem acompanhada, inevitavelmente, por boas obras. No relato do juízo final, Jesus indica que a nossa atitude real frente a ele será revelada através da nossa atitude para com seus irmãos.
Durante seu ministério Jesus anunciou o Reino de Deus, com ênfase no chamado ao arrependimento e na aceitação das Boas Novas. Mas à proclamação acrescentou o ensino, porque ele tinha interesse na mente dos  homens. Estes deviam compreender as características do Reino de Deus, os requisitos para o ingresso nele e as bases para seu crescimento. Foi em completa coerência com  o seu prático ensino que Jesus se comprometeu com um serviço prático aos necessitados: curou os enfermos, alimentou os famintos, consolou os tristes e nos deixou um grande exemplo ao desempenhar o humilde trabalho de escravo, quando com água e uma toalha lavou os pés  de seus discípulos. Seu enfoque foi integral porque considerou que suas palavras e atos constituíam a um só ministério. As obras que fazia eram “sinais” do reino que proclamava. Sem dúvida, as boas obras de Jesus não devem ser entendidas somente como evidência da presença do reino de Deus e da derrota do reino de Satanás. Foram, além disso, e principalmente, frutos de sua própria compaixão. Esta era a motivação suprema de seus serviços! Jesus se comovia profundamente ao ver a necessidade humana e isso o movia à ação.
Por causa de sua mensagem “revolucionária” Jesus foi condenado à morte pelas autoridades religiosas judaicas, com a homologação da pena pelas autoridades políticas romanas. Seu julgamento foi juridicamente ilegal, pois o próprio juiz, que era Pilatos, considerou-o inocente: “apresentastes-me este homem como pervertedor do povo... não achei nele nenhuma culpa”. 21 Jesus foi também vítima de injustiças sociais, porém era plano divino e seu sofrimento em substituição aos homens. Ele não permaneceu morto, ao terceiro dia ressuscitou e antes de sua ascensão deixou alguns ensinamentos importantíssimos a seus discípulos, e podemos afirmar que a “grande comissão” é o resumo do que Jesus espera de seus seguidores é o amor em ação. Jesus está no céu, porém deixou a responsabilidade para com seus seguidores de seguir seu exemplo.

1.3. A AÇÃO SOCIAL NA IGREJA PRIMITIVA E NA VISÃO DOS ESCRITORES DO NOVO TESTAMENTO

Após a ascensão de Jesus, seus seguidores ficaram aguardando em Jerusalém algo especial. No dia de pentecostes, festa judaica que ocorria no qüinquagésimo dia após o segundo dia da páscoa, os discípulos de Jesus são revestidos de poder, através da experiência do recebimento do Espírito Santo. E para alguns intérpretes se considera o nascimento da Igreja como algo que ocorreu neste dia, tendo em vista que é o Espírito Santo que une os crentes formando com eles um corpo.
O livro de Atos é o único livro que conta a história da Igreja Cristã que foi escrito antes do século II d. C. e é através dele que analisaremos a questão social da comunidade cristã que nasce em Jerusalém e depois motivados por violenta perseguição são obrigados a fugirem, mas onde quer que chegam proclamam a Jesus, como Senhor.
Com relação à primeira comunidade cristã em Jerusalém, o autor do livro de Atos afirma: “Pois não havia entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam terras ou casas, cedendo-as, traziam o preço do que vendia, e o depositavam aos pés dos apóstolos. E se repartiam a qualquer um que tivesse necessidade”. 22 Conforme o relato desse texto, a comunidade vivia em comunhão exemplar. “Ninguém dizia que coisa alguma das que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns”. 23
Eles vendiam suas propriedades e o dinheiro era entregue aos apóstolos para a administração e estes faziam a distribuição à medida que houvesse necessidade. A primeira comunidade, pois, renunciou à propriedade privada em benefício dos irmãos carentes, vivendo em completa partilha dos bens. Eles estavam colocando em prática o amor, que Jesus demonstrou para eles, e eles deveriam demonstrar para com os outros. Mesmo estando em uma sociedade injusta, com classes sociais distintas, ou seja, ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres; com escravidão e outras injustiças sociais, na Igreja não havia estes problemas, pois todos eram iguais. Até que ponto este quadro corresponde à realidade histórica? Brakemeier afirma:


Há indício de que Lucas esteja projetando nos inícios a imagem ideal da Igreja. Estaria generalizando o que talvez tenha sido um ou outro caso isolado. E, finalmente, estranha a menção do exemplo de Barnabé. Pois se era praxe geral dar os bens à comunidade, qual é a razão de referência especial deste caso específico? Levantam a suspeita de a comunhão dos bens não ter sido completa como Lucas assevera. Em razão disto, há comentarista dizendo que nos defrontamos com uma imagem não histórica, mas ideal da primeira comunidade. 24


Não podemos negar que o escritor de Atos, até certo ponto, idealizou, pois comunidade perfeita jamais existiu, mesmo sob direção dos apóstolos. A menção de Barnabé provavelmente não se deve a excepcionalidade de seu exemplo, mas ao fato de ser pessoa conhecida em Antioquia, cidade na qual se conservou esta tradição e onde se tinha interesse biográfico em sua pessoa. Concluindo, Brakemeier afirma:


A primeira comunidade em Jerusalém de fato praticou comunhão de bens. Certamente, ela não foi total. Mas que houvessem pessoas que vendiam seus terrenos ou então colocavam sua casa e demais bens à disposição da comunidade pode ser resultado histórico e seguro. A comunhão daqueles primeiros cristãos se resumia numa comunhão de consumo. Não era uma comunhão de produção. Além disto, estava baseada integralmente no princípio da espontaneidade. 25


Na primeira comunidade de Cristãos, com toda certeza, podemos afirmar que havia muitos pobres e viúvas, além daquelas pessoas que ao converter-se ao cristianismo, eram marginalizadas, discriminados e em alguns casos até expulsos de suas casas pelos familiares que abominavam o cristianismo. Justificando desta forma de aqueles que tinham alguma propriedade dividir com aqueles que nada possuíam.
Na medida em que a comunidade cristã se desenvolveu numericamente, foi aumentando também a necessidade de fazer provisões adequadas para os membros pobres da igreja. Isso produziu o problema da distribuição e manuseio dos bens. A princípio esta responsabilidade ficou a cargo dos apóstolos, o que mostra a confiança e respeito que toda a comunidade possuía por eles. Mais tarde, no entanto, esta responsabilidade foi transferida para as mãos dos “diakonos”, pois os apóstolos estavam sobrecarregados, preferiam se dedicar exclusivamente ao ministério da palavra, conforme Cairns afirma:


Havia outra classe de oficiais que eram democraticamente escolhidos “com o consenso de toda a igreja. ”Sua tarefa era executar as funções administrativas dentro da igreja local. Estes oficiais surgiram com a divisão de funções e a especialização necessárias para ajudar os sobrecarregados apóstolos diante dos problemas de uma igreja em crescimento. 26


A comunidade cristã cresceu e se propagou e podemos notar que a preocupação com as necessidades dos irmãos continuou, tanto que em determinado momento da história a Igreja de Jerusalém passa por necessidades e uma igreja gentílica recém organizada, a igreja de Antioquia faz uma coleta e envia para aqueles irmãos que estão padecendo fome. “E os discípulos resolveram mandar, cada um conforme suas posses, socorro aos irmãos que habitavam na Judéia”.27 Temos aqui o primeiro exemplo de cooperativismo no Novo Testamento com sentido à ação social, ou seja, um grupo cooperando para diminuir o sofrimento de um outro grupo que está a passar necessidade.
Nesta fase a igreja já perdeu todos os preconceitos que porventura tenha trazido do judaísmo. E podemos notar que a necessidade que os crentes de Jerusalém estão passando possa ter sido causada pela generosidade de seus membros ou pelo padrão de vida comunal que eles adotaram, que deixou aquela igreja com uma vida econômica debilitada, mas a principal razão para essa crise foi a perseguição movida contra os judeus crentes, porquanto muitos deles perderam suas propriedades e seus recursos quando não perderam a própria vida.
Ao lermos o Novo Testamento, notamos no pensamento dos autores, suas preocupações na prática do amor e em não se fazer acepções das pessoas, é necessário vivermos da forma como Cristo espera que vivamos. Desses exemplos destacamos nos ensinos de Paulo os seguintes exemplos: “pois para com Deus não há acepção de pessoas”28 Paulo estava pensando aqui sobre a noção judaica que imaginava que Deus devia algo aos judeus, simplesmente porque eram descendentes carnais de Abraão, membro da nação que estabelecera uma aliança com Deus. Este texto nos mostra a imparcialidade divina, todos os homens diante de Deus são iguais, possuem os mesmos direitos e deveres a diferença está baseada, simplesmente em aceitar ou não o sacrifício salvífico de Jesus Cristo. “E vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim”. 29 Deve haver uma perfeita comunhão entre o crente o Jesus, aquele que deve ser o modelo a ser seguido. Se houver este tipo de comportamento estaremos combatendo de forma sincera as injustiças sociais.
O amor, no pensamento de Paulo, é peça fundamental na vida do cristão. “O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei”. 30 “Pois a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. 31 Notamos uma ênfase aos cristãos deixarem de lado o legalismo proveniente do judaísmo e uma busca constante em serem imitadores de Cristo, e o amor é peça fundamental neste processo. Havendo amor injustiças serão condenadas e combatidas, “o amor não se regozija com a injustiça”. 32
No tempo de Paulo, a escravidão era uma das formas mais cruéis da injustiça social. A escravidão era uma instituição universal no mundo antigo. No judaísmo, o escravo era membro da família, uma pessoa com direitos e dignidade. Porém, entre os gregos e romanos, o escravo não tinha direitos segundo a lei; ele não era considerado como pessoa, mas como uma coisa, um objeto. Houve algumas exceções notáveis, mas, no cômputo geral, a condição dos escravos era lastimável. eles estavam sob o controle absoluto de seu senhor. As faltas eram castigadas sem misericórdia. Os escravos fugidos eram marcados na testa com a letra F (de fugitivos), com fero quente. Os escravos eram propriedade de seu senhor, e comprados e vendidos como gado. Os seus filhos eram propriedade de seu senhor. Quando eles eram vendidos, eram desnudados e mostrados para que os compradores em perspectiva pudessem inspecioná-los. Faziam-nos trotar pelo mercado como cavalos, para provar a sua agilidade. Havia cerca de sessenta milhões de escravos no Império romano, nos meados do primeiro século. Este grande número de escravos era uma ameaça constante para o povo livre do mundo romano. Havia um provérbio comum: “Tantos escravos quantos inimigos”. Os escravos eram subjugados com mão forte e intimidados pelos terríveis exemplos. A lei romana decretava que, se um senhor fosse morto por um escravo, todos os escravos daquela casa deviam ser condenados à morte. Em 61 d. C., provavelmente alguns meses antes de Paulo ter escrito a Filemon em favor de Onésimo, ocorreu um caso que chocou Roma. O prefeito da cidade Pedanius Secundus, foi morto por um de seus escravos. O senado romano votou que a lei devia ser cumprida. Os quatrocentos escravos que compunham sua casa - homens, mulheres e crianças - embora bem se soubesse que eram inocentes quanto a esse crime, foram levados à morte.
Escrevendo a Filemon, Paulo está rogando por alguém a quem o mundo romano não oferecia nenhuma simpatia, compreensão, amor ou esperança. Um escravo fugitivo, que havia cometido uma série ofensa à lei romana. Nesta carta, Paulo pede que Filemon demonstre o seu caráter cristão e que passe a tratar a seu escravo como um irmão, como um membro da família, pois para ele: “não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus33 (Gal. 3.28). Cristo alterou o relacionamento do mundo, aniquilando todas as distinções criadas pelo homem.
Nas cartas paulinas há também uma grande preocupação com os necessitados tanto que ele determina aos gálatas que: “enquanto temos oportunidade,  façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé”. 34 Fazer o bem é uma obrigação daqueles que são imitadores de Cristo e não deve de maneira nenhuma ser exclusiva dos cristãos, mas deve atingir a todos e deve ser uma constante na vida dos cristãos, “não nos cansemos de fazer o bem”. 35
No pensamento paulino deve existir entre o cristão e Cristo uma interação que faça com que os cristãos sejam verdadeiros imitadores, levando o evangelho àqueles que estão perdidos, e a estarem prontos a sofrer por amor de Cristo. As injustiças são pecado e o cristão não deve viver como vive o mundo. “E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente”. 36
Os autores das cartas gerais também combatem as injustiças sociais. Em sua carta Tiago enfrentou uma situação em que as pessoas estavam professando fé em Cristo e participando da comunidade cristã sem perceber as vastas implicações morais e éticas de tal envolvimento. Para Tiago a vida cristã envolve uma batalha constante contra o pecado e as injustiças, a profissão de fé em Cristo exige uma ação prática do cristão, tanto que ele afirma: “Que proveito há, meus irmãos, se alguém disser que tem fé e não tiver obras? Porventura a sua fé pode salvá-lo? Se um irmão ou irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhe disser: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito há nisso? Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma”. 37 Com clareza, Tiago está se dirigindo a crente e está se opondo as pessoas que dizem ter fé , mas não praticam o que ele acha que um crente deve fazer.


A ilustração que Tiago escolhe para expor a insensatez da fé sem obras não apenas revela a difícil situação de alguns cristãos primitivos, frio e fome, e a reação inadequada de alguns de seus irmãos. As pessoas a que Tiago se opõe faziam algumas coisas; elas lhe desejavam que passassem bem e até oravam por eles. Porém, isto não os levava a lhe dar as coisas necessárias para o corpo; e a recusa para dar esse passo tornava inúteis a sua simpatia e a sua oração. Para Tiago, ser crente é realizar obras cristãs.



Nas cartas de Pedro é dado ênfase aos cristãos viverem em amor e a uma busca incessante da prática do bem. Tanto que ele afirma: “aparte-se do mal e faça o bem”. 39
A prática do amor é também parte integrante das cartas de João, e ele enfatizou inclusive o sofrimento se preciso for, tanto que ele afirma: “nós devemos dar a vida pelos irmãos”40 e “amemo-nos uns aos outros, porque o amor é de Deus”. 41
O aspecto bíblico da ação social apresenta com clareza a nossa responsabilidade social, pois em suas páginas a Bíblia nos mostra que Deus criou o homem perfeito e bom, e que o ama ilimitadamente. Porém, no ser humano tem liberdade, e as injustiças sociais existem porque o ser humano tem usado muitas vezes de forma errada esta liberdade, com ganância, maldade, crueldade, etc.





















II.  RAZÕES DO DESCASO DOS EVANGÉLICOS PARA COM A AÇÃO SOCIAL


Durante um período da história dos evangélicos a ação social foi tratada com descaso, principalmente entre 1900 e 1960, havendo neste período razões que levaram os evangélicos a agirem de tal forma. O contexto histórico e as produções teológicas contribuíram profundamente para que houvesse tal comportamento, no entanto na década de sessenta levantam-se homens preocupados com uma mensagem evangélica que procure atender o homem como um todo. Neste período notamos também que as razões apresentadas estão sempre relacionadas com a visão bíblica daqueles que estiveram produzindo o pensamento teológico. Conforme afirma Stott:



“É realmente estranho que em algum momento da vida os seguidores de Jesus tenham chegado ao ponto de perguntar se tinham algo a ver com engajamento social.”42



2.1.  ANTECEDENTES HISTÓRICOS AO DESCASO DOS EVANGÉLICOS

O contexto social e histórico no qual a igreja está inserida influencia profundamente no seu relacionamento para com o mundo, tanto que na Idade Média o horror da escravidão era aceito e, muitas vezes, até apoiado pelos líderes religiosos.
O mundo estava passando por um processo social que haveria de cobrar da igreja um posicionamento com relação às mudanças ocorridas. Queda do feudalismo e valorização das cidades e do comércio, descoberta de novas terras e colonização das mesmas; revolução industrial na Europa, Revolução Francesa pondo fim ao monarquismo absoluto e serenidade de exemplo a outras nações os ideais liberais dos franceses. E onde está a Igreja durante este processo social? Já que os problemas sociais ainda continuam a existir; fome, pestes na Europa, tráfico desumano de negros africanos, exploração dos povos americanos recém-descobertos.
As mudanças sociais ocorridas na Europa influenciaram profundamente a teologia evangélica do final do Século XIX e início do século XX, principalmente no tocante à perda de influência do catolicismo nos Estados europeus, tendo como razão fundamental a corrupção do clero. A frança, após sua revolução, declarou na sua Assembléia Nacional que as terras da igreja eram públicas, os mosteiros foram fechados por lei e os bispos passaram a ser escolhidos pelos mesmos eleitores que escolhiam os dirigentes civis e o papa seria apenas notificado da escolha.
As colônias americanas começaram a dar seus gritos de liberdade, cansadas de serem exploradas pela Europa, e começando pela revolução das colônias ingleses norte-americanas, que dando certo demonstrou a possibilidade de outras colônias serem livres. Nos Estados Unidos da América houve também, neste período, uma grande influência dos evangélicos nas questões sociais, principalmente com relação a escravidão, apesar desta visão não ser algo geral.
Com o desenvolvimento da ciência o mundo foi abalado pela teoria evolucionista. Embora a teoria da evolução negue a criação direta do homem por Deus, o prejuízo maior veio da aplicação da teoria ao desenvolvimento da religião. Deus e a Bíblia foram vistos como produtos evolutivos da consciência religiosa humana. A escatologia bíblica, para quem a perfeição só viria ao mundo por intervenção direta de Deus através da volta de Cristo, foi substituída pela doutrina evolucionista de um mundo que seria progressivamente melhorado pelo esforço humano.
O criticismo bíblico também faz parte do antecedente histórico, pois a concepção de que a Bíblia é apenas um manual ético, tornou-se o  método de interpretação a partir da metade do século XIX. E além do criticismo, o materialismo teve também uma grande influência no pensamento religioso que se formou a partir do século XIX.
No princípio do século XX o mundo á abalado por uma grande guerra, onde o progresso científico é testado, o avião, recém-inventado, é testado eficientemente como arma de guerra, milhares de pessoas são mortas ou ficam mutiladas, deixando muitos órfãos e viúvas vítimas dos horrores da guerra. Porém, devido à ganância de poder, vinte e cinco anos depois, o mundo é abalado novamente por um grande conflito bélico envolvendo quase todas as nações do mundo. A segunda guerra foi o maior exemplo de que até que ponto pode chegar a maldade humana. Neste período foram produzidos muitos pensamentos teológicos, alguns grandemente influenciados pelos horrores da guerra.  O ponto máximo desta guerra foi a utilização de arma atômica pelos americanos contra os japoneses, onde milhares de civis foram mortos ou mutilados, com a agravante de seqüelas futuras devido a energia atômica. E neste ponto fazemos a pergunta: “Quem é o meu próximo?”

2.2.  RAZÕES OBSERVADAS DO DESCASO

O pensamento teológico liberal estava devastando as igrejas na virada do século e sua principal característica era o desejo de adaptar as idéias religiosas à cultura e formas de pensar modernos. Os liberais insistem em que o mundo se alterou desde os tempos que o cristianismo foi fundado, de modo que as terminologias da Bíblia e dos credos são incompreensíveis às pessoas de hoje. E há também a rejeição da crença religiosa baseada exclusivamente na autoridade. todas as crenças devem passar pela prova da razão e da experiência e nossa mente deve estar aberta diante de novos fatos e verdades, independente de sua origem. A religião não deve proteger-se contra a análise crítica. Sendo a Bíblia - obra de escritores limitados, ela não é sobrenatural nem registro infalível da revelação divina e portanto não possui autoridade.
O liberalismo também manifesta um otimismo humanista. A sociedade está avançando em direção à realização do reino de Deus, que será um estado ético de perfeição humano. A escatologia liberal considera que a obra de Deus entre os homens é de redenção e salvação, não de castigo pelo pecado e este propósito será atingido no decurso de um progresso de ascensão contínua.
Nesta época os evangélicos ficaram tão preocupados a defenderem sua fé que não consideraram não possuir tempo para se envolver com problemas sociais, tanto que surgiu um movimento que tinha por objetivo reafirmar o cristianismo bíblico e defendê-lo contra os desafios da teologia liberal, da alta crítica, do darwinismo e outros pensamentos considerados danosos ao cristianismo. o marco inicial deste movimento foi a publicação de doze livretos, entre 1910 e 1915, intitulados “os fundamentos”. Nos quais se abrangiam os seguintes temas: uma declaração e defesa apologética das principais doutrinas cristãs; uma defesa da Bíblica contra a alta crítica alemã; uma crítica a movimentos considerados não cristãos; uma ênfase dada à evangelização e às missões e uma amostra de testemunhos de pessoas que contavam como Cristo operava em sua vida.
O movimento chamado “evangelho social” que na época estava sendo desenvolvido por teólogos liberais e o qual tinha suas idéias distintivas em torno das crises sociais e econômicas existentes e das respostas contidas dentro da Bíblia e da história cristã. Opondo-se individualismo que predominava na vida econômica e que dava apoio à competição irrestrita, os defensores do evangelho social insistiam na existência da fraternidade que incluísse cooperação entre administração e operariado.  Viam, na denúncia da injustiça pelos profetas, na vida e nos ensinos de Jesus e na iminência de um Deus de amor na sociedade humana as ações para uma ordem humana contrastante. Tal ordem seria realizada  no reino de Deus, reino este em que a vontade de Deus seria feita à medida que as vidas humanas expressassem seu amor em todas as esferas de seus relacionamentos e das instituições da sociedade. para os defensores do evangelho social os primeiros anos do século XX pareciam introduzir este reino com rapidez cada vez maior. O apogeu do movimento ocorreu com os lançamentos dos livros de Walter Rauschenbusch, “O Cristianismo e a crise social”, “Os Princípios sociais de Jesus” e “Uma Teologia para o evangelho social”. O problema deste movimento é que ele perde a visão da salvação individual e passa a ver apenas como algo que resultará das mudanças sociais ou como afirma o próprio Rauschenbusch “o propósito essencial do cristianismo é transformar a sociedade humana em reino de Deus através da regeneração de todos os relacionamentos Humanos”. 44 Esse erro teológico levou os evangélicos a condenarem o movimento e posteriormente a se envolverem, ou até criarem um programa social evangélico.
Com a Primeira Guerra mundial os evangélicos passaram a negligenciar com relação as suas responsabilidades sociais, principalmente por causa da desilusão e o pessimismo da maldade da guerra. Qualquer tentativa de reforma era inútil. Com a guerra houve um terreno fértil para a disseminação da doutrina pré-milenista, que considerava o mundo atual mal em si mesmo e sem qualquer condição de melhorar ou melhor dizendo, ele estará se deteriorando até a volta de Jesus que estará estabelecendo seu reino milenar aqui na terra.
Todas estas questões contribuíram grandemente para que a maioria dos evangélicos tratassem com indiferença as questões sociais, porém no Brasil além dessas influências temos uma questão bem particular que influenciou os evangélicos, que são os governos ditatoriais, nos quais o povo foi oprimido de tal forma que não podia de forma nenhuma lutar pelos seus direitos, sob pena de serem considerados inimigos do Estado e serem punidos duramente por isso. Questões como reforma agrária, direito de greve, direitos humanos e tudo o que envolvesse uma melhora social eram assuntos proibidos em nossas igrejas. para não se envolverem os líderes evangélicos preferiam se omitir em relação aos problemas sociais.

2.3.  AÇÃO SOCIAL UMA REALIDADE EVANGÉLICA

Apesar do descaso e dos variados problemas existentes com relação a ação social, sempre houve alguém  que se preocupasse com o problema do próximo, porém, afirma Stott, Presidente da Comissão que redigiu o pacto:



O ponto decisivo para o mundo evangélico, foi sem dúvida alguma, o Congresso Internacional sobre a Evangelização Mundial realizado em julho de 1974, em Lausanne, na Suíça, cerca de 2.700 participantes vindos de mais de 150 nações, reuniram-se sob o lema “Que o Mundo Ouça Sua Voz”, endossando no encerramento do Congresso o Pacto de Lausanne. Após três sessões introdutórias sobre o propósito de Deus, a autoridade da Bíblia e a singularidade de Cristo, seguiu-se a quarta palestra, intitulada “A natureza da Evangelização” e, em seguida “A responsabilidade Social Cristã”. Esta última declara que “a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte de nosso dever cristão”. 43


O Congresso de Lausanne foi extremamente significativo para os evangélicos de todo mundo, porém, após sua realização houve um período de certa tensão entre os evangélicos com relação a quem dar prioridade, ao evangelismo ou à ação social. Patrocinado pelo Comitê de Lausane e pela Aliança Evangélica Mundial realizou-se em Grand Rapids (EUA) no ano de 1982 a “Consulta sobre a relação entre a Evangelização e a Responsabilidade Social” cujo relatório final foi entitulado “Evangelismo e Responsabilidade Social: Um Compromisso Evangélico”.  Enfatizando que a atividade social é conseqüência e também um meio para a evangelização. Ambos são importantes e estão baseados nos evangelhos, nas boas novas de salvação. A seção cinco do pacto de Lausanne e tem por título “A responsabilidade Social Cristã”, afirma:


Afirmamos que Deus é  Criador e o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela reconciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. porque a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social’ mutualmente exclusivas. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que a  evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam, Quando as pessoas recebem a Cristo, nascem de novo em seu reino e, devem procurar não só evidenciar mas também divulgar a retidão do reino em meio a um mundo injusto. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta.43



Analisando esta seção do pacto, destacamos a seriedade do compromisso cristão e as suas conseqüências, o texto apresenta algumas doutrinas importantes que estão relacionadas com a ação social. Em primeiro lugar o texto inicia com uma afirmação sobre Deus, ou seja, Ele é “o Criador e o Juiz de todos os homens”. Deus não está preocupado somente com a igreja, ele está preocupado com todos os homens. Pois todos os homens foram criados por ele, e a Ele prestarão contas no dia do juízo.
Nesta seção do pacto também notamos que a responsabilidade social e a evangelização são nosso dever cristão, pois o homem foi feito a imagem de Deus. E esta imagem de Deus permite ao homem uma dignidade intrínseca, valor que pertence a todos os homens, “sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade”, Por isso o ser humano deve ser respeitado, deve ser amado e de maneira nenhuma deve ser explorado. A doutrina da salvação também é enfatizada, pois a liberdade social e política não é salvação, entretanto é nosso dever envolvermo-nos na ação social, não só pela nossa visão de Deus e do homem, como também pelo nosso amor para com o próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo.
Quando as pessoas aceitam a Cristo nascem de novo  passam a fazer parte de seu reino. Sendo cidadão do reino divino como fiéis súditos devemos nos submeter ao seu justo governo e temos a obrigação de evidenciar isto.
Concluindo esta seção uma frase polêmica em si mesma, “a fé sem obras é morta”.  O grupo de Lausanne concluiu que os cristãos precisam evidenciar sua fé através de um envolvimento sério e sincero com relação a ação política e a ação social. Não podemos negligenciar com nossas obrigações, e temos, muitas vezes, que estar preparados para pagarmos o preço deste envolvimento, pois em meio a um mundo injusto, o cristão tem por obrigação defender e lutar para preservar a justiça.
Com relação ao Brasil temos algumas declarações importantes no que diz respeito a ação social, na Assembléia da Convenção Batista Brasileira, realizada em Vitória, no ano de 1963, a Ordem dos Pastores corajosamente proclama um manifesto, abordando os “Direitos da Pessoa Humana”, “Igreja e Estado” e “Justiça Social”.  Em meio a uma repressão política é declarado o seguinte:



Embora nos regozijemos pelas conquistas sociais do povo brasileiro, reconhecemos a inadequação da presente estrutura social, política e econômica para a realização plena da justiça social, pelo que insistimos na necessidade de um reexame corajoso, objetivo e despreconceituoso da presente realidade brasileira, com vistas à sua reestruturação em moldes que possibilitem o atendimento das justas aspirações e necessidades do povo.
Essa necessidade ressalta da constatação da ineficiência dos institutos assistenciais do Estado, que transformam num favor concedido a custo, direitos líquidos dos trabalhadores; da irracional aplicação dos recursos públicos, que deveriam antes de se destinar, mas liberalmente, aos ministérios da Saúde, Educação e Agricultura, para a solução de problemas sociais angustiantes; da sobrevivência de regimes feudais de propriedade e exploração da terra; da generalizada pobreza das populações carecentes mesmo do alimento indispensável à sobrevivência; da injustiça na distribuição das riquezas, e da utilização destas para o cerceamento das liberdades essenciais;  da inadequada exploração das nossas riquezas naturais, cujo aproveitamento não só deveríamos intensificar, como fazer revestir-se de significação  social; do crescente empobrecimento do patrimônio nacional pela remessa para o exterior dos lucros, extraordinários auferidos em nosso país; da corrupção que tem campeado nos pleitos eleitorais, na prática policial (quer preventiva, quer corretiva), na previdência social, no preenchimento de cargos públicos, na aplicação dos recursos sindicais, etc.
São ainda evidência daquela afirmação o tratamento meramente policial dado aos movimentos populares da cidade e do campo, que mereciam ser antes objetiva e carinhosamente estudados, para que viessem a ser orientados construtivamente para o bem geral, através do atendimento das suas justas reivindicações; como também aos movimentos de greve, que, se muitas vezes desvirtuados, se constituem, entretanto, num instrumento legítimo de reivindicação social e de preservação dos direitos dos trabalhadores, e que deveriam, por isso mesmo, ser objeto de uma cuidadosa regulamentação.
Embora afirmemos ser a renovação do homem, mediante a transformação da personalidade, operada por Jesus Cristo, o fundamento básico sobre que terá de se alicerçar uma sociedade realmente nova, propugnamos também pela realização de reformas de base na vida nacional de sorte a possibilitar à criatura a concretização de seus legítimos anseios terrenos. Por isso, preconizamos a promoção urgente de reformas tais  como: a) reforma agrária, que venha atender às reivindicações do homem do campo explorado; b) reforma eleitoral, que venha liquidar as circunstâncias que possibilitam e estimulam os nossos maus costumes políticos; c) reforma administrativa, que ponha termo ao nepotismo, ao filhotismo e a ineficiência tão generalizada quanto onerosa dos serviços públicos; d) reforma da previdência social, que venha por em funcionamento as nossas leis sociais com o pleno reconhecimento e o efetivo atendimento dos direitos dos que trabalham. 44


Um ano após este manifesto o país é abalado por uma revolução, que haveria de violar todos os direitos do cidadão intimidando todos aqueles que porventura desejassem lutar pelos direitos do próximo.
Outros grupos evangélicos manifestaram-se também com relação a ação social, porém até meados da década de 80 o envolvimento social foi tímido.
Para os batistas brasileiros, o marco de um envolvimento social em massa foi o “Congresso Batista de Ação Social” realizado na  cidade do Rio de Janeiro, no ano de 1987, onde foram abordados questões relacionadas com a responsabilidade social da igreja.






III.  UMA IGREJA VIVENDO A AÇÃO SOCIAL


A igreja como Corpo de Cristo deve se preocupar com o homem na sua totalidade, independente de seus princípios religiosos ou políticos. A igreja não faz parte deste mundo, como o próprio Jesus afirmou, porém tem por obrigação transformá-lo. Há necessidade de um envolvimento sério e constante da igreja com sua comunidade.


3.1  OS PROGRAMAS DENOMINACIONAIS EXISTENTES

Devido a vários fatores, os programas sociais dos batistas brasileiros se apresentaram de forma tímida diante da extensão e das necessidades sociais existentes em nosso país. Porém, muito se tem feito nesta área, com a intenção de diminuir o sofrimento do próximo. A Junta de Missões Nacionais sempre teve uma participação decisiva nesta área desde sua criação, tanto que em abril de 1960 ela foi considerada entidade de utilidade pública. Abordando estes programas faremos uma apresentação sistemática.
O próprio Deus sempre se preocupou com as crianças, e foi com esta visão que foram organizados dois orfanatos, o Lar Batista F.F. Soren, em Itacajá, Goiás, fundado em 1942 e o Lar Batista Davi Gomes, em Barreiras, na Bahia, fundado em 1966. Há também em algumas cidades o  trabalho com os menores de rua, que estão dentro de um contexto extremamente violento e que necessitam de um cuidado personalizado e especial. Nos orfanatos há oportunidade de formar crianças e prepará-las para a vida profissional e espiritual. Tanto que muitos ex-internos destas instituições têm testemunhado do valor do amor cristão que ali receberam. Há também o Lar Batista Esperança, em Curitiba, que é um projeto especial que tem por objetivo trabalhar com crianças entre 0 e 3 anos que a eles são encaminhados pelo juizado de menores para um futuro processo de adoção. Hoje nos Lares Batistas temos aproximadamente 150 internos, muito pouco no contexto brasileiro, porém muito para aquelas pequenas vidas que nada têm e que o Lar Batista é tudo.
Na área da educação a Junta de Missões Nacionais já vem atuando há 57 anos e as escolas tiveram papel relevante no programa da Junta entre as décadas de trinta e sessenta. Chegando ao ápice em 1968 quando se registrava 61 escolas. Porém na década de 70 devido à nova legislação referente ao ensino,  e às muitas exigências determinadas pela chamada “Lei de diretrizes e bases”, o padrão educacional exigido por essa lei não podia ser satisfeito pela Junta, a não ser ficasse comprometido a evangelização direta. Hoje temos funcionando três colégios, o Colégio Batista de Tocantins, em Tocantínia no Tocantins que foi organizado em 1936 e possui 178 alunos nos cursos de 1º e 2º grau; o Instituto Batista de Carolina, em Carolina no Maranhão, com 334 alunos no seu curso de 1º grau e o Instituto Batista Correntino em Corrente, no Piauí com 449 alunos nos seus cursos de 1º e 2º grau. Nestes colégios com serviço de capelania tem atuado profundamente nos alunos e em seus familiares levando muitos a conhecerem a Jesus Cristo como Senhor e Salvador de suas vidas.
O Departamento de Ministérios Sociais da Junta de Missões Nacionais está também atuando junto à população indígena, atuando em oito tribos, sendo que este trabalho mais antigo é junto aos índios Xerente que data de 1959.
Devido a grande necessidade daqueles que são escravizados pelos vícios desde 1988 a Junta de Missões Nacionais tem também atuado nesta área e se tem confirmado como é grande o poder de Deus sobre suas vidas. No relatório apresentado em 1922 à Convenção Batista Brasileira o seguinte movimento de internos:


Passaram pelo projeto 111 pessoas, saíram 33 pessoas do projeto. Foram desligados 26 internos por motivo de indisciplina e recuperaram-se 17 pessoas, desistiram 43 internos.



O trabalho comunitário e o envolvimento social com a comunidade tem sido prioridade hoje no desenvolvimento de projetos da Junta de Missões Nacionais. E pela graça de Deus o sofrimento do próximo ou dos “pequeninos” tem sido minimizado.
A União Feminina Missionária tem também atuado de várias formas nesta área, através das “Casas Batista da Amizade” em seis capitais brasileiras, em 1986 foram atendidos mais de 7.000 crianças e adultos em ambulatórios médicos, cursos profissionalizantes, aulas bíblicas, cursos de artes domésticas, maternais, creches, cursos diversos. As casas da Amizade tem constituído realmente expressiva manifestação de amor e de praticidade da fé cristã.
Destas Casas da Amizade, destacamos a da cidade do Rio de Janeiro, localizada na Comunidade do Morro do Encontro, no bairro do Grajaú, constatamos a importância desta “casa” para sua comunidade. Ali existe uma creche e está em implantação um projeto denominado “Boa Tarde”, que tem por objetivo ocupar as tardes das crianças de 11 anos em diante que estudam pela manhã, e ficariam ociosas na parte da tarde à mercê de traficantes. É um trabalho preventivo, impedindo um processo de marginalização de crianças e adolescentes.
Diante da problemática social brasileira a Convenção Batista Brasileira em sua 45ª Assembléia em 1963 criou a “Comissão de Ação Social”, que tinha por objetivo:


Despertar os crentes para o cumprimento de sua missão profética no mundo, proporcionando-lhes uma compreensão objetiva das realidades humanas, auxiliando-os a encontrarem as soluções divinas para os problemas da criatura e oferecendo-lhes uma orientação segura no sentido de aplicação dessas soluções às situações específicas.


Com reflexo deste pensamento as Convenções Estaduais criaram suas juntas de ação social, e no ano de 1987 havia no território brasileiro 14 orfanatos, 4 asilos, 4 hospitais, 5 projetos de recuperação de viciados, diversos ambulatórios e cursos profissionalizantes e de alfabetização. Através desta estatística constatamos que muito se tem feito e ainda muito há por se fazer.
Na Convenção Batista Carioca, através de sua Junta de Ação Social, tem atuado em várias áreas, porém destacamos duas, a cidade Batista da Criança e o projeto Bom Samaritano. Na cidade Batista as crianças recebem um lar, recebem carinho, formação profissional e espiritual, porém, questionamos sua forma principal de manutenção, através de suas festas realizadas durante o ano, nos dias 1º de maio e 12 de outubro. As igrejas montam barracas, há shows e toda renda é revertida para a cidade Batista. o nosso questionamento é baseado na visão bíblica da obra social, pois grande parte daqueles que participam destas festas, pouco se importa com órfãos ou viúvas, mas estão querendo somente passar um dia diferente. Cremos ser necessário uma conscientização das igrejas de suas obrigações com as obras sociais e, se uma igreja não pode fazer sozinha, que  vote em seu orçamento uma verba específica para manutenção de obras conjuntas. Cremos que as despesas financeiras são grandes, porém é necessário uma conscientização profunda com relação à obra social, para que mais de 150 crianças não passem necessidades, e os batistas cariocas não sejam envergonhados.
O segundo projeto que destacamos é o “Bom Samaritano”, que tem por objetivo atender a população de rua do centro da cidade do Rio de Janeiro e a Zona Sul. É um projeto de fé e de muita coragem. Um projeto que começou meio tímido, mas que hoje reúne aproximadamente mais de mil pessoas na vigília que antecede a saída às ruas. Acontecendo uma vez no mês, há uma vigília de aproximadamente duas horas, objetivando capacitar os componentes com o poder de Deus para a difícil tarefa de compartilhar o amor de Cristo com quem desconhece o que significa a palavra amor. Porém, para a glória de Deus, muitos através deste projeto tem tido um encontro pessoal com Cristo Jesus, no entanto temos dois questionamentos: o que acontece com a população que vive na rua nos outros dias do mês? por que não atendermos diurnamente a população de rua?
Damos glórias a Deus por Ele ter usado homens e mulheres que sofrem com o problema do próximo, sensibilizados com as desigualdades sociais, procuram de acordo com os princípios cristãos minimizar os efeitos do sofrimento do nosso próximo.


3.2  AÇÃO SOCIAL E A EVANGELIZAÇÃO

Com a controvérsia ocorrida no final do século passado e início do atual entre o evangelho social e o liberalismo contra os fundamentalistas, levou a uma posição profundamente prejudicial para a ação social. Veio o pensamento em que contrapomos o corpo à alma, o indivíduo à sociedade e a fé às obras. Desta forma a responsabilidade foi reduzida ao bem-estar da alma, para a salvação do indivíduo e a valorização da fé. Uma posição biblicamente bem fundamentada, que levou à desconfiança e ao abandono quase completo das atividades de cunho social. Estas, quando muito, seriam admitidas como meio de facilitar a pregação da palavra.
Esta separação predominante entre a ação social e a evangelização é ainda hoje marcante na vida dos evangélicos em geral.
Nossas vidas devem refletir claramente as verdades que proclamamos. A fé sem obras é morte. A fonte da salvação e a graça e o meio para se alcançar a salvação é a fé. As obras são evidências da salvação, embora admitamos não ter Jesus tratado em seu ministério terreno de reformas institucionais e políticas, não podemos deixar de reconhecer ter Deus criado as coisas para atender as necessidades da pessoa humana, de todos os homens e não para que uns tenham muito e a grande maioria sofra por quase nada possuir. Diante desta grave situação não podemos ficar indiferentes se desejamos ser mensageiros de um Deus que ama a justiça. Devemos encarar honestamente os desafios de nossa época, e sermos sensíveis aos problemas humanos, tendo o cuidado de não negar que tenhamos qualquer responsabilidade social como cristãos.  Com certeza a ação social não é prioridade na missão da igreja. entretanto, a Bíblia nos exorta em várias passagens, a fazer o que estiver ao nosso alcance para aliviar o sofrimento humano e as injustiças.
Não podemos deixar também que a preocupação social torne-se prioridade na vida da igreja, absorvendo todo o tempo e energia. Mesmo que desenvolvêssemos uma visão utópica materialista, na qual cada habitante do planeta tivesse o que comer, não lhe faltasse uma moradia e roupas e recebesse cuidados em todos os sentidos.  E estivesse longe de Deus, ainda lhe faltaria paz, felicidade e alegria, as quais almejam seu coração. Se não tem um relacionamento pessoal com Cristo, o homem está perdido. O homem é um ser espiritual e de maneira nenhuma se sente realizado ou satisfeito enquanto sua alma não está em paz com Deus.
Quando falamos de ação social e evangelismo, não podemos de maneira nenhuma deixar de considerar que o testemunho da igreja fala muito mais alto que sua retórica. Este testemunho  não  se dá pelo seu discurso mas muito mais por sua presença na sociedade. o evangelismo anônimo é bem menos eficiente que o evangelismo informal, feito pelo estilo de vida pois neste aspecto há uma interação entre a teoria e a prática. Em seu livro “Os compromissos da Missão”, Manfred Grellert afirma o seguinte:


Duas coisas são imprescindíveis na evangelização eficiente: a encarnação e a versatilidade metodológica, Encarnação, seguindo o exemplo de Cristo, é identificar-se com as necessidades de busca de nossa geração. É falar a partir da convivência, da proximidade, da sensibilidade pelas dores e aspirações de nosso povo. Versatilidade metodológica, quer dizer que não se pesca baleias com anzol de lambari. A evangelização de grupos humanos distintos exige metodologias específicas, mas nunca prescindindo da encarnação. 45


Não dissociar ação social da evangelização, pois seria o mesmo que a teoria sem a prática. Na missão integral da igreja é necessário uma comunhão constante com Deus. Mesmo falando de comunhão com Deus corremos o risco do escapismo, ou seja, de usarmos a fé como refúgio ou escusa para não agirmos. Todos nós precisamos vigiar para evitarmos que nossa fé se transforme em ritualismo vazio e rotineiro como o do sacerdote e do levita na parábola do Bom Samaritano. Ambos voltaram do templo, onde desempenhavam funções de liderança na liturgia. Mas falharam, porque após a pretensa comunhão com Deus não puderam mover-se de compaixão para com o pobre necessitado.
A salvação se evidencia em termos práticos, no tipo de vida que vivemos. Não só a qualidade de vida pessoal, mas também a qualidade e intensidade de nosso compromisso para com o próximo. Precisamos desenvolver uma vida de comunhão intensa com Deus que se traduza em uma vida de compromisso total com o nosso semelhante, não podemos perder de vista a  necessidade do homem reconciliar-se com Deus através de Jesus Cristo. Mas que esta necessidade seja levada até o nosso próximo por meio de palavras e ação. O Evangelho é o poder de Deus para a salvação do homem. Precisamos considerá-lo algo valiosíssimo, que não pode de maneira nenhuma ter sua mensagem deturpada por chantagem ou troca de favores. Evangelismo e ação social devem estar lado a lado na missão da igreja, um complementando o outro, visando atender o homem em todas as suas necessidades quer material quer espiritual.




3.3  UMA IGREJA PARTICIPANDO DOS PROBLEMAS DE SUA COMUNIDADE

O cristão precisa aprender a viver com o dualismo que é marcante em sua vida, ele é cidadão do reino de Deus e ao mesmo tempo membro de sua comunidade, e de maneira nenhuma ele deve isolar-se de uma em detrimento a outra. Quer queira ou não ele está envolvido com sua comunidade, porem,  a questão entre o sagrado e o profano o faz agir de uma forma dentro da igreja e de outra fora dela.
O primeiro aspecto a enfatizarmos com relação à igreja participando dos problemas de sua comunidade é o seu envolvimento político. Definindo a palavra política concluímos que ela denota a vida na cidade e as responsabilidades do cidadão, e a arte de se viver em conjunto, em uma sociedade. E sendo o homem um ser social ele é também político por natureza. E se hoje temos as instituições democráticas, é mister que a igreja atue politicamente, pois a ação social deve também procurar mudar as estruturas ocasionadoras dos problemas sociais.
O argumento utilizado por muitos para evitar o envolvimento político da igreja é que Jesus e seus discípulos não se envolveram com política. Realmente Jesus não formou nenhum partido político, não fez passeata criticando o governo e o governante e nem incitou nenhuma revolução. Porém cremos que política não é isso.
No sentido mais amplo, no entanto, todo o ministério de Jesus foi político, pois viveu em comunidade, criticou os presunçosos e arrogantes, apresentou uma mensagem que proclamava a transformação ética, moral e social do indivíduo. Jesus trabalhou com a base política da sociedade, o indivíduo.
Se a ação social deve buscar eliminar as causas das necessidades humanas e procurar transformar as estruturas da sociedade na busca da justiça, a igreja não pode praticar a ação social se não se envolver com a política. Porem de que forma deve ser este envolvimento? Cremos que este envolvimento está baseado na educação, educar o povo que eles possuem direitos de cidadão, e que devem exercer este direito com responsabilidade, amor cristão e principalmente de acordo com a vontade de Deus. O voto, consideramos ser o maior destes direitos, a igreja não deve apoiar candidato, partido político ou facção. Porem deve defender idéias, idéias e  não somente suas necessidades, mas sim, as necessidades de sua comunidade onde ela está inserida. Não deve também trocar favores, a igreja é separada do Estado e assim deve se manter. Consciência política pressupõe responsabilidade e envolvimento social. Todas as decisões sociais importantes se consumaram basicamente por decisões políticas, como por exemplo: a libertação dos escravos, direitos dos trabalhadores, reforma agrária, emancipação da mulher, direitos humanos, etc. E certamente em todas estas situações houve influência dos valores morais e éticos do cristianismo.
O segundo aspecto a enfatizarmos com relação ao envolvimento da igreja com sua comunidade envolve algo mais prático, ou seja, a igreja vivendo a ação social. É a igreja materializando o poder de Deus.
Cada crente e cada igreja estão relacionados com a sociedade e seus problemas, pois é impossível separar o indivíduo dos problemas que afligem tratando apenas o aspecto espiritual, tendo em vista que a missão da igreja é adorar, cultuar, ensinar, nutrir, proclamar, evangelizar, servir e ministrar.
A igreja deste modo poderá influenciar no bairro, no morro, na rua, nos centros comerciais, nos centros residenciais, nos conjuntos habitacionais de tal forma que evangelização tomará um impulso dinâmico, o crescimento da igreja será uma constante, o desenvolvimento dos membros será surpreendente, pois muitos que ainda não tenham se despertado para trabalhar, ser um crente ativo, dinâmico, agora com a oportunidade de atuação em variadas áreas vão se sentir mais úteis na obra de Deus e irão influenciar outros, sem contar que os novos crentes que surgirão com este ministério já entrarão no ritmo com o exemplo dos irmãos. Jesus disse: “Assim como o Pai me enviou, também, eu vos envio a vós”.
Para que se possa implantar este ministério na igreja é  preciso que a igreja seja conscientizada das necessidades e dos problemas da comunidade, que são visíveis e invisíveis aos nossos olhos. É preciso que a igreja se concientize das possibilidades de servir e das oportunidades de evangelizar e também dos resultados que este ministério proporciona para igreja. Podemos detectar as seguintes necessidades mais evidentes nas comunidades de diversos níveis sociais: beneficência, multiministério, saúde, orientação social, auxílio jurídico, biblioteca comunitária, creche, clubes recreativos, encontros de grupos especiais. Na área da beneficência podemos incluir a dispensação de alimentos básicos as famílias que se apresentarem com justificativas justas as necessidades; famílias estas que seriam portadores de alguma   doença que impossibilitasse de no momento prover qualquer tipo de alimento ou sustento, que porventura tivesse  sido acometido de desemprego no momento, de forma que não tivesse como se manter sendo que esta providência de alimento seria no momento, sem nenhum compromisso vindouro, a beneficência funcionaria como uma providência do momento, uma emergência. Isso descartaria automaticamente a intenção daqueles que pensam que a igreja tem responsabilidade de sustentar definitivamente e também dispensaria aqueles que pensam que podem transferir para a igreja a responsabilidade que é deles: a provisão de sustento de sua vida e de sua família, deixaria bem claro que a igreja precisa ajudar a todos de igual modo e também de que homem precisa se conscientizar de que Deus não faz aquilo que o homem pode fazer. Juntamente com a dispensação de alimentos podemos também ter roupas e sapatos usados em condições de uso a família da igreja ou não que do mesmo modo como a alimentação se apresente justificando da necessidade de obterem os objetos sem deixar que façam da igreja uma loja beneficente de quando quiserem estão prontos para o bem servir para a sua vaidade.
O multiministério é o plano pelo qual a igreja não somente  se torna melhor mordoma de seu prédio, pelo múltiplo uso dele, mas também se faz presente na comunidade como um mensageiro do evangelho e um exemplo vital de amor cristão, preocupando-se com os vários problemas do povo. Nesta área a igreja pode contribuir com sua comunidade oferecendo cursos profissionalizantes ou de interesse social. Esta atividade não deve ser estranha ao programa da igreja,  mas sim a igreja em si realizando a sua missão divina de servir em nome de Cristo. Isso consiste em uma ação bilateral: a igreja saindo com amor e compaixão em busca da comunidade e os moradores da comunidade indo em busca da igreja, Hoje temos uma infinidade de cursos que a igreja pode atuar.
Na área de saúde e orientação social a igreja se faz presente ministrando aos enfermos, quando o sistema público de saúde está tão desgastado, dependendo da comunidade, um ambulatório médico é de extrema importância. Com relação  à orientação social, existem milhares de brasileiros que são indigentes, ou seja, não possuem nenhum tipo de documento. Outros, devido as calamidades, perderam ou tiveram seus documentos extraviados. A orientação social poderá ajudá-los neste aspecto. Como também poderá possuir uma bolsa de emprego, e em outros aspectos da vida social.
Com a queda do poder aquisitivo das famílias, na sua grande maioria, as famílias pobres necessitam que a mulher exerça atividade profissional fora do lar. Pela graça de Deus muitas igrejas tem aberto suas portas para se ter uma creche, pois o maior problema para a mulher que trabalha fora do lar é muitas vezes os filhos. Com esta atividade, lares têm sido influenciados positivamente pelos ensinamentos cristãos que seus filhos recebem.
Nas demais áreas apresentadas a igreja estará também se envolvendo, atuando e se fazendo presente na comunidade, Dewey refletindo sobre a afirmação de João em que: “E o verbo se fez carne, e habitou entre nós...” ele afirma o seguinte:


Como cristãos somos compelidos a seguir o exemplo de Cristo, em atitude e em comportamento. Ele caminha conosco, o seu trabalho torna-se nosso trabalho. Ele torna-se responsável pelo sucesso do mesmo.
Vá até o povo.
Viva com o povo
Aprenda com o povo
Planeje com o povo
Trabalhe com o povo
Comece com aquilo que o povo sabe
Construa sobre aquilo que o povo possui
Ensine demonstrando; aprenda fazendo
Não improvisando, mas estabelecendo um sistema
Não se utilizando de esforços fragmentados,
mas de uma abordagem integrada
Não dando assistência, mas trabalhando para
a sua libertação. 46


A igreja hoje, mais do que em outros tempos, precisa se fazer presente na sociedade onde está inserida, deixando as marcas de Cristo na vida daqueles que estão à sua volta.






















CONCLUSÃO



E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas suas sinagogas, pregando o evangelho do reino, e curando toda sorte de doenças e enfermidades. Vendo ele as multidões compadeceu-se delas. 17



Sendo a igreja o Corpo de Cristo, cremos que o Corpo deve seguir as determinações do Cabeça, que é Cristo. Analisando o problema do ministério da ação social na igreja, concluímos que a partir de uma hermenêutica consciente e madura do texto bíblico nos conscientizaremos que a ação social é também um problema nosso. Pois algumas conclusões doutrinárias nos demonstram isto.
O primeiro aspecto doutrinário é a respeito da pessoa de Deus, pois afirmamos que ele é infinitamente bom, justo e perfeito. Criador de todas as coisas, inclusive do homem, como criador, Deus ama suas criaturas, independente de qualquer coisa. Sendo Deus justo e amando suas criaturas, sabemos que ele condena qualquer tipo de injustiça. E durante a história, em momentos de abusos, Deus levantou homens para que em seu nome condenassem tais situações.
Em segundo lugar, a questão do homem na visão teológica é extremamente importante. Deus criou todo o universo, a terra e tudo que há nela e por fim criou o homem. Criatura esta com características bem diferentes de toda a criação. O homem foi feito à imagem e semelhança de seu  criador, um ser moram e espiritual. Toda a criação divina estava à disposição do homem, nada lhe faltava. No aspecto social constatamos o triste quadro de vermos aqueles que foram criados à semelhança de seu Criador sendo condenados a morrerem de fome, sendo humilhados, não possuindo o necessário para sua sobrevivência.
O terceiro aspecto doutrinário a analisarmos é com relação ao pecado. Que nada mais é do que a intromissão da vontade do homem na vontade do Criador. Deus deu liberdade ao homem, e este optou em se afastar dos propósitos divinos. O pecado é a razão da existência dos problemas sociais.
Em quarto lugar a doutrina com relação à salvação é de valor inestimável, cremos ser a salvação o momento em que o indivíduo aceita todo o sacrifício demonstrado por Deus para sua recuperação, passando a fazer parte do seu reino eterno. Como cidadãos do reino de Deus não podemos de forma nenhuma aceitar ou compartilhar com injustiças. A salvação é para todos os homens sem qualquer tipo de distinção. É um ato de transformação total do indivíduo.
O quinto aspecto é a influência da vida de Cristo no mundo. Jesus Cristo é Deus encarnado, ou seja, Deus se fez homem, conviveu com os homens, sofreu como os homens e conhece de perto todos os problemas da humanidade. Cristo é a prova do amor divino para cada ser humano, morrendo na cruz em lugar de cada um de nós, demonstrando o valor que cada indivíduo tem para Deus. Durante seu ministério terreno Cristo sensibilizou-se com os problemas da humanidade, muitas vezes curando e ensinando, demonstrando que ele se preocupa cm o homem integralmente.
Finalizando os aspectos bíblicos é importante sabermos o que é a igreja e qual é a suam missão. A igreja é a comunidade dos indivíduos transformados pela mensagem do evangelho e a sua missão é apresentar em todos os aspectos o amor de Deus para com os homens. A igreja deve influenciar o mundo com a sua mensagem de salvação, justiça e amor.
Partindo-se do pressuposto bíblico concluímos que na visão divina ele espera que a igreja, portadora da  mensagem profética se levante e aja para que os problemas sociais sejam minimizados.
No decorrer da história da igreja houveram épocas em que ela negligenciou suas responsabilidades sociais, porem Deus levantou homens que conscientes de suas responsabilidades levantaram grupos a se envolverem com a causa do próximo. Neste aspecto o Congresso de Lausanne tem participação ativa neste processo nos tempos atuais.
Apresentamos os aspectos bíblicos, a situação histórica e o que os batistas brasileiros têm feito para minimizar estes problemas. Porém, concluímos que a necessidade do nosso povo é enorme, possuímos problemas sociais gigantescos, e ainda há muito a se fazer. A igreja precisa em primeiro lugar, como comunidade local, através de sua liderança, ensinar a sua membresia a amar ao próximo, a cumprir com responsabilidade suas obrigações sociais e a serem verdadeiros seguidores de Cristo. Atendendo as necessidades básicas de sua comunidade, envolvendo-se com os problemas, ajudando nas suas resoluções e sendo um local onde a comunidade possa ter certeza de que haverá de encontrar ajuda espiritual e material quando for o caso.
Não queremos ser a última palavra no assunto, pois sabemos que os problemas sociais são dinâmicos e cada região possui características próprias. Sabemos também que além dos batistas brasileiros outros grupos evangélicos têm atuado em profundidade na área social. As necessidades são muitas, e muito já se tem falado sobre o assunto, agora é hora de ação. Demonstremos o amor de Deus com atitudes práticas, amemos ao nosso próximo.




























NOTAS DE REFERÊNCIA


1. Kivitz, Sílvia Regina. Congresso Batista de Ação Social, Os desafios sociais da sociedade hoje.

2. Stott, John R. W. O Cristão em uma sociedade não cristã. pg 28

3. Birou, Alain. Dicionário de Ciências Sociais. p. 21

4. Langston, A. B. Esboço de teologia sistemática. pg. 157

5.Gênesis 12.2

6. Êxodo 1.1

7. Êxodo 1.13

8.Grayzel, Salomon. História geral dos judeus. pg. 24

9. Ausubel, Nathan. Conhecimento judaico, pg. 598

10. Levítico 25.23

11. Levítico 25.13

12. Isaías 1.17

13. Lessa, Hélcio da Silva. Ação Social cristã. pg. 25

14. Mateus 5.17

15. Agostinho, Santo. O Sermão da montanha. pg. 42

16. Jeremias, J. Jerusalém nos tempos de Jesus, pg. 345

17. Lucas 10. 25-27

18. Mateus 23.34-40

19. Mateus 9.25

20. Mateus 25.31-46

21. Lucas 23.14

22. Atos 4.34-35

23. Atos 4.32

24. Brakemeier, Gottfried. O Socialismo da primeira cristandade. pg. 8

25. Ibid. pg. 10

26. Cairns, Earle. O Cristianismo através dos séculos. pg. 64

27. Romanos 16.12

28. Romanos 2.11

29. Gálatas 2.20

30. Romanos 13.10

31. Gálatas 5.14

32. I Coríntios 13.6

33. Gálatas 3.28

34. Gálatas 6.10

35. Gálatas 6.9

36. Romanos 12.1

37. Tiago 2.14-17

38. Broadman. Comentário Bíblico. vol 12. pg. 140

39. I Pedro 3.11

40. I João 3.16

41. I João 4.7

42. Stott, John R. W. O Cristão em uma sociedade não cristã. pg. 17

43. Stott, John R. W.Comenta o pacto de Lausanne. pg. 27

44. Lessa, Hélcio da Silva. Ação Social cristã. pg. 74

45. Stott, John R. W. O Cristão em uma sociedade não cristã. pg











OBRAS CONSULTADAS


BÍBLIA SAGRADA - Edição Revista e Corrigida - Imprensa Bíblica Brasileira.

AGOSTINHO, Santo - O Sermão da Montanha - São Paulo, Edições Paulinas, 1992. 208 p

AUSUBEL, Nathan - Conhecimento Judaico - tradução Eva Schechtman Jurkiewicz, Rio de Janeiro, EditoraTradição S.A., 1967. 821 p.

BAZARRA, Carlos - O que é Teologia da Libertação? São Paulo, Edições Paulinas, 1987, 70 p.

BIROU, Alain - Dicionário das Ciências Sociais - Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1982. 455 p.

BRAKEMEIER, Cottfried - O “Socialismo” da Primeira Cristandade - São Leopoldo, Editora Sinodal, 1985, 59 p.

BRYANT, Thurmon E. O Cristão e a Fome mundial - 2ª edição, Rio de Janeiro, JUERP, 1988, 71 p.

CAIRNS,  Earle E. - O Cristianismo através dos séculos - São Paulo, Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, 1992. 508 p.

CAVALCANTI, Robinson - Igreja: Comunidade de Liberdade - São Paulo, Editora Vinde, 1989. 42 p.

CHAPPEL, Catherine Flo - Ministério comunitário Cristão - Rio de Janeiro, UFMBB, 1991. 96 p.

ELWELL, Walter A. - Enciclopédia Histórico-Teológico da Igreja Cristã - São Paulo, Edições Vida Nova, 1990.

GRYZEL, Salomon - História geral dos Judeus - Tradução de Maria Eliane Moraes de Rose. Rio de Janeiro, Editora Tradição S.A. 1967. 448 p.

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